Análise Táctica no Futebol: Estudo exploratório dos comportamentos tácticos desempenhados por jogadores no campo relvado e no campo pelado.

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Transcrição:

Análise Táctica no Futebol: Estudo exploratório dos comportamentos tácticos desempenhados por jogadores no campo relvado e no campo pelado. Carlos Miguel Morais Coelho Dias Porto, 2009

Análise Táctica no Futebol: Estudo exploratório dos comportamentos tácticos desempenhados por jogadores no campo relvado e no campo pelado Monografia realizada no âmbito da disciplina de Seminário do 5º ano da licenciatura em Desporto e Educação Física, na área de Alto Rendimento Futebol, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto Orientador: Professor Doutor Júlio Garganta Co-Orientador: Mestre Israel Teoldo da Costa Autor: Carlos Miguel Morais Coelho Dias Porto, 2009

Dias, C. (2009). Análise Táctica no Futebol: Estudo exploratório dos comportamentos tácticos desempenhados por jogadores no campo relvado e no campo pelado. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: FUTEBOL; ANÁLISE DE JOGO; TÁCTICA; CAMPO PELADO; CAMPO RELVADO.

Agradecimentos Agradecimentos Ao meu PAI Obrigado por eu ser quem sou. Vivo para ti Ao Mestre Israel, pela disponibilidade que sempre demonstrou na realização deste trabalho, pelos conhecimentos que transmite, pela ajuda, e sobretudo pela amizade. Ao Prof. Doutor Júlio Garganta, pela disponibilidade e compreensão que demonstrou em todos os momentos. Ao Paulo pela sua grandiosa amizade e ajuda. Ao meu grande amigo Pedro pela disponibilidade. Ao Bernardo o muito obrigado pela ajuda nos momentos mais difíceis. Ao Cláudio Farias. Ao Xuxa, ao Daniel, ao Tiago e ao Roberto, obrigado. Aos meus amigos de longa data, Salgado, Romain, Ângela e Rocha. À minha MÂE e IRMÃS obrigado por acreditarem. À minha restante Família. A ti Carolina por estares sempre comigo, obrigado. III

Índice Geral Índice Geral Agradecimentos Índice Geral Índice de Quadros Resumo Abstract Résumé Abreviaturas III V IX XI XIII XV XVII I INTRODUÇÃO 1 II REVISÃO DA LITERATURA 5 1. Futebol enquanto um jogo táctico 7 2. Táctica 9 3. Princípios de Jogo 11 3.1. Princípios Tácticos fundamentais da fase ofensiva 13 3.1.1. Princípio da Penetração 13 3.1.2. Princípio da Cobertura Ofensiva 13 3.1.3. Princípio da Mobilidade 13 3.1.4. Princípio do Espaço 13 3.1.5. Princípio da Unidade Ofensiva 14 3.2. Princípios Tácticos específicos da fase Defensiva 14 3.2.1. Princípio da Contenção 14 3.2.2. Princípio da Cobertura Defensiva 14 3.2.3. Princípio do Equilíbrio 15 3.2.4. Princípio da Concentração 15 3.2.5. Princípio da Unidade Defensiva 15 4. Análise do Jogo 16 5. Implicações dos tipos de pisos para a dinâmica do jogo 21 V

Índice Geral III OBJECTIVOS 25 1. Objectivo Geral 27 2. Objectivos Específicos 27 IV MATERIAL E MÉTODOS 29 1. Caracterização da Amostra 31 2. Instrumento 31 3. Procedimento 31 4. Material 31 5. Análise Estatística 32 6. Análise da Fiabilidade 32 V APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 35 5.1. Campo Relvado 37 1. Princípios Tácticos obtidos no piso relvado no teste GR3-3GR. 37 5.1.1. Acções Tácticas em função dos Princípios 37 2. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Índice 40 Percentual Táctico no campo relvado. 5.1.2. Índice de Performance Táctica (IPT) 40 3. Média e desvio padrão das variáveis da categoria Percentual de 42 Erros (PE) no campo relvado. 5.1.3. Percentual de Erros (PE) 42 5.2. Campo Pelado 44 4. Princípios Tácticos obtidos no piso pelado no teste GR3-3GR. 44 5.2.1. Acções Tácticas em função dos Princípios 44 5. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Índice 47 Percentual Táctico no campo pelado. 5.2.2. Índice de Performance Táctica (IPT) 47 6. Média e desvio padrão das variáveis da categoria Percentual de 49 Erros (PE) no campo pelado. VI

Índice Geral 5.2.3. Percentual de Erros (PE) 49 VI CONCLUSÕES E SUGESTÕES 53 Sugestões para trabalhos futuros 57 VII REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 59 VII

Índice de Quadros Índice de Quadros Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Princípios Tácticos obtidos no piso relvado no teste GR3-3GR. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Índice de Performance Táctica no campo relvado. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Percentual de Erro no campo relvado. Princípios Tácticos obtidos no piso pelado no teste GR3-3GR. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Índice de Performance Táctica no campo pelado. Médias e Desvio Padrão das Variáveis na categoria Percentual de Erro no campo relvado. 38 40 42 44 46 48 IX

Resumo Resumo Com este trabalho pretende-se verificar como o comportamento táctico dos jogadores de Futebol se apresenta em função do campo relvado e do campo pelado, com o intuito de explorar de uma forma descritiva a frequência de ocorrência dos princípios tácticos adoptados pelos jogadores nos distintos pisos. A amostra integra 4023 acções tácticas desempenhadas por 72 jogadores, sendo 1893 acções no campo relvado e 2130 no campo pelado. O instrumento utilizado para a recolha e análise dos dados foi o teste GR3-3GR que permite avaliar as acções tácticas de acordo com dez princípios tácticos fundamentais do jogo de Futebol. Foi realizada a análise descritiva e o teste do Qui-quadrado ( ²), com um nível de significância (p 0,05) para ver a associação das variáveis. Os resultados indicaram diferenças estatisticamente significativas (p 0,05) nas variáveis analisadas. Conclui-se que os jogadores no teste GR3-3GR tanto no campo relvado como no campo pelado apresentaram mais dificuldades nos comportamentos tácticos defensivos comparativamente com os comportamentos tácticos ofensivos. Assim, o campo relvado propiciou a realização do princípio unidade ofensiva e cobertura defensiva com o melhor índice de performance táctica, enquanto que o princípio penetração e equilíbrio o maior percentual de erros. Já o campo pelado propiciou a realização do princípio espaço e cobertura defensiva com o melhor índice de performance táctica e o princípio unidade ofensiva e unidade defensiva com o maior Percentual de Erros. Palavras-Chaves: FUTEBOL; ANÁLISE DE JOGO; TÁCTICA; CAMPO PELADO; CAMPO RELVADO. XI

Abstract Abstract The aim of this monography is to verify how the tactical behaviour of football players change in both grass and dirt pitch, in order to explore in a descriptive manner, the frequency of occurrences of the tactical principals adapted by these players in the different football fields. The sample integrated 4023 tactical activities were observed, carried out by 72 players, and of these, 1893 were carried out on a grass field and 2130 on a dirt pitch. GR3-3GR test was used to collect and analyze data, permitting the evaluation of tactical actions according to ten fundamental principals of tactical football. Both the descriptive analysis and the Chi-Square test ( ²) were carried out using a significant value of p 0,05 for variable associations. Results demonstrated different statistical significance on the variables analysed. The GR3-3GR test concluded that, football players in both fields had more difficulties in defensive rather then offensive tactical moves. Therefore, the grass field led to the realization of the offensive unity and defensive coverage principles with the best tactical performance index, and in contrast, the penetration and equilibrium principle had the greater percentage of error. Dirt field, on the other hand, led to the realization of a greater performance tactical index in the space and defensive coverage principles, while the greater error percentage were found in the offensive and defensive unity principals. Key words: FOOTBALL; GAME ANALYSIS; TACTIC; DIRT FIEL; GRASS FIEL. XIII

Resumé Résumé Avec se travaille je prétends vérifier les comportements tactique des footballeurs en fonction du terrain gazonné et du terrain nu, avec l intention d explorer une forme descriptif de fréquence à l occurence des principes tactique des joueurs sur les diferents sol. L échantillon est intégrer par 4023 (quatre mille et vingt trois) actions tactiques exercer par 72 (soixante douze) footballeurs, soit 1893 (Mille huit cents quatre-vingt-treze) actions sur terrain gazonné et 2130(deux mille cents trente) en terrain nu. L instrument de recherche et d analyse utiliser a été le test GR3-3GR qui a permit évaluer les actions tactiques en acord avec dix príncipes tactiques fondamental dans un jeu de fooball. A été realisée l analyse descriptif et le test du Qui-Carré ( ²), avec un niveau significatif p 0,05 pour associé les variable. Les résultats indiquent des différences significatives (p 0,05) des variables en étude. Ceci conclut que les footballeurs du test GR3-3GR tant sur le terrain gazonné comme sur le terrain nu ont apresenté plus de dificulté aux tactiques defensive à comparer aux tactiques offensive. Le terrain gazonné facilite la réalisation du principe unité offensive et coverture défensive avec meilleur indice de performance tactique, pendant que le principe pénétration et équilibre le plus fort pourcentage d erreurs. Le terrain nu a permis le principe espace et couverture défensive avec meilleur índice de performance tactique et príncipe unité offensive et unité défensive avec plus de pourcentage d erreurs. Mots-clés: FOOTBALL ; ANALYSE DU JEU ; TACTIQUE ; TERRAIN NU ; TERRAIN GAZONNÉ. XV

Abreviaturas Abreviaturas AJ Análise do Jogo DS Diferenças Significativas GR Guarda-redes IPT Índice de Performance Táctica JD Jogos Desportivos JDC Jogos Desportivos Colectivos PE Percentual de Erro SPSS - Statistical Package for Social Science XVII

I. INTRODUÇÃO

Introdução Introdução No futebol, tal como nos jogos desportivos colectivos (JDC), a essência do rendimento é fundamentalmente táctica (Pinto, 1996). Assim, a análise da performance táctica tem sido objecto de elevado interesse para investigadores e treinadores, pois a eficácia das equipas depende em grande parte da acção táctica dos jogadores. Segundo Garganta (1998), para os investigadores a reflexão acerca da táctica visa o aumento dos conhecimentos sobre o processo, o conteúdo e a lógica do jogo, enquanto que para os treinadores o estudo da táctica tem o objectivo de modelar as situações de treino para alcançar eficácia competitiva. A análise táctica já constituiu tema de vários estudos (Bayer, 1986; Gréhaigne & Guillon, 1992; Konzag, 1983) que realçaram a elevada importância desta faceta na performance dos jogadores e das equipas. Perante a necessidade de analisar o jogo, alguns investigadores têm recorrido à Análise Notacional (Hughes & Franks, 1997) que permite ao treinador e ao investigador aceder às informações consideradas mais relevantes, no que respeita ao desempenho dos jogadores e às tendências do jogo (Garganta, 1997). Com a evolução constante do futebol e o aumento das exigências na qualidade de jogo, é necessário que os treinadores tenham informações concretas a que possam recorrer para melhorarem a acção das suas equipas e dos seus jogadores. Desta forma, a análise notacional em desporto poderá ser a resposta à limitada capacidade dos treinadores para recolher e tratar a informação, assim como eliminar a inevitável emoção e parcialidade que o liga ao jogo e aos seus jogadores, ajudando na reformulação das suas opiniões preestabelecidas e que condicionam toda a informação recolhida durante a competição (Caldeira, 2001). Esta análise fornece indicações para melhor interpretar as performances desportivas (Lopes, 2007). A pertinência deste trabalho está ligada à possibilidade de aceder a conhecimentos sobre a forma como os jogadores se comportam tanto no piso relvado como no pelado, para que essas informações sejam aproveitadas para trazer benefícios ao processo de ensino e de treino e ainda para a competição. 3

Introdução É indispensável que se jogue Futebol de múltiplas maneiras, com diversas bolas, com diversos tamanhos e se possível descalço, porque é ai que está a sensibilidade Devemos procurar a instabilidade, ou seja, a variância de pisos como um processo fundamental para trabalhar a proprioceptividade. Não se cai da mesma forma, não se dribla da mesma maneira, no relvado e no pelado. É fundamental nas idades mais tenras proporcionar aos jovens jogadores essas diferenças de pisos para melhorarem a relação com a bola, dado que essas idades são uma etapa crucial para o seu desenvolvimento (Frade, 2008). O nosso estudo é composto por oito pontos. No ponto I, são apresentados os propósitos da realização do trabalho, com a realização da introdução. O ponto II reporta-se à revisão da literatura, que tem como finalidade conferir sustentabilidade teórica ao nosso estudo. Na III parte, damos a conhecer qual o objectivo que pretendemos alcançar com a realização do trabalho. No ponto IV, material e métodos, descrevemos o procedimento utilizado para a recolha dos dados, a sua organização e o tratamento estatístico. No ponto V, apresentamos os resultados da recolha dos dados. No ponto VI, fazemos uma reflexão e interpretação do corpus de estudo, tentando dar resposta ao objectivo formulado. As principais conclusões constituem o ponto VII, que tem como propósito expor as considerações finais mais relevantes do nosso estudo. O ponto VIII ficou reservado para as referências bibliográficas utilizadas. 4

II. REVISÃO DA LITERATURA

Revisão da Literatura 1. Futebol enquanto um jogo Táctico Devido à riqueza das situações que proporcionam, os jogos desportivos colectivos (JDC) constituem um meio formativo por excelência (Mesquita, 1992), na medida em que a sua prática, quando correctamente orientada, induz ao desenvolvimento de competências em vários planos dos quais se podem salientar o táctico-cognitivo, o técnico e o sócio-afectivo (Garganta, 1994). Para Castelo (1996) o jogo de Futebol é um jogo desportivo colectivo que opõe duas equipas formadas por 11 jogadores num espaço claramente definido, numa luta incessante pela conquista de bola com o objectivo de a introduzir o maior número vez possível na baliza adversária e evitar que esta entre na sua própria baliza. Teodorescu (1984) define o jogo de futebol como um desporto colectivo, com carácter lúdico, agonístico e processual, em que os 11 jogadores que constituem as duas equipas se encontram numa relação de adversidade típica não hostil, denominada de rivalidade desportiva. O jogo de futebol, segundo Castelo (1994), é o conjunto de acções ofensivas e defensivas que se formam num determinado espaço e tempo de jogo. Mediante estas características, o autor assegura que em cada país, campeonato, clube ou treinador se atribui às equipas particularidades específicas que lhe emprestam um carácter verdadeiramente único. Para que o objectivo do jogo seja alcançado é necessário adoptar comportamentos de apoio entre os elementos da própria equipa e desenvolver uma atitude forte de oposição para com os elementos da equipa adversária. Segundo Garganta e Pinto (1994) a relação de sinal contrário que se verifica em duas equipas que disputam um jogo de futebol faz com que os jogadores de cada uma delas, individualmente ou em grupo, adoptem diversos comportamentos de forma a criarem situações favoráveis para a concretização dos seus objectivos. Muitos treinadores adoptam uma concepção de treino que privilegia a desmontagem e remontagem de gestos técnicos elementares e o seu transfer para o jogo. Nesta perspectiva não deve ser ensinado o modo de fazer 7

Revisão da Literatura (técnica) é separado das razões de fazer (táctica). Face ao jogo, o primeiro problema que se coloca ao indivíduo que actua é sempre de natureza táctica, isto é, o praticante deve saber o que fazer e como fazer para poder resolver o problema subsequente, seleccionando e utilizando a resposta motora mais eficaz. Para Garganta (1994) existem três formas didáctico-metodológicas de abordar o ensino do jogo de futebol: - Utilizando uma forma centrada nas técnicas, um solução imposta que parte da abordagem analítica das técnicas para o jogo formal; - Utilizando uma forma centrada no jogo formal, por ensaio e erro, com a utilização exclusiva do jogo formal; - Utilizando uma forma centrada nos jogos condicionados, com uma procura dirigida partindo do jogo para as situações particulares. Contudo o autor defende que até se chegar ao jogo formal, há que resolver um conjunto de problemas de carácter hierárquico em função da estrutura dos elementos do jogo. Desta forma, no ensino do jogo, deve ter-se em conta etapas de referência que correspondem a diversos níveis de estado evolutivo dos atletas No ensino do futebol, para além de se ter em conta as características e princípios comuns a outros jogos desportivos colectivos, importa atender à especificidade do jogo (Garganta, 1994). De acordo com a importância que a táctica demonstra exercer nos jogos desportivos (JD), apresentamos segundo Queiroz (1983) as suas componentes fundamentais: - As fases - etapas percorridas no desenvolvimento, quer do ataque quer da defesa desde o seu início até à sua conclusão; - Os princípios - normas de base segundo as quais os jogadores individualmente, em grupo ou colectivamente, devem coordenar a sua actividade durante o desenvolvimento das fases (defesa e ataque); - Os factores - meios que os jogadores utilizam, qualquer que seja a fase do jogo, tendo em conta a aplicação dos respectivos princípios; - As formas - estruturas organizadoras da actividade durante o jogo e nas diversas fases. 8

Revisão da Literatura 2. Táctica No futebol, assim como nos JDC, a essência do rendimento é fundamentalmente táctica apesar desta depender de uma interligação adequada de todos os factores, como a técnica e condição física. Táctica não era mais do que a distribuição mais ou menos equilibrada e racional dos jogadores no espaço de jogo. Foi esta vertente estrutural que durante muito tempo prevaleceu. Táctica era falar do sistema clássico, do WM, do 4x4x2, do 4x3x3, entre outros (Pinto, 1996). As características do jogo alteram-se de uma forma significativa com o aumento da autonomia e o alargamento do espaço de acção dos jogadores e, desta forma, as equipas passam a ser vistas como um todo, como um sistema em que um conjunto de jogadores em interacção dinâmica está organizado em função de um objectivo (Pinto, 1996). Segundo Moreno (1993), táctica é definida como acções de ataque e de defesa que se podem realizar para surpreender ou contrariar o adversário, durante uma partida e com a bola em jogo. Duprat (2007) refere táctica pela organização espacial dos jogadores no campo, face às circunstâncias da partida, relativamente às movimentações da bola e às alternativas de acção, tanto dos companheiros como dos adversários. Essa capacidade táctica confere um destaque especial para as movimentações e posicionamento no campo, deixando perceber a capacidade do jogador para ocupar e/ou criar espaços livres em função dos princípios tácticos adequados para o momento. Esta relação entre jogadores, equipas e o contexto do jogo origina padrões (normalmente designados como padrões de jogo) e transições entre eles. Estas transições ocorrem baseadas em processos auto-organizados num sistema com muitos graus de liberdade em contínua interacção (Araújo et al., 2006). Sendo assim, tem de haver mais que um comportamento predefinido ou pré-programado para o jogo (Araújo et al., 2005). De facto, os jogadores expressam acções exploratórias e performativas com os outros jogadores e, no contexto do jogo, visando um objectivo. Durante este processo, as decisões 9

Revisão da Literatura comportamentais emergem da interacção dos constrangimentos do jogador, do seu objectivo e do contexto. Costa et al. (2009b) referem que no Futebol as interacções geradas pelas equipas nas diferentes situações de jogo requerem uma ajustada e continuada atitude táctica dos jogadores, na medida em que os mesmos são chamados a perceber e até a antecipar as movimentações dos companheiros e dos adversários, formulando respostas ajustadas, baseadas em princípios de jogo que consubstanciam regras de acção para jogar de modo eficaz. Numa equipa é a táctica que, a partir de um conjunto de jogadores todos diferentes, cria uma unidade homogénea, fazendo aparecer características próprias da equipa que podem não reflectir em absoluto as características dos seus elementos (Pinto, 1996). Segundo Araújo (2005: p.24), a acção táctica é uma sequência interdependente de decisões e de acções que devem ser tomadas em tempo útil, num contexto em mudança e para um determinado fim contribuindo para o projecto colectivo da equipa. Ao nível do alto rendimento desportivo, os jogadores e as equipas possuem uma forte disciplina táctica entendida como a observância dos princípios que permitem operacionalizar o modelo de jogo preconizado (Garganta, 1998). A táctica exprime-se por comportamentos observáveis e não depende do livre arbítrio. Decorre de um processo decisional metódico regulado por normas, que depende de um certo grau de consciência, pressupondo informação e conhecimento. Conhecimento este referente aos sujeitos da acção, às condições em que se desenvolve o confronto, à relação intrínseca com os objectivos, ao carácter sistemático reflectido nos planos e alternativas para a resolução dos problemas colocados (Gréhaigne, 1992). O mesmo autor refere ainda que a táctica é a adaptação instantânea da estratégia às configurações do jogo e à circulação da bola, logo há oposição. Diante da importância das transformações operadas no jogo, tem aumentado o número de estudos que visam avaliar a respectiva dimensão táctica e/ou organizacional (Barreira, 2006; Cunha, Binotto, & Barros, 2001; 10

Revisão da Literatura Ferreira, Paoli, & Costa, 2008; Garganta,1997; Gréhaigne, Godbout, & Bouthier, 1997), o que revela a importância que lhe é reconhecida, nomeadamente no que respeita à sua influência no rendimento das equipas e dos jogadores. 3. Princípios de Jogo Observa-se na literatura que as definições dos princípios de jogo ainda se encontram num plano conceptual, no qual os autores utilizam variadas terminologias, referências e características para defini-los. Segundo Garganta e Pinto (1994), princípios de jogo são um conjunto de normas sobre o jogo que proporcionam aos jogadores a possibilidade de atingirem rapidamente soluções tácticas para os problemas advindos da situação que defrontam. Assim os princípios de jogo precisam ser subentendidos e estar presentes nos comportamentos dos jogadores durante uma partida, para que a sua aplicação facilite atingir objectivos que conduzem à marcação de um golo ou ao seu impedimento. Colectivamente, a aplicação dos princípios auxilia a equipa no melhor controlo do jogo, a manter a posse de bola, a realizar variações na sua circulação, a alterar o ritmo de jogo e a concretizar acções tácticas visando romper o equilíbrio da equipa adversária e, consequentemente, alcançar mais facilmente o golo (Aboutoihi, 2006). Por isso, quanto mais ajustada e qualificada for a aplicação dos princípios tácticos durante o jogo, melhor poderá ser o desempenho da equipa ou do jogador na partida. Dos vários conceitos apresentados pelos diferentes autores acerca dos princípios de jogo, parte deles relacionam a organização táctica dos jogadores no campo de jogo, com os princípios gerais, operacionais e fundamentais. Os princípios gerais são comuns às diferentes fases do jogo e aos outros princípios (operacionais e fundamentais), pautando-se em três conceitos advindos das relações espaciais e numéricas, entre os jogadores da equipa e os adversários nas zonas de disputa pela bola: (i) não permitir a inferioridade numérica; 11

Revisão da Literatura (ii) evitar a igualdade numérica; (iii) procurar criar a superioridade numérica. (Queiroz, 1983;Garganta; Pinto, 1994). Os princípios operacionais relacionam os conceitos para as duas fases do jogo (defesa e ataque). Na defesa: (i) anular as situações de finalização; (ii) recuperar a bola; (iii) impedir a progressão do adversário; (iv) proteger a baliza; (v) reduzir o espaço de jogo adversário. No ataque: (i) conservar a bola; (ii) construir acções ofensivas; (iii) progredir pelo campo de jogo adversário; (iv) criar situações de finalização; (v) finalizar na baliza adversária. Os princípios fundamentais representam um conjunto de regras de base que orientam as acções dos jogadores e da equipa nas duas fases do jogo (defesa e ataque), com o objectivo de criar desequilíbrios na organização da equipa adversária, estabilizar a organização da própria equipa e propiciar aos jogadores uma intervenção ajustada no centro de jogo (Worthington, 1974; Hainaut & Benoit, 1979; Queiroz, 1983; Garganta; Pinto, 1994; Castelo, 1999). Costas et al. (2009b) referem cinco princípios para cada fase de jogo condizentes com os seus objectivos. Na defesa, os princípios são os seguintes: (i) da contenção, (ii) da cobertura defensiva, (iii) do equilíbrio, (iv) da concentração e (v) da unidade defensiva; e no ataque os princípios são: (i) da penetração, (ii) da mobilidade, (iii) da cobertura ofensiva, (iv) do espaço e (v) da unidade ofensiva. Estes princípios possuem uma relação dialéctica, ou seja, para cada um dos cinco princípios do ataque (penetração, cobertura ofensiva, mobilidade, espaço e unidade ofensiva) existem outros tantos da defesa 12

Revisão da Literatura (contenção, cobertura defensiva, equilíbrio, concentração e unidade defensiva) que possuem objectivos opostos. 3.1. Princípios Tácticos fundamentais da fase ofensiva 3.1.1. Princípio da Penetração O princípio da penetração caracteriza-se pelo destabilizar da organização defensiva adversária, atacando directamente o adversário ou a baliza e ao mesmo tempo intentando criar situações vantajosas para o ataque em termos numéricos e espaciais. 3.1.2. Princípio da Cobertura Ofensiva Caracteriza-se pelo apoio ao portador da bola oferecendo-lhe opções para dar sequência ao jogo e assim diminuir a pressão adversária sobre o portador. Pretende-se criar desequilíbrios na organização defensiva adversária criando superioridade numérica e mantendo a posse de bola. 3.1.3. Princípio da Mobilidade O princípio da mobilidade caracteriza-se por criar situações de ruptura na organização defensiva adversária com linhas de passe em profundidade e nas costas do último homem da defesa, de forma a criar instabilidade nas acções defensivas da equipa adversária e a aumentar substancialmente as hipóteses de marcar um golo. 3.1.4. Princípio do Espaço Dentro deste princípio táctico podemos verificar o princípio táctico do espaço sem bola e espaço com bola. Relativamente ao espaço sem bola, as acções deste princípio iniciam-se após a recuperação da posse da bola, quando todos os jogadores da equipa procuram e exploram posicionamentos que propiciam a ampliação do espaço de jogo ofensivo, tanto em largura como em profundidade, com movimentos para espaços de menor pressão, tendo como orientação os comportamentos técnico-tácticos dos seus companheiros e adversários em função da 13

Revisão da Literatura localização da bola. Assim, quanto mais espaço a equipa tiver para atacar, melhor serão as respostas dadas às exigências do próprio jogo. No espaço com bola, são realizadas movimentações do portador da bola em direcção à linha lateral ou à própria baliza com o intuito de ganhar espaço e tempo para dar sequência ao jogo. 3.1.5. Princípio da Unidade Ofensiva Movimentações de apoio ofensivo realizadas por um ou mais jogadores que se colocam e agem na retaguarda dos jogadores atacantes, garantindo a equipa organizada e permitindo linhas de passe, para manter a posse de bola com o objectivo de facilitar o deslocamento da equipa para o campo de jogo adversário com a equipa a atacar em unidade ou em bloco. 3.2. Princípios Tácticos específicos da fase Defensiva 3.2.1. Princípio da Contenção Acção de oposição do jogador da defesa ao portador da bola, com um posicionamento entre a bola e a própria baliza, de forma a orientar a progressão do portador da bola, restringindo as possibilidades de passe a outros adversários, assim como impedir a finalização. Movimento que proporciona ganho de tempo para ajudar na organização defensiva. 3.2.2. Princípio da Cobertura Defensiva O princípio da cobertura defensiva está relacionado com as acções de apoio de um jogador às costas do primeiro defensor, de forma a reforçar a marcação defensiva e a evitar o avanço do portador da bola em direcção à baliza. Tem como objectivo servir de novo obstáculo ao portador da bola, caso esse ultrapasse o jogador de contenção. Transmite segurança ao jogador da contenção, permitindo que ele tenha a iniciativa de combate às acções ofensivas do adversário com bola. 14

Revisão da Literatura 3.2.3. Princípio do Equilíbrio No que concerne ao equilíbrio, podemos verificar o princípio táctico do equilíbrio defensivo e o princípio de equilíbrio de recuperação. O principio táctico do equilíbrio defensivo refere-se à organização defensiva da equipa possuindo superioridade, ou no mínimo igualdade numérica de jogadores de defesa no centro do jogo, posicionados entre a bola e a própria baliza, reajustando o posicionamento defensivo em relação às movimentações dos adversários, com intenção de obstruir certas linhas de passe, assegurando a estabilidade defensiva na região de disputa de bola e apoio aos companheiros que executam as acções de contenção e cobertura defensiva. O princípio táctico do equilíbrio de recuperação refere-se à recuperação da posse de bola que se realiza nas costas do portador da bola e dentro do centro de jogo. 3.2.4. Princípio da Concentração Direccionar o jogo ofensivo adversário para zonas menos vitais do campo de jogo, evitando que surjam espaços livres principalmente nas costas dos jogadores que realizam a contenção, a cobertura defensiva e o equilíbrio defensivo. As acções de concentração podem ser feitas em qualquer zona do campo de jogo, bastando que para isso todos os jogadores envolvidos na acção tenham consciência da importância da sua movimentação na redução do espaço e no incremento da pressão no centro de jogo. As acções características deste princípio podem ser observadas quando os jogadores da defesa mais distantes em relação ao portador da bola conseguem aglutinar, adoptando posicionamentos mais próximos entre si, de forma a limitar as opções ofensivas do adversário. 3.2.5. Princípio da Unidade Defensiva Este princípio permite à equipa defender em unidade ou em bloco, reduzindo o espaço de jogo, com diminuição da amplitude ofensiva da equipa adversária na sua largura e profundidade, para obstruir possíveis linhas de passe para os jogadores que se encontram fora do centro de jogo. Os 15

Revisão da Literatura jogadores responsáveis por cumprir o princípio da unidade defensiva necessitam ser coerentes nos seus deslocamentos, como por exemplo, a movimentação do jogador lateral para o centro do campo para ajudar na compactação da equipa, quando a acção do jogo está a ser desenvolvida no lado oposto. 4. Análise do Jogo Garganta (2001) identifica na literatura o uso de diferentes expressões para designar o estudo do jogo a partir da observação da actividade dos jogadores e das equipas observação do jogo (game observation), análise notacional (notational analysis) e análise do jogo (match analysis). Mas existirá realmente alguma diferença entre estes três conceitos? Garganta (2000) indicia uma opinião idêntica ao referir que a AJ é entendida como o estudo do jogo a partir da observação da actividade dos jogadores e das equipas. Bacconi e Marella (1995) consideram que a observação do jogo engloba apenas a recolha e colecção de dados da partida em tempo real, enquanto que a AJ diz respeito à recolha e colecção de dados em tempo diferido, sendo que, os eventuais erros cometidos durante a observação poderão ser corrigidos a posteriori durante o processo de análise. A análise notacional em desporto poderá ser a resposta à limitada capacidade dos treinadores para recolher e tratar a informação, assim como eliminar a inevitável emoção e parcialidade que o liga ao jogo e aos seus jogadores, ajudando na reformulação das suas opiniões preestabelecidas e que condicionam toda a informação recolhida durante a competição (Caldeira, 2001). Esta análise fornece indicações para melhor interpretar as performances desportivas (Lopes, 2007). Daqui resulta a ideia de que a AJ parece já englobar a fase da observação e notação, sendo por isso a expressão mais utilizada na literatura (Garganta, 1997). 16

Revisão da Literatura A análise táctica do jogo Gr+3x3+Gr vai também de encontro com aquilo que Garganta (1997) considera ser o desejável sentido de evolução da investigação nos jogos desportivos colectivos: i) a incidência nos jogadores enquanto produtores do jogo; ii) a não subvalorização do contexto táctico em que as acções decorrem, uma vez que é este que dá sentido ao comportamento dos jogadores; iii) a análise de sequências em detrimento dos dados avulsos; iv) as características dos processos que conduzem a diferentes produtos, ou que tipo de condutas emergem como consequência de determinados comportamentos. Com a evolução constante do futebol e o aumento das exigências na qualidade de jogo, é necessário que os treinadores tenham informações concretas a que possam recorrer para o melhoramento das suas equipas e dos seus jogadores. Na opinião de Garganta (2000), conforme se quer jogar, assim se deve treinar. Deve existir uma relação de interdependência entre a preparação e a competição. A especificidade aconselha o treino dos aspectos que se relacionam directamente com o jogo, privilegiando o transfere das aquisições operadas no treino para o contexto específico do jogo. Garganta (2001), destaca a importância da AJ para o processo de treino a valoração, a recolha, o registo, o armazenamento e o tratamento dos dados a partir da observação das acções de jogo são actualmente uma ferramenta imprescindível para o controlo, avaliação e reorganização do processo de treino e competição nos JDC e cada vez mais determinantes na optimização do rendimento dos jogadores e das equipas. Oliveira (1993) considera que é necessário desenvolver sistemas e métodos de observação que possibilitem o registo de todos os factos relevantes do jogo, para que o processo de análise tenha fidelidade e validade. De acordo com Blasquez (1990), a avaliação das habilidades desportivas pode ser realizada fora do contexto competitivo ou em situação de jogo, que aporta realismo e maior validade tal como acontece no nosso estudo. A AJ pode ser realizada de várias formas, ainda que o mais frequente seja estabelecer um procedimento de observação de um jogo, gravar os dados ou 17

Revisão da Literatura imagens (observação indirecta) que se consideram relevantes e voltar a rever as vezes necessárias aquilo que foi gravado (García, 2000), permitindo ainda a utilização de computador. Estes dois meios, segundo Riera (1995), vieram revolucionar a observação e o registo dos acontecimentos desportivos. Para Kapesidis & Gronbach (2001), analisando a própria equipa ou o adversário, garante-se às equipas ou aos atletas uma vantagem competitiva sempre desejada. As equipas podem variar os seus padrões de jogo, de acordo com as características da oposição oferecida pelo adversário (Hughes, 1996). A partir dessa informação é possível aumentar os conhecimentos acerca do jogo e definir a forma como podemos alterar ou potenciar determinados comportamentos ou que tipo de estratégias o treinador pode utilizar para tentar alcançar o melhor resultado possível, melhorando assim a qualidade da prestação dos jogadores e das equipas, a partir da modelação das situações de treino (Garganta, 2001,1998). Garganta (2001) aponta três grandes pilares de estudo na análise de jogo: a) análise centrada no jogador usada para definir perfis, decorrentes de estudos de casos, com intuito de comparar jogadores com características semelhantes ou distintas; b) análise nas acções ofensivas acções que conduzem à obtenção do golo; c) análise centrada no jogo possibilita estudar comportamentos evidenciados pelos jogadores no quadro das acções colectivas. Em síntese, a AJ tem como principais funções diagnosticar, coligir e tratar os dados recolhidos e disponibilizar informação sobre a prestação dos jogadores e das equipas, permitindo identificar as acções realizadas por aqueles e as exigências que lhes são colocadas para as produzirem (Garganta, 1998). Com a AJ, esboça-se uma tentativa de descrição da performance a um nível comportamental, através da codificação das acções dos indivíduos ou dos grupos que possuem relevância para jogadores e treinadores (Franks & McGarry, 1996). As informações que dela se retiram podem representar uma ajuda preciosa para o treino (Gowan, 1987), sendo por isso um processo que deve ser sempre realizado ao longo de uma época desportiva, tornando-se 18

Revisão da Literatura imprescindível na preparação de uma equipa, quando se visa a optimização da prestação competitiva (Moutinho, 1991). Com a mesma opinião, Garganta (2009) refere que a informação sobre o desempenho táctico torna-se essencial para perseguir a eficácia individual e colectiva porque constitui um preceito fundamental para dar coerência ao processo de treino na relação com a competição que o legitima. Identificadas as principais características e exigências tácticas a partir delas é possível tornar o treino mais especifico e adequar outros programas de aprimoramento do desempenho. A análise da performance táctica para treinadores e investigadores possibilita a identificação de regularidades e contingências, com base na observação do modo como jogadores e equipas engendram e gerem eventos de jogo. Segundo Garganta (2001), as informações recolhidas com a análise de jogo são subsídios para a avaliação do desempenho de atletas e equipas assim como úteis para a preparação das competições. Na opinião de Garganta (2001), várias são as vantagens na realização da análise do jogo, tais como: configurar modelos de actividade dos jogadores e das equipas; identificar os traços da actividade cuja presença ou ausência se correlaciona com a eficácia de processos e a obtenção de resultados positivos; promover o desenvolvimento de métodos de treino que garantam uma maior especificidade; indiciar tendências evolutivas das diferentes modalidades desportivas. A análise sistemática do jogo apenas é viável se os propósitos da observação estiverem claramente definidos (Garganta & Gréhaigne, 1999). A observação sistemática é assim designada, na medida em que utiliza métodos e técnicas rigorosas para obviar as limitações da situação e a subjectividade dos observadores (Brito, 1994). Em primeiro lugar, na análise de jogo encontra-se as categorias e os indicadores e só depois se procura as suas formas de expressão no jogo (Garganta, 2000). Desta forma os sistemas computorizados podem ser muito úteis. 19

Revisão da Literatura Garganta (1998: 13) traduz a complexidade da análise de um jogo de Futebol, na seguinte frase: ao nível do jogo coexistem variáveis diversas que interagem permanentemente, o que dificulta a recolha de dados acerca da prestação dos jogadores e torna muito complexa a tarefa de entender a quotaparte de participação dessas variáveis no rendimento. Ortega e Contreras (2000) fazem referência a cinco factores principais que determinam a dificuldade da AJ: (i) o elevado número de jogadores que participam no jogo (ii) o carácter interactivo das condutas dos jogadores; (iii) o grau de evolução do Futebol e a sua lógica interna; (iv) o grande número de factores que afectam directa e indirectamente o rendimento e (v) a dimensão que deriva da própria competição. Garganta e Gréhaigne (1999) referem que tudo tem sido feito para descrever a estrutura do rendimento no Futebol, e, apesar de alguns factores poderem já ser reunidos com alguma extensão, os catálogos de prioridades e as estruturas hierárquicas estabelecidas pouco mais têm conseguido do que reproduzir pequenas e desarticuladas fracções do jogo. Quando a informação extraída da AJ consiste num inventário de acções demasiado parcelarizadas dos jogadores, esta não é capaz de transmitir uma imagem dos acontecimentos mais representativos, não constituindo informação importante para treinadores e investigadores (Garganta, 1998). A construção de sistemas de observação deve englobar categorias integrativas, cuja configuração permita passar da análise centrada na quantidade das acções realizadas pelos jogadores à análise centrada nas quantidades da qualidade das acções de jogo, no seu conjunto (Garganta, 1998). A realidade tem demonstrado que a pertinência do estudo dos problemas inerentes ao jogo e ao jogador deverá situar-se mais ao nível da inter-relação dos factores do que em cada um deles individualmente (Garganta & Gréhaigne, 1999). 20

Revisão da Literatura 5. Implicações dos tipos de pisos para a dinâmica do jogo O tipo de piso influencia o ressalto da bola, determinando o tipo de jogo que se vai desenrolar (Hohm, 1987). No campo pelado, o ressalto da bola é alto e lento, enquanto que no campo relvado o ressalto da bola é baixo e muito veloz, tornando o jogo mais rápido (Fonseca & Garganta, 2007). O piso duro, característico do campo pelado, torna-se muito cansativo, principalmente para as articulações dos membros inferiores, o que pode reduzir o índice de performance do jogador de futebol. Ao contrário do campo relvado que é predominantemente regular, o campo pelado é maioritariamente irregular, fazendo com que o jogo seja construído sob condições de elevada variabilidade e instabilidade (Fonseca & Garganta, 2007). Essas condições adversas do terreno dificultam a condução de bola e reduzem o tempo de contacto com a mesma, promovendo uma maior circulação desta. Cruyff (2002) refere que uma das razões da falta de qualidade técnica em muitos jogadores está relacionada com o lugar onde os jovens aprendem a jogar futebol. Acrescenta ainda o autor que, no seu tempo, a academia mais popular para descobrir os segredos do Futebol era a rua, onde as carências eram supridas com imaginação e ilusão. De certa forma, o campo pelado apresenta algumas semelhanças no que concerne às irregularidades do piso, com o da rua, local onde a aprendizagem era feita de uma forma não organizada, na rua ou em terrenos baldios e irregulares, com bolas de diferentes texturas e dimensões e sem a presença de qualquer treinador, através de pequenos jogos de 3x3 ou 4x4, consoante o número de participantes existentes, em espaços variados (largos ou compridos), com dimensões reduzidas e era feita por ensaio e erro, em que o jogador controlava a sua própria aprendizagem, o que originou o aparecimento de muitos jogadores dotados de um grande virtuosismo técnico (Pacheco, 2001). Daí que alguns analistas desportivos, como por exemplo Lobo (2007), o apelidem de Universidade de craques. Para Cruyff (2002), na rua aprende-se muito. Num campo relvado, após um choque por mais 21

Revisão da Literatura aparatoso que pareça, cais e não há qualquer lesão. Na rua, se chocas com um jogador e cais, magoas-te. O jogador é obrigado a despertar, a aprender a movimentar-se e a decidir com mais rapidez. Assim, não surpreende que técnicos e analistas desportivos da actualidade lamentem o não aparecimento de grandes talentos desportivos e um certo empobrecimento técnico dos nossos actuais futebolistas, devido em grande parte, ao desaparecimento do denominado Futebol de Rua (Pacheco, 2005). Este permitia o desenvolvimento da liberdade intuitiva e da criatividade dos jovens que aprendiam a tomar as decisões mais adequadas no decurso do jogo. Na opinião de Rui Costa, ex-jogador de Futebol, as bases e os conhecimentos que se vão aprendendo nesse futebol de rua vão ser muito úteis no futuro. Se perderem o hábito de jogar na rua, no alcatrão, na terra, na pedra não quer dizer que se vai ter mais dificuldades, mas vai-se perder a base. Até porque nesse Futebol de rua, não se tem os relvados de hoje e por isso com as condições precárias onde se jogava, ajuda-se principalmente a incrementar o desenvolvimento da técnica e da criatividade. Reforçando esta ideia, Sócrates (s/d), pelo facto de ter aprendido a jogar desta maneira, afirma que foi excelente, pois com o piso irregular e cheio de árvores, criava-se a necessidade de desenvolver uma série de habilidades, e além de olhar para a bola e para o jogo, tinham de olhar para as mangueiras e para as raízes das árvores. Portanto é indispensável que se jogue Futebol de múltiplas maneiras, com diversas bolas, com diversos tamanhos e se possível descalço, porque é ai que está a sensibilidade Devemos procurar a instabilidade, ou seja, a variância de pisos como um processo fundamental para trabalhar a proprioceptividade. Não se cai da mesma forma, não se dribla da mesma maneira no relvado ou pelado. É fundamental nas idades mais tenras proporcionar aos jovens jogadores essas diferenças de pisos para melhorarem a relação com bola, sendo essas idades uma etapa crucial para o seu desenvolvimento (Frade, 2008). 22

Revisão da Literatura Só na rua se podem treinar certos automatismos: na rua, a bola não chega tão bem, sai em qualquer direcção, há que utilizar uma quantidade de coisas que normalmente não usarás num campo relvado. (Cruyff cit in Valdano, 2002). Segundo Fonseca & Garganta (2006), o terreno irregular beneficia até os melhores. Procurando reforçar esta ideia, os autores citam Choshi (2000:19) que apresenta um interessante exemplo: quando se projecta um carro, o que se pensa inicialmente é fazer um carro bastante estável, ou seja, o pensamento básico é o controle de feedback. Mas é interessante verificar que, apesar de na construção eles se preocuparem com a estabilidade, controle, entre outras caracteristicas, quando a qualidade do carro vai ser testada, ele é levado para o mato, neve, safari, isto é, o carro é colocado nas condições mais instáveis possíveis para testar o que foi adquirido durante a estabilização. Portanto, o carro é considerado bom quando ele tem a capacidade de adaptação demonstrada nessas situações diversificadas. O ambiente estável para o qual ele foi projectado tem pouca importância. Apesar da diversidade de pisos que podemos encontrar nos campeonatos portugueses dos diferentes escalões, os jogadores são considerados bons quando têm a capacidade de se adaptar às diferentes circunstâncias. 23

24 Revisão da Literatura

III. OBJECTIVOS

Objectivos 1. Objectivo Geral O presente estudo tem como objectivo descrever os comportamentos tácticos desempenhados por jogadores de Futebol no campo pelado e no campo relvado. 2. Objectivos Específicos Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos que possuem maior frequência de acções tácticas no jogo GR3-3GR no campo relvado. Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos que possuem maior frequência de acções tácticas no jogo GR3-3GR no campo pelado. Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos com melhor índice de performance táctica no campo relvado. Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos com melhor índice de performance táctica no campo pelado. Verificar qual a fase de jogo que apresenta um índice de performance táctico superior no campo relvado. Verificar qual a fase de jogo que apresenta um índice de performance táctico superior no campo pelado. Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos com maior percentual de erros no campo relvado. Verificar quais os princípios tácticos ofensivos e defensivos com maior percentual de erros no campo pelado. 27

IV. MATERIAL E MÉTODOS

Material e Métodos 1. Caracterização da Amostra A amostra integra 4023 acções tácticas desempenhadas por 72 jogadores de Futebol, sendo 1893 acções no campo relvado e 2130 acções no campo pelado. 2. Instrumento O instrumento utilizado para a recolha e análise de dados foi o teste GR3-3GR desenvolvido no Centro de Estudos dos Jogos Desportivos da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (Costa et al., 2009). O teste GR3-3GR é aplicado num campo reduzido de 36 metros de comprimento por 27 metros de largura, durante 4 minutos de jogo. Durante a sua aplicação é solicitado aos jogadores avaliados que joguem de acordo com as regras oficiais do jogo, com excepção da regra de fora-de-jogo. O teste visa avaliar as acções tácticas desempenhadas por cada um dos jogadores participantes, com e sem bola, de acordo com dez princípios tácticos fundamentais do jogo de Futebol, tendo em conta a localização da acção no campo de jogo e o resultado final da mesma. 3. Procedimento Após a formação das equipas e a entrega dos coletes numerados para identificação, os atletas receberam a explicação acerca do objectivo do teste. Foram concedidos aos jogadores 30 segundos para familiarização com o teste, findos os quais se deu início à avaliação propriamente dita. 4. Material Para a gravação dos jogos foi utilizada uma câmara digital SAMSUNG modelo H106. O material de vídeo obtido foi introduzido em formato digital num computador portátil (marca LG modelo E500 processador Intel T2370) via cabo (IEEE 1394), convertendo-os em ficheiros.avi. Para o tratamento de imagem e análise do jogo foi utilizado o software Utilius VS, software informático específico destinado à análise e arquivo dos registos observados. 31

Material e Métodos A categorização do material foi realizada a posteriori, com recurso ao software Utilius VS, com base num sistema de observação sistemática em contexto natural desenvolvido para tal efeito. 5. Análise Estatística Para o tratamento dos dados foi utilizado o software SPSS (Statistical Package for Social Science) for Windows, versão 17.0. Foi realizada a análise descritiva (Frequência, Percentual, Média e Desvio-Padrão). Para a variável Princípio, recorreu-se ao teste do Qui-quadrado ( ²), com um nível de significância p 0,05, aplicado para analisar como o comportamento e desempenho táctico dos jogadores de Futebol se apresenta em função dos dois tipos de piso. A distribuição normal dos dados foi verificada através do teste de Kolmogorov-Smirnov. Para os dados onde o teste de normalidade (p 0,05) era aceitável recorreu-se ao teste Oneway Anova e Test T Independentes. Para os dados onde o teste de normalidade (p 0,05) não era aplicável recorreu-se ao Teste de Kruskal-Wallis e Mann-Whitney para verificar entre quais os princípios que existiam essas diferenças. O coeficiente Kappa de Cohen foi utilizado para verificar a fiabilidade inter-observador e intraobservador. 6. Análise da Fiabilidade As observações do teste GR3-3GR foram realizadas por três observadores treinados que possuíam concordância inter-observadores superior a 0,80. Foi também verificada a fiabilidade intra-observador, recorrendo-se ao índice Kappa de Cohen. Para efeitos de aferição da fiabilidade foram reavaliadas 563 acções tácticas desempenhadas pelos jogadores, o que representa 14,3% da amostra, ou seja, um valor superior ao de referência (10%), apontado pela literatura (Tabachnick & Fidell, 1989). 32