Filosofia Prof. Frederico Pieper Pires Teoria do conhecimento - David Hume e os limites do conhecimento Objetivos Compreender as principais escolas da teoria do conhecimento da modernidade. Discutir a teoria do conhecimento presente no empirismo inglês. Introdução Empirismo surge e se propaga na Inglaterra do século XVII; Torna-se corrente na burguesia inglesa -> Revolução Inglesa.
O conhecimento e a origem das idéias Tradição inglesa de valorização do método experimental. David Hume 1711-1776 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/david_hume Leis científicas são o resultado de generalizações com base na observação repetida de fenômenos constantes indução. Percepção da mente (Idéias) Impressão (Sensação, sentimento) Memória, imaginação O que as diferencia? Vivacidade
Imaginação não cria novos conteúdos, apenas articula o material da sensação. Argumento 1: Idéia complexa Idéia simples Impressão Em primeiro lugar, quando analisamos nossos pensamentos ou idéias, por mais complexos ou grandiosos que sejam, sempre verificamos que eles se decompõem em idéias simples copiadas de alguma sensação ou sentimento precedente. (HUME. Investigações sobre o entendimento humano. Seção I, 6) Ex. da idéia de Deus. Segundo Argumento: Em segundo lugar, quando um homem não pode, por algum defeito orgânico, experimentar sensações de uma certa espécie, sempre verificamos que ele é igualmente incapaz de formar as idéias correspondentes. (HUME. Investigações sobre o entendimento humano. Seção I, 6).
Vídeo Vídeo 5:48-8:00 Atividade Discuta com seus colegas algum argumento que poderia contrapor a tese do empirismo de que todo nosso conhecimento tem origem na experiência. Associação de Idéias Argumentos de que há um princípio de conexão de idéias: a)percebemos quando há proposições fora de lugar; b) Há associação de idéias mesmo num sonho; c) Mesmo numa conversa sem planejamento, há conexão.
Três princípios de conexão de idéias: a) Semelhança; (Ex. Retrato e original) b) Contigüidade no tempo e no espaço; (Ex. Cômodo) c) Causa ou efeito (Ferimento -> dor) Dúvidas céticas 1) Relação de idéias: a) Podem ser demonstradas matematicamente; b) São relação de idéias, e os fatos não alteram esta relação. Ex.: Teorema de Pitágoras. 2) Questões de fato: a)não há demonstração, uma vez que o contrário do fato é possível, pois jamais implica em contradição.
Ex.: O sol não nascerá amanhã. Questão de fato O círculo é quadrado Conclusão: A matemática não fornece demonstrações seguras às questões de fato. Causa e efeito Fundamental quando se trata das questões de fato, especialmente para inferência. Ex.: Encontro relógios numa ilha deserta homens estiveram aqui. Infiro a causa a partir do efeito. Inferência tem fundamento na experiência e não na razão. Ex.: A simples observação da água não me diz que ela pode afogar.
O conteúdo de causas/efeitos é me dado pela experiência e relacionado pela reflexão. Atividade Para Hume, se de súbito fôssemos trazidos ao mundo, poderíamos inferir que uma bola de bilhar passaria seu movimento a outra bola, no caso de um choque? Justifique sua resposta. Pelo simples uso da razão, não se pode inferir a causa a partir do efeito. Sem a experiência há apenas arbitrariedade.
O mais atento exame e escrutínio não permite à mente encontrar o efeito na suposta causa, pois o efeito é totalmente diferente da causa e não pode, conseqüentemente, revelar-se nela. (HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano. Seção IV, 9). quanto às causas dessas causas gerais, entretanto, será em vão que procuraremos descobri-las, e nenhuma explicação particular delas será jamais capaz de nos satisfazer. Esses móveis princípios fundamentais estão totalmente vedados à curiosidade e à investigação humanas. (HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano. Seção IV, 12). Se todo meu conhecimento vem pela experiência, inclusive relações de causa e efeito, como posso projetar um evento no futuro? Ex.: como sei que este pão que se apresenta à minha frente pode me alimentar?
Constatei que tal objeto sempre esteve acompanhado de tal efeito e prevejo que outros objetos, de aparência semelhante, estarão acompanhados de efeitos semelhantes. (HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano. Seção IV, 16). Não envolve operação racional -> exemplo de uma criança. Temos a suposição de que o futuro está em conformidade com o passado. Se passo de A para B com uma suposição, não há argumento que demonstre de forma convincente. De causas que aprecem como semelhantes, esperamos efeitos semelhantes; essa é a súmula de todas as nossas conclusões experimentais. (HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano. Seção IV, 20).
Talvez não possamos levar nossas investigações mais longe do que isso, nem pretender oferecer a causa dessa causa (...) Todas as inferências da experiência são, pois, efeitos do hábito, não do raciocínio. (HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano. Seção V, 4-5). Hábito é propensão, não qualidade inata. A natureza se dá de forma repetitiva e eu tenho inclinação à repetição. Como provar a coincidência de meu pensamento com os eventos da natureza? Se isso não ocorresse, não estaria vivo. Hume não pode chegar a uma causa primeira, pois não pode deduzir a causa a partir do efeito. Ele não nega que há uma causa das causas, mas este conhecimento é vedado ao ser humano.
Filosofia Prof. Frederico Pieper Pires Imagem 1 Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/ 21/David_Hume.jpg>. Acesso em 08/04/2009. Demais imagens são originárias do banco de imagens.