Consumo de drogas e HIV/SIDA



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Transcrição:

ONUSIDA COLECÇÃO BOAS PRÁTICAS Consumo de drogas e HIV/SIDA Declaração da ONUSIDA apresentada na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Drogas Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA

ONUSIDA 99.15 (Original em Inglês, Março 1999) Este documento retoma o discurso apresentado na Assembleia Geral das Nações Unidas na Sessão Especial sobre drogas realizada em Nova Iorque em Junho de 1998, e faz parte da colecção de «Boas Práticas» da ONUSIDA Material Essencíal Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA (ONUSIDA) 1999. Reservados todos os direitos de reprodução. Este documento, que não é uma publicação oficial da ONUSIDA, pode ser livremente comentado, citado, reproduzido ou traduzido, parcial ou integralmente, desde que se mencione a sua origem. Não poderá ser vendido nem utilizado com fins comerciais sem autorização previa por escrito da ONUSIDA: (Contacto de Informação da ONUSIDA). As denominações empregues nesta publicação e a forma sob a qual são apresentados os dados que nela figuram não implicam, por parte da ONUSIDA, qualquer juízo sobre o estatuto jurídico de países, territórios, cidades ou zonas, ou sobre as suas autoridades, nem sobre o traçado das suas fronteiras forma ou limites. ONUSIDA- 20 avenue Appia, 1211 Genebra 27, Suiça Tel. (+4122)791.46.51- Fax (+4122)791.41.65 E-mail: unaids@unaids. org- hitp/www.unaids.org

Consumo de drogas e HIV/SIDA Declaração da ONUSIDA apresentada Na Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre drogas Comité do Plenário Nova Iorque Terça-Feira, 9 de Junho de 1998 Colecção Boas Prácticas da ONUSIDA Material Essencial Genebra, ONUSIDA, 1999

Consumo de droga e HIV/SIDA Índice A epidemia 5 Consumo de drogas injectáveis 5 Redução do risco de SIDA 6 Intervenção precoce 6 Conjunto abrangente de medidas 6 Extenssão e educação de pares 7 Intervenções eficazes 7 Ambiente favorável 8 Redução da procura 8 Parceria 8 A prevenção funciona 9 Nepal 9 Austrália 9 Conclusão 10 4

ONUSIDA A epidemia Consumo de drogas injectáveis O SIDA é na actualidade uma ameaça importante para a população mundial: para o seu bem-estar social, económico e político, em geral, e para a saúde individual de milhões de pessoas. Em 1997, 5, 8 milhões de pessoas contraíram o HIV, e actualmente mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com esse vírus ou com o SIDA mais de 90% nos países em desenvolvimento e o seu número continua a aumentar de forma sensível cada ano. No mundo inteiro, cada dia se produzem aproximadamente 16 000 novas infecções. Em muitas partes do mundo, o consumo de drogas injectáveis é a principal via de transmissão do HIV. Isso é o que ocorre em diversos países da Ásia, incluindo Malásia, Vietname, a província de Yunnan, na China, e os estados do nordeste da Índia; partes da Europa Oriental e em vários dos Novos Estados Independentes; num número de países da América Latina, e em alguns países da Europa Ocidental, como a Espanha e a Itália. Na Federação Russa, mais de metade de todos os casos de HIV notificados até hoje foram em consumidores de drogas intravenosas. O consumo de drogas está intimamente relacionado com o HIV. Essa conexão se produz quando as drogas se injectam e se utiliza um material contaminado. Ademais, é reconhecido que o consumo de certas drogas pode levar ao aumento de um comportamento sexual de risco, que, por sua vez, pode facilitar a transmissão do HIV. Dos diferentes modos de transmissão do vírus que existem, a injecção directa de uma substância contaminada pelo HIV na corrente sanguínea é a mais eficiente de todos elas: muito mais, de facto, do que a transmissão por via sexual. Portanto, o consumo de drogas e o HIV juntos formam uma combinação explosiva. E o uso de drogas injectáveis tem um papel essencial na maneira como e no momento em que a epidemia de HIV começa numa determinada região e como ela se desenvolve. Na realidade, em algumas partes do mundo, o consumo de drogas injectáveis contribuiu para o início repentino da epidemia de HIV. Este foi o caso da Tailândia, onde durante os nove primeiros meses do ano de 1988, as taxas de prevalência do HIV entre os utilizadores de drogas injectáveis em Bangkok dispararam de uma cifra próxima de zero para cerca de 40%. Anteriormente, havia poucos casos conhecidos de pessoas infectadas pelo HIV na Tailândia, e desde então, as taxas de HIV começaram a crescer de forma contínua, principalmente através das relações sexuais. Dez anos depois, aproximadamente um milhão de pessoas ficaram infectadas pelo HIV nesse país. Actualmente, no mundo há pelo menos 5,5 milhões de consumidores de drogas injectáveis e possivelmente haja 10 milhões, repartidos entre 128 países e territórios, em comparação com os 80 países contabilizados seis anos antes. Só nos Estados Unidos de América, calcula-se que haja hoje em dia umas 700 000 pessoas que injectam drogas. Na Federação Russa, estima-se que haja entre 350 000 e 700 000 utilizadores de drogas injectáveis: uma cifra 20 vezes maior que a estimada em 1990. 5

Consumo de droga e HIV/SIDA Redução do risco do SIDA Dado que a infecção pelo HIV é uma das consequências mais graves possíveis do consumo de drogas por via intravenosa, a nossa abordagem deve ser de reduzir o dano aos indivíduos e às comunidades: advogando e fortalecendo os programas de prevenção do HIV eficazes entre os utilizadores de drogas. Como é que isso pode ser feito da melhor forma possível? Intervenção precoce Em primeiro lugar, é absolutamente vital empreender de imediato iniciativas de prevenção, enquanto a prevalência do HIV é ainda baixa e não esperar que a epidemia se alastre. Conjunto abrangente de medidas Em segundo lugar, deve existir um conjunto abrangente de medidas para prevenir a propagação do HIV entre os utilizadores de drogas injectáveis. Entre tais medidas figuram proporcionar material esterilizado para injecção; educar os consumidores de drogas injectáveis e suas parceiras sexuais sobre os riscos do HIV e das práticas seguras e aumentar a sua sensibilização a esse respeito; facilitar programas de tratamentos medicamentosos; proporcionar acesso a serviços de aconselhamento, assistência e apoio aos consumidores de drogas injectáveis infectados pelo HIV, tratamento das DTS e a outros serviços de cuidados de saúde; e distribuir preservativos. É importante mobilizar e fazer participar plenamente as comunidades locais incluindo obviamente a própria comunidade de utilizadores de drogas injectáveis para que estas medidas surtam efeito. Nenhum elemento deste conjunto de medidas será eficaz se for posto em prática sem os demais. No entanto, o elemento mais importante é providenciar material esterilizado para injecção aos utilizadores de drogas injectáveis. Intervenções eficazes Extensão e educação de pares Em terceiro lugar, a maneira mais eficaz de alcançar os utilizadores de drogas injectáveis é através de actividades de extensão e de educação de pares. Os agentes de extensão são pessoas capacitadas que não pertencem à comunidade de utilizadores de drogas, embora possam ter sido também consumidores de drogas injectáveis. Os educadores pares são utilizadores de drogas injectáveis que foram treinados para trabalhar com a sua comunidade. Que intervenções específicas de fornecimento de material esterilizado para injecção foram eficazes? Uma intervenção satisfatória são os programas de troca de agulhas que funcionam junto com outras componentes do conjunto de medidas. Nesses programas, entrega-se uma agulha e uma seringa esterilizada em troca das usadas. A troca pode ser efectuada por uma pessoa ou por uma máquina expendedora. Entre os países onde os programas de troca de agulhas deram resultados eficazes como parte de 6

ONUSIDA um programa abrangente de prevenção integral do HIV destinado a consumidores de drogas figuram a Austrália e o Reino Unido, e em menor escala o Brasil, o Nepal e a Federação Russa. Actualmente, há também muitos outros projectos de troca de agulhas em todo o mundo, e alguns deles funcionam em prisões, onde existe muitas vezes um problema de consumo de drogas injectáveis particularmente grave. Os resultados de muitos estudos confirmam actualmente que, se funcionarem adequadamente, os programas de troca de agulhas reduzem o número de novos casos de infecção pelo HIV sem que, por outro lado, aumente o consumo de drogas. E temos de reconhecer, assim, claro está, que as estratégias para prevenir a infecção pelo HIV nos utilizadores de drogas injectáveis pode reduzir também outros riscos para a saúde, incluindo as doses excessivas e a transmissão de outras infecções contraídas através do sangue, como a hepatite B, a hepatite C, a sífilis e a malária. Ambiente favorável Além destas componentes específicas essenciais, ainda existe uma outra exigência importante. Esta exigência visa garantir um ambiente propício. Isto significa reduzir a pobreza e criar oportunidades de educação e emprego, cuja frequente falta conduz as pessoas, em pleno desespero, a injectar-se com drogas. Também são importantes as leis e as políticas dos governos relativas à droga. Sabemos que em muitas partes o consumo de drogas é ilícito. Sem o apoio normativo e de política adequada desde as instâncias superiores seja a nível nacional ou local e sem os recursos necessários, há pouca esperança de empreender, ou de sustentar com êxito, programas abrangentes de prevenção do HIV. E criar um ambiente favorável significa também continuar a fazer todo o possível para educar e informar as pessoas especialmente os jovens sobre as drogas e suas consequências para a saúde e o bem-estar social, com uma linguagem facilmente compreensível. 7

Consumo de droga e HIV/SIDA Redução da procura Junto com a redução do dano causado, uma estratégia paralela importante é diminuir a procura de drogas. O nosso objectivo deve ser evitar, em primeiro lugar, que os jovens comecem a tomar drogas, bem como também encorajar os utilizadores de drogas de todas as idades já existentes a pararem de consumi-las, participando em programas de tratamento da toxicodependência. A prevenção dá resultado Parcerias E todas estas coisas só funcionarão se durante o processo forem criadas parcerias, e se se confiar nas comunidades e se evitar a sua confrontação. Se existe algo que aprendemos é que a prevenção do SIDA não pode fazerse para as pessoas, ela só pode ser feita pelas pessoas. A seguir mencionam - se alguns exemplos que mostram como os programas para reduzir o dano podem funcionar. Nepal O primeiro exemplo é de Kathmandú (Nepal), onde a Lifesaving and Lifegiving Society (LALS) trabalha desde 1991 com os utilizadores de drogas injectáveis Nepaleses, trocando material esterilizado para injecção por material contaminado. O consumo de drogas injectáveis no Nepal é um fenómeno relativamente recente, e para as pessoas comuns é difícil e como conseguir seringas. Como parte do seu enfoque abrangente de redução do dano, esta Sociedade realiza actividades de extensão, distribuindo desinfectantes para esterilizar as agulhas e preservativos, e oferecendo educação, aconselhamento, referências para tratamento medicamentoso e cuidados primários de saúde aos seus clientes. Ao fim de três anos de funcionamento do programa, os indicadores que medem a prática do consumo de drogas por via intravenosa em condições perigosas reduziram, enquanto que aumentaram os conhecimentos dos riscos do HIV entre aqueles que têm estado em contacto regular com a LALS. A prevalência do HIV mantêm-se com cifras baixas: de facto reduziu dos 1,6%, em 1991, para 0%, em 1994. Toda a evidência indica que a LALS tem tido um efeito significativo na promoção de práticas mais seguras de injecção de drogas entre os seus clientes e na contenção da propagação do HIV. E parte desse efeito se propagará para além daqueles que estão em contacto estreito com a LALS. Austrália O segundo exemplo é da Austrália, onde programas precoces e enérgicos de prevenção do HIV destinados aos consumidores de drogas injectáveis tiveram como resultado taxas de prevalência do HIV estáveis e baixas en- 8

ONUSIDA tre esses consumidores e outros grupos populacionais relacionados. Em geral está-se de acordo em que essa acção imediata e sustentável modificou substancialmente o curso da epidemia no país. Anualmente, na Austrália, distribuem-se ou trocam-se 10 milhões de agulhas e seringas esterilizadas. A prevalência do HIV entre os participantes nos programas de troca de agulhas em 1996 foi só de 3%, uma taxa baixa tratando-se de consumidores de drogas injectáveis. Os programas de troca de agulhas incluindo a distribuição de produtos para desinfectar, o acesso ao programa de tratamento de metadona, e a educação integral sobre o SIDA estão na primeira linha dos esforços para a redução do dano entre os consumidores de drogas injectáveis na Austrália. Conclusão Devemos aprender do crescente número de exemplos de boas práticas desta índole. Necessitamos de um firme compromisso político, ao mais alto nível nacional e dentro do sistema das Nações Unidas para assegurar que se estabeleçam e se mantenham os programas apropriados. E devemos garantir que se proporcionem os recursos adequados, tanto locais como de doadores. * * * 9

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA (ONUSIDA), cujo Secretariado está sediado em Genebra (Suíça), é uma iniciativa conjunta sem precedentes na família das Nações Unidas. Luta para maximizar a eficiência e o impacto das Nações Unidas no domínio do HIV/SIDA juntando a experiência, os esforços e os recursos de seis organizações. A ONUSIDA é o programa sobre o HIV/SIDA composto por suas seis Co-patrocinadores: o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial. Todos juntos oferecem a sua experiência em sectores que vão desde a saúde até ao desenvolvimento económico. Como principal promotor da acção mundial contra o HIV/SIDA, a ONUSIDA dirige, fortalece e apoia uma resposta ampliada orientada para prevenir a transmissão do HIV, fornecer assistência e apoio, reduzir a vulnerabilidade das pessoas e as comunidades ao HIV/SIDA e para diminuir o impacto da epidemia.