ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA RIMA -RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL. LT 230 kv Ibicoara/Brumado II C1 e SE Ibicoara 230 / 138 kv

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1 RIMA -RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL LT 230 kv Ibicoara/Brumado II C1 e SE Ibicoara 230 / 138 kv Salvador/BA Janeiro de

2 SUMARIO Introdução...4 Áreas Afetadas Pelo Empreendimento...5 Área Afetadade Pelo Empreendimento Diretamente...5 Área Afetada Pelo Empreendimento Indiretamente...5 Situação do Empreendimento e Suas Relações com o Meio Ambiente...5 Meio Físico...5 Clima...5 Geologia...6 Geomorfologia...8 Solos...10 Recursos Minerais...12 Recursos Hídricos...13 Meio Biótico...15 Vegetação...15 Fauna...20 Meio Sócio-Econômico...24 Área de Influência Indireta...24 Dinânimca Demográfica...24 Dinâmica Econômica...27 Infra-Estrutura...31 Área de Influência Direta...37 Dinâmica Demográfica...37 Caracterização das Condições Sócio Econômicas da População...41 Caracterizção da Infra-Estrutura...43 Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico...44 Identificação de Manifestações Culturais...46 Patrimônio Natural...49 Aspectos Turísticos...51 Saúde Pública...53 Policiamento...56 Organização Social...56 Percepção e Itegração da População

3 Levantamento do contingente de trabalhadores a ser estabelecido no local do empreendimento e infra-estrutura necessária...57 Sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica...62 Sistema de Telecomunicações...63 Sistema de Abastecimento de Água...64 Uso do Solo...66 Uso da Água...67 Impactos Ambientais...69 Fase de Implantação...70 Fase de Projeto...70 Fase de Operação...73 Proposição de Medidas de Minimização (Mitigadoras) e Compensatórias...86 Meio Físico...86 Meio Biótico...88 Meio Sócio Econômico e Cultural...89 Prognóstico...94 Sem Empreendimento...94 Com Empreendimento...94 Bibliografia

4 INTRODUÇÃO Objetivos A LT 230 kv Ibicoara / Brumado II C1 e a SE Ibicoara 230/138 kv consistem na construção de cerca de 95 km de linha de transmissão em 230 kv, em circuito simples, e de duas entradas de linha, nesse mesmo nível de tensão, para conexão nas subestações existentes SE Ibicoara e SE Brumado II. Este empreendimento se localizará no Sudoeste da Bahia e se estenderá sobre os territórios dos municípios de Ibicoara, Barra da Estiva, Jussiape, Ituaçú, Rio de Contas e Brumado. Adicionalmente, serão implantados dois parques de transformação na SE Ibicoara, sendo um de 500/230 kv e outro de 230/138 kv. Como é inevitável, qualquer empreendimento a ser implantado não gera somente pontos positivos para os meios que atingem. Sempre há inconvenientes que, quando possível devem ser eliminados e quando não, ter seus efeitos minimizados da melhor foram possível. Mesmo atingindo todos os municípios acima citados e analisando separadamente cada um dos efeitos, positivos e negativos, gerados pelo empreendimento em sua fase de implantação e após sua conclusão e operação, o empreendimento é visto como um fator favorável ao desenvolvimento regional, uma vez que aumentará a oferta de energia elétrica para os setores residencial, comercial, industrial e agrícola da região. Tais efeitos contribuirão para o surgimento de novos empreendimentos agrícolas, comércais e industrias, além do aumento da oferta de emprego. Sendo assim, a construção deste empreendimento se mostra favorável ao desenvolvimento regional do Sudoeste da Bahia e conseqüentemente de todo o país, o que é uma meta comum de todas as esferas de governo atuante: municipal, estadual e federal. A implantação deste empreendimento, com a menor ação sobre o meio ambiente foi objetivo dos Estudos de Impacto Ambiental, e é o que será detalhado no presente Relatório de Impacto Ambiental. Assim, a elaboração deste documento foi destinada a proporcionar a maior compreensão do empreendimento e suas interferências no meio que se encontrará, o qual vem descrevê-lo e propor medidas corretivas ou minimizadoras destas interferências. 4

5 ÁREAS AFETADAS PELO EMPREENDIMENTO (Áreas de Influência) Considera-se como Área de Influência aquela afetada pelos impactos ambientais diretos e indiretos do empreendimento. Área Afetada Pelo Empreendimento Diretamente (Área de Influência Direta) Denomina-se a área afetada diretamente pelo empreendimento de Área de Influência Direta (AID), que corresponde à área onde ocorrerão diretamente os impactos relacionados ao empreendimento. A AID engloba a área que será construída a LT, áreas de empréstimo e bota-fora, acesso utilizado para o transporte de equipamentos, materiais e trabalhadores. A AID corresponde a uma faixa de 40m de largura ao longo da futura LT, onde serão instaladas as estruturas e os cabos, isto é, uma projeção de 20m para cada lado do futuro empreendimento. Para o Meio Sócio-econômico e cultural, foi adotada como AID, todas as áreas das propriedades contidas ao longo do traçado das LT s. Neste caso a faixa de 40 m ao longo do corredor de implantação da LT foi considerada como área de Intervenção ou Área Diretamente Afetada. Área Afetada Pelo Empreendimento Indiretamente (Influência Indireta - AII) A região correspondente a AII para os Meios Físico e Biótico corresponde aos 500m laterais ao eixo da linha para a direita e esquerda. A AII do Meio Sócio-econômico engloba todos os municípios atravessados pela Linha de Transmissão Ibicoara/ Brumado, incluindo os municípios em que se localizam as Subestações de chegada e partida da LT. SITUAÇÃO DO EMPREENDIMENTO E SUAS RELAÇÕES COM O MEIO AMBIENTE (DIAGNÓSTICO AMBIENTAL) MEIO FÍSICO Clima e Condições Meteorológicas O clima dos municípios de Ibicoara, Barra da Estiva, Jussiape, Ituaçú, Rio de Contas e Brumado é seco, com médias pluviométricas anuais em torno de 600mm e chuvas concentradas 5

6 de novembro a março. As temperaturas médias anuais são elevadas (superiores a 18ºC), sendo que, dezembro é o mês mais quente (máxima entre 37 e 38ºC). A estação seca é prolongada, a evapotranspiração é elevada e o índice de aridez é alto. Tabela 1 - Dados climáticos da estação meteorológica de Brumado período de 2003 a Legenda: TMax temperatura máxima (oc); TMin temperatura mínima (oc); PMax precipitação máxima (mm) Dados Meses Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TMax 39,5 38,5 39,5 39,0 41,5 35,0 41,0 38,0 37,5 39,5 39,0 38,0 TMin 17,0 17,5 15,5 0,0 11,0 10,0 8,0 11,0 11,0 16,5 17,0 17,5 PMax 44,5 47,5 103,8 218,2 28,0 8,8 3,8 6,0 6,5 62,8 51,5 64,0 Fonte: CPTEC / INPE O volume de chuvas nas cidades de Barra da Estiva e Ibicoara é maior (1000mm). No inverno, podem ocorrer algumas precipitações. A temperatura Dados média anual é de 21 a 22 C. E o índice de aridez é nulo durante quase todo o ano. Tabela 2 - Dados climáticos de Ibicoara. Legenda: TMax temperatura máxima (oc); TMin temperatura mínima (oc); PMax precipitação máxima(mm) Meses Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TMax 34,5 34,5 34,0 33,5 32,0 30,5 28,5 33,5 34,0 33,0 34,0 35,0 TMin 0,0 0,0 0,0 0,0 9,5 9,0 7,0 7,0 7,5 14,0 0,0 12,5 PMax 204,8 58,5 231,8 49,0 249,8 128,0 14,0 66,2 7,2 36,2 176,2 43,2 Fonte: CPTEC / INPE Boa parte dos municípios de Brumado, Ituaçú, Jussiape, Barra da Estiva e Ibicora possuem déficit hídrico acentuado, isto acontece porque a quantidade de água evapotranspirada é superior à quantidade de água precipitada. Ventos intensos podem causar prejuízos como a instabilização de torres de transmissão. Em geral, no Estado da Bahia, a intensidade dos ventos é maior entre junho e dezembro, com maior intensidade na região litorânea. Geologia A região do empreendimento está inserida na Província São Francisco e apresenta um embasamento arqueano, 6

7 de alto grau metamórfico (fácies anfibolito e granulito) constituído por ortognaisses. Os principais grupamentos litológicos, são: Arqueano, Paleoproterozóico, Mesoproterozóico e Depósitos Recentes. O é relevo suavemente ondulado, com morros suaves. Em alguns trechos da drenagem a água escava as camadas calcárias, levando ao aparecimento de pequenas escarpas ao longo dos rios, ou gerando rios subterrâneos, em decorrência da solubilidade das rochas. Como não há interferência nas formações dos solos durante a instalação do empreendimento, este não apresenta impactos relevantes quanto a sua geologia. Caracterização Geológica da Área de Influência Direta As principais unidades geológicas presentes na faixa da LT são o Complexo Gavião (principalmente ortognaisses), o Grupo Paraguaçu (arenitos), a Formação Salitre, a Formação Bebedouro e as Coberturas detrito-lateríticas. Em grande parte da área do empreendimento podem ser encontradas litologias relacionadas ao Bloco Gavião que ocorre principalmente no trecho final do traçado, sendo as rochas de maior abrangência (Figura 1). Figura 1 Afloramento de gnaisse do Complexo Gavião 7

8 Geomorfologia A área de estudo está inserida nos domínios geomorfológicos Planaltos em Estruturas Dobradas e Depressões Interplanálticas, os quais apresentam mais de um compartimento geomórfico regional, bem como modelados de dissecação com diferentes graus de densidade e aprofundamento da drenagem. Entre os municípios de Ituaçú e Brumado (parte final do traçado), predominam relevos planos a suaveondulados. A planitude do terreno e a cobertura vegetal do local, aumenta a infiltração das águas da chuva e diminui os processos erosivos que esta causa quando escoa pela superfície. Assim como na Geologia, os impactos causados à Geomorfologia local não são significativos devido a ausencia de grandes intervenções do empreendimento nas camadas profundas do solo, sendo necessário apenas em algunas áreas de armazenamento de materiais e instalação de antenas. 8

9 Figura 2 Litotipos 1 da área estudada 9

10 Figura 3 Unidades Geomorfológicas da área estudada Solos Em grande parte da área de influência do empreendimento ocorrem Latossolos Vermelho-Amarelos Distróficos dentre outros, como pode ser observado na Figura 4. 10

11 Figura 4 Mapa geral de solos na área do empreendimento Em geral, os Latossolos têm favorecem a prática agrícola e possuem elevada resistência à erosão, devido a mineralogia e ao relevo (plano). São solos profundos, porosos, com boa drenagem interna. Na área de estudo, devido ao pastoreio e a cobertura vegetal pouco desenvolvida, os processos erosivos estão presentes em alguns pontos ao longo do traçado. A pecuária extensiva lidera regionalmente o uso do Latossolo Vermelho-Amarelo e Vermelho (Figura 5) e utiliza pouca tecnologia. No vale do Rio Brumado a agricultura é bem desenvolvida sobre esses solos, 11

12 notadamente entre os municípios de Livramento de Nossa Senhora e Dom Basílio. Observa-se, em poucas áreas, o cultivo de palma forrageira (Opuntia fícus-indica Mill.), a qual é utilizada na alimentação animal. Verificou-se também o cultivo eventual de umbuzeiros (Spondias tuberosa L.). Figura 5 Latossolo Vermelho Eutrófico Recursos Minerais O levantamento dos processos minerários é de grande importância nos estudos ambientais relacionados a Linhas Transmissão de energia elétrica, para se definir as interferências dos empreendimentos sobre explorações minerais e possíveis conseqüências das metodologias utilizadas para exploração sobre a integridade dos empreendimentos. Outro ponto importante é na indicação da necessidade de mudanças de traçados de LT em conseqüência da existência de jazidas, em situação de lavra já instalada, economicamente e socialmente importantes. A metodologia do levantamento quanto à presença e interferência de jazimentos minerais consistiu em uma pesquisa junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) de todos os processos minerários ativos. A vistoria de campo realizada pela equipe técnica, não identificou nenhuma atividade de extração mineral (formal ou informal) nas proximidades do empreendimento. Mesmo assim, campanhas periódicas de vistoria serão realizadas a fim de detectar quaisquer atividades nas proximidades. 12

13 Recursos Hídricos O empreendimento está inserido na região hidrográfica do Atlântico Leste, nas bacias hidrográficas do rio Paraguaçu e rio de Contas. A porção sul da área do empreendimento, próxima aos municípios de Brumado, Tanhaçú, Ituaçú e Barra da Estiva, está localizada na porção noroeste da bacia do Rio de Contas. Já a porção norte da área, parte inicial do empreendimento, nas proximidades do município de Ibicoara, está localizada na porção sudoeste da bacia do rio Paraguaçu, onde predominam elevações das Serras da Borda Ocidental da Chapada Diamantina. A bacia do Rio de Contas integra a maior parte de Brumado, Jussiape e Barra da Estiva e seus principais afluentes são os rios Brumado, Gavião e Gongogi, na margem direita, e na margem esquerda os rios Ourives, do Laço, Jequiezinho e Oricó. O corredor corta áreas pertencentes ao médio e alto Rio de Contas e áreas do Rio Brumado. As principais utilizações das águas do Rio de Contas relacionam-se a irrigação, geração de energia elétrica e abastecimento. A bacia do Rio Paraguaçu, na área cortada pelo corredor, abrange os municípios de Ibicoara (Figura 6) e parte do município de Barra da Estiva, no alto curso da bacia. Suas águas são utilizadas, principalmente, para abastecimento doméstico, agricultura e atividades de mineração. Os principais problemas nesta bacia são causados por atividades garimpeiras e de mineração. Figura 6 Rio Paraguaçu próximo ao município de Ibicoara O traçado da LT atravessa os rios Brumado, de Contas, Paraguaçu (considerados de médio porte) e os rios Taquari, Boa Esperança, Tatu, Laje (de 13

14 pequeno porte). Os rios Brumado, Taquari, Boa Esperança e Tatu são intermitentes, e os rios de Contas, Paraguaçu e Laje são permanentes. Águas subterrâneas A região apresenta pouca produtividade nos poços, elevada proporção de poços secos e salinidade elevada das águas, dominantemente cloretadas que atrapalham sua exploração. A rede de drenagem superficial supre satisfatoriamente as necessidades domésticas essenciais, bem como a dessedentação animal. Desta forma, o principal uso da água subterrânea é para fins domésticos, através de poços rasos, ocorrendo alguns plantios irrigados nas proximidades de Ibicoara. Qualidade da água Os corpos d água que serão interceptados pelo empreendimento, considerando as três alternativas propostas pelo presente estudo, estão parcialmente afetados pelo homem. Apenas na região próxima ao município de Ibicoara há, ainda, consideráveis áreas preservadas como as matas do entorno dos rios. Já nas proximidades do município de Brumado (Figura 7), as matas das margens dos rios estão bastante devastadas, principalmente, devido à pastagens. Figura 7 - Aspecto do Rio Brumado na área urbana do município, apresentando elevada degradação Nos rios próximos ao empreendimento, Rio do Antônio, Rio das Contas, Rio do Laço e Rio Paraguaçu, as águas são enquadradas como de boa qualidade. Observou-se que, poucos parâmetros de qualidade de água ultrapassaram os limites estabelecidos na Resolução CONAMA 14

15 nº 357/05, dentre esses o mais alarmante é o índice de coliformes fecais do rio do Laço, devido ao lançamento direto do esgoto sanitário do município de Tanhuaçú no rio. MEIO BIÓTICO Vegetação Na AII e AID foram observadas formações do Cerrado e da Caatinga e zonas de transição entre estes. No trecho de Ibicoara até a Serra Geral, obeserva-se o Cerrado com áreas de transição para campo rupestre. Da Serra Geral até Brumado, encontra-se basicamente Caatinga, exceto na Serra do Rio de Contas, que apresenta vegetacão semelhante a da Serra Geral. Em toda a extensão da LT entre Ibicoara e Brumado, encontram-se áreas de pastagens. A Figura 8 apresenta a composição da AII dos municípios abrangidos pela LT. empreendimento, segundo suas fisionomias, são as seguintes: Caatinga A Caatinga apresenta plantas de baixo ou médio porte (herbáceoarbustivo-arbóreo) típicas de ambientes secos, com predominância de leguminosas. Atividades como exploração silvopastoril, madeireira e agricultura de subsistêncial devem ter atenção ressaltada, pois são importantes para o planejamento do empreendimento. Existe um grande número de pequenas e médias plantações, ocupando extensa área ao longo do Rio Brumado, próximo à sede do Município de Dom Basílio onde predomina a fruticultura. A Caatinga Arbórea (árvores distribuídas espaçadamente) é encontrada em praticamente toda a área do estudo, com exceção da região próxima à subestação de Ibicoara, onde predominam formações de Cerrado. Os tipos de vegetação existentes na área de influência do 15

16 Figura 8 Uso e ocupação do solo (segundo DDF 1998), na AII do empreendimento. A Caatinga Arbustiva (arbustos), na área do estudo (Figura 9), ocorre preferencialmente entre as bordas da serras e os topos. Estas formações foram observadas em toda a área sugerida para a implantação da LT com presença de algumas aglomerações humanas ou projetos agropecuários. 16

17 Figura 9 Caatinga arbustiva densa com a presença de espécimes de porte arbóreo isolados nas proximidades da sede urbana de Brumado Cerrado Na área de estudo, as formações de Cerrado são observadas apenas nos planaltos entre Jussiape e Ibicoara, e em alguns pontos na passagem pela Serra das Almas, entre os Municípios de Dom Basílio e Rio de Contas. Na região do corredor preferencial para a implantação da LT (AID) são observados com maior freqüência o Campo Sujo e o Cerrado Stricto sensu. O Campo Sujo ocupa grande extensão territorial ao longo do traçado proposto para a implantação da LT, juntamente com a formação de Campo Limpo, podendo ser encontrada em todo o trecho entre a subestação de Ibicoara até as bordas da serra, antes de Jussiape (Figura 10). O Campo Limpo é predominantemente herbáceo, com raros arbustos, ausência completa de árvores e apresenta composição florística bem variável. O Cerrado Stricto sensu constituise de plantas arbustivo-arbóreos, adaptadas ao ambiente seco, com caules e galhos grossos e retorcidos, distribuídos de forma esparsa, intercalada por uma cobertura de ervas, gramíneas e espécies semi-arbustivas (Coutinho, 2003). Na área estudada, esta formação está presente no alto da Serra das Almas (maior altitude) e em alguns morros, em áreas de transição com a Caatinga. 17

18 Figura 10 Campo sujo em Ibicoara Espécies vegetais mais importantes Nas Áreas de Influência do empreendimento, encontram-se algumas espécies importantes quanto ao seu valor ecológico e comercial, como: aroeira (Astronium urundeuva), braúna (Schinopsis brasiliensis), quixabeira (Bumelia sartorum), angico preto (Anadenanthera macrocarpa), araçá branco (Psidium albidum), farinha seca (Peltophorum dubium), umbuzeiro (Spondias tuberosa), gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium) pequi (Caryocar brasiliensis), rabo de tatu (Cyrtopodium andersonii), umburana (Amburana cearensis), maria- preta (Vitex sp.), jurema branca (Mimosa sp.) e cassutinga (Caesalpinia microphylla). Espécies como Cyrtopodium andersonii, são vuneráveis às alterações antrópicas típicas dessa região. Já as espécies Mimosa sp e Caesalpinea microphylla não acarretam grandes problemas com relação à passagem da linha, pois, são bem distribuídas em outras regiões também. Os cálculos fitossociológicos demonstraram baixos valores de dominância absoluta para P.albidum e P. dubium, espécies típicas do Cerrado, o que pode ser reflexo da susceptibilidade dessas espécies aos impactos ambientais decorrentes das ações antrópicas. Vale destacar que em Brumado, a Lei Municipal n.º 1.030/92, dispõe sobre a proteção do umbuzeiro (Spondias tuberosa), tornando-o protegido de corte naquele Município. Volume de madeira a ser suprimida Para a implantação do empreendimento, vai ser preciso a retirada de aproximadamente m 3 18

19 de madeira, a partir da obtenção dos seguintes valores por hectare: A destinação desta madeira deverá ser direcionada preferencialmente para o consumo local, com o intuito de diminuir a pressão do homem sobre este recurso natural APPs (Áreas de Preservação Permanente) e Reserva Legal Todo o traçado foi percorrido, identificando-se um total de 46 APP s no decorrer da LT Ibicoara-Brumado II C1. De uma maneira geral, as APP s localizadas em topo de morro estão bem conservadas, diferente das matas ciliares (matas do entorno dos rios, lagos, etc.) que, muitas vezes, foram parcialmente eliminadas para implantação de lavouras e pastagens. Verificou-se também que muitos cursos d água são cortados por estradas, impedindo o seu fluxo natural. Em lagoas, observou-se a ausência de vegetação em seu entorno ou a substituição desta por gramíneas. O traçado foi selecionado evitando-se áreas que poderiam sofrer maior impacto ambiental pela implantação do empreendimento, atravessando em sua maioria, trechos já utilizados pelo homem, como áreas de pastagens (abandonadas ou não) e lavouras, principalmente de café. As matas ciliares estão presentes desde a SE Ibicoara até a Serra Geral e na AII. Só haverá interferência direta em trechos significativos dessas formações na região da SE Ibicoara. Rios de maior porte, como o Rio Brumado, praticamente não tem mata ciliar. Na AID existem várias APP s como topo e sopé de morro (Figura 11). Figura 11 APP em local de passagem da linha, sentido Ibicoara ( ) Nas entrevistas com os áreas de Reserva Legal devidamente proprietários não foram identificadas registradas em cartório. Levantamentos 19

20 complementares estão sendo realizados pela CHESF em cartórios da região, objetivando localizar as áreas de reserva legal devidamente homologadas pelos proprietários. Fauna Apenas pequenos fragmentos de Caatinga (Brumado), a vegetação da Serra Geral e alguns poucos pontos de campo rupestre e floresta de altitude (Barra da Estiva e Ibicoara) possuem capacidade suporte para espécies animais. Estes fragmentos, no entanto, são desconectados uns dos outros, podendo não ser suficientes para manter espécies mais exigentes em termos de tamanho territorial e de nicho ecológico, como grandes mamíferos carnívoros. Como o traçado da linha de transmissão foi planejado de forma a percorrer áreas anteriormente ocupadas pelo homem, observa-se uma grande diferença quando comparamos a situação da fauna na AID e na AII. Na AID a considerável degradação da fauna local é extremamente perceptível. Os pequenos fragmentos vegetacionais, observados na AII próximos ao traçado da linha, provavelmente não são suficientes para a manutenção das várias espécies de animais silvestres devido à sua extensão e composição florísticas. Com relação a interação fauna/ flora, apesar de pouco observadas em campo, na área vistoriada não foi verificada nenhuma interação que a instalação da LT possa vir a compromoter, principalmente visando populações ameaçadas ou em extinção. A interferência da LT sobre locais de dessedentação de animais será irrelevante, uma vez que se trata de um impacto pontual (cruzamento de leito de rios ou córregos). Mamíferos Através de observação direta, registros fotográficos, análises de vestígios, entrevistas e pesquisas em museus de história natural, foi possível relacionar pelo menos 148 espécies de mamíferos distribuídas no cerrado e caatinga. Destas, o mocó (Kerodon rupestris) é endêmico (exclusivo da região). Na área de influência do empreendimento ocorrem: suçuarana (Puma concolor), gato mourisco (Herpailurus yaguaroundi), raposa/ guaxaim (Dusicyon thous) (Figura 12), furão (Galictis vittatus), paca (Agouti paca), tatu-peba (Euphractus), gambá (Conepatus semistriata), quati (Nasua 20

21 nasua), caitetu (Tayassu tajacu), cutia (Dasyprocta agouti), morcego vampiro (Desmodus spp.), morcego insetívoro (Molossus sp.), morcego frugívoro (Artibeus sp.), e mico-estrela (Callithrix penicillata). O relato e a visualização da presença de felídeos na região leva a acreditar que, apesar da interferência do homem, algumas áreas ainda conseguem fornecer suporte para a sobrevivência destas espécies, que servem como excelente bioindicadores da qualidade ambiental. A onça parda ou suçuarana (Puma concolor), merece destaque por ser considerada uma espécie vulnerável na lista do IBAMA. As alterações nos aspectos ambientais, em conseqüência do empreendimento, não afetarão significativamente a dinâmica populacional da espécie, já que a área impactada será muito pequena em largura quando comparada ao território deste felídeo. Figura 12 Indivíduo adulto de Graxaim, em imagem obtida com uso da câmera trap, no município de Ituaçu (Coordenadas UTM / , em 30/05/07) É importante relatar a caça e a captura de pacas, caitetus e tatus, para fins nutricionais, existindo até mesmo locais de venda clandestina de carne de caça (o que pode ser verificado em feiras, na região). Aves Devido à devastação da antiga cobertura vegetal na AII do empreendimento, restaram apenas pequenos fragmentos de vegetação que se mostram relativamente conservados. Dentre as 42 espécies identificadas, somente a Aratinga cactorum é 21

22 considerada endêmica (exclusiva da região) (Figura 13). A maioria das aves é bastante comum, adaptada a ambientes antropizados e com ampla distribuição ao longo de toda a Caatinga, como a siriema (Cariama cristata). No decorrer do levantamento, observou-se que grande parte das aves apresentou registros somente nas áreas de mata, sendo, então, considerada como ecologicamente restrita a este tipo de ambiente. Incluem-se os grupos de aves insetívoras mais especializadas e espécies de sub-bosque. É comum na área de influência do empreendimento a ocorrência de anu branco (Guira guira), anu preto (Crotophaga ani), alma de gato (Piaya cauana), bacuruzinho da caatinga (Chordeiles pusillus), bico de latão (Nystalus maculatus), bigodinho (Sporophila lineola lineola), cardeal-donordeste (Paroaria dominicana), choroboi (Taraba major), crió (Sporophila angolensis), garça vaqueira (Bubulcus íbis), garça-branca-grande (Casmerdius albus), garrincha de bigode (Thryothorus genibarbis), gralha cã cã (Cyanocorax cyanopogon), joão graveto (Phacellodomus rutifrons), pássaro preto (Gnorimopsa chopi), pica-pau (Dryocopus lineatus), sanhaço-de-fogo (Piranga flava), suindara (Tyto alba), trinca-ferro (Saltador simillis) e vi-vi (Euphonia clorotica). Figura 13 - Periquito da caatinga (Aratinga cactorum) (27/04/07) A principal ameaça é o tráfico e a venda de pássaros silvestres como animais de estimação, principalmente aquelas espécies com plumagens exuberantes e coloridas, como o sofrê (Icterus jamacaii) (Figura 14). Esse tipo de comércio é muito comum na região de Brumado. Vale ressaltar que, algumas aves como perdizes e codornas são caçadas com bastante freqüência. 22

23 Figura 14 - Sofrê (29/05/07) Anfíbios e Répteis A maioria das espécies facilmente observáveis durante o estudo é típica de ambientes abertos e com alto poder de adaptação a ambientes antropizados. Os anfíbios identificados são comuns, possuindo ampla distribuição geográfica e ocorrência em outras formações vegetais. Na área de influência do empreendimento ocorrem os seguintes répteis e anfíbios: calango (Tropidurus torquatus), calango-verde (Ameiva ameiva), caninana (Spilotes pullatus), cascavel (Crotalus durissus), jararaca (Bothrops jararaca), lagatixa-de-buraco (Ameiva sp.), lagarto preto (Tropidurus itambere), sucuri (Eunectes murinus), teiú (Tupinambis merianae), rã-manteiga (Leptodactylus ocellatus), sapo (Bufo crucifer), perereca (Hyla decipiens), perereca-de-banheiro (Scinax eurydice) e perereca-verde (Hyla albomarginata). O teiú, espécie visualizada com freqüência na AII do empreendimento, vive em buracos cavados na terra, nas florestas, cerrados e caatingas. Possui hábito diurno e se alimenta principalmente de larvas, vermes e insetos, promovendo o controle biológico de pragas (COLLI et. al., 2002). 23

24 Figura 15 Cágado encontrado morto às margens do Rio de Contas (17/05/07). Peixes Formações florestais, como as matas ciliares encontradas na AID, garantem a manutenção dos cursos d água e de ambientes essenciais à vida de muitas espécies de peixes. Verificouse a presença de espécies de ampla distribuição geográfica e de ocorrência comum, não havendo espécies constantes na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção do IBAMA. A ocorrência de espécies mais comuns indica o processo de perda de biodiversidade. Assim, foram registradas espécies de maior valor econômico como: piranha (Serrasalmus sp.), traíra (Hoplias malabaricus), acari (Loricaria typus), curimatá (Procylodous sp.), pratibu (Mugil curema). A tilápia (Sorotherodon niloticus), espécie exótica, a piaba (Astyanax sp.) e o bagre (Pimelodus sp.) representaram a maioria das espécies capturadas, conforme relatos de pescadores locais. MEIO SOCIOECONÔMICO Área de Influência Indireta (AII) Dinâmica demográfica Os 6 (seis) municípios que compõem a AII do empreendimento estão inseridos nas Regiões Econômicas da Serra Geral e Chapada Diamantina. Segundo dados do Censo Demográfico de 2000, Jussiape, Barra da Estiva, Ibicoara e Rio de Contas tinham população equivalente a 13% da RE Chapada Diamantina, enquanto Brumado e Ituaçu representavam 14% da RE Serra Geral. As duas Regiões Econômicas tem área total de ,80km², o equivalente a 13% do 24

25 território baiano. Os 6 municípios em evidência correspondem a 8% dessa área. Com habitantes, distribuídos por uma área aproximada de km 2, pode-se deduzir uma média de densidade demográfica de 19.6 hab/km², sendo que dentro desse universo de estudo, Brumado (28,69hab/km²) se destaca como o município de maior densidade demográfica e população (62.148), seguido de Jussiape com densidade de 19,96hab/km², e população de , enquanto Barra da Estiva tem a terceira maior densidade (17,61hab/km²) e população de Os municípios de Rio de Contas e Ituaçu são os menos populosos com densidades de 13,19 hab/km² e 14,20 hab/km² respectivamente, enquanto os municípios com os menores contingentes populacionais são os de Rio de Contas e Jussiape. Verifica-se também que Brumado é o único município com grau de urbanização superior a 50% (Tabela 3). Tabela 3 - População residente por sexo, localização do domicílio, grau de urbanização, área e densidade demográfica, para o Estado, as Regiões Econômicas da Chapada Diamantina e Serra Geral e os seus municípios da AII, Bahia Estado, Região Econômica e Municípios Estado da Bahia Chapada Diamantina População Total Urbana Rural Homem Mulher Homem Mulher Grau de Urban. (%) (1) Área (km²) Fonte: IBGE. Censo Demográfico de 2000, Resultados do Universo. (1) População Urbana / população Total x 100 Densid. Dem. (hab/km²) , 67, , , ,8 0 12,11 Jussiape ,9 525,4 19,96 Barra da Estiva , ,40 17,61 Ibicoara ,3 980,8 15,47 Rio de Contas , ,30 13,19 Serra Geral , ,0 17,52 Brumado , ,53 28,69 Ituaçu , ,15 14,20 25

26 Entre 1980 e 2000, o processo de transição demográfica caracterizado pela redução da taxa de mortalidade e da fecundidade, marcou profundamente a dinâmica das regiões econômicas que compõem a AII do empreendimento. Esse processo aliado à persistência do fluxo emigratório, principalmente da população jovem, durante o período, contribuíram significativamente para a redução das taxas de crescimento da população entre Enquanto, entre , a população da Chapada apresentou uma taxa de crescimento de 2,02% a.a., no período subseqüente à taxa de crescimento ficou reduzida a 0,63% a.a. Em comparação às taxas de crescimento demográfico apresentadas pelo Estado nos dois períodos (2,09% a.a. em e 1,08% a.a. entre ), as taxas da região foram menores, comprovando a influência do fluxo emigratório, principalmente entre , quando a taxa da região foi bem menor que a do Estado. Na Serra Geral, entre , a taxa de crescimento era de 1,65%, no período subseqüente foi de 0,82%. A maioria dos municípios chegou ao século XXI com uma população em sua maioria rural. O crescimento da população urbana, contudo, é notável tanto em âmbito estadual quanto regional (Figuras 16 e 17) To ta l Urba na Rura l Figura 16 Evolução das populações urbana, rural e total da Região Econômica Chapada Diamantina, Fonte: IBGE, Censos Demográgicos 26

27 Total Urbana Rural Figura 17 Evolução das populações urbana, rural e total da Região Econômica da Serra Geral, Fonte: IBGE, Censos Demográgicos Os municípios de Ituaçu e Ibicoara têm os menores índices de urbanização, com 23,9% e 27,3% respectivamente. Já os municípios de Brumado e Rio de Contas atingem as maiores marcas, com 66,0%, e 40,8% respectivamente. Conclui-se que boa parte da população da AII está concentrada no meio rural, o que a torna uma região única nesse aspecto em todo o Estado. A fixação de um largo período de estagnação econômica, sobretudo com o esgotamento dos ciclos do ouro e do diamante, contribuiu para a preservação de suas características demográficas regionais. Dinâmica Econômica e Estrutura Produtiva Na Área de Influência Indireta (AII) tem ocorrido incremento populacional no intervalo das classes de 15 a 64 anos e de 65 anos em diante. Considera-se que quando a soma de inativos é inferior à porção economicamente ativa haver-se-ia, então, uma oportunidade demográfica de desenvolvimento sócio-econômico (Tabela 4). 27

28 Estrutura Etária - de 15 anos 15 a 64 anos 65 anos e + Razão de Depen.(%) Tabela 4 Estrutura etária das populações dos municípios da AII, Bahia, Ibicoara Barra da Estiva Rio de Contas Ituaçu Jussiape ,8 65,4 97,7 65,2 80,9 62,0 87,7 67,7 70,8 48,5 Fonte: Atlas Mundial de Desenvolvimento Humano do Brasil, Estrutura Etária...Tabela 4 (continuação) Brumado de 15 anos a 64 anos anos e Razão de Depen.(%) 76,2 56,4 Fonte: Atlas Mundial de Desenvolvimento Humano do Brasil, A população economicamente ativa (PEA), ou simplesmente população ativa, compreende todas as pessoas com 10 anos ou mais de idade, que constituem a força de trabalho de dada localidade. Abrange os empregados e empregadores, os trabalhadores autônomos, os trabalhadores que estão temporariamente desempregados etc. A descrição por sexo da PEA de cada município inserido na Área de Influência Indireta da LT 230 kv Ibicoara Brumado, é apresentada segundo a tabela a seguir: A População Ocupada (PO) ou ativa se distribui pelos seguintes setores de atividades: Primário abrange a agricultura, a pecuária, a caça e a pesca. Secundário abrange as indústrias de transformação, a construção civil e a extração mineral. 28

29 Terciário abrange as atividades ligadas à prestação de serviços: comércio, transportes, comunicações, atividades liberais, funcionalismo público, educação e outras. Caracterização da economia dos municípios e do potencial existente para o desenvolvimento econômico regional Com o declínio da atividade mineradora no final do século XIX, a agricultura policultora regional, que abastecia as áreas de mineração, passa então à subsistência preservando, em algumas áreas, antigas técnicas de regadio e produção artesanal de derivados da cana de açúcar, como ocorre no Vale do Alto Rio de Contas. Sobrevivem também na região, principalmente nas áreas mais baixas e nos vales dos rios Brumado e de Contas, atividades agrícolas de exportação, com a presença de algodão e café e a pecuária extensiva nas planícies do Paraguaçu. Sendo ainda limitado o número de municípios inseridos na dinâmica de modernização da agricultura, persiste na região a agropecuária policultora de subsistência e de pequena produção, disseminada principalmente nas zonas de caatinga produzindo feijão, milho, mandioca e rebanhos de caprinos e ovinos. Na agricultura, os principais produtos verificados na AII são: algodão herbáceo, alho, arroz, banana, batata inglesa, café, cana-de-açúcar, coco-dabaía, cebola, feijão, goiaba, laranja, mamona, mandioca, manga, maracujá, melancia, milho, tomate e trigo. É expressiva a produção de café em Ibicoara e Barra da Estiva, além disso, todos os municípios da AII Entre Rios e Ituaçu, têm tradição histórica no cultivo de cana-de-açúcar e na produção de rapadura e aguardente. Toda a região é ainda bastante rica em minérios. Atualmente estão em operação garimpos de calcário, calcedônia e ametista e minas de urânio, magnesita, manganês, talco e barita em locais denominados de Pedra Preta, Pirajá, Pedra Rolada, Fábrica, Sítio do Córrego, Sítio Grande, Pedra de Ferro, Barroca do Veado, Pomba e Lagoa do Fundo. Além desses minerais, há também registros de ocorrência de cobre, diatomito, amianto, níquel e tungstênio. Alguns depósitos são registrados ao sul de Brumado no município de Aracatu. 29

30 Dados Demográficos Regionais e dos Municípios Os dados da população, bem como o estudo e avaliação da dinâmica populacional da região centro-oeste da Bahia, local destinado para a implantação da LT 230 kv Ibicoara/Brumado II C1 e SE Ibicoara 230/138 kv, são importantes para a caracterização regional e para a construção de banco de dados sobre o empreendimento. Em nível regional, destacam-se as duas REs já mencionadas, Chapada Diamantina e Serra Geral. A primeira possui a sexta maior extensão territorial dentre as 15 Regiões Econômicas do estado, correspondendo, em seus km², a cerca de 7,40% o território baiano. A economia da Chapada Diamantina é fundamentada principalmente sobre a produção primária tradicional, nas formas de atividades agropecuárias e de extração mineral e vegetal, ocupando a maior parcela da mão de obra no campo. O setor terciário na região é pouco expressivo, mesmo as cidades de maior dinamismo nesse setor estão aquém de outras cidades de referência urbana de Regiões Econômicas vizinhas, como Irecê (RE 11), Jacobina (RE 10) e Vitória da Conquista (RE 8). Já atividade industrial é quase inexistente, sendo representada principalmente por pequenas serrarias e unidades de produção de alimentos e transformação dos produtos agrícolas, como casas de farinha e pequenos laticínios. O setor financeiro é pouco desenvolvido, 10 dentre os 33 municípios da região não possuem agências bancárias, se não considerarmos o banco postal, serviço de implantação recente, através dos postos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e do Bradesco, instituição financeira de capital privado. O serviço de Banco Postal pretende incluir as populações de baixa renda no sistema financeiro do país. O relevo acidentado, o clima semi-árido, com estiagens prolongadas, a história repleta de conflitos, fausto e falência, além dos grandes fluxos migratórios sofridos durante os ciclos do ouro e diamante, responsáveis pela efetiva ocupação da região e surgimento dos municípios e povoados que a compõem, determinaram e determinam uma ocupação humana espalhada em seu vasto território. A densidade demográfica da região é muito baixa, apenas menor que a apresentada em 1980, que foi de 12,15 hab./km². O 30

31 mesmo indicador para o estado variou de 16,76 hab./km² em 1980 para 23,16 hab./km² em Considerando que a Bahia é um estado de baixa densidade demográfica, podemos concluir que o território da Chapada Diamantina não é densamente povoado. De acordo com a SEI (2003) em estudo intitulado Dinâmica sociodemográfica da Bahia: , a Serra Geral acompanhou a tendência de crescimento observada no Estado entre e , declinando seus ritmos de crescimento total, urbano e rural. Para a população total, as taxas de indicaram a ausência de imigração ou emigração significativa (1,65% a.a.) e, em seguida, , revelaram perdas líquidas (0,82% a.a.). Contudo, nos dois períodos, os ritmos de crescimento da região mostraram-se inferiores à média estadual (2,09% a.a. e 1,08% a.a., em e , respectivamente). Quanto à situação de domicílio, hab. ou 43,4% de seus moradores estavam em meio urbano. Assim, diferindo da maioria das REs, a Serra Geral ainda não estava urbanizada em Seu grau de urbanização, embora em tendência ascendente, superava apenas o das regiões MSF, Nordeste e Chapada Diamantina; sobretudo, foi inferior ao obtido pelo Estado em 1980 (49,29%). Ademais, embora a população urbana da SG crescesse por imigração líquida em ambos os períodos (4,54%.a.a. e 2,58% a.a. em e , respectivamente), representava apenas 2,80% do total urbano do Estado em Cabe ressalvar, que, ao menos em parte, o ritmo de crescimento urbano e a elevação do grau de urbanização dessa região no último período foram influenciados pela ampliação do perímetro urbano em 72% de seus municípios, que avançou sobre áreas rurais, e pela criação de novos municípios entre os períodos censitários (o que por si mesmo resultou na criação de cidades, as sedes municipais). Infra-estrutura e serviços urbanos - Sistema viário e transporte Após análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surgiu o conceito de cidade-pólo. Cada cidade-pólo abrange um raio de aproximadamente 50 quilômetros em uma determinada região. O potencial de crescimento é regional e a cidade-pólo é uma referência de um conjunto de 31

32 municípios. Consideram-se as cidades pólos da Bahia: Bom Jesus da Lapa, Feira de Santana, Ilhéus, Irecê, Jacobina, Jequié, Paulo Afonso e Seabra. A Chapada Diamantinha tem a cidade de Seabra como seu pólo principal de desenvolvimento (maior produto municipal SEI, 2000.) e Lençóis, como pólo potencial. Sua principal atividade econômica é a mineração e o turismo. Para se desenvolver, deve apoiar-se, portanto, nesses dois setores e, também, na agricultura irrigada e na agroindústria a ela associada em Rio de Contas. Já Serra Geral é a região menos urbanizada da Bahia. Sua agricultura baseia-se fundamentalmente no algodão e sua principal atividade é a mineração (magnesita em Brumado, garimpos de ametista em Caetité e Licínio de Almeida e extração de urânio em Lagoa Real). Hoje, Guanambi é o principal pólo de desenvolvimento da região. Quase todos os investimentos previstos para essa região destinam-se ao segmento mineral. A malha rodoviária da AII consituise principalmente por rodovias estaduais, algumas em boas condições de trafegabilidade, como no trajeto que liga os municípios de Ibicoara, Barra da Estiva, Ituaçu, Brumado, Dom Basílio, Livramento de Nossa Senhora e Rio de Contas. Além disso, a região conta com a Ferrovia Centro Atlântica que possibilita o transporte de cargas. Nesta área, segue por aproximadamente 50 km paralela à BA 030 entre as sedes de Brumado e Tanhaçu, dando continuidade em direção nordeste aproximando-se em média 30 km à leste da BA 142 até o distrito de Novo Acre (22km de Ibicoara). A ferrovia é bastante utilizada pelas mineradoras. As principais vias de acesso são a BR 030, que liga Brumado a Tanhaçu e está asfaltada e em boas condições de trafegabilidade, e a BA 142 que liga os municípios de Ibicoara, Barra da Estiva, Ituaçu e Tanhaçu. A principal empresa de ônibus que serve à região é a NOVO HORIZONTE e para quem vem do sulsudeste é a SÃO GERALDO. O acesso ao Vale do Rio de Contas se dá através de estradas de terra irregulares que levam à Barragem e à Vila de Cristalândia seguindo por estradas de terra até os povoados de Tranqueiras, Boa Sentença e Açude. É possível sair ou entrar por ambos os lados do Vale de preferência com GPS e carro com tração. 32

33 Ressaltam-se ainda, os aeródromos de Ituaçu e Livramento de NSª, que desempenham papel fundamental de apoio ao Aeroporto Sócrates Mariani Bittencourt de Brumado. O aeródromo de Ituaçu está localizado pouco antes da sede municipal na BA 142 (via Tanhaçu). Por fim, destacam-se a oferta de serviços de hospedagem e alimentação nos municípios de Barra da Estiva e Livramento de NSª, que dão suporte direto aos municípios de Ibicoara, Jussiape e Rio de Contas. Brumado, no entanto é o maior centro de serviços da AII. - Sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica O Corredor para a implantação da LT passa em sua maior parte por zonas rurais, compostas por baixa densidade demográfica e com base na economia rural. Alguns dos povoados que compõem a zona rural da AII são: Capão da Volta, Pilões, Engenho Velho, Ribeirão, Povoado Bahia, Marcolino Moura, Fazenda Casa Nova, Itapicurus, Caenda, Barra do Brumado, Salobro, Salitre, Dezoito, Correias, Boa Vista, Caissarinha, Riachão, Água da Velha, Ariri, Lagoa Funda, Fazenda Jacaré, Cachoeira e Fazenda Curralinho. O Corredor da nova LT atravessa uma extensa zona rural com acessos secundários caracterizada por vales e morros com altitudes variadas (até 1.300m) e bom acesso às duas extremidades do traçado (Ibicoara e Brumado). Neste caso, trata-se de localidades com demandas reprimidas onde a falta de energia elétrica dificulta historicamente a adoção de técnicas produtivas mais eficazes, o que reflete diretamente na produtividade desse meio rural. Porém, uma crescente demanda a nível regional permite atualmente a escala de oferta requerida para viabilizar economicamente o suprimento de energia. Essa transformação vem ocorrendo com o desenvolvimento econômico da região capitaneado pela expansão do turismo e da cultura de grãos e frutas. Na Serra Geral, o fornecimento é feito pela COELBA, através de 16 subestações; que atendiam, em 2003, consumidores, distribuídos em 9 classes de consumo. Ainda que os consumidores residenciais representem quase ¾ do total de consumidores de energia, a 33

34 classe industrial é responsável pela maior parte do consumo da região. Na realidade, a proporção entre o consumo da classe industrial pelo total do consumo, na região, supera à do estado, mas esse consumo se concentra no município de Brumado ( MW), onde a classe é responsável por mais de 70% do consumo industrial da região e a MAGNESITA S/A é o principal consumidor 1. Representa também mais de ¾ do consumo total do município. Para se ter uma idéia da dimensão do consumo da classe industrial de Brumado, esse é maior que o dobro do consumo total de energia em Guanambi ( MW), o segundo maior consumidor de energia da região (Figura 18). 34

35 40,61% 4,00% 6,61% 3,87% 6,49% 7,98% 3,48% 0,13% 26,83% Consumo Próprio Residencial Comercial-Outros Industrial Poder Público Total Iluminação Pública Rural - Irrigação Rural - Outros Serviço Público - Água e Esgoto Figura 18 - Consumo de energia elétrica, por classe de consumo. Região Econômica Serra Geral, Bahia, Fonte: BIOCONSULTORIA, 2005 O fornecimento de energia elétrica na Chapada Diamantina é realizado pela COELBA, que possui 13 Subestações na região, localizada em Oliveira dos Brejinhos, Boquira, Paramirim, Barra da Estiva, Andaraí, Abaíra, Boninal, Seabra, Iraquara, Palmeiras, Lençóis, Wagner (duas subestações, SE Wagner e SE Águas Belas) e Bonito. O fornecimento abrange 100% das localidades urbanas e, nas localidades rurais, está em franca expansão, graças a programas como o Luz no Campo.Os indicadores de energia elétrica são importantes para se entender a dinâmica econômica e as condições de vida de uma determinada população. Sistema de telecomunicações Os principais meios de comunicação existentes são correios e telégrafos, telefonia, rádio e televisão. O sistema de correios é controlado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que possui pelo menos uma agência ou caixa de coleta em cada um dos municípios da Região. Nas agências, além dos serviços de comunicação tradicionalmente oferecidos pela ECT, funcionam também agências de Banco Postal, que estão conseguindo inserir municípios e populações pouco capitalizadas no sistema financeiro do país. Em Brumado, o município mais desenvolvido do grupo de estudo, os serviços de correios e 35

36 telégrafos atendem satisfatoriamente ao município, possuindo duas agências postais com boas instalações. Por outro lado, a zona rural não tem um serviço de coleta e entrega de correspondências, deixando a população na dependência de alguns moradores e/ou empresas que se dispõe a fazer o serviço. Os serviços de telefonia fixa são operados pela TELEMAR e abrangem toda a zona urbana da região, começam a chegar também na zona rural. Brumado é o município mais bem servido enquanto Jussiape figura com o menor número de terminais telefônicos da região. O serviço de telefonia celular ainda é pouco difundido na região, principalmente nas zonas rurais. Apenas nos municípios de Brumado e Rio de Contas, em suas respectivas sedes municipais, consegue-se sinal das principais operadoras do Estado (Oi, TIM, VIVO e CLARO). Os serviços de internet são recentes e pouco comuns, mas em fase de expansão nos núcleos urbanos. Os poucos provedores que atendem os municípios localizam-se nas cidades de Itaberaba, Irecê, Bom Jesus da Lapa e Brumado. O acesso é ainda limitado, mas é possível encontrar lanhouses (casas com computadores conectados à rede Internet para aluguel p/h) em Barra da Estiva, Rio de Contas e Brumado, e páginas virtuais de empresas ligadas ao turismo (hotéis, pousadas, organização de passeios, etc.) e de ONGs que atuam na região. Em Brumado é publicado o jornal Tribuna do Sertão e o Jornal do Sudoeste, e assim como os outros municípios, conta com a circulação dos dois principais jornais estaduais, A Tarde e Correio da Bahia. Na região ainda é possível deparar-se com publicações de outros municípios, como Folha do Algodão de Guanambi, Jornal Mojurec de Caculé, Jornal A Pena Espírita de Caetité, Arrebol de Rio do Antônio e O Alipiense distribuído semestralmente em Presidente Jânio Quadros. A região também recebe sinal de televisão das principais redes de canal aberto do país Rede Globo, SBT, Rede Bandeirantes, Rede Record e, em alguns municípios, Rede Educativa através de antenas repetidoras mantidas pelas prefeituras municipais. A recepção, contudo, não abrange todas as localidades da zona rural e mesmo nas localidades urbanas, muitas vezes, é de má qualidade, levando usuários a adotarem antenas parabólicas, recebendo sinal das retransmissoras do sudeste. Já os serviços de radiodifusão são bastante limitados, porém as rádios comunitárias 36

37 têm aumentado o universo dos meios de comunicação da região. Esse tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado (1km a partir de sua antena transmissora) proporciona informação, cultura, entretenimento e lazer a pequenas comunidades. Além de Brumado, que conta com duas FMs, uma OM e uma rádio comunitária, o município de Ituaçu também registra uma FM. As demais localidades têm rádios comunitárias, que estão geralmente vinculadas a alguma entidade mantenedora civil local (Associações). É bastante comum o serviço de alto-falantes, meios publicitários mais comuns nos municípios da região, servem também para envio de mensagens pessoais e informativos gerais. Área Influenciada Diretamente Pelo Empreendimento(Área de Influência Direta) Dinâmica Demográfica A região de inserção da Área de Influência Direta/AID da LT Ibicoara Brumado, formada pelos municípios de Ibicoara, Rio de Contas, Barra da Estiva, Ituaçú, Jussiape e Brumado possui uma área aproximada de km, população em torno de 140 mil hab., sendo 74 mil hab. na área rural e 66 mil hab. na zona urbana. A densidade demográfica da região é de aproximadamente 19.3 hab/km². Para efeito de estudos, a densidade demográfica da população urbano-rural e a taxa de crescimento são apresentadas de forma comparativa entre os municípios formadores da Área de Influencia Indireta AID da LT Ibicoara - Brumado. Os seis Quadros apresentadas a seguir indicam um contingente maior de população nos níveis de 10 a 14 anos e 30 a 39 anos, justamente onde se concentra a população economicamente ativa, com destaque para os municípios de Jussiape, Brumado e Rio de Contas que também apresentam proporções expressivas no faixa de 40 a 49 anos (em torno de 10%). A Densidade Demográfica da população urbana e rural dos municípios interceptados pela LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e a SE Ibicoara é de 19,33 hab./ km², abaixo do mesmo indicador do Estado da Bahia, que exibe uma densidade demográfica de 24,5 hab./ km². Por outro lado, os valores da Taxa de crescimento da população da LT, referem-se à média de variação do índice composto anualmente entre dois períodos e Ela indica a intensidade anual de crescimento da 37

38 população em determinado período que é influenciada pela natalidade, ou seja, os indicadores que apontam o universo de mulheres férteis e a proporção da população feminina em idade fértil. No caso estudado, a população feminina fértil ainda é maior do que a metade da população, o que caracteriza ainda a tendência de crescimento da população dos municípios estudados, conforme é mostrado na Tabela 5 a seguir. Tabela 5 Densidade demográfica da população urbana e rural Municípios LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara 230/138 kv Município População Total População rural População urbana Área Km² Hab/km² Taxa de Crescimento Rio de Contas ,3 13,24 0,3 Ituaçú ,1 14,18 0,5 Ibicoara ,2 14,79 3,3 Barra da Estiva ,0 17,39 3,3 Jussiape ,4 19,20 2,2 Brumado ,5 28,45 0,9 TOTAL ,5 19,33 3,3 Fonte: IBGE, Censos e Estimativas - Caderno de Informações de Saúde -Informações Gerais Secretaria Executiva Ministério da Saúde O traçado na nova LT levou em consideração além dos aspectos técnicos, o grau mínimo de impacto sobre o meio ambiente natural e humano. Dessa forma, optou-se por percorrer áreas de vazios demográficos desviando de aglomerações humanas, estas geralmente caracterizadas por pequenos povoados, fazendas ou acampamentos de sem terra. População dos aglomerado(s) urbano(s) e sua participação como mão de obra a ser utilizada pelo empreendimento De acordo com as estimativas de população dos municípios interceptados pela LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara, observa-se maior grau de urbanização no município de Brumado. A AID do empreendimento, por sua vez, caracteriza-se por grandes vazios demográficos sendo necessária uma abordagem aos povoadas e 38

39 comunidades mais próximos para que se possa avaliar as oportunidades de utilização de mão de obra destes locais. Como a construção de linhas de transmissão de energia tem como base a construção civil, existe a possibilidade da utilização de mão de obra das comunidades rurais mais próximas aos canteiros de obra e ao traçado da nova LT. Esta mão de obra caracteriza-se, sobretudo, pela pouca especialização, entendida como mão de obra braçal. O Corredor para a implantação da LT passa em sua maior parte por zonas rurais consideradas de média restrição ambiental, compostas por baixa densidade demográfica e com base na economia rural. Os seguintes povoados, ou pequenos distritos, localizam-se em até 15 km do corredor de passagem da LT: Capão da Volta, Pilões, Engenho Velho, Ribeirão, Povoado Bahia, Marcolino Moura, Fazenda Casa Nova, Itapicurus, Caenda, Barra do Brumado, Salobro, Salitre, Dezoito, Correias, Boa Vista, Caissarinha, Riachão, Água da Velha, Ariri, Lagoa Funda, Fazenda Jacaré, Cachoeira e Fazenda Curralinho. Quando questionados sobre a disponibilidade de mão-de-obra a ser utilizada no empreendimento, 100% das respostas em entrevistas foram em relação à disponibilidade. Quantificação e caracterização social da população a ser desapropriada e/ou deslocada, quando couber Para o empreendimento em questão, LT 230 kv Ibicoara / Brumado e SE Ibicoara, foi realizada ação de Comunicação Social na Área de Influência Direta, que compreende a faixa territorial atravessada pela linha, as áreas onde serão abertos os acessos necessários à implantação do empreendimento, eventuais áreas de empréstimo e bota-fora, o sistema viário utilizado para o transporte de equipamentos, materiais e trabalhadores, bem como as demais áreas que sofrerão alterações conseqüentes da ação direta do empreendimento. Para o caso do empreendimento em apreço, LT Ibicoara/Brumado II, 230 kv, C1 deverá ser considerada uma faixa de 40 m de largura. Foram detectados 11 pontos contidos nas Áreas de Influência Direta e Indireta, com relativa proximidade da LT como se observa na tabela abaixo: 39

40 Tabela 6 Distância dos Domicílios Visitados em relação à LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara 230/138 kv Por município Município Localidade Distância LT Localização nas Áreas de Influência do Empreendimento Brumado Cimento Bonfim 1880 m AII Ituaçú Ibicoara Faz. Lagoa de Dentro Faz. Caatinga Grande Faz. Baixa Grande Faz Pau de Colher Faz Pau de Colher 1000 m AII m AII 500 m AID 30 m AID Área de Intervenção 1900 m AII Faz. Algodão 1500 m AII Faz. Jataí 130 m AID Faz. Barriguda 300 m AID Faz. Sucuri 200 m AID Residência próxima à ponte do Rio Lage Fonte: Pesquisa Direta, m AID Área de Intervenção Coordenada UTM , , 466m , , 445 m , , 432 m , , 419 m , , 354 m , , 367 m , , 443m , , 393 m , , 437 m , , 442 m , , 1094 m Cinco pontos situam-se na Área de Influência Indireta a uma distância mínima de 1000 m, ou seja, fora dos 500m definidos como AID mas que poderão ser afetados pela implantação e operação do empreendimento. No limite dos 500 m, ou dentro dele na AID, verificou-se um ponto a 500 m, um a 300 m, outro a 200 m e um a 130 m da LT. Deve-se ainda ressaltar a ocorrência de dois pontos críticos, situados na faixa dos 50 m da LT. Um deles em Ibicoara situa-se nas proximidades da ponte sobre o Rio Lage e que segundo o Mapa do Caminhamento do Levantamento Socioeconômico, situa-se a 50 m da futura LT fora de sua faixa de domínio, portanto. O outro ponto, localiza-se em Brumado, na Fazenda Pau de Colher, que segundo o Mapa do Caminhamento do Levantamento Socioeconômico, esta situado à aproximadamente 30 m da LT. 40

41 Caracterização das condições sócioeconômicas da população De acordo com o Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD, a caracterização das condições sócioeconômicas da população podem ser avaliadas segundo o índice de GINI, que mede o grau de desigualdade existente na classificação de indivíduos segundo a distribuição de renda domiciliar (capacidade de consumo de bens), per capita. Seu valor varia de 0 a 1 onde zero indica igualdade perfeita (a renda de todos os indivíduos tem o mesmo valor) e um é a desigualdade máxima (apenas um indivíduo detém toda a renda da sociedade e a renda de todos os outros indivíduos é nula). Entre os municípios em questão, Ituaçú apresenta o maior indicador de desigualdade econômica, porém com maior valor na renda per capita (Tabela 7). Tabela 7 Caracterização das Condições Socioeconômicas da População AID LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara 230/138 kv Dados 2000 Unidade Territorial Índice de Gini Percentual da renda apropriada pelos 10% mais ricos da população Percentual da renda apropriada pelos 40% mais pobres da população Renda per Capita R$/hab. Jussiape 0,500 38,83 11,37 98,44 B. da Estiva 0,510 40,50 12,35 96,16 Ibicoara 0,570 49,67 11,06 120,38 Rio de Contas 0,570 42,31 7,99 97,78 Brumado 0,590 46,47 7,98 135,33 Ituaçu 0,620 54,31 8,86 115,32 Fonte PNUD - Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil - Muninet - Rede Brasileira para o Desenvolvimento Municipal A população economicamente ativa (PEA), ou simplesmente população ativa, compreende todas as pessoas com 10 anos ou mais de idade, que constituem a força de trabalho de dada localidade. Abrange os empregados e empregadores, os trabalhadores autônomos, os trabalhadores que estão temporariamente desempregados etc. Na Tabela 8 abaixo, observa-se o contingente de ocupados por setor de atividade nos municípios em estudo. O único município cuja população ocupada é maior no segmento de atividades primárias é Ibicoara onde predominam as plantações de café. 41

42 Tabela 8 Pessoal Ocupado por setor de atividade nos municípios da AII, Bahia, 2004 Municípios Primário Secundário Terciário TOTAL TOTAL Barra da Estiva Brumado Ibicoara Ituaçu Tabela 8 continuação Municípios Primário Secundário Terciário TOTAL TOTAL Jussiape Rio de Contas Fonte: IBGE, (Estrutura Empresarial),

43 Caracterização da infra-estrutura regional e análise da articulação entre os diferentes espaços, através de redes de comunicação e de circulação de bens e pessoas A Bahia é um estado singular quando falamos de diversidade de paisagens e de riqueza cultura. Com este conjunto de atrativos o Estado torna-se detentor de um rico estoque de possíveis produtos econômicos, sobretudo, turísticos. Para incentivar o fluxo de capital para e com a atividade turística, a Bahia conta com a Superintendência de Investimentos em Pólos Turísticos (SUINVEST) e a Superintendência de Desenvolvimento do Turismo (SUDETUR), na Secretaria da Cultura e Turismo (SCT), além da estrutura da Empresa de Turismo da Bahia (BAHIATURSA). Além disso, o Programa de Desenvolvimento Turístico da Bahia (PRODETUR - BA) administrado pela SUINVEST, dividiu a Bahia em Zonas Turísticas identificadas por meio dos potenciais naturais, culturais e históricos. O Programa objetiva definir ações necessárias ao desenvolvimento do turismo nacional e internacional e ordenar o espaço territorial. O corredor da Linha de Transmissão LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara 230/138 kv, também pode ser encarado como uma estratégia de desenvolvimento, na medida em que possibilitará o aumento da capacidade de circulação de energia na Região da Chapada Diamantina, hoje um grande polo de irrigação por meio de pivôscentrais e da presença de duas fábricas de cimento, além de agro-indústria para beneficiamento de sua produção agrícola. A Chapada Diamantina é um dos polos regionais para o desenvolovimento do Turismo, principalmente pela existência de espaços de interesse paisagístico e de preservação dos recursos ambientais. O corredor da nova Linha de Transmissão Ibicoara Brumado (Alternativo Traçado 2), atravessa a borda da Chapada Diamantina, juntamente com outras linhas já existentes, entre Ibicoara, Jussiape e Rio de Contas, para em seguida se dirigir para a Região da Serra Geral, em direção ao município de Brumado. 43

44 Patrimônio histórico, cultural, arqueológico e espeleológico - Fósseis e Registros Históricos (Prospecção Arqueológica) Os resultados gerais dos estudos de Diagnóstico e Prospecção da Linha de Transmissão LT 230 KV Ibicoara- Brumado II C1 e SE Ibicoara 230/138 kv apontam para um baixo potencial arqueológico pré-histórico, mesmo considerando que o empreendimento passa por áreas potenciais, como as proximidades do sul da Chapada Diamantina. Todavia, o patrimônio histórico destaca-se em municípios como Rio de Contas, Jussiape, Brumado e Ituaçu. - Sítios Arqueológicos O trabalho de prospecção evidenciou 2 sítios arqueológicos ao longo do traçado da Linha de Transmissão, sendo dois deles históricos e nenhum pré-histórico. São eles: Sítio Mangada de Zé Mineiro e Sítio Canal de Adução. a) Sítio Mangaba de Zé: localizase em Ibicoara, na AID, a 14 metros de distância da faixa de servidão (local logo abaixo das redes elétricas) do empreendimento, dentro da fazenda de um senhor conhecido como Zé Mineiro e possui cerca de 600 metros de extensão. As mangas ou mangadas (com baixo custo), como se chamam as muretas de junta seca, tinham objetivo de substituir o arame para cercar curral, fazer divisa entre fazendas e casas. Figura 19 Detalhe da Mangada de Zé Mineiro, indicada em seu início e fim pelas setas vermelhas. b) Sítio Canal de Adução: localiza-se em Barra de Estiva, a 110 metros de distância da faixa de servidão (local logo abaixo das redes elétricas) do empreendimento. É um canal aqüífero artificial construído no século XIX. Foi elaborado para funcionar como um captador e transportador de água das chuvas. 44

45 Figura 20 Detalhe da mureta de suporte do aqueduto anterior ao reservatóri e Arqueólogo fazendo aferição do canal e tomando medidas para realização de croqui do canal de adução - Patrimônio Histórico - Tamboril dos Meira: localiza-se em Brumado, a 610 metros do empreemdimento. Foi considerado Patrimônio histórico e cultural. É composto por pequeno conjunto de casas (de 120 anos), em área rural. - Fazenda Pau de Colher: localiza-se em Brumado a 1800 metros da faixa de servidão do empreendimento. Tem o nome de uma árvore que era utilizada pelos camponeses da região para fabrico de diversos utensílios, inclusive colheres. A fazenda (150 anos) tem estrutura de tição e foi do tempo dos escravos. - Conjunto arquitetônico de Rio de Contas: situa-se em Rio de Contas a 45 Km da faixa de servidão do empreendimento. É característico do Século XVIII e XIX. É composto pelo Fórum Municipal, por uma igreja edificada em blocos de pedra e diversas casas em estilo colonial. Figura 21 - Detalhe da Igreja edificada em blocos de Arenito da região e Escola primária - Igreja matriz da cidade de Brumado: localizada na praça central, a 400m de distância do empreendimento. Datada de 1873, já passou por várias reformas. Apesar disso, manteve as características arquitetônicas originais. 45

46 - Casarão: considerado um dos mais antigos da cidade de Brumado, está a 400m de distância da faixa de servidão do empreendimento. Sua estrutura encontra-se comprometida. - Rio de Contas possui um valor relevante na história social da Bahia, além de ser dotada de um acervo valioso como casas centenárias que formam belíssimo conjunto arquitetônico colonial, alguns deles tombados pelo IPHAN. Este município contabiliza 287 prédios bem conservados e tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional, sendo considerada uma das principais cidades históricas da Bahia. - O Arquivo Público, onde nasceu o Barão de Macaúbas, guarda valiosos documentos que fazem parte da história da Bahia. Identificação de manifestações culturais Os valores cristãos são um traço forte das manifestações culturais da região. Toda a região apresenta uma grande diversidade cultural com base no folclore e no sincretismo religioso o que revela uma relativa homogeneização em termos de manifestação cultural entre a AII e a AID. Em Brumado ocorre a Festa de São Sebastião, Padroeiro do Município; o Terno de Reis; o Festival de Música Popular FESMUP; a Festa de São João; a Semana da Cultura; a Festa de São Cristovão, Padroeiro dos Motoristas; a Festa do Senhor Bom Jesus; o Festival Estundantil de Música Popular FEMP e a Festa de Nossa Senhora Aparecida. Em Rio de Contas existe a Cooperativa Artesanal de Rio de Contas em convênio com o Instituto Mauá, onde abriga inúmeras lojas mostrando o artesanato local. A Festa de Corpus Christi e o carnaval de Máscaras são tradicionais na cidade. Em Barra da Estiva as festas tradicionais são: São João, Micareta de Carnaval e Festa do Bom Jesus. Já em Ibicoara, o São João, o Dia da Cidade, o Reizado das Ciganinhas, a Festa da Batata, a Festa dos Padroeiros e as Feiras Educativas. Em Ituaçu ocorre a festa de São João, o Arraiá do Brejo Grande, a Festa de Nossa Senhora do Alivio que é a Padroeira da Cidade e acontecem as Olimpíadas Estudantis. Já em Jussiape ocorre a Festa Broto Verão; o carnaval; a festa da Padroeira da Cidade, Nossa Senhora da Saúde; o São João; ocorre o aniversário do município, além da festa de Santo 46

47 Antonio. Em outubro a cidade participa da festa Festa Hippie e, em dezembro começa o período do campeonato regional de futebol. Na Figura 22, uma caracterização em Mapa do patrimônio histórico, cultural e arqueológico em relação à nova LT: 47

48 Figura 22 - Caracterização em Mapa do patrimônio histórico, cultural e arqueológico em relação à nova LT 48

49 Terras e Populações Indígenas e Quilombolas Conforme o Mapa Etno-histórico do Brasil (1944/2002 IBGE), a região do empreendimento, desde o século XVI, não apresentam informações sobre grupos indígenas no local, portanto, não foi identificada a presença de comunidades indígenas na Área de Influência Direta AID da LT 230 kv Ibicoara/Brumado II e SE Ibicoara 230/138 kv. Por outro lado, na AII do empreendimento foram confirmadas a existência de comunidades descendentes de escravos. As comunidades descendentes de escravos (Quilombos) em Rio de Contas são: Barra do Brumado, Bananal e Riacho das Pedras. São conhecidas também por "arraiais dos negros", e as comunidades quilombolas Barra do Brumado, Bananal e Riacho das Pedras estão localizadas no sudoeste da Bahia, ao sul da Chapada Diamantina no município de Rio de Contas, no vale do Brumado, portanto na Área de Influência Indireta do empreendimento, a mais de 30 km de qualquer ação que venha a ser realizada para sua implantação ou operação. O povoado de Barra é um pouco maior que o de Bananal; tem mais residências e maior estrutura. Nacionalmente, as Comunidades Remanescentes dos Quilombos são detentoras de Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra, e eleva as terras dos remanescentes de quilombos à condição de Território Cultural Nacional. Organizadas para garantir seu direito imemorial à propriedade da terra, as Comunidades Remanescentes de Quilombos podem se constituir como grandes preservadoras do meio ambiente, respeitam o local onde vivem. Reivindicam, sobretudo, condições que permitam a sua continuidade e permanência em suas terras. Patrimônio Natural Nos municípios podem-se destacar: Jussiape - O Rio das Contas chamavase Rio Jussiape nasce na Serra da Tromba e é o rio mais importante da região. Destaque para as barragens Rosalvo Borges, João Batista Luz, Inácio Alencar e o Balneário da Barra a Cachoeira Cantagalo; as Grutas da Tapera e do Espinho (com Pinturas Rupestres) e o Museu Municipal de Jussiape. 49

50 Barra da Estiva - O relevo da cadeia do Espinhaço forma o Morro do Ouro (1.576 m), Morro da Torre (1.474 m) e Serra do Sincorá. É neste município que estão as nascentes do Rio Paraguaçu. Cruzam o município os rios Sincorá, Paraguaçu, das Contas, Preto, Prata, Duas Barras e Ribeirão, com destaque para Barragem Saco da Laje no Rio Sincorá e as cachoeiras de Pedrão, Camulengo, Bom Jardim, Duas Barras e a barragem Saco da Laje. Brumado - As áreas consideradas patrimonio natural são: Cachoeira da Serra de São Lourenço; Córrego Bate- Pé; Gruta das Lavadeiras; Riacho do Coité; Rio do Antonio e Serra das Éguas. Ituaçú - Nos arredores encontra-se a Gruta da Mangabeira que possui aproximadamente 5,5km de extensão e um enorme conjunto de galerias, repletas de estalactites e estalagmites de diversas formas. - Áreas de Conservação A partir dos levantamentos de dados primários e secundários não foram registradas Unidades de Conservação Estadual e Municipal na AID. Porém, na AII estão presentes o Parque Nacional da Chapada Diamantina, Parque Municipal Natural da Serra das Almas, Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual Serra do Barbado e APA Estadual Marimbus/ Iraquara, sendo que somente as duas últimas possuem Zoneamento Ecológico-Econômico. De acordo com os estudos e com a Prefeitura de Rio de Contas, a nova LT não interferirá em qualquer das UCs existentes nestas regiões. A área do empreendimento não se encontra em zonas de corredores ecológicos protegidos por Lei. Deve-se atentar, no entanto, para a existência da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, que abrange a área da serra que fica no Estado de Minas Gerais. Ressalta-se que a Serra do Espinhaço termina no Sul da Bahia, composta por serras que compõem o grande maciço da Chapada Diamantina. No entanto, essa área não foi incorporada à reserva da biosfera, o que pode acontecer futuramente. Os municípios da AII do empreendimento, de forma geral, não contam com uma base normativa e legal suficiente na área de planejamento, administração e fiscalização do uso do solo, incluindo o zoneamento do uso do solo, a fiscalização das construções e todo o sistema de licenciamento das edificações. Ressalta-se que dos 50

51 municípios na RE Chapada Diamantina, apenas Rio de Contas não possui Conselho Municipal de Turismo ou de Meio Ambiente. Na Figura 23, é observada a distância da nova LT para o Parque Nacional da Chapada Diamantina, além da sede de Rio de Contas. Aspectos Turísticos Em Ibicoara a principal atração é a Cachoeira do Buracão e da Fumacinha, e seu parque hoteleiro registra 55 leitos. Ituaçu é berço de artistas como Gilberto Gil e Moraes Moreira, os maiores atrativos turísticos são a Cachoeira das Moendas e a Gruta da Mangabeira, seu parque hoteleiro registra 85 leitos. Já em Barra da Estiva se destacam a Cachoeira do Bom Jardim e o Morro Santa Bárbara, seu parque hoteleiro registra 70 leitos. À entrada de Rio de Contas localiza-se a cachoeira de Livramento e uma pedra pintada, a Negra do Zofir e na casa onde viveu o artista plástico Zofir Oliveira Brasil ( ) estão expostos os curiosos trabalhos feitos com material reciclado e sucata. O parque hoteleiro da cidade registrava até 1998, 86 leitos, porém tendo sido uma das cidades em que mais se concentrou a atividade turística, pressupõe-se um número maior de leitos atualmente. É válido ainda destacar a Cachoeira do Fraga, cartão postal da cidade de Rio de Contas, formada pelo Rio Brumado. Em Brumado pode-se visitar a Gruta das Lavadeiras e a Cachoeira da Serra de São Lourenço. Por ser uma cidade que concentra atividades comerciais, seu parque hoteleiro até 1998 já contava com 110 leitos. Em Jussiape, a Cachoeira do Bicho e a Gruta da Bunilha motivam o ecoturismo. Apesar disso, seu parque hoteleiro conta com apenas 20 leitos. 51

52 Figura 23 Distâncias da LT às sedes municipais e ao PARNA da Chapada Diamantina 52

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