Código de Conduta do Voluntariado para a Cooperação

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1 Código de Conduta do Voluntariado para a Cooperação Preâmbulo Com o objectivo de unir os esforços das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) associadas da Plataforma Portuguesa das ONGD (doravante designada por Plataforma) que trabalham na área do Voluntariado em torno das questões de interesse comum e de optimizar o assento da Plataforma no Conselho Nacional de Promoção de Voluntariado em função desses interesses comuns foi criado em Junho de 2005 o Grupo de Voluntariado da Plataforma. Embora se mantenha aberta a outras ONGD da Plataforma que trabalhem na área do Voluntariado ou nela tenham interesse, o Grupo actualmente é composto pelas seguintes ONGD: ASP Associação Saúde em Português; FEC Fundação Evangelização e Culturas; ISU Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária; LD Leigos para o Desenvolvimento; MDM Médicos do Mundo; OMAS/LBN Obra Missionária de Acção Social / Leigos Boa Nova; OIKOS Cooperação e Desenvolvimento; e a SOLSEF Sol Sem Fronteiras. Estas ONGD definiram um conjunto de objectivos a atingir. Um deles é a concepção e assinatura conjunta de um Código de Conduta que, vinculando as organizações subscritoras no compromisso comum sobre os princípios que a todas norteiam, visa deixar expressa a declaração de valores que, a par da legislação nacional aplicável, regulam o Voluntariado que levam a cabo. 1.º Objecto Para efeito do presente Código entenda-se por Voluntariado para a Cooperação (doravante na versão abreviada de Voluntariado ) a acção daqueles que agem de livre vontade, sem remuneração, em benefício de terceiros de Países em Desenvolvimento, no quadro de um programa de Voluntariado de uma determinada organização promotora. 2.º Âmbito de aplicação 1 O presente Código de Conduta aplica-se a todas as ONGD portuguesas que trabalham com o Voluntariado e que a ele adiram expressa, livre e voluntariamente. 2 Para adesão ao Código, as ONGD que o desejem, deverão dirigir carta à Plataforma Portuguesa das ONGD, manifestando a intenção de aderir, de cumprir e de fazer cumprir os termos do presente Código.

2 3.º Valores de base 1 Existe um conjunto de valores com que todas as ONGD que trabalham com o Voluntariado e que subscrevem o presente código se identificam. Tais valores são: a) Respeito pela dignidade da Pessoa e do Ser Humano: quer a entidade promotora quer o Voluntário deverão agir no rigoroso e estrito respeito da dignidade humana. b) A Parceria: deve ser baseada na compreensão mútua entre todos os intervenientes, na articulação de esforços e recursos, construída numa perspectiva de igualdade e de respeito pela autonomia de cada um. c) A Qualidade: destinada a garantir a qualidade do Voluntariado aumentando o profissionalismo do sector. d) Preparação de intervenção: a formação prévia dos Voluntários é crucial para o sucesso de um programa, bem como para a garantir da confiança nas organizações promotoras por parte dos próprios Voluntários e do público-alvo da acção. e) As atitudes apropriadas dos Voluntários: o Voluntário deve centrar-se nos interesses e necessidades dos destinatários da sua acção, mais do que com aquilo que pessoalmente poderão obter da experiência, pois integram uma iniciativa organizada tornando-se num elemento do projecto/ de uma equipa. f) Reconhecimento: central aos princípios deste Código é o reconhecimento do valor do Voluntariado e do Voluntário como um indivíduo na prossecução dos objectivos da acção desenvolvida pela entidade promotora. g) Sustentabilidade: o recurso ao Voluntariado não é gratuito para as organizações promotoras: estas deverão centrar esforços para a criação de condições financeiras suficientes para garantirem a qualidade do trabalho, segurança, saúde e o bem-estar do Voluntário. h) Boa gestão: as entidades promotoras deverão utilizar as melhores práticas de gestão dos seus recursos Voluntários devendo estes colaborar para a melhor implementação das mesmas. i) Gratuidade: o trabalho do Voluntário é, por definição, gratuito. No entanto o Voluntário tem direito ao reembolso de despesas e a uma compensação ao seu trabalho se as circunstâncias o justifiquem. j) Solidariedade: o Voluntariado, quer na concepção das acções quer na sua concretização, deverá ser assente na solidariedade. l) Contribuição para o Desenvolvimento: o objectivo último da acção de Voluntariado é o desenvolvimento humano, social e económico dos destinatários da sua acção. 1 As organizações promotoras devem: Artigo 4.º Das organizações promotoras a) Ter uma política clara de Voluntariado e gestão dos Voluntários; b) Dispor de sistemas de acolhimento dos potenciais Voluntários; c) Disponibilizar programas de Voluntariado baseados em objectivos e metas reais que incluam papéis apropriados e úteis a desempenhar pelos Voluntários;

3 d) Disponibilizar os recursos e o apoio suficientes de modo a que os programas de Voluntariado sejam levados a cabo de forma eficiente e sustentável; e) Fornecer informações e imagens em conformidade com as boas práticas, os objectivos, os valores e a ética própria da organização; f) Fornecer aos potenciais Voluntários informação justa, clara e gratuita sobre a organização e os programas de Voluntariado; g) Utilizar processos e critérios de recrutamento e selecção justos, transparentes e coerentes; h) Garantir apoio (individual se for o caso) regular e na medida das respectivas necessidades, aos Voluntários no terreno; i) Assegurar que os Voluntários participem em formação e preparação adequada às tarefas e vivência que os espera; j) Assegurar a protecção, a segurança e o bem-estar dos Voluntários e, na medida do possível, daqueles com que estes trabalham; l) Garantir o reconhecimento do trabalho do Voluntário através de sistemas de prémios ou compensações, certificados, divulgações, a promoção de saídas profissionais, etc; m) Garantir a avaliação e monitorização do trabalho do Voluntário, importantes para a aferição da eficiência e do impacto do programa de voluntariado e do voluntário na comunidade local com vista a melhorá-lo; n) Apoiar a reintegração do Voluntário: a organização promotora deverá facilitar o acesso aos mecanismos que ajudem a reintegração do Voluntário. 2 Os deveres regulados neste artigo deverão constar de um acordo assinado entre a entidade promotora e o Voluntário antes da acção de Voluntariado a desenvolver que deverá também contemplar os direitos e deveres previstos na legislação nacional aplicável. 1 Os Voluntários devem: Artigo 5.º Dos Voluntários a) Informar-se sobre os assuntos relevantes relacionados com o local onde trabalharão. b) Familiarizar-se detalhadamente, antes de partirem, com o papel a desempenharem. c) Respeitar os costumes locais e adoptar a postura própria de quem aprende e de quem é hospede. d) Agir sempre com profissionalismo, ser flexíveis e adaptáveis enquanto se encontrarem no terreno. e) Ter o devido cuidado com a sua própria segurança, saúde física e mental. f) Canalizar as experiências e o conhecimento nelas adquirido para a organização promotora e futuros Voluntários. g) Aceitar os princípios deste Código, abraçando os seus princípios e garantindo o seu cumprimento. h) Aderir à finalidade e ética da organização. i) Colaborar, sempre que necessário, com outros membros da organização. j) Não ultrapassar os limites da missão que lhe foi confiada. l) Participar nas formações que lhes são propostas. m) Ser portador da imagem da organização, quando devidamente autorizado pela organização, em prol da Educação para o Desenvolvimento.

4 n) Apoiar a integração do Voluntariado: a organização promotora deverá facilitar o acesso aos mecanismos que ajudem a reintegração do Voluntariado. 2 Os deveres regulados neste artigo deverão constar de um acordo assinado entre a entidade promotora e o Voluntário antes da acção de Voluntariado a desenvolver que deverá também contemplar os direitos e deveres previstos na legislação nacional aplicável, nomeadamente a responsabilização no desempenho das funções. 6.º Cumprimento do Código 1 O Código de Conduta de Voluntariado para a Cooperação como qualquer código de conduta é de adesão e cumprimento Voluntário. 2 Um código que prescreve princípios de actuação e cuja adesão se baseia numa identificação com os seus termos, deverá assentar o seu cumprimento na honra de quem o subscreve. 3 Um código ético, como este é, não se compadece com um regime sancionatório a aplicar a quem não o cumpra. O presente Código define o conjunto de princípios que assistirão à actuação dos seus subscritores que procurarão cumpri-los sempre. 4 Quando tal não acontecer, a ONGD faltosa terá que repor a situação, se for o caso. 5 Às outras subscritoras do presente Código caberá a responsabilidade de apurar qual a razão do incumprimento. 7.º Desvinculação A ONGD subscritora do presente Código que dele queira desvincular-se deverá comunicá-lo expressa e fundamentadamente, por escrito e fora de situações de emergência às restantes subscritoras. 8.º Revisão Caso qualquer dos subscritores verifique, depois da sua entrada em vigor, qualquer necessidade de revisão deverá levar ao conhecimento dos restantes. Qualquer alteração no texto só terá lugar depois da aprovação por maioria de todos os subscritores. 9.º Entrada em vigor O presente Código, sem prejuízo da adesão posterior de outras ONGD, entrará em vigor assim que for assinada por todas as ONGD que participaram na sua redacção inicial.

5 Aos não subscritores do Código As ONGD subscritoras do Código apresentam estes princípios animadas por um espírito de abertura e cooperação de maneira a que todos os outros agentes que de alguma forma estão relacionadas com o trabalho de voluntariado, saibam qual o tipo de relação ideal que estas ONGD desejam estabelecer com eles. ASP Associação Saúde em Português FEC Fundação Evangelização e Culturas ISU Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária LD Leigos para o Desenvolvimento MDM Médicos do Mundo OMAS/LBN Obra Missionária de Acção Social / Leigos Boa Nova OIKOS Cooperação e Desenvolvimento _

6 SOLSEF Sol Sem Fronteiras. Plataforma Portuguesa das ONGD

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