GESTÃO EDUCACIONAL E TECNOLOGIA

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1 GESTÃO EDUCACIONAL E TECNOLOGIA SILVA, Eduardo Alex Carvalho Ribeiroi Lívia Rodrigues Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas [email protected] PEREIRA,Virgínia França Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas [email protected] SILVA, Lívia Rodrigues da Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas [email protected] SOUZA, Victor Costa de Acadêmico do Curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas [email protected] REIS, Ailton Gonçalves Mestre em Educação; Professor do CEFET-AM. [email protected] RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

2 O livro resenhado tem como proposta central a formação dos gestores escolares, conceito entendido de forma bastante ampla, não se restringindo apenas à figura do diretor de uma unidade escolar, embora este seja o principal agente desse processo. A preocupação central dos autores foi trabalhar a gestão educacional a partir da prática desenvolvida em nossas escolas, de modo que os elementos teóricos das três áreas de conhecimento envolvidas - Educação, Administração e Tecnologia - são apresentados sempre permeando os estratos da realidade escolar. No primeiro capítulo Myrtes Alonso, Mestra em Educação: Administração Escolar (USA) e Doutora em Educação pela PUC-SP, sob o título - A GestãoAdministração Educacional no Contexto da Atualidade retrata um pouco da relação da administração escolar com a empresarial e, como esta influencia o sistema educacional que temos. Na verdade, ao lermos o livro notamos que muitas características do contexto das empresas fazem parte do contexto educacional, como por exemplo, a descentralização e desconcentração do poder, para agilizar o processo decisório. Outro ponto importante e esclarecedor deste capítulo é a escola tradicional e seu modelo de administração. Neste sentido, a autora aborda a concepção funcionalista desta escola, com ênfase na produção, entendida aqui como acumulação de conhecimentos; fechada para o meio exterior. Neste modelo o conhecimento acontece de fora para dentro, aprender é adquirir conhecimentos. Assim, o papel do diretor resume-se em manter a ordem, cumprir a legislação, garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas oficialmente (papéis e funções); além de representar a escola. No entanto, com o advento da Revolução Tecnológica, características diversas revelaram uma nova concepção de ensino. Em outras palavras, a educação teve de orientar-se para a formação de pessoas conscientes e críticas, que participem ativamente RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

3 do social, ou seja, pessoas capazes de definer as próprias necessidades de aprendizagem e conhecimento, ao menos era essa teoria empregada por aquela concepção. Ao resumir todas as características da escola e do papel do gestor, a autora enfatiza que o papel do gestor é uma condição necessária no contexto atual, embora esbarre na burocracia do sistema de ensino, portanto, necessita de autonomia. O segundo capítulo, Organização e Gestão Escolar: Evolução dos Conceitos, escrito por Alexandre Thomas Vieira, Mestre em Educação e Doutorando em Educação pela PUC-SP, é dividido em quatro subcapítulos, em que o autor apresenta os estudos realizados por Taylor e Fayol que se consolidaram como modelo de gestão, continuam dominantes, embora sejam consideradas uma forma de gestão ultrapassada. Os termos utilizados na indústria passaram a ser habituais nos tratados de pedagogia e nos programas de formação em administração escolar. O autor aponta que o aparelho escolar é inseparável do modo de produção capitalista, e podemos observar que numerosas propostas pedagógicas têm sido divulgadas por instâncias governamentais, para um reconhecimento mais amplo de suas capacidades de fazer e pensar, mesmo representando uma forma mais sofisticada de atingir seus interesses econômicos a obtenção de lucros. Apesar dessa aparente evolução, a estrutura organizacional da escola ainda não mudou, ou melhor, mudou muito pouco, na tendência de superar seu passado de reprodução a crítica das relações socioeconômicas existentes. O autor trata da falta de concordância entre os estudiosos sobre quais critérios e indicadores deveriam ser utilizados para medir a desempenho das organizações. Sendo assim, as escolas tendem a repetir os modelos de gestão de seus administradores anteriores. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

4 O terceiro capitulo, Bases para a Construção de uma Nova Organização Escolar escrito pelo doutor em educação pela PUC-SP, Alexandre Thomaz Vieira, e o quarto capitulo, Cultura Educacional e Gestão em Mudança escrito pelo Doutor em Psicologia Educacional, também pela PUC-SP, Marcos T. Masetto, retratam, respectivamente discussões sobre o Homem e o Conhecimento e A escola na sociedade pós-moderna como bases para a Construção de uma Nova Organização Escolar. Aborda, logo de início, a formação necessária dos professores para entender, independente de qualquer assunto, a necessidade do entendimento do todo como forma para compreender o seu momento de situação- problema, pois cada vez mais uma adaptação rápida aos problemas com soluções plausíveis é importante para o desenvolvimento do aluno uma vez que ele desenvolva estas mesmas características. O aluno por sua vez pode, por vários meios, adquirir informações necessárias para o desenvolvimento e sua própria lapidação, porém com o auxílio do professor orientador, o qual auxiliará o aluno a ter uma maior consistência sobre seu conhecimento. E este conhecimento passa a possuir um objetivo como muitas vezes no mundo globalizado é colocado e imposto aos funcionários como metas e diretrizes a serem seguidas. Dessa forma algumas escolas estão colocando estas idéias de formação do conhecimento, a fim de que seus alunos sejam bem sucedidos e possam levar o nome da escola, faculdade e etc. para a sociedade. Entretanto, é necessário discutir criticamente o ambiente escolar, não só para o desenvolvimento de capacidades afins ao mercado de trabalho, mas também para o senso crítico dos alunos, pois o conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

5 Esta nova organização educacional tem como resultado ensinar os alunos a se prepararem para lidar com incerteza, a mudança e a exigência de uma aprendizagem contínua. Portanto, o processo de aprendizagem contínua dos indivíduos de uma escola deve ser analisado dentro da concepção de gestão adotada pelastecnologias de Informação e Comunicação disponíveis. Teorias educacionais aprendidas e construídas ao longo da vida, relacionamentos, atitudes, gestos, ações profissionais e exercer sua função administrativa discutindo mudanças na educação, tudo isso são as principais atitudes de um gestor educacional. O capítulo Autonomia da Escola e Participação, também escrito por Alonso aborda a autonomia como um conceito relacional, que é exercida sempre num contexto de interdependências e num sistema de relações. Significa dizer então, que à escola cabe uma autonomia relativa, que se restringe, em grande parte, aos aspetos organizacionais, no sentido de permitir que ela se ajuste às necessidades locais, de forma a poder atingir seus objetivos. O que se observa nesse caso é que se estabelece uma espécie de acordo entre os dois níveis, da unidade e do sistema, o qual ao mesmo tempo em que se amplia a liberdade da primeira, se restringe o controle do último. Um ponto importante nesse tipo de gestão é o ganho e poder das escolas para decidir sobre a alocação de recursos em geral, materiais e humanos, a partir de critérios definidos em nível central. Conferir à escola maior poder de decisão é sem dúvida, livrá-la das amarras que constituem entraves à realização dos seus projetos. Porém, isso implica aumento de responsabilidades para os seus membros, sobretudo para o diretor. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

6 O capítulo O Trabalho Coletivo na Escola e o Exercício da Liderança ainda de autoria de Alonso retrata que o trabalho coletivo é uma meta a ser perseguida pelos dirigentes escolares, uma vez que a tarefa de educar, mais que qualquer outra, é construída por uma ação conjunta dos vários personagens que atuam nesse processo. Entretanto, vários fatores concorrem pra dificultar a realização dessa meta, desde as condições de trabalho do professor, o tempo reduzido de sua permanência na escola, até a forma como está estruturada a instituição e os mecanismos de controle estabelecidos. Portanto, o propósito de estimular o trabalho coletivo pode se apresentar como uma tarefa quase impossível. A estratégia é dar pistas que auxiliem os dirigentes escolares nessa tarefa, de modo a superar as barreiras existentes e avançar no desenvolvimento de formas mais dinâmicas e atuais de organização e gestão escolar, que permitam a integração das ações e o alcance dos objetivos educacionais pretendidos. A liderança exerce papel importante nesse processo, garantido a participação de todos os integrantes, articulando as diferentes contribuições e elaborando sínteses, sempre que julgar necessário, para assim dar possibilidades para que o grupo avance. Supõe também a capacidade de superação de diversidade grupal e a formulação de um pensamento comum que englobe as diferenças de pensamento e aspirações, trazendo para o seu meio novas oportunidades. Para tanto, o líder desejável deve demonstrar a sua sensibilidade e compreensão para com o diferente, deve conhecer muito bem o ambiente de trabalho em que atua para poder inovar, fazendo a mediação entre sua organização e a comunidade em geral. O capítulo Tecnologias e Gestão do Conhecimento na Escola escrito pela Especialista em Educação Maria de Almeida discuteas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que foram inicialmente introduzidas na RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

7 educação para informatizar as atividades administrativas, visando agilizar o controle e a gestão técnica, principalmente a oferta e a demanda de vagas e a vida escolar do aluno e, posteriormente, incorporar uma perspectiva inovadora, com o objetivo de participar de forma integrativa em projetos extra classe, desenvolvidos com a orientação de professores em sala de aula onde estavam encarregados da coordenação e facilitação no laboratório de informática. O uso das TICs na escola facilitou para o acesso à informação atualizada e para favorecer a criação de comunidades colaborativas para agilizar a comunicação e eliminar os muros que separam a escola da sociedade. E o papel do gestor não será apenas para promover condições para o uso das tecnologias e sim, para ser um agente mobilizador e líder na escola. Os ambientes virtuais de aprendizagem permitem aos participantes fornecer informações, trocar experiências, discutir problemáticas e temas de interesses comuns, desenvolverem atividades colaborativas para compreender seus problemas e buscar alternativas de solução. Todo esse sistema só será possível se houver uma integração entre todos os membros da escola, trabalhando coletivamente, para uma verdadeira conscientização sobre a real utilização das tecnologias no processo de ensino aprendizagem. Os docentes precisam estar aptos na utilização das tecnologias e assim, poderem estar preparados para apresentarem novas formas de aprendizagem e garantirem um ensino mais didático. Diante disso, faz-se necessário que os educadores saibam da realidade de seus alunos para poderem compreender suas dificuldades. Para todo processo de aprendizagem é preciso dedicação, disciplina e esforço, o que muitas vezes não atende aos desejos dos educandos. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

8 O capítulo Gestão Inovadora com Tecnologia foi escrito por José Manoel Moram Costas, Doutor em Comunicação e professor da USP. A primeira idéia apresentada por Costas é sobre as características que os gestores devem possuir como competência, liberdade, confiança e amizade para obterem sucesso no processo educativo. Logo na introdução, mostra idéias sobre tecnologias ligadas ao ensino, como é o caso da Internet e seus ambientes virtuais, onde o indivíduo pode pesquisar textos, receber e enviar mensagens, discutir questões em fóruns ou em salas virtuais. Em Tecnologia na Gestão Escolar, vale ressaltar a idéia de tecnologias que o autor traz, as quais são os meios, apoio ou ferramenta utilizadas no processo de ensino aprendizagem. Nesse sentido, o giz, a lousa, o livro dentre outros são usados para o aprendizado. Já no subtítulo - Programas Integrados de Gestão Administrativo-Pedagógica - é mencionada a idéia da introdução da tecnologia nas escolas, onde antes o computador só era usado na administração e posteriormente foi introduzido como ferramenta pedagógica. É ainda explicitado pelo autor o programa de gestão tecnológica, chamado de portal, que é muito usado na maioria das escolas e universidades do Brasil, que permite uma maior interação das instituições em pais, alunos e professores, além de possibilitar a divulgação da escola; o marketing da instituição. Sobre programas de Gestão Pedagógica, é mostrada a tecnologia dos softwares que existem hoje no mercado e possibilitam o acompanhamento de alunos dentro de um mesmo ambiente virtual. Nesses programas são encontrados textos, vídeos e salas de discussões sobre o curso que é oferecido a distância. Em Tecnologia de RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

9 Gestão Pedagógica são trazidos quatro passos para a implantação de tecnologias, os quais são: garantir o acesso da tecnologia a todos; domínio técnico; domínio pedagógico e gerencial; soluções inovadoras que seriam impossíveis sem as novas tecnologias. Por fim, Costas acredita que futuramente a comunidade escolar terá mais facilidade para dispor de tecnologias como o computador e Internet para colaborar mais ainda no processo ensino-aprendizado. Uma visão mais ampla da situação escolar depende de inúmeros pontos da gestão escolar que influenciam direta e indiretamente na perspectiva de mudança na escola em novos tempos, não podendo deixar o processo de formação de professores ser guiado, simplesmente, pelas novas tecnologias para a aquisição de conhecimento. Acaba-se que no que tange à melhoria da aprendizagem poucos resultados positivos são apurados em razão a falta de estrutura organizacional da escola, de tempo, de espaço, de equipamentos ou de apoio técnico e até mesmo por falta de incentivo e atitudes restritivas por parte da direção da escola, ou melhor, de uma possível gestão escolar. Assim o mais importante é levar em conclusão de que mostrar da forma mais clara possível à educação brasileira é indiscutível, embora não haja um significado real da amplitude da educação deve se ter um conceito bem estruturado não do que seja a gestão no contexto da atualidade, mas sim uma gestão continuada do processo de ensino. Portanto, essa nova situação escolar pode oferecer à escola um papel fundamental de extensão da família e da sociedade como um todo, formando circunstâncias favoráveis aos educadores e educandos tornando o processo de ensino e aprendizagem algo natural de ser e entender. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

10 Enfim, esta obra destina-se a todos os diferentes grupos de educadores, desde o diretor e seus colaboradores na gestão escolar até os estudantes das diversas áreas da educação, e principalmente a todos os envolvidos na mudança da escola e da Educação em geral. REFERÊNCIA VIEIRA, Alexandre Thomaz; ALMEIDA, Maria Elizabeth B. de; ALONSO, Myrtes (orgs).gestão Educacional e Tecnologia. São Paulo: Avercamp, p. RPD, Uberaba, v.7, n. 15, p janjul.2007 ISSN

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