Economia. Modelo Clássico. Professor Jacó Braatz.

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Transcrição:

Economia Modelo Clássico Professor Jacó Braatz www.acasadoconcurseiro.com.br

Economia MODELO CLÁSSICO Renda e produto de equilíbrio Modelo Clássico x Modelo Keynesiano São duas formas de entender a economia, baseadas em pressupostos diferentes e com resultados diferentes. A contabilidade nacional permite a agregação e mensuração das atividades econômicas, mas não explica quais variáveis a determinam. É a oferta que cria a demanda, ou, a demanda que determinam o produto final? Por isso, tais modelos também são chamados de modelos de determinação da renda, pois procuram explicar as variáveis macro que determinam a renda nacional, o produto nacional, ou seja, Y = C + I + G + X M O modelo keynesiano trata os preços como sendo rígidos, é um modelo de curto prazo e a moeda não é neutra. O modelo clássico considera os preços flexíveis, se ajustando para obter o equilíbrio, a moeda é neutra. É um modelo de longo prazo. Modelo Clássico Hipóteses: Concorrência perfeita; Preços e salários perfeitamente flexíveis; Informações perfeitas sobre os preços de mercado por parte de todos os participantes; Agentes econômicos têm comportamento maximizador. Função de produção agregada: Y = F (K,N) Onde: Y: produto; K: estoque de capital (instalações e equipamentos), fixo no curto prazo; N: quantidade de insumo trabalho homogêneo, variável no curto prazo; www.acasadoconcurseiro.com.br 3

População constante no curto prazo; Estado da tecnologia constante no curto prazo; Elevação do produto ocorre por elevação de (K ou N) e/ou melhorias tecnológicas; Retornos constantes a escala: zy = F(zK, zn); Produtividade marginal do fator é decrescente. No Curto Prazo devido à produtividade marginal decrescente, o acréscimo de mão-de-obra gera acréscimos cada vez menores à produção. No Longo Prazo Aumento do estoque de capital Y = F(K, N) Melhoria tecnológica Y = F (K, N). Mercado de Trabalho: tende a operar em pleno emprego, pela oferta e demanda. Só não opera em pleno emprego se houver rigidez de preços. Mercado de trabalho no modelo Clássico No modelo Clássico, o trabalho é apenas uma mercadoria como outra qualquer se submetendo à lei da oferta e da procura; Excesso de demanda por trabalho: concorrência entre firmas pressiona salário para cima; Excesso de oferta de trabalho (desemprego): concorrência entre trabalhadores pressiona salário para baixo; Mercado de trabalho tende a operar com pleno emprego; Mercado de trabalho só não estará em equilíbrio se houver algum tipo de rigidez (ex. salário mínimo) 4 www.acasadoconcurseiro.com.br

Economia Modelo Clássico Prof. Jacó Braatz A curva de oferta Clássica Existe apenas um único nível de produção, y*, que será produzido pelo nível de equilíbrio no mercado de trabalho para um nível de equilíbrio do salário real, (W/P)*. O nível de oferta agregada é independente do nível de preços, por isso a curva da oferta agregada é vertical, com os salários flexíveis. Se os salários forem rígidos, e no caso de uma diminuição do nível geral de preços, com P2 < P1, deixaria de existir pleno emprego e a curva da oferta agregada seria inclinada, sendo o nível de emprego dado por y2, inferior ao nível de pleno emprego y*. Poupança, Investimento e Taxa de Juros no Modelo Clássico A taxa de juros (r) é a variável de equilíbrio entre poupança e investimento; www.acasadoconcurseiro.com.br 5

Preços e a Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) no Modelo Clássico A ideia básica é que a quantidade de moeda determina o nível de preços sem qualquer efeito real sobre o produto; A moeda é NEUTRA M.V = P.Q; Decorre daí que qualquer política do governo de manipular a curva de demanda (política fiscal ou monetária) gerará apenas e tão somente inflação, elevação no nível de preços da economia; De outra forma, as políticas fiscal e monetária no Modelo Clássico são ineficazes. Governo e política fiscal no modelo clássico O aumento dos gastos públicos provoca uma elevação na taxa de juros, devido a uma maior pressão sobre os recursos existentes pela ampliação da demanda. O aumento nas taxas de juros provoca tanto uma redução no investimento privado ( I), pois se necessita de maior produtividade marginal do capital, como uma elevação na taxa de poupança ( S), ou seja, uma queda no consumo da mesma magnitude, uma vez que o consumo presente ficou relativamente mais caro em relação ao consumo futuro. O aumento do gasto público não eleva a renda (produto), pois não afeta nem as condições tecnológicas nem a dotação de fatores de produção. Apenas provoca uma alteração da composição da demanda, elevando a participação dos gastos públicos em detrimento dos gastos privados (redução do investimento e do consumo). Este fenômeno é conhecido como crowding-out ou efeito-deslocamento. Preços e a Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) no Modelo Clássico 6 www.acasadoconcurseiro.com.br

Economia Modelo Clássico Prof. Jacó Braatz Conclusões: Modelo Clássico No modelo clássico a demanda possui um papel totalmente passivo na determinação do produto. A política monetária afeta apenas o lado monetário, sem ter qualquer impacto sobre as variáveis reais da economia (hipótese da neutralidade monetária). A política fiscal apenas altera a composição dos gastos, mantendo inalterada a oferta (Y = C + I + G + X M). Não existe qualquer forma do governo afetar o nível de emprego ou de produto da economia e isso nem se constitui uma necessidade uma vez que a economia sempre se encontra em equilíbrio de pleno emprego, se não houver rigidez nos preços. A existência de desemprego neste modelo decorre das chamadas imperfeições de mercado, como, por exemplo, a existência de sindicatos tentando fixar níveis de salários incompatíveis com a condição de equilíbrio do mercado de trabalho, ou a imposição de salário-mínimo acima dos salário de equilíbrio. Deixando o mercado funcionar livremente, e eliminando as possíveis imperfeições (reformas estruturais), não existe espaço para políticas macroeconômicas por parte do governo. Esta posição foi fortemente criticada por KEYNES. www.acasadoconcurseiro.com.br 7

Questões 1. (ESAF Concurso Analista de Planejamento e Orçamento APO MPOG 2015) Em macroeconomia, o denominado modelo clássico foi popularizado nos livros textos a partir das seguintes relações: i) uma função de produção que relaciona o produto da economia com o emprego da mão de obra; ii) uma curva de oferta de trabalho, que depende do salário real; iii) uma curva de demanda por trabalho, que também depende do salário real; iv) uma equação que representa a teoria quantitativa da moeda; v) uma equação que representa a igualdade entre poupança e investimento, que dependem da taxa de juros. Nessa equação, também estão presentes os gastos e as receitas públicas. Considerando as hipóteses implícitas em cada uma dessas relações, é correto afirmar que: a) uma política monetária expansionista eleva o nível de emprego, mas reduz o salário real. b) uma política fiscal expansionista eleva o nível de emprego, mas reduz a taxa de juros. c) se preços e salários são perfeitamente flexíveis, então o salário real e o nível de emprego serão determinados pelo mercado de trabalho e a economia estará no pleno emprego. d) mesmo que os salários reais estejam acima do nível de equilíbrio, a identidade entre poupança e investimento garante o pleno emprego e) um aumento na velocidade de circulação eleva o nível do produto da economia. 2. (MTE 2008 Servidores CESPE 2008) No modelo clássico, aumentos da taxa de inflação geram excesso de demanda de trabalho, elevam o salário nominal e, conseqüentemente, os custos das empresas, porém, não alteram os níveis de longo prazo da produção e do emprego. No modelo clássico, aumentos da taxa de inflação geram excesso de demanda de trabalho, elevam o salário nominal e, conseqüentemente, os custos das empresas, porém, não alteram os níveis de longo prazo da produção e do emprego. ( ) Certo ( ) Errado 3. (FGV Órgão SUSAM Técnico de Nível Superior Economia 2014) Economistas e analistas discutem atualmente a possibilidade de a economia brasileira estar no nível de pleno emprego. Nesse sentido, o modelo clássico mostra que a) a oferta agregada é vertical e apenas mudanças nas variáveis reais da economia, como elevação da produtividade marginal do trabalho, elevariam o nível real do produto. b) a demanda é horizontal, a qual é determinada pela Lei de Say, cuja oferta determina a procura e, assim, estímulos de demanda tendem a ser inócuos. c) o princípio da demanda efetiva é válido, o qual apregoa que a mesma é determinada pela renda que o empresário espera receber por oferecer um maior volume de vagas. d) os salários nominais são inflexíveis para baixo e, assim, o processo de barganha salarial é importante para impulsionar a renda e, portanto, a atividade econômica. www.acasadoconcurseiro.com.br 9

e) os estímulos de consumo possibilitam crescer mais, pois a propensão marginal a consumir gera um efeito multiplicador sobre a renda da economia. 4. (VUNESP SP URBANISMO Analista Administrativo) Um aumento dos gastos do governo, num modelo clássico, tem o efeito de: a) aumentar os preços e o produto. b) aumentar os preços e manter inalterado o produto. c) aumentar os preços e reduzir o produto. d) manter inalterados os preços e o produto. e) reduzir os preços e o produto. Gabarito: 1. C 2. E 3. A 4. B 10 www.acasadoconcurseiro.com.br