Música sertaneja, tradição e desenvolvimentismo. 1



Documentos relacionados
TRABALHANDO A CULTURA ALAGOANA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA EXPERIÊNCIA DO PIBID DE PEDAGOGIA

Valéria Carrilho da Costa

EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)

Organizando Voluntariado na Escola. Aula 1 Ser Voluntário

Os encontros de Jesus. sede de Deus

SOCIEDADE E TEORIA DA AÇÃO SOCIAL

Construção, desconstrução e reconstrução do ídolo: discurso, imaginário e mídia

7º ano - Criação e percepção - de si, do outro e do mundo

Elaboração de Projetos

Pedro Bandeira. Leitor em processo 2 o e 3 o anos do Ensino Fundamental

APRENDER A LER PROBLEMAS EM MATEMÁTICA

LÍDER: compromisso em comunicar, anunciar e fazer o bem.

O papel educativo do gestor de comunicação no ambiente das organizações

A função organizadora das Leis Trabalhistas para o Capitalismo Brasileiro ( ) th_goethe@hotmail.com; joaoacpinto@yahoo.com.

Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Câmpus de Bauru PLANO DE DISCIPLINA

Especialista em C&T Produção e Inovação em Saúde Pública. Prova Discursiva INSTRUÇÕES

REFLEXÕES SOBRE OS CONCEITOS DE RITMO

Formação de Professores: um diálogo com Rousseau e Foucault

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA AD NOS PROGRAMAS DE PÓS- GRADUAÇÃO DA PUC/RS E DA UFRGS

A influência das Representações Sociais na Docência no Ensino Superior

À Procura de Mozart Resumo Canal 123 da Embratel Canal 112 da SKY,

P R O J E T O : A R T E N A E S C O L A M Ú S I C A NA E S C O L A

Avanços na transparência

ESTRUTURAS NARRATIVAS DO JOGO TEATRAL. Prof. Dr. Iremar Maciel de Brito Comunicação oral UNIRIO Palavras-chave: Criação -jogo - teatro

Colégio Cenecista Dr. José Ferreira

informações em documentos.

Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima' A Utilização do Jogo na Pré-Escola

Unidade II FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL. Prof. José Junior

Projeto Incubadora no SecondLife

As Escolas Famílias Agrícolas do Território Rural da Serra do Brigadeiro

Indivíduo e Sociedade

José Fernandes de Lima Membro da Câmara de Educação Básica do CNE

Veículo: Site Estilo Gestão RH Data: 03/09/2008

O Papel da Educação Patrimonial Carlos Henrique Rangel

PNL? o que é. Dossie. Veronica Ahrens Diretora de T&D, Trainer e Coach da SBPNL Inspirar pessoas a criarem um mundo melhor. veronica@pnl.com.

2º Jantar Italiano do Circolo Trentino di Ascurra 1

Globalização e solidariedade Jean Louis Laville

CARTILHA D. JOTINHA A ORIENTAÇÃO DO PROFESSOR DE ARTES VISUAIS SOBRE A CONSERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO ARTÍSTICO E CULTURAL

SUA ESCOLA, NOSSA ESCOLA PROGRAMA SÍNTESE: NOVAS TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA

O PAPEL DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

EDUCAÇÃO E PROGRESSO: A EVOLUÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO DA ESCOLA ESTADUAL ELOY PEREIRA NAS COMEMORAÇÕES DO SEU JUBILEU

Oi FUTURO ABRE INSCRIÇÕES PARA EDITAL DO PROGRAMA Oi NOVOS BRASIS 2012

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos)

A constituição do sujeito em Michel Foucault: práticas de sujeição e práticas de subjetivação

Divulgação do novo telefone da Central de Atendimento da Cemig: Análise da divulgação da Campanha

A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

instrumentos passaram a ser tocados muitas vezes de maneira diferente da regular

Desafiando o preconceito: convivendo com as diferenças. Ana Flávia Crispim Lima Luan Frederico Paiva da Silva

JOSÉ DE ALENCAR: ENTRE O CAMPO E A CIDADE

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIOESPACIAIS NA REGIÃO DO BARREIRO: A METROPOLIZAÇÃO NA PERIFERIA DE BELO HORIZONTE.

difusão de idéias AS ESCOLAS TÉCNICAS SE SALVARAM

Estado da Arte: Diálogos entre a Educação Física e a Psicologia

A Sociologia de Weber

3º Bimestre Pátria amada AULA: 127 Conteúdos:

PRAXIS. EscoladeGestoresdaEducaçãoBásica

A evolução da espécie humana até aos dias de hoje

Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Grupo de Pesquisa em Interação, Tecnologias Digitais e Sociedade - GITS

Jornalismo Interativo

Fonte:

44º FESTIVAL DE INVERNO DA

PO 06: Uma historiografia da Escola Normal Paraense na ótica da disciplina Matemática

ÁLBUM DE FOTOGRAFIA: A PRÁTICA DO LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 59. Elaine Leal Fernandes elfleal@ig.com.br. Apresentação

O olhar do professor das séries iniciais sobre o trabalho com situações problemas em sala de aula

Duração: Aproximadamente um mês. O tempo é flexível diante do perfil de cada turma.

35 anos. Raça Cia de Dança. Venha fazer parte da nossa história!

VIOLÊNCIA NO ESPAÇO ESCOLAR: UMA ANÁLISE A PARTIR DA ESCOLA CAMPO

PALAVRAS CHAVE: Jornalismo. Projeto de Extensão. Programa Ade!. Interatividade.

de 20, à criação do samba no Rio de Janeiro ou ao cinema novo. Ao mesmo tempo procurei levar em conta as aceleradas transformações que ocorriam nesta

Sistema de signos socializado. Remete à função de comunicação da linguagem. Sistema de signos: conjunto de elementos que se determinam em suas inter-

AFINAL, O QUE É O TERROIR?

Oração. u m a c o n v e r s a d a a l m a

PET CULTURAL PET - ENGENHARIA DE ALIMENTOS - UFG

Educação Patrimonial Centro de Memória

medida. nova íntegra 1. O com remuneradas terem Isso é bom

Roteiro de Áudio. SOM: abertura (Vinheta de abertura do programa Hora do Debate )

No modo de produção escravista os trabalhadores recebiam salários muito baixos.

METODOLOGIA DE PESQUISA CIENTÍFICA. Prof.º Evandro Cardoso do Nascimento

DISCURSO SOBRE LEVANTAMENTO DA PASTORAL DO MIGRANTE FEITO NO ESTADO DO AMAZONAS REVELANDO QUE OS MIGRANTES PROCURAM O ESTADO DO AMAZONAS EM BUSCA DE

1. O que é Folclore? Uma análise histórica e crítica do conceito.

Aprendendo a ESTUDAR. Ensino Fundamental II

JAKOBSON, DUCHAMP E O ENSINO DE ARTE

Objetivos gerais e conteúdos da educação infantil

Atividade: Leitura e interpretação de texto. Português- 8º ano professora: Silvia Zanutto

A PEDAGOGIA COMO CULTURA, A CULTURA COMO PEDAGOGIA. Gisela Cavalcanti João Maciel

PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA RESULTANTE DAS DISSERTAÇÕES E TESES EM EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL

Sustentabilidade x Desperdício

DITADURA, EDUCAÇÃO E DISCIPLINA: REFLEXÕES SOBRE O LIVRO DIDÁTICO DE EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA

DA UNIVERSIDADE AO TRABALHO DOCENTE OU DO MUNDO FICCIONAL AO REAL: EXPECTATIVAS DE FUTUROS PROFISSIONAIS DOCENTES

Ciranda de Sons e Tons: experiências culturais na infância Gilvânia Maurício Dias de Pontes 1 UFRGS

CONSTRUÇÃO DO EU LÍRICO E O RETRATO NA POETICA CECÍLIA MEIRELES

Shusterman insere cultura pop na academia

PREFEITURA MUNICIPAL DE UBERLÂNDIA ARQUIVOS

RESENHA. Desenvolvimento Sustentável: dimensões e desafios

SINCRETISMO RELIGIOSO, NATAL FESTEJA IEMANJÁ 1

Uma Estratégia Produtiva para Defesa da Biodiversidade Amazônica

produtos que antes só circulavam na Grande Florianópolis, agora são vistos em todo o Estado e em alguns municípios do Paraná.

CORPO FEMININO E DETERMINAÇÕES DA INDÚSTRIA CULTURAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA SOCIAL Bruna Trevizoli Ferraz Lobo 1

METODOLOGIA DO ENSINO DA ARTE. Número de aulas semanais 4ª 2. Apresentação da Disciplina

Ensaio sobre o Conceito de Paisagem

Transcrição:

Música sertaneja, tradição e desenvolvimentismo. 1 Jaqueline Souza Gutemberg 2 Universidade Federal de Uberlândia, Avenida João Naves de Ávila CEP: 38400-902 - Uberlândia MG jac.gut@hotmail.com Resumo: Este texto trata da poética sertaneja como evidência documental capaz de iluminar a intricada rede de relações que se estabelece entre o mundo rural e o urbano nas décadas de 1950 a 1980. Esta é uma época de profundas transformações para a sociedade brasileira, na qual os conceitos de modernização e tradição se conjugam, não sem conflito. A vida e a obra da dupla José Fortuna e Pitangueira, de renome nacional, permite visualizar a nostalgia de um tempo ido, expresso em verso que, não só demonstra a perplexidade do caipira frente as mudanças, como indicam a permanência de uma matriz cultural, capaz de garantir-lhe uma identidade social. Palavras-chave: desenvolvimentismo música sertaneja José Fortuna e Pitangueira 1- INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem como foco a produção da música sertaneja entre as décadas de 1950 e 1980, estabelecendo uma interconexão com as transformações que a sociedade brasileira conheceu neste tempo, em que a industrialização e a urbanização se concretizaram como projeto de modernidade em contraposição a um mundo rural, percebido agora como lugar do atraso e das tradições arcaicas a serem rompidas 3. Para tanto, escolhemos a poética de José Fortuna, artista de renome nacional, cuja produção musical revela não só diversos aspectos das mudanças ocorridas por essa época, como também uma nostalgia em relação à perda dos valores do homem do campo cultivados até então no seu cotidiano. Assim, as experiências vividas na zona rural se desterritorializaram e não têm mais lugar nas cidades e grandes metrópoles. O fenômeno da migração se acelera e corre paralelo aos deslocamentos de práticas culturais populares. É o que denominamos de ruralização do urbano, quando algumas tradições, crenças, festas religiosas e sacras, formas de sociabilidades como o truco, 1 Este trabalho é parte de um projeto de iniciação cientifica financiado pela FAPEMIG intitulado Nos atalhos da vida: música sertaneja, o progresso e as resistências Zé Fortuna e Pitangueira (1950-1980) sob orientação da Profª. Drª Maria Clara Tomaz Machado. 2 Graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia, orientada pela Prof ª Drª Maria Clara Tomaz Machado, professora efetiva do Instituto de História/UFU. 3 SCHWARZ, Roberto. Fim de século. Caderno Mais. Folha de São Paulo. 04 de dez. 1994. 1

artesanato, saberes e sabores teimam em persistir, outros desaparecem e muitos ainda são (re)significados. O caipira 4 neste processo de desenraizamento cultural 5, se vê representado na poesia sertaneja que, paradoxalmente, só se afirma enquanto um discurso de resistência ou uma crítica ao progresso e às relações capitalistas, por meio da Indústria Cultural que, por sua vez, reconhece neste gênero musical um grande nicho de mercado. 6 Desse modo, a música sertaneja apresenta-se aqui como documento histórico capaz de evidenciar um tempo em transformação. Para o caipira ela estabelece um laço de identificação com sua matriz cultural 7, cuja poética e não só - dos valores, dos costumes, dos hábitos e das crenças do universo rural 8. Neste viés, representação é um conceito chave que norteia nossas considerações em torno do universo caipira expresso na produção musical de um compositor que manteve estreitos laços com os códigos sócio-culturais do mundo rural. Nesse sentido, a representação desse universo nos coloca frente a uma visão de mundo particular do compositor, mas que também foi vivido coletivamente pelos sujeitos que compartilharam das mesmas experiências sócioculturais 9. Essa simbologia do universo caipira, mesmo que marcada pela subjetividade e interesses do poeta, não impede que os ouvintes se reconheçam na poética dessa 4 O termo caipira se refere ao homem do campo apegado aos costumes do cotidiano rural neste trabalho. Para tanto, não usamos esse termo como uma estilização que tendeu a caracterizar o homem do campo como preguiçoso, jeca, doente, violento em obras como Urupês, de Monteiro Lobato. 5 BOSI, Ecléa. Cultura e Desenraizamento. In: BOSI, Alfredo (org). Cultura e Sociedade: temas e situações. São Paulo: Ática, 1992. 6 COELHO, Teixeira. O Que é Indústria Cultural. São Paulo: Brasiliense, 1995.. Verbete Indústria Cultural. Dicionário Crítico de Política Cultural São Paulo: Iluminuras, 1997,p.21; MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos meio às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2ª.ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003;COHN, Gabriel (org.). Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Iluminuras, 1997. 7 Sobre o conceito de matriz cultural conferir: WLLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979, p. 119. Tal autor explica a permanência de elementos residuais, frutos da experiência de uma época em outra, como, como parte de uma matriz cultural. 8 Sobre música sertaneja ver: CALDAS, Waldenyr. O Que é Música Sertaneja. São Paulo: Brasiliense, 1987;. Revivendo a música sertaneja. Revista USP. São Paulo: Edusp, nº22,2004; BERNADELI, Maria Madalena. Breve Histórico da música caipira. D.O. leitura. São Paulo: 10 (117), fevereiro, 1992; NEPOMUCENO, Rosa. Da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.;SOUZA, Walter de. Moda inviolada: uma história da música caipira. São Paulo: Quiron Livros, 2005; BRITO, Diogo de Souza. MACHADO, Maria Clara Tomaz. O guardador de saudades : Goiá e a poética sertaneja do interior das Gerais. In: COSTA, Cléria Botelho e MACHADO, Maria Clara Tomaz. História e Literatura: identidades e fronteiras. Uberlândia: Edufu, 2006; BRITO, Diogo de Souza. Negociações de um sedutor: trajetória e obra do compositor Goiá no meio artístico sertanejo (1954-1981). Universidade Federal de Uberlândia: 2009. (dissertação de mestrado); FILHO, Wolney Honório. O Sertão nos Embalos da Música Rural (1930-1950). São Paulo: PUC, 1992. (Dissertação de Mestrado). 9 Para Chartier a representação é o instrumento de um conhecimento mediato que faz ver um objeto ausente substituindo-lhe uma imagem capaz de repô-lo em memória e de pinta-lo tal como é. CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados. São Paulo, 11(5), abril/1991, p. 184. 2

música. Ela pode oferecer, ao menos emocionalmente, um acolhimento sentimental àqueles que viram suas raízes dilaceradas e tiveram por força da migração que se defrontar com um mundo moderno que não lhes conferia reconhecimento. 10 É por meio desta poética que analisaremos as transformações sócio-estruturais advindas com o processo de modernização do país entre as décadas de 19850 e 1980 destacando suas imbricações no meio rural e especialmente as marcas da crescente migração da população rural para os grandes centros urbanos. Nesse sentido a problemática central dessa pesquisa é entender como que em um momento de modernização do país, da construção de uma nova estrutura de comportamentos e sentimentos, da valorização do que é moderno e urbano, ainda existiam pessoas que persistiam em preservar valores considerados arcaicos, de um passado marcado por hábitos e costumes tradicionais do campo. Interessa-nos aqui refletir sobre essa valorização do mundo rural por meio das composições de José Fortuna. O referencial conceitual que sustenta nossas análises se vincula à História Cultural 11, pois que ela permite pensar as múltiplas conexões entre o passado e o presente, entre o real e o imaginário, entre a vida material e as suas múltiplas dimensões com as produções simbólicas da sociedade 12. Neste viés, a música é tanto parte constitutiva das relações de mercado, especialmente do fonográfico, quando expressa em sua poética os significados de um mundo real em constante movimento, marcando a vida daqueles que vivem e experimentam as transformações. Este é o caso, como já salientamos, de um Brasil que se moderniza e por isso desnuda um conflito de representações entre o mundo rural e o urbano e, tal como afirma Willians 13, tende a perdurar, pois os sentimentos nostálgicos em relação a um tempo ido torna-se um escudo frente as novas relações sociais e valores morais experimentados no urbano. 10 TREVISAN, Maria José. 50 anos em 5... A Fiesp e o desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1986. Cf também: PAES, Maria Helena Simões. A Década de 60. São Paulo: Editora Ática, 1992; GOMES, Ângela de Castro. O Brasil de JK. Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 1991. 11 ROGER, Chartier. A Nova História Cultural existe? In: PESAVENTO, Sandra Jatahy e outros (org.). História e Linguagens: texto, imagem, oralidade e representações. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006.. A História Cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1998. BURKE, Peter. Variedades da História Cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. 12 BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. Da UFMG, 2001; CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1- artes de fazer. 2ª.edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002; GINSBURG, Carlo. O Queijo e os Vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987; HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Ed. Da UFMG, 2003; THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 13 WILLIANS, Raymond. Campo e Cidade: na História e na Literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. 3

No campo dos estudos sobre História e Música 14, e especialmente sobre a música sertaneja, diversos são os autores que nos inspiraram inclusive apontando para a necessidade de tomá-la como um bem simbólico 15 que, por sua vez, resguarda uma matriz cultural 16 que referencia uma visão de mundo ainda presente neste Brasil urbano. Mesmo respeitando o alerta de Vinci 17, para quem o conjunto texto-melodia é fundamental para uma análise mais rigorosa, consideramos a poética como o espaço onde a memória do grupo se articula aos arquétipos da vida rural, permitindo a constituição da identidade cultural sertaneja. Assim, o conteúdo temático da letra sertaneja, mesmo que concebida como parte da cultura de massa, guarda na sua forma narrativa uma estética e uma ética ligada aos valores morais e tradicionais de um tempo caipira que, por isso mesmo, conecta o fã, ouvinte com experiências e memórias passadas. Daí a afirmação de José Zan 18 de que ainda que se possa tomar a música sertaneja como produto da cultura de massa, isso não significa que ela seja conduzida por uma lógica puramente comercial, pois para ele o alto teor melodramático das canções pode ser uma das razões de seu sucesso. No campo das representações e quem sabe das resistências talvez esta poética saudosista pode ter como efeito amenizar as bruscas mudanças sofridas por esses sujeitos neste contexto em transição. É, pois, difícil desconsiderar esta matriz cultural que carrega histórias de um cotidiano que norteavam práticas e rituais simbólicos. Assim, para Machado: o cotidiano desse mundo rural, marcado pela solidão do campo (...) que se reabastece e se reproduz graças a solidariedade do vizinhos e amigos que trocam jornadas e tarefas de trabalho, que festejam dias e momentos significativos em suas vidas e choram e se consolam nas tragédias (...) não foi um mundo idealizado, pois foi um tempo de muitas dificuldades, marcado pelo trabalho duro e as incertezas, de poucas técnicas e baixa produtividade. É hoje um tempo transcorrido, transformado pelos financiamentos, pelos equipamentos e máquinas agrícolas sofisticadas; pelas estradas construídas e asfaltadas; pelas 14 MORAES, José Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH/Humanista, v. 20, n. 39, 2000;. Os primeiros historiadores da música popular urbana do Brasil. Artcultura. Uberlândia: Edufu,, v.8, n.13, 2006; Ver também: NAPOLITANO, Marcos. História e Música. Belo Horizonte: Autêntica, 2002;. A historiografia da música popular brasileira (1970-1990): síntese bibliográfica e desafios atuais da pesquisa. Artcultura. Uberlândia: Edufu, v.8, n.13, p. 133-150, jul./dez. 2006; 15 Faz-se necessário aqui recorrer ao conceito de poder simbólico elaborado por Pierre Bordieu para o qual este (...) é um poder de construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnoseológica: o sentido imediato do mundo(...), tornando-se por isto mesmo um bem simbólico social. BORDIEU, Pierre. Sobre o poder simbólico. In: O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989, p.8. 16 WILIIAMS, Raymond, 1979. 17 MORAES, Vinci, 2000. 18 ZAN, Roberto. Da roça a Nashville: estudo sobre a nova música sertaneja. Rua, n. 1, Unicamp, 1995. 4

super-safras; pelas terras disponíveis ou ampliadas; pela impossibilidade para alguns nela viver; pelas novas relações comerciais estabelecidas com o mercado; pelas novas relações de trabalho; assim com novos atores sociais, pelo desemprego ou emprego sazonal, pelas novas articulações com os meios de comunicação de massa; pelas novas formas de pensar e agir surgidas em decorrência de tudo isso. 19 2- O DESENCANTO COM O MODERNO O desencanto com o moderno e a valorização do campo é uma temática muito presente nas composições de José Fortuna. Desde sua primeira composição Moda das Flores, em 1944, Zé Fortuna procurou enfatizar em sua produção musical a relação homem-natureza. Essa seria a marca de estilo conhecido como música raiz, que permeou quando parte de suas composições, entre valsas, guarânias, querumana e rasquiados têm o campo como temática central. 20 A visibilidade da dupla no meio sertanejo se deu pelos idos de 1950 quando Zé Fortuna compôs a versão da guarânia Índia 21. Gravada por Cascatinha e Inhana, essa composição teve grande repercussão na época, sendo até hoje um dos maiores sucessos de José Fortuna. Essa versão tem importância crucial na obra de Zé Fortuna e da própria música sertaneja até então ouvida e consumida no Brasil, que passa a compartilhar estilos e ritmos musicais 22. Essa transformação é tanto temática quanto musical descaracterizando a chamada música caipira, de acordes pouco variáveis e arranjos acompanhados basicamente pela viola, marcas de um estilo musical muito conhecido: a 19 MACHADO, Maria Clara Tomaz. Cultura e Desenvolvimentismo em MG: caminhos cruzados de um mesmo tempo. Universidade de São Paulo, 1998. 291f. Tese ( Doutorado em História) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 1998.p.28 20 Algumas informações sobre a vida e obra de José Fortuna foram recolhidas pelo contato com a família que preservou boa parte de sua produção musical. Fundaram um site oficial onde se encontram letras de música, fotos, homenagens, discografia, poemas, vídeos, etc. Romildo Sant anna, jornalista e apreciador da música raiz assim se refere á José Fortuna: Zé Fortuna compôs acima de duas mil canções, sozinho ou em pareceria. Assina duas dezenas de peças teatrais, geralmente encenadas em circos-teatros. Vieira, da dupla com Vieirinha, relatou-me que escrevera inúmeras outras peças e as vendia, ou para o repertório de companhias circenses ou especialmente para duplas caipiras, sob encomenda. Com uma produção sensível, técnica e comovente,era escritor, na acepção da palavra, ainda que as academias o ignorem. Texto disponível em www.triplov.com/romildo. Acesso em out/2007. 21 Esta música é uma das versões mais famosas de Jose Fortuna que alcançou renome nacional tendo diversas gravações por interpretes de diferentes gêneros musicais como Mococa e Paraíso, Fagner, Joana, Leandro e Leonardo, Perla, Gal Costa, Roberto Carlos e outros. Índia no original é uma guarânia paraguaia de José Assuncion Flores/ Manoel Ortiz Guerrero. Ver HAMILTON, José. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Editora Globo, 2006. 22 ZAN, José Roberto. (dês)territorialização e novos hibridismos na música sertaneja. In: Anais do V Congresso Latinoamericano da Associação Internacional para o Estudo da Música Popular. Disponivel em WWW.hist.puc.cl/historia/iaspmla.html. Acesso em jan.2009; CALDAS, Waldenyr. Revivendo a música sertaneja. Revista USP. São Paulo: Edusp, nº22,2004. 5

rural. 26 É neste contexto de mudanças que aparece a temática da saudade, da valorização moda de viola. Essa nova configuração da música sertaneja 23 tem influencia direta da Indústria Cultural que se consolida entre 1950-1980, sendo melhor difundida pelos meios midiáticos de então, atendendo aos objetivos do mercado 24. Nessa modernização incluem-se novos temas que tenderam a fugir aos poucos da poesia sobre o cotidiano rural se refugiando em temas urbanos. Também a sua tessitura sofreu significativas modificações, visíveis no seu andamento musical e nos seus arranjos. Novos instrumentos foram incluídos como o violão, a sanfona e mais tarde por volta dos anos de 1970 a guitarra e o piston. 25 Foi com a apresentação de um programa na Rádio Tupi que a carreira artística de José Fortuna e Pitangueira se consolidou. Considerada uma das maiores rádios de São Paulo, esta emissora tinha o poder de levar a um maior público as canções de determinados cantores em função de sua grande audiência. A partir daí gravaram cerca de 32 discos em 78rpm e 90 long-play com contrato em diversas gravadoras entre 1950 e 1983. A produção musical de José Fortuna chegou a duas mil composições. Dos vários estilos versados por José Fortuna interessa-nos o raiz e as modas de viola, com aproximadamente 524 músicas, por apresentarem-se como marca da poesia saudosista e nostálgica dentre toda sua obra musical. Quando nos referimos ao processo de modernização do país querermos elucidar o processo de (re)significação de valores elaborado pelo caipira na cidade na intenção de não deixar perder no meio a tantas mudanças, as bases culturais do mundo rural que sustentavam sua vida. Nesse viés, a música sertaneja conecta o migrante ao seu universo do campo, dos costumes e das práticas culturais do mundo rural. Se por um lado tal temática pode revelar um encantamento com o moderno, por outro alerta para o descontentamento do caipira com os novos padrões de vida a serem seguidos e que 23 Zan afirma que a música sertaneja foi o primeiro gênero a cumprir todas as exigências como produto da cultura de massa: em 1980 todas as duplas saiam de uma linha de montagem, com um mesmo formato, desde ao vestuário, distribuição nacional, lançamento simultâneo, divulgação maciça e consumo generalizado. ZAN, Roberto. Da roça a Nashville: estudo sobre a nova música sertaneja. Rua, n.1, Unicamp, 1995. 24 MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2ª.ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003. 25 ULHÔA, Martha Tupinambá. Música Sertaneja em Uberlândia na década de 1990. Revista Artcultura. Uberlândia: Edufu, nº 9, 2004. 26 TINHORÃO, José Ramos. Cultura Popular. São Paulo: Editora 34, 2001. p. 57; Ver também.:. Pequena História da Música Popular Brasileira: da modinha a canção de protesto. Petrópolis: Vozes, 1978. 6

tendem a ver o campo como o lugar do atraso. É o que podemos ver na canção Estrada de José Fortuna, que revela um sentimento de perda quando o progresso invade o campo: (...)Deixa eu sentar ao seu lado E lembrar aqueles dias Que aqui passavam boiadas E de longe a gente ouvia O repicar do berrante Há muitas léguas distante O seu eco repetia Depois veio o negro asfalto Cobrindo tudo no chão Areias, pedras e grama E os rastros de caminhão Cobrindo sinais deixados Pelos cascos afiados De meu cavalo alazão (...) 27 O projeto de modernização do país, idealizado pelas elites da época, objetivou colocar o Brasil no rol dos países desenvolvidos para concorrer diretamente no mercado internacional. Nesse viés, era preciso acelerar a produção utilizando-se de novos processos, novas técnicas que padronizassem nossas mercadorias. 28 Foi um período marcado pelo otimismo em relação a crença na modernização, de se construir um Brasil Grande, nos moldes do Primeiro Mundo 29. E todo esse desenvolvimento requeria uma economia moderna, estabelecida nos novos padrões de consumo como nos aponta Novais e Mello: (...) Num período relativamente curto de cinqüenta anos, de 1930 até o inicio dos anos 80, e, mais aceleradamente, nos trinta anos que vão de 1950 ao final da década dos 70, tínhamos sido capazes de construir uma economia moderna, incorporando os padrões de produção e de consumo próprios aos países desenvolvidos. 30 Portanto a temática saudosista na obra de José Fortuna remonta um cenário de desilusão e (re)sentimentos em relação as aceleradas transformações porque passou a 27 Escrita em 22/07/1974. Essa canção agrupa-se no estilo raiz e supomos que ainda não tenha sido gravada. 28 GOMES, Ângela de Castro. Op.cit. 29 PAES, Maria Helena Simões. Op.cit. 30 MELLO, J.M.Cardoso e NOVAES, Fernando A. Capitalismo Tardio e Sociabilidade Moderna. In: História da Vida Privada no Brasil v.4 - São Paulo: Companhia das Letras, 1998.p.562. 7

sociedade brasileira como um todo, e que atingiu mais sentimentalmente aqueles que se deslocaram de seu torrão natal para os grandes centros urbanos. As lembranças de um passado ainda recente vão se entrelaçando com as novas experiências na cidade e os esses dois mundos antagônicos coexistem, se mesclam, mas não sem conflitos. A modernidade que se instaura idealiza a construção de um novo Brasil, mas sem romper definitivamente com os laços que o ligam ao passado. E esses traços são construídos e reconstruídos diariamente indicando a sobrevivência das matrizes culturais que fundam a vida caipira. A cultura rústica passou a ser rememorada por meio de símbolos e objetos, entre eles a música sertaneja, permitindo a sobrevivência, ainda que simbólica, de uma tradição rural. No campo das resistências, essa tradição foi se (re)significando e incorporando novos valores, evitando, assim, que se perdesse o valor atribuído ao mundo rural. 3- AGRADECIMENTOS: Agradecemos o apoio da FAPEMIG na realização desse trabalho, por meio do concedimento da bolsa de iniciação cientifica sem a qual seria impossível a realização do mesmo. 4- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BERNADELI, Maria Madalena. Breve Histórico da música caipira. D.O. leitura. São Paulo: 10 (117), fevereiro, 1992. BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. Da UFMG, 2001 BORDIEU, Pierre. Sobre o poder simbólico. In: O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989. BOSI, Ecléa. Cultura e Desenraizamento. In: BOSI, Alfredo (org). Cultura e Sociedade: temas e situações. São Paulo: Ática, 1992. BRITO, Diogo de Souza. MACHADO, Maria Clara Tomaz. O guardador de saudades : Goiá e a poética sertaneja do interior das Gerais. In: COSTA, Cléria Botelho e MACHADO, Maria Clara Tomaz. História e Literatura: identidades e fronteiras. Uberlândia: Edufu, 2006;. Negociações de um sedutor: trajetória e obra do compositor Goiá no meio artístico sertanejo (1954-1981). Universidade Federal de Uberlândia: 2009. (dissertação de mestrado). BURKE, Peter. Variedades da História Cultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. 8

CALDAS, Waldenyr. O Que é Música Sertaneja. São Paulo: Brasiliense, 1987.. Revivendo a música sertaneja. Revista USP. São Paulo: Edusp, nº22,2004. CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1- artes de fazer. 2ª.edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002. COELHO, Teixeira. O Que é Indústria Cultural. São Paulo: Brasiliense, 1995.. Verbete Indústria Cultural. Dicionário Crítico de Política Cultural São Paulo: Iluminuras, 1997. COHN, Gabriel (org.). Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Iluminuras, 1997. FILHO, Wolney Honório. O Sertão nos Embalos da Música Rural (1930-1950). São Paulo: PUC, 1992. (Dissertação de Mestrado). GINSBURG, Carlo. O Queijo e os Vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. GOMES, Ângela de Castro. O Brasil de JK. Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 1991. HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Ed. Da UFMG, 2003. HAMILTON, José. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Editora Globo, 2006. MACHADO, Maria Clara Tomaz. Cultura e Desenvolvimentismo em MG: caminhos cruzados de um mesmo tempo. Universidade de São Paulo, 1998. 291f. Tese ( Doutorado em História) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 1998. MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2ª.ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003. MELLO, J.M.Cardoso e NOVAES, Fernando A. Capitalismo Tardio e Sociabilidade Moderna. In: História da Vida Privada no Brasil v.4 - São Paulo: Companhia das Letras, 1998. MORAES, José Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH/Humanista, v. 20, n. 39, 2000. NAPOLITANO, Marcos. História e Música. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. -------------A historiografia da música popular brasileira (1970-1990): síntese bibliográfica e desafios atuais da pesquisa. Artcultura. Uberlândia: Edufu, v.8, n.13, p. 133-150, jul./dez. 2006. 9

NEPOMUCENO, Rosa. Da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999. PAES, Maria Helena Simões. A Década de 60. São Paulo: Editora Ática, 1992. ROGER, Chartier. A Nova História Cultural existe? In: PESAVENTO, Sandra Jatahy e outros (org.). História e Linguagens: texto, imagem, oralidade e representações. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006;. A História Cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1998. SCHWARZ, Roberto. Fim de século. Caderno Mais. Folha de São Paulo. 04 de dez. 1994. SOUZA, Walter de. Moda inviolada: uma história da música caipira. São Paulo: Quiron Livros, 2005. TINHORÃO, José Ramos. Cultura Popular. São Paulo: Editora 34, 2001. p. 57;. Pequena História da Música Popular Brasileira: da modinha a canção de protesto. Petrópolis: Vozes, 1978. THOMPSON, E. P. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. TREVISAN, Maria José. 50 anos em 5... A Fiesp e o desenvolvimento. Petrópolis: Vozes, 1986. ULHÔA, Martha Tupinambá. Música Sertaneja em Uberlândia na década de 1990. Revista Artcultura. Uberlândia: Edufu, nº 9, 2004. WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979 ZAN, José Roberto. Da roça a Nashville: estudo sobre a nova música sertaneja. Rua, n.1, Unicamp, 1995. 10