ESCOLA POLITÉCNICA DA USP
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- Vinícius Osório Campos
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1 ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Departamento de Engenharia Hidráulica DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP PHD 2537 ÁGUAS EM AMBIENTES URBANOS Trabalho prático: Drenagem Urbana Sustentável. Nome Número USP Hugo Kenji inatomi Raquel Nascimento Professor Kamel Zahed Filho
2 Conteúdo 1. Introdução: objetivos e justificativa O problema das inundações urbanas Mecanismos e utilização da drenagem urbana sustentável...8 a. O programa de incentivo do governo: PROGRAMA DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL...8 b. O preparo do solo:...8 c. A Bio-retenção:...8 d. Poço de Infiltração:...9 e. Planos de Infiltração:...11 f. Proteção Natural:...12 g. Espalhador de nível:...12 h. Trincheiras de infiltração:...12 i. Valos de infiltração:...13 j. Barris de chuva:...13 k. Pavimentos permeáveis:...15 l. Telhados verdes: Adoção das melhores práticas: exemplos de sucesso...17 a. O aproveitamento de espaços públicos: o caso de Curitiba...17 b. A integração dos serviços de saneamento ambiental: O caso de Santo André...18 c. O uso de tecnologias mais sustentáveis...18 d. O uso de elementos permeáveis...19 e. Reservatório de detenção e retenção...19 f. A prática do orçamento participativo...19 g. A implantação de sistemas de alerta As dificuldades de implantação das iniciativas no Brasil Conclusão Bibliografia
3 1. Introdução: objetivos e justificativa A incessante busca por melhoria na prática da engenharia voltada ao meio ambiente tem ocasionado o surgimento de diversos conceitos no âmbito da sustentabilidade. São muitos os especialistas que defendem a tese de que, as antigas soluções ensinadas na engenharia do século passado não são mais robustas o suficiente para resolver os problemas do novo século. Isso ocorre basicamente, pois, atualmente, resolver os problemas das áreas urbanas somente não é o suficiente. Deve-se pensar de forma a englobar todo o processo e o ciclo de vida dos recursos disponíveis, considerando-o como vários processos que possuem uma forte ligação entre si e assim entender que certas medidas ou problemas irão se estender e se propagar por diversos ciclos, muitas vezes possuindo um nível complexo de compreensão. Além da necessidade de se proteger os recursos utilizados, é obrigação não só dos órgãos governamentais como da própria população garantir às gerações futuras a possibilidade da utilização desses recursos. Surge desta forma, portanto, a necessidade de abordar e entender todos os problemas relacionados aos recursos naturais e assim encontrar soluções sustentáveis para eles. Um dos maiores problemas observados atualmente nas grandes cidades são as mudanças climáticas repentinas e a forma com a qual o resultado destas mudanças vem afetando o planeta e a vida da população. As chuvas intensas que causam enchentes e trazem tantos problemas às cidades atualmente vem causando grande repercussão, principalmente por ser um problema tão próximo e que afeta tantas pessoas. A intensidade dos impactos causados por estas enchentes afeta a vida das pessoas de forma diferente. Contudo, essa interferência é sentida pela população inteira, seja de forma direta ou indireta. Exemplos disso são grandes congestionamentos, a perda de bens materiais e vidas humanas, além de vários outros motivos. Para se ter idéia da magnitude dessa ocorrência, basta observar que a grande maioria das pessoas que vivem em um ambiente urbano já presenciou cenas ou conseqüências das tais enchentes. Para combate a esses acontecimentos, nota-se através do histórico brasileiro que as providências de caráter emergenciais, de forma esporádica e principalmente após o acontecimento de grandes tragédias são tradicionalmente tomadas. No âmbito da drenagem urbana, esta característica dos governos brasileiros se torna ainda mais evidente, marcada principalmente pela ausência de soluções que integrem os sistema de drenagem urbano e o sistema natural. Para tratar todos estes problemas de forma sustentável surge o conceito de drenagem urbana sustentável, que será abordado neste trabalho. Buscou-se aqui esclarecer o conceito e apresentar princípios de ações que visam reordenar o controle de inundações urbanas, apresentando soluções de política pública com características técnicas aliadas a sustentabilidade. 3
4 2. O problema das inundações urbanas. As cheias dos rios são um fenômeno natural, que ocorrem com certa freqüência devido às chuvas muito intensas ou duradouras ou por alterações no equilíbrio hidrológico do rio, que causam o extravasamento do seu leito menor. Para entender melhor as enchentes e propor soluções factíveis, é mais importante estudar o ciclo hidrológico do rio do que o comportamento das chuvas. A alteração da paisagem natural como o desmatamento e retirada da vegetação, impermeabilização do solo com a construção de edifícios e pavimentação de ruas, a obstrução dos dutos e canais com lixo e objetos deixados ao longo da via e as obras de drenagem e contenção feitas de maneira inadequada afetam diretamente o escoamento superficial direto, reduzindo o tempo de concentração da bacia, e aumentando os volumes deste escoamento. Torna-se claro então que, o estudo das enchentes deve se voltar para o comportamento da bacia como unidade de referencia. As inundações estão extremamente relacionadas à urbanização e ao crescimento não planejado. Este fato se torna claro quando observamos o mapa de grandes enchentes (figura 1). As causas das enchentes são relacionadas na tabela seguinte e seus impactos são mais vistos na população de baixa renda que usualmente utiliza a áreas próximas do rio como terreno para construção de suas moradias dado o baixo valor do terreno (muitas vezes invadidos). As conseqüências destas ocupações são catastróficas. Sem de oferta de saneamento esta população esta fadada a sofrer de doenças trazidas pelos vetores transportados na água, além de perderem seu patrimônio levado pelas enchentes. Não se deve, no entanto, se esquecer dos prejuízos para o restante da população que também sofrem com os congestionamentos e caos que se instaura na cidade. Além de tudo isso se tem os impactos que não são diretamente percebidos pela população, mas irá afeta-los de outras formas, como a poluição e contaminação dos córregos e rios pelos resíduos sólidos arrastados pela chuva para os rios e mananciais. Tabela 1. Fatores de agravamento de inundações e enchentes (IBGE, ) Grandes Regiões Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centrooeste Total de municípios Municípios que sofreram inundações Fatores agravantes das inundações ou enchentes Dimensionamento inadequado de projeto Obstrução de bueiros/ boca de lobo Obra inadequada Adensamento populacional Lençol freático alto Existência de interferência
5 física Outros Sem declaração Áreas onde ocorre inundação ou enchente Figura 1. Ocorrência de inundação e enchentes (Atlas de saneamento, IBGE ) 5
6 3. A drenagem urbana convencional. Antigamente os sistemas de drenagem urbanos foram planejados visando o rápido escoamento da água da chuva, para que assim haja o aumento de vazão e o aumento da capacidade do sistema. Contudo, observa-se que não há uma solução do problema; apenas a transferência do problema para a jusante. Seguindo estas características estão obras como as de canalização dos rios, retificação de canais, aumento das declividades de fundo, etc. Nesta época a preocupação do projeto era apenas o cenário atual e, portanto não havia o conceito de horizonte de projeto, ou as conseqüências que um projeto dessa importância traria para o futuro. Recentemente, no final do século passado, foram implementadas novas idéias visando preservar as áreas de inundação dos rios, regulamentando o uso e ocupação do solo e introduzindo a idéia de compensação dos efeitos da urbanização onde o aumento dos volumes e vazões causadas pela instalação de uma dada obra devem ser atenuadas novamente à sua condição natural através de medidas que devem ser tomadas pelo próprio construtor. As obras usadas antigamente alteravam dramaticamente as características da drenagem natural, eliminando as características do meio que eram julgadas inadequadas. Tal prática, de simplesmente acelerar e transferir o escoamento, vem cada vez mais se provando inadequada. 6
7 4. O conceito de drenagem urbana sustentável. O termo "drenagem urbana sustentável" é relativamente novo e se apóia na percepção de que o homem vinha custeando seu desenvolvimento em uma degradação e exploração dos recursos naturais totalmente inconseqüente. Segundo Pompêo et al (1998), a perspectiva da sustentabilidade associada à drenagem urbana introduz uma nova forma de direcionamento das ações, baseada no reconhecimento da complexidade das relações entre os ecossistemas naturais, o sistema urbano artificial e a sociedade. Podemos definir a drenagem urbana sustentável então como "o conjunto de ações integradas que possam articular a sustentabilidade com o tratamento de enchentes urbanas e as políticas de saneamento e recursos hídricos (Pompêo, et al 1998)". A técnica está diretamente ligada à idéia de fazer com que o ciclo hidrológico da região se mantenha o mais parecido com o ciclo hidrológico natural. Neste conceito, o uso de pavimentos auto drenantes, canais envoltos por vegetação, reuso de água armazenada em reservatórios de forma a reintroduzi-la na natureza como na rega de jardins, entre outros traz novamente as características naturais do ciclo para a configuração urbana. O conceito alia as medidas estruturais e não estruturais de drenagem. As medidas estruturais são aquelas que envolvem obras de engenharia e ações de infraestrutura no geral. Já as não estruturais são aquelas ações que envolvem práticas de gerenciamento e mudanças de comportamento. O modelo define-se com princípios modernos de drenagem urbana: Novos desenvolvimentos não podem aumentar a vazão de pico das condições naturais (ou prévias) controle da vazão de saída. Planejar o conjunto da bacia para controle do volume. Evitar a transferência dos impactos para jusante. Estes princípios garantem o controle da drenagem feito na fonte, aumentando a permeabilidade do solo ou evitando que ele se torne impermeável sem inviabilizar as obras de infra-estrutura necessárias para evolução e crescimento da cidade. Desta forma, mantendo a vazão pré-existente não há sobrecarga na estrutura de drenagem da cidade. Vale lembrar que a responsabilidade de executar e fazer a manutenção do mecanismo escolhido é do empreendedor e ele deve responsabilizar-se por manter as vazões dentro do limite permitido (vazão pré-existente). A gestão dos recursos hídricos deve ser de forma integrada com a gestão do meio ambiente e da cidade sendo compatibilizada em uma unidade de planejamento geral, a bacia hidrográfica. Faz-se, portanto necessário o planejamento e gerenciamento urbano permitindo um crescimento organizado, ao contrário do que foi feito no passado. A gestão integrada das bacias deve estar subordinada ao plano 7
8 diretor de drenagem urbana que por sua vez esta subordinado ao plano diretor de desenvolvimento urbano. 5. Mecanismos e utilização da drenagem urbana sustentável. a. O programa de incentivo do governo: PROGRAMA DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL. b. O preparo do solo: O programa promovido pelo governo federal concede recurso proveniente do orçamento geral da união (OGU) para a realização de obras que se enquadrem nas características de drenagem urbana sustentável. Este programa é parte do Plano de aceleração do crescimento (PAC) e tem seu objetivo descrito abaixo: O Programa Drenagem Urbana Sustentável, quando operado com recursos do OGU (orçamento geral da união), objetiva promover, em articulação com as políticas de desenvolvimento urbano, de uso e ocupação do solo e de gestão das respectivas bacias hidrográficas, a gestão sustentável da drenagem urbana com ações estruturais e nãoestruturais dirigidas à recuperação de áreas úmidas, à prevenção, ao controle e à minimização dos impactos provocados por enchentes urbanas e ribeirinhas. (Manual para apresentação de propostas do programa ). Entre as diretrizes do programa, cabe lembrar que, as iniciativas devem ser contempladas no Plano Diretor de Drenagem Urbana, assim como no Plano de Manejo de Águas Pluviais do Município e que, nos casos em que o município não os tenha, a prioridade do aporte de recursos será feita para execução destes. Em sua dissertação, Souza (2005) refere-se às compostagens como sendo uma forma eficiente de absorver até 50% do volume de escoamento em relação a um solo regular. A preparação deste solo com restos de comida e jardinagem, resíduos de tratamento das ETEs, resíduos agrícolas e até mesmo entulho de construção civil tem se provado eficiente em terrenos de alta declividade e bermas para controle da erosão e redução de escoamento de nutrientes para os rios. Além destes efeitos, a vegetação tende a melhorar a longo prazo além de melhorar também a estabilidade dos taludes. c. A Bio-retenção: Ainda segundo Souza (2005), a bio-retenção trata de filtrar e armazenar em reservatórios rasos, a água proveniente do escoamento superficial direto. Um solo poroso é utilizado como filtro para esta água que irá atravessá-lo até encontrar as depressões destinadas ao seu armazenamento. A técnica permite aliar filtragem física e absorção por 8
9 processos biológicos, estimulando infiltração, deposição de partículas e sólidos suspensos, evaporação, absorção, transpiração, etc. Figura 2. Seção transversal de uma área de bio-retenção (Fonte: Prince George s County, 1999a, p.45 e Souza, 2005,p.37) Figura 3. Bio-retenção (Fonte: Low Impact Developmente Center, 2010) d. Poço de Infiltração: Trata-se de uma espécie de filtro, preenchido por pequenas pedras e cascalhos que filtram a água que infiltra no solo aumentando sua qualidade e eliminando bactérias através da adsorção, captura e filtragem (Souza, 2005). 9
10 Figura 4. Poço de Infiltração (Souza, 2002) 10
11 Figura 5. Poço de infiltração (Fonte: United States, 2004 e Souza, 2005). e. Planos de Infiltração: Os planos de infiltração são como caminhos, constituídos de uma vegetação como grama, interligando as fontes geradoras de poluição até os corpos d água que naturalmente receberiam o escoamento proveniente de lá. A vegetação rasteira é capaz de absorver parte deste escoamento além de filtrar os resíduos existentes na água descartada pela fonte poluidora. 11
12 Figura 6. Plano de infiltração (Fonte: Prince George s county, 1999) f. Proteção Natural: A proteção natural é a idéia de reflorestar ou mesmo criar uma vegetação que nunca existiu ao redor de áreas sensíveis a poluição ou as quais a poluição trará um prejuízo muito grande. Corpos d água, florestas ou solos altamente erodíveis podem receber esta proteção de forma a evitar que resíduos, sedimentos ou cargas de poluição difusa os atinjam. A proteção natural funciona, portanto como um filtro e uma barreira. g. Espalhador de nível: Um espalhador de nível é capaz de transformar um escoamento concentrado em um fluxo raso e disperso prevenindo sua capacidade de erosão por reduzir sua força. Figura 7. Espalhador de nível do tipo trincheira de brita (Fonte: Prince George s County, 1999) h. Trincheiras de infiltração: As trincheiras de infiltração são estruturas do tipo vala preenchidas por material granular com porosidade da ordem de 35% que permitem o controle na fonte e armazenamento temporário da água até que ela se infiltre no solo. 12
13 Figura 8. Trincheiras de infiltração (Souza, 2002) i. Valos de infiltração: Os valos de infiltração são dispositivos laterais com a função de absorver e armazenar água da chuva. Podem ser do tipo seco ou molhado, com ou sem controle de percolação. Eles permitem recarregar o lençol freático. Eles mantêm-se com água durante algum tempo após as chuvas uma vez que a absorção é lenta e ao longo do seu comprimento. Figura 9. Valo de infiltração sem dispositivo de percolação. (Fonte: NTCCG, 2004) j. Barris de chuva: 13
14 Os barris de chuva são mecanismos simples, fáceis de operar e manter além de seu baixo custo de instalação. Destinado ao uso doméstico eles visam armazenar água proveniente de telhados e calhas por tempo indeterminado ou até atingiram seu limite de projeto. Além destas vantagens, eles ainda permitem o reuso da água para fins menos exigentes. O dispositivo perde efeito prático quando a chuva ultrapassa sua capacidade de armazenamento assim como qualquer reservatório de retenção. Figura 10. Barril de chuva (Fonte: Low impact development center, 2004) Figura 11. Barril de chuva (Fonte: town-menasha.com) Deve-se salientar que a porção inicial da água proveniente da chuva muitas vezes acaba limpando o trecho em que ela percorre antes de atingir 14
15 seu destino (no caso apresentado, o barril). Com isso, a porção inicial da água deve ser descartada, pois possui um nível de utilização bem abaixo do restante. Com isso dito, pode-se optar por mecanismos que não armazenem a água coletada inicialmente, como dispositivos que permitam a saída dessa água até um determinado tempo ou vazão. k. Pavimentos permeáveis: Este dispositivo de drenagem sustentável é um dos mais conhecidos atualmente. Utilizados principalmente em estacionamentos e grandes áreas a céu aberto eles são um tipo de alternativa que alia infra-estrutura a sustentabilidade, sendo a forma mais clara de demonstrar que não é preciso atrasar a evolução da humanidade para ser sustentável. Recomendados para áreas de baixo volume de tráfego este pavimento é capaz de permitir a infiltração da água e ainda servir como filtro retendo metais pesados e dificultando a contaminação do lençol freático. Figura 12. Pavimentos porosos (Fonte: LID Center) 15
16 Figura 13. Pavimento poroso (Fonte: rodoviasverdes.ufsc.br) l. Telhados verdes: Os telhados verdes utilizam uma espécie de jardim de plantação rasteira na laje de cobertura ou lajes intermediárias do edifício. Tais jardins trazem uma série de benefícios como a melhoria da qualidade do ar no entorno, amenização da temperatura e armazenamento de 30 a 100% da água da chuva. É importante salientar que tal alternativa impacta a estrutura em termos de peso e por isso deve haver um projeto que comporte a carga assim como um bom projeto de impermeabilização da laje que irá receber água intensamente. Figura 14. Telhados verdes (Fonte: Discovery.com) 16
17 Figura 15. Telhado verde em Vancouver (Fonte:scholtensroofing.com) 6. Adoção das melhores práticas: exemplos de sucesso. a. O aproveitamento de espaços públicos: o caso de Curitiba O plano de ocupação urbana nos permite fazer uma cenarização e avaliar como se dará a evolução da população que habita a cidade. O plano, através da determinação de uso e ocupação do solo nos permite analisar as área que devem ser desenvolvidas e qual o tipo de desenvolvimento necessário para cada área da cidade. O plano de desenvolvimento urbano nos permite tomar medidas antecipadas aos problemas. Tendo em vista a dificuldade para aprovação e fiscalização das leis em nosso país, é mais importante ainda planejar e, em qualquer empreendimento, reservar um espaço para amortecimento de vazões (2% da área total do 17
18 empreendimento) para os casos em que os controles não funcionem em sua plenitude. Esta área pode ser reservada da área pública do empreendimento. Em 1994, Curitiba começou a desenvolver seu plano de contenção de enchente que será desenvolvido em três etapas: A primeira etapa, emergencial contemplou a limpeza de canais e reforma de pontes. A segunda fase foi de controle de áreas ribeirinhas do Rio Iguaçu. Nesta fase foi feito um estudo de alternativas com modelagem e a escolha adotada foi a construção de um canal lateral, inibindo invasões e ocupações aliado ainda a construção de um parque na área de 20 km 2. Além de área de amortecimento, o parque também se tornou uma opção de lazer. A terceira fase foi à elaboração do Plano Diretor da Região Metropolitana de Curitiba que reservou, nas áreas de desenvolvimento, áreas de inundação e amortecimento. Estas áreas podem ser contabilizadas dentro das áreas publicas necessárias para aprovação do empreendimento (35%). Na área limítrofe fica obrigatória a construção de um parque (já planejado pela prefeitura) e cada loteamento já implementa esta área de parque. A medida acaba com o incentivo à ocupação de áreas de fundo de vale. b. A integração dos serviços de saneamento ambiental: O caso de Santo André A gestão integrada do saneamento se dá quando um único órgão fica responsável por cuidar da água, sistema de esgoto, drenagem urbana, resíduos sólidos e impactos ambientais. A implantação da coleta seletiva diminui a carga de resíduos sólidos nas ruas, diminuindo a necessidade de limpeza de bueiros e desentupimento além de diminuir a poluição difusa nos córregos e rios. Em Santo André a criação da autarquia de saneamento ambiental gerencia todos os serviços de saneamento do município acumulando também a parte da defesa civil referente aos riscos urbanos. Esta mudança na gestão foi fundamental para um município que tem 55% de sua área em área de mananciais. A manutenção do sistema foi estruturada e valorizada trabalhando também com educação ambiental. O plano diretor de drenagem privilegia medidas não estruturais contemplando também um plano de ação considerando o sistema de supervisão e controle de drenagem da cidade. c. O uso de tecnologias mais sustentáveis. 18
19 As alternativas mais sustentáveis, chamadas no Brasil de Tecnologias Alternativas ou Compensatórias, visam abordar as soluções que integram não só aspectos hidráulicos e hidrológicos, mas também aspectos sanitários, ambientais e paisagísticos. Tal abordagem, aliada à tecnologia de ponta traz obviamente maiores custos que, porém devem ser compensados ao longo do tempo pelo beneficio. d. O uso de elementos permeáveis. A prática do uso de elementos permeáveis tem se mostrado muito eficaz por reduzir custos de manutenção e operação além de incentivar a população local a cuidar e gerir a área. e. Reservatório de detenção e retenção. A implantação de reservatórios de detenção e retenção visam segurar as grandes cheias prevenindo enchentes ou simplesmente evitando o aumento repentino das vazões e aceleração dos escoamentos. Após a passagem da chuva os reservatórios são esvaziados aos poucos permitindo que a cidade e seu sistema de drenagem sejam capazes de absorver este escoamento. As grandes áreas que compreendem estes reservatórios são destinadas ao uso da comunidade para lazer e recreação. Ainda como uma medida de sustentabilidade, a água armazenada no reservatório pode ser usada para rega de jardins, limpeza de praças e etc. No caso de reaproveitamento desta água é necessário um controle da qualidade da água afim de não prejudicar o solo que ira receber esta água. f. A prática do orçamento participativo. Nesta prática a prefeitura coloca o orçamento para discussão com a população antes da sua aprovação. A compreensão e participação da população tem se mostrado muito eficiente para planejar a drenagem urbana. A população tem participação definitiva em todas as fases do projeto e principalmente em sua implantação. As explicações dadas a população servem também como medida sócio cultural e permite uma maior compreensão por parte dos leigos do problema em questão, das soluções propostas e daquelas que serão efetivamente implementadas. g. A implantação de sistemas de alerta. Usado quando há necessidade de construção de obras estruturais porem não há recursos para tais intervenções, os sistemas de alerta tem se provado altamente eficazes. A rede de alerta esta conectada à defesa civil e é acionada a partir da previsão meteorológica de chuvas intensas. A população é avisada e retirada do local com cerca de 8 horas de antecedência. 19
20 7. As dificuldades de implantação das iniciativas no Brasil. Apesar da existência de inúmeras soluções que tentam evitar ou minimizar os efeitos das enchentes em áreas urbanas descritos nos itens acima, ainda observa-se uma relativa resistência à inserção dessas técnicas e conceitos no território brasileiro, com exceção de algumas regiões, que se comparadas à totalidade de regiões urbanas no país, representam uma porcentagem mínima. Essa resistência está ligada a diversos fatores, sendo alguns deles apresentados a seguir: a. Falta de leis e cumprimento das mesmas que exijam práticas sustentáveis Como se sabe, a legislação brasileira não pune adequadamente aqueles que fazem uso indevido dos recursos naturais ou que não tratam seus resíduos de forma sustentável. Além disso, não há uma fiscalização eficiente no que se diz respeito a pratica das poucas leis referentes a esse tema. Com isso dito, podem-se citar vários exemplos onde se observa esse problema de forma acentuada. No caso do setor da construção civil, quase não há fiscalização sobre os rejeitos provenientes de materiais e resíduos da construção civil. Com isso, áreas próximas de construções sofrem com o carreamento de material proveniente das obras que acabam entupindo bocas de lobo e assoreando córregos e rios próximos, sendo um dos motivos para que a enchente ocorra nesses locais. Outro exemplo está relacionado à deposição de materiais ou mesmo a ocupação ilegal das margens dos rios. Com as chuvas intensas, que são fenômenos naturais e não podem ser evitados, essas áreas sofrem alagamento e todas as moradias localizadas aos seus arredores sofrem inundação; além disso, materiais são transportados para o rio que acabam enchendo de materiais e entulhos, atrapalhando o fluxo d água e diminuindo sua capacidade de vazão. b. Planejamento urbano deficiente Em casos onde ainda não houve ocupação do solo, pode-se planejar sua ocupação através de um planejamento urbano eficiente, ou seja: várzeas dos rios não poderão ser ocupadas, será realizada uma previsão relativamente correta sobre o crescimento urbano e a quantificação da necessidade de recursos hídricos, além do planejamento de áreas permeáveis perante o processo de edificação dessa região. Tudo isso deve ser feito antes da efetiva ocupação da região. 20
21 Porém, o que se observa na realidade é justamente a inversão dessas atividades, havendo uma ocupação desenfreada, que acarreta nos problemas apresentados como na Região Metropolitana da Cidade de São Paulo, para que depois haja um planejamento urbano. Muitas vezes essa inversão acaba por limitar a eficiência do planejamento urbano. c. Resistência á implantação de novas tecnologias Como visto no item 5, diversas tecnologias desenvolvidas ou que estão no processo de aperfeiçoamento, como é o caso dos pavimentos permeáveis e do telhado verde, apesar de já serem passiveis de utilização e experimentação, ainda não são utilizados de forma relevante. No caso do telhado verde, mesmo sendo projetado para utilização em áreas urbanas e densamente povoada, ainda há resistência pelo fato dessa tecnologia não ser totalmente conhecida, tanto por parte dos consumidores em potenciais, quanto por parte dos órgãos regulamentadores no Brasil. Além disso, há a não obrigatoriedade da manutenção das áreas permeáveis, devido à legislação ineficiente, como dito anteriormente. Com isso, não há a necessidade da aplicação dessas novas tecnologias, pois isso geraria custos extras à construtora ou empresa que realiza a manutenção de edifícios. 21
22 8. Conclusão Pode-se observar que o tema discutido neste presente relatório é recente e começou a ser notado justamente por não haver problemas relacionados a ele, até o surgimento das intensas áreas urbanizadas e a crescente impermeabilização do solo e ocupação das margens dos rios. Problemas esses que atingiam a população da região inteira, trazendo diversas conseqüências, como perdas materiais e de vidas humanas, assim como no atraso da evolução e crescimento da região. Adicionalmente, o caminho para encontrar a solução desses problemas se torna ainda mais complexo, pois as regiões afetadas já se encontram em um 22
23 nível de desenvolvimento e urbanização elevado. Com isso, há diversos fatores limitantes, como a não possibilidade de desapropriação de terrenos, alteração na legislação vigente e na forma com que devem ser tratados os recursos hídricos e sua manutenção, dificultando assim o combate às enchentes urbanas. Em relação às alternativas existentes, podem-se citar medidas estruturais, tais como o pavimento permeável, valas e poços de infiltração e o conceito de telhado verde para retenção de parte do volume d água e assim diminuição da enchente suas conseqüências. Já se tratando de medidas não estruturais, estão práticas de boa conduta por parte da população para não depositar lixos nas ruas e córregos, não ocupação das várzeas dos rios, legislação atualizada e fiscalização eficiente, entre outras. Apesar de haver inúmeras alternativas e soluções para combate às enchentes urbanas, sua aplicação é dificultada pelos motivos citados acima. Diversas outras regiões além da RMSP já passaram por isso e inclusive estão em constante combate à esse problema, com algumas regiões obtendo um relativo sucesso. Cabe não só às pessoas ligadas a área de recursos hídricos como toda a população buscar a adoção de medidas que mesmo que não cessem, pelo menos diminuam os efeitos das enchentes urbanas. 23
24 9. Bibliografia 1. Pompêo, Cesar Augusto; Drenagem urbana sustentável; Manual do programa federal DRENAGEM URBANA SUSTENTÁVEL; Projeto Drenagem Urbana Sustentável no Brasil; Workshop realizado em maio de 2003; Universidade Federal de Goiás em associação com o Water and Engineering and Development Centre, Loughborought University, Reino Unido. 4. Atlas de Saneamento; IBGE em ; acessado em novembro de Souza, Christopher Freire; Mecanismos técnico-institucionais para a sustentabilidade da drenagem urbana; Dissertação submetida ao programa de pós-graduação em recursos hídricos e saneamento ambiental da universidade federal do Rio Grande do Sul; Porto Alegre; Abril de Notas de aula de PHD
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