Audiência Pública Nº 02/2007



Documentos relacionados
Gerenciando o Monitoramento Pós-Liberação o Comercial no Brasil

Mentira: O homem não precisa plantar transgênicos Mentira: As plantas transgênicas não trarão benefícios a sociedade

Mesa de controvérsia sobre transgênicos

A transgenia não é a única estratégia para a transformação genética de plantas

ANÁLISE DE RISCO - sistematização de informações disponíveis visando identificar o perigo potencial e avaliar a possibilidade de exposição.

Alimentos de Soja - Uma Fonte de Proteína de Alta Qualidade

Papel do Monitoramento no Manejo de Resistência (MRI)

Jardel Peron Waquim Engenheiro Agrônomo

CULTURA DE TECIDOS VEGETAIS

Disciplinas. Dinâmica de Potássio no solo e sua utilização nas culturas

Definido o contexto: monitoramento pós-liberação comercial de plantas geneticamente modificadas. Paulo Augusto Vianna Barroso

Mesa de Controvérsias sobre Transgênicos Brasília, 10 de julho de 2013

Biotecnologia e Meio Ambiente Prof. Dr. Galdino Andrade Universidade Estadual de Londrina Laboratório de Ecologia Microbiana andradeg@uel.

FARELO DE SOJA: PROCESSAMENTO E QUALIDADE

Plantas Transgênicas

CONTROLE BIOLÓGICO NA TEORIA E NA PRÁTICA: A REALIDADE DOS PEQUENOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE CASCAVEL-PR

Alimentos Funcionais: Regulamentação e desafios para o uso de alegações no Brasil

Biotecnologia e desenvolvimento sustentável. Ana Cristina Rodrigues acrodrigues@esa.ipvc.pt

O produtor pergunta, a Embrapa responde

PLANTAS TRANSGÊNICAS

Monitoramento de variedades geneticamente modificadas

"Economia Verde: Serviços Ambientais" - Desafios e Oportunidades para a Agricultura Brasileira -

BIOTECNOLOGIA NA AGRICULTURA BRASILEIRA

O papel da Nutrição na Saúde dos Peixes. João Manoel Cordeiro Alves Gerente de Produtos Aquacultura Guabi Nutrição Animal

Biotecnologias no algodoeiro: eficiência, custos, problemas e perspectivas

Para obter mais informações, entre em contato com: Colleen Parr, pelo telefone (214) , ou pelo

Manejo Integrado de Pragas de Grandes Culturas

Profª Marília Varela

Rose Monnerat EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia

Leonardo Melgarejo - GEA/NEAD-MDA - melgarejo.leonardo@gmail.com

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

As árvores transgênicas

ALIMENTOS TRANSGÊNICOS E BIOSSEGURANÇA

Aimportância do trigo pode ser aquilatada pela

I S A A A SERVIÇO INTERNACIONAL PARA A AQUISIÇÃO DE APLICAÇÕES EM AGROBIOTECNOLOGIA SUMÁRIO EXECUTIVO PRÉVIA

PLANTIO DIRETO NA REGIÃO CENTRO SUL DO PARANÁ: SITUAÇÃO ATUAL, PROBLEMAS E PERSPECTIVAS

TECNOLOGIA DO DNA RECOMBINANTE E TRANSGÊNICOS

AGRICULTURA DE PRECISÃO EM SISTEMAS AGRÍCOLAS

Estabelecimento de Unidades de Referência Tecnológica e Econômica no Estado de Mato Grosso: Proposta de Avaliação Econômica - O Projeto URTE (Fase 1)

Missão. Visão. Quem Somos

Parecer Relator Liberação Comercial Processo: Requerente: CNPJ: Endereço: Assunto: Extrato Prévio: 1. Identificação do OGM 2. Proteínas expressas

Índice 2 MILHO TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

Trasix Soluções Ambientais

Aprenda a produzir e preservar mais com a Série Produção com Preservação do Time Agro Brasil Entre no portal

Projeto LAC-Biosafety

Passo a passo na escolha da cultivar de milho

Universidade do Pampa campus Dom Pedrito Seminários Prof. Alicia Ruiz. Soja. Acadêmicos:Quelem Martins, Ricardo Carneiro, Renan Régio

RESULTADOS DE PESQUISA

Organismos Geneticamente Modificados (OGM) Paulo Monjardino

Os sistemas de despoeiramento, presentes em todas as usinas do Grupo Gerdau, captam e filtram gases e partículas sólidas gerados na produção

METAIS PESADOS NO AMBIENTE. PRINCIPAIS : Hg, Pb, Cd, As (USO EXTENSIVO, TOXICIDADE, LARGA DISTRIBUIÇÃO, OCORRÊNCIA FREQUENTE DE NÍVEIS TÓXICOS.

A biodiversidade nos processos de fitorremediação

ALIMENTOS PARA CÃES E GATOS VISÃO GERAL

MATRIZ CURRICULAR - CURSO DE AGRONOMIA (DIURNO)

Uso da biotecnologia garante US$ 3,6 bilhões à agricultura brasileira, aponta novo estudo da ABRASEM

MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA MODERNA

1156 Pesquisa e Desenvolvimento para a Competitividade e Sustentabilidade do Agronegócio

Aspectos básicos b produtividade da indústria de ovinos da Nova Zelândia

ZAP Zambezia Agro Pecuaria Lda - Mozambique DESENVOLVIMENTO DE GADO LEITEIRO GIROLANDA FERTILIZACAO IN VITRO IVF

Índice 2 MILHO TECNOLOGIA DO CAMPO À MESA

conceitos e componentes Deise M F Capalbo

Conforme solicitado, segue em anexo o parecer técnico prévio e fundamentado


Você tem ninho de ovos de ouro?

Exercícios sobre BRICS

Legislação Federal e o Sistema de Registro de Agrotóxicos no Brasil

Indicadores Anefac dos países do G-20

INFORMATIVO BIOTECNOLOGIA

Lisina, Farelo de Soja e Milho

A PRODUCAO LEITEIRA NOS

Fundação Mokiti Okada M.O.A Centro de Pesquisa Mokiti Okada - CPMO

Desempenho da Agroindústria em histórica iniciada em Como tem sido freqüente nos últimos anos (exceto em 2003), os

1º ANO MATRIZ CURRICULAR DE CIÊNCIAS NATURAIS. Eu um ser no ambiente

Produção de Pastagens com Nitrogênio Biológico Uma Tecnologia Sustentável

Sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) de Corte da Embrapa Milho e Sorgo

Princ ipa is funç õe s dos mic rorga nis mos na na tureza

José Roberto Postali Parra Depto. Entomologia e Acarologia USP/Esalq

ECOLOGIA GERAL FLUXO DE ENERGIA E MATÉRIA ATRAVÉS DE ECOSSISTEMAS

Um dos grandes problema agrários do Brasil é a sua estrutura fundiária: de um lado, um pequeno número de grandes proprietários de terras

"O desenvolvimento de biopesticidas à base de toxinas de Bacillus thuringiensis para a saúde". Bacillus thuringiensis

PERFIL DO AGRONEGÓCIO MUNDIAL SUBSECRETARIA DO AGRONEGÓCIO

4 Monitoramento ambiental

O papel da APROSOJA na promoção da sustentabilidade na cadeia produtiva da soja brasileira

Alimentos transgênicos: mitos e verdades

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura Ano Internacional dos solos

Relatórios do ISAAA. RELATÓRIO No. 49. Clive James Clive James, Fundador e Presidente Emérito do ISAAA

Márcio Santos Diretor Estratégia & Produtos Brasilia/DF, 08/08/2013

CUIDADO NA FORMULAÇÃO DE DIETAS VEGETAIS OU COM SUBPRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL.

Transcrição:

Audiência Pública Nº 02/2007 Requerimentos da CIBio da Monsanto do Brasil Ltda. para liberação comercial de algodão geneticamente modificado: Processo n o 01200.004487/04-48 - Algodão MON 1445 Processo n o 01200.003267/07-40 - Algodão MON 15985 17 de Agosto de 2007 Brasília, DF 1

Organização Avaliação de biossegurança de plantas geneticamente modificadas. Situação global do algodão geneticamente modificado (1996-2006). Processo n o 01200.004487/04-48 - Algodão MON 1445: Descrição do evento, histórico de uso seguro e aprovações mundiais Caracterização e biossegurança da proteína CP4 EPSPS Benefícios Processo n o 01200.003267/07-40 - Algodão MON 15985: Descrição do evento, histórico de uso seguro e aprovações mundiais Caracterização e biossegurança das proteínas Cry1Ac e Cry2Ab2 Benefícios Resumo. Conclusão. 2

Avaliação de biossegurança de plantas geneticamente modificadas Gene / Proteína Segurança da planta, alimento e ração Cultura Gene(s) Origem Caracterização estrutural e funcional Inserto / número de cópias / integridade do gene Características da cultura Morfologia / Reação a doenças / Desempenho agronômico / ecologia Produtividade Proteína(s) Histórico de uso seguro Função / especificidade / modo-de-ação Níveis de expressão em planta Caracterização estrutural e funcional Toxicologia / alergenicidade Homologia de aminoácidos Digestibilidade in vitro Toxicidade oral aguda Composição do alimento / ração Análise bromatológica Nutrientes e antinutrientes Eficiência nutricional em animais Nutrição de animais (gado, aves, suínos, ovelhas, vacas leiteiras) 3

Situação global do algodão geneticamente modificado (1996-2006) Área de algodão geneticamente modificado em milhões de hectares: Característica 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 Total Tolerante a herbicidas (HT) 0,0 0,3 1,0 1,6 2,1 2,5 2,2 1,5 1,5 1,3 1,3 15,3 Resistente a insetos (IR) 0,8 1,1 1,4 1,3 1,5 1,9 2,4 3,1 4,5 4,9 8,0 30,9 HT/IR 0,0 <0,1 0,1 0,8 1,7 2,4 2,2 2,6 3,0 3,6 4,1 20,5 Total 0,8 1,4 2,5 3,7 5,3 6,8 6,8 7,2 9,0 9,8 13,4 66,7 Fonte: James, 2006. 4

Processo n o 01200.004487/04-48 Algodão MON 1445

Algodão MON 1445: Descrição do evento O algodão MON 1445 foi produzido pela inserção do gene cp4 epsps, oriundo da bactéria Agrobacterium estirpe CP4, que confere a característica de tolerância ao glifosato. O evento possui uma única cópia do inserto com um cassete de expressão do gene cp4 epsps, e também os elementos genéticos regulatórios e os genes marcadores de seleção nptii e aad. Apenas as proteínas heterólogas CP4 EPSPS e NPTII são expressas na planta. Aprovações do algodão MON 1445 para comercialização: Estados Unidos (1995), Canadá (1996), Japão (1997), Austrália e Nova Zelândia (2000), Coréia do Sul (2003), África do Sul (2000), México (2000), Filipinas (2003), Argentina (1999), União Européia (2005) e China (2004). 6

Processo n o 01200.004487/04-48 Algodão MON 1445 Com aplicação de glifosato Sem aplicação de glifosato 7

Algodão MON 1445: Caracterização da proteína CP4 EPSPS EPSPS: - Encontradas em plantas, fungos e bactérias; - EPSPS atua na via de biossíntese de aminoácidos aromáticos essenciais; - Ampla diversidade genética com função metabólica idêntica nos diferentes organismos; - Mamíferos não possuem a via metabólica onde atuam as EPSPS; - CP4 EPSPS tem a mesma atividade funcional e modo-de-ação das demais EPSPS. CP4 EPSPS: rapidamente digerida em fluido gástrico simulado (<15 seg). Ausência de similaridade com proteínas alergênicas e toxinas conhecidas. Estudo de toxicidade oral aguda com camundongos: nível de efeito não observado (NOEL) foi 572 mg/kg, que equivale a consumir entre 3,2 a 7,1 kg de caroço/kg de peso corporal. Estudos de laboratório, campo e histórico de uso comercial confirmam a ausência de efeitos adversos para organismos não-alvo. Estudos confirmam que a composição e os aspectos nutricionais do caroço de algodão MON 1445 são equivalentes ao algodão convencional. 8

Algodão MON 1445: Benefícios Alternativa para auxiliar no controle de plantas daninhas. Redução de uso de outros princípios ativos herbicidas. Maximiza o potencial de produtividade com uma lavoura mais limpa. Redução de custos. Auxílio na produção mais sustentável do algodão. Benefícios ambientais: fomento ao plantio direto, com redução da erosão do solo, melhoria da qualidade da água, melhoria da estrutura do solo com maior teor de matéria orgânica, aumento do seqüestro de carbono e redução das emissões de CO 2. 9

Processo n o 01200.003267/07-40 Algodão MON 15985

Algodão MON 15985: Descrição do evento O algodão MON 15985 é uma transformação do algodão Bollgard para inserção do gene cry2ab2. Assim, o algodão MON 15985 possui os genes exógenos cry1ac e cy2ab2 que expressam as proteínas Cry1Ac e Cry2Ab2, as quais conferem resistência a algumas pragas lepidópteras. Os genes cry1ac e cry2ab2 são oriundos da bactéria de solo Bacillus thuringiensis (Bt). O algodão MON 15985 possui ainda os genes marcadores nptii, aad e uida, mas apenas as proteínas NPTII e GUS são expressas na planta. Aprovações do algodão MON 15985 para comercialização: Estados Unidos (2002), África do Sul (2003), Austrália e Nova Zelândia (2002), Canadá (2003), Japão (2002), Coréia do Sul (2003), Filipinas (2003), México (2003), União Européia (2005) e Índia (2006). 11

Processo n o 01200.003267/07-40 Algodão MON 15985 MON 15985 CONVENCIONAL C/ INSETICIDA 12

Algodão MON 15985: Caracterização das proteínas Cry1Ac e Cry2Ab2 Histórico de uso seguro de mais de 40 anos das proteínas Cry de Bt. Modo-de-ação da Cry1Ac e da Cry2Ab2 é bem conhecido: - As proteínas ativas ligam-se a receptores específicos de alguns insetos pragas; - Ausência de receptores específicos em organismos não-alvo, mamíferos, aves, peixes e répteis. Cry1Ac: rapidamente digerida em fluido gástrico simulado (<30 seg). Cry2Ab2: rapidamente digerida em fluido gástrico simulado (15 seg). Estudo de toxicidade oral aguda com camundongos: nível de efeito não observado (NOEL) foi 4.200 mg/kg para a Cry1Ac e 1.450 mg/kg para a Cry2Ab2; sem diferenças estatisticamente significativas em mortalidade, peso corporal, peso corporal cumulativo, consumo de alimentos. Ausência de similaridade com proteínas alergênicas e toxinas conhecidas. 13

Algodão MON 15985: Benefícios Ampliação do espectro e da eficiência de controle de pragas alvo. É parte do Plano de Manejo de Resistência de Pragas para o algodão Bollgard. Redução de uso de outros princípios ativos inseticidas: - Potencial para aumento de produtividade; - Controle de pragas ecologicamente compatível; - Redução dos impactos negativos ao meio ambiente; - Redução de custos; - Excelente adequação a programas de manejo integrado de pragas e sistemas sustentáveis de produção agrícola. 14

Algodão MON 1445 e Algodão MON 15985: Resumo A biotecnologia é uma tecnologia limpa que auxilia a produção agrícola mais sustentável. 2005: o uso da biotecnologia na agricultura possibilitou a redução de emissão de CO 2 através da redução de combustíveis e seqüestro de carbono equivalente a retirar de circulação 4 milhões de veículos. Redução significativa de agrotóxicos na cultura do algodão entre 1996 e 2005 (Brookes e Barfoot, 2006): - Algodão tolerante a herbicidas: ~ 29 milhões kg herbicidas. - Algodão resistente a insetos: ~ 94 milhões kg inseticidas. Histórico de uso seguro das proteínas CP4 EPSPS, Cry1Ac e Cry2Ab2. 15

Algodão MON 1445 e Algodão MON 15985: Conclusão O algodão MON 1445 e o algodão MON 15985 são tão seguros e nutritivos quanto o algodão convencional. 16