Harmonização Corporal



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Transcrição:

XI Congresso Brasileiro de Psicomotricidade: Diálogos e Interseções com a Psicomotricidade Um Século de História 50 anos de Brasil - Rio de Janeiro RJ - 06 à 08 de setembro de 2010 Harmonização Corporal Daniel Larry Benchimol (Anthropos ) danilb@oi.com.br Gisele Fortes (Anthropos) fortes.gi@gmail.com Resumo: Pretendemos, com este artigo, apresentar a dinâmica das oficinas de harmonização corporal, realizadas semanalmente no Anthropos,como um processo de educação e terapia somática psicomotora.as oficinas oferecem um percurso de vivências Psicomotoras,com exercícios de consciência corporal e bioenergéticos, para um refinamento perceptivo das tensões e dos encouraçamentos vividos nos corpo.acreditando que na relação com as diferenças e com o outro no grupo, possamos gerar processos transformadores em nossos corpos, movimentos, emoções, comportamentos e afetos. Desta forma, em busca da autoregulação corporal e da reintegração sensorial, possibilitando uma descarga motora e superando bloqueios que impeçam o livre fluxo de sensações através do corpo... Possamos no processo relacional, ir de encontro à SAÚDE! Palavras chave: Corpo, Corporeidade, Movimento, Contato, Relações, Afeto. 1. Introdução Falando um pouco sobre meu percurso até chegar nestas oficinas de Harmonização Corporal: minha graduação é em Psicologia Clínica, fui me interessando, a cada dia, pelo CORPO na clínica e buscando formações que me abrissem esse olhar somático e experimentações no meu próprio corpo. Assim que me formei em Psicologia, tive o grande privilegio de fazer a formação da Angel Vianna, em dança contemporânea e terapias, através da dança, além de aprender técnicas terapêuticas corporais e experimentar um mundo novo abrindo-se no meu corpo, nas minhas sensações... Sabia que queria mais e que a dança em si, como técnica, não era meu foco e sim a dança de cada corpo, o que libertava a expressividade de cada ser, o criativo, a alegria de descobrirem-se, os encontros, a ludicidade e o prazer em busca da saúde. Lógico que minha monografia foi a dança de cada corpo!já buscava leituras em psicomotricidade, filosofia e corporeidade. Essa escola me abriu várias portas, ingressei no mundo das crianças dando aulas de expressão corporal e oficinas de dança livre. Aulas de consciência corporal para grupos de adultos e, assim, foram aprimorando minhas experiências e agregando essa riqueza na minha clínica. Continuei em busca de outras formações em Psicomotricidade, que me abriram outros espaços, ingressei na formação do Bernard Aucouturier, agregando outras técnicas e uma riqueza de vivências psicomotoras, acreditando e percebendo, cada vez mais, os estados de emoção inscritos no corpo e na dinâmica grupal transformadora. Fui buscar outra formação em Psicomotricidade, quando conheci o Anthropos, que me apresentou uma outra linguagem e outros olhares da Psicomotricidade Relacional.Neste momento, eu que vinha de um longo processo de análise, busquei a terapia corporal,que junto à todas essas buscas e transformações, foi me dando corpo e aprimorando meu percurso sensório-motor, na busca de uma integração dos meus movimentos, das minhas emoções, meus afetos, meu pensamento,fazendo contato com meus bloqueios e eucouraçamentos, sempre acreditando na saúde... Fui me apaixonando a cada dia por este processo somático e afetivo,somando experiências para meus trabalhos e minha clínica! Iniciei, então, as oficinas de harmonização, como cliente, usufruindo das maravilhas e da alegria de trabalhar meu corpo,explorando minha expressividade espontânea, fazendo contato com minhas dores, ritmos, movimentos em grupo, numa dinâmica sensório-motora, com vivências inesquecíveis e transformadoras

nas relações. Fiz a formação do Antrhopos, estudei autores e filósofos da corporeidade, entre outros psicomotricistas e fui me aprimorando na terapia somática psicomotora. Ingressei na oficina como monitora, construindo uma parceria de anos de trabalho com o terapeuta corporal e psicomotricista Daniel Benchimol, membro fundador do Anthropos, passando a coordenar com ele, hoje, as oficinas de Harmonização Corporal no Anthropos e as maratonas de Harmonização realizadas no sitio em São Pedro da Serra. Pensar na origem desse trabalho é pensar na década de 80, onde existia uma necessidade de criar trabalhos corporais e expressivos, já que a década de 70 havia sido de muita repressão. Era uma necessidade de a clientela trabalhar com a expressão corporal e com a dança livre e viver uma experiência prática como uma vivência psicomotora. Pensar nos nossos tempos atuais, o que se percebe é uma sociedade que corre atrás do tempo e que o tempo está atropelando o humano de cada um. A natureza anda mostrando seu desequilíbrio e o quanto somos afetados por agentes externos a nós: o outro, o olhar do outro e as manifestações ambientais. A possibilidade de respirar sentindo e sentindo muito tudo. Dor, angústia, sensações de morte e extrema necessidade de tornar suas atividades do dia, como atividades solitárias. Percebemos um corpo rígido, pouca mobilidade ou jogo de cintura, pouca energia, muita agressividade e fragmentações profundas. Hoje é necessário buscar um acolhimento,um espaço onde o individuo possa falar da sua dor e trabalhar seu corpo respirando, sentindo e tentando buscar contato com a emoção. É um corpo que se mostra, profundamente, agredido na sua humanidade por toda essa pressão social. A Oficina de Harmonização Corporal surgiu da necessidade de buscar uma escuta maior para entender o dialogo tônico... Na sua origem, eram oficinas relacionais, utilizando o material como forma de intermediação com o outro. Quando, com a necessidade da própria clientela que passava a trazer a sua fragmentação, principalmente, por dores e episódios de angustia, é que ficou claro a necessidade de integrar esse corpo, seja nos apoios com a terra e com o chão, seja na necessidade de um toque ou de uma massagem. É um trabalho de terapia psicomotora onde, sempre após a vivência, a sessão termina com a roda, o alimento e a palavra do vivido e aonde cada cliente vai relatando suas experiências e seus sentimentos e os psicomotricistas vão ajudando a enraizar a emoção no corpo. Muitas vezes, era fundamental convidar alguns clientes para um deslocamento da cena na qual estavam inscritos, pois, não podiam dar conta das suas atitudes e do seu metabolismo. Surgia então um convite de um trabalho junto à natureza, com o outro, a terra, a água, o fogo, o alimento e o movimento.como estamos falando de contato humano e isso interfere no tempo interno de cada um, algumas atividades passavam a obedecer uma cronologia do momento e da necessidade de cada individuo.. Essas viagens para trabalhos junto à natureza, trouxeram sensações de integração e de ritmo, que pudemos trazer para as oficinas nessa busca eterna de uma saúde que entenda o campo somático do individuo e o quanto este campo interfere nas nossas atitudes e nas nossas relações. 2. Objetivo As oficinas de Harmonização Corporal promovem um percurso de vivências psicomotoras com uma dinâmica sensório-motora. A partir da exploração do movimento e da consciência corporal, ampliando e apropriando-nos do universo sensorial, abrimos espaços para um refinamento perceptivo das tensões e dos encouraçamentos instaurados no corpo. Corpo este que é atravessado a todo instante por diversas forças (sociais, educacionais, culturais). A dinâmica do trabalho é criar espaços para que cada um, na sua singularidade, possa experimentar e vivenciar movimentos que promovam estados de descargas das tensões, num processo de integração e auto-regulação do corpo. Acreditando que o processo de cura se

instaura com a possibilidade do individuo buscar contato com seu corpo e com o do outro, e que essa experimentação gera uma consciência dos estados de tensão. Cada indivíduo é trabalhado para que possa viver a descarga dessas tensões, através da livre experimentação do movimento num território grupal de atendimento psicomotor e que a experimentação desses movimentos possam oferecer novas sensações, como prazer e ludicidade, no contato e na relação com o outro. Esse trabalho tem como processo oferecer uma educação psicomotora somática, promovendo a superação dos estados de tensão como: dor, angústia, perda da mobilidade, processos decorrentes da dificuldade de respiração, perda da potência e do prazer de viver. Esses sintomas que vão sendo entendidos como bloqueios e que vão impedindo o livre fluxo de sensações através do corpo, sendo superados, viabilizam a descarga das emoções, recuperando assim a expressividade e o fluxo respiratório em busca da saúde. A Oficina de Harmonização Corporal tem uma dinâmica que transita na educação motora e na terapia psicomotora, à medida que o participante vai vivendo um processo que vai gerando uma maior consciência de si, do universo do seu corpo e das manifestações que seu corpo vai apresentando para expressar esse mundo fantasmático, onde entendemos a cura como estado de transformação, gerando novas atitudes que possam vir das necessidades essenciais do corpo e da integração corporal. 3. Metodologia e Desenvolvimento A Oficina acontece uma vez por semana, às quintas feiras, das 19:00hs às 21:00hs, no Anthropos. É uma proposta de grupo aberto, onde, além dos clientes regulares é possível a experiência de viver a Oficina de forma espontânea. Para a Instituição é bom ter um trabalho terapêutico acontecendo, que dá margem para atender pessoas que querem se aproximar dessa linguagem de uma terapia psicomotora, assim como, atender clientes que, por ventura, não estejam bem ou que estejam vivendo algum episódio de angústia. Quanto ao grupo, esse fluxo de pessoas se torna importante, pois, garante uma noção de que a Oficina de Harmonização Corporal é terapêutica, podendo receber sempre NOVAS pessoas nas vivências com a possibilidade de não ter um grupo fixo e constante. O convite desse trabalho é aprender a transformar a tensão em ponto de apoio e de potência. Para isso é necessário que as pessoas possam ter tempo para mudar suas concepções idealizadas da vida e que, muitas vezes, faz com que os afaste da frustração e dos movimentos que são realmente essenciais. As oficinas funcionam com a proposta de educação e terapia somática psicomotora. Assim, estamos assistidos por André Lapierre, David Boadella, Willian Reich, Alexander Lowen e outros. Beneficiamos-nos das leituras de filósofos como Nietzsche, Deleuze, Spinoza... E na construção de uma linguagem vivida, visceralmente, a cada encontro que produz diferença a cada acontecimento e a cada grupo presente. Portanto, cada dia, uma produção, apropriando-nos de como cada grupo chega e manifesta seus estados de tensão, seus desejos, suas alegrias, suas dores, pensamentos, possibilidades e impossibilidades. Acolhe-se o estado de cada um e os processos são singulares, dentro de um olhar para o grupo e sua pulsação e para as relações, geradoras de grandes transformações. Vivenciando a consciência dos bloqueios e das possíveis angústias presentes em cada corpo, amplia-se a possibilidade de expansão, tão necessária para a expressividade e a descarga das emoções que estão inscritas no sujeito. Dando destaque ao processo de consciência da respiração, abrimos caminhos para um maior contato com o próprio corpo, com a expansão do movimento e a auto-regulação. Utilizamos exercícios de alongamento, consciência corporal, respiração... Movimentos e jogos que são mediados pelo jogo das relações e das alavancas e que propiciam desbloqueios, afrouxamentos articulares, musculares, a consciência do tônus, o contato do

corpo e das pernas com o chão, vivenciando assim uma descarga motora das emoções, potencializando a expressividade de cada corpo, no espaço, nos ritmos, na relação com o outro, nos deslocamentos e no contato com as diferenças tão enriquecedoras da relação de grupo. Nos jogos corporais, podemos então experimentar as diversidades das parcerias, os acordos tônicos, as danças, a força, o embate, a lateralidade, o esquema corporal, a ludicidade, o peso do corpo, a temperatura da pele, etc. O uso de materiais também pode enriquecer nossas oficinas, com sua plasticidade, possibilidade de criação, movimentos que criam expansão, facilitando jogos de expansão ou recolhimento. Fazemos uso de materiais tais como: a música, o corpo, movimento, respiração, toque, caminhadas na natureza, alimento, água em todo o seu sentido curativo. Instrumentos musicais, Tecidos, Bolas, Esteiras de palha, Elásticos, Bastões de borracha, Cordas, Almofadas e gente. No momento de finalização do atendimento espera-se que o cliente vivencie a entrega do seu corpo e do peso no chão, integrando e se apropriando das sensações vividas, construindo um território que favoreça essa entrega e ao relaxamento do corpo. Nesse momento, os psicomotricistas podem concluir a sessão de forma tônica, onde o toque ou até mesmo uma massagem ou um acolhimento possa ir finalizando a sessão e integrando, quando necessário, a sensação da corporeidade do cliente, para que ele possa fazer essa passagem do corpo, da sua vivência e a possibilidade de gerar uma palavra que possa representar esse processo de simbolização do vivido. É o resgate da ressonância e do fluxo da emoção do ser humano, gerador de saúde e potência, a cada encontro. No final da oficina, abrimos espaço para que cada um possa trazer em palavras, uma possibilidade de significar e simbolizar as experiências vividas somaticamente e sensorialmente. Diante da presença do olhar do outro, partilham-se sensações, experimentações, cenas, imagens, estórias... Neste momento, garantimos um olhar que possa oferecer ancoramento, território e espaço para a expressividade de cada um dentro do grupo. Neste percurso psicomotor e sensório-motor, onde vivemos as sensações, as percepções e a possibilidade de expressão, reforçamos a experimentação de movimentos e deslocamentos, que possam gerar no corpo sensações de prazer, ludicidade, integridade, resgatando assim o fluxo vital no contato consigo e com o outro. 4. Conclusão: Podemos, então, falar: o ser Movimento, o ser Afeto, o ser Palavra, o ser Psicomotor, o ser Nômade, inseridos num jogo de forças e numa cultura onde a velocidade nos assola e exige uma ação permanente, para que não se torne distante das nossas ações, o tempo orgânico. É fundamental trabalhar o corpo na sua sensorialidade e nos seus sentidos para que possamos gerar um processo psicomotor de auto-regulação, de saúde e de potência em nossos corpos. É fundamental a experiência de novos deslocamentos, novos agenciamentos, e encontros vivenciais que permitam o individuo a viver sua singularidade diante da relação com o afeto e suas diferenças. Pensamos então numa proposta de integração grupal e sensorial, para que possamos apurar nossas percepções, traduzindo assim nosso mundo simbólico, imaginário, nossos fantasmas e emoções em expressões possíveis, em saúde, alegrias, potencialidades, encontros e afetos. Entender que viver pode ser sensorial é valorar o instante vivido e resgatar a potência do individuo para essa cultura. É necessário viabilizar um canal no corpo para que seja possível garantir uma digestão, ajudando a cada SER, apropriar-se de si, ganhando autonomia, se afirmando a cada instante e experimentando arriscar-se em VIVER cada passo adiante, pois, para viver é preciso correr riscos, deixar-se surpreender e estar com mais um, no olhar, nas mãos, no toque, na emoção.

Vamos entendendo, ou melhor, vivendo nossa prática terapêutica na ressonância, pois é onde essa prática funciona em cada um e com certeza com o outro. Assim, sustentando a relação, que produz a diferença e a transformação, acreditamos nesse CORPO, maior que o pensamento, mas, um corpo vísceras, esfíncteres, digestão, contrações, expansões, emoções... Fortalecendo a consciência do eixo, da corporeidade, da imanência, do SER... SER que dança, abraça, fica em silêncio, grita, endurece, fragiliza, recupera, integra, deseja, recua, cria forças e QUER EXISTIR! 5. Referências AUCOUTURIER, B & LAPIERRE, A. Fantasmas corporais e prática psicomotora. São Paulo: Manole Ltda, 1984. BOADELLA, David. Correntes da Vida - Uma introdução à biossíntese. Summus, São Paulo, 1985. DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a filosofia, Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1976. GUATTARI, Felix e ROLNIK, Suely. Micropolítica; cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 1986. LAPIERRE, A. & AUCOUTURIER, B. A Simbologia do movimento Psicomotricidade e Educação. Barcelona: Científico-Médico, 1977. Lowen, Alexander - O corpo em Terapia - A abordagem bioenergética - 7ª edição - São Paulo: Editora Summus, 1977. NIETZSCHE, F. W. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.. Crepúsculo dos Ídolos: ou a Filosofia a golpes de Martelo. São Paulo: hemus, 1976. Reich, Wilhelm. A Função do Orgasmo - 18ª edição - São Paulo: Editora Brasiliense, 1994..Análise do Caráter - 3ª Edição - São Paul : Editora Martins Fontes, 1998.