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1 SEMINÁRIO: EMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS E OFERTAS PÚBLICAS EM TEMPOS DE CRISE A CRISE DO SISTEMA BANCÁRIO E OS NOVOS DESENVOLVIMENTOS EM CABO VERDE; OS ANTEPROJETOS DE LEI DE BASES DO SISTEMA FINANCEIRO E DE LEI DAS ATIVIDADES E DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PAULO CÂMARA 3 e 4 de Junho de 2013 Sala Conferência Hotel Praia Mar

2 A MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO DE CABO VERDE Cabo Verde tem realizado um percurso notável na modernização do enquadramento regulatório relativo ao sistema financeiro. Cabe referir, nomeadamente: Regime de acesso ao sector segurador e regime do contrato de seguro (2010); Código do Mercado de Valores Mobiliários (2012); Nova regulamentação da Bolsa de Cabo Verde, incluindo um Código de Conduta (2012).

3 OS PILARES DA REFORMA Está presentemente em curso uma reforma ampla da legislação bancária de Cabo Verde, a ser concretizada através dos seguintes diplomas: Lei de Bases do Sistema Financeiro; Lei de Atividades e Instituições Financeiras. Irá revogar a Lei n.º 3/V/96, de 1 de Julho e outros diplomas adjacentes.

4 OS PILARES DA REFORMA Esta reforma revela atenção em relação aos desenvolvimentos internacionais na área, designadamente surgidos em reação à crise financeira internacional. O trabalho foi apoiado nas recomendações do Exercício de Avaliação do Sistema Financeiro Exercício FSAP, realizado com apoio técnico do FMI e do Banco Mundial.

5 PRINCIPAIS OBJETIVOS DA REFORMA Regulação integrada e sistematizada das instituições financeiras e das atividades prestadas Introdução dos mecanismos de intervenção correctiva, de administração provisória e os mecanismos de resolução, com o reforço dos poderes do Banco de Cabo Verde nessa matéria, assim reduzindo o risco sistémico das instituições de crédito; Reforço do regime prudencial e comportamental das instituições financeiras, de modo a assegurar um ambiente reforçado de cumprimento no sistema financeiro; Previsão da elaboração de planos de recuperação e de resolução de instituições de crédito em face de cenários de stress (living wills), de modo a reduzir o risco sistémico das instituições de crédito. Alteração do regime sancionatório, em particular no tocante ao domínio contra-ordenacional, de modo a assegurar mecanismos mais robustos de responsabilização dos agentes;

6 PRINCÍPIOS SUBJACENTES À REFORMA Modernização do quadro da regulação e da supervisão financeira, adequando-o aos princípios e práticas internacionais relevantes e aos desafios atuais e prospetivos que se colocam à atividade financeira no país; Diplomas com fôlego codificador; Eficácia da atuação supervisora do BCV; Alargamento da tipologia de entidades e atividades financeiras.

7 OBJETIVOS DA REGULAÇÃO E SUPERVISÃO DO SISTEMA FINANCEIRO a) A preservação da estabilidade do sistema financeiro; b) A prevenção do risco sistémico; c) A proteção dos interesses legítimos dos adquirentes de serviços financeiros, incluindo os consumidores e investidores não qualificados, e o reforço do grau de literacia financeira; d) A defesa do funcionamento regular dos mercados financeiros; e) A promoção da livre e sã concorrência e da eficiência dos mercados financeiros; f) A prevenção, processamento e sancionamento de ilícitos financeiros; g) A prevenção da utilização do sistema financeiro para efeitos de lavagem de capitais e de financiamento do terrorismo.

8 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INSTITUIÇÕES AUXILIARES DO SISTEMA FINANCEIRO INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO BANCOS SOCIEDADES DE INVESTIMENTO SOCIEDADES DE LOCAÇÃO FINANCEIRA SOCIEDADES DE FACTORING SOCIEDADES FINANCEIRAS PARA AQUISIÇÕES A CRÉDITO SOCIEDADES EMITENTES OU GESTORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO SOCIEDADES DE GARANTIA MÚTUA SOCIEDADES DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL MEDIADORES FINANCEIROS AUDITORES E CONTABILISTAS CERTIFICADOS E OS AUDITORES EXTERNOS CENTRAIS PRIVADAS DE INFORMAÇÃO DE CRÉDITO SOCIEDADES DE NOTAÇÃO DE RISCO ORGANIZAÇÕES DE AUTO-REGULAÇÃO INSTITUIÇÕES DE MOEDA ELETRÓNICA SEGURADORAS SOCIEDADES GESTORAS DE FUNDOS DE PENSÕES FUNDOS DE PENSÕES E OIC DESDE QUE DOTADAS DE PERSONALIDADE COLETIVA SOCIEDADES GESTORAS E DEPOSITÁRIAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO FUNDOS DE PENSÕES E OIC DESDE QUE DOTADAS DE PERSONALIDADE COLETIVA SOCIEDADES DE GESTÃO FINANCEIRA SOCIEDADES DE CAPITAL DE RISCO AGÊNCIAS DE CÂMBIOS

9 O PROCESSO DE CONSULTA PÚBLICA Decorreu entre os dias 16 de Abril e 7 de Maio de 2013 um processo de consulta pública bastante participado, tendo sido colocados à apreciação pública os dois documentos normativos de referência: O anteprojeto de Lei de Bases do Sistema Financeiro; e O anteprojeto de Lei das Atividades e das Instituições Financeiras. Os documentos em questão foram divulgados integralmente através do sítio Internet do BCV.

10 PRINCIPAIS NOVIDADES O reforço dos mecanismos de supervisão, com a definição ampla das prerrogativas do supervisor, a regulação do processo regular de supervisão, a previsão de acções de supervisão presencial e a afirmação de um princípio de supervisão contínua; A regulação detalhada dos processos e mecanismos de supervisão prudencial, designadamente com a previsão da aplicação regular de testes de resistência e da possibilidade de serem impostas medidas corretivas; A introdução de um mecanismo de gestão de crises, com o objetivo de prevenir a perda de confiança no sistema ou de restabelecer rapidamente essa confiança. Nesse âmbito, propõe a introdução da possibilidade de intervenções preventivas (reforço dos mecanismos de supervisão e living wills), a intervenção corretiva, a administração provisória e a resolução. Definição dos pressupostos da intervenção no âmbito da gestão de crises de modo a permitir ao supervisor uma ação efetiva e atempada;

11 PRINCIPAIS NOVIDADES O reforço da supervisão comportamental, a definição ampla das competências do supervisor nesta matéria, a especificação das acções e procedimentos de supervisão comportamental; O reforço dos requisitos aplicáveis no âmbito do exercício de atividades financeiras, tanto do ponto de vista prudencial como do ponto de vista comportamental, com o estabelecimento de normas de conduta estritas, a fixação de deveres de know your customer, a obrigação de manter um regime de receção e tratamento de reclamações de clientes, a obrigação de adoção de códigos de conduta, etc. A fixação de regras aplicáveis à publicidade a atividades, serviços e produtos financeiros, a serem especificadas pelo BCV através de aviso.

12 PRINCIPAIS NOVIDADES A regulação da dissolução e liquidação de instituições financeiras - a aplicação subsidiária do regime geral previsto nas leis civil, comercial e processual, e o estabelecimento de um regime de liquidação administrativa para as instituições de crédito declaradas falidas; A consagração do conceito de instituições auxiliares do sistema financeiro, permitindo assim a regulação e a supervisão de atividades diversas com impacto sobre a atividade financeira, tais como a notação de risco e os sistemas privados de informação de crédito; A definição da participação qualificada e reforço das responsabilidades dos acionistas em causa; A responsabilização dos Técnicos de Contas e dos Auditores Certificados; O reforço do regime das contra-ordenações e das respetivas sanções;

13 PRINCIPAIS NOVIDADES Regime sobre resolução de conflitos; Previsão de espaço para auto-regulação; Sistema de garantia a ser legislado posteriormente; Regime de autorização restrita; Regime geral dos contratos financeiros.

14 UMA RENOVADA ATENÇÃO PELO CORPORATE GOVERNANCE: AS NOVIDADES NO ÂMBITO DO MERCADO DE CAPITAIS Os emitentes de ações admitidas à negociação em bolsa divulgam em capítulo autónomo do relatório anual de gestão ou em anexo deste informação detalhada sobre a estrutura e as práticas de governo societário (artigo 131.º Cód MVM). O Código descreve o conteúdo mínimo destes relatórios. Page 14

15 UMA RENOVADA ATENÇÃO PELO GOVERNO DAS INSTITUIÇÕES: AS NOVIDADES NO ÂMBITO DA SUPERVISÃO FINANCEIRA Segundo a proposta da Lei de Bases em discussão, o Banco de Cabo Verde e a AGMVM adotam regras de bom governo, na linha das práticas internacionalmente aceites e que se mostrem adequadas às funções regulatórias e de supervisão que lhe são legalmente atribuídas. As regras de bom governo são aprovadas pelos respetivos órgãos de administração e revistas, pelo menos bianualmente. Page 15

16 UMA RENOVADA ATENÇÃO PELO CORPORATE GOVERNANCE: AS NOVIDADES NO ÂMBITO BANCÁRIO O Anteprojeto de Lei de Atividades e Instituições Financeiras impõe muitos deveres relacionados com o governo de instituições financeiras, a saber: Dever de apresentar dispositivos sólidos em matéria de governo da sociedade; Dever de organização de processos eficazes de identificação, gestão, controlo e comunicação de riscos; Dever de dispor de mecanismos adequados de controlo interno, incluindo procedimentos administrativos e contabilísticos sólidos; Dever de dispor de políticas e práticas de remuneração que promovam e sejam coerentes com uma gestão sã e prudente dos riscos; Dever de implementar os meios adequados de receção, tratamento e arquivo das participações de irregularidades graves relacionadas com a administração, organização contabilística e fiscalização interna. Deveres de cuidado e de lealdade dos membros de órgãos sociais Segregação entre auditoria e fiscalização de contas Page 16

17 UMA RENOVADA ATENÇÃO PELO CORPORATE GOVERNANCE: AS NOVIDADES NO ÂMBITO BANCÁRIO O Anteprojeto de Lei de Atividades e Instituições Financeiras contém a previsão de um Código do Governo das Instituições Financeiras, a instituir por aviso do Banco de Cabo Verde, através do qual serão fixadas as recomendações aplicáveis relativamente às matérias que assumem maior relevância no âmbito da boa governação das instituições financeiras. Paralelamente, é criada uma obrigação para as instituições financeiras, de elaborar e submeter ao Banco de Cabo Verde um relatório anual sobre governo societário, num modelo de comply or explain. Page 17

18 PAULO CÂMARA Page 18

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