INSUFICIÊNCIA RENAL. MSc. Roberpaulo Anacleto

Documentos relacionados
VIVER BEM OS RINS DO SEU FABRÍCIO AGENOR DOENÇAS RENAIS

Como abordar um paciente nefropata

Abordagem do Paciente Renal F J Werneck

Bibliografia: Capítulo 2 e 3 - Nowak Capítulo 12, 13 e 14 Fisiopatologia Fundamentos e Aplicações A. Mota Pinto Capítulo 4 S.J.

DOENÇAS CARDÍACAS NA INSUFICIÊNCIA RENAL

INSUFICIÊNCIA RENAL. Profa. Dra.Monica Akemi Sato

DO PACIENTE RENAL Tratamento conservador

ALTERAÇÕES RENAIS. Texto extraído do Editorial do Endocrinologia&Diabetes clínica e experimental vol. 7 número 3, julho/2007.

DO PACIENTE RENAL Terapia de substituição renal

Aparelho Gastrointestinal Dor Abdominal Aguda

Litíase urinária- Identificação dos grupos de risco e tratamento. Humberto Lopes UFJF II Encontro de Urologia do Sudeste - BH

INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA

Actualizado em * Definição de caso, de contacto próximo e de grupos de risco para complicações

FUNÇÃO RENAL ACADÊMICO JOSÉ DE OLIVEIRA RODRIGUES

Azatioprina, Ciclosporina, Micofenolato de Mofetila, Micofenolato de Sódio, Sirolimo,Tacrolimo, Everolimo e Imunoglobulina Humana

Forum de Debates INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA EM. Rui Toledo Barros Nefrologia - HCFMUSP rbarros@usp.br

DOENÇAS INFECCIOSAS DO CORAÇÃO

SISTEMA URINÁRIO. Prof. Me. Leandro Parussolo

Diagnosis and prevention of chronic kidney allograft loss

INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA (IRC) Os Rins e suas funções.

As principais causas de diabetes insípidus central são tumores que acometem a região hipotalâmica hipofisária, como por exemplo:

CONSULTA EM UROLOGIA - GERAL CÓDIGO SIA/SUS: Motivos para encaminhamento:

Pâncreas. Pancreatite aguda. Escolha uma das opções abaixo para ler mais detalhes.

Introdução. Metabolismo dos pigmentos biliares: Hemoglobina Biliverdina Bilirrubina Indireta (BI) ou nãoconjugada

Mal formações do trato urinário. Luciana Cabral Matulevic

Epidemiologia DIABETES MELLITUS

AULAS TEÓRICAS SEMIOLOGIA MÉDICA GERAL I 5º PERÍODO 2009/2 DATA HORÁRIO ASSUNTO PROFESSORES

Agrotóxicos. O que são? Como são classificados? Quais os sintomas de cada grupo químico?

SISTEMA EXCRETOR PROFª CLÁUDIA LOBO

azul NOVEMBRO azul Saúde também é coisa de homem. Doenças Cardiovasculares (DCV)

03/05/2012. Radiografia simples do abdome

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA. Prof. Fernando Ramos Gonçalves-Msc

Pós operatório em Transplantes

ESTADO DE ALAGOAS SECRETARIA DO ESTADO DA SAÚDE DIRETORIA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA - DAF

Anhanguera - Uniderp

PROTOCOLO MÉDICO. Assunto: Infecção do Trato Urinário. Especialidade: Infectologia. Autor: Cláudio C Cotrim Neto-Médico Residente e Equipe Gipea

INFORMAÇÃO IMPORTANTE, DESTINADA AOS DOENTES, SOBRE COMO TOMAR A SUA MEDICAÇÃO

Enfermagem 7º Semestre. Saúde da Mulher. Prof.ª Ludmila Balancieri.

Avaliação por Imagem do Pâncreas. Aula Prá8ca Abdome 4

Sistema Urinário. Profe. Cristiane Rangel 8º ano Ciências

Alterações mecanismo sangramentos ou hemostático tromboses. púrpuras vasculares ou plaquetárias. Fase de coagulação e fibrinólise: coagulopatias

Abordagem Diagnóstica e Terapêutica da Diabete Melito Não Complicada em Cães

Sinais e sintomas na avaliação renal

Diabetes e Insuficiência Renal Crônica

COAGULOPATIAS NO PACIENTE ONCOLÓGICO. Dra Carmen Helena Vasconcellos Hospital Veterinário Botafogo - RJ

2. HIPERTENSÃO ARTERIAL

Biomassa de Banana Verde Integral- BBVI

EXERCÍCIO E DIABETES

Área de concentração: CLÍNICA MÉDICA DE PEQUENOS ANIMAIS

ANEXO. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Para candidatos que desejam entrar na 4ª etapa do curso

1 - Estrutura e Finalidades da disciplina

TRATO URINÁRIO INFERIOR

PROGRAMA TEÓRICO E PRÁTICO PARA ESTÁGIO EM CARDIOLOGIA 2014 Credenciado e reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia

RESPOSTA RÁPIDA 154/2014 Alfapoetina na IRC

DIABETES MELLITUS. Prof. Claudia Witzel

6/1/2014 DEFINIÇÃO CHOQUE CARDIOGÊNICO. Perfusão sanguínea

Infecções e inflamações do trato urinário, funçao sexual e reprodutiva Urologia Denny


Câncer de Próstata. Fernando Magioni Enfermeiro do Trabalho

RETIFICAÇÕES DIVERSAS

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MÉDICA EM NEFROLOGIA

Regulação dos níveis iônicos do sangue (Na +, K +, Ca 2+, Cl -, HPO 4. , K +, Mg 2+, etc...)

INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL. Profª. Thais de A. Almeida Aula 21/05/13

Os Rins. Algumas funções dos Rins?

AULA 11: CRISE HIPERTENSIVA

Linfomas. Claudia witzel

Oferecemos uma ampla gama de tratamentos entre os que podemos destacar:

Doenças do Sistema Circulatório

A. Patologias vasculares B. Choque C. Hemostasia. 2 Letícia C. L. Moura

DIÁLISE TIPOS E INDICAÇÕES. Dr.Luiz Carlos Pavanetti Instituto do Rim de Marília

Planificação anual de Saúde- 10ºano

ASSOCIAÇÃO MÉDICA DA PARAÍBA RISCO CIRÚRGICO. 9/7/2003 Dr. José Mário Espínola - AMPB 1

Assine e coloque seu número de inscrição no quadro abaixo. Preencha, com traços firmes, o espaço reservado a cada opção na folha de resposta.

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE MEDICINA - BACHARELADO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA Curso de Graduação em Enfermagem Liga de Enfermagem em Neurologia

Sistema Respiratório. Afecções das vias aéreas inferiores. Profa. Dra. Rosângela de Oliveira Alves Carvalho

Disfunção plaquetária em situações especiais

8:00 Horas Sessão de Temas Livres concorrendo a Premiação. 8:30 8:45 INTERVALO VISITA AOS EXPOSITORES E PATROCINADORES.

ANEXO. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Para candidatos que desejam entrar na 2ª etapa do curso

Interpretação de exames laboratoriais Lactato desidrogenase (LDH)

As disfunções respiratórias são situações que necessitam de intervenções rápidas e eficazes, pois a manutenção da função

CONSEQÜÊNCIAS DA HISTERECTOMIA LEIOMIOMA UTERINO - METÁSTESE MÓRBIDA

Abordagem diagnóstica a casos oncológicos em Répteis. Filipe Martinho, DVM

GASOMETRIA ARTERIAL GASOMETRIA. Indicações 11/09/2015. Gasometria Arterial

Aulas teórica s PROFESSOR DATA HORA AULA PROGRAMADA MÓDULO. Sessão Avaliação ED Supervisão TOTAL

Capacitação em Serviço: Dengue em 15 minutos

TABELA DE EQUIVALÊNCIA Curso de Odontologia

COMPONENTE CURRICULAR - UROLOGIA CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES PERÍODO: 8º DIA ATIVIDADE/AULA PROFESSOR

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE MEDICINA - BACHARELADO

Transplante de rim. Perguntas frequentes. Avitum

Temas para o Concurso de Residência Médica do Hospital Regional de Presidente Prudente I - Clínica Médica

SÍNDROME NEFRÍTICA AGUDA

FIBROSE PULMONAR. O que é a fibrose pulmonar?

Qual o tamanho da próstata?

Componente Curricular: Patologia e Profilaxia Módulo I Profª Mônica I. Wingert Turma 101E TUMORES

Check-ups Específicos

Corticóides na Reumatologia

REGULAÇÃO HIDROELETROLÍTICA FUNÇÃO RENAL

Transcrição:

INSUFICIÊNCIA RENAL MSc. Roberpaulo Anacleto

A importância dos rins Os rins regulam a pressão arterial, filtram o sangue, eliminam as toxinas existentes no organismo, controlam a água e o sal no corpo, produzem hormônios e eliminam os excessos de medicamentos e outras substâncias ingeridas.

Manifestação Clínica 1. Uremia -Náuseas, vômitos, mal estar e alteração da consciência 2. Hipervolemia -Edema periférico -Hipertensão- rara -Pulmões: Estertores e Derrame pleural 3. Avaliação Cardíaca -Atrito pericárdico -Arritmias Hipercalemia

4. Abdome -Dor abdominal difusa, não específica -Íleo paralítico 5. Sangramento -Disfunção plaquetária 6. Neurológico -Confusão mental -Convulsões 7. ASSINTOMÁTICO

INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

Classificação da IRA Pré-renal Renal Pós-renal

IRA pré-renal Volume intravascular: hemorragias, perdas gastrointestinais, perdas renais, perdas insensíveis superiores à ingestão de líquidos (idosos, hipertermia, queimados) Débito cardíaco: IAM, arritmias, hipertensão arterial maligna, tamponamento cardíaco, miocardiopatias, disfunções valvares, hipertensão pulmonar, TEP, Ventilação assistida com pressão positiva Volume arterial efetivo: ICC, hipoalbuminemia, perda para terceiro espaço, vasodilatação sistêmica, secundária a agentes externos

IRA pós-renal Ureteral e pélvica: obstrução intrínseca (coágulo, cálculo, infeções), obstrução extrínseca (hiperplasia prostática benigna, CA próstata, tumores ginecológicos ou metastáticos, ligadura iatrogênica) Bexiga: obstrutivas (cálculos, coágulos, hipertrofia ou neoplasia prostática, CA bexiga, bexiga neurogênica, anticolinérgicos) Uretra: estreitamento, cicatrizes, fimose

IRA Renal Necrose tubular aguda (NTA): Isquemia secundária a hipoperfusão renal, toxinas e medicamentos (aminoglicosídeos, antifúngicos, imunossupressores, quimioterápicos, antivirais, AINH, contrastes radiológicos, endotoxinas bacterianas, solventes orgânicos), toxinas endógenas (rabdomiólise, hemólise, hiperuricemia, mieloma) Nefrites intersticiais: Medicamentos (penicilina, cefalosporinas, rifampicina, sulfonamindas diuréticos, AINH), auto-imunes (LES, Sjoegren, doença mista do tecido conjuntivo, infecções (pielonefrites), infiltrações (linfomas, leucemias e sarcoidose), rejeição celular aguda pós-transplante

IRA Renal Doenças vasculares: inflamatórias (vasculites), microangiopáticas (síndrome hemolíticourêmica, púrpura trombocitopênica trombótica, síndrome HELLP, hipertensão arterial maligna), doença arterotrombótica (embolização de colesterol), macrovasculares (estenose de artérias renais, aneurisma, displasias). Glomerulopatias: pós-infecciosa (GNDA pós infecciosa, endocardite, abscessos sistêmicos, shunts), membranoproliferativas, rapidamente progressivas (idiopática, LES, Wegener), síndrome hemolíticourêmica, esclerodermia

Laboratorial Uréia, Creatinina, eletrólitos, Urina tipo 1 (densidade, L/E) Reumatograma Fórmula Cockcroft-Gault Relação Uréia:Creatinina Na urinário (pré renal valor baixo) Osmolalidade urinária (pré renal >500mosm/kg) Fe Na = Na urinária/ Na plasm x 100 Cr urinária/ Cr plasm Biomarcadores: NGAL, KIM-1, cistatina

Agudo vs Crônico Anemia Fósforo Função renal prévia (base) Urina tipo I USG rins

INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA (IRC)

Conceito da insuficiência renal crônica (IRC) Caracteriza-se por um estado de disfunção renal persistente e irreversível, devido a um processo patológico. Podendo ser lentamente progressivo ou acometido rapidamente após uma agressão renal aguda, capaz de deteriorar os rins

Por ser lenta e progressiva, esta perda resulta em processos adaptativos que, até um certo ponto, mantêm o paciente sem sintomas da doença. Até que tenha perdido cerca de 50% de sua função renal, os pacientes permanecem quase que sem sintomas.

Apartir daí começam a aparecer os primeiros sintomas e sinais que nem sempre incomodam muito o paciente. Como anemia leve, pressão alta, edema (inchaço) dos olhos e pés, mudança nos hábitos de urinar (levantar diversas vezes à noite para urinar) e do aceito da urina (urina muito clara, sangue na urina, etc.).

Até que os rins estejam funcionando somente entre 10-12% de sua função renal normal, pode-se tentar tratar os pacientes com medicamentos e dieta. Quando a função renal se reduz abaixo destes valores (10-12%), torna-se necessário o uso de outros métodos de tratamento da insuficiência renal como a Diálise ou o Transplante Renal.

Sinais e Sintomas mais frequentes da IRC Alteração na cor da urina (fica parecida com coca-cola ou sanguinolenta) Dor ou ardor quando estiver urinando Passar a urinar toda hora Levantar mais de uma vez à noite para urinar Inchaço dos tornozelos ou ao redor dos olhos Dor lombar Pressão sangüínea elevada Anemia (palidez anormal) Fraqueza e desânimo constante Náuseas e vômitos freqüentes pela manhã.

Causas e Fatores de Risco da (IRC) Diversas são as doenças que levam à insuficiência renal crônica. As três mais comuns são a Hipertensão arterial Diabetes Glomerulonefrite nefrite crônica ).

Causas e fatores de risco da (IRC) As outras causas são os RINS POLICÍTICOS (grandes e numerosos cistos que crescem nos rins, destruindo-os) PIELONEFRITE (infecções urinárias repetidas devido à presença de alterações no trato urinário, PEDRAS, obstruções, etc.) DOENÇAS CONGÊNITAS /HEREDITÁRIAS ( de nascença ). Doença Renal Policística Nefrite Intersticial Doenças Vasculares do Colágeno Neoplasias Doenças Metabólicas Anemia de Células Falciformes AIDS

Tratamento Geralmente, inibidores da enzima conversora de angiotensina são prescritos para todo os pacientes com insuficiência renal crônica. No período geralmente necessário para encontrar rim para transplante, a diálise é única forma de limpar os resíduos do sangue que seriam eliminados pela urina (uréia, potássio).

Diagnóstico Clínico Neurológicas Alterações do sono Convulsões Irritabilidade Cefaléia Coma Psicolócicas Depressão Ansiedade Psicose Pulmonares Pulmão urêmico Pleurite Derrame Pleural Gastrointestinais Anorexia Náusea, vômito Hálito Urêmico Sangramento GI Úlcera Péptica

Diagnóstico Clínico Alterações Hematológicas Anemia Sangramento Musculoesqueléticas Fraqueza Cardiovasculares Hipertensão arterial Insuficiência cardíaca Coronariopatia Pericardite Osteodistrofia Miocardite Oculares Retinopatia Hipertensiva Dermatológicas Palidez Depósitos de cálcio na conjutiva e córnea Pigmentação Prurido, escoriações Equimoses, Púrpura Alterações ungueais

Diagnóstico Laboratorial EAS Bioquímica Proteinúria de 24 horas Clearance da Creatinina Gasometria Ultra-sonografia Radiografia simples Tomografia Computadorizada Ressonância Magnética Eco Doppler de Artérias Renais

Quando Iniciar Diálise? Hipertensão arterial grave Encefalopatia e/ou neuropatia urêmica avançada Diátese hemorrágica Anorexia progressiva / náuseas / vômitos Prurido persistente e severo Alt. atenção / memória / depressão

Hemodiálise

LITÍASE RENAL

Litíase Urinária Fisiopatologia Tipos de Cálculos Composição, morfologia, dimensões Localização Aparelho urinário superior Aparelho urinário inferior Abordagem diagnóstica Anamnese Exames de imagem Outros exames Opções Terapêuticas Terapêutica Médica Terapêutica minimamente invasiva Terapêutica Cirúrgica Endoscópica Aberta Prevenção

Fisiopatologia (geral) Supersaturação concentração do soluto carga iónica ph urinário Presença de inibidores Citrato, Magnésio, Pirofosfato Estase, infecção Matriz (não cristalina)

Localização

Clínica Assintomática Relacionada com: obstrução infecção Cólica renal

Cólica renal quase sempre a causa é litiásica... mas pensar também noutras causas de obstrução: necrose papilar coágulo tumor

Cólica renal Pródromos frequentes náuseas e vómitos hipotensão hipersudorese sialorreia Características típicas carácter ondulante sem posição de alívio localização mal definida, visceral piora com a ingesta hídrica irradiação inguinal ou genital homolateral

Cólica renal Leucocitose ligeira frequente Infecção grave requer terapêutica imediata leucocitose com neutrofilia febre alta com arrepios piúria

Avaliação diagnóstico de litíase caracterização da litíase diagnóstico da obstrução despiste da infecção associada identificação de factores de risco