1 Logística 1. 2 Funções da Logística 29
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- Thiago Osório Varejão
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1 Sumário V 1 Logística Definição de Logística Histórico de Logística Logística Integrada Etapas do Processo Logístico Logística e suas Funções Desempenho Logístico Indicadores de Desempenho Interações das Funções Logísticas na Empresa A Logística no Brasil Custos e Logística 17 2 Funções da Logística Estoques Serviço ao Cliente Armazenagem Localização Teorias de Localização Localização na Indústria Técnicas de Localização 53
2 VI Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação 2.5 Transportes Aspectos Gerais Localização e Transporte Custos de Transporte Transportes e Funções Logísticas Operadores Logísticos Modais de Transportes Multimodalidade e Intermodalidade Transportadoras Roteirização de Veículos Cadeia de Suprimentos Supply Chain Management (SCM) ou Gestão da Cadeia de Suprimentos (GCS) As Organizações e a GCS Desenvolvimento Logístico na Organização Parcerias Logísticas Desenvolvimento de Fornecedores Terceirização (Outsourcing) na Cadeia de Suprimentos Suprimento Físico e Distribuição Física Logística Reversa Tecnologia e Sistema de Informação na Logística Conceitos Comércio Eletrônico (CE) Intercâmbio Eletrônico de Dados (EDI) Novas Tecnologias E-learning T-commerce C-commerce Location Based Service (LBS) E-marketplace E-business ERP Ciclos e Gerações do E-business 182
3 Sumário VII 4.5 M-commerce ou Mobile Commerce Gerência Eletrônica de Documentos (GED) Business Intelligence (BI) ou Inteligência de Negócios Data Warehouse (Armazém de Dados) Data Mining (Mineração de Dados) Knowledge Management (KM) ou Gestão do Conhecimento Customer Relationship Management (CRM) ou Gestão do Relacionamento com o Cliente Aspectos Jurídicos do CE Criptografia e Certificação Digital no CE Conceitos Criptografia Simétrica Criptografia Assimétrica Assinatura Digital Função Hashing Criptografia Simétrica versus Assimétrica: Protocolos Criptográficos Certificado Digital 221 Apêndice A Análise de Investimentos 229 Apêndice B Matemática Financeira 241 Apêndice C Conceitos Básicos de Pesquisa Operacional 263 Apêndice D Competitividade e Tecnologia de Informação 283 Apêndice E Estudos de Caso 303 Referências Bibliográficas 355 Webgrafias 361
4 Prefácio IX A logística é uma atividade que teve origem na área militar, quando grandes exércitos se deslocavam a grandes distâncias para combater e conquistar terras e riquezas e, não raro, eram obrigados a lá permanecer por longo tempo. Sua origem remonta a época dos gregos e foi aperfeiçoada por Napoleão Bonaparte, entretanto não era estudada nas escolas militares. Foi ensinada pela primeira vez na segunda metade do século XIX em um país que emergia e que tinha a ambição e o objetivo de se tornar uma grande potência: os Estados Unidos da América. De lá para cá, os empresários começaram a verificar a importância dessa atividade. Deming (W. Edwars) e Juran (J. M.), ao formular seus conceitos sobre a qualidade e focar a importância da cadeia produtiva no cliente, seja interno ou externo, chamaram a atenção para alguns fatos importantes em uma cadeia produtiva, tais como o fornecedor dos insumos, a qualidade no processo produtivo e a entrega do produto ao cliente, não só dentro das especificações acordadas como também, e principalmente, na data estipulada. As tecnologias foram sendo desenvolvidas e hoje, com o advento do computador pessoal (PC) e a ampla utilização da Internet e da telefonia
5 X Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação celular, os empresários se sentem cada vez mais pressionados por seus clientes e acionistas. É nesse clima de modernização e globalização que os autores Carlos Francisco Simões Gomes e Priscilla Cristina Cabral Ribeiro, com competência e de maneira simples e concisa, apresentam uma nova abordagem para a logística nos tempos modernos. Como em toda obra desse quilate, começam descrevendo a evolução da logística ao longo da história, conceituando-a de forma clara e apresentando sua integração entre os diversos agentes que interagem nesse processo. Abordam ainda no primeiro capítulo as etapas e as funções logísticas e os indicadores capazes de medir seu desempenho. Finalizam-no mostrando como evoluiu a logística no Brasil e apresentam formulações matemáticas para cálculos de estoques e postos de ressuprimento. No segundo capítulo, os autores, por meio de uma abordagem holística, ampliam o conceito de estoque e enfatizam o atendimento às necessidades dos clientes. Apresentam, ainda, a importância da localização dos centros de produção em função dos fornecedores, de empresas e dos clientes. Indicam, também, técnicas para soluções de problemas com a localização usando a simulação e a progressão matemática (linear, inteira, dinâmica e não-linear). Abordam ainda nesse importante capítulo os aspectos da multimodalidade e da intermodalidade dos transportes, em função da localização dos atores no problema logístico, quais sejam: fornecedores, centro de produção e clientes. Analisam exaustivamente as diversas modalidades de transporte (dutoviário, aquaviário, ferroviário e aéreo) e, por fim, tecem comentários sobre a introdução da Tecnologia da Informação na modernização dos transportes, bem como sua terceirização. No terceiro capítulo, os autores integram os conceitos básicos expostos nos capítulos anteriores e apresentam orientações em busca da eficiência e otimização da cadeia logística. Expõem primeiramente conceitos básicos sobre a Gestão da Cadeia de Suprimentos (GCS), a importância da parceria com os fornecedores e clientes para atingir os serviços e reduzir custos, visando à redução ou mesmo à eliminação de processos que não agregam valor ao produto. Discorrem ainda sobre conceitos de suprimentos e distribuição, logística reversa e outsourcing. Apresentam os objetivos da CGS, a necessidade de redução de estoques e do número de fornece-
6 Prefácio XI dores e discorrem sobre o desafio maior do empresário: igualar o prazo logístico ao ciclo de pedido do cliente. Nos dois últimos capítulos, os autores, de forma inteligente e de fácil entendimento, apresentam técnicas modernas e de grande utilização na globalização econômica do dia-a-dia. O capítulo 4 integra os aspectos da logística apresentados nos capítulos anteriores com o Comércio Eletrônico (CE). Os autores começam conceituando o CE e expondo suas características, os tipos de transações, a importância da Internet e a interação entre a economia e a telefonia celular com o CE. Apresentam também os conceitos de Sistema e de Tecnologia de Informação (SI e TI) e a união entre eles. Esse capítulo vai além e navega em áreas da modernidade como as transações comerciais via m-commerce (Internet, telefonia, TV interativa etc.), o e-business, a Gerência Eletrônica de Documentos (GED), o Business Intelligence, a Gestão do Conhecimento e a Gestão do Relacionamento com o Cliente. Por fim, discorrem sobre os aspectos jurídicos do CE. Já o capítulo 5 é didático e descreve de maneira bem simples o que são a criptografia e a certificação e assinatura digitais. O livro contém ainda cinco apêndices didáticos sobre análise de investimentos, matemática financeira, conceitos básicos de pesquisa operacional, competitividade e tecnologia da informação, e estudos de caso. Resumindo, este é um livro extremamente importante para quem pretende conhecer o assunto e nele evoluir, pois a cada dia a logística ocupa lugar de importância vital no crescimento das empresas, principalmente na era da Internet e da globalização dos negócios, sejam financeiros ou comerciais. Ricardo Sergio Paes Rios Contra-Almirante Diretor do Centro de Análises de Sistemas Navais (Casnav)
7 Capítulo 1 Logística 1 Este capítulo inicialmente apresenta uma visão panorâmica da evolução da logística, como esta começou na área militar e posteriormente teve seus conceitos aplicados à área empresarial. Também se apresenta uma proposta de como fazer a integração logística, bem como um check-list das etapas e funções que devem ser seguidas para um perfeito planejamento logístico, e indica como, por meio de indicadores, é possível fazer uma mensuração dos resultados e, por intermédio de algumas formulações básicas, demonstra-se como é possível efetuar os cálculos dos estoques. É apresentada ainda uma visão da logística no cenário brasileiro. Para Dias (1993), a logística é responsável pela movimentação de materiais e produtos, através da utilização de equipamentos, mão-de-obra e instalações, de tal forma que o consumidor tenha acesso ao produto na hora e com o menor custo que lhe convenha. A logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, a movimentação e o armazenamento de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informação correlatos) por meio da organização e dos seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presentes e futuras com o atendimento dos pedidos a baixo custo. A logística empresarial estuda como a gerência pode prover melhor nível de rentabilidade aos Logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, a movimentação e o arma zenamento de materiais, peças e produtos acabados.
8 2 Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação serviços de distribuição aos clientes e/ou consumidores, por meio de planejamento organizado e controle efetivo das atividades de movimentação e armazenagem, objetivando facilitar o fluxo de produtos. Para a Society of Logistics Engineers ( logística é: A arte e a ciência das atividades técnicas, de gestão e engenharia relacionadas com as necessidades e recursos de desenho, aprovisionamento e manutenção (e manutenabilidade) necessários para alcançar objetivos (resolver problemas), desenvolver planos e dar suporte a operações. Segundo o mesmo autor, é preciso, no estudo da logística, diferenciar fornecedor, cliente e usuário final. O fornecedor é a empresa que produz, transforma o produto para vender e distribuir. Os clientes são aqueles que estão entre os fornecedores e os usuários finais os supermercados, por exemplo. O usuário final é o consumidor, aquele que vai ao varejo realizar suas compras e com ele tem uma relação direta. Sendo assim, a logística é entendida como a integração da administração do estoque e a da sua distribuição física. Portanto, a logística tem como finalidade: ter os insumos corretos, na quantidade correta, com qualidade, no lugar correto, no tempo adequado, com método, preço justo e com boa impressão; ajudar a aumentar o grau de satisfação do cliente. Segundo Alvarenga e Novaes (2000), para o estudo da logística, o enfoque sistêmico é bastante vital, pois os problemas advindos desse setor são múltiplos e de visões antagônicas: marketing, produção, comercialização, transporte, finanças etc. Assim, longe de ser um modismo, os conceitos de Teoria de Sistemas e, na prática, o enfoque sistêmico, constituem um dos pilares básicos da Logística Aplicada. No enfoque sistêmico, é muito importante identificar com clareza as relações de causa e efeito entre os elementos que formam o sistema. Não basta conhecer as partes em detalhe, caso não se conheçam as variáveis que influem nas bases do problema. A Teoria de Sistemas procura definir princípios e propriedades que sejam comuns a qualquer tipo de sistema. Os sistemas possuem sete características básicas:
9 Capítulo 1 Logística 3 1) O sistema é formado por componentes que interagem. Os componentes que formam um sistema (subsistemas) não são meramente colocados juntos, em uma simples justaposição de elementos um ao lado do outro. 2) Quando o sistema está otimizado, os componentes também o estão. O ótimo do conjunto (sistema) não coincide com a agregação dos ótimos dos componentes (subsistemas), mas não se pode considerar isoladamente cada componente do sistema e otimizá-lo separadamente, ou não se alcançarão conseqüências práticas. Pode-se impor restrições exógenas, permitindo que se chegue às melhores soluções, mas respeitando as chamadas condições de contorno. 3) Todo sistema tem pelo menos um objetivo. O conhecimento humano tem se desenvolvido e progredido seguindo o processo iterativo, de tentativa e erro. Os sistemas precisam ter um objetivo bem definido e, quando se projeta um deles, é necessário que se defina claramente o que se pretende com sua criação. Para resolver problemas logísticos, a definição de objetivos implica, quase sempre, compatibilizar metas conflitantes de setores diversos (vendas versus produção etc.). 4) A avaliação do desempenho de um sistema exige medida(s) de rendimento. As medidas de rendimento são variáveis ou parâmetros para se definir e identificar onde estamos no processo evolutivo e se os objetivos foram alcançados. Os problemas semânticos são deixados de lado e é valorizado o processo de como medir o rendimento na prática e avaliá-lo corretamente. Por exemplo, a variável prazo de entrega deve ser uma das medidas incluídas no nível de serviço desejado. Essa variável pode ser mensurável ou quantificável em dias, horas etc., conforme a necessidade, podendo então fazer parte do nível de serviço ou medida de rendimento do sistema. 5) Sistemas criados pelo homem requerem planejamento. O planejamento envolve as seguintes etapas: identificar claramente os componentes (subsistemas), formando uma estrutura adequada à análise;
10 4 Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação considerar cada componente também como um sistema; estabelecer com clareza o objetivo pretendido; estabelecer as medidas de rendimento do sistema e definir as variáveis que vão representá-las; criar alternativas viáveis, envolvendo processos e/ou tecnologias diferentes e cobrindo uma gama ampla de rendimento. Descartar, de imediato, apenas as alternativas que se mostrem inegavelmente inviáveis; analisar as implicações de cada alternativa em cada um dos componentes (subsistemas); otimizar os subsistemas de forma integrada; calcular o rendimento e o custo, para cada alternativa, de cada componente ou subsistema; integrar os subsistemas de cada uma das alternativas, de forma a gerar soluções consistentes para o sistema; avaliar as alternativas por meio da relação custo/benefício, custo/nível de rendimento ou outra metodologia de avaliação econômica. 6) A manutenção do nível de desempenho requer controle permanente. Para manter um sistema, a fim de que ele continue a desempenhar adequadamente suas funções, sem perder seus objetivos e sem degradar seu nível de serviço, é necessário estabelecer controles de forma a mantê-lo no rumo certo. Em uma empresa, cada setor é obrigado a fazer concessões de forma a se adaptar ao sistema que está sendo implantado. Não se pode deixar que cada subsistema se autocontrole isoladamente: ele pode se desvir tuar, pois assim podem ocorrer desvios dos objetivos a serem alcançados. O controle é efetuado pela garantia dos objetivos pretendidos; não se pode deixar que eles mudem ao sabor das circunstâncias. Atuamos, então, sobre as variáveis que influem no rendimento, nos custos e na interação do sistema com o ambiente externo. Em termos práticos, estabelecemos controle de qualidade, controle de custos, de prazos de entrega, controle jurídico (contratos, pendências, responsabilidades) etc. Há, assim, um feedback (retroalimentação) no sistema, permitindo que se façam as correções de rumo, de forma a garantir os objetivos desejados. 7) Interação do sistema com o ambiente. Tudo aquilo em que o gerente, ou seja, o responsável pelo sistema não pode efetivamente interferir faz parte do que se chama de ambiente ou
11 Capítulo 1 Logística 5 mundo externo. O ambiente limita o desenvolvimento livre de um determinado sistema por meio de restrições, premissas, normas, diretrizes etc. Há restrições reais e fictícias, sendo estas muito perigosas porque impedem, muitas vezes, a evolução e o progresso. Portanto, é preciso ter cautela ao considerá-las, enquanto não forem realmente concretas. Uma das características típicas do enfoque sistêmico é não se restringir a apenas uma solução viável, mas ampliar a análise do estudo de soluções alternativas. Isso deve ser feito principalmente quando há restrições técnicas, operacionais ou socioeconômicas, tendo que, no início do processo, selecionar um número variado de alternativas. A logística é função da empresa que se preocupa com a gestão do fluxo físico do suprimento de matérias-primas, assim como a distribuição dos produtos finais aos clientes. Para a melhor caracterização do que representa a função logística dentro das empresas, mostram-se a seguir as diversas atividades da logística e suas respectivas funções. O verdadeiro engenheiro de sistemas se caracteriza pela sua am - plitude de conhecimento, principalmente pela sua flexi bi li dade para afrontar cada sistema ou situação com as fer ra men tas e as metodologias adequadas. Não existe uma ferramenta universal idônea para a resolução de qualquer tipo de problema. A logística teve seus primeiros indícios na Grécia Antiga, pois, com o distanciamento das lutas, era necessário um estudo do abastecimento das tropas com armamentos, alimentos e medicamentos, além do estabelecimento de acampamentos. Na antigüidade, os combatentes eram praticamente auto-suficientes. Não havia apoio em profundidade; ele se limitava à retaguarda e grande parte do abastecimento era obtida por pilhagem dos territórios conquistados. Napoleão se interessou pelo apoio logístico. Sofreu por falta de víveres e rações, entre outras coisas, durante a campanha contra a Rússia, uma vez que se afastou muito das suas fontes de suprimento e se abasteceu dos territórios ocupados.
12 6 Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação A logística teve seus primeiros indícios na Grécia Antiga. Com o distanciamento das lutas, era necessário um estudo do abastecimento das tropas com armamentos, alimentos e medicamentos, além do estabelecimento de acampamentos. Clausewitz, em seu livro A Arte da Guerra, reconheceu as atividades que sustentam a guerra, porém não utilizou a palavra logística. O primeiro a utilizá-la foi o Barão Antoine Henri de Jomini, contemporâneo de Clausewitz e general de Napoleão, tendo essa palavra provavelmente se originado do vocábulo francês loger, que significa alocar. Logística torna-se matéria na Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos em 1888 e tem seu primeiro tratado científico em 1917, com o tenente-coronel Thorpe, do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, no mesmo ano, com o livro Logística Pura: A Ciência da Preparação para a Guerra. Segundo Figueiredo e Arkader (2001), a logística teve cinco eras, do século XX até os dias atuais. No início do século XX, havia a preocupação com o escoamento da produção agrícola. Essa fase é denominada do campo ao mercado. De 1940 até o início da década de 1960, a logística continuou com grande influência militar, uma preocupação com a movimentação de materiais, principalmente armazenamento e transporte de bens, sendo essa a era das funções segmentadas. As funções integradas foram uma fase, do início da década de 1960 até os primeiros anos da década de 1970, com uma visão integrada, incluindo custo total e abordagem de sistemas, foco mais amplo, transportes, distribuição, armazenagem, estoque e manuseio de materiais. A partir da década de 1970, até a metade dos anos 80, houve a fase do foco no cliente, ressaltando produtividade e custos de estoques, e foi incluída no ensino nos cursos de Administração de Empresas. Atualmente, tem-se a fase logística como elemento diferenciador, destacando-se a globalização, a tecnologia da informação, a responsabilidade social e a ecologia. Há alguns anos, prevalecia na logística o conceito individualizado do estudo do transporte, estoque e armazenagem, mas atualmente é o conceito de logística integrada que predomina. Esse sistema (integrado) é o rela-
13 Capítulo 1 Logística 7 cionamento entre fornecedor, suprimentos, produção, distribuição e cliente, havendo um fluxo de materiais e outro de informações. Ao inserir logística em seus negócios, o em presário deve ter em mente outras três etapas: su primento, a fim de obter matéria-prima na quantidade exata, com menos custos e mantendo a qualidade; administração de produção, definindo junto com o marketing o quanto produzir, o que e para quem, e distribuição, tendo em vista todo o processo de embalagem, transporte e movimentação. A logística integrada é o relacionamento entre fornecedor, suprimentos, produção, distribuição e cliente, havendo um fluxo de materiais e outro de informações. A satisfação do cliente, hoje, não se resume a apenas oferecer-lhe um produto de qualidade superior, como também menor preço e menor prazo de entrega, garantindo o cumprimento do prazo e a regularidade no atendimento, com troca de informações muitas vezes via Electronic Data Interchange EDI ou Intercâmbio Eletrônico de Dados), que permite um contato eficiente entre fornecedor e cliente. O conceito de EDI será ampliado na Seção Intercâmbio Eletrônico de Dados (EDI). Para o atacado, a implantação do conceito de logística não é necessariamente troca de frota, mas sim uma mudança de rota ou construção de um novo depósito, bem como da sua reorganização. A logística integrada começou no final da década de 1950, nos Estados Unidos, quando uma companhia de navegação comercial aérea propôs transportar a produção de uma indústria farmacêutica por avião, com redução final de custos. A empresa implantou o processo com certa cautela, mas um estudo demonstrou que a adoção do frete aéreo reduziria os tempos de suprimento e, como conseqüência, os estoques, reduzindo perdas e danos (Hasegawa, 1997). As empresas, entretanto, perceberam que não adiantava ter somente o custo integrado mas todo o processo. Esse conceito busca acabar com os conflitos, como a área de marketing, que estimula o lançamento de produtos diferenciados, enquanto a área de produção prefere padronizados, em grande volume, para não ter problemas. É preciso integrar as funções marketing, produção e transportes. A integração de funções se relaciona diretamente com a necessidade de estreitar o relacionamento entre clientes e fornecedores, levando a empresa a administrar um processo de cadeias, informando-se diretamente com o cliente o que ele deseja comprar.
14 8 Gestão da Cadeia de Suprimentos Integrada à Tecnologia de Informação Flow time é o tempo que o produto leva para passar por toda a cadeia. A evolução tecnológica criou o conceito de tempo real para um produto, que seria definido como o tempo decorrido entre o projeto do produto (es tar na prancheta) e o tempo de esse novo produto estar nas mãos do consumidor. Diante disso, surgiu a idéia de otimizar e agilizar o processo, tornando-o mais eficiente, por meio de fornecimento em cadeia, ou seja, canais de distribuição mais rápidos, agregando valor e não custo ao produto. Esse processo decreta o fim dos grandes estoques para ter um fluxo mais eficiente. É preciso haver uma integração eficaz entre a área de produção e a de comercialização, pois, se a área de suprimentos não conseguir se adequar com precisão às necessidades da produção, poderá haver perdas irreparáveis quanto a vendas ou até mesmo matérias-primas ou produtos acabados. A localização das plantas industriais e a dos depósitos dos produtos prontos também são estruturas de responsabilidade do departamento de logística, assim como a gestão de seus estoques. A expansão do mercado sem um estudo logístico, tendo como base so mente a visão comercial, ou seja, sem analisar localização geográfica da indústria e dos fornecedores, pode levar à anulação dos esforços por essa ampliação. Atualmente, entretanto, utiliza-se a logística integrada, como já foi afirmado. Nela, todas as funções desde o suprimento físico até a distribuição física, ou seja, desde a saída da matéria-prima do produtor até a entrega do produto final no varejo estão integradas em um só sistema: a cadeia de suprimentos. Dessa forma, logística e distribuição passam a ser uma mesma atividade, a administração de todos os assuntos relacionados com o transporte dos produtos, sua colocação no mercado e todas as transações entre fornecedores e clientes. As empresas passaram a denominar essas operações de logística, mas ainda se encontram empresas que as nomeiam como distribuição. A logística pode ser definida como a integração da administração de materiais com a distribuição física, ou seja, as duas grandes etapas do pro-
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