5 PEDIR FACTURA COMPENSA Novas regras em nome da justiça fiscal entram em vigor a 1 de Janeiro Consumidor pode receber até 250 euros de recompensa efectiva se obrigar comerciantes a emitirem facturas de tudo o que vendem p.14 El
CONSUMIDOR FTSTAT TZAM ATOQCO DE 250 EUROS Em Janeiro, todos os comerciantes são obrigados a passar facturas. Acabam-se os talões. Os consumidores ganham se exigirem a factura AGOSTINHO SILVA asilva@dnoticias.pt Comerciantes e consumidores têm, a partir de 1 de Janeiro, novas regras no relacionamento fiscal com o Estado. Por um lado são generalizadas as obrigações declarativas - tudo passa pelo número de contribuinte de quem compra e de quem vende - e por outro o cidadão comum é 'seduzido', por apenas 250 euros de recompensa efectiva, a obrigar os comerciantes a cumprirem as regras. Convém desde logo clarificar que se trata da prossecução de uma efectiva justiça fiscal e não de simples atitudes persecutórias: todos os contribuintes devem saber que ao exigirem o cumprimento fiscal a terceiros estão a contribuir activamente para que o Estado não seja ludibriado. É que, em muitos casos, há comerciantes a cobrar imposto que depois não entregam ao Estado. O contribuinte deve também mentalizarse que quanto maior for a arrecadação de imposto, no fim da linha, menor será a sobrecarga fiscal que lhe é exigida para pagamento de serviços públicos. Ou de empréstimos da 'troika', como é o caso actual em Portugal. Para cumprirem as novas exigências"; òsí-ômêrciantes que ainda não o fazem passam a ser obrigados a emitir facturas de tudo o que vendem. Desde um café numa tasca tradicional a um alisamento de cabelo num cabeleireiro, ou uma mudança de óleo numa oficina automóvel. Se os casos descritos até são simples de operacionalizar, outros há como a distribuição de gás oú de outras vendas ambulantes que terão de munirse de um pequeno terminal para emissão de facturas, ou em alternativa facturas manuais fornecidas por tipografias autorizadas. No essencial, as operações descritas constituem a parte do 'trabalho de campo'. O resto será feito pela potente máquina da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) que se encarregará de cruzar a conta-corrente de cada cidadão, consumidor ou comerciante, através do número de contribuinte, ou seja, o NTF-Número de Identificação FiscaL Entre as inúmeras interpretações possíveis, a máquina fiscal pode facilmente presumir o que um estabelecimento comercial - pequeno, grande ou médio - produziu em termos de vendas, mesmo que nada declare ou o faça através de números fraudulentos. Basta reunir a informação de todos os outros comerciantes que fizeram fornecimentos. Ou seja, através de uma simples consultairiformatizada, agora é possível controlar as vendas, não através da declaração expontânea do comerciante, mas através da listagem das compras que tenha feito - cujo controlo lhe escapa "Não é um sistema perfeito, mas é altamente eficaz", classificou ao DIÁRIO o director regional dos Assuntos Fiscais. João Machado reconhece que as potencialidades do cruzamento de números de contribuinte sejam "medidas um pouco fortes", mas recusa a ideia de um sistema "persecutório" seja contra quem for. Trata-se tão somente de procurar que os impostos cobrados aos contribuintes sejam efectivamente entregues à administração fiscal Portal das Finanças Para um cabal esclarecimento dos contribuintes - quer sejam comerciantes, quer sejam simples consumidores - a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) disponíbiliza no Portal das Finanças, na Internet, uma série de informações e simulações que respondem a todas as dúvidas. O DIÁRIO seleccionou algumas das questões mais pertinentes, a começar pela clarificação do novo regime de facturação, que consiste na obrigatoriedade de emissão de factura por parte de quem está abrangido pelo IVA na venda de bens ou prestação de serviços. Até nos casos em que os consumidores finais não exijam factura. Fundamental nas facturas é a indicação do número de identificação
fiscal de quem compra ou solicitou o serviço. Nos casos de recusa de emissão de factura, o cliente poderá participar o facto em qualquer serviço da AT, identificando o agente económico o melhor possível (designação social, nome do estabelecimento, morada, etc.) de forma a possibilitar a intervenção imediata. A AT disponibiliza aos consumidores, no Portal das Finanças, a informação actualizada das facturas que recebe das empresas e que contenham o respectivo NIF. Benefício no IRS O benefício fiscal atribuído pela exigência de factura consiste na dedução à eòlecta áoirs do consumidor, do valor correspondente a 5% do PARA ATINGIR O TOTAL DO BENEFÍCIO, HÁ QUE ACUMULAR MAIS DE 20 MIL EUROS EM FACTURAS IVA constante das facturas emitidas com o seu número de contribuinte, quando se trate de aquisições ou serviços em estabelecimentos ou comerciantes das áreas de manutenção e reparação de veículos automóveis; manutenção e reparação de motociclos, de suas peças e acessórios; alojamento e similares; restauração e similares; e actividades de salões de cabeleireiro e institutos de beleza. O que está estabelecido para o próximo ano - portanto, com benefício a colher após a declaração de rendimentos em Abril de 2014 - é a atribuição de um benefício fiscal no valor máximo de 250 euros por agregado familiar. Se o consumidor final não indicar o NIF perde o direito ao benefício. Para chegar ao máximo do benefício fiscal, é necessário acumular um total superior a 20 mil euros de facturas. Aos consumidores basta exigirem a factura em todas as aquisições que efectuem. Para usufruírem do benefício fiscal devem solicitar a menção do seu número de identificação fiscal. Posteriormente, e no final do mês seguinte ao da emissão da factura, podem consultar e verificar se as mesmas foram comunicadas à AT, através da consulta no Portal das Finanças. Se os agentes económicos não comunicarem os elementos das facturas à AT, é disponibilizada uma funcionalidade no Portal das Finanças onde os consumidores podem inserir os elementos dessas facturas que tenham em seu poder e que respeitem as áreas de actividade abrangidas pelo benefício fiscal. O cálculo do benefício fiscal é efectuado automaticamente pela AT e comunicado aos consumidores durante o mês de Fevereiro do ano seguinte ao da emissão das facturas. AAUTORIDADE TRIBUTÁRIA CRUZARÁ OS DADOS E SABERÁ QUEM COBROU E NÃO ENTREGOUOIVA
Fim dos talões de venda ou notas de encomenda A partir de Janeiro, os agentes económicos - todos os comerciantes - são obrigados a declarar à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) os dados de cada factura emitida durante sua actividade comercial. Os elementos das facturas podem ser comunicados à AT por transmissão electrónica de dados em tempo real, integrada em programa de facturação electrónica; ou por transmissão electrónica de dados, mediante remessa de ficheiro normalizado estruturado com base no ficheiro SAF- T (PT); ou por inserção directa no Portal das Finanças.. Os agentes, c.qnónàcçt. Jpdfírão unicamente emitir facturas ou facturas simplificadas nas suas vendas ou prestações de serviços. Os diversos documentos que vinham a titular as operações tributáveis, por exemplo os talões de venda, os avisos de lançamento, ou quaisquer outros, deixam de poder ser utilizados. Os comerciantes são obrigados a emitir factura ou factura simplificada por cada transmissão de bens ou a prestação de serviços que realizem, independentemente do facto de o cliente solicitar ou não esse documento. Como o próprio nome indica, a te ao nível dos requisitos que deve conter. Consequentemente, a possibilidade da sua utilização é restrita, apenas a poderão utilizar retalhistas ou vendedores ambulantes nas vendas a particulares quando o valor da factura não for superior a mil euros ou, de um modo genérico, todas as entidades desde que o montante da factura não seja superior a 100 euros. A factura simplificada, que vem substituir os talões de venda, deve obrigatoriamente permitir a inserção do número de identificação fiscal do adquirente. Naturalmente que, quando o cliente particular o njp deseje, qunãojfècu^&^peçjih., vo número de identificação fiscal, será emitida factura simplificada com esse campo não preenchido. Estes documentos podem ser manuais, quando adquiridos a tipografias devidamente autorizadas ou resultar de máquinas registadoras ou computadores. De referir que, quando utilizada a máquina registadora, esta deve permitir preencher todos os campos necessários, nomeadamente o número de identificação fiscal. Naturalmente que os sujeitos passivos que estejam obrigados à utilização de programas de facturação certificados não poderão emitir facturas manuais.