O NARRADOR. Reflection Alfred Gockel
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- Joaquim de Paiva Bennert
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Transcrição
1 O NARRADOR Reflection Alfred Gockel
2 Extraído do livro Figures III
3 ... A narrativa revelará sempre a marca do narrador, assim como a mão do artista é percebida, por exemplo, na obra de cerâmica. Walter Benjamin
4 RESPONSÁVEIS PELO TEXTO Externo Interno Autor Narrador/eu-lírico Condicionado Sócio-culturalmente Condicionado pela narrativa Não assume a palavra dentro da narrativa Assume a palavra da narrativa
5 NARRADOR
6
7 NARRADOR EM PRIMEIRA PESSOA
8 No texto, podem aparecer vários tipos de narradores. Estávamos na sala de estudo quando o diretor entrou, seguido de um calouro sem uniforme e de um contínuo que transportava uma grande carteira. Os que estavam a dormir acordaram e todos se puseram de pé como se tivessem sido surpreendidos a trabalhar. Madame Bovary
9 Os pontos de vista empregados revelam uma visão ética do mundo, uma mundividência 3ª. Pessoa 1ª Pessoa Objetividade: pode denunciar um distanciamento ético da realidade causa um efeito de subjetividade
10 zyqwert A voz do narrador está sempre presente no texto narrativo. Ela produz, inclusive, as outras vozes.
11 autor narrador personagem personagem narratário leitor implícito emissor receptor implícito INTRATEXTUAL EXTRATEXTUAL (imagem criada pela soma dos textos do autor)
12 NARRATÁRIO X LEITOR IMPLÍCITO
13 O SENÃO DO LIVRO COMEÇO a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... Memórias póstumas de Brás Cubas
14 NONADA. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. (...) O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente depois, então, se vai ver se deu mortos. (...) Do demo? Não gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfalam no nome dele dizem só: o Que-Diga. Grande sertão: veredas
15 Tradicionalmente o narrador se divide 1ª. Pessoa 3ª. Pessoa são designações incorretas e geradoras de confusão O narrador, como enunciador textual, só pode falar na 1ª pessoa
16 Consciente da natureza desses problemas Genette considera que o narrador não deve ser caracterizado e definido em função de formas gramaticais; mas em função do seu estatuto narrativo!!!
17 NARRADOR Em função da participação narrativa Heterodiegético Homodiegético Não participa da diegese Participa da diegese Autodiegético Alterdiegético
18 Ex. Heterodiegético O guarani de José de Alencar Madame Bovary de Flaubert O primo Basílio de Eça de Queirós
19 Elementar, meu caro Watson!
20 Poderá ocorrer uma narrativa dentro da narrativa. Narrativa secundária ou de 2º. Nível = narrador de 2º grau = INTRADIEGÉTICO ETC. Narrativa primária ou 1º. Nível = narrador de 1º grau Narrador EXTRADIEGÉTICO
21 CAPÍTULO PRIMEIRO /ÓBITO DO AUTOR ALGUM TEMPO hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
22 1º. Grau 2º. Grau Narrativa hipodiegética 3º. grau Metalepse narrativa
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24 A origem
25
26 FUNÇÕES DA NARRATIVA HIPODIEGÉTICA
27 NARRATIVA HIPODIEGÉTICA: FUNÇÕES Explicativa Temática clareia as conexões causais entre os eventos diegéticos e hipodiegéticos Introduz temas que institui relações de similitude ou de contraste entre os eventos diegéticos e hipodiegéticos
28 Mise en abyme é um termo em francês que significa cair no abismo, usado pela primeira vez por André Gide ao falar sobre as narrativas que contêm outras narrativas dentro de si.
29 O casamento de Arnolfini, Van Eyck
30
31 Ummagumma, 1969
32
33
34
35 Sinédoque, Diretor: Charlie Kaufman
36 Norman Rockwell - triple auto-portrait
37 Josh Sommers
38 FUNÇÕES DO NARRADOR
39 FUNÇÕES DO NARRADOR De representação De organização e controle Veridictória Ideológica ou interpretativa Comunicativa Explicativa Metanarrativa Testemunhal
40 função de representação: produz intratextualmente o universo diegético personagens, eventos, etc. Capítulo I Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
41 função de organização e controle: marca as articulações, as conexões, as inter-relações da história, é uma conversa com o narratário. CAPÍTULO VIII É tempo Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Dom Casmurro. M.A.
42 veridictória: atestar a veracidade dos fatos relatados. Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar anos depois; ignoro a mor parte dos pormenores daquele famoso dia. Sei que a vizinhança veio ou mandou cumprimentar o recém-nascido, e que durante as primeiras semanas muitas foram as visitas em nossa casa. Memórias póstumas de Brás Cubas. Machado de Assis
43 função ideológica: analisa o mundo narrado, forma uma ideologia. Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar o pulso ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe do peito como uma couraça de grilos: Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anúncio. O Ateneu. Raul Pompéia
44 função comunicativa: dirige-se explicitamente ao narratário. CAPÍTULO XIXI / O PENTEADO Se isto vos parecer enfático, desgraçado leitor, é que nunca penteastes uma pequena, nunca pusestes as mãos adolescentes na jovem cabeça de uma ninfa... Uma ninfa! Dom Casmurro
45 Função explicativa: o narrador fornece ao narratário certas informações complementares consideradas importantes para a compreensão da história. Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou... A cartomante
46 função metanarrativa: o narrador comenta a organização do texto. Pôr na novela um novelista. Ele servirá de pretexto às generalizações estéticas que poderão ser interessantes pelo menos para mim. Ele justificará igualmente a experimentação. Espécimes do seu trabalho poderão ilustrar outras maneiras possíveis de contar uma história. E se o pomos a contar partes da mesma história, como nós, poderemos fazer assim uma variação sobre o tema. Mas por que limitarmo-nos a um só novelista na novela? Por que não um segundo na novela do primeiro? E um terceiro na novela do segundo? E assim por diante, até o infinito, como esses reclames de Aveia Quaker em que há um quacre segurando uma lata de aveia, sobre a qual se vê um desenho dum outro quacre segurando outra lata de aveia, sobre a qual etc., etc. Na décima imagem poder-se-ia ter um novelista contando a história em símbolos algébricos ou em notações da variação da tensão arterial, do pulso, da secreção das glândulas internas e dos tempos de reação. Huxley - Contraponto
47 A este tipo de narrativa que vira o olhar para a sua imagem especular chamou Linda Hutcheon narrativa narcisística
48 função testemunhal ou modalizante: exprime a relação do narrador com a história narrada. Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela e é claro que a história é verdadeira embora inventada, que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro existe a quem falte o delicado essencial. A hora da estrela
49 FUNÇÕES DO NARRADOR De representação De organização e controle Veridictória Ideológica ou interpretativa Comunicativa Explicativa Metanarrativa Testemunhal
50 Metalepse narrativa VOZ DO NARRADOR EM FUNÇÃO DE SEU ESTATUTO NARRATIVO EM FUNÇÃO DA PRODUÇÃO DO DISCURSO HETERODIEGÉTICO HOMODIEGÉTICO EXTRADIEGÉTICO INTRADIEGÉTICO AUTODIEGÉTICO ALTERDIEGÉTICO NARRATIVA HIPODIEGÉTICA NARRADOR HIPODIEGÉTICO FUNÇÃO EXPLICATIVA FUNÇÃO TEMÁTICA FUNÇÃO ENQUANTO ATO NARRATIVO
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