Fls. 2 1 Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta nº 179 - Data 25 de junho de 2014 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONSTRUÇÃO CIVIL. GRUPOS 412, 432, 433 E 439 DA CNAE 2.0. MATRÍCULA CEI ANTERIOR A 31/03/2013. BASE DE CÁLCULO. A empresa de construção civil, cuja atividade principal acha-se inserida num dos grupos 412, 432, 433 e 439 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE 2.0, prevista no inciso IV do art. 7.º da Lei n.º 12.546, de 2011, que possui Matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013, deverá recolher as contribuições previdenciárias, obrigatoriamente, na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, com base na folha total de pagamento, com relação aos segurados vinculados a essas obras. A contribuição patronal relativa aos segurados administrativos dessas empresas seguirá a mesma sistemática estabelecida para o recolhimento da contribuição previdenciária efetuada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Estando a empresa desonerada, a contribuição patronal, relativa aos segurados vinculados à administração, incidirá sobre a receita bruta, devendo ser observado o cálculo previsto no 1.º do art. 13 da Instrução Normativa RFB n.º 1.436, de 2013. Nas competências em que a receita bruta decorrer somente de obras tributadas pela folha de pagamento, a empresa construtora não estará obrigada a recolher as contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, com relação aos segurados vinculados à administração. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.212, de 1991, art. 22, I e III; Lei n.º 12.546, de 2011, art. 7.º, com alterações posteriores (Leis n.º s 12.715, de 2012, e 12.844, de 2013); Instrução Normativa RFB nº 1.436, de 2013, arts. 13 e 14. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PROCESSO DE CONSULTA. INEFICÁCIA PARCIAL. 1
Fls. 3 O processo de consulta destina-se a dirimir dúvidas do sujeito passivo acerca da interpretação de dispositivos da legislação tributária, não se prestando a fornecer orientações procedimentais ou a solucionar questão definida em disposição literal de lei. Dispositivos Legais: IN RFB n.º 1.396, de 2013, art. 1.º e art. 18, incisos IX e XIV. Relatório A interessada, pessoa jurídica acima identificada, optante pelo Simples, conforme cadastro da Receita Federal do Brasil, com base na Medida Provisória n. 612, de 02 de abril de 2013, que alterou a Lei n.º 12.546, de 14 de Dezembro de 2011 - que trata da Desoneração da folha de pagamento na Construção Civil - com o ramo de atividade 41204-00 Construção Civil, formula consulta, nos seguintes termos: (xxx) somente possui Matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013 onde o recolhimento da contribuição previdenciária ocorrerá na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, até o seu término, E quanto à parte administrativa, ou seja sócios e pessoal Rh, financeiro que estão vinculados diretamente ao CNPJ e não a CEI que pelo seu CNAE deve desonerar, não há regra de datas para o cadastro de sua inscrição do CNPJ assim como para o CEI. Qual a forma de tributação para esta situação onde não há faturamento (xxx)? Emitem-se notas para estas obras formalizando meu único faturamento, DESONERO a parte CNPJ sobre este faturamento? É o Relatório. Fundamentos 2. O objetivo da consulta é dar segurança jurídica ao sujeito passivo que apresenta à Administração Pública dúvida sobre dispositivo da legislação tributária aplicável a fato determinado de sua atividade, propiciando-lhe correto cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, de forma a evitar eventuais sanções. Constitui, assim, instrumento à disposição do sujeito passivo para lhe possibilitar acesso à interpretação dada pela Fazenda Pública a um fato determinado. 3. A Solução de Consulta não se presta a verificar a exatidão dos fatos apresentados pelo interessado, uma vez que se limita a apresentar a interpretação da legislação tributária conferida a tais fatos, partindo da premissa de que há conformidade entre os fatos narrados e a realidade factual. Nesse sentido, não convalida nem invalida quaisquer informações, interpretações, ações ou classificações fiscais procedidas pela Consulente e não gera qualquer efeito caso se constate, a qualquer tempo, que não foram descritos, adequadamente, os fatos, aos quais, em tese, aplica-se a Solução de Consulta. 2
Fls. 4 4. Feitas essas considerações, passa-se, a seguir, a analisar a questão suscitada pela consulente, nos limites do entendimento que se extrai da petição de consulta e da informação por ela prestada de que somente possui obras com Matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013 e que suas receitas decorrem somente dessas obras. 5. A Lei n.º 12.546, de 14 de dezembro de 2011, que trata da contribuição previdenciária substitutiva incidente sobre a receita bruta, foi objeto de várias alterações, inclusive para inserção de novos segmentos econômicos e para redução da alíquota fixada em seu artigo 7.º, tendo uma dessas modificações sido promovida pela Medida Provisória n.º 601, de 28 de dezembro de 2012, que inseriu, no regime de tributação substitutivo, algumas empresas do setor de construção civil, como se pode verificar a seguir: Art. 7.º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, à alíquota de 2% (dois por cento): (Redação dada pela Lei n.º 12.715, de 17 de setembro de 2012 ) (Vide art. 78, 2.º da Lei n.º 12.715/2012) IV - (Vide Medida Provisória nº 601, de 28 de dezembro de 2012) IV - as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0; (Incluído pela Lei n.º 12.844, de 19 de julho de 2013 (grifos da transcrição). 6. Da leitura acima, verifica-se que o inciso IV do art. 7.º da Lei n.º 12.546, de 2011, impõe a contribuição substitutiva sobre a receita bruta às empresas do ramo da construção civil enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0, comando que, segundo o inciso III do art. 7.º da Medida Provisória n.º 601, de 2012, entrou em vigor em 01/04/2013. Vale notar, porém, que, como o Congresso Nacional deixou de apreciar essa Medida Provisória no prazo constitucionalmente previsto, tal dispositivo perdeu sua validade em 04/06/2013. 7. Na sequência, a Lei n.º 12.844, de 19 de julho de 2013, promoveu alterações na Lei n.º 12.546, de 2011, voltando a inserir as referidas empresas no regime substitutivo, com previsão de vigência a partir de 01/11/2013. Dessa forma, a contribuição previdenciária prevista nos incisos I e III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, foi substituída pela contribuição incidente sobre a receita bruta de que trata o art. 7.º da Lei n.º 12.546, de 2011, no período compreendido entre 01/04/2013 a 31/05/2013, por força da Medida Provisória n.º 601, de 2012, e, a partir de 01/11/2013, com fundamento na Lei n.º 12.844, de 2013. 8. Já no período decorrido entre a perda de validade da Medida Provisória n.º 601, de 2012, e a entrada em vigor da Lei n.º 12.844, de 2013, o 7.º do art. 7.º da Lei nº 12.546, de 2011, com a redação dada pela Lei n.º 12.844, de 2013, previu a possibilidade de as empresas do ramo da construção civil enquadradas nos referidos grupos da CNAE 2.0 manterem-se no regime substitutivo naquele lapso temporal - de 04/06/2013 a 31/10/2013 - como se pode verificar a seguir: Art. 7.º 3
Fls. 5 IV - as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0. 7.º As empresas relacionadas no inciso IV do caput poderão antecipar para 4 de junho de 2013 sua inclusão na tributação substitutiva prevista neste artigo. 8.º A antecipação de que trata o 7.º será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição substitutiva prevista no caput, relativa a junho de 2013. (grifos da transcrição). 9. O 9.º do citado art. 7.º determinou as seguintes regras para as empresas de construção civil enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0: Art. 7.º 9.º Serão aplicadas às empresas referidas no inciso IV do caput as seguintes regras: I - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI até o dia 31 de março de 2013, o recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, até o seu término; II - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI no período compreendido entre 1.º de abril de 2013 e 31 de maio de 2013, o recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na forma do caput, até o seu término; III - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI no período compreendido entre 1.º de junho de 2013 até o último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o recolhimento da contribuição previdenciária poderá ocorrer, tanto na forma do caput, como na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; IV - para as obras matriculadas no Cadastro Específico do INSS - CEI após o primeiro dia do quarto mês subsequente ao da publicação desta Lei, o recolhimento da contribuição previdenciária deverá ocorrer na forma do caput, até o seu término; V - no cálculo da contribuição incidente sobre a receita bruta, serão excluídas da base de cálculo, observado o disposto no art. 9.º, as receitas provenientes das obras cujo recolhimento da contribuição tenha ocorrido na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. 10. A opção a que se refere o inciso III do 9.º o será exercida de forma irretratável mediante o recolhimento, até o prazo de vencimento, da contribuição previdenciária na sistemática escolhida, relativa a junho de 2013 e será aplicada até o término da obra. 4
Fls. 6 (grifos da transcrição). 10. Em resumo, estando a empresa enquadrada num dos grupos da CNAE previstos no inciso IV do art. 7.º da Lei n.º 12.546, de 2011, e tendo Matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013, deverá recolher as contribuições previdenciárias descritas no art. 22, incisos I e III, da Lei n.º 8.212, de 1991, com base na folha de pagamento, com relação aos segurados vinculados a essas obras, observando o que segue: obrigatoriamente, para as obras matriculadas até 31/03/2013, até o seu término; facultativamente, para as obras matriculadas entre 01/06/2013 a 31/10/2013, até o seu término. 11. Sob o enfoque legal comentado, considerando que a empresa consulente afirma que somente possui Matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013, as contribuições previdenciárias deverão ser recolhidas, com relação aos empregados vinculados a essas obras, obrigatoriamente, na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, com base na folha de pagamento. 12. É importante esclarecer que a regra de transição estabelecida no art. 7.º, 9.º, da Lei n.º 12.546, de 2011, deve ser aplicada apenas com relação aos segurados vinculados especificamente às obras matriculadas no CEI de responsabilidade da empresa construtora. É o que dispõe o art. 13, 4.º da Instrução Normativa RFB n.º 1.436, de 30 de dezembro de 2013. 13. No que tange ao pessoal administrativo (sócios e pessoal RH), a Instrução Normativa RFB n.º 1.436, de 2013, em seu art. 14, assim estabelece: Art. 14. A contribuição patronal relativa aos segurados administrativos das empresas de construção civil seguirá a mesma sistemática estabelecida para o recolhimento da contribuição previdenciária efetuada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). 14. Sendo assim, no período em que a empresa estiver desonerada, a contribuição patronal relativa ao pessoal vinculado à administração incidirá sobre a receita bruta, devendo o cálculo da contribuição obedecer ao que dispõe o 1.º do art. 13 da mencionada IN: 1.º No cálculo da CPRB pelas empresas de que trata o caput, serão excluídas da base de cálculo, observado o disposto no art. 3.º, as receitas provenientes das obras a que se referem o inciso I e o inciso III que optarem por recolher a contribuição previdenciária na forma dos incisos I a III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991. 14.1. Dessa forma, nas competências em que a receita bruta decorrer somente de obras tributadas sobre a folha de pagamento, a base de cálculo da contribuição patronal relativa aos segurados vinculados à administração será igual a zero, por conseguinte, a contribuição patronal desses segurados também será igual a zero. 15. Quanto à questão relativa à emissão de notas, cabe considerá-la INEFICAZ, nos termos do art. 1.º e 18, incisos IX e XIV, da IN RFB n.º 1.396, de 2013, uma vez que não se refere à interpretação de dispositivo da legislação tributária, caracterizando-se como procedimento que a empresa deve realizar para fins tributários, matéria que pode ser elucidada 5
Fls. 7 no Plantão Fiscal do domicílio fiscal da consulente. Acresce a isso o fato de que a emissão de notas fiscais é uma obrigação acessória, que deve ser cumprida pela pessoa jurídica em qualquer regime de tributação em que se enquadre, e, no caso de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, nos termos do art. 26 e incisos da LC n.º 123, de 14 de dezembro de 2006. Conclusão 16. Em vista do exposto, soluciona-se a presente consulta nos seguintes termos: a) Declarando INEFICAZ a questão acerca da emissão de notas, nos termos dos artigos 1.º e 18, incisos IX e XIV, da IN RFB n.º 1.396, de 2013; b) Esclarecendo à consulente que, considerando a informação de que ela somente possui obras com matrículas CEIs anteriores a 31/03/2013 e que suas receitas são decorrentes dessas obras, as contribuições previdenciárias dos empregados vinculados a essas obras deverão ser recolhidas, obrigatoriamente, na forma dos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, com base na folha total de pagamento; e c) Com relação aos segurados vinculados à administração, a contribuição previdenciária patronal segue a mesma sistemática da contribuição efetuada no CNPJ da empresa; assim, nas competências em que a receita bruta decorrer somente de obras tributadas pela folha, a empresa construtora não estará obrigada a recolher as contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, no que tange àqueles segurados. ANGELA MARIA MAGNAN BARBOSA Auditora-Fiscal da RFB De acordo. À consideração superior. AGUEDA CAROLO QUINTAS ALVES Auditora-Fiscal da RFB De acordo. Encaminhe-se ao Coordenador COPEN. JOSÉ CARLOS SABINO ALVES Auditor-Fiscal da RFB-Chefe da Disit07 De acordo. Ao Coordenador-Geral da para aprovação. MIRZA MENDES REIS Auditora- Fiscal da RFB Coordenadora da Copen 6
Fls. 8 Ordem de Intimação Aprovo a Solução de Consulta. Publique-se e divulgue-se nos termos do artigo 27 da IN RFB n.º 1.396, de 16 de setembro de 2013. Dê-se ciência à interessada. FERNANDO MOMBELLI Coordenador-Geral da 7