Trânsito de potências
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- Caio Brás Gesser
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1 Trânsito de potências Exemplo Considerar o sistema da figura e respectivos dados (notar que em 2 e não há carga). O despacho atribuiu ao barramento 2 (V) uma produção de 120 MW, ficando o barramento 1 como barramento de compensação e referência. Os restantes barramentos são Q. Nas páginas 2 e, apresentam-se os resultados de um estudo completo de trânsito de potências realizado com o método de Newton-Raphson. Notar, por exemplo, a verificação da lei dos nós para as potências activas e reactivas e a possibilidade de calcular as perdas totais de duas formas (no quadro 4, por soma das perdas nas linhas, e no quadro 2, por diferença entre produção e carga totais). Interpretar o facto da potência reactiva (quadro ) ser maior na recepção em algumas linhas. Reparar nos valores da fase das tensões (quadro 1) e relacionar as diferenças de fase com o sentido do trânsito de potência activa. Nas páginas 4 e 5, apresenta-se o estudo simplificado do mesmo sistema com o modelo linearizado (DC). Reparar que apenas se conseguem tirar conclusões sobre potências activas e fases das tensões, mas verificar que se obtém, para essas variáveis, uma boa aproximação aos valores exactos (comparar com quadros 1 e 2). Cargas Linhas Barra MW Mvar Nm Nj (km) r (Ω/km) x (Ω/km) y/2 (ms/km) Tensões Transformador V 1 = 1.02 pu Nm Nj MVA V p /V s (kv) x f (%) V 2 = 1.0 pu /
2 Quadro 1 Tensões nos barramentos, em módulo (kv) e fase Correntes nas linhas e transformador (A) Obs: Notar que, no transformador, há duas correntes, relacionadas pela razão de transformação. Quadro 2 Trânsito de potências activas (MW) 2
3 Quadro Trânsito de potências reactivas (Mvar) Quadro 4 erdas activas (kw)
4 Uso do modelo linearizado Verifica-se, da análise dos dados, que as aproximações inerentes ao modelo são razoáveis neste caso. Considerando S b = 100 MVA, V b1 =220 kv, V b2 =60 kv, obter-se-ia o seguinte esquema em p.u., onde os valores nas linhas são as respectivas reactâncias e os valores nos barramentos são produções e consumos (notar que não há perdas): 1, 1,2 ~ ~ ,0 0,5 0,05 zona 1 zona 2 0,9 0, ,04 Reparar que: Z b1 = = 484 Ω, Z b2 = = 6 Ω, x f = 0, 1 = 0, oder-se-ia agora utilizar o modelo linearizado para obter os valores das fases das tensões e o trânsito de potência activa, construindo a matriz B' (6x6) e resolvendo o sistema de equações =B'.θ, depois de fazer θ 1 =0. E seria essa certamente a opção a seguir numa resolução computacional. Note-se, no entanto, que já se conhecem alguns trânsitos de potência nas partes radiais (ou seja, sem malhas) do sistema: 24 = 0,5 pu 56 = pu 5 = 0,9 + = 1,0 pu elo que podemos reduzir a dimensão do sistema a analisar, sem perda de informação, representando estes trânsitos como consumos dos nós 2 e. Ter-se-á, então: 1, 1, ,0 0,05 0,5 1,0 4
5 Cálculo das fases 1, 1, 0 0, = 1, 2 0, 5 = 0, 7 0 1,0 1, B ' = matriz singular e simétrica { } Fixando agora θ 1 = 0, e eliminando a primeira equação do sistema = B'. θ, virá: B ˆ θ ˆ ˆ ' =. 0, θ 2. 1, 0 = 20 0 θ A resolução do sistema permite obter os valores de θ 2 e θ : ˆ ˆ' 1 ˆ θ = B. Radianos Graus θ 2 0,06 0,04 0,7 0, ou θ = = 0,04 0,06 1,0 0,02 1,8 que eram as fases procuradas. Cálculo do trânsito de potências Conhecidos os valores das fases, podem calcular-se: θ θ 0 0, = = = pu 0, 02 ( 2 MW) 2 ( ) 0 0, 02 1 = = 0.2 pu 2 M ( ) ( W) 0,002 0,02 = = 0, 68 pu 64 0,05 ( MW) 5
6 Fica assim definido o trânsito de potências activas na rede (em MW): ara completar a resolução, faltaria calcular as fases nos barramentos 4, 5 e 6, que não forma considerados devido à simplificação efectuada. No cálculo usamse as expressões linearizadas do trânsito de potências como equações: θ θ θ rad = 0,5 = 4 = 0,048 ( 2,65) 0,02 θ 0, 0667 rad = 1,0 = θ5 = 0,0987 ( 5,65) 0, 0987 θ 0,04 rad = = θ6 = 027 ( 5,88) Fica assim completa a resolução do problema com o modelo linearizado. Repare-se que a resolução sistemática (sistema 6x6) conduziria exactamente aos mesmos resultados, Uso da matriz de sensibilidades (rede emalhada) ara obter directamente o trânsito de potências nas linhas a partir das potências injectadas nos barramentos, há vantagem em usar-se a matriz de sensibilidades. Como se sabe, parte-se da inversa de Bˆ ', designada por Z': 6
7 (2) () 0, 06 0, 04 (2) Z ' = 0, 04 0, 06 () A (1 2),2 A (1 2),2 (...) 0 0,06 = = 0,6 0 0,04 = = 0, 4 0,04 0,06 A(2 ), = = 0, 4 0,05 ou seja : = A. ˆ L 0,6 0, , 4 0,6 =. A. = 2 0, 4 0, 4 0,7 1, 0 e tal como atrás: 12 0,02 1 0,2 = 2 0,68 A utilidade da matriz de sensibilidades não se resume a efectuar rapidamente os cálculos anteriores. Na verdade, os sinais dos elementos da matriz dão já indicações qualitativas sobre a influência nas linhas das variações de potência nos nós, sendo fácil ver, no exemplo, que o aumento de 2 faz diminuir 12 e 1 (sinal negativo nas duas primeiras linhas da primeira coluna da matriz) e aumentar 2 (sinal positivo). É possível, no entanto, ir mais além, e definir acções de controlo, por exemplo para evitar ultrapassar os limites térmicos de uma linha. Imagine-se, no exemplo, que se pretendia limitar o trânsito de potência activa na linha 2- a 0,6 p.u., em vez do valor actual de 0,68. Tem-se: 2 = 0,4 2-0,4 e, fixando 2 =0,6 como pretendido e mantendo =-1,0 (visto ser uma carga), 0,6 = 0,4 2-0,4.(-1,0) o que daria 2 =(0,6-0,4)/0,4=0,5 em vez dos 0,7 actuais (claro que se passaria necessariamente a ter 1 =0,5). Um cálculo alternativo procuraria as diferenças em relação à 7
8 situação actual, usando a mesma equação: 2 = 0,4 2-0,4-0,08 = 0,4 2 2 = -0,2 Ou seja, 2 terá que diminuir 0,2 para se reduzir de 0,08 a potência que transita na linha 2-. ara terminar, saliente-se que todas as alterações a 2 e 1 correspondem a modificações no despacho, ou seja, na especificação das potências activas produzidas, uma vez que as cargas se consideram variáveis independentes. 8
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