PREVENÇÃO DA INFEÇÃO URINÁRIA

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Transcrição:

PREVENÇÃO DA INFEÇÃO URINÁRIA

i Enf.ª Alda Maria Cavaleiro de Melo Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação Serviço de Neurologia Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra EPE

PREVENÇÃO DA INFEÇÃO URINÁRIA A Infeção Urinária ocorre frequentemente na pessoa com Esclerose Múltipla e a maior parte das vezes provocada pelo incorreto funcionamento da bexiga. APARELHO URINÁRIO As lesões de desmielinização do sistema nervoso central, ao provocarem interrupção na transmissão das mensagens entre o cérebro, a medula espinal e o sistema urinário podem provocar retenção de urina. Veia Renal Rim Veia Cava A urina acumulada na bexiga fica sujeita à multiplicação das bactérias que vão provocar a infeção. Ureter Bexiga Imagem adaptada de: ROBERTA MORRA- Ms in Focus. Revista da Federação Internacional da Esclerose Múltipla. Nº2, 2003.

Se a bexiga mantiver grandes volumes de urina, a parede da bexiga distende e a urina é empurrada para os ureteres, levando a infeção para estes e para os rins, causando infeções de maior gravidade. Estas infeções também contribuem para o aparecimento de surtos e progressão da esclerose múltipla. Quando as pessoas bebem pouca água, o risco de desenvolverem cálculos renais é elevado, estes dificultam a saída da urina do rim, e acaba por se desenvolver a infeção no rim. Se a bexiga não esvazia completamente, é necessário programar o seu esvaziamento através de um pequeno cateter. A pessoa que tem uma infeção urinária provocada pelo esvaziamento incompleto da bexiga, frequentemente tem recidivas. A urina que fica acumulada na bexiga após urinar, é uma fonte de multiplicação de bactérias, e produção de infeções. A infeção urinária também pode ocorrer em pessoas algaliadas ou que fazem algaliação intermitente, pelo que também se recomenda que se beba 2 litros de água por dia.

Os sintomas da infeção urinária são muito variáveis, geralmente, manifestam-se pelo aumento da vontade de urinar, fluxo inconstante acompanhado de dor e ardor. Frequentemente existe uma sensação de peso e desconforto na zona abdominal, pode urinar com sangue, sentir febre e arrepios. Em algumas pessoas aumenta a fadiga e espasticidade. Mas a retenção ou incontinência urinárias, podem ser os únicos sintomas da infeção. Quando sentir estes sintomas de infeção urinária beba mais água. É urgente comunicar estes sintomas ao médico ou enfermeiro que o acompanha no seu centro de EM, para que possam identificar o problema e estabeleçam um plano de tratamento adequado. A infeção pode não estar relacionada com a EM, mas tem que ser tratada com um antibiótico adequado. O diagnóstico definitivo é feito através da análise da urina (urocultura com teste de sensibilidade antibiótica), colhida após rigorosos cuidados de higiene perineal, com desperdício do primeiro jato de urina, acondicionada em frasco esterilizado, sem nunca tocar nos bordos nem interior da tampa ou frasco. Aconselha-se a análise da primeira urina da manhã pela concentração de microrganismos que acumulou durante a noite. O resultado desta análise indica com rigor o antibiótico aconselhável para o tratamento da infeção. Algumas pessoas são propensas a infeções de repetição, pelo que devem redobrar a atenção para as evitarem.

As bactérias mais frequentemente causadoras de infeção urinária são provenientes da flora intestinal e vaginal. A via da infeção mais frequente é a via ascendente. As bactérias existentes no ânus e vagina penetram ascendentemente no aparelho urinário através da uretra. Para prevenir o aparecimento da infeção urinária é importante que beba 1,5 a 2 litros de água por dia (distribuídos por 3 ou 4 vezes ao dia) de preferência até às 17 horas, assim irá menos vezes à casa de banho durante a noite. Mantenha rigorosos cuidados de higiene perineal. Após defecar, limpe o ânus da frente para trás, sem arrastar fezes para a região uretral. Urine antes de dormir e após as relações sexuais. Evite banhos de imersão. Coma fruta ou sumos naturais ricos em vitamina C, tais como laranja, limão, abacaxi e kiwi. Estes acidificam a urina e impedem o crescimento das bactérias responsáveis pela infeção urinária.

BIBLIOGRAFIA ROBERTA MOTTA MS in Focus. Revista da Federação Internacional da Esclerose Múltipla. Nº2, 2003. NANCY HOLLAND - MS in Focus. Revista da Federação Internacional da Esclerose Múltipla. Nº2, 2003. SORENSEN e LUCKMANN Enfermagem Fundamental. 1ª ed. Lisboa: Lusodidacta,1998.

ESPASTICIDADE NA ESCLEROSE MÚLTIPLA Enf.ª Clara Teixeira PRÓXIMO FASCÍCULO Biogen Idec Av. Duque de Ávila 141, 5º E 1050-081 Lisboa Tel.: +(351) 213 188 450 Fax: +(351) 213 188 451 Site: www.biogenidec.pt BIIB-POR-0036