DISCIPLINA PARASITOLOGIA 2019 14 de março TOXOPLASMOSE Docente: Profa. Dra. Juliana Q. Reimão
SOCRATIVE (SALA JULIANA2019) Quiz eletrônico sobre as possíveis formas de transmissão da toxoplasmose VÍDEO 1 Prefeitura de Santa Maria (RS) confirma surto de toxoplasmose https://www.youtube.com/watch?v=tpikvvuxoz8 VÍDEO 2 Monstros Assassinos - Toxoplasmose https://www.youtube.com/watch?v=ejdtmlvmete
Toxoplasmose Generalidades Zoonose cujo quadro clínico no homem varia desde infecção assintomática a manifestações extremamente graves. Agente etiológico Toxoplasma gondii Parasita heteroxeno eurixeno Inúmeros hospedeiros possíveis Animais de sague quente > 30 espécies de aves e 300 de mamíferos Hospedeiros intermediários Felídeos Hospedeiros definitivos
Toxoplasmose Importância Cosmopolita ⅓ da população humana 1% apresenta sintomas Em recém nascidos Aborto, prematuridade, lesões neurológicas e oculares Em imunodeprimidos Infecção oportunista AIDS: 30% apresentam sintomas Principalmente no sistema nervoso central Quadros graves Considerado o parasito mais bem sucedido
Epidemiologia Distribuição Mundial (todos os continentes) Maior em áreas rurais Aumenta com a idade Ligada a aspectos culturais e higiene Consumo de carne e contato com gatos Prevalência Brasil: 50-80% Número de recém-nascidos vivos com toxoplasmose: 2 a 4 em 1.000 Ampla distribuição na natureza Gatos (19%), suínos (23%), bovinos (32%), ovinos (35%), equinos (20%) e caprinos (40%) fontes de transmissão
O parasito
Ultraestrutura Complexo apical Conóide Cone de microtúbulos Envolvido por anéis polares Micronemas e roptrias Secretam proteínas Adesão e penetração Anéis polares Microtúbulos subpeliculares Conóide Micronemas Roptrias Apicoplasto Anéis polares Apicoplasto Vestígio de cloroplasto Sensível a antibióticos Microtúbulos subpeliculares
Morfologia Taquizoítas Forma de arco ou banana Multiplicação rápida Reprodução assexuada Formas livres (móvel) Invade vários tipos celulares SFM, hepáticas, pulmonares, nervosas, submucosas e musculares Exceto hemácias Líquidos orgânicos e excreções Taquizoítas em líquido peritoneal Presentes durante a Fase Aguda Macrófagos e taquizoítas em cultura
Morfologia Cisto tecidual com bradizoítas Bradizoítas Multiplicação lenta Formam o cisto tecidual Vários tecidos Nervoso, ocular, muscular Resistente ao ph do estômago, ao sistema imune e aos medicamentos Tecido cerebral Presentes durante a Fase Crônica taquizoíta cisto com bradizoítas Tecido muscular
Morfologia Oocistos Eliminado nas fezes de gatos Torna-se infectante após 1 a 5 dias Sofre esporogonia no meio ambiente 2 esporocistos com 4 esporozoítos cada Forma de resistência ambiental Oocisto recém eliminado (não infectante) Oocisto esporulado Esporozoíto Esporocisto Parede do cisto Oocisto esporulado (infectante)
Ciclo de vida Fase assexuada Vários tecidos de diversos hospedeiros Aves e mamíferos, inclusive gatos e o homem Hospedeiros intermediários Fase sexuada Felídeos domésticos e selvagens Células do epitélio intestinal Hospedeiros definitivos Eliminam oocistos durante ~1 mês 1 milhão oocistos/grama de fezes Uma única vez na vida (primo-infecção) Adquirem imunidade contra novas infecções
Ciclo de vida (simplificado) bradizoítos oocistos taquizoíto bradizoítos
HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO HOSPEDEIRO DEFINITIVO (ciclo assexuado) Ingestão (ciclo sexuado) Cérebro, músculos, pulmões, olhos, placenta... Disseminação pela corrente sanguínea bradizoíto bradizoítos Células intestinais Esquizogonia Endodiogenia Ingestão Ingestão esquizonte merozoíto Gametogonia Células intestinais esporozoítos taquizoítos Ingestão Esporogonia Células intestinais Oocisto esporulado Micro e macrogametas oocisto fezes MEIO AMBIENTE
Vias de transmissão humana 1. Ingestão de oocistos esporulados Fezes de felídeos Água, alimento, solo contaminados 2. Ingestão de bradizoítos Carne crua ou mal cozida 3. Infecção transplacentária Infecção aguda em gestantes (taquizoítas) 4. Ingestão de taquizoítas Leite não pasteurizado e derivados 5. Transplante órgãos/transfusão sanguínea Doador infectado (bradizoítas/taquizoítas) 6. Inoculação acidental Acidentes de laboratório (taquizoítas)
O processo de invasão dos taquizoítos Roptrias, micronemas e grânulos densos - Liberam seu conteúdo - Modificam o vacúolo parasitóforo - Impedem sua fusão com os lisossomos núcleo da célula hospedeira
A invasão pelos taquizoítas Muito rápido (5 a 10 seg)
A doença
Fase aguda Taquizoítas Causam toda a patologia da fase aguda Dividem-se rapidamente e agressivamente destroem tecidos Podem cruzar a barreira hemato-encefálica e transplacentária
Fase crônica Fase aguda fase crônica Conversão de taquizoítos a bradizoítos ~10 dias após a infecção Forma dormente se multiplicam lentamente causam poucos danos Produção de óxido nítrico (NO) por macrófagos INF- taquizoítos TNF- NO Linfócito T Macrófago Cisto tecidual
Fase crônica Reclusão intracelular Os parasitos se escondem dentro das células Evitam o contato com anticorpos e complemento Evadem o sistema imune Mantém a infecção por toda vida
Reagudização Fase crônica fase aguda Conversão bradizoítos taquizoítos Ausência de estímulos (INF-, TNF- e IL-12) Imunodeficiência Principais sítios de reativação (homem) Sistema nervoso e globo ocular Locais imunologicamente privilegiados esconderijo Circulação de linfócitos é menos intensa Acesso mais restrito à anticorpos e complemento taquizoíto Fase aguda bradizoíto Fase crônica INF- TNF- IL-12
Manifestações clínicas Fatores que determinam a patogenia Genótipo do parasito (I, II e III) Resposta imune Forma como ocorre a infecção: 1. Toxoplasmose pré-natal 1º, 2º ou 3º trimestre 2. Toxoplasmose pós-natal Ganglionar ou febril aguda Ocular Cerebroespinhal Generalizada
Manifestações clínicas Toxoplasmose pré-natal Gestante em fase aguda ou reagudização 10-15% resultam em aborto Gravidade depende do período da gestação: 1º trimestre Elevado risco de aborto 2º trimestre Elevado risco de aborto ou nascimento prematuro Criança pode apresentar anomalias graves (síndrome de Sabin) 3º trimestre Criança pode nascer normal e apresentar anomalias mais tarde Comprometimento ganglionar, hepatoesplenomegalia, miocardite, anemia Lesões mais comuns: SNC e retina (reativação na idade adulta)
Porcentagem (%) Severidade do acometimento fetal Risco de infecção congênita Idade gestacional (semanas) O risco de transmissão vertical aumenta progressivamente com o avanço da gravidez, enquanto que, inversamente, reduz-se a severidade do acometimento fetal.
Manifestações clínicas Toxoplasmose pré-natal Síndrome de Sabin Coriorretinite (90% dos casos) Calcificações cerebrais (69%) Perturbações neurológicas Retardamento psicomotor (60%) Micro e macrocefalia (50%) Outras manifestações neurológicas Convulsões Espasticidade Opistótono Rigidez de nuca Paralisias Dificuldades para alimentação Espasticidade Ultrassom pré-natal (6º mês) Calcificação cerebral Opistótono
Manifestações clínicas Toxoplasmose pré-natal Lesões oculares Presença de parasitos na retina Edema, inflamação e necrose Alterações vasculares Hemorragias Zonas cicatriciais Cicatriz macular típica de toxoplasmose congênita Outras alterações oculares Microftalmia Nistagmo (movimento oscilatório) Estrabismo Irite Atrofia óptica Irite Microftalmia
Manifestações clínicas Toxoplasmose pós-natal Ganglionar ou febril aguda Forma mais frequente Linfadenopatia e febre Ocular Coriorretinite Alterações visuais / perda da visão linfadenopatia Em imunodeprimidos Encefalite aguda (maioria dos casos) Cefaleia, febre, paralisia, convulsões Pode matar em poucos dias Lesões cerebrais
Manifestações clínicas Neurotoxoplasmose Ressonância magnética e tomografia computadorizada
Diagnóstico Exames parasitológicos (isolamento do agente ou detecção de seus produtos) RARAMENTE USADOS Fase aguda Sangue (creme leucocitário) PCR de líquido amniótico ou líquido cefalorraquidiano Inóculo em camundongos ou cultura Fase crônica Biópsias Exames sorológicos (pesquisa de anticorpos) FREQUENTEMENTE USADOS ELISA, RIFI e hemaglutinação Fase aguda IgM, IgA, IgE e IgG de baixa avidez Fase crônica IgG de alta avidez
Diagnóstico parasitológico Amniocentese Pesquisa de taquizoítas no creme leucocitário Inóculo em camundongo Bradizoítas em biópsia
Diagnóstico sorológico ELISA Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) Hemaglutinação IgM IgG Interpretação - - Não imune* + - Infecção muito recente + + Possível infecção aguda - + Infecção há mais de 6 meses *gestante suscetível à primoinfecção
Observações Em recém nascidos IgM e IgA: não atravessam a placenta IgG: atravessa a placenta (pode ser da mãe) Em imunodeprimidos A determinação dos títulos de anticorpos não é satisfatória Realizar exames parasitológicos ou PCR Em gestantes Soronegativas: deve se feito o acompanhamento para detecção precoce de eventual soroconversão Cronicamente infectadas: não há risco de infecção congênita (desde que ela seja imunocompetente)
Tratamento Considerada incurável Persistência dos bradizoítos Medicamentos atuais atuam nos taquizoítos Recomenda-se o tratamento apenas de: 1. Casos agudos sintomáticos 2. Gestantes em fase aguda 3. Toxoplasmose ocular ativa 4. Imunodeficientes sintomáticos Medicamentos Sulfadiazina + pirimetamina (tóxica, teratogênica, causa depressão medular por inibição do ácido fólico) + ácido folínico Espiramicina gestantes no 1º trimestre (não atravessa a placenta) Clindamicina + pirimetamina alternativa (2ª escolha) Anti-inflamatórios + antiparasitários acima toxoplasmose ocular
Profilaxia Consumo de carne Evitar consumo de carnes cruas ou mal passadas Congelar a carne (-20 C por 2 dias) Consumo de água e alimentos Consumir água filtrada ou fervida Lavar os vegetais consumidos crus Contato com fezes de gatos Limpar os ambientes contaminados com fezes de gatos (água fervente) Lavar as mãos Gestantes Sorologia no início da gravidez Tratamento das infecções agudas Pacientes HIV+ Quimioprofilaxia 65 C 5 min
Dúvidas? docentesparasitofmj@gmail.com
Discussão de caso clínico Toxoplasmose em gestantes