Coleta de material biológico
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- Ilda Sales Molinari
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1 Coleta de material biológico
2 Coleta de Material Biológico Este manual provê informações para todos os profissionais envolvidos com a coleta de sangue, dando orientações que possam minimizar as dificuldades, sendo um recurso para o dia-a-dia descrevendo procedimentos, incorporando padronizações, noções de biosegurança, o manuseio correto dos materiais de coleta e o envio das amostras.
3 Amostras de Materiais Biológicos...4 Recipientes de Coleta...4 Coleta de Materiais Biológicos...6 Atendimento ao Paciente...6 Condições Necessárias para a Coleta...7 Venopunção...7 Coleta com Sistema a Vácuo e Coleta Múltipla...8 Homogeneização dos Tubos...9 Sequência de Coleta...9 Cuidados Pós-coleta...9 Higienização das Mãos...9 Coleta de Urina de 24 horas Coleta de Urina I Coleta de Fezes Envio de Amostras Congeladas Envio de Amostras Protegidas da Luz Identificação, Preparo e Documentação de Envio das Amostras...2
4 Amostras de Materiais Biológicos Considera-se material biológico (amostra), líquidos, secreções, excreções, fragmentos de tecido obtidos do corpo humano e que possam ser analisados. Do ponto de vista da sua constituição, o sangue é considerado como um sistema complexo e relativamente constante, constituído de elementos sólidos (células sangüíneas), substância líquida (soro ou plasma) e elementos gasosos (O2 e CO2 ). Embora não seja necessário conhecer todos os detalhes sobre os procedimentos analíticos dos testes, é essencial conhecer o tipo de amostra necessária para cada tipo de análise. Tipo de Análise Bioquímica e Sorológica Hematológica Glicêmica Coagulação Urianálise em Amostra Isolada Urianálise em Amostra de 24h Parasitológica Tipo de Amostra Soro ou plasma Sangue total com EDTA Plasma com fluoreto de sódio Plasma com citrato de sódio Urina recente (jato médio ª urina da manhã) Urina feita no período de 24 horas Fezes recente (sem conservantes) Recipientes para Coleta Cada tipo de amostra deve ser coletada em um recipiente específico para cada tipo de análise, sendo de extrema importância conhecer estes recipientes para a realização de uma coleta de material biológico. O material colhido em recipiente inadequado será rejeitado e descartado pelo laboratório pois não terá validade para a realização da análise. Análises Bioquímicas e Sorológicas Quando se pretende fazer análise bioquímica ou sorológica, deverá ser colhida uma amostra de soro. Esta será obtida através da coleta em tubo sem anticoagulante para que ocorra o processo de coagulação. Portanto, a coleta deve ser feita no tubo de tampa amarela com gel. Este tubo contém ativador de coágulo e deve-se, imediatamente após a coleta, homogeneizar o tubo por inversão de 5 a 8 vezes para evitar hemólise, manter em repouso na posição vertical por 30 minutos para retrair o coágulo e seguir a centrifugação a rpm durante 0 minutos. Deve-se colher um volume máximo de 7ml de soro neste tubo. Análises Hematológicas Quando se pretende fazer análise hematológica, deverá ser colhida uma amostra de sangue total (EDTA). Esta será obtida através da coleta em tubo de EDTA de tampa roxa. Este tubo contém anticoagulante específico para evitar a coagulação. O sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado por inversão de 5 a 8 vezes para evitar hemólise e a coagulação do sangue. Deve-se colher um volume máximo de 2ml de sangue neste tubo. 4
5 Análises Glicêmicas Quando se pretende fazer análise de glicemia, deverá ser colhida uma amostra de Plasma (FLUORETO DE SÓDIO). Esta será obtida através da coleta em tubo de tampa cinza. Este tubo contém Fluoreto de Sódio com EDTA, o sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado por inversão de 5 a 8 vezes para evitar hemólise e a coagulação do sangue. Deve-se colher um volume máximo de 2,5ml de sangue neste tubo. Análises de Coagulação Quando se pretende fazer análise de coagulação, deverá ser colhida uma amostra de Plasma (CITRATO). Esta será obtida através da coleta em tubo de Citrato de tampa azul. Este tubo contém Citrato de Sódio, o sangue colhido com anticoagulante deve ser cuidadosamente homogeneizado por inversão de 5 a 8 vezes para evitar hemólise e a coagulação do sangue. Deve-se colher um volume máximo de,8ml de sangue neste tubo. Urianálise em Amostra Isolada Quando se pretende fazer análise em urina isolada, deverá ser colhida uma amostra de urina recente (jato médio ª urina manhã) ou urina com no mínimo de 4h após última micção no recipiente estéril de urina. Fazer higienização da genitália com água e sabão neutro previamente e enviar rapidamente ao laboratório. Urianálise em Amostra de 24h Quando se pretende fazer análise em urina de 24h, deverá ser colhida toda a urina feita no período de 24h em recipiente limpo e seco. Fazer higienização da genitália com água e sabão neutro previamente e informar o volume total colhido. Análises Parasitológicas Quando se pretende fazer análise parasitológica, deverá ser colhida uma amostra de fezes recente (sem conservantes) no recipiente estéril específico para fezes. Colher cerca de metade do volume do frasco. Não colher as fezes após ingerir contraste radiológico e evitar a contaminação das fezes com a urina. DEVE-SE RESPEITAR RIGOROSAMENTE O VOLUME CRÍTICO DE AMOSTRA INDICADO PARA CADA TIPO DE RECIPIENTE 5
6 Coleta de Materiais Biológicos 3.:. Atendimento ao Paciente Em qualquer coleta de material biológico é indispensável a apresentação do documento do paciente, como o R.G, cartão do convênio ou similar. Sendo assim, deve-se abordar o paciente sempre pelo seu nome completo evitando a troca de identidade pois pode existir outro paciente aguardando com nome muito semelhante ou até mesmo igual. As informações mínimas que devem ser adquiridas dos pacientes são: nome completo (sem abreviações), idade e data de nascimento, telefone para contato, medicamentos que faz uso, inclusive anticoncepcionais, fórmulas ou chás emagrecedores e data da última menstruação. A maior quantidade de dados possíveis deverá ser obtida do paciente. Essas informações são de grande importância para os setores que irão realizar e liberar o laudo dos exames. Além disso, caso haja necessidade do pedido de uma nova coleta, o contato com o paciente será necessário. O profissional que realizará a coleta deve mostrar-se sempre seguro e confiante perante o paciente e explicar-lhe como será o procedimento, muitas vezes pode haver dor ou medo e o profissional deve sorrir e ser amável passando segurança e tranquilidade ao paciente. Além disso, o profissional deve ter uma boa aparência, usar roupas brancas e limpas, sapatos fechados, avental limpo e bem passado, cabelos presos, brincos e jóias curtas que não atrapalhem a manipulação. Os exames solicitados pelo médico (a) do paciente deverão estar escritos na Solicitação Médica. É importante observá-la cuidadosamente para que todas as informações contidas sejam visualizadas e para que não faltem informações e dados importantes do paciente. De acordo com a Solicitação Médica, deve-se identificar os exames solicitados e orientar-se sobre a coleta de cada exame no Manual de Exames do laboratório, onde constam os materiais, os recipientes de coleta, os volumes de amostra e as condições necessárias referentes a cada exame. É importante verificar se o pedido médico está com assinatura e carimbo do médico e se o paciente seguiu o preparo adequado para o exame, pois se o paciente não tiver seguido impossibilitará a coleta. Além da identificação do médico, o pedido médico deve constar a identificação do profissional que coletou os materiais para análise, isso facilitará caso o laboratório necessite de alguma informação. A interpretação dos exames e a orientação a tratamento caberão somente ao médico do paciente, portanto, deve-se sempre manter o sigilo quanto aos resultados dos exames, à identidade do paciente e aos exames coletados. 6
7 3.2:. Condições necessárias para a coleta - Estantes para os tubos - Luvas descartáveis - Avental e máscara - Recipiente rígido e próprio para desprezar material pérfucortante - Etiquetas para identificação de amostras - Tubos indicados para o tipo de amostra a ser colhida - Sistema a vácuo: suporte, tubo e agulha descartável - Seringa descartável - Agulha descartável - Álcool etílico a 70% - Algodão hidrófilo - Garrote - Cadeira reta com braçadeira regulável ou maca - Lavatório - Sala bem iluminada e ventilada 3.3:. Venopunção Passos para coleta com seringa e agulha descartável: º Coloque a agulha na seringa 2º Movimente o êmbulo e pressione-o para retirar o ar. 3º Oriente o paciente quanto ao procedimento. 4º Ajuste o garrote e escolha a veia. 5º Faça a anti-sepsia do local da coleta com algodão umedecido em álcool 70%. 6º Faça a punção. 7º Solte o garrote assim que o sangue começar a fluir na seringa. 8º Colete o sangue de acordo com o volume indicado para cada exame solicitado. 9º 0º º 2º Separe a agulha da seringa com a ajuda do suporte de desconectar ou com uma pinça e descarte-a no recipiente adequado para material pérfurocortante. Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada, mantendo o braço estendido, sem dobrá-lo. Transfira o sangue para um tubo de ensaio, com ou sem anticoagulante, de acordo com o exame solicitado. Escorra delicadamente o sangue pela parede do tubo para evitar a hemólise da amostra. Descarte a seringa no recipiente específico para pérfurocortante, não ultrapassando 2/3 do limite da capacidade. 7
8 3.4:. Coleta com sistema a vácuo e coleta múltipla º Enrosque a agulha no adaptador. Não remova a capa protetora de plástico da agulha. 2º Oriente o paciente quanto ao procedimento. 3º Ajuste o garrote e escolha a veia. 4º Faça a anti-sepsia do local da coleta com algodão umedecido em álcool 70% 5º Faça a punção e após introduza o tubo no suporte, pressionando-o até o limite. 6º Solte o garrote assim que o sangue começar a fluir no tubo. 7º Separe a agulha do suporte com a ajuda do frasco desconectador ou com uma pinça e descarte-a no recipiente adequado para material pérfurocortante. 8º Oriente o paciente a pressionar com algodão a parte puncionada, mantendo o braço estendido, sem dobra-lo. O volume de sangue aspirado varia de acordo com a altitude, a temperatura ambiente, a pressão barométrica, a validade do tubo, a punção venosa e a técnica de enchimento do tubo. Tubos com um volume de aspiração menor do que as dimensões indicadas (tubos de aspiração parcial) podem encher-se mais lentamente do que os tubos de igual tamanho com um volume maior de aspiração. Tubos com volume insuficiente ou com excesso de sangue, alteram a proporção correta de sangue/aditivo e podem gerar resultados incorretos ou desempenho precário do produto 8
9 3.5:. Homogeneização dos tubos Todos os tubos deverão ser homogeneizados imediatamente após a coleta. Deve-se invertê-los de 5 a 8 vezes, suavemente. Tubos homogeneizados inadequadamente poderão conter pequenos coágulos sanguíneos que diminuirão a utilidade do tubo. 3.6:. Sequência de coleta Quando o paciente possui mais de um exame solicitado e estes exames necessitam de materiais diferentes que devem ser coletados em recipientes diferentes, deve-se obedecer uma sequência para coleta dos materiais para que não haja contaminação dos aditivos de um tubo para outro, o que ocasiona grandes alterações em alguns parâmetros analíticos: Ordem Recipiente º Tubo seco com gel (Tampa Amarela) 2º Tubo com citrato (Tampa Azul) 3º Tubo EDTA (Tampa Roxa) 4º Tubo com Fluoreto (Tampa Cinza) ATENÇÃO: Quando o paciente tiver apenas exames de coagulação, deverá ser coletado primeiro um tubo de descarte. Isso é devido ao fato de o primeiro fluxo de sangue coletado conter os fatores de coagulação, principalmente a protrombina, o que altera os resultados. 3.7:. Cuidados pós-coleta Após todos os tubos coletados, remover a agulha e fazer uma compressão no local da punção com algodão ou gaze secos e limpos por aproximadamente 2 minutos a fim de evitar a formação do hematoma e sangramento. Colocar o curativo e orientar o paciente para não dobrar o braço e não carregar peso por até uma hora após a coleta. Nunca corte ou reencape agulhas. 3.8:. Higienização das mãos Lave as mãos frequentemente, antes e depois do contato com o paciente ou com material biológico. Use água e sabão e lave as mãos de cima para baixo para reduzir o fluxo de bactérias. Deixe a água correr, seque as mãos com toalha de papel e depois a use para fechar a torneira. Boa higiene é muito importante. 9
10 3.9:. Coleta de Urina de 24h - Ao acordar o paciente deverá esvaziar a bexiga e desprezar a urina, chamada de primeira urina da manhã. Só então iniciar a coleta das próximas micções. 2 - Coletar todas as micções, inclusive a primeira urina da manhã do 2º dia, ou seja, procure acordar no mesmo horário que acordou no dia anterior e colha, toda a primeira urina da manhã. 3 - Encerrar a coleta. 4 - Em alguns casos especiais, conforme orientação do laboratório, a ª urina da manhã deverá ser colhida em frasco separado. 5 - Após cada coleta manter o frasco refrigerado em geladeira. 6 - Após a última coleta enviar o frasco ao laboratório. 7 - Nos casos de solicitação médica de Clearence, deve-se, no dia da entrega coletar uma amostra de soro com o paciente em jejum de 4 horas. 8 - Anotar na etiqueta de cada frasco o nome completo, peso, idade e altura do paciente. 9 - Durante as coletas, evitar perdas de volume urinário. O volume correto das 24 horas é importante para o resultado do exame. 0 - Informar quaisquer medicamentos utilizados nos últimos 5 dias. 3.0:. Coleta de Urina I - Preferencialmente, colher a primeira urina da manhã. 2 - O paciente deverá estar em retenção urinária de pelo menos 2 horas. 3 - Orientar o paciente para que colete o jato médio no frasco de urina estéril. 3.:. Coleta de Fezes - Identifique o frasco com o nome completo e legível do paciente. 2 - Abra o frasco cuidadosamente. 3 - Coletar aproximadamente 30g de fezes em frasco coletor de fezes sem conservante, ou conforme orientação médica. 4 - Feche bem o frasco. 5 - Anote na etiqueta a data da coleta. 6 - Encaminhar cada amostra ao laboratório imediatamente após a coleta de cada amostra e mantê-las refrigeradas. 0
11 3.2:. Envio de amostras congeladas - Envolver as amostras em gelo reciclável imediatamente após a coleta. 2 - Congelar o sanduíche (gelo + amostra + gelo). 3 - Colocar o sanduíche em um plástico (exclusivo para a amostra). 4 - Fechar bem o plástico e escrever: AMOSTRA CONGELADA. 5 - Acondicionar a amostra na parte inferior da caixa de transporte. 3.3:. Envio de amostras protegidas da luz Envolver o tubo ou frasco em papel alumínio ou carbono.
12 Laboratório de Análises Clínicas Identificação, Preparo e Documentação de Envio das Amostras Assim que coletada, toda e qualquer amostra deverá ser identificada imediatamente com a etiqueta de código de barras constando o nome completo e legível ainda na presença do paciente. Nunca enviar amostras sem identificação ao laboratório, nesse caso a amostra será descartada e deverá ser feita nova coleta. Após a identificação das amostras, elas devem ser mostradas ao paciente para que ele confirme o nome identificado no material. Nos tubos de coleta de sangue as etiquetas devem ser fixadas de modo vertical, em cima da etiqueta do fabricante de forma que não envolva completamente o tubo, pois assim, dificultaria a visualização do material e a percepção de coágulo ou hemólise. Nos frascos de urina e fezes, fixar a etiqueta no corpo do frasco, nunca na tampa. Nunca identificar os tubos com esparadrapo, pois no momento em que a amostra seguir para a centrifugação a identificação será invalidada. A falha na identificação do paciente pode levar a um erro fatal. Toda amostra enviada ao laboratório deve ser documentada através da Relação de Pacientes e Materiais para Análise fornecida pelo laboratório, onde deve constar a data de envio, a origem do material, o responsável pelo envio, o nome completo do paciente, a identificação da pendência com o número de atendimento pendente (fornecido na relação de pendências) se for o caso, e todos os materiais enviados em seus respectivos recipientes. Toda e qualquer amostra enviada ao laboratório deve estar acompanhada desta relação, que será conferida pela triagem no momento do recebimento e na presença do profissional responsável pela entrega dos materiais no laboratório, que receberá a segunda via (folha amarela) da relação assinada confirmando o recebimento. Caso a relação contenha alguma incomformidade, o recebimento não será confirmado com a assinatura do responsável. A Relação de Pacientes e Materiais para Análise é um documento importante e só deve ser preenchida após a coleta ter sido realizada e os materiais prontos para serem enviados, evitando pendências e inconformidades. 0/09/2009 *Modelo de exemplo Maria Aparecida da Silva Pedro Antonio Almeida João de Oliveira Santos Matias Barbosa José da Silva 2 2 Luiz de Souza x
13 As análises no laboratório clínico são de grande importância e responsabilidade, devemos ter um cuidado especial na preservação, no acondicionamento, na identificação e no preparo do transporte dos materiais. Trata-se de um material biológico nobre, de difícil re-coleta e cujo resultado é esperado com grande ansiedade por pacientes, familiares e médicos assistentes. O envio destes materiais é um procedimento que deve seguir certas normas para otimizar o processo e garantir a integridade das amostras: - A amostra deve ser preparada para o transporte de acordo com a condição dos exames solicitados indicada no Manual de Exames. (Ex. Refrigerada, Congelada, Protegida da Luz, etc.). - As amostras devem ser ordenadas na bandeja na mesma ordem em que foram descritas na Relação de Pacientes e Materiais para Análise. - Deve-se acomodar as amostras de Urina e de Fezes na caixa térmica própria para o transporte de forma que não corra risco de tombar, entornar ou perder o contato com o gelo, no caso de amostras que precisam de refrigeração. - Tomar o máximo de cuidado ao manusear a caixa térmica, não bater, não virá-la e não fazer movimentos bruscos. - Em caso de dano ou vazamento, informe imediatamente o laboratório ou as autoridades de saúde pública. 3
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