Preparos minimamente invasivos
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- Rebeca Wagner Barbosa
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1 Preparos minimamente invasivos Urubatan Medeiros Doutor (USP) Professor Titular do Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitária UERJ/UFRJ Coordenador da Disciplina de Odontologia Preventiva UFRJ Resumo de Aula 1 - Adequação do meio bucal É uma técnica minimamente invasiva que objetiva eliminar ou reduzir a infecção cariogênica na cavidade bucal. Com o entendimento de que os ecossistemas microbianos da cavidade bucal localizam-se preferencialmente aderidos em cavidades, a técnica objetiva a limpeza desses locais com o posterior vedamento com material provisório. Lesões cavitadas Colônias microbianas na cavidade bucal Padrão de colonização de EGM: molares, pré molares, incisivos, caninos. Adequação do Meio Bucal: Procedimento no qual removemos uma quantidade máxima de tecido cariado com posterior fechamento de cavidades com um cimento ionomérico ou cimento provisório convencional, dando tempo para que o paciente possa restabelecer o equilíbrio bucal e que as restaurações definitivas sejam colocadas em um ambiente menos contaminado. 2 - REMOÇÃO QUÍMICO-MECÂNICA DAS LESÕES CARIOSAS Remoção químico mecânica de lesões cariosas Hipoclorito de sódio = agente proteolítico não específico Instabilidade química e potencial agressivo aos tecidos Carisolv ; Papacárie Estratégia de aplicação Remoção químico-mecânica da lesão através da ruptura de colágeno desnaturado na zona desmineralizada e remoção de mineral desapoiado por suaves movimentos mecânicos, mantendo a estrutura remanescente saudável para aplicação de quaisquer procedimentos. Carisolv Apresentação Seringa única com ponteiras (sistema de espirais) para mistura da quantidade a ser utilizada Gel de coloração vermelho transparente composto de ácido glutâmico, leucina, lisina, cloreto de sódio, eritrosina, água destilada e hidróxido de
2 sódio, com ph final 11 e, concentração de 0,025% de hipoclorito de sódio (ativo por minutos) Dentina Progressão de lesões Governada pela intensidade do desafio ácido bacteriano, pela estrutura e resposta do tecido. Bactérias afetam tecido mineralizado Redução do tamanho dos cristais formando áreas com poros Difusão de ácidos e dissolução de minerais Indução de resposta via odontoblastos e deposição de minerais nos túbulos (DES-RE) Exposição do colágeno ao ataque ácido com quebra de estruturas Carisolv Técnica de aplicação Colocação do gel na cavidade Espera de 30 segundos Seleção de instrumento manual Remoção de tecido cariado Aplicação repetida, se necessário Secar com bolinha de algodão Restauração 3 - Tratamento Restaurador Atraumático TRA Atraumatic Restorative Treatment ART É um procedimento calcado nos princípios de promoção de saúde, baseado na remoção de dentina infectada com instrumentos manuais, onde retira-se a maior parte do tecido doente e preserva-se a maior parte do tecido sadio. Em seguida a cavidade é restaurada com material adesivo autopolimerizável (CIV com formulação específica) Essa técnica surgiu em 1991 (WHO Groningen University - Netherland) para ser aplicada em comunidade de refugiados da Ásia e África em locais onde não se dispunha de energia elétrica. Posteriormente passou a ser utilizada em zonas rurais e comunidades indígenas. Atualmente tem sido utilizado em serviços públicos de cidades e pode ser adaptada para a clínica privada. Possui adesão química ao esmalte e à dentina, proporcionando excelente selamento cavitário. Possui liberação continuada de fluoretos, produzindo hipermineralização da dentina e impedindo infecções secundárias. Excelente biocompatibilidade do material em relação à polpa dentária. Boa dureza e resistência ao desgaste, com mínima degradação aos fluidos bucais. Não é um material estético, mas funcional.
3 Indicações: Restaurador de superfície única em dentes permanentes ou decíduos; Selador de sulcos e fissuras; Restaurador provisório de longa duração. Contra indicações: Restaurações definitivas envolvendo duas ou mais faces e lesões cavitadas muito próximas à polpa. Técnica de aplicação: Isolamento relativo; Remoção do tecido cariado com instrumento manual; Lavagem da cavidade e posterior secagem; Condicionamento da cavidade Lavagem e secagem Manipulação do material (tempo máximo = 2 min.) Inserção e escultura do material restaurador, num tempo total de trabalho de 2 20 ; Aplicação do verniz de proteção, com pincel de cerdas finas e secar com jatos suaves de ar; Enxaguar a cavidade para retirar o gosto amargo do verniz; Advertir ao paciente para não mastigar sobre a restauração no período de 24 hs. 4 - Selantes de Sulcos e Fissuras Oclusais São materiais resinosos, sílico ou oxi-resinosos, os quais aplicados nas superfícies oclusais de molares e pré-molares têm por finalidade a formação de uma barreira física entre a superfície dentária e o meio bucal, impedindo a penetração e a adesão dos microorganismos responsáveis pelo desenvolvimento de lesões cariosas. Potencial preventivo FLUORETOS 80% de proteção nas superfícies lisas. 20% de proteção na região de sulcos e fissuras. SELANTES 100% de proteção na área indicada. Técnica correta de aplicação mantém a retenção e integridade. 50% de todas as lesões cavitadas ocorrem em superfícies oclusais Kemper,R.N. Propriedades que os materiais seladores devem exibir Ligadura físico-química à superfície do esmalte;
4 Resistência ao esforço mastigatório, Resistência aos ácidos do meio bucal; Integridade superficial; Biocompatível com os tecidos da cavidade bucal; Devem exibir ação cariostática; Não devem interferir na estética. Desenvolvimento dos materiais seladores Miller (1905): utilização do Nitrato de Prata Hyatt (1923): preconizou a técnica da odontotomia profilática Bodecker (1926): preconizou a técnica da ameloplastia BUONOCORE (1955): desenvolveu a técnica do condicionamento ácido do esmalte dental. Formação de tags de esmalte permitindo o embricamento mecânico com o material selador. Desenvolvimento efetivo dos materiais seladores, que saíram do laboratório e evoluíram para a prática clínica. Selantes de sulcos e fissuras: Selantes à base de Bis-GMA Selantes à base de cimentos ionoméricos Selantes à base de Bis-GMA São compostos associados de resina Bis-GMA (resina de Bowen) + monômeros diluentes. Essa associação deve permitir a redução da viscosidade da resina, com o consequente aumento do escoamento. São também chamados de selantes resinosos. Possuem alto coeficiente de penetração; Possuem propriedades umectantes; Redução de cárie = 100% Retenção do material = 100% Após 5 anos = integridade superior a 75% Selantes Ionoméricos Surgiram a partir da evolução clínica dos próprios cimentos de ionômero de vidro, e vieram a substituir os antigos cimentos de policarboxilato, que também eram utilizados como materiais seladores. Os cimentos de ionômero de vidro utilizados para selamento são os do tipo III, específicos para essa finalidade. Na atualidade têm sido utilizados na forma híbrida, cuja composição também apresenta resina; Os melhores seladores são os cimentos de última geração, do tipo puro, porém reforçados, utilizados também no TRA; Os demais cimentos ionoméricos têm utilização restrita, com necessidade de realização de estudos longitudinais e da realização de ameloplastia.
5 O que ocorre ao selarmos um dente onde o processo carioso está presente, porém não é detectável clinicamente? O condicionamento ácido do esmalte reduz em 75% o número de microorganismos cultiváveis. Jensen & Handelman Existe uma redução progressiva do número de microorganismos, a partir de 14 dias após a aplicação do selante. Jeronimus, D.J. e colab Os microorganismos persistentes não são capazes de prosseguir com a destruição do tecido dentário. Going,R.E. & colab Desde que o selante permaneça com sua integridade, as lesões cariosas tornam-se clinicamente inativas e bacteriologicamente estéreis. Theilade,E. & colab. Indicações e Contra indicações Morfologia Oclusal: tipo de sulco Idade do dente desde a erupção Susceptibilidade à cárie dental Utilização conjunta com outros métodos preventivos Técnica de Aplicação Isolamento absoluto do dente ou grupo de dentes; Profilaxia com taça de borracha e pasta de pedra pomes de granulação fina; Melhorar a limpeza utilizando escova de Robbinson com cerdas ultrafine. Lavagem criteriosa com jatos de água; Secagem com jatos de ar; Condicionamento ácido do esmalte; Lavagem criteriosa com jatos suaves de água; Aplicação do selante em fina camada ; Polimerização de acordo com o selante utilizado; Teste de retenção do selante; Teste de oclusão. Controle Clínico Os pacientes que se submeteram ao tratamento com selantes de sulcos e fissuras oclusais devem ser examinados a cada intervalo de seis meses. Verificar a retenção e a integridade do material selador Selantes ionomériocs x selantes resinosos Na atualidade, com a filosofia de promoção de saúde, espera-se que os materiais odontológicos exibam biocompatibilidade e adesividade. Os selantes ionoméricos, além de apresentarem essas propriedades, ainda liberam fluoretos, o que é bastante desejável.
6 Os selantes resinosos tendem ao desaparecimento. Conclusões Os selantes devem ser utilizados regularmente em dentes recémerupcionados, desde que preencham os requisitos que os indiquem para o selamento. A utilização isolada de fluoretos produz pouco efeito na prevenção de lesões cavitadas na região de sulcos e fissuras, enquanto os selantes, quando inatos e retidos completamente, protegem em 100%. Todos os dentes que recebem selamento devem ser submetidos a um controle clínico, em intervalos regulares de tempo, para a verificação da integridade do material selador. A efetividade e durabilidade dos selantes estão intimamente relacionadas com o condicionamento ácido do esmalte num tempo ideal, num isolamento sem riscos de contaminação e com uma técnica de aplicação correta.
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