A Colocação do Resseguro Facultativo. Marcus Clementino Março/2013

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1 1 A Colocação do Resseguro Facultativo Marcus Clementino Março/2013

2 Marcus Clementino 2 Formação Acadêmica Engenheiro de Sistemas - PUC/RJ Ph.D. em Matemática Aplicada - London School of Economics Experiência Acadêmica Prof. Adjunto da UFF no Depto. de Eng. de Produção desde 1985 Cursos na Funenseg (diversos anos): Gerente Técnico da Carteira de Automóveis, Introdução ao Resseguro, O Resseguro de Property & Casualty, Resseguro - Mercado Internacional Experiência Profissional De 1973 a Sul América Seguros, área de TI De 1984 a hoje - Sul América Seguros, diversas posições na área Técnica e a partir de 95, Diretor da Ita Re, resseguradora do Grupo.

3 PROGRAMA 3

4 Programa 4 Introdução Escolha das Resseguradoras Escolha da Corretora de Resseguro Processo de Colocação Participação do Jurídico Aprovação do Negócio Certificação e Formalização Contratual Problemas na Colocação

5 INTRODUÇÃO 5

6 Introdução 6 Colocação caso a caso: Flexibilidade na escolha da forma de resseguro Flexibilidade na definição da retenção Problema para a Resseguradora: antisseleção Problema para Resseguradora e Seguradora: muita troca de informação Importância da integralização

7 ESCOLHA DAS RESSEGURADORAS 7

8 Escolha das Resseguradoras 8 Dificilmente 100% do risco será aceito por apenas 1 Resseguradora Importante definir previamente com quem trabalhar Levantar quais operam com facultativo e em que ramos Critério de escolha: os 5 Cs Capital Caráter Competência Cultura e Compromisso

9 Escolha das Resseguradoras 9 Capital: definir um rating mínimo e usar empresas especializadas Caráter: conhecer primeiro, fazer negócio depois - o relacionamento pessoal ainda tem forte influência no negócio Competência: especialização no ramo, fornecimento de serviços Cultura: falar mesma língua é importante, entender os usos e costumes também Compromisso: intenção da Resseguradora em permanecer no Brasil

10 Escolha das Resseguradoras 10 Preparar lista com as Resseguradoras escolhidas contendo: Rating Ramos em que opera Trabalha com proporcionais? Trabalha com corretoras? Nome, endereço eletrônico e telefone dos subscritores e seus substitutos Cuidados com as novas Resseguradoras locais Consulta ao site da Susep (www.susep.gov.br)

11 11 ESCOLHA DA CORRETORA DE RESSEGURO

12 Escolha da Corretora de Resseguro 12 Só passaram a existir oficialmente depois do fim do monopólio Corretora é remunerada através da comissão de corretagem existe um custo adicional Justificativas para usar uma Corretora: Acesso a mercado mais amplo Especialização em ramos que tradicionalmente usam corretoras na colocação Redução do trabalho administrativo

13 Escolha da Corretora de Resseguro 13 Diferenças entre corretoras de seguro e de resseguro: Relacionamento entre cliente (Segurado ou Seguradora) e quem aceita o risco (Seguradora ou Resseguradora, respectivamente) deve sempre se dar através da corretora. No entanto, o contato entre Seguradora e sua Resseguradora não pode ser impedido. Os prêmios de resseguro e recuperações de sinistro transitam pela contabilidade da corretora de resseguro. A Seguradora correria risco de crédito, mitigado pela legislação (Lei Complementar 126/07).

14 Escolha da Corretora de Resseguro 14 Disposição da Lei Complementar 126/07 O prêmio pago pela Seguradora à Corretora funciona como se tivesse sido pago à Resseguradora (a Resseguradora. O sinistro pago pela Resseguradora à Corretora só é considerado quitado quando recebido pela Seguradora. Nestas condições, a Resseguradora só deve trabalhar com Corretora de sua confiança.

15 Escolha da Corretora de Resseguro 15 Documentos emitidos pela Corretora nota de cobertura informa que o risco está colocado e indica os percentuais de participação de cada Resseguradora. nota de débito instrumento de cobrança do prêmio. É recomendável que a Seguradora tenha um cadastro de assinatura das pessoas que possam assinar pela Corretora. Critérios para escolha das Corretoras: os mesmos para escolha das Resseguradoras, exceto a exigência de capital. Exigência adicional: a Corretora precisa gozar de boa reputação.

16 Escolha da Corretora de Resseguro 16 Na prática Corretora de seguro: representa o segurado Corretora de resseguro: representa a seguradora Negócios casados (seguro trazido pela Corretora com o resseguro já colocado) podem representar conflito de interesses e devem ser tratados com muito cuidado. Há Corretoras de resseguro que foram criadas para este tipo de operação e há outras que não operam com seguros, apenas com resseguros.

17 17 PROCESSO DE COTAÇÃO E COLOCAÇÃO

18 Processo de Cotação e Colocação 18 Tempo é um recurso escasso na colocação de facultativos. Se uma Corretora for usada, ela precisa saber com que Resseguradoras a Seguradora quer trabalhar. É importante definir um slip padrão para cada ramo ou segmento em que opera, já relacionando as cláusulas que considera aceitáveis. Por causa da legislação atual, é importante incluir algumas Resseguradoras locais entre as que vão cotar. Definida a líder, as condições finais são apresentadas às outras para completar 100% da colocação, sem esquecer a exigência dos 40% com as locais.

19 Processo de Cotação e Colocação 19 Como os riscos facultativos são ofertados às seguradoras via concorrência, todo este trabalho pode não se concretizar. A cotação só deve ser passada ao Corretor do negócio se houver a garantia de 100% colocado. Se este não for o caso o patrimônio da Seguradora pode ficar seriamente ameaçado. Além do risco técnico envolvido, há outros riscos operacionais.

20 PARTICIPAÇÃO DO JURÍDICO 20

21 Participação do Jurídico 21 A oferta às Resseguradoras é feita através de um slip. Para agilizar a operação é necessário ter um slip padronizado. Como as cláusulas do contrato de resseguro precisam constar do slip com seu texto completo, é fundamental que tenham sido aprovadas pelo Jurídico. Desta forma, caso haja algum litígio, os termos contratuais serão de pleno conhecimento do Jurídico que melhor poderá se preparar para a disputa. Caso seja necessário algum ajuste na redação a pedido de uma Resseguradora, ele será pontual. Caso concretizado, o Jurídico deve carimbar as folhas do contrato de resseguro.

22 APROVAÇÃO DO NEGÓCIO 22

23 Aprovação do Negócio 23 A magnitude dos valores envolvidos implica em não deixar que toda a responsabilidade da colocação fique com um técnico. É preciso que a mesma seja autorizada por algum órgão colegiado ou pelo menos pelo VP da área. Para tal devem ser enviados: o slip final, informações sobre o risco e a margem do negócio. Em geral, a empresa define qual a margem mínima que deve ser obtida e se o caso apresentado não atingir este valor, uma justificativa deve ser dada. Este procedimento introduz uma crítica ao trabalho do técnico e reduz a possibilidade de erros operacionais.

24 CERTIFICAÇÃO E FORMALIZAÇÃO 24

25 Certificação e Formalização 25 A regulamentação em vigor exige que os contratos de resseguro sejam formalizados em 270 dias de vigência. Caso não seja cumprida, a pena é o contrato ser considerado nulo. O slip, mesmo assinado, não pode ser considerado um contrato porque é um documento unilateral. Além disso, não há identificação clara das partes. Além da identificação das partes, é necessário que ambas assinem o contrato. Nem sempre o slip contém a participação final da resseguradora, o que obrigatoriamente ocorre no contrato.

26 Certificação e Formalização 26 Caso haja uma corretora envolvida, ela emite a nota de cobertura, certificando que a colocação foi completada. Ela pode emitir também uma comprovação de cobertura, que é a nota de cobertura com as páginas de assinatura das resseguradoras. Nenhum destes documentos constitui uma formalização contratual porque não contém a assinatura da cedente.

27 Certificação e Formalização 27 Uma solução é: Criar uma folha de rosto identificando a Cedente, a resseguradora ou mencionar que a outra parte são os diversos sindicatos do Lloyd's que assinaram o slip. Mencionar na folha de rosto que o slip é parte integrante do contrato. Acrescentar uma folha para a assinatura da Cedente.

28 28 OUTROS PROBLEMAS NA COLOCAÇÃO

29 Outros Problemas na Colocação 29 No Brasil, a cessão do facultativo é quase sempre feita na base net e comissão de resseguro é baixa, entre 5 a 10%. No caso de parte do risco ser cedida a um contrato automático, a cessão é feita pelo prêmio cheio, em vez do net. Esta diferença tem que se levada em conta no cálculo da margem do negócio.

30 Outros Problemas na Colocação 30 No Brasil, quando há espaço, é comum a inclusão de um spread, uma valor adicional que constitui um ganho extra da Seguradora no negócio. Se o risco está sendo colocado 100% facultativamente, a Seguradora retém integramente spread. Quando parte está sendo cedia a um contrato automático proporcional, a parte correspondente do spread deve ir junto com a cessão. Isto porque este tipo de contrato automático usa o prêmio da apólice como base da cessão e o spread faz parte deste prêmio.

31 Outros Problemas na Colocação 31 No caso do resseguro ser colocado por uma Corretora que também opera em seguros, ela pode avaliar a cotação da Resseguradora e acreditar que há espaço para aumentar o custo do resseguro, acrescentando, para ela, um spread. Como a Seguradora deve receber o slip assinado, ela fica em uma situação difícil perante uma auditoria. A Corretora pode tentar incluir uma comissão de corretagem no valor do spread na nota de débito mas a Seguradora não terá como pagar esta comissão. A única forma de fazer este pagamento é através de um contrato específico de prestação de serviços.

32 Outros Problemas na Colocação 32 Finalmente: como o IRB agia tradicionalmente desta ou daquela forma antes da abertura, não significa que uma Resseguradora internacional fará o mesmo.

33 FIM

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