Balanite. Candida. (+hidrocortisona tópica)



Documentos relacionados
Caso clínico nº 1. M.C.P.C., sexo feminino 4 anos de idade Antecedentes pessoais: Irrelevantes

Vulvovaginites Recorrentes. Maristela Vargas Peixoto

CAPÍTULO 16 PROCESSOS INFLAMATÓRIOS GENITAIS: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Infecções ginecológicas. - Vulvovaginites e DIP -

LEUCORRÉIA (CORRIMENTOS GENITAIS)

Infecções Vulvo-vaginais

CORRIMENTO VAGINAL (VULVOVAGINITES) UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Setor de Genitoscopia Prof André Luis F. Santos 2010

Corrimento vaginal Resumo de diretriz NHG M38 (primeira revisão, agosto 2005)

CAPÍTULO 16 PROCESSOS INFLAMATÓRIOS GENITAIS: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO. José Eleutério Junior Francisco das Chagas Medeiros Raquel Autran Coelho

Vulvovaginites. Aline Estefanes Eras Yonamine

VULVOVAGINITES XXIII CONGRESSO MÉDICO ESTADUAL DA PARAÍBA MT/CCS/DMI/HULW

Caso Real: Vaginose Bacteriana

Adolescência e Puberdade. Adolescere Pubescere

GINECOLOGIA D S T ( I S T )

INFECÇÕES DO TRATO GENITAL INFERIOR

VULVOVAGINITES E CERVICITES D I P A CORRIMENTO URETRAL MASCULINO ÚLCERA GENITAL

Gino-Canesten Creme Vaginal contém a substância ativa clotrimazol pertencente a um grupo de substâncias conhecido como "antifúngicos".

Gino-Canesten 1 Comprimido Vaginal contém a substância ativa clotrimazol pertencente a um grupo de substâncias conhecido como "antifúngicos".

Trinizol -M Tinidazol Nitrato de miconazol

PAPANICOLAOU COMO MÉTODO AUXILIAR DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS VAGINITES

No tempo da Grécia antiga foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor.

COMO ATUAR NO DIAGNÓSTICO PRÁTICO E TRATAMENTO DO CORRIMENTO GENITAL FEMININO E CERVICITES

PROTOZOÁRIOS PARASITAS INTESTINAIS

ABORDAGEM DO PARCEIRO NA CANDIDÍASE RECORRENTE E NA TRICOMONÍASE

Infecções sexualmente transmissíveis

Elementos normais em esfregaços cérvicovaginais

PROTOCOLO MÉDICO. Assunto: Infecção do Trato Urinário. Especialidade: Infectologia. Autor: Cláudio C Cotrim Neto-Médico Residente e Equipe Gipea

Jorge Alberto S. Ferreira e Ane Elise B. Silva

CLOTRIGEL. Glenmark Farmacêutica Ltda. Creme vaginal 100 mg/5g. Clotrigel_VP01

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

Conjuntivite neonatal. Que PROFILAXIA?

Síndrome DST Agente Tipo Transmissã o Sexual Vaginose bacteriana Candidíase

Métodos contracetivos

Infecções do Trato Urinário

Exame de Papanicolaou. para Diagnóstico da Flora. Vaginal

DST/HIV. ENFERMEIRO:ELTON CHAVES

Nota Técnica: Prevenção da infecção neonatal pelo Streptococcus agalactiae (Estreptococo Grupo B ou GBS)

Doenças sexualmente transmissíveis Resumo de diretriz NHG M82 (primeira revisão, setembro 2013)

Faringoamigdalites na Criança. Thaís Fontes de Magalhães Monitoria de Pediatria 17/03/2014

Perspectivas Médicas ISSN: Faculdade de Medicina de Jundiaí Brasil

AIDS & DST s. Prevenção e controle para uma vida sexual segura.

Texto de revisão. Dda. Sheilla Sette Cerqueira Dr. Luiz André Vieira Fernandes

Doenças sexualmente transmissíveis

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

Colpites e Cervicites Diagnóstico e Tratamento

DSTs. Como é contraída; Como evitar; Como tratar. PIBID:Fernanda Alves,Fernanda Gallon,Luciana Catardo e Priscila Faccinello

Doenças Sexualmente Transmissíveis. em imagens

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE ENFERMAGEM NÚCLEO 7 INFECÇÕES VULVOVAGINAIS

Caraterização das Infeções Vaginais incidência e prevalência

Doenças Sexualmente Transmissíveis. em imagens

ENFERMAGEM ATENÇÃO BÁSICA E SAÚDE DA FAMÍLIA. Parte 21. Profª. Lívia Bahia

Papilomavírus Humano HPV

Solução antisséptica com sulfato de neomicina

CANCER DE COLO DE UTERO FERNANDO CAMILO MAGIONI ENFERMEIRO DO TRABALHO

Etiologia. Infecciosa Auto-imune Traumática. DCP / APN Dulce Cabelho Passarelli / André Passarelli Neto. Tratamento. Depende: Origem Diagnóstico

Guião Terceira Sessão Infeções Sexualmente Transmissíveis

VAMOS FALAR SOBRE. AIDS + DSTs

Bactérias e Doenças Associadas

VULNAGEN. (tioconazol + tinidazol)

CARTRAX tioconazol, tinidazol. APRESENTAÇÕES Cartrax creme vaginal em embalagem contendo 1 bisnaga de 35 g, acompanhada de 7 aplicadores descartáveis.

SEXUALIDADE e DSTs. Profª Janaina Q. B. Matsuo

DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (DST) Karina S. L. Tafner

mulher Prof. Ricardo Muniz Ribeiro Professor Livre-Docente da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP

PREVENÇÃO DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Escola Básica e Secundária do Padrão da Légua 2013

Microbiologia do trato genital

GINO-CANESTEN clotrimazol

APRESENTAÇÃO Creme vaginal de 10 mg/g: embalagem com 35 g + 6 aplicadores descartáveis.

Sessão Televoter Urologia

Curso Anual Universitario de Medicina Familiar y Atención Primaria Infecções urinárias

Dispensação de Medicamentos Utilizados no Tratamento da Micose Superficial

Corrimentos uretrais Gonorréia /UNG

Principais formas de cancro na idade adulta

Clotrimazol GERMED FARMACÊUTICA LTDA. Creme vaginal. 10 mg/ g

ENFERMAGEM SAÚDE DA MULHER. Doenças Sexualmente Transmissíveis Parte 5. Profª. Lívia Bahia

Atualização na candidíase de repetição Existem novas propostas de tratamento? Vera Fonseca

Abordagem. Tamara Paz (R1) Orientadora: Dra. Juraci

CORRIMENTO VAGINAL: CAUSA, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

Transcrição:

Curso de Verão SPP Infeciologia Pediátrica Caramulo 2012

Balanite Inflamação da glande do pénis com ou sem inflamação do prepúcio (balanopostite) 6% não circuncisados, 3% circuncisados Maioria casos ligeira e com boa evolução sem tratamento específico Inflamação cutânea: higiene, evitar irritantes Eventual corticoterapia tópica (hidrocortisona 1%) Etiologia infeciosa Streptococos pyogenes(sga)++ Associação celulite perianal ou outras manifestações do SGA: odinofagia, exantema e febre Amoxicilina oral ATB tópico (bacitracina, gentamicina) c/ ou s/ corticóide

Balanite Candida Rapaz sexualmente ativo, não circuncisado Lesões maculopapulares, vermelhas, pruriginosas na glande; lesões satélites Antifúngico : clotrimazol tópico 7 dias / fluconazol oral toma única (+hidrocortisona tópica)

Vulvovaginite Vulvite Irritação local da vulva Vaginite Inflamação e eritema da mucosa vaginal frequentemente com leucorreia Comum meninas pré-puberes Irritação local com eritema, disúria e frequentemente leucorreia

Criança pré-pubere Fatores predisposição Mucosa atrófica, hipoestrogénica ph alcalino Grandes lábios pouco desenvolvidos Ausência de pêlo púbico Proximidade anatómica do ânus Má prática higiene Transmissão bactérias do aparelho respiratório através das mãos Irritantes locais (roupa nylon, sabão )

História clínica Leucorreia (cor, odor) 1/3 Rubor(>80%) Ardência Prurido Disúria Hemorragia Duração sintomas Uso recente ATB Utilização possíveis fatores irritantes (sabões perfumados, banhos espuma ) Tipo roupa Infeção respiratória recente Hx menstrual,sexual

História Clínica Leucorreia assintomática mais evidente 6-12 meses antes da menarca Leucorreia fisiológica. Leucorreia sanguinolenta, odor fétido Corpo estranho Substâncias irritantes(exº banhos espuma) Vulvovaginite química História de alterações da pele - eczema, psoriase, seborreia Prurido vaginal/anal especialmente de noite Oxiúros Infeção respiratória superior recente SBHGA

Exame físico Posição : colo da mãe, pernas fletidas (rã) Inflamação (rubor no introito em 87% dos casos) Escoriação da área genital Leucorreia

Etiologia vulvovaginites Criança pré-pubere Inespecíficas+++ Streptococo pyogenes Haemophilus spp; E. coli S. aureus; Shigella Enterobius vermicularis Outras causas Corpo estranho Alterações pele vulvar Reacção alérgica DST(raras) Neiss. Gonorrhoeae Chlamydia trachomatis T. vaginalis HSV Puberdade / adolescente Vaginose bacteriana+++ Candida albicans Trichomonas vaginalis Outras DST HSV Gonococo, Chlamydia

Etiologia vulvovaginites Neisseria Gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Trichomonas vaginalis, VHS Assintomáticas Rastreios anuais Investigar possibilidade Abuso Sexual Rastrear outras DST Sífilis VIH HB

Vulvovaginite Alguns estudos Higiene deficiente, parasitas, banhos de espuma Ausência de grupo control Não conclusivos! Isolamento agentes bacterianos Não implica necessariamente que são os causadores portadoras! Flora vaginal normal

Diagnóstico Hx clínica Exame Físico Inspeção e palpação abdominal; inspeção períneo, vulva, região perianal Escoriações, eritemas, úlceras, anomalias estruturais Estudo laboratorial - leucorreia Recolha do exsudado ou aspiração de material

Estudo Complementar Gram Exame bacteriológico aerobios e anaeróbios Cultura Gonococo Cultura Chlamydia Exames a fresco: clue cells ou trichomonas Hidróxido de potássio para fungos Espátula: área peri anal oxiuros Exame urina PCR para Chlamydia e Gonococo Goldstandard Preço Falso-positivos Se suspeita de abuso sexual - sem valor médico-legal! Culturas para trichomonas e fungos Meios cultura especiais

Vulvovaginite Inespecífica Maioria das vulvovaginites criança prépubere Flora mista bacteriana Fatores irritantes locais Banhos de espuma, shampoos, sabonetes, detergentes roupa, tipos de tecidos, maus cuidados higiene Tratamento sintomático

Vulvovaginite por SGA Vulvovaginite isolada ou Associação celulite perianal e/ou exantema, febre e odinofagia Eritema proeminente, pv leucorreia sanguinolenta Pico aos 5 anos Amoxicilina oral 10 dias, 50/mg/Kg/dia,(Máx. 1g),10 dias, 8/8 horas ou 1x dia Azitromicina ou Clindamicina

Vulvovaginite por Enterobius Prurido vulvar e/ou anal(+ noite!) Rubor, sem leucorreia Sintomas recorrentes Mebendazol 100mg(<10Kg; 50 mg) PO dose única; repetir dose 15 dias depois Pamoato pirantel, albendazol Riscos/benefícios < 2 anos Tratar familiares conviventes

Vulvovaginite por Corpo Estranho Foreign Body In The Immature Vagina June 1939 4% casos Leucorreia profusa, sanguinolenta Odor fétido Ginecologia Anestesia (Vaginoscopia)

Vaginite na Adolescente Estrogénio - alteração epitélio vaginal lactobacilli ph vaginal (7 para 4-4.5) Ambiente vaginal resistente a C.trachomatis e N. gonorrhoeae (cervicite!) Leucorreia Fisiológica Vaginose bacteriana (VB), Candida, Trichomonas

Vaginose Bacteriana Vaginite mais frequente na mulher adulta Alteração flora vaginal Gardnerella vaginalis, M. hominis, anaeróbios (bacteróides) Colonização G. vaginalis - culturas rotina sem interesse DST? O tratamento dos parceiros não previne recorrência. Diagnóstico (critérios Amsel) pelo menos 3 critérios Leucorreia fina, homogénea, branca ou cinza ph vaginal > 4.5 Odor peixe com adição KOH 10% 20% células epiteliais aparência de clue cells Tratamento redução risco outras DST (VIH ) Metronidazol 500mg 12/12 horas, 7 dias, VO ou Metronidazol óvulo vaginal 500mg 1x dia, 5 dias ou Clindamicina creme 2%: 1 aplicador 5g intravaginal ao deitar, 7 dias

Candidíase Rara na criança pré-pubere Fatores risco: antibióticos, diabetes, imunossupressão, fraldas Puberdade: prurido, leucorreia(espessa, branca, grumosa), disúria Tratamento Tópico (clotrimazol, miconazol) OU Fluconazol dose única (4mg/Kg) Max 150mg via oral); repetir dose 72h depois casos graves. Tratar parceiros sexuais se sintomaticos (balanite) com tratamento tópico

Trichomonas DST Muito suspeito de abuso >1 ano Leucorreia profusa (cor cinzenta ou amareloesverdeado), prurido, irritação e odor fétido PCR; Cultura possível Tratamento empírico parceiros Rastreio anual nas mulheres VIH+ Metronidazol 50mg/Kg (Max 2g) via oral, dose única 500 mg 2x dia, 7dias, VO (preferido na coinfecção VIH) < 45 Kg: 15 mg/kg/dia VO, 3xdia, 7 dias(max 2g/dia)

Vaginite na Adolescente Sintomas Sinais Leucorreia Vaginose Bacteriana Candidíase Trichomonas Leucorreia ligeiramente aumentada, odor fétido Moderada, branca ou cinza, homogénea, pouco viscosa, uniforme nas paredes vaginais Prurido, disúria, sintomas exacerbados antes do período menstrual Escassa, branca, grumosa, aderente às paredes vaginais Prurido, disúria, leucorreia profusa purulenta Profusa, branca ou amarela, homogénea Outros Sinais Edema e eritema vulvo-vaginal Eritema vulvo-vaginal Laboratório ph KOH >4.5 Odor característico <4.5 Micelas >4.5 Microscopia Culturas Clue cells ; poucos leucócitos Sem interesse Micelas; leucócitos Possível Leucócitos; trichomonas móveis em 80-90% das sintomáticas Possível

Vulvite na Adolescente VHS, Fungos VHS DST; mascarar outras DST Tipo1(5-30%) Tipo 2 (70-95%) Úlceras genitais dolorosas, vesículas, inflamação vulvar, linfadenopatia inguinal Diagnóstico clínico +Laboratorial (amostra de uma lesão por PCR DNA ) Tx: Aciclovir 80mg/Kg/dia,3-4 tomas,7-10 dias(max 1,2g/dia),VO >45Kg:400mg oral, 3x dia,7-10 dias, VO

Neisseria gonorrhoeae DST Abuso sexual fora período neonatal Leucorreia purulenta verde Ceftriaxone dose única <=45Kg 125mg IM >45Kg 250mg IM Ou Cefixime 8mg/Kg(Máx 400mg) po dose única Tratamento simultâneo Chlamydia Tratamento parceiros sexuais

Chlamydia trachomatis DST Abuso sexual (> 1 ano) Leucorreia menos frequente Tratamento Azitromicina 20mg/Kg(Max 1g) via oral dose única Ou doxiciclina (> 8 anos):100mg oral,2x dia 7 dias Tratamento parceiros sexuais

Uretrite, Cistite, Vulvovaginite na Adolescente Uretrite Cistite Vulvovaginite Sintomas Disúria interna Disúria interna, polaquiúria, urgência, hematúria Disúria externa, leucorreia, ardência vulvar, prurido Duração sintomas >7 dias <4 dias >7 dias; varíável Sinais Cervicite mucopurulenta; lesões vulvares Desconforto da região supra-púbica Lesões vulvares e inflamação; leucorreia Epidemiologia Novo parceiro sexual; DST prévia; contato sexual com DST Cistite prévia; sintomas após 24 horas de relação sexual; Uso de espermicida e diafragma História de herpes genital; parceiro sexual com herpes genital; uso ATB; vulvovaginite prévia; candidíase Pediatric Infectious Diseases, Sarah Long

Bibliografia Pediatric Infectious Disease, Sarah Long 2008 Textbook of Pediatric Infectious Diseases, Feigin, 6th Edition, 2009 Red Book, 28th Edition, 2009 Evidence Based Pediatric Infectious Diseases,BMJ,2007 M. Joishy et al, Do we need to treat vulvovaginitis in prepubertal girls BMJ volume 330, 2005 Gayle Fischer - Chronic vulvitis in pre-pubertal girls; Australasian Journal of Dermatology, 2010 Anne Garden,Vulvovaginitis and other common childhood gynaecological conditions,arch Dis Educ Pract Ed 2011 Sharon Mcgreal,Recurrent Vaginal Discharge in Children J Pediatric Adolesc Gynecol, 2012 Cynthia DeLago,Urogenital Symptoms in Premenarchal Girls:Parent s and Girl s Perceptions and associations with Irritants, J Pediatr Gynecol,2012 CDC: Centers for Disease Control and Prevention