parte I CONTEXTUALIZANDO
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- Anderson da Silva Capistrano
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1 parte I CONTEXTUALIZANDO
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3 1 SER ADOLESCENTE NO SÉCULO XXI Marcelo Afonso Ribeiro Maria da Conceição Coropos Uvaldo Guilherme Fonçatti Débora Amaral Audi Marcelo Lábaki Agostinho Yara Malki Globalização, desenvolvimento de tecnologias de comunicação e de armazenamento de informações, mudanças sociais marcantes e flexibilização laboral geraram uma fragilização das estruturas sociais vigentes com consequências diretas e profundas sobre as pessoas e seus projetos de vida. A orientação profissional e de carreira, como área de pesquisa e atuação, defronta-se, nesse cenário, com a premência de repensar suas teorias e práticas (Guichard, 2012), partindo necessariamente do entendimento não apenas dessas mudanças, mas, principalmente, do impacto delas nas pessoas. Neste capítulo, centraremos nossa atenção no adolescente, principal alvo de nossas práticas. Ser adolescente no século XXI tem se mostrado um desafio importante para todos: para o mundo adulto, no qual é necessário lidar com padrões de referência e modelos de ação no mundo muito distintos dos seus; para o Estado, que tem no adolescente um problema central em termos de formação, inserção no mercado de trabalho, sexualidade, saúde, segurança, consumo e família; e para o próprio adolescente, que tem de lidar com um mundo adulto que lhe dá poucas referências e modelos, que, muitas vezes, são confusos, ambíguos e contraditórios, e se vê compelido a praticamente criar referências e construir formas de ser em um mundo contemporâneo caracterizado como complexo, heterogêneo e flexibilizado. Quem são esses adolescentes de hoje? O que as pesquisas nos mostram sobre eles? Lançado o desafio, este capítulo, longe de oferecer uma resposta única e conclusiva, tem como objetivo refletir sobre essa questão, apresentando, se possível, questões que possam auxiliar nas pesquisas e discussões dos profissionais da área de orientação profissional e de carreira. EM BUSCA DO CONCEITO DE ADOLESCÊNCIA Vários campos do saber, por motivos distintos, dedicaram-se a compreender a adolescência e produzir teorias e conceituações, visando a elaborar definições que abrangessem a temática adolescente. Entre as quais citamos: a ordenação jurídica e legal, como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), no direito; o estudo do desenvol-
4 14 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) vimento biológico e psicológico individual na medicina e na psicologia do desenvolvimento; a tipificação dos jovens em grandes grupos homogêneos, como são as propostas da Geração Y (1980 a 2000) e da Geração Z (2000 em diante), oriundas da administração; a compreensão da juventude como grupo ou condição social, na sociologia; ou como identidade e papel psicossocial, na psicologia social. Segundo Matheus (2007), etimologicamente, adolescência vem de adolescere, que significa desenvolver-se, ou crescer, entretanto, também guarda relação com addolescere, que significa adoecer. É devido a isso que se tem a ideia de crise para definir a adolescência. Na tradição mais biológica e psicológica individual, a adolescência tem início com a puberdade e se encerra com a possibilidade de assumir papéis sociais adultos. Além disso, ela é caracterizada pela universalidade das transformações biológicas e psicológicas. Erikson (1976) define adolescência como a transição da infância à vida adulta basicamente marcada por uma moratória psicossocial, ou seja, pela liberdade para experimentar livremente papéis sexuais, sociais e ocupacionais até definir-se. Constitui-se como uma crise normativa que ocorreria entre os 12 e 18 anos, em que a pessoa em desenvolvimento teria de resolver o dilema central entre construir uma identidade e viver uma difusão de papéis, sendo o modelo de construção identitária marcado pela escolha e a reprodução de referências sociais (identidade como reprodução). Knobel (1981) postulou a existência de uma Síndrome da adolescência normal, na qual alguns padrões e comportamentos psicopatológicos são esperados e considerados normais para a vivência da adolescência e para a sua estabilização em um momento de busca identitária, carga emocional intensa, autocentramento, angústia extrema e criatividade. Já Aberastury (1981) centra sua compreensão da adolescência como um período marcado pela vivência de perdas e lutos gerados pelo desamparo da desidealização das figuras parentais e da ruptura da onipotência. Carvajal (1998) concebe a adolescência como um grupo de fenômenos que eclode em um dado momento da vida até a consolidação da vida adulta (definida pelo trabalho, pela independência e pela intimidade). Caracterizada pelo enlace entre mudanças biológicas, psíquicas e sociais, a adolescência é uma etapa importante do desenvolvimento e fundamental para os processos de escolha profissional. Para esses autores, portanto, esse período envolve uma grande crise, com desestruturações e reestruturações de personalidade, principalmente no tocante à crise de identidade (necessidade de ser ele mesmo), à crise de autoridade (enfrentamento de normas ou imposição de modelos) e à crise sexual (posicionamento sexual e de gênero) sem estabelecer faixas etárias determinadas. As ciências sociais têm abandonado a ideia de adolescência e utilizado o termo juventudes, no plural, para indicar que não se trata de uma fase normativa do ciclo vital, nem estaria psicológica e biologicamente determinada. Contudo, a fase se configuraria como condições psicossociais de vida fortemente marcadas pelos backgrounds socioeconômicos e culturais da pessoa em desenvolvimento e não obedeceria, obrigatoriamente, a uma cronologia de vida, nem existiriam posições e conquistas sociais claras, como anteriormente eram a formação educacional e profissional, a inserção no mercado de trabalho e a constituição da família, tornando a separação entre juventude e vida adulta mais complexa (Camarano, 2006; Coimbra, Bocco, & Nascimento, 2005; Dayrrel, 2003; Guimarães, 2004; Organização Internacional do Trabalho [OIT], 2009). A psicologia social, por sua vez, busca relacionar a psicologia mais individual com
5 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 15 a sociologia e compreender como se processa a construção de si mesmo e a construção identitária nas variadas relações que cada jovem produz com o mundo. Tais relações se dão a partir das referências legitimadas que o mundo disponibiliza para cada um e que sofrem restrições e possibilidades sociais, econômicas e culturais. Dessa maneira, é possível afirmar que a adolescência é mais construída do que psicológica ou biologicamente determinada, ou seja, o adolescente cria sentido sobre si e constrói um lugar para si no mundo de referências sociais (Bock & Liebesny, 2003; Bohoslavsky, 1983; Dubet, 1998; Lehman, Uvaldo, & Silva, 2006; Ribeiro, 2011). Por último, a administração e parte da psicologia organizacional e do consumidor têm produzido tipificações dos jovens em grandes grupos homogêneos, como estratégia de compreensão de suas vivências. Isso resultou nas propostas da Geração Y, relativa aos nascidos entre 1980 e 2000, e a atual Geração Z, relativa aos nascidos depois de 2000, que, em sua grande maioria, ainda não chegaram às universidades e ao mundo do trabalho (Ramos, Casa Nova, & Carvalho, 2012). Diante de um mundo flexibilizado, complexo e heterogêneo, conforme anteriormente descrito, partilhamos da noção de que, independentemente de definirmos como adolescência ou juventudes o fenômeno sobre o qual nos propusemos a fazer uma reflexão, o adolescente, ou o jovem, vive um momento marcado pela transição de modelos, no qual velhos modelos ainda existem e novos modelos ainda não se consolidaram. Essa transição relega o sujeito a experienciar desafios sociolaborais e culturais ambíguos e contraditórios que não guardam relação direta com os modelos adultos consolidados, gerando mais dúvidas e incertezas do que garantias. Salientamos que, ao entender a adolescência ou a juventude como um processo necessariamente atravessado pelas condições sociais, econômicas e culturais, não podemos negar que parte da população não passa pelos processos ou apresenta as características descritas, sendo que, em alguns casos, a passagem da infância para o mundo adulto ocorre diretamente (adolescência amputada, como denomina Carvajal, 1998). Contudo, as mudanças sociais e o mundo do trabalho afetam a todos direta ou indiretamente, de formas possivelmente diferentes e com menor ou maior intensidade. ADOLESCÊNCIA NO SÉCULO XXI Atualmente, ser adolescente é viver em um mundo em transição, com variados modelos sociolaborais de referência para guiar a construção da vida, tanto aqueles mais tradicionalmente constituídos quanto os mais contemporâneos (Birman, 2006; Lehman et al., 2006). Por exemplo, trabalhar, em boa parte do século XX, se resumia basicamente a ter uma boa formação, conseguir um bom emprego e mantê-lo até o final da vida em uma situação que possibilitava certa previsão do futuro. No entanto, hoje, além desses aspectos, trabalhar também é não ter clareza se a formação é suficiente, é mudar constantemente de emprego, trabalho, cidade e, muitas vezes, de profissão e nunca ter segurança, estabilidade e continuidade definitivas, como nos modelos anteriormente predominantes, constituídos ao longo do século XX (Castel, 2009; Sennett, 1998, 2006; Touraine, 2006). Além disso, não é somente na dimensão do trabalho que mudanças aconteceram, pois as referências de família, gênero, sexualidade, formação, cronologia da vida e modelo de vida adulta estão igualmente flexibilizadas, o que coloca desafios enormes, tanto para os adolescentes quanto para os adultos. Isso ocorre porque os primeiros não têm mais referências adultas se guras e predominantes às quais se basear na construção de suas vidas, ao mes-
6 16 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) mo tempo em que os últimos não conseguem oferecer modelos aos adolescentes, ou seja, a estrutura social oriunda da tradição não responde mais totalmente à organização e nor matização da vida sociolaboral (Birman, 2006; Duarte, 2009; Lipovetsky & Serroy, 2011). Essa situação promove, por um lado, uma situação de sofrimento e angústia pela falta de referências, mas, por outro lado, propicia um espaço maior de abertura e criação, em termos psicossociais, principalmente para os adolescentes (subjetivos, identitários e sociais). Isso tudo é muito distinto da tradicional reprodução de modelos adultos, configurada basicamente ao longo do século XX (Giddens, 2002; Ribeiro, 2014; Silva, 2005). George Mead, importante pensador do campo da psicologia social, postulou, nos anos 1950, que a base para a construção de si, em termos da subjetividade, das identidades construídas e dos papéis sociais incorporados, seria o outro generalizado. Esse conceito pode ser entendido como o modelo de referência adulto ao qual a pessoa em desenvolvimento deveria se basear para a construção de si e de suas ações no mundo, marcado pela ordem social vigente e que demandava uma reprodução de modelos para o reconhecimento de si (Mead, 1953), sendo que tudo que não obedecia claramente a esses modelos era considerado desviante (Becker, 2008). O reconhecimento de si como adulto, por exemplo, se dava a partir da conquista de realizações e posições sociais cronologicamente determinadas, ou seja, a passagem da adolescência para a vida adulta acontecia, progressivamente, pela finalização da formação educacional e profissional, pela obtenção de um emprego e pela constituição da própria família, conferindo ao sujeito independência e lugar social próprios (Calligaris, 2000; OIT, 2009). Malo (2007), atualizando Mead (1953), aponta que o mundo contemporâneo tem oferecido múltiplas referências significativas e legitimadas psicossocialmente para guiar a vida das pessoas, constituindo- -se em verdadeiros outros generalizados, ou referências múltiplas e plurais. Dessa forma, não existe plenamente uma única referência a seguir devido ao reconhecimento social de mais de uma referência como legítima e aceita, o que torna a tarefa de transição para a vida adulta mais complexa. No campo do trabalho, por exemplo, a tarefa básica, para o adolescente, era escolher um curso de formação (técnico ou superior, dependendo de suas condições socioeconômicas) e conseguir e manter um emprego na sua área de atuação. Atualmente, esse modelo ainda é vigente, entretanto, não se configura como modelo predominante, nem como o mais valorizado socialmente, pois concorre com outros modelos que falam sobre a insuficiência da formação para a atuação no mercado de trabalho, a necessidade de aprendizagem contínua e a mudança constante, a relativa descartabilidade das pessoas, a existência e a consolidação de outras formas de vínculo ao mercado de trabalho (terceirização, teletrabalho, microempreendedorismo individual) e a demanda pelo desempenho de várias funções em vários locais de trabalho simultaneamente (polivalência e multifuncionalidade). É esse contexto sociolaboral que o adulto não compreende plenamente nem consegue contribuir como modelo para o adolescente (OIT, 2009; Ribeiro, 2014; Sennett, 2006). Assim, diante desse breve quadro apresentado, a própria compreensão da adolescência se torna complexa, e conceitos e teorias têm sido problematizados, entre eles a questão de devermos ou não pensar em adolescência da forma como é classicamente postulada na psicologia. A adolescência, para a psicologia, é uma fase normativa do ciclo vital psicológica e biologicamente determinada, marcada por crises,
7 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 17 principalmente sexuais e identitárias, entre elas a crise vocacional e ocupacional (Bohoslavsky, 1977). Esta última teria como principal função a preparação para a vida adulta, como definiram autores clássicos da temática adolescente (Aberastury, 1981; Erikson, 1976; Knobel, 1981). O QUE É SER ADOLESCENTE NO SÉCULO XXI? Para responder a essa pergunta, apresentaremos e discutiremos o pensamento e propostas de alguns autores contemporâneos acerca da experiência de ser adolescente no século XXI, sintetizados em cinco eixos: 1. crise do mundo adulto; 2. impulsividade e falta de limites; 3. individualização da vida; 4. multiplicidade de referências legitimadas; 5. dificuldade de se projetar no futuro. CRISE DO MUNDO ADULTO COMO MODELO: INDEFINIÇÃO DO QUE É SER ADOLESCENTE E DO QUE É SER ADULTO Um aspecto a ser considerado nesta reflexão é a supervalorização da chamada juventude nas sociedades capitalistas atuais. Juventude hoje é um bem a ser mantido e cultuado e, portanto, a ser prolongado, com o auxílio das conquistas da medicina, que aumentaram significativamente o tempo e a qualidade de vida. Birman (2006, p. 25) aponta que a temporalidade da juventude modificou-se de forma significativa, então,... seja na transformação da infância que a precede, seja na vida adulta que a sucede, gerando um alongamento da adolescência, por seu início antecipado e sua finalização estendida e indefinida. As consequências diretas disso são a desvalorização da maturidade e da velhice, entendidas como diminuição da produtividade ou estagnação, e o encurtamento da infância e da velhice. A luta contra a passagem do tempo é uma das características marcantes em nossa sociedade o corpo moldado em academias, cirurgias rejuvenescedoras, padronização da forma de se vestir (as crianças sendo vestidas como adolescentes precocemente e a ausência quase absoluta de roupas desenvolvidas para a chamada terceira idade). A consequência disso para o mundo do trabalho é clara. O tempo cronológico e as marcas da maturidade e da velhice devem ser apagados, e o desenvolvimento, parado. Em contrapartida, o desenvolvimento tecnológico propõe um tempo presente absoluto não é necessária a espera, pois a informação é instantânea. As relações podem ser mediadas pelo computador, pelas redes sociais; as informações e as relações são virtualizadas, ou seja, se tornam não presentes, submetendo a narrativa à prova de uma unidade de tempo sem unidade de lugar. Dessa maneira, essa nova configuração de tempo-espaço produz uma nova construção da subjetividade. Nesses moldes, para Calligaris (2000), a adolescência deve ser concebida como tempo de suspensão na tentativa de tornar o adolescente independente, que tem condições de ser adulto, mas não está autorizado psicossocialmente a sê-lo, ou seja, um tempo de transição com duração desconhecida, gerador de frustação pela moratória e a imposição de uma felicidade pela idealização da adolescência. No entanto, a questão central não é quando começa a adolescência, e sim quando se sai dela, pela resposta à pergunta dirigida aos adultos: O que eles esperam de mim? (Calligaris, 2000, p. 23). As dúvidas quanto à resposta certa para essa questão trazem insegurança, tentativa de interpretação do mundo adulto e con-
8 18 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) tradição, pois os adultos querem que o adolescente seja autônomo (exigência de ter uma posição social de destaque), mas lhe recusam a autonomia; querem que tenha sucesso social (exigências de performance), mas postergam essa situação para que ele possa se preparar melhor. Além disso, não fica claro se desejam que o adolescente aceite ou desafie a moratória imposta, o que traz outra questão importante: como conseguir ser reconhecido e admitido como adulto? Afinal, o principal objetivo da adolescência ainda se configura como o desejo de ser adulto. O problema atual, já postulado, é que os adultos oferecem referências e modelos ambíguos, imprecisos, múltiplos, difusos, heterogêneos e contraditórios, dificultando muito a resposta à pergunta colocada por Calligaris (2000, p. 23): O que eles esperam de mim?. Ao mesmo tempo, uma parte dos adolescentes vive uma falta de limites, com o declínio da autoridade parental e dos interditos próprios desta e dos representantes paternos, e uma cobrança para seguirem as normas sociais, por exemplo, ter sucesso profissional; ou os jovens são supercuidados e, ao mesmo tempo, deixados à deriva, em uma economia dos cuidados igualmente ambígua, segundo Birman (2006). Para Calligaris (2000), no contexto difuso atual, haveria duas qualidades subjacentes importantes postas ao adolescente pelo mundo adulto: ser desejável e ser invejável. Em outras palavras, um adoles cente deve enfrentar dois pontos centrais na sua vivência atual: o sucesso nas relações amorosas e sexuais e a conquista do poder, o que o levaria às crises contemporâneas, intensificadas pela enorme exposição a que estão submetidos nas redes sociais virtuais. Vale salientar que esses também são dois objetivos centrais para os adultos, que igualmente enfrentam dificuldades para compreender e alcançar tais ideais sociais, que são redirecionados aos jovens. Dessa maneira, é trazida, então, uma das questões já postuladas: o que diferenciaria o adolescente do adulto na atualidade? As diferenças estão cada vez mais difusas, mas há uma característica que parece aproximar os dois momentos de vida com impactos distintos para ambos: uma dificuldade enorme de compreender o que o mundo deseja e, consequentemente, como agir no mundo, a partir de escolhas e projetos, e como se projetar no futuro. No jovem, a falta de parâmetros claros gera a busca mais individualizada da construção identitária e do lugar no mundo, marcando uma dificuldade de fortalecimento identitário pela falta de reconhecimento do outro significativo. Além disso, a ação sobre o mundo por meio da estratégia impulsiva de tentativa e erro redunda em falta de limites. No adulto, há a emergência de crises mais frequentes pela dificuldade de compreensão dos critérios para ser desejável e invejável e por movimentos complicados, como a tentativa de voltar, concretamente, a ser jovem. Isso configura um dos grandes problemas atuais: se o dever dos adultos é envelhecer, o que acontece quando o ideal dos adultos é rejuvenescer? Assim, a ação no presente e a projeção para o futuro tornam-se uma ação complexa e enigmática para o jovem, pois não há referências claramente colocadas como predominantes, embora coexistam no mundo atual desde modelos tradicionais que garantem segurança, estabilidade e uma referência clara a seguir até modelos mais abertos e flexíveis (Ribeiro & Uvaldo, 2011). O adolescente, então, vê-se diante da impossibilidade de definir o que é ser adulto, pois há várias formas socialmente legitimadas de ser adulto hoje em dia, muitas delas não conhecidas ou reconhecidas pelos próprios adultos, que são referência presente direta para esses adolescentes.
9 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 19 O que nos traz novamente a questão: O que é ser adulto na contemporaneidade? Reações comuns a essa situação, por parte dos adultos, corporificam-se na restrição e no engaiolamento espacial dos filhos como estratégia de proteção, o que ocasiona ausência de convívio com outras pessoas nos espaços públicos, a fim de evitar contato com modelos sociais não reconhecidos. Exemplo disso é a autorização dos pais para que os filhos permaneçam na casa paterna, com a devida proteção, mas com a ativa vida sexual de adultos. Impulsividade Ramos e colaboradores (2012) re ferem que a impulsividade e a baixa tolerância à frustração seriam características entre os jovens nascidos de 1980 a 2000, nomeados de Geração Y, características analisadas por Outeiral (2003). O autor afirma que, ao longo do século XX, o modelo de ação sobre o mundo era marcado pela lógica de IMPUL- SO-PENSAMENTO-AÇÃO, ou seja, havia uma intermediação social das referências incorporadas pelos adolescentes que os levavam a agir a partir de parâmetros socialmente configurados que nem sempre garantiam sucesso ou desejo atendidos de forma imediata. Por exemplo, no mercado de trabalho, as promoções eram conquistas que demandavam muito tempo e investimento e poderiam não acontecer. O tempo, ou, na verdade, a percepção subjetiva do tempo, sempre foi uma das questões importantes a serem consideradas em qualquer orientação profissional e de carreira ou mesmo em qualquer trabalho com adolescentes, pois, como pondera Bohoslavsky (1977, p. 99),... embora, como observadores externos, possamos analisar a dimensão temporal em três momentos (passado, presente e futuro), do ponto de vista do sujeito, o tempo não é uma sucessão ordenada, mas uma dimensão de certo modo construída a partir de cada presente. A percepção subjetiva do tempo, como vem ocorrendo desde o início do século XXI, tem sua forma pautada pela urgência: é necessário assimilar a novidade de forma rápida, mesmo que esta venha incessantemente, pois há uma promessa de que aí haveria formas instantâneas de satisfação. A mediação tecnológica das relações está cada vez mais presente nesse processo, o que, por um lado, acelera oportunidades de contato e facilidade de acesso, mas, por outro, toma o lugar outras formas de relacionamento entre pessoas e ideias, pessoas e seus sonhos e projetos e pessoas entre si. Essa temporalidade, marcada pela urgência notória entre os jovens e adolescentes, torna essas outras formas de experiência que não são caracterizadas pela pressa nem pela velocidade desvalorizadas. São cada vez mais raras as oportunidades que os jovens têm de vivenciar outras formas de se relacionar com o corpo, com as ideias e com os outros que não sejam as das sensações momentâneas e das percepções e decisões instantâneas (Kehl, 2009). Essa forma de estar no mundo e nas relações valoriza cada vez mais o produto em detrimento do processo, em uma tentativa de antecipar os resultados. É como se o viver fosse um presente absoluto, pois, se o sujeito não passar pelo processo, o passado torna-se descartável, uma vez que se tem a sensação de que ele não está exatamente direcionado ao resultado. Portanto, o futuro, que seria o produto do processo, esgota-se no instante seguinte, convocado a se tornar presente o quanto antes. Sem alguma experiência de processo, o envolvimento subjetivo e o trabalho psíquico dos jovens
10 20 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) fundamentais para a orientação profissional e de carreira ficam empobrecidos. Desligado o fio que ata o presente à experiência passada, como se voltar ao futuro? (Kehl, 2009, p. 168). Outeiral (2003) aponta que a configuração contemporânea de ação sobre o mundo se dá pelo modelo IMPULSO-AÇÃO, ou seja, a tolerância à frustração e a postergação ou compensação dos desejos parecem não ser possibilidades aos adolescentes que buscam recarga imediata dos impulsos para novos investimentos. O tempo de espera para as realizações mostra-se curto e, diante de impossibilidades, o sujeito decide-se mais por mudar do que por investir fortemente no desejo que demorará a se realizar. No mesmo exemplo antes colocado, no mercado de trabalho, as promoções precisam ser conquistas rápidas, caso contrário, o adolescente pode mudar de trabalho em busca dessa rapidez na conquista, sem muito tempo e investimento para que isso aconteça. Outeiral (2003) e Tapscott (2010) complementam que a velocidade dos games e das comunicações virtuais proporcionadas pela tecnologia desponta como a forma predominante de ação sobre o mundo, ou seja, os adolescentes agem com impulsividade e, dessa forma, têm, como principal estratégia de ação, o modelo da tentativa e erro, em vez de investir tempo e dinheiro em espaços de aprendizagem formal para essas situações. Esse processo deixa-os, muitas vezes, sozinhos para tomar decisões e fazer escolhas, redundando em uma individualização da vida, não por opção, mas por falta dela. Isso é o que Castel (2009) chamou de individualismo negativo, definido como um individualismo pela desagregação das referências coletivas, e não por uma afirmação de si sobre a sociedade, ou seja, um individualismo em função do enfraquecimento ou da perda das referências sociolaborais. Individualização da vida Esse modelo da tentativa e erro de ação sobre o mundo, bem como a falta de referências claras sobre o que é ser adulto, faz com que o adolescente, muitas vezes, se veja sozinho diante dos desafios e das tarefas impostas pelo mundo. Somam-se a isso, segundo Birman (2006), uma vivência de maior solidão na família, pela diminuição da quantidade de irmãos, por ter pais separados e pela agenda intensa de todos. Além disso, o autor ressalta que os pais passaram a se dar o direito de ter projetos existenciais próprios, independentes do projeto familiar. Tudo isso contribui para a vivência do individualismo negativo, no qual há uma priorização de valores e projetos individuais sobre os coletivos pela falta ou ambiguidade das referências sociais, o que pode gerar as características, comumente atribuídas à Geração Y, de desejo de liberdade em tudo que se faz, afirmação das vontades e a customização do mundo, obtendo dos meios o que deseja (Ramos et al., 2012). Essa situação acontece, também, em função da perenidade das conquistas, tornando tudo muito transitório, sendo essa a característica central da vida: mas como fica a necessidade de segurança e constância que a psicologia sempre colocou como importante para a manutenção da vida? Isso traz novamente a questão: o que é ser adulto? Esse movimento de individualização da vida e de desejo de liberdade, preconizado como característico da Geração Y, seria mesmo emblemático dos adolescentes contemporâneos ou seria a possibilidade de existir diante da falta de referências claras? Multiplicidade de referências legitimadas A multiplicidade de referências legitimadas traz uma possibilidade de abertura e criação para o adolescente, sendo a criativida-
11 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 21 de e a inovação também colocadas como características comumente atribuídas à Geração Y (Ramos et al., 2012). Entretanto, isso deixa o adolescente, como discutido na seção anterior, perdido no mundo, sem referências, o que tem trazido impactos sociolaborais importantes, na carreira e na trajetória de formação. Guimarães (2004) aponta que há uma mudança no sentido do trabalho para o adolescente, passando de um valor ético central, como foi para o mundo adulto, ao longo de quase todo o século XX, para uma preocupação e uma demanda importante, mas não central, pois... sua centralidade não advém de seu valor ético, e sim de sua urgência como problema, ou seja, o sentido do trabalho seria antes o de uma demanda a satisfazer que o de um valor a cultivar. (Ribeiro, 2011, p. 62). O trabalho seria, basicamente, uma atividade para resolver necessidades de sobrevivência e uma possibilidade de fazer vínculos sociais, característica mais importante. Além disso, há uma mudança no sentido da educação que, para muitos, seria apenas uma autorização para pleitear uma vaga no mercado de trabalho, mesmo porque os principais requisitos apontados para o sucesso no trabalho estariam relacionados mais às características pessoais do que à formação educacional que é um dos atuais discursos sociais ambíguos, pois a qualificação formal ainda é condição básica para ingresso e ascensão no mercado de trabalho. Essas duas características da construção de si no mundo também impactam a projeção de si no futuro, como veremos a seguir. Projetos de futuro Lipovetsky e Serroy (2011) dizem que a projeção da vida em direção ao futuro teve uma mudança radical na contemporaneidade, pois, de forma contrária ao projeto social configurado ao longo do século XX, a supervalorização do futuro tem cedido lugar ao superinvestimento no presente, e, em curto prazo, há uma preocupação precoce com o futuro, conforme aponta Birman (2006). Além disso, há uma vivência no presente com grande dificuldade de projetar o futuro, devido à ambiguidade das referências e dos modelos adultos disponíveis. Dessa maneira, pensar a adolescência do século XX era concebê-la como projeção da vida adulta futura, mas, agora, também devemos olhar para a experiência de vida adolescente presente, pois, antes, seu investimento era concretizado no futuro, mas, agora, ele também precisa realizar-se no presente para poder ter algum futuro, em função, por exemplo, da impulsividade adolescente e da cobrança precoce por parte dos adultos. Se a adolescência era a preparação para os papéis sociais adultos, parece que, agora, as coisas têm acontecido simultaneamente. Proposta de orientação profissional e de carreira Diante desse cenário de falta de referências e de uma realidade efêmera e instantânea, como a orientação profissional e de carreira pode auxiliar esses adolescentes/jovens em suas escolhas e trajetórias profissionais? Um desafio que se coloca para a orientação profissional e de carreira e para os orientadores profissionais do século XXI é o de não formatar a sua prática à temporalidade contemporânea, apressada e atropelada, que desvaloriza a duração do tempo de compreender, em nome de uma busca por resultados, que, sem as condições que uma experiência de processo produz, não se sustentam. Assim, o objetivo de uma orientação profissional e de carreira deve ser auxiliar
12 22 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) o jovem na construção de si no mundo por meio de um projeto. O projeto é composto por uma articulação das escolhas que a pessoa faz, um processo que demanda uma estratégia, ou seja, uma intencionalidade em sua vida profissional, o que implica uma antecipação do futuro. O projeto tem dupla dimensionalidade: dimensão subjetiva e identitária de construção do projeto de vida profissional (visando à busca de sentido na vida) e uma dimensão operativa instrumental de construção de um plano de ação profissional (visando à criação de um conjunto de ações para atingir um fim) (Ribeiro, 2014). Ora, esse tipo de abordagem implica a exploração de si mesmo e das questões sociais e econômicas, mas também a elaboração de ação sobre o mundo por meio da realização de escolhas no processo de construção de um projeto de vida de trabalho. Dessa maneira, propicia-se ao jovem uma experiência significativa e própria, em que o processo é, em si, mais importante do que a escolha, porque, nele, reside a possibilidade de apropriação e construção de algo próprio. Lacan (1998) fragmenta essa experiência mais significativa em três tempos: o instante de ver, o tempo para com preender e o momento de concluir. O primeiro e o terceiro são tempos mais instantâneos (daí advêm as palavras instante e momento ), que duram tanto quanto um relance perceptivo. Já o tempo de compreen der seria aquele em que realmente preci sa-se de tempo, de processo, de duração, de cons trução. É uma experiência não precipi tada ao resultado ou a uma conclusão; que se daria somente no terceiro momento. A pura sequência de instantes, de impulsos à ação, não sustentados por uma experiência de compreender, é... uma temporalidade vazia, na qual nada se cria e da qual não se conserva nenhuma lembrança significativa capaz de conferir valor ao vivido (Kehl, 2009, p. 116). É isso que precisamos evitar no nosso trabalho de orientadores. REFERÊNCIAS Aberastury, A. (1981). O adolescente e a liberdade. In A. Aberastury, & M. Knobel (Orgs.), Adolescência normal: Um enfoque psicanalítico (pp ). Porto Alegre: Artmed. Becker, H. (2008). Outsiders: Estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar. Birman, J. (2006). Tatuando o desamparo: A juventude na atualidade. In M. R. Cardoso (Org.), Adolescente (pp ). São Paulo: Escuta. Bock, A. M. B., & Liebesny, B. (2003). Quem eu quero ser quando crescer: Um estudo sobre o projeto de vida de jovens em São Paulo. In S. Ozella (Org.), Adolescências construídas: A visão da psicologia sócio- -histórica (pp ). São Paulo: Cortez. Bohoslavsky, R. (1977). Orientação vocacional: A estratégia clínica. São Paulo: Martins Fontes. Bohoslavsky, R. (1983). Vocacional: Teoria, técnica e ideologia. São Paulo: Cortez. Calligaris, C. (2000). A adolescência. São Paulo: Publifolha. Camarano, A. A. (2006). Transição para a vida adulta ou vida adulta em transição? Rio de Janeiro: IPEA. Carvajal, G. (1998). Tornar-se adolescente: A aventura de uma metamorfose: Uma visão psicanalítica da adolescência. São Paulo: Cortez. Castel, R. (2009). La montée des incertitudes: Travail, protections, statut de l individu. Paris: Seuil. Coimbra, C. C., Bocco, F., & Nascimento, M. L. (2005). Subvertendo o conceito de adolescência. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 57(1), Dayrrel, J. (2003). O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação, (24), Duarte, M. E. (2009). Um século depois de Frank Parsons: Escolher uma profissão ou apostar na psicologia da construção da vida? Revista Brasileira de Orientação Profissional, 10(2), Dubet, F. (1998). A formação dos indivíduos. Contemporaneidade e Educação, 3(3), Erikson, E. (1976). Identidade, juventude e crise (2. ed.). Rio de Janeiro: Zahar. Giddens, A. (2002). Modernidade e identidade. Rio de Janeiro: Zahar. Guichard, J. (2012). Quais os desafios para o aconselhamento em orientação no início do século 21? Revista Brasileira de Orientação Profissional, 13(2), Guimarães, N. A. (2004). Trabalho: Uma categoria- -chave no imaginário juvenil? In H. W. Abramo, & P. P. M. Branco (Orgs.), Retratos da juventude brasileira. São Paulo: Perseu Abramo. Kehl, M. R. (2009). O tempo e o cão: A atualidade das depressões. São Paulo: Boitempo. Knobel, M. (1981). A síndrome da adolescência normal. In A. Aberastury, & M. Knobel (Orgs.), Adoles-
13 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 23 cência normal: Um enfoque psicanalítico (pp ). Porto Alegre: Artmed. Lacan, J. (1998). Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Lehman, Y. P., Uvaldo, M. C. C., & Silva, F. F. (2006). O jovem e o mundo do trabalho: Consultas terapêuticas e orientação profissional. Imaginário, 12(12), 1-8. Lipovetsky, G., & Serroy, J. (2011). A cultura-mundo: Resposta a uma sociedade desorientada. São Paulo: Cia da Letras. Malo, E. M. (2007). Las dimensiones fragmentaria y performativa de las subjetividades de clase. Universitas Psychologica, 6(1), Matheus, T. C. (2007). Adolescência: História e política do conceito na psicanálise. São Paulo: Casa do Psicólogo. Mead, G. H. (1953). Espiritu, persona y sociedad. Buenos Aires: Paidós. Organização Internacional do Trabalho (OIT). (2009). Trabalho decente e juventude no Brasil. Brasília: OIT. Outeiral, J. (2003). Adolescer: Estudos revisados sobre adolescência (2. ed., rev. e ampl.). Rio de Janeiro: Revinter. Ramos, D. N., Casa Nova, S. P. C., & Carvalho, R. C. O. (2012). O bom professor na perspectiva da geração Y: Uma análise sob a percepção dos discentes de Ciências Contábeis. Enfoque: Reflexão Contábil, 31(3), Ribeiro, M. A. (2011). Juventude e trabalho: Construindo a carreira em situação de vulnerabilidade. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 63(no. spe.), Ribeiro, M. A. (2014). Carreiras: Novo olhar socioconstrucionista para um mundo flexibilizado. Curitiba: Juruá. Ribeiro, M. A., & Uvaldo, M. C. C. (2011). Possibilidades identitárias contemporâneas em um mundo do trabalho flexibilizado. Polis e Psique, 1(1), Sennett, R. (1998). A corrosão do caráter: As consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record. Sennett, R. (2006). A cultura do novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record. Silva, L. B. C. (2005). Três questões sobre as psicoses. Mental, 2(4), Tapscott, D. (2010). La era digital: Cómo la generación NET está transformando al mundo. Mexico: Mc- Graw-Hill. Touraine, A. (2006). Novo paradigma para compreender o mundo. Petrópolis: Vozes.
14 2 A FAMÍLIA E A CONSTRUÇÃO DE PROJETOS VOCACIONAIS EM ADOLESCENTES Rosane Schotgues Levenfus Maria Lucia Tiellet Nunes O processo da escolha profissional requer o gerenciamento de fatores intrínsecos e extrínsecos ao jovem indeciso. A dimensão individual do orientando, que considera suas habilidades, aptidões, personalidade e formação educacional, encontra-se fortemente enlaçada a valores, afetos e crenças familiares, além de um amplo contexto social, político, econômico e cultural. Todos esses fatores atuam conjuntamente em diversos momentos decisivos da trajetória humana, e não poderia ser diferente na trajetória vocacional. Ainda que os projetos humanos se desenvolvam no contexto de múltiplas relações mais ou menos significativas, vasta literatura aponta para a família como o maior fator de influência no desenvolvimento de carreira. Este capítulo abordará algumas formas como a família nuclear influencia, de modo intencional ou não, positiva ou negativamente no momento da escolha profissional de jovens aspirantes ao ensino superior. Sendo a família o primeiro e mais significativo contexto em que o sujeito vivencia saberes, afetos e experiências estruturantes que formarão a matriz das relações a serem estabelecidas consigo próprio e com os demais, se faz imprescindível observar esse berço emocional da construção dos alicerces que sustentam o sujeito como protagonista de sua própria história. Embora a assimetria social interfira nos projetos de carreira, nem sempre o contexto socioeconômico é preponderante. A qualidade das relações familiares estabelecidas, a comunicação aberta, o apoio emocional oferecido e a confiança influenciam as atividades de exploração, as aspirações profissionais e os planos futuros, impactando os processos de construção de carreira. O tipo de organização e funcionamento familiar mostrou-se mais decisivo do que o status socioeconômico dos pais e o gênero na construção da identidade vocacional dos adolescentes (Paloş & Drobotb, 2010; Penick & Jepsen, 1992). O alto índice de comportamento parental negligente em famílias que frequentam escolas privadas no Brasil mostra que existem muitos pais incapazes de cumprir sua função de monitorar e proteger os filhos, oferecendo-lhes limites e afeto em qualquer camada social nas famílias modernas (Hutz & Bardagi, 2006). Viver em um contexto familiar em que existe estabilidade emocional que garanta segurança de um projeto de vida ou per tencer a uma família desestruturada e disfuncio-
15 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 25 nal pode fazer enorme diferença (Gonçalves, 2006; Gonçalves & Coimbra, 2003). INFLUÊNCIA PARENTAL DESEJÁVEL A necessidade do estabelecimento de relações positivas na interação pais-filhos que promovam a autonomia e responsabilização da prole tem sido descrita na literatura como uma variável processual de importância no desenvolvimento da carreira (Bardagi, Lassance, & Teixeira, 2012; Bryant, Zvonkovick, & Reynolds, 2006; Carvalho & Taveira, 2009; Gonçalves, 2006; Gonçalves & Coimbra, 2007; Levenfus & Nunes, 2002a). É consenso entre pais, alunos, professores e profissionais da orientação de carreira portugueses, pesquisados por Carvalho e Taveira (2009), que os pais devem apoiar os filhos afetiva e instrumentalmente. O apoio é caracterizado em termos de aprovação, incentivo e compreensão das escolhas dos filhos de forma positiva e interessada. Os participantes dessa pesquisa sugerem que os pais devem contribuir para o desenvolvimento e a implementação de escolhas de carreira dos filhos por meio de atitudes de comunicação, apoio e acompanhamento. Nesse caso, a comunicação diz respeito a esclarecimentos informativos relativos às questões escolares e profissionais, alertas para dificuldades e problemas e incentivo à participação em experiências de exploração vocacional. Eles também acreditam que os pais possam contribuir, promovendo atividades que oportunizem experiências de trabalho, contatos com profissionais, estabelecimentos laborais e colegas. O apoio diz respeito não somente ao instrumental que se possa alcançar, mas ao apoio emocional e moral em escolhas difíceis, situações malsucedidas e reorientação. Já o acompanhamento é amplo em termos de desenvolvimento pessoal e desempenho escolar. Para que os pais possam oferecer a comunicação desejada, deveriam ter suporte da escola de seu filho, recebendo informações amplas tanto a respeito do desenvolvimento humano quanto das carreiras e do mundo do trabalho. Assim, os sujeitos pesquisados referem que os pais podem vir a aconselhar os filhos especificamente quanto à carreira, quando necessário, mas sem influenciar suas escolhas. Além disso, eles acreditam que os pais poderiam sugerir opções, esclarecer os filhos sobre dados da rea lidade, ajustando suas expectativas, sem ideias preconcebidas, mantendo-se isentos (Carvalho & Taveira, 2009). A realidade, no entanto, mostra-se distante desse ideal. Pais saudáveis são preocupados com o futuro de seus filhos e, mesmo aqueles que não são ansiosos, antecipando infortúnios na carreira, tendem a transmitir valorizações da realidade do mundo do trabalho que eles próprios consideram importantes para o sucesso profissional de seus filhos. Em uma sociedade capitalista, na qual ganhar dinheiro é sinônimo de sobrevivência, o anseio pela perpetuação da espécie por si só promove esse tipo de influência. Dessa forma, pais de classes econômicas mais elevadas, em que o sucesso profissional relaciona-se à capacidade de autonomia e chefia, proporcionam experiências exploratórias no sentido de competitividade, independência, autossuficiência e assertividade. Em contrapartida, famílias desfavorecidas, em que o sucesso profissional depende da conformidade à autoridade, tendem a valorizar mais as atitudes de obediência/subserviência na educação dos seus filhos (Gonçalves & Coimbra, 2007). Estilos parentais e sua influência na carreira (autoritativo, autoritário, indulgente e negligente) foram pesquisados por Magalhães, Alvarenga e Teixeira (2012), independentemente da classe econômica. A partir da influência parental ideal, colaborativa e isenta, segundo os sujeitos pesquisados em Portugal, sobrevêm efeitos desejáveis, tais como experiência de auto-
16 26 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) nomia e responsabilidade, sentimentos de aprovação e incentivo, prazer pelo estudo e sucesso na escolha realizada, que se constituem como condições para o bom desenvolvimento de carreira. Os pais criariam espaço para o surgimento da individualidade e da autonomia nas decisões, ao passo que os filhos se responsabilizariam pelas novas tarefas (Carvalho & Taveira, 2009). Além do desenvolvimento de autonomia e responsabilidade, pesquisadores apontam que a participação dos pais também se relaciona ao desenvolvimento de valores e atitudes de trabalho, autoconfiança, autoeficácia e habilidades para a tomada de decisão (Bardagi & Hutz, 2008; Bardagi et al., 2012; Gonçalves & Coimbra, 2007; Hutz & Bardagi, 2006; Paloş & Drobotb, 2010). Em um estudo exploratório com graduandos evadidos, percebeu-se tendência maior por parte dos pais brasileiros em incentivar estudos e obtenção de diploma universitário do que em buscar interlocução sistemática sobre a decisão. Conforme os filhos demonstraram segurança na escolha, os pais tenderam a fornecer apoio sem, necessariamente, demonstrar entusiasmo. De uma forma geral, as conversas entre pais e filhos versaram sobre a escolha, sua certeza e a aprovação no vestibular. Não houve aprofundamento na conversa familiar a respeito de dúvidas de carreira, opções de curso, atividades profissionais e mundo do trabalho. Durante o período em que estiveram insatisfeitos em seus cursos, os filhos mantiveram seus sentimentos de angústia distante do conhecimento da família. No momento da evasão, os filhos declararam receber apoio parental, embora fantasiassem o contrário. A falta de diálogo sistemático entre os membros das famílias permeou todo o processo, desde a escolha inicial até a evasão (Bardagi & Hutz, 2008). Não se pode generalizar esse estudo exploratório como modelo do que ocorre no país inteiro, no entanto, é possível questionar se o altíssimo índice de evasão universitária brasileira está relacionado à falta de envolvimento familiar na escolha profissional dos filhos. Como bem pontuam Gonçalves e Coimbra (2007), as famílias que proporcionam aos filhos a construção de autonomia e responsabilidade em suas escolhas não deixam de questionar sobre o realismo de suas opções, antecipando-lhes as possíveis consequências de suas decisões. Em contrapartida, os ambientes familiares caracterizados por níveis de comunicação reduzidos, com ausência de expressão de sentimentos e experiências, são limitadores do desenvolvimento vocacional (Gonçalves, 2006). Nos contextos familiares em que os pais sentem que têm um papel significativo no desenvolvimento vocacional de seus filhos e não querem abdicar desse direito, assumindo-o com intencionalidade, os filhos percebem esse apoio como positivo e recorrem a ele (Gonçalves, 2006). Percebe-se, no Brasil, uma forte tendência de as famílias delegarem às escolas parte significativa da formação de seus filhos. O baixo investimento familiar em atitudes que visam ao protagonismo redunda na visão dos jovens de que seu futuro profissional é, em grande parte, dependente do mercado de trabalho (Levenfus & Nunes, 2002b, 2002c, 2002d). ESTILOS PARENTAIS E CONSTRUÇÃO DE PROJETOS VOCACIONAIS Observam-se diversas formas como os pais exercem sua função parental. Além do clima emocional revelado pela linguagem corporal, pelo tom de voz, pelo trato e pelo humor, é possível perceber um conjunto de estratégias utilizadas por eles com o intuito de instruir seus filhos em aptidões acadêmicas, sociais e afetivas em diferentes contextos. Há pais que utilizam predominante-
17 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 27 mente explicações, e outros, punições, recompensas, ameaças e supervisão. Esses diferentes padrões de como os pais manejam aspectos de poder e de apoio emocional na relação com seus filhos foram estruturados em estilos parentais. Baumrind (1966) propôs a existência de três estilos parentais distintos: o estilo autoritário, o estilo autoritativo e o estilo indulgente. Mais tarde, Maccoby e Martin (1983) acrescentaram um novo estilo parental, o negligente, e definiram ainda duas dimensões fundamentais às práticas educativas, a exigência e a responsividade. A exigência inclui as práticas educativas parentais relacionadas com o controle do comportamento dos filhos e o estabelecimento de regras. A responsividade diz respeito às práticas educativas cujos componentes principais são o afeto, a compreensão, o apoio emocional e o desenvolvimento da autonomia. A combinação dessas duas dimensões constitui as quatro variações estilísticas, a saber, autoritativo (exigência e responsividade elevadas), autoritário (exigência elevada e responsividade reduzida), indulgente (exigência reduzida, responsividade elevada) e negligente (exigência e responsividade reduzidas). Percebendo a relação entre estilos parentais e características importantes para o desenvolvimento vocacional, tais como autonomia, autoestima e autoconfiança, alguns pesquisadores buscaram relacionar essas variáveis (Bardagi & Hutz, 2008; Holland, 1958; Hutz & Bardagi, 2006; Kracke, 1997; Koumoundourou, Tsaousis, & Kounenou, 2011; Magalhães et al., 2012; Nichols & Holland, 1963). A seguir, apresentaremos as relações percebidas em cada estilo. Estilo autoritário No estilo autoritário, a autonomia, que é necessária à tomada de decisões, nem sempre se desenvolve. Os pais tentam controlar e modelar o comportamento da criança segundo normas preestabelecidas e rígidas, que normalmente não são explicadas ou discutidas. Obediência e respeito pela autoridade são comportamentos impostos aos filhos e, em situações de conflito, são aplicadas medidas punitivas físicas, castigos ou ameaças. O ambiente emocional criado é caracterizado, via de regra, por frieza, reduzida troca de afeto, distância e ausência de estímulo e de encorajamento. Inibidos nas tentativas de diálogos e negociação das regras impostas, frequentemente os filhos tornam-se pessoas submissas e dependentes, aparentando não se empenharem na conquista de objetivos. Isso resulta, ainda, em pouca desenvoltura em sociedade, baixa autoestima e alto índice de depressão. Com relação à escolha profissional, essas famílias promovem dificuldades (Aunola, Sttatin, & Nurmi, 2000). Pais autoritários tendem a não permitir dúvida ou hesitação na hora da escolha, exigindo tomada de decisão ou criticando eventuais decisões tomadas (Hutz & Bardagi, 2006). Verificando a existência de relações significativas entre interesses vocacionais e estilos parentais, Holland (1958) sugeriu que, em famílias marcadas pelo autoritarismo, os rapazes tendem ao perfil tipológico Realista práticas conservadoras, valorização de aspectos práticos e produtivos, preferência por manipulação de máquinas e ferramentas a relacionamento interpessoal. Em outro estudo, verificou-se a esperada tendência de pais autoritários a estimularem os filhos a realizarem interesses parentais do que os seus próprios, desestimulando desenvolvimento e investimentos em domínios apreciados pelos filhos (Nichols & Holland, 1963).
18 28 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) Em estudo com estudantes gregos, verificou-se que o estilo autoritário impacta na autoimagem e identidade, levando à indecisão de carreira. Filhos de pais autoritários apresentaram dificuldades na tomada de decisão. Apenas as meninas tiveram autoavaliações negativas (elevado neuroticismo, baixa autoestima, baixa autoeficácia geral e locus de controle externo), interferindo na escolha profissional (Koumoundourou et al., 2011). Na região central da Alemanha, Kracke (1997) verificou que o estilo parental autoritário, exigente pela realização das expectativas dos pais, coloca a criança em situação de conformismo nas atividades de educação para a carreira. Apesar de a educação autoritária estar associada a sucesso acadêmico, as pressões para se adequar e cumprir as expectativas dos pais podem causar má adequação entre o indivíduo e a carreira escolhida, além de perturbações da saúde mental e de relações familiares perturbadas (Way & Rossmann, 1996). Estilo autoritativo (democrático) No estilo autoritativo, os pais aplicam as regras e as normas de forma racional, explicando ao filho o motivo de elas existirem. São mais tolerantes, incentivando o diálogo, reconhecendo os interesses do filho, mas também exercem controle e autoridade em situações de conflito ou de comportamento inadequado. Os filhos devem responder às exigências dos pais, mas estes também aceitam responder, tanto quanto possível, aos pontos de vista e às exigências razoáveis dos filhos, que aprendem a negociar e assumir compromissos. Afetuosos, esses pais costumam solicitar a opinião dos filhos, encorajando a tomada de decisões e proporcionando oportunidades para o desenvolvimento das suas aptidões. Ao avaliar a eficácia de cada estilo parental, no que diz respeito a níveis mais elevados de maturidade, assertividade, autonomia, conduta empreendedora, alto índice de competência psicológica e responsabilidade social, vários trabalhos apontam que os resultados mais positivos foram encontrados na educação pelo estilo autoritativo. Níveis de indecisão, ansiedade e depressão, por exemplo, foram encontrados em índices mais baixos nesse grupo, quando comparado a filhos de outros estilos parentais (Hutz & Bardagi, 2006). Outro benefício da educação do estilo parental democrático é favorecer, nos filhos adolescentes, o desenvolvimento de um centro autônomo de avaliação e definição de metas de vida (Magalhães et al., 2012). Além disso, esse estilo parental contribui positivamente para a preparação para a transição da escola para o trabalho (Way & Rossmann, 1996). Com relação a interesses vocacionais, Holland (1958) associou rapazes educados no estilo parental autoritativo ao tipo Investigativo aqueles que tendem a valorizar o desenvolvimento e a aquisição de conhecimentos, a apresentar competências analíticas, técnicas e verbais e interesses por atividades de exploração, compreensão, predição ou controle de fenômenos sociais e naturais. Adolescentes com mais comportamento ativo na busca de informações para a escolha da profissão vêm de famílias com estilo democrático (Faria, Pinto, & Vieira, 2014). Esse comportamento exploratório bem-desenvolvido está associado à promoção de independência oferecida por essas famílias (Kracke, 1997).
19 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 29 Estilo indulgente (permissivo) No estilo indulgente, os pais mostram-se muito receptivos aos desejos dos filhos e pouco exigentes na aplicação de normas ou regras. Tolerantes, também não impõem limites e punições, exercendo pouco controle sobre o comportamento dos filhos, que, não raro, comportam-se de modo inadequado, causando problemas. Sem um agente responsável por direcionar seu comportamento, as crianças vivem sem regras básicas, como horários para refeições, ver televisão, utilizar o computador, dormir. Pais indulgentes não exigem comportamentos relacionados à boa educação ou ao cumprimento de tarefas, deixando que os filhos se autorregulem e tomem suas próprias decisões. Esse estilo parental caracterizado pela permissividade e pela baixa exigência revela-se pouco acessível à satisfação dos interesses das crianças, no que diz respeito a pessoas e objetos (Kracke, 1997). Pais indulgentes, assim como os autoritativos, encorajam a exploração e a autorregulação e confiam na capacidade dos filhos. Provavelmente, esse fator influencia a autoestima. Entre todos os estilos pesquisados, os adolescentes brasileiros de famílias indulgentes apresentaram os escores mais elevados em medidas de autoestima (Martinez, García, & Yubero, 2007). Percebeu-se, também, baixa instabilidade de metas em filhos do estilo materno indulgente. Esse grupo obteve a média mais baixa de instabilidade de metas, entre outros grupos pesquisados, sendo até mesmo inferior, embora muito similar às médias parentais do estilo autoritativo (Magalhães et al., 2012). A diferença principal relacionada a filhos de pais autoritativos é a de que os filhos de pais indulgentes são mais imaturos, agressivos e, além de apresentarem problemas de comportamento, têm baixo envolvimento escolar (Aunola et al., 2000). Estilo negligente Nem afetivos, nem exigentes, nem responsivos ou compreensivos, pais negligentes tendem a manter distanciamento dos filhos, respondendo apenas às suas necessidades básicas ou atendendo a solicitações com o intuito de cessá-las imediatamente. Centrados em si mesmos, pais negligentes quase não se envolvem na socialização da criança, não supervisionando o seu comportamento. A ausência de contenção, de educação social e de orientação promove o aprendizado da manipulação do mundo exterior por parte das crianças. O estilo parental negligente pode incluir a negligência abusiva, com violência e maus-tratos sem satisfação de necessidades básicas. Neste estudo, reunimos as características apenas das famílias que não assumem integralmente seus papéis de pais. Nessas famílias, as relações afetivas pobres promovem distanciamento em longo prazo, podendo até vir a desaparecer, restando uma mínima relação funcional entre pais e filhos. Sendo uma força constante, tende a separar gerações, incluindo os avós. Sem investimento na autoconfiança, filhos de pais com estilo negligente tendem a ter baixa segurança em sua própria capacidade de escolha (Anoula et al., 2000; Hutz & Bardagi, 2006). Além disso, o estilo negligente na tomada de decisões interfere negativamente no desenvolvimento de prontidão para a transição da escola para o trabalho, com baixa definição de diretrizes e interesses (Way & Rossmann, 1996). São os adolescentes desse tipo de família que apresentam as maiores dificuldades para estabele cer metas na vida (Magalhães et al., 2012).
20 30 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) QUADRO 2.1 Comparativo entre estilos parentais e construção vocacional Autoritativo democrático Filhos aprendem a negociar e a assumir compromissos Pais encorajam a tomada de decisões e geram oportunidades para o desenvolvimento de aptidões Maior maturidade, assertividade, autonomia, conduta empreendedora e responsabilidade social Mais competência psicológica Centro autônomo de avaliação e definição de metas Rapazes tendem ao tipo Investigativo (Holland) Maior independência e comportamento exploratório MUITO APOIO Indulgente permissivo Pais encorajam a exploração e autorregulação Pais confiam na capacidade dos filhos Escores elevados em medidas de autoestima Baixa instabilidade de metas Maior imaturidade Maior agressividade e mais problemas de comportamento Baixo envolvimento escolar MUITO CONTROLE Autoritário Pouca autonomia e dificuldades para a tomada de decisões Filhos submissos e dependentes com baixo empenho na conquista de objetivos Pouca desenvoltura em sociedade Baixa autoestima Alto índice de depressão Rapazes tendem ao tipo Realista (Holland) Maior sucesso acadêmico, mas com má adequação entre o indivíduo e a carreira escolhida POUCO CONTROLE Negligente Pouco envolvimento na socialização dos filhos Filhos tendem à manipulação do mundo exterior Não há investimento na autoconfiança Baixa segurança em sua capacidade de escolha Baixa definição de diretrizes e interesses Baixa prontidão para a transição da escola para o trabalho Mais dificuldade para estabelecer metas Maiores níveis de ansiedade generalizada Menor competência social e cognitiva Baixa exploração vocacional POUCO APOIO Filhos de pais negligentes tendem, também, a apresentar níveis maiores de ansiedade generalizada, menor competência social e cognitiva e baixa exploração vocacional (Hutz & Bardagi, 2006; Vignoli, Croity-Belz, Chapeland, Fillipis, & Garcia, 2005). IMPACTO DA CONDIÇÃO DE EMPREGO/DESEMPREGO DOS PAIS NA INDECISÃO VOCACIONAL Estudos realizados para observar a condição parental no quesito emprego/desemprego apontaram que essa condição é uma va riável, capaz de influenciar a escolha, o compromisso e a execução dos planos de carreira dos filhos (Faria, 2013; Gonçalves, 2006; Sobral, Gonçalves, & Coimbra, 2009). O desemprego, funcionando como crise no seio da família, é capaz de gerar possíveis sentimentos de incerteza e medo do desconhecido. Quando os filhos vivenciam tentativas infrutíferas de recolocação por parte dos pais, desenvolvem ansiedade diante da percepção de falta de controle nesse domínio, afetando a autoestima
21 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 31 e a confiança em si mesmos e no sistema econômico. Uma visão mais pessimista do mundo do trabalho pode se instalar, diminuindo suas aspirações e oportunidades futuras (Schliebner & Peregoy, 1994 apud Sobral et al., 2009). Em uma amostra com 321 adolescentes portugueses, Faria (2013) constatou que os filhos de pais desempregados manifestavam, significativamente, crenças mais negativas acerca do mercado de trabalho, menos comportamento exploratório e reações afetivas mais negativas do que os demais, redundando em níveis mais elevados de indecisão vocacional. Outros estudos apontaram que filhos de pais desempregados apresentam menos investimento vocacional, com menos comportamento exploratório e tendem mais a excluir opções do que filhos de pais empregados. Percebeu-se uma ausência de investimento ou a realização sem existência prévia de exploração. Quando realizam projetos, em geral, estes são outorgados por outras pessoas significativas. Já os filhos de pais empregados, por sua vez, manifestam significativamente mais comportamentos de investimento vocacional do que os outros (Sobral et al., 2009). Expectativas de sucesso, tais como ser bem-sucedido e ter crença de satisfação profissional no futuro, foram significativamente mais elevadas em filhos de pais empregados do que desempregados, em estudo desenvolvido por Cinamon, em 2002 (Sobral et al., 2009). Percebeu-se, também, que, além de apresentarem maior comportamento exploratório, os filhos de pais empregados apresentam uma tendência a sentir maior grau de satisfação com a informação obtida sobre as profissões, os empregos e as organizações mais relacionadas com os seus interesses e suas habilidades e menor estresse no processo de tomada de decisão (Faria, 2013). Sendo evidentes a dificuldade e os prejuízos no processo de construção de carreira por parte de jovens cujos pais se encontram em situação de desemprego, torna-se necessário observar essa questão e intervir de forma diferenciada, a fim de minimizar crenças limitadoras. Intervenções em conjunto com a família serão sempre bem-vindas. É importante trabalhar percepções acerca do próprio indivíduo (autoeficácia, autoestima, interesses, habilidades, valores) e do contexto socioeconômico e cultural que o cerca, da forma mais realista possível. QUADRO 2.2 Comparativo entre filhos de pais desempregados e empregados com relação ao comportamento vocacional Filhos de pais desempregados Menor grau de investimento vocacional Maior tendência para a ausência de exploração Tendência para a realização de investimentos sem a existência prévia de exploração Tendência para a realização de projetos outorgados por outros significativos Expectativas de sucesso mais baixas Visão mais pessimista do próprio futuro profissional Crenças mais negativas no mercado de trabalho Níveis mais elevados de indecisão vocacional Filhos de pais empregados Expectativa de sucesso Crença de satisfação profissional no futuro Comportamento de investimento vocacional Maior confiança e crença de autoeficácia Maior confiança no mercado de trabalho
22 32 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) IMPACTO DA INDIFERENCIAÇÃO NA INDECISÃO VOCACIONAL Observamos, na prática em processo de Orientação Vocacional Clínica, que adolescentes com vínculo simbiótico apresentam- -se com muitas dificuldades na construção da carreira, já que, nessa situação, encontra-se comprometido o estabelecimento da identidade pessoal (Levenfus & Nunes, 2002d; Penick & Jepsen, 1992). Para que a família promova a tomada de decisão vocacional, é necessário que permita a diferenciação de cada um dos seus membros rumo à autonomia. Famílias aglutinadas, com baixos níveis de diferenciação, dificultam os processos de decisão, porque os sujeitos têm dificuldades em diferenciar as suas expectativas vocacionais das expectativas parentais (Zingaro, 1983 apud Gonçalves, 2006). Jovens simbiotizados ou membros de famílias emaranhadas apresentam baixo comportamento exploratório e muita desinformação acerca das carreiras. Parecem incapazes de perseguir interesses que envolvem lugares e pessoas de fora da família. Além disso, apresentam pouco autoconhecimento, com dificuldade de identificar interesses que não sejam os de seus pais (Levenfus & Nunes, 2002d; Way & Rossmann, 1996). Em uma pesquisa realizada por Levenfus e Nunes (2002d), jovens com vínculo simbiótico foram comparados a jovens com perda de um dos pais, a jovens com pais separados e a jovens sem nenhuma dessas peculiaridades, com relação à escolha vocacional. De todos os grupos examinados, os jovens com dificuldades na resolução do vínculo simbiótico apresentaram os seguintes diferenciais: Verbalizações pobres em quantidade e conteúdo. Conteúdo caracteristicamente de cunho concreto, com pouco desenvolvimento simbólico. Relatos de muita indecisão, dúvida e confusão quanto às classificações afetivas que fazem das carreiras. Menor comportamento exploratório e muito baixa qualidade na descrição das profissões que dizem conhecer. Exploração encerrada no núcleo familiar. Histórico de doenças respiratórias e o desejo de cursar medicina pela identificação com o papel de cuidador. Autoimagem de doença e fragilidade pode responder pela tendência do grupo em classificar as profissões como leves ou pesadas, preferindo as leves. Autoconceito relacionado a emotividade, timidez e ansiedade, que produzem associações de mau desempenho profissional do sujeito, gerando sentimentos de incompetência. Para que esses jovens possam se desenvolver com autonomia, é necessária uma intervenção junto ao núcleo familiar. IMPACTO DA PERDA DE UM DOS PAIS NA INDECISÃO VOCACIONAL Em mais de mil casos atendidos em orientação vocacional clínica, por busca espontânea, chamou-nos a atenção que, na história de vida de 11% dos adolescentes atendidos, havia perda por morte do pai ou da mãe. Como tal fato se mostra incomum na população geral, já que, nessa idade, em geral cita-se a perda dos avós, e não dos pais, investigamos as características dessa população com relação à construção da carreira (Levenfus & Nunes, 2002b). Comparados aos jovens com dificuldades na resolução do vínculo simbiótico, filhos de pais separados e jovens sem nenhuma dessas peculiaridades apresentaram os seguintes diferenciais: A perda parental, vivenciada como algo inesperado, sofrido e classificado co-
23 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 33 mo traumático, provoca uma significativa dispersão de energia psíquica que poderia ser investida na tarefa da escolha. Em grande parte dos casos de jovens indecisos com perda parental, havia ambivalência manifesta com relação ao ente perdido, dificultando a elaboração do luto. Lembranças negativas do morto mesclavam-se a aspectos idealizados, por exemplo. Pessimismo sobre circunstâncias atuais e futuras, desesperança e perda de propósito na vida. A falta do pai é sentida como fator limitante para o ingresso no mercado de trabalho. Baixa autoestima, sentimentos de inadequação, incompetência e fracasso. Dúvidas a respeito de sua capacidade para se desempenhar bem profissionalmente. Tendência a buscar profissões identificadas com o gênero do morto. Por exemplo, menina interessada em cursar engenharia elétrica e menino interessado em hotelaria (verbalizara atividades da mãe falecida como dona de casa, cuidadora da rotina do esposo e quatro filhos). Dificuldades em elencar preferências, tendendo a identificar somente o que não gosta, apontando pontos negativos das carreiras, escolhendo por eliminação e com sentimentos de que nada o atrai. Em vista da importância do evento da perda parental e dos aspectos observados, salientamos a importância da avaliação do impacto deste sobre a construção de carreira, a fim de resgatar a energia psíquica necessária para investir na tarefa da escolha. IMPACTO DA SEPARAÇÃO DOS PAIS NA INDECISÃO VOCACIONAL A noção de família nuclear, aceita até a metade do século XX, sofreu inúmeros rearranjos, permitindo novas configurações. Embora se perceba uma crescente aceitação social e política, as novas organizações familiares têm mostrado seu impacto no que diz respeito à construção de carreira de jovens, quando comparados à configuração nuclear. Na adolescência, as áreas do desenvolvimento, como aspirações profissionais, valores do papel sexual, autoconceito e sentimentos de competência e realização, podem ser influenciadas pela ruptura familiar (Barber e Eccles, 1992 apud Magagnin, Barros, Busetti, & Bertoletti, 1997). Esses mesmos autores destacam que famílias sem o pai são consideradas incompletas e contribuem para uma autoestima baixa. A pouca convivência com o pai em adolescentes filhos de casais separados mostrou ter efeito importante sobre a instabilidade de metas, afetando negativamente a capacidade de defini-las e de se comprometer com elas (Magalhães et al., 2012). No que diz respeito à indecisão de carreira, Scott e Church (2001 apud Almeida & Melo-Silva, 2001) observaram que adolescentes provenientes de grupos familiares com histórico de divórcio demonstravam menos recursos para tomar decisões do que adolescentes provenientes de grupos familiares mais estáveis. Comparados aos jovens com dificuldades na resolução do vínculo simbiótico, jovens com perda parental e jovens sem nenhuma dessas peculiaridades, os filhos de pais separados apresentaram os seguintes diferenciais (Levenfus & Nunes, 2002c): Tendência a idealizar as profissões, percebendo apenas suas boas qualidades e desprezando a percepção das partes que desvalorizam, retratando uma inclinação a se relacionar de forma dissociada com o objeto. Comportamento evitativo quanto à tomada de decisão, referindo não estarem preparados ainda, percebendo como ce-
24 34 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) do para fazê-lo. Essa atitude é contraditória em relação a seus constantes apontamentos a respeito das profissões que lhes interessam. Forte temor em escolher errado. É notória e direta a relação que o grupo faz entre o medo de ter de mudar sua escolha profissional e a vivência do casamento falido que, segundo eles, constituiu-se em uma má escolha conjugal por parte dos pais. Explicitam de forma imperativa a ideia de que, para realizar determinada escolha, é preciso gostar do objeto. Impressões negativistas a respeito do mercado de trabalho. Acreditam ser importante gostar da carreira a ser escolhida, mas manifestam sentimentos de angústia pela crença de ser impossível conciliar o gosto com o mercado. É o único grupo que faz referências exclusivamente positivas ao seu autoconceito, inclusive relacionando-as com êxito nas tarefas esperadas pela profissão. Esse aspecto é contraditório em relação ao temor pelo mercado de trabalho. Nesse grupo, os sujeitos demonstram pensar que ser filhos de pais separados os coloca em vantagem. Acham que os filhos de pais separados têm mais iniciativa, responsabilidade e determinação. Representação desvalorizada da figura paterna como um ser ausente e irresponsável. Em contrapartida, a mãe é vista como uma figura heroica e salvadora, capaz de criar sozinha os filhos. As adolescentes filhas de casais separados apresentam preocupação quanto ao futuro, fazendo projetos para que sua profissão seja capaz de lhes garantir o sustento pessoal e de seus filhos, como se estivessem prevendo um futuro de separação semelhante ao de seus pais. O grupo manifestou falta de confiança generalizada, sendo enfático em afirmar que não é possível confiar nos outros, que estes acabam faltando com sua parte nas obrigações. Essa conclusão está baseada na experiência negativa das mães que não puderam contar com o ex-marido para prover seu sustento e o dos filhos. Preferem imaginar-se como autônomos. Ao se projetarem em trabalhos em equipe, imaginam-se em posições de controle e liderança. Os adolescentes desse grupo fazem relações entre casamento e profissão: pensam que, assim como no casamento, na profissão é preciso que a pessoa aprenda a se relacionar bem com os demais sob o risco de não conseguir estabilizar-se; acreditam que o casamento, assim como a profissão, deveria ser escolha para a vida toda e que uma escolha profissional mal feita afetará o resto da vida do sujeito. Fazem a associação de que a má escolha conjugal dos pais pode se refletir na insegurança na hora de decidir pela profissão. Comportamento de busca ativa por informações, mas com apoio de elementos pouco consistentes: informações mínimas, geralmente distorcidas, idealizadas ou estereotipadas. Impossibilidade de escolha de determinados cursos ou universidades em vista da dificuldade financeira vivenciada a partir da separação. É perceptível que o evento da separação dos pais provoca um viés atencional sobre a escolha profissional. Trabalhar as distorções e crenças produzidas por esses jovens é de fundamental importância para que o processo de orientação de carreira atinja seus objetivos.
25 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 35 A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NO PROCESSO DE ORIENTAÇÃO DE CARREIRA DOS FILHOS Frequentemente nos deparamos com intervenções nas quais a temática da influência parental não é investigada ou é abordada apenas pela ótica do orientando. Trabalhar com os jovens orientandos a questão dos desejos dos pais, suas expectativas e seus temores sempre é importante, mas nem sempre eficaz. Em famílias disfuncionais ou em adolescentes comprometidos emocional ou cognitivamente, finalizar um atendimento sem abordar de forma conjunta a família equivale a abandoná-lo. Sem que os pais tenham acesso ao caminho percorrido, à compreensão de quem é seu filho, ao modo como podem ajudá-lo ou como suas ansiedades podem estar atrapalhando em vez de ajudando, todo o trabalho poderá ser perdido. Dependendo do contexto, a família poderá participar de diferentes maneiras. No contexto escolar e universitário No contexto escolar, nem sempre os pais comparecem aos chamados grupais, para palestras, por exemplo. Ainda assim, é um momento válido. Em nossa experiência com palestras para pais e filhos intituladas Escolha a profissão com seu filho ou Faça o vestibular com seu filho, percebemos pais e filhos trocando olhares cúmplices, cutucando uns aos outros, rindo dos exemplos apresentados de como ocorrem as influências. Ao se identificarem com o conteúdo apresentado, saem com um canal de comunicação aberto para retomarem o tema no seio da família. Tema que, não raro, não era conversado por não estar explicitado, por não ter nome. A mensagem é clara no sentido de validar que pais que amam seus filhos esperam o melhor para eles, mas que nem sempre o melhor pensado pelos pais é o melhor pensado pelos filhos. Também é importante apontar aos pais as ansiedades provocadas pelas novas profissões e suas tendências a se agarrar às tradicionais e conhecidas profissões que lhes despertam segurança, instigando-os à exploração. Nem todos os pais, no entanto, posicionam-se claramente com relação às suas expectativas. Muitos se comportam de maneira silenciosa, respeitando decisões dos filhos, afirmando apoiar qualquer escolha. O problema surge quando essa posição revela dificuldade em dizer o que pensam, estabelecer limites, interagir, participar e conversar. Escolas que são exitosas em oferecer reuniões de grupos podem aprofundar bastante esse tipo de trabalho com os pais demandantes. Estar em grupo ajuda a compartilhar dúvidas, conflitos e ansiedades, proporcionando crescimento individual. Ao reconhecer suas dificuldades e compreender o momento do filho, os pais podem passar a um posicionamento assertivo. Alguns pesquisadores, como Way e Rossmann (1996), apontam que os padrões de relacionamento familiar diário são importantes marcadores no desenvolvimento de carreira dos filhos, já que eles constroem sua identidade e suas crenças sobre o trabalho a partir da convivência. Dessa forma, propõem não apenas que conselheiros e educadores de carreira mudem o foco do individual para o sistema familiar, mas que a escola envolva os pais desde cedo e auxilie as famílias a se tornarem proativas e a adotarem estratégias de aprendizagem que promovam a prontidão de carreira. Algumas intervenções podem ser realizadas apenas com os pais, na forma de consultoria. No Serviço de Consulta Psico-
26 36 Rosane Schotgues Levenfus (Org.) lógica Vocacional, no Centro de Orientação Vocacional e Formação ao Longo da Vida, da Universidade do Porto, em Portugal, a consultoria parental para o desenvolvimento vocacional dos filhos é uma das modalidades de intervenção. Essa intervenção visa a capacitar os pais a lidar diretamente com as tarefas do desenvolvimento dos seus filhos, sendo o vocacional uma delas. As sessões com os pais abrem reflexões acerca dos problemas atuais do mundo do trabalho, tais como o desemprego, a globalização da economia, a evolução científica e tecnológica e as novas formas de organização do trabalho. Propõem-se também reflexões aprofundadas sobre mitos, crenças, valores, atitudes, modelos e outras representações relacionadas ao desenvolvimento vocacional dos filhos (Gonçalves & Coimbra, 2007). O Serviço de Consulta Psicológica Vocacional da Universidade do Porto também oferece inserção dos pais no atendimento individual ou grupal dos filhos. Compreende-se que a sua participação deve ocorrer nas seguintes situações: na entrevista inicial, quando se clarifica objetivos, se trabalham questões relativas aos testes utilizados, ao papel do psicólogo, do orientando e dos pais; no momento de exploração vocacional, no qual os pais devem colaborar em atividades diretas, proporcionando contatos e experiências; ao longo do processo de intervenção, no acompanhamento interessado, apoio logístico e participação em atividades para as quais possam vir a ser solicitados; e na entrevista final, quando se realiza o balanço e a avaliação da intervenção, formando novos compromissos de apoio (Gonçalves & Coimbra, 2007). No contexto clínico Há pelo menos 15 anos não realizamos nenhum processo de orientação profissional sem contar com a participação da família. Tal participação é comunicada desde o primeiro contato, mesmo por telefone, no momento da marcação da primeira consulta. Iniciamos todo o processo apenas com o orientando. A família é recebida na finalização do atendimento. Em raras exceções, quando pais demandam atendimento inicial, assim é feito. Essas situações atípicas ocorreram em alguns casos psiquiátricos, em abusadores de drogas ou em deficientes cognitivos. A consulta com a família inclui apenas o orientando e seus pais. Raramente inclui irmãos ou outro membro. Mesmo em caso de pais separados, sempre que possível, reunimos todos na mesma consulta. Apenas em situações de litígio, com problemas importantes de relacionamento, as consultas são realizadas em separado. Ao iniciar o atendimento, procuramos ouvir o que a família já conversou sobre o processo que estava em andamento. Curiosamente, muitas não haviam conversado nada. Então, é promovido esse espaço. Pais são ouvidos a respeito de suas expectativas, seus temores, suas discordâncias; a respeito do que imaginavam que o filho escolheria; do que desejavam, etc. Muitas vezes, o encontro é tranquilo, e a família vai entrando em acordo, e o filho sai bastante amparado e compreendido em sua decisão. No entanto, ocorrem situações em que um dos pais, ou ambos, discordam da escolha. É preciso investigar a fundo os motivos. Há temores com relação ao mercado de trabalho que, muitas vezes, encobrem temores relacionados à incapacidade do filho para desempenhar bem. Há preconceitos e falta de informações. Há sonhos que não serão realizados. Há competição entre familiares com relação à carreira escolhida pelos filhos. É preciso desatar todos os nós. Em nossa experiência, por receber, também, orientandos com muitas dificuldades, que já trocaram de curso mais de uma vez, que já passaram por orientação profissional nas suas escolas ou em alguma uni-
27 Orientação vocacional e de carreira em contextos clínicos e educativos 37 versidade e continuaram com problemas na tomada de decisão, não raro avaliamos a presença de algum fator concorrendo para que a dificuldade torne-se tamanha. Nesses casos, é necessário realizar algum encaminhamento, que será feito em conjunto com a família. A situação já estava trabalhada com o orientando, e tudo o que for conversado com a família é de comum acordo, preservando o sigilo daquilo que estiver fora do foco. Às vezes, a família já percebia alguma dificuldade, mas não sabia da sua importância. Em outras, nada era percebido. Algumas vezes a família já havia buscado ajuda sem sucesso. Em alguns casos, a problemática já é tratada, e, inclusive, o orientando é encaminhado por outro profissional. Exemplos de situações que podem inviabilizar o sucesso da orientação de carreira se não houver encaminhamentos são: disfunção executiva, TDAH, transtorno do humor, déficit cognitivo, fobia social. Não nos resta a menor dúvida do ganho enorme que os jovens e sua família têm ao compartilhar a orientação. Alguns colegas também defendem essa posição. Lima e Ramos (2002) há muito inseriram a família no seu programa de orientação. No esquema de atendimento montado por elas, a entrada dos pais é destinada aos menores de idade e é prevista em três momentos: na entrevista de seleção, no primeiro e no último encontro. A entrevista de seleção realizada por Lima e Ramos (2002) coleta dados e informa a respeito do atendimento de forma básica, a fim de averiguar a demanda e encaminhar para atendimento individual ou grupal. No primeiro encontro, a tarefa conjunta com pais e orientando foca-se na história familiar profissional, nos valores, nas expectativas e nos projetos. Tais depoimentos enriquecem a bagagem do orientando, que, muitas vezes, nunca havia tido contato com tal conteúdo e fornece subsídios para o orientador atuar durante o processo. No último encontro, a família recebe uma documentação do processo, com parecer evolutivo, são retomadas as considerações iniciais e feitos os encaminhamentos se necessário. Em nossa experiência, convidamos a família a participar mesmo quando o filho é maior de idade. Não raro, atendemos jovens na faixa dos 20 anos de idade, com abandonos de curso e que estão ainda muito confusos. Como, na maioria das vezes, são dependentes economicamente, além de manterem vinculação afetiva, tal convite é aceito de bom grado, tanto da parte do orientando quanto de seus pais. REFERÊNCIAS Almeida, F. H., & Melo-Silva, L. L. (2011). Influência dos pais no processo de escolha profissional dos filhos: Uma revisão da literatura. Psico USF, 16(1), Aunola, K., Sttatin, H., & Nurmi, J. (2000). Parenting styles and adolescents achievement strategies. Journal of Adolescence, 23(2), Bardagi, M. P., & Hutz, C. S. (2008). Apoio parental percebido no contexto da escolha inicial e da evasão de curso universitário. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 9(2), Bardagi, M. P., Lassance, M. C. P., & Teixeira, M. A. P. (2012). O contexto familiar e o desenvolvimento vocacional de jovens. In M. N. Baptista, & M. L. M. Teodoro (Orgs.), Psicologia de família: Teoria, avaliação e intervenções (pp ). Porto Alegre: Artmed. Baumrind, D. (1966). Effects of authoritative control on child behavior. Child Development, 37, Bryant, B. K., Zvonkovick, A. M., & Reynolds, P. (2006). Parenting in relation to child and adolescent vocational development. Journal of Vocational Behavior, 69(1), Carvalho, M., & Taveira, M. C. (2009). Influência de pais nas escolhas de carreira dos filhos: Visão de diferentes atores. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 10(2), Faria, L. C. (2013). Influência da condição de emprego/desemprego dos pais na exploração e indecisão vocacional dos adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, 26(4), Faria, L. C., Pinto, J. C., & Vieira, M. (2014). Estilos educativos parentais e exploração vocacional: Diferenças entre sexo e ano de escolaridade. Revista de Psicologia, Educação e Cultura. Recuperado de
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