Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável Território da Cidadania Portal da Amazônia Rural Sustentável

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1 Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável Território da Cidadania Portal da Amazônia

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3 Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável Território da Cidadania Portal da Amazônia CEAAF Dezembro/2010 Alta Floresta - MT

4 Territorio da Cidadania Portal da Amazônia Alta Floresta, Mato Grosso Conselho Executivo de Ações da Agricultura Familiar, p.: 19,2 x30 cm. ISBN : desenvolvimento territorial sustentável 2. agricultura familiar Créditos oficiais PRESIDENTE DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO Guilherme Cassel SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL Humberto Oliveira DIRETORA GERAL DE AÇÕES DE DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL Fernanda Costa Corezola Elaboração CEAAF Portal da Amazônia Realização Instituto Ouro Verde - IOV Consultores para qualificação do PTDRS Alexandre de Azevedo Olival Andrezza Alves Spexoto Capa e layout Ricardo Luciano Apoio Ministério do Desenvolvimento Agrário Secretaria de Desenvolvimento Territorial Impresso no Brasil. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou utilizada por qualquer meio sem prévia autorização por escrito dos autores.

5 ÍNDICE INTRODUÇÃO: O QUE É DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL? 1. O QUE É O PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL? ELEMENTOS DE IDENTIDADE DO TERRITÓRIO PORTAL DA AMAZÔNIA 2.1 Aspectos históricos do Portal da Amazônia 2.2 A população no Portal da Amazônia 2.3 Serviços sociais no Portal da Amazônia Educação Saúde 2.4 Cultura 2.5 Aspectos econômicos Atividades econômicas Estrutura agrária Características da Produção Agropecuária no Portal da Amazônia Características da Agricultura Familiar no Portal da Amaxônia 2.6 Ambiente Institucional no Portal da Amazônia 3. O PORTAL DA AMAZÔNIA QUE QUEREMOS 4. EIXOS DE AÇÃO 4.1 Ações fundiárias 4.2 Direitos e desenvolvimento social 4.3 Educação e cultura 4.4 Infra-estrutura 4.5 Organização sustentável da produção 4.6 Saúde, saneamento e acesso a água 4.7 Gestão territorial 5. PROGRAMAS E PROJETOS PRIORITÁRIOS 6. ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DO PTDRS

6 Introdução: O QUE É DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL? Quando pensamos em desenvolvimento rural geralmente associamos imediatamente a idéia de aumento de produção agrícola. Entretanto, o meio rural possui mais elementos do que a produção rural. Aspectos como educação, cultura, lazer, formas de organização social, entre outros, assumem características específicas neste meio em comparação com a realidade urbana. De fato, mesmo a questão econômica não está reduzida unicamente à produção agrícola atividades como artesanato e o turismo passam a ocupar espaços cada vez mais importantes em diversas comunidades rurais no Brasil. É justamente por possuir características específicas que o meio rural brasileiro, inclusive no Portal da Amazônia (Figura 01), possui demandas particulares. Problemas tradicionais enfrentados pela sociedade brasileira como a educação e a saúde assumem uma dimensão muito mais significativa no meio rural. Além disso, problemas de infraestrutura, como estradas, luz elétrica e o abastecimento de água são questões estruturantes limitantes para qualidade de vida no meio rural. Entretanto, pensar o meio rural de forma isolada ao meio urbano também tem se mostrado um erro comum. Isto porquê campo e cidade vivem em sintonia, em um processo de inter-relação impossível de ser quebrado. Nos municípios do Portal da Amazônia, nos quais grande parte da população está nas áreas rurais, esta relação é ainda mais forte. Estes aspectos mencionados nos remetem a noção não mais de desenvolvimento rural. O desenvolvimento precisa ser compreendido de forma ampla, envolvendo cidade e campo, ao mesmo tempo em que precisa de sensibilidade para tratar as questões específicas de cada realidade. A pergunta que se coloca agora é: quem seria o agente indutor deste processo de desenvolvimento? O Estado, nos seus diferentes níveis, tem se mostrado incapaz de conduzir sozinho este processo. E não se trata apenas das carências de meios técnicos, recursos humanos ou financeiros. De fato, devemos reconhecer que, depois de séculos de regimes autoritários, nem a sociedade, nem as escalas de governo estão acostumadas à prática da consertação, ou seja, de processos participativos que tenham por objetivo formar consensos condição necessária (mas não suficiente) para que as políticas públicas sejam bem sucedidas. 06

7 É neste momento que surge a importância da sociedade civil e suas diferentes formas de organização ou representação. Somente através do envolvimento dos moradores é que poderemos construir novas propostas de desenvolvimento, propostas estas que de fato sejam o reflexo das carências e das potencialidades de cada espaço. Além disso, para que esta construção seja de fato inovadora, é necessário garantir condições de envolvimento dos mais diferentes atores sociais, especialmente dos segmentos majoritários que quase sempre são excluídos deste processo pelas elites locais. Podemos ainda associar a idéia de desenvolvimento ao conceito de território, entendido como um espaço no qual as pessoas se identificam, no qual existe elementos que tornam este espaço diferente dos demais. O Portal da Amazônia pode ser encarado como um território na medida em que nesta região existe uma identidade em comum. Nos vemos como uma região específica, com uma história, com aspectos ambientais e sociais similares e com limitações também em comum. Desta forma, o território, devido justamente a esta proximidade das pessoas, passa a ser um espaço mais adequado para pensar o desenvolvimento, por permitir ações inovadoras que apenas os municípios não possuem capacidade de operacionalizar e por estar aberto as particularidades de cada região. A Figura 01 apresenta o mapa do território Portal da Amazônia, destacando todos os municípios que o compõem. Assim, podemos assumir como o nosso conceito de desenvolvimento territorial, o processo de fortalecimento das formas de organização social, assumindo seu papel na transformação da realidade (SOCIAL); tendo clara noção das fragilidades, das potencialidades e dos efeitos da ação humana sobre o meio ambiente (AMBIENTAL), construindo assim alternativas econômicas condizentes com estes limites e o potencial de crescimento econômico, bem como o impacto na sociedade e no ambiente, reavaliando os níveis de consumo pessoais e da sociedade (ECONÔMICO), estando estas ações baseadas nos valores e na diversidade existente dentro do território (CULTURAL). 07

8 Figura 01. Mapa do Portal da Amazônia. 08

9 Planejamento de longo prazo não é lidar com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes. O QUE É O PLANO TERRITORIAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL? Um plano é uma forma de registro de uma realidade que sempre está em movimento, de um processo rico e inesgotável. Ao construirmos um plano, exercitamos nossa capacidade de analisar a realidade, identificar e acompanhar a sua evolução e encontrar caminhos alternativos para a superação dos problemas. Desta forma, construir um plano nada mais é que contar uma história, partindo da realidade atual e aprofundando nos caminhos para se chegar a um futuro desejado. O (PTDRS) Portal da Amazônia representa o resultado de todo o processo de planejamento do desenvolvimento realizado pelos mais diferentes segmentos representativos da agricultura familiar em nossa região. Neste plano, nós contamos nossa história, sonhamos com um futuro melhor e apresentamos nossas estratégias para alcançar este futuro. Assim, não se trata somente de um documento escrito. Trata-se de um instrumento de transformação social, que deve ser utilizado tanto pelos órgãos do poder público quanto pelas organizações da sociedade civil como referência para suas ações. prioritários (QUAIS OS CAMINHOS QUE DEVEMOS PERCORRER?) e o sistema de monitoramento e gestão das ações propostas (COMO SABER SE ESTAMOS NO CAMINHO CERTO?) Figura 01 (próxima página). Cada parte deste documento foi construída a partir de metodologias específicas, sempre contando com a máxima participação dos moradores do Portal da Amazônia. Para a construção da visão de futuro do território e a identificação de eixos e programas foram feitas 16 oficinas municipais e 04 oficinas regionais, envolvendo mais de agricultores do território. Os dados foram debatidos e o plano concluído em uma grande oficina territorial, envolvendo representantes do poder público e da sociedade civil. Esperamos que de fato possamos utilizar este instrumento como um verdadeiro referencial para a construção do nosso processo de desenvolvimento. Boa leitura! Conselho Executivo de Ações para a Agricultura Familiar O PTDRS está estruturado em 04 partes fundamentais: a caracterização do território (ONDE ESTAMOS?); como imaginamos nosso futuro (PARA ONDE QUEREMOS IR?); os eixos aglutinadores, programas e projetos 09

10 ONDE ESTAMOS? Elementos de identidade do Território Portal da Amazônia PARA ONDE QUEREMOS IR? Visão de futuro do Território Portal da Amazônia Figura 02. Esquematização do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS) EIXOS AGLUTINADORES Situação atual específica de cada eixo Objetivos e Metas específicas PROGRAMAS E LINHAS DE AÇÃO PROJETOS POPULAÇÃO DO PORTAL DA AMAZÔNIA 10

11 ELEMENTOS DE IDENTIDADE DO TERRITÓRIO PORTAL DA AMAZÔNIA Neste capítulo, apresentamos os elementos que nos tornam particulares, que nos tornam diferentes dos demais territórios do Brasil. Faremos uma discussão sobre a realidade do Portal da Amazônia, de como fomos construindo nossa história e como acertamos e também erramos neste processo. 2.1 Aspectos históricos do Portal da Amazônia O território do Portal da Amazônia localiza-se no extremo norte do Estado de Mato Grosso. Trata-se de uma região localizada em pleno arco do desmatamento da floresta amazônica, na qual os conflitos socioambientais ocasionados pelo avanço da fronteira agrícola estão ainda muito presentes. Os primeiros moradores da região são povos indígenas de diferentes etnias, como os apiakás, mandurukus, kayabis, rikbatsa e kreen-aka-rorê. Com o chamado processo de colonização, ocorrido a partir da década de 70, os índios, alguns de forma pacífica outros como resultado de conflitos armados, foram transferidos para áreas demarcadas no município de Juara e para o Parque Nacional do Xingu, onde tentam ainda hoje reestruturar-se. Os municípios do território têm sua origem em projetos de colonização privados ou projetos de assentamentos para a reforma agrária. Esta forma de colonização foi amplamente estimulada por programas governamentais durante a década de 70, através de empréstimos com juros baixos para as empresas adquirirem os terrenos na região e redução dos valores das taxas sobre os seus lucros. Era a chamada política de integrar para não entregar. A população que chegava à região era proveniente tanto de áreas de tensão agrária, principalmente do Paraná e Rio Grande do Sul, como moradores de áreas que foram demarcadas para índios e regiões alagadas por hidroelétricas. A imagem vendida tanto pelas empresas colonizadoras quanto pelos projetos de assentamentos era de uma região extremamente fértil, onde era possível produzir tudo a um baixo custo. No entanto, a idéia deste Eldorado Verde rapidamente se mostrou equivocada em muitas localidades dentro do território. Práticas agrícolas não adaptadas ao clima da região, no qual metade do ano é marcada por fortes chuvas, e dificuldades de comercialização da produção fizeram com que muitos projetos, tanto públicos quanto privados, não tivessem o resultado esperado. Talvez o fato mais marcante para a região tenha sido a entrada do garimpo nos municípios. Com a descoberta do ouro houve intensa migração de pessoas para o Norte de Mato Grosso. Entretanto, com o fim do garimpo estes novos moradores, em grande parte oriundos do NE, se estabeleceram como agricultores ou como mão de obra barata para as indústrias de madeira em todo o território. De fato, a explosão demográfica vivenciada, acompanhada da violência, problemas de habitação e saúde, interferiu sobremaneira o 11

12 desenvolvimento da região. Atualmente muitos municípios tentam ainda se reerguer deste período. Esta grande dificuldade inicial, no entanto, fez nascer um claro sentimento de pertencimento da população. Atualmente, os moradores, apesar de ainda manter hábitos de sua terra natal, se enxergam como parte de uma mesma região. O desafio neste momento é superar os resquícios deste processo conturbado de desenvolvimento, em especial, conciliar o desenvolvimento com a preservação ou recuperação ambiental tendo em vista o potencial econômico ou o grande passivo que o meio ambiente pode representar. Ao mesmo tempo é fundamental assumir a agricultura familiar como um valor social do território. O número de agricultores familiares no Portal e seu peso econômico são elementos que devem pesar na definição de uma nova proposta de desenvolvimento para todo o território. 2.2 A população no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia possui cerca de habitantes, de acordo com os dados do IBGE (2007). Entretanto, verificou-se que de 1996 a 2007 o território vem apresentando uma queda no seu crescimento populacional, principalmente em relação ao Estado de Mato Grosso. Enquanto em 1996 o Portal representava 10,5% da população do estado, em 2007 o território respondia por 9,2% desta população Portal da Amazônia Mato Grosso (x10) Brasil (x1.000) Gráfico 01. População total do Portal da Amazônia, do estado do Mato Grosso e do Brasil nos anos de 1996 a Fonte: IBGE, A redução no aumento populacional não ocorreu de forma homogênea em todo o território. De fato, observa-se a diminuição especificamente da população rural neste período uma vez que a população considerada urbana aumentou, elevando a taxa de urbanização do território de 58% para 62% (de 1997 a 2000). Assim, observa-se a mesma tendência das demais regiões brasileiras, com redução das populações que habitam as áreas rurais. Destaca-se ainda a diminuição do fluxo migratório de outras regiões do Brasil para os municípios do Portal e a intensificação das migrações dentro do território. Apesar da redução na população rural, o Portal da Amazônia ainda caracterizase pela forte presença desta população. Considerando o critério de densidade 12

13 demográfica este fato fica mais marcante. Em 2007, o território possuía somente 2,69 habitantes/ Km2, indicador inferior inclusive a média do estado de Mato Grosso. A redução na população rural observada de 1996 a 2007 não alterou de forma significativa este indicador. Com referência aos principais indicadores de qualidade de vida, observa-se que o Índice de Desenvolvimento Humano do território é considerado médio (0,736), sendo que vêm apresentando melhorias ao longo dos anos, principalmente no tocante a escolaridade e longevidade. No entanto, o componente IDH Renda continua sendo o que mais influencia negativamente o Gráfico 02. População rural e urbana do Portal da Amazônia nos anos de 1996 e 2000 Fonte: IBGE, % 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% RURAL URBANO RURAL URBANO ,48 2,3 48,11 2,4 2, ,35 3,17 2, Portal da Amazônia, Mato Grosso Brasil Gráfico 03. Densidade demográfica no Portal da Amazônia, no estado do Mato Grosso e no Brasil nos anos de 1996, 2000, Fonte: IBGE, 2007 IDH Médio. Chama atenção ainda o processo de concentração de renda vivenciado por grande parte dos municípios do território de 1996 a Destaca-se ainda a diferença existente entre o rendimento médio domiciliar no meio rural e urbano, revelando a enorme desigualdade existente entre estes espaços. Índice de Gini: Série baseada na Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE. Mede o grau de desigualdade existente na distribuição dos domicílios segundo a renda domiciliar per capita. Seu valor varia de 0 a 1, assumindo o valor zero quando não há desigualdade (todos os indivíduos recebem a mesma renda) e o valor 1 quando há desigualdade (um único indivíduo recebe toda a renda). 13

14 Tabela 01. Rendimento médio domiciliar nas áreas rurais e urbanas do Portal da Amazônia no ano de Fonte: IBGE, Tabela 02. Indice de Gini¹ nos municípios do Portal da Amazônia e no Brasil nos anos de 1996 e Fonte: IBGE, Municípios Urbano Rural Alta Floresta Apiacás Carlinda Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Novo Mundo Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte 1.041,81 812,56 793, , , , ,41 994,39 764,19 999,22 974,61 984, ,32 787,61 840,88 474,12 543,46 407,53 511,94 934, ,70 391,43 335,43 711,26 450,74 515,78 370,67 519,77 279,55 420,84 Municípios Variação Alta Floresta Apiacás Carlinda Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Novo Mundo Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Brasil 0,55 0,62 0,52 0,58 0,66 0,48 0,63 0,65 0,56 0,55 0,45 0,6 0,65 0,62 0,57 0,637 0,59 0,57 0,53 0,64 0,64 0,58 0,64 0,63 0,51 0,63 0,57 0,63 0,61 0,64 0,6 0,609 7,27-8,06 1,92 10,34-3,03 20,83 1,59-3,08 8,93 14,55 26,67 5,00-6,15 3,23 5,26-4,40 Descrição Geral da População no Portal da Amazônia A população do Portal da Amazônia pode ser considerada como rural. Entretanto, observa-se nos últimos anos fluxo migratório das áreas rurais para os núcleos urbanos, a diminuição do crescimento populacional do território e intensificação das migrações internas. Apesar do avanço do IDH nos últimos anos, a renda continua sendo um dos principais limitantes para as populações do território, em especial as populações rurais. 2.3 Serviços sociais no Portal da Amazônia A análise dos serviços sociais no Portal será feita a partir de 02 aspectos específicos: a educação, com destaque para a educação nas áreas rurais, e a saúde Educação A taxa de analfabetismo no Portal da Amazônia vem diminuindo ao longo dos anos. Entretanto, grande parte dos municípios ainda possui indicador superior a média estadual e nacional. A elevação da escolarização da população reflete diretamente no IDH Educação, sendo um dos 14

15 componentes que mais contribuiu para a elevação do IDH Médio do território. Ao analisar o número de escolas no meio rural e urbano verifica-se a tendência de redução no número de estabelecimentos de nível fundamental nas áreas rurais, com a permanência constante do número de escolas de nível médio. Parece que grande parte dos estabelecimentos de nível fundamental está sendo deslocada para as áreas urbanas dos municípios uma vez que no mesmo período observa-se aumento expressivo destes estabelecimentos nestas áreas. Quando observamos o número de matrículas, verificamos, em geral, aumento nos alunos matriculados em todos os níveis de ensino, tanto em escolas rurais quanto urbanas. Entretanto, cabe uma observação importante: o aumento de matrículas nas escolas de nível fundamental não ocorreu em todos os municípios, mas devido principalmente ao aumento observado em três: Peixoto de Azevedo, Novo Mundo e Guarantã do Norte. De forma geral observou-se uma correlação de 50% entre a redução das escolas de nível fundamental no campo e a redução das matrículas. A diminuição do número de escolas com nível fundamental nas áreas rurais, com diminuição em grande parte dos municípios do Portal nas matrículas de nível fundamental, pode ter impactos em outros indicadores, como por exemplo, na distorção série-idade. Verifica-se que nas escolas rurais a distorção entre a série cursada e a idade considerada ideal é sempre superior em relação as escolas urbanas. A maior dificuldade de acesso para os moradores das áreas rurais (que devem se deslocar para as escolas longe de suas residências), aliado a um ensino descaracterizado da realidade dos alunos podem contribuir para este quadro. Tabela 03. Taxa de analfabetismo em 2000 nos municípios que formam o Portal da Amazônia, média do Mato Grosso, da Região Centro Oeste e do Brasil. Fonte: INEP, Municípios Taxa de Analfabetismo 2000 Alta Floresta Apiacás Carlinda Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bnadeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Nova Santa Helena Novo Mundo Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Mato Grosso Centro-Oeste Brasil

16 Gráfico 04. Número de estabelecimentos de ensino nos municípios do Portal da Amazônia, de acordo com a localização (colunas para estabelecimentos de nível médio e linhas para estabelecimentos de nível fundamental). Fonte: INEP, Gráfico 05. Matrículas nos estabelecimentos de ensino dos municípios do Portal da Amazônia, de acordo com a localização (colunas para estabelecimentos de nível médio e linhas para estabelecimentos de nível fundamental). Fonte: INEP, Rural Urbano Rural Urbano Rural Urbano Rural Urbano ,5 27, Até a 4ª Série Saúde 64,7 55, ª a 8ª Série 24,2 17, Até a 4ª Série 39,8 36,5 Rural Urbano ª a 8ª Série Gráfico 06. Taxa média de distorção idade-série do nível fundamental por localização das escolas no território Portal da Amazônia. Fonte: INEP, 2008 Os indicadores de saúde de um determinado território estão intimamente relacionados às condições econômicas e sociais de sua população. Neste plano, com a intenção de caracterizar o setor de saúde dentro do Portal da Amazônia, discutiremos duas informações centrais: a mortalidade infantil e o perfil de mortalidade do território. 16

17 Com respeito a mortalidade infantil, observa-se que grande parte dos municípios apresentam indicadores inferiores à média nacional, porém superiores a média estadual. Destaque negativo deve ser dado a alguns municípios, como Marcelândia, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, com mais de 40 mortes para cada crianças nascidas vivas. Tabela 04 1 Mortalidade infantil no ano de 2002 nos municípios do Portal da Amazônia. Fonte: DATA SUS, Municípios Mortalidade infantil Alta Floresta 26,1 Apiacás 25,5 Carlinda 25,1 Colíder 16,7 Guarantã do Norte 22,6 Marcelândia 44,2 Matupá 28,2 Nova Bandeirantes 40,0 Nova Canaã do Norte 16,2 Nova Guarita 13,9 Nova Monte Verde 40,8 Novo Mundo 12,0 Paranaíta 22,6 Peixoto de Azevedo 17,6 Terra Nova do Norte 7,8 Mato Grosso 22,9 Brasi 28,3 1. Número de crianças mortas a cada crianças nascidas vivas. Com respeito ao perfil de mortalidade, observa-se no Portal indicadores superiores a média nacional para duas causas de mortes: doenças infecciosas/ parasitárias e causas externas. Ambos indicadores estão relacionados também ao quadro de pobreza e desigualdade encontrado na região. Verifica-se assim que, apesar dos avanços conseguidos na área de saúde nos últimos anos, o que pode ser comprovado pela elevação do IDH Longevidade, o território ainda vivencia questões extremamente sérias na área de saúde ,9 6,32 Doenças infecciosas e parasitárias Média no Portal da Amazônia 11,57 Tumores 16,31 27,68 31,52 Doenças do aparelho circulatório 9,59 11,17 Doenças do aparelho respiratório Média no Brasil 7,18 3,9 Afecções originadas do perinatal 19,56 14,91 Causas externas 25,45 17,87 Outras causas definidas Gráfico 04. Mortalidade em 2002 de acordo com diferentes causas (% de indivíduos que morreram de determinada causa/ número total de mortes) nos municípios do Portal da Amazônia Fonte: Ministério da Saúde (DATASUS),

18 Descrição Geral dos Serviços Sociais no Portal da Amazônia As desigualdades econômicas e sociais são características do Portal da Amazônia. Desta forma, os serviços sociais no território acabam refletindo essa situação. Na educação, verifica-se a clara tendência de redução no número de escolas no meio rural, em especial no nível fundamental. Os indicadores de qualidade educacional são piores no campo do que na cidade. Apesar da existência de exemplos pontuais de iniciativas inovadoras em educação, o Portal ainda carece de uma proposta clara de melhoria do ensino nas áreas rurais. Do ponto de vista da saúde pública, observa-se que, apesar da melhoria dos principais indicadores nos últimos anos, o território ainda sofre com problemas como mortalidade por doenças parasitárias e infecciosas e causas externas, principalmente agressões. 2.4 Cultura A diversidade cultural é composta por todas as expressões culturais de um povo, desde as culturas de formação de um país até as culturas digitais, em todas as suas expressões. Já a cidadania cultural pode ser compreendida como o acesso da população aos bens culturais e as expressões culturais diversificadas. Este pontos são relevantes pois a discussão sobre a sustentabilidade passa pelo discussão sobre qual a nossa identidade cultural. Quando não sabemos qual nossa identidade estamos vulneráveis a assumir comportamentos e valores que não são nossos. O Portal da Amazônia vêm passando por sucessivas decorrentes dos modelos econômicos inicialmente planejados. Esta dinâmica tem estimulado a sociedade local a discutir seu processo de desenvolvimento e sua sustentabilidade, porém sem considerar as diferentes dimensões do desenvolvimento. O aspecto cultural fica a margem de todo este processo uma vez que as questões econômicas e ambientais estão sendo consideradas os eixos centrais. A região ainda não possui uma cara cultural bem definida. O que se observa é uma pluralidade de culturas que não conversam entre si, mesmo por que não houve tempo necessário para a amarração destas diferentes manifestações. Falar em desenvolvimento sustentável significa discutir o que somos e como olhamos para nós mesmos. Para isso, porém, é preciso superar a visão de cultura apenas como entretenimento, assumindo-a como um 18

19 elemento importante para o desenvolvimento da região. Neste contexto alguns desafios a serem superados podem ser destacados: relação cultura-educação; a democratização dos meios de comunicação e a falta de recursos para a produção cultural. Ao mesmo tempo, é possível identificar um movimento cultural na região. Os municípios estão constantemente produzindo cultura, gerando, inclusive uma economia específica. Existem grupos de teatro, dança, música e artesanato em praticamente todos os municípios do Portal. É preciso, entretanto, que haja uma preocupação na formação de consumidores de produções culturais, de formação de platéias. Estas ações têm um impacto positivo inclusive na economia da nossa região a cultura pode ser um elemento importante também na sustentação econômica da região Norte de Mato Grosso. Descrição Geral da Cultura no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia está construindo sua identidade própria. Apesar das dificuldades vivenciadas, principalmente pela visão fragmentada do processo de desenvolvimento, existe um forte movimento cultural em toda a região. Grupos de teatro, dança e música contribuem para questionar os padrões atualmente existentes no território. Estes grupos estão localizados em todo o território, porém com atuação mais forte nas áreas urbanas. Pensar a gestão cultural de forma integrada dentro do território é um dos principais desafios dentro deste eixo. 2.5 Aspectos econômicos Para a caracterização econômica do Portal da Amazônia serão discutidos 04 pontos centrais: o perfil produtivo do Portal; a sua estrutura agrária, a caracterização da produção agropecuária e, finalmente, a caracterização específica da agricultura familiar dentro do território. 19

20 Municípios Alta Floresta Apiacás Carlinda Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Nova Santa Helena Novo Mundo Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Portal da Amazônia PIB a preço de mercado corrente Atividades econômicas Agropecuária (%) 18,91 43,29 42,89 13,85 18,03 38,87 30,23 37,40 35,08 46,25 43,45 50,68 53,11 38,70 27,02 34,51 28,45 Indústria (%) 13,61 7,80 7,43 21,76 13,49 13,60 25,61 11,46 22,58 6,47 7,42 6,17 7,45 9,67 9,30 11,66 14,66 Serviços (%) 57,51 44,00 44,60 54,62 61,07 41,42 36,67 45,60 36,72 42,54 44,11 38,56 35,26 45,44 58,24 47,99 49,56 Impostos (%) 9,98 4,91 5,08 9,77 7,41 6,11 7,49 5,55 5,62 4,74 5,02 4,59 4,17 6,19 5,44 5,85 7,33 Tabela 05 Produto Interno Bruto em 2007 nos municípios do Portal da Amazônia (em Mil Reais). Fonte: IBGE, No Portal da Amazônia cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é proveniente do setor de serviços enquanto 28% é proveniente do setor agropecuário e somente 14% do setor de indústrias. Entretanto, esta relação se modifica quando retiramos os três maiores municípios do território Alta Floresta, Colíder e Guarantã do Norte. Estes são os municípios considerados pólos, concentrando grande parte das indústrias e dos serviços. São também os municípios com melhores indicadores de qualidade de vida. Foi encontrada uma leve correlação (R) entre o PIB do setor industrial e o rendimento das populações rurais (R = 22%) e urbanas (R = 38%). No entanto, as diferenças nos coeficientes de correlação demonstram que naqueles municípios com maior participação do PIB do setor industrial, o rendimento médio da população urbana tende a aumentar em uma escala mais significativa. O inverso foi encontrado em relação ao PIB agropecuário, ou seja, na medida em que há aumento da participação deste componente do PIB nos diferentes municípios, há diminuição da renda das populações urbanas (28%) e rurais (11%). Entretanto deve-se destacar que também foi encontrada correlação entre o rendimento médio e a concentração de renda, mostrando que é justamente nos municípios com maiores rendimentos médios onde ocorre a maior concentração de renda. Em síntese, pode-se dizer que os municípios mais industrializados tendem a ter rendimento médio maior da população urbana, porém com maior concentração de renda. Estes dados apontam para a necessidade de não se pensar unicamente em industrializar os municípios, mas também em como permitir que a maior parte da população se aproprie dos benefícios deste processo. O beneficiamento da produção em agroindústrias controladas pelos agricultores (cooperativas, por exemplo) e a diversificação da renda do 20

21 município são estratégias para a elevação do rendimento médio dos moradores com distribuição de renda Estrutura Agrária Os dados sobre estrutura agrária no Portal da Amazônia demonstram um cenário de profundo processo de concentração de terras na região. Considerando o recorte de 200 hectares, que poderia incluir grande parte dos agricultores familiares do Portal, verifica-se que a maioria dos municípios do território possui mais de 80% dos estabelecimentos enquadrados nesta categoria. Entretanto, estas propriedades ocupam menos de 15% da área do total dos estabelecimentos. De fato, a concentração de terras na região, mesmo com todos os projetos de assentamentos implantados, ainda é extremamente alta, representando um importante limitante para a distribuição de renda e o desenvolvimento sustentável. Considerando como indicador de concentração de terras o Índice de Gini Terra, verifica-se que o Portal possui concentração considerada extremamente alta, superior ao território Baixada Cuiabana, a média do estado de Mato Grosso, a média do Centro Oeste e do Brasil. Municípios Alta Floresta Apiacás Carlinda Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Nova Santa Helena Novo Mundo Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Portal da Amazônia Brasil Mato Grosso Locais Até 200 hectares (% de estabelecimentos) Número 84,59 71,22 92,16 89,98 83,74 73,40 90,16 88,50 84,61 89,44 84,11 79,17 84,29 84,73 95,85 87,77 86,50 96,50 78,62 Território Portal da Amazônia Território Baixada Cuiabana Território do Baixo Araguaia Estado de Mato Grosso Região Centro Oeste Brasil Área 13,57 7,23 28,83 27,02 21,62 5,18 14,91 16,12 17,06 38,65 9,31 5,72 16,01 20,29 19,85 31,98 16,13 30,14 8,75 >200 hectares (% de estabelecimentos) Número 15,41 28,78 7,84 10,02 16,26 26,60 9,84 11,50 15,39 10,56 15,89 20,83 15,71 15,27 4,15 12,23 13,50 6,50 21,37 Índice de Gini - Terra 0,79 0,78 0,80 0,76 0,71 0,64 Área 86,43 92,77 71,17 72,98 78,38 94,82 85,09 83,88 82,94 61,35 90,69 94,28 83,99 79,71 80,15 68,02 83,87 69,86 91,24 Tabela 06 Distribuição das terras do território Portal da Amazônia (% de propriedades) Fonte: Censo Agropecuário Tabela 07 Índice de Gini - Terras de alguns territórios e regiões Brasileiras. Fonte: Censo Agropecuário

22 2.5.3 Características da Produção Agropecuária no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia é uma região marcada pela presença da agropecuária. Esta atividade ocupava, em 1996, cerca de 80% da área do território. A tendência é que nos últimos 12 anos a pecuária tenha incorporado áreas de lavoura e áreas de floresta, aumentando sua abrangência no Portal da Amazônia. consolidação da produção de leite como atividade predominante. De 1996 a 2006, houve crescimento de mais de 134% nesta produção dentro do território, superando inclusive o aumento médio da produção de leite ocorrido no país neste mesmo período (cerca de 37%). Cabe destacar, entretanto, que este aumento da produção vem se dando quase que exclusivamente pela aquisição de novos animais e incorporação de novas áreas de pastagens, havendo pouca mudança em relação a produtividade (neste período a produtividade dos animais cresceu somente 3%). Dentre as lavouras temporárias mais importantes estão a produção de arroz, mandioca e milho. Enquanto a produção de arroz tem oscilado consideravelmente nos últimos anos, principalmente em detrimento de reduções no preço do produto, a produção de mandioca e milho tem se mantido relativamente constante, com leve aumento nos últimos anos. Dentre as lavouras permanentes, duas se destacam: o café, que após um pico de produção em 2002 vem apresentando queda, e a banana, que vem crescendo nos últimos anos. Estas lavouras, principalmente o café, têm destaque nos municípios de Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, apesar da redução ocorrida nos últimos anos. Especificamente no caso da pecuária, verifica-se no Portal a Alta Floresta Lavouras Permanentes Lavouras Temporárias Apiacás Colíder Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Nova Guarita Nova Monte Verde Paranaíta Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Gráfico 05. Participação das lavouras temporárias e permanentes no Valor Bruto da Produção nos municípios do Portal da Amazônia Fonte: Censo Agropecuário,

23 Arroz (em casca) Mandioca Milho (em grão) Banana Café (beneficiado) Gráfico 06. Quantidade produzida das principais lavouras temporárias do Portal da Amazônia. Fonte: IBGE, Produtividade (produção/vaca em lactação) Produção de leite/ano Gráfico 08. Quantidade produzida de leite e produtividade dos animais no Portal da Amazônia. Fonte: IBGE, Gráfico 07. Quantidade produzida das principais lavouras permanentes do Portal da Amazônia. Fonte: IBGE, Cabe destacar que este avanço da pecuária e mesmo de áreas de lavouras tem causado expressivos impactos ambientais em todo o território. A degradação de nascentes e córregos é uma realidade em praticamente todos os municípios do Portal. Cabe destacar a profunda relação existente entre desmatamento, pobreza e concentração de terras e renda. Os dados apresentados permitem, no mínimo, questionar o atual modelo de expansão da produção agropecuária no Portal da Amazônia (Figura 02). 23

24 Figura 02. Desmatamento no Portal da Amazônia. Fonte: ICV, Características da Agricultura Familiar no Portal da Amazônia Os dados da Tabela 07 demonstram a importância da agricultura familiar importância da agricultura familiar para o Portal da Amazônia. São praticamente agricultores familiares e famílias assentadas em 85 projetos de assentamentos. Destaca-se ainda a existência de terras indígenas, principalmente na área do Parque do Xingu e no município de Apiacás. 24

25 Municípios Grandes animais Pequenos animais Lavouras Outros Produtos Tabela 08. Principais potencialidades produtivas da agricultura familiar nos municípios do Portal da Amazônia de acordo com os agricultores familiares participantes das oficinas de diagnóstico participativo. Alta Floresta Apiacás Carlinda Pecuária de leite Pecuária de leite Pecuária de leite Pecuária de corte Suínos Suínos, Peixes Cana, Pupunha, Cupuaçú, Guaraná, Mandioca, Milho, Hortaliças Arroz, Milho, Mandioca, Cana (rapadura), Café, Pupunha Horticultura Plantas Medicinais, Apicultura Apicultura Colíder Pecuária de leite Pecuária de corte Suínos, Ovinos, Aves, Peixes Arroz, Milho, Mandioca, Cana, Açúcar, Hortaliças Tabela 08. Informações sobre a agricultura familiar no Portal da Amazônia. Fonte: Sistema de Informações Territoriais, Itens Agricultores Familiares Famílias Assentadas Pescadores Projetos de Assentamento Famílias Assentadas INCRA Projetos de Assentamento INCRA Famílias Assentadas Gov. Estadual Projetos de Assentamento Gov. Estadual Comunidades Quilombolas Terras Indígenas Números Guarantã do Norte Marcelândia Matupá Nova Bandeirantes Nova Canaã do Norte Pecuária de leite Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Suínos, Aves Suínos, Peixes Suínos, Ovinos, Aves, Peixes Banana Soja, Milho, Arroz, Cana, Girassol, Café, Mandioca, Melancia, Abacaxi, Maracujá, Caju, Banana, Hortaliças Banana, Hortaliças Café, Cupuaçu, Pupunha, Milho, Arroz, Mandioca Arroz, Milho, Feijão, Mandioca, Banana, Melancia, Hortaliças A agricultura familiar responde por mais de 84% dos estabelecimentos rurais do Portal da Amazônia. Respondem também por mais de 70% dos trabalhadores ocupados no campo. Pode-se dizer, inclusive, que a agricultura familiar é a grande atividade geradora de empregos no território, sendo que para cada 11 habitantes do território, existe cercade 03 trabalhadores rurais e apenas 01 trabalhador com carteira assinada nas cidades. Nova Guarita Nova Monte Verde Nova Santa Helena Novo Mundo Paranaíta Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Pecuária de leite Suínos, Aves, Peixes Suínos, Aves, Mamão, Banana, Mandioca, Mamona, Colorau, Abacaxi Melancia, Citrus, Coco, Feijão, Arroz, Girassol, Amendoim Café, Pupunha Milho, Feijão, Cana, Café, Guaraná, Pimenta do reino, Citrus Abacaxi, Melancia, Banana, Coco Banana Madeira Dentre os principais problemas vivenciados pelos agricultores familiares destaca-se o endividamento e a dificuldade em acessar crédito devido a financiamentos contraídos em épocas passadas, principalmente para financiamento de café ou outras lavouras. Peixoto de Azevedo Terra Nova do Norte Pecuária de leite Pecuária de corte Pecuária de leite Banana, Milho, Arroz Maracujá, Caju Apicultura 25

26 Descrição Geral da Economia no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia é um território no qual as atividades agrícolas desempenham papel econômico relevante, em especial a pecuária de leite e a produção de lavouras temporárias. A agricultura familiar ocupa neste cenário um espaço importante: representa grande parte dos estabelecimentos e é a grande atividade empregadora da região. Entretanto, alguns importantes limitantes ainda precisam ser superados: a concentração de terras, a baixa renda do agricultor familiar devido principalmente pelos produtos de baixo valor agregado e os graves impactos ambientais ocasionados pelo avanço da fronteira agrícola são alguns exemplos que devem ser considerados. 2.6 Ambiente Institucional no Portal da Amazônia Durante o processo de formação dos municípios, foi estimulada a criação de associações em praticamente todos os municípios do território. No entanto, após a crise da lavoura vivenciada, muitas associações pararam de ter ações efetivas. Este suposto fracasso das instituições de organização e planejamento da produção, levou a população a ter certo descrédito em formas de trabalho coletivo. Atualmente se fortalece no território a discussão em torno do Cooperativismo. A existência de duas cooperativas importantes, a Cooperativa de Terra Nova do Norte (COOPERNOVA) e a Cooperativa dos Produtores Agroecológicos do Portal da Amazônia (COOPERAGREPA) serve como referência para o Portal da Amazônia, estimulando, inclusive ao surgimento de novas cooperativas. A COOPERAGREPA é uma cooperativa recente e que faz parte do programa Vida Rural Sustentável, coordenado pelo SEBRAE. Atua na área de produção orgânica e envolve atualmente cerca de 300 famílias em 10 municípios do Portal da Amazônia, atuando na área de café, açúcar mascavo, rapadura, leite, mel entre outras atividades. 26

27 Outro ponto interessante e que caracteriza a região do Portal da Amazônia é o grande número de organizações da sociedade civil, principalmente no município de Alta Floresta. Estas organizações atuam principalmente na área ambiental desenvolvendo trabalhos de proteção, educação e formação de políticas públicas nas áreas de meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Apesar dos conflitos existentes, estas organizações possuem um corpo técnico qualificado, contando com informações e acesso a recursos nacionais e internacionais importantes para o desenvolvimento da região. A COOPERNOVA possui uma história de sucesso na região e se tornou referência na área de organização para todos os municípios do território. Possui atualmente mais de cooperados. Atualmente a COOPERNOVA está auxiliando na estruturação de outras cooperativas no território, como em Paranaíta e em Nova Bandeirantes. Atividades de capacitação são importantes para fortalecer esta iniciativa. 27

28 Síntese dos Elementos de Identidade do Portal da Amazônia Descrição Geral da População no Portal da Amazônia A população do Portal da Amazônia pode ser considerada como rural. Entretanto, observa-se nos últimos anos fluxo migratório das áreas rurais para os núcleos urbanos, a diminuição do crescimento populacional do território e intensificação das migrações internas. Apesar do avanço do IDH nos últimos anos, a renda continua sendo um dos principais limitantes para as populações do território, em especial as populações rurais. Descrição Geral dos Serviços Sociais no Portal da Amazônia As desigualdades econômicas e sociais são características do Portal da Amazônia. Desta forma, os serviços sociais no território acabam refletindo essa situação. Na educação, verifica-se a clara tendência de redução no número de escolas no meio rural, em especial no nível fundamental. Os indicadores de qualidade educacional são piores no campo do que na cidade. Apesar da existência de exemplos pontuais de iniciativas inovadoras em educação, o Portal ainda carece de uma proposta clara de melhoria do ensino nas áreas rurais. Do ponto de vista da saúde pública, observa-se que, apesar da melhoria dos principais indicadores nos últimos anos, o território ainda sofre com problemas como mortalidade por doenças parasitárias e infecciosas e causas externas, principalmente agressões. Descrição Geral da Economia no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia é um território no qual as atividades agrícolas desempenham papel econômico relevante, em especial a pecuária de leite e a produção de lavouras temporárias. A agricultura familiar ocupa neste cenário um espaço importante: representa grande parte dos estabelecimentos e é a grande atividade empregadora da região. Entretanto, alguns importantes limitantes ainda precisam ser superados: a concentração de terras, a baixa renda do agricultor familiar devido principalmente pelos produtos de baixo valor agregado e os graves impactos ambientais ocasionados pelo avanço da fronteira agrícola são alguns exemplos que devem ser considerados. Descrição Geral da Cultura no Portal da Amazônia O Portal da Amazônia está construindo sua identidade própria. Apesar das dificuldades vivenciadas, principalmente pela visão fragmentada do processo de desenvolvimento, existe um forte movimento cultural em toda a região. Grupos de teatro, dança e música contribuem para questionar os padrões atualmente existentes no território. Estes grupos estão localizados em todo o território, porém com atuação mais forte nas áreas urbanas. Pensar a gestão cultural de forma integrada dentro do território é um dos principais desafios dentro deste eixo. 28

29 No decorrer de nossas vidas, enquanto trocamos de cenário em cenário, encontramos novidades e novos desafios, pequenos e grandes. Se estivermos prontos para eles, viver e aprender se tornam inseparáveis. Pensar o futuro desejado é colocar em prática estes aprendizados e vivências. O PORTAL DA AMAZÔNIA QUE QUEREMOS Para definir nossa estratégia de desenvolvimento, convidamos a população do Portal da Amazônia a pensar no território que queremos, ou seja, no futuro que desejamos para nossa região. Assim, esta visão, apesar de fortemente baseada em nossa situação hoje, pretende olhar para o futuro, indicando os possíveis caminhos para alcançarmos nosso sonhado desenvolvimento sustentável. No Portal da Amazônia que queremos, as populações rurais terão a sua disposição um SISTEMA DE EDUCAÇÃO VOLTADO PARA A REALIDADE DO CAMPO, que valoriza e reconhece as especificidades deste local. Neste sistema, os alunos terão a sua disposição, nas próprias áreas rurais, estabelecimentos de ensino fundamental e médio além da opção de escolas técnicas voltadas para a agroecologia. No Portal da Amazônia que queremos as populações rurais poderão transitar e escoar sua produção em qualquer época do ano, SEM HAVER PROBLEMAS NAS ESTRADAS uma vez que a manutenção das mesmas será constante. Não haverá localidades sem energia elétrica. ações educativas em escolas e junto a população rural e urbana para, além de coibir estas práticas, CONSTRUIR ALTERNATIVAS QUE CONCILIEM A GERAÇÃO DE RENDA E A PRESERVAÇÃO AMBIENTAL. Especificamente em relação a geração de renda, no Portal da Amazônia que queremos, o COOPERATIVISMO será o eixo central de atuação. Existirão AGROINDÚSTRIAS e entrepostos de preparação de produtos espalhados pelas comunidades e municípios do território. A COMERCIALIZAÇÃO dos produtos será feita de forma articulada, facilitando assim o escoamento de toda a produção tanto para os mercados internos quanto externos ao território. Cadeias de produção não agrícolas, como o agro e ecoturismo, bem como o artesanato, serão estimulados como estratégias de diversificação de renda. A qualidade de vida dos moradores será garantida ainda por um eficiente sistema de SAÚDE PREVENTIVA E CURATIVA. Serão fortalecidos os movimentos de medicina popular, as ações de promoção a saúde e a atuação dos agentes de saúde. Haverá hospitais equipados e médicos capacitados a atender os problemas específicos da população rural. Com respeito ao meio ambiente, no Portal da Amazônia que queremos, haverá rígido controle de desmatamentos e queimadas ilegais. Serão desenvolvidas 29

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