EDUARDO SPADER (I)LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PROCESSO CIVIL FALIMENTAR

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1 EDUARDO SPADER (I)LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PROCESSO CIVIL FALIMENTAR Monografia apresentada como requisito para conclusão do curso de bacharelado em Direito do Centro Universitário de Brasília. Orientador: Prof. Vetuval Martins Vasconcelos BRASÍLIA 2007

2 RESUMO A intervenção do Ministério Público no processo falimentar tem sido objeto de intensa controvérsia doutrinária. O dissenso decorre da dinâmica adotada pela legislação anterior, a qual previa tal possibilidade, autorizando a atuação ministerial, inclusive, na fase pré-falência. A hodierna disciplina falimentar limita, ao que parece, o papel do Parquet a alguns atos específicos, dos quais se excetuam aqueles componentes da fase que antecede o decreto de falência. Esse é o juízo perfilhado por considerável parcela doutrinária e pelo Juízo Falimentar da Capital Federal. Todavia, há entendimento no sentido de que, ainda que não legalmente prevista, a intervenção ministerial não restaria defesa, porquanto a legislação constitucional e processual civil, estabelecendo a legitimidade do Ministério Público em causas em que exista o interesse público, por seu turno indisponível, assim o autoriza. Nesse sentido, despontam questionamentos acerca da efetiva conduta que deve ser assumida pelo órgão ministerial nos pedidos de decretação de falência, demandas estas submetidas ao Judiciário. Esse dissenso configura o objeto de estudo do presente trabalho. Palavras-Chave: Ministério Público. Processo de Falência. Intervenção. Fase pré-falimentar. (I)legitimidade.

3 3 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... Erro! Indicador não definido. 1 O MINISTÉRIO PÚBLICO Natureza jurídica e conceituação legal Princípios do Ministério Público Causas de legitimação do Ministério Público no processo civil brasileiro O Ministério Público e a defesa dos interesses indisponíveis e do interesse público Indisponibilidade no direito privado Indisponibilidade no direito público A FALÊNCIA Escorço histórico Conceito e natureza jurídica A natureza publicística do instituto falimentar Elementos característicos e pressupostos da falência Noções gerais acerca do processo falimentar Fase pré-falimentar Procedimento concursal Encerramento da falência A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PROCESSO FALIMENTAR Disciplina antiga A atuação do Ministério Público à luz da nova lei Intervenção do Ministério Público na fase pré-falimentar...48 CONCLUSÃO...53 REFERÊNCIAS...58

4 INTRODUÇÃO Sob a égide do Decreto-Lei 7.661/45, antiga Lei de Falências, os processos de natureza falimentar que tramitavam no Judiciário brasileiro, todos, tinham a determinação de conter manifestações do Ministério Público em todas as fases do procedimento, desde o seu nascedouro até o findar da prestação jurisdicional. Esse estatuto legal, com o passar dos anos, ficou defasado ante as modernas atuações empresariais bem como pela alteração do foco de comerciante (teoria dos atos de comércio) para empresário (teoria da empresa) o que mostrou por necessária sua substituição por uma lei mais moderna e condizente com o cenário comercial pátrio. Essa nova legislação falimentar, Lei nº , de 09 de janeiro de 2005, que revogou a lei anterior, manteve muitas das idéias contidas no ultrapassado Decreto-Lei, mas também instituiu algumas alterações de relevo. No que tange às concepções mantidas pelo legislador, uma que merece destaque e será alvo dessa pesquisa é exatamente o papel que o Ministério Público deve assumir perante o processo civil de falência, pois essa questão tem causado uma série de embaraços, os quais têm colocado em risco, inclusive, a efetividade da tutela jurisdicional pretendida como escopo legal. O espírito da lei, traduzido pelo elemento anímico do legislador, quanto a este aspecto posto em debate, era, ao que tudo indica, a mantença da atuação ministerial tal qual na lei anterior. Ou seja, deveria o Ministério Público atuar no processo falencial desde o seu termo inicial, tendo palavra logo após a contestação do réu, até o encerrar da atuação estatal, tomando parte antes e após (para tomar ciência) a sentença de encerramento da

5 5 falência. Essa vontade do legislador foi consubstanciada nos dizeres do artigo 4º do Projeto de Lei que foi aprovado e enviado para sanção do Presidente da República, e que assim se apresentava: Art. 4º - O representante do Ministério Público intervirá nos processos de recuperação judicial e de falência. Parágrafo único. Além das disposições previstas nesta Lei, o representante do Ministério Público intervirá em toda ação proposta pela massa falida ou contra esta. 1 Ocorre que, enviado o texto para apreciação da Presidência da República, a esta aprouve vetar o referido artigo 4º, justamente o dispositivo da Lei que mencionava os limites de atuação do Parquet. Após a promulgação da Lei com a manutenção do veto ao artigo mencionado a Lei começava a ser aplicada, a gerar seus primeiros efeitos. Um desses efeitos foi o embate acerca da (i)legitimidade da atuação do Ministério Público na fase préfalencial, a saber, a que antecede a fase do concurso de credores (execução coletiva), tendo em vista não haver pronunciamento legal a respeito da intervenção naquela fase. Compondo esse embate, de um lado, alguns sustentam o posicionamento hermenêutico de que a intervenção do órgão ministerial é despicienda, e, em sentido contrário, outros defendem que a intervenção é obrigatória e que, nesse tocante, não era vontade do legislador alterar. A ilustrar tal dissenso, a Vara de Falências e Concordatas do Distrito Federal, ao tratar os processos de falência sob os auspícios do antigo Decreto-Lei, encaminhava-os para promoção ministerial toda vez que houvesse um pedido de falência, promoção esta ofertada antes da prolação da sentença acerca da bancarrota, sob pena de 1 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2005/msg/vep/vep htm>. Acesso em: 03 ago

6 6 nulidade processual. O que se vislumbra, atualmente, é a prolação desses decretos sem que haja intervenção do Ministério Público, sob o argumento de que não mais seria obrigatória tal atuação. Intenta-se, então, concluir se a intervenção do Ministério Público no processo de falência, sobejamente na fase pré-falimentar, apresenta-se, ou não, como cabível, e verificar quais fundamentos emprestarão suporte a essa conclusão. Para tal propósito, buscar-se-á minudenciar a instituição Ministério Público, aferindo sua essência jurídica, bem como as razões que autorizam, ou impõem, sua atuação nas demandas submetidas ao Judiciário. Por conseguinte, perseguir-se-á o objetivo de estabelecer uma correlação entre o Parquet e o procedimento atinente à falência, de sorte a comensurar os moldes que delineiam a necessidade da atuação ministerial face ao processo falimentar. Resta esclarecer que o propósito almejado neste breve compêndio pautar-seá pelo estudo da doutrina específica, bem como pela análise da legislação correlata. Nesse sentido, far-se-á uma incursão histórica acerca dos institutos, objetos do presente trabalho, trazendo seus conteúdos conceituais doutrinariamente estabelecidos, verificando suas naturezas jurídicas e elementos característicos e descortinando, em última análise, o pensamento legislativo. Feitas essas considerações iniciais, necessário informar que, sem a pretensão de emitir uma resposta absoluta e definitiva, a pesquisa a ser realizada no âmbito doutrinário e jurisprudencial referente a esse assunto buscará coletar dados e informações sobre a relação

7 7 estabelecida entre o Ministério Público e o processo falimentar, e a possibilidade da intervenção ministerial nessa espécie processual.

8 1 O MINISTÉRIO PÚBLICO 1.1 Natureza jurídica e conceituação legal Não há um consenso doutrinário acerca das origens do Ministério Público. Assim, sugere-se que seus primórdios datam do Antigo Egito, da Antigüidade Clássica - Esparta -, ou, ainda, da Idade Média. 2 Todavia, apesar da existência de tais estudos especulativos, o dissenso vem a termo e parece superado pela tese de uma corrente majoritária, defensora da origem francesa da instituição em comento. Nesse sentido, argumenta-se que o órgão ministerial nasceu e se formou na França. 3 Com efeito, no século XIV, a Ordenança de Felipe IV, o Belo, é invocada como o primeiro regramento jurídico a disciplinar acerca dos procuradores do rei (les gens ou procureurs du roi). Consoante informa a literatura, o rei impunha, por esse estatuto, que seus procuradores prestassem juramento idêntico àquele celebrado pelos juízes. 4 Ainda segundo a doutrina, a instituição ganhou estrutura adequada com a Revolução Francesa, no século XVIII, momento em que se conferiram garantias aos membros do Ministério Público. 5 2 SOUZA, Victor Roberto Corrêa de. Ministério Público: aspectos históricos. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4867>. Acesso em: 26 ago Disponível em: <http://www.prms.mpf.gov.br/acessibilidade/inst/institucional.htm>. Acesso em: 26 ago SOUZA, Victor Roberto Corrêa de. Ministério Público: aspectos históricos. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4867>. Acesso em: 26 ago MACHADO, Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 13.

9 9 Nesse diapasão, conveniente lembrar que o termo Parquet, adotado no Brasil e amplamente utilizado como sinônimo para o órgão ministerial, é uma expressão originária da língua francesa. Afirma-se que, inicialmente, os procuradores do rei assentavamse no assoalho (parquet) da sala de audiências, e, apenas posteriormente, passaram a ter assento junto dos magistrados, sobre o estrado 6. Também em relação à expressão Ministério Público, utilizada especificamente para denominar o órgão ministerial, não é possível precisar sua origem. Contudo, há relatos de sua utilização em cartas francesas datadas do século XVIII. Etimologicamente, tem-se que a palavra Ministério provém do latim manus (mão), remetendo, possivelmente, aos franceses, procuradores do rei, ou a mão do rei. Resta inconteste, destarte, a influência francesa na história do Ministério Público. 7 Quanto ao Brasil, verifica-se um esboço da figura promotor de justiça em 1.609, com a criação do Tribunal da Relação da Bahia. Todavia, somente em 1.828, a Lei de 18 de setembro cuidou da designação de promotores para os Tribunais de Relação 8. Posteriormente, em 1832, o Código Penal do Império trouxe dispositivos definidores da atuação ministerial. 9 Seguiram-se a esse estatuto outros diplomas legais a disciplinar o tema, a saber, códigos e constituições 10. O assunto possui, atualmente, tratamento legislativo específico pertinente ao Parquet, sendo a legislação em voga a seguir minudenciada. 6 SOUZA, Victor Roberto Corrêa de. Ministério Público: aspectos históricos. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4867>. Acesso em: 26 ago Disponível em: <http://www.prms.mpf.gov.br/acessibilidade/inst/institucional.htm>. Acesso em: 26 ago Disponível em: <http://www.prms.mpf.gov.br/acessibilidade/inst/institucional.htm>. Acesso em: 26 ago MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p MACHADO, Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 17.

10 10 A Constituição Federal de 1988 enuncia, em seu artigo 127, o conceito legal de Ministério Público para o Direito brasileiro, e o faz nas seguintes palavras: Art O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 11 Evidencia-se, pela análise do texto constitucional, a característica ínsita ao órgão ministerial, que o justifica e legitima. Desta feita, a consecução da efetividade da justiça, bem assim a salvaguarda de preceitos constitucionais, apresentam-se como objetivos buscados pelo Parquet. O entendimento supramencionado resta corroborado pela doutrina correlata. Quanto ao tema, assevera Antônio Cláudio da Costa Machado, ao conceituar a instituição: O Ministério Público não é, nada mais, nada menos do que tudo isso, um ente eminentemente social, a princípio pré-jurídico, mas que sempre transcendeu os limites do direito positivo, e por isso se desenvolveu tanto, sendo hoje parte do próprio Estado para a concretização de uma das suas grandes aspirações: a realização da justiça. É algo que nasceu espontaneamente, como fruto de uma determinada necessidade social num determinado momento histórico, e que se desenvolveu por meio de novas necessidades em outros momentos, adquirindo o caráter de permanência durante esse processo de evolução. Na medida em que crescia, mais concreto e definido se tornou o seu escopo, mais claro se tornou o seu papel social. O Ministério Público é, portanto, este ser jurídico permanente, posto que extrapola o indivíduo no tempo e no espaço, e que possui vida e disciplina próprias, forças e qualidades particulares e uma vocação especial de bem servir a própria sociedade que o criou BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituiçao.htm>. Acesso em 07 jul MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p

11 11 No que toca ao desempenho de suas funções, é de se evidenciar que o Ministério Público não está subordinado a nenhum dos poderes do Estado. Antes, afigura-se como instituição autônoma. 13 lecionando que: Nesse diapasão, tem-se o juízo perfilhado por Guilherme Peña de Moraes, Sem embargo da posição do Supremo Tribunal Federal, que firmou jurisprudência no sentido da integração do Ministério Público na estrutura do Poder Executivo, cremos que o Parquet é revestido da natureza jurídica de órgão independente, que se posta ao lado dos Poderes do Estado, com elevado status constitucional, a exemplo do Tribunal de Contas. 14 Essa conclusão pode ser extraída da própria Carta Constitucional, que dispensou tratamento legislativo exclusivamente para o Ministério Público, dissociando-o dos demais Poderes, e o fez mui acertadamente, pois o Parquet não deve estar atrelado ao Executivo, cujas ingerências podem comprometer o bom desenvolvimento de suas funções. Também não é nada lógico que se vincule ao Judiciário, vez que a defesa eficiente dos interesses indisponíveis da sociedade perante este é exercida e tal vinculação atentaria contra a preservação de sua independência no que tange à propositura de ações e intervenções em processos já instaurados. 15 Em análise do conceito posto no artigo mencionado acima, tem-se que o Ministério Público é uma instituição permanente. Isso quer dizer que é um órgão por meio do qual o Estado manifesta sua soberania, de modo que não há como existir manobras 13 MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p MORAES, Guilherme Peña de. Direito Constitucional: Teoria do Estado. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 37.

12 12 legislativas no sentido de se reformar a Constituição Federal para extirpá-lo do mundo jurídico. 16 Já por essencial à função jurisdicional do Estado, deve-se entender que, naquelas situações processuais em que o Ministério Público deva atuar, em não o fazendo, a justiça não se perfaz em sua plenitude, ou ainda, se perfaz de forma viciada, da qual decorre necessária nulidade processual. 17 A obrigatoriedade dessa intervenção estatal, que se materializa por meio da função jurisdicional, encontrava supedâneo já nas lições de Léon Duguit, restando motivada, segundo esse autor, pela necessária transformação econômico-social, conforme se infere de suas palavras: [...] mas eu devo constatar que a tendência geral é, dentre todos os países modernos, o aumento considerável da atividade estatal. [...] Existe, nela, um fato inevitável e indubitável. Este é a conseqüência inelutável da transformação econômica dos povos e do progresso do qual é conveniente chamar de civilização. 18 [tradução nossa] Adiante, ressalta a importância dessa função estatal: Enfim, pela função jurisdicional o Estado resolve uma questão de direito que lhe é apresentada. Para tanto, ele declara se existe ou não violação de uma regra de direito, originada ou não de uma situação jurídica objetiva ou subjetiva, que alcança ou não uma situação de direito objetivo ou de direito subjetivo [...]. 19 [tradução nossa] 16 PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: Aide, 1998, p PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: Aide, 1998, p [...] mais je dois constater que la tendance générale est, dans tous les pays modernes, l augmentation considérable de l activité étatique. [...]il y a là um fait inévitable et indéniable. Il est la consequence ineluctable de la transformation économique des peoples et des progrés de ce qu on est convenu d appeler la civilisation[...]. DUGUIT, Léon. Traité de Droit Constitutionnel: La Théorie Genérale de L État. Paris: Ancienne Librarie Fontenoing & C ie, 1923, p Enfin, par la fonction juridictionnelle, l État résout une question de droit qui lui est posée. Pour cela, il déclare s il y a eu ou non violation d une règle de droit, naissance ou non d une situation juridique objective ou

13 13 Dizer que o Ministério Público atua em defesa da ordem jurídica significa que tal instituição atua em prol da manutenção da ordem constitucional, entendida esta como ordenamento jurídico fundamental da qual derivam todas as demais normas. Isso implica que, quando essa ordem se encontrar, sob qualquer situação, violada, caberá ao Parquet tomar as medidas cabíveis para que seja restabelecida, sejam estas medidas de caráter processual ou extraprocessual. Além de velar pela ordem jurídica fundamental, cabe ao Ministério Público, também, a defesa da correta aplicação da legislação infraconstitucional, seja qual for sua hierarquia, para que se ultime a defesa da ordem jurídica. 20 Sob essa ótica, fácil verificar o papel atribuído ao Ministério Público de garante do Estado de Direito, porquanto este último, também denominado Estado Constitucional 21, vincula-se à existência de uma Norma Maior, segundo o magistério de Carlos Ari Sundfeld, já esposado no Capítulo 1 desta obra. Atuar em defesa do regime democrático significa, em outras palavras, que o Ministério Público deve atuar em defesa da democracia, enquanto regime de governo, e seus princípios, dentre os quais a soberania popular, pedra angular que lhe serve de sustentáculo. 22 Destarte, sobreleva-se, por atribuição precípua atinente às funções ministeriais, a garantia de efetivação do Estado Democrático de Direito, corolário constitucional cujos reflexos buscam alcançar todo o ordenamento jurídico pátrio. subjective, atteinte ou non à une situation de droit objectif ou de droit subjectife[...]. DUGUIT, Léon. Traité de Droit Constitutionnel: La Théorie Genérale de L Etat. Paris: Ancienne Librarie Fontenoing & C ie, 1923, p PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: Aide, 1998, p SANTOS, Marcelo Fausto Figueiredo. Teoria Geral do Estado. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: Aide, 1998, p. 21.

14 14 Por fim, ao Ministério Público incumbe a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis. É sabido que, dentro das relações jurídicas que se estabelecem pelo convívio em sociedade, existirão aquelas que envolverão direitos disponíveis e aquelas que envolverão direitos dos quais não cabe às partes abrirem mão sob qualquer pretexto. Quanto aos primeiros, sabe-se que sua defesa é feita pelos próprios interessados, enquanto que os segundos ficam, por vezes, órfãos de iniciativa, sem ter quem os persiga. É daí que surge a necessidade de tutela desses direitos por parte do Estado. 23 Para que não seja comprometida a imparcialidade do juiz no trato com as partes e nem se deixem desabrigados os direitos dessa natureza, foi conferida ao Parquet a legitimidade para a tutela de tais interesses. 1.2 Princípios do Ministério Público A redação constitucional colaciona, em seu artigo 127, 1, os princípios regentes da instituição em exame, quais sejam, unidade, indivisibilidade e independência funcional. Tais garantias conferidas ao Parquet mostram-se imperativas, porquanto permitem ao (re)presentante ministerial a tranqüilidade e a isenção necessárias ao escorreito exercício de suas atribuições. 24 Por ser importante ao estudo da instituição, discorrer-se-á, nas linhas seguintes, acerca desses postulados, caracterizando-os um a um. O princípio da unidade informa que os membros do Ministério Público, reunidos e considerados como um todo, integram um único órgão, gerido por um Procurador- 23 PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: AIDE Editora, 1998, p MAZZILLI, Hugo Nigro. O acesso à justiça e o Ministério Público. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2001, p

15 15 Geral. Essa unidade, todavia, ocorre na esfera de cada Ministério Público, não subsistindo nas relações que se travam entre os seus diversos ramos. 25 Por indivisibilidade, entende-se que os membros do Ministério Público não se vinculam aos processos em que atuam, sendo facultado substituírem-se uns pelos outros. 26 proferindo que: Melhor definição desses princípios apresenta Cintra Grinover Dinamarco, [...] ser una e indivisível a Instituição significa que todos os seus membros fazem parte de uma só corporação e podem ser indiferentemente substituídos um por outro em suas funções, sem que com isso haja alguma alteração subjetiva nos processos em que oficiam (quem está na relação processual é o Ministério Público, não a pessoa física de um promotor ou curador). 27 A independência (ou autonomia) funcional importa que o Parquet não se sujeita a ordens estranhas à Instituição, atendo-se, obrigatoriamente, no cumprimento de suas atribuições, apenas aos preceitos legais. 28 Assim, o órgão do Ministério Público é independente no exercício de suas funções, não ficando sujeito às ordens de quem quer que seja, somente devendo prestar contas de seus atos à Constituição, às leis e à sua consciência. 29 entre este e a magistratura pátria. Outro princípio concernente ao Parquet consagrou-se pelo paralelo traçado 25 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 17. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p Apud MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2001, p MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 548.

16 16 Deste modo, o princípio do promotor natural veda a figura do promotor de exceção, proibindo eventuais designações arbitrárias por parte do (re)presentante máximo do Ministério Público. Segundo Alexandre de Moraes, [...] o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência do princípio por maioria de votos, no sentido de proibirem-se designações casuísticas efetuadas pela chefia da Instituição, que criariam a figura do promotor de exceção, em incompatibilidade com a Constituição Federal, que determina que somente o promotor natural é que deve atuar no processo, pois ele intervém de acordo com seu entendimento pelo zelo do interesse público, garantia esta destinada a proteger, principalmente, a imparcialidade da atuação do órgão do Ministério Público, tanto em sua defesa quanto essencialmente em defesa da sociedade, que verá a Instituição atuando técnica e juridicamente Causas de legitimação do Ministério Público no processo civil brasileiro Superada a explanação da conceituação constitucional concernente ao órgão estatal Ministério Público, tem-se que este desempenha na sociedade brasileira algumas funções, as quais serão destacadas aqui, sobejamente no tocante à sua atuação no Processo Civil brasileiro. Enuncia o art. 129 da Constituição Federal o seguinte: Art São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; 30 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 549.

17 17 VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. É importante ressaltar, contudo, que este rol descrito na Carta Constitucional não esgota as possibilidades de atuação do órgão ministerial. Em se tratando de matéria processual, situações outras há que ensejam a manifestação do Parquet. Em consonância com a legislação processual brasileira, verifica-se que o (re)presentante ministerial possui atribuições para atuar, primordialmente, nas áreas cível e penal. Nessas duas searas, todavia, a intervenção ministerial se dá de forma distinta, apresentando sua atuação, em cada caso, nuances e características próprias. 31 No que diz respeito à esfera criminal, atua o Ministério Público em observância do interesse da sociedade. Nas demandas de natureza cível, são duas as possibilidades de atuação do Parquet, podendo o mesmo ingerir-se judicial ou extrajudicialmente. Nesse sentido, Guilherme Peña de Moraes empresta valiosa lição à doutrina, cujo conteúdo se transcreve a seguir: A atuação no interesse da sociedade é delineada pela promoção exclusiva da ação penal de iniciativa pública, requisição para instauração de inquérito policial, realização de investigações criminais e controle da atividade policial. 32 E prossegue: 31 MAZZILLI, Hugo Nigro. O acesso à justiça e o Ministério Público. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2001, p MORAES, Guilherme Peña de. Direito Constitucional: Teoria do Estado. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 199.

18 18 A atuação extrajudicial é denotada pela promoção da administração pública dos interesses privados, participação nos Tribunais e Conselhos de Contas e atendimento ao público. A atuação judicial é desmembrada em iniciativa e intervenção em juízo. Com efeito, na atuação judicial com a condição de órgão agente, o Ministério Público tem a iniciativa em juízo, figurando como demandante (autor, exeqüente ou requerente). Demais disso, na atuação judicial com a condição de órgão interveniente, o Ministério Público tem a intervenção em juízo, por motivo da natureza da lide ou qualidade da parte, funcionando como fiscal da correta aplicação da regra jurídica ao caso concreto [...]. 33 Em todo caso, essa atuação processual estará marcada basicamente pelo interesse público ou se efetivará em razão da qualidade da parte ou, ainda, por determinação legal. 34 A assertiva acima se afigura possível a partir da leitura do Código de Processo Civil brasileiro, o qual, estabelecendo competências do Ministério Público, não o autoriza, mas determina sua intervenção em demandas específicas. É o que se infere do excerto a seguir transcrito: Art. 82. Compete ao Ministério Público intervir: I nas causas em que há interesses de incapazes; II nas causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio poder, tutela, curatela, interdição, casamento, declaração de ausência e disposições de última vontade; III nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte. Destarte, mister reconhecer, à luz da disciplina legal vigente, a obrigatoriedade de intervenção do (re)presentante ministerial nas causas em que o interesse público restar caracterizado. 33 MORAES, Guilherme Peña de. Direito Constitucional: Teoria do Estado. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p PORTO, Sérgio Gilberto. Sobre o Ministério Público no processo não-criminal. Rio de Janeiro: Aide, 1998, p

19 19 Cumpre registrar, nesse tocante, que, se a atuação do Ministério Público em causas que a prescindem não acarreta nulidade do processo 35, o entendimento contrário - a saber, sua ausência quando obrigatória a intervenção ministerial - não se faz possível. Assim, prevê o estatuto processual civil, em seu artigo 85, que, quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público, a parte promover-lhe-á a intimação sob pena de nulidade do processo. 36 Vista disso, importante magistério de Alexandre de Moraes dirime quaisquer dúvidas acerca da importância e legitimidade da atuação ministerial: Ao erigir o Ministério Público como garantidor e fiscalizador da separação de poderes e, conseqüentemente, dos mecanismos de controle estatais (CF, art. 129, II), o legislador constituinte conferiu à Instituição função de resguardo ao status constitucional do cidadão, armando-o de funções, garantias e prerrogativas que possibilitassem o exercício daquelas e a defesa destes. Incorporou-se em nosso ordenamento jurídico, portanto, a pacífica doutrina constitucional norte-americana sobre a teoria dos poderes implícitos inherent powers -, pela qual no exercício de sua missão constitucional enumerada, o órgão executivo deveria dispor de todas as funções necessárias, ainda que implícitas, desde que não limitadas (Myers v. Estados Unidos US , 118), consagrando-se, dessa forma, e entre nós aplicável ao Ministério Público, o reconhecimento de competências genéricas implícitas que possibilitem o exercício de sua missão constitucional, apenas sujeitas às proibições e limites estruturais da Constituição Federal O Ministério Público e a defesa dos interesses indisponíveis e do interesse público Conforme ensina a literatura dedicada ao assunto, é conferida ao Estado a competência para joeirar os interesses coletivos e individuais eleitos como prevalecentes na 35 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 3ª Turma. AgRg no Ag MG. Ementa: Não gera nulidade a intervenção do MP na qualidade de fiscal da lei em processo no qual isto não é obrigatório. Relator: Ari Pargendler. Brasília, DF, 18 dez DJ de BRASIL. LEI Nº , de Institui o Código de Processo Civil. DOU de Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5869.htm>. Acesso em: 03 ago MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p

20 20 sociedade. Essa atribuição é levada a efeito, precipuamente, por meio da atividade legislativa, de sorte a emprestar juridicidade a tais interesses. 38 Exsurgindo, pois, os direitos positivados a partir da providência legiferante, cabe ao agente do Poder Legislativo ponderá-los e valorá-los. A acepção deverá ser realizada observando-se o critério da necessidade, ou importância, do direito individualmente considerado, no seio da sociedade. Quanto ao tema, Antônio Cláudio da Costa Machado informa que: De acordo com o critério que poderíamos chamar de essencialidade social, concebido como o conjunto de valores essenciais do Estado, aos quais todos os interesses sociais devem estar subordinados, o legislador distingue duas categorias de interesses juridicizados ou direitos subjetivos. De um lado, os direitos que devem servir, atender diretamente àqueles valores; direitos que correspondem imediatamente a esses interesses maiores e que se identificam com o escopo último da ordem pública, a preservação do próprio Estado. De outro lado, aqueles direitos periféricos aos valores fundamentais que só indireta e mediatamente servem à ordem pública, embora também nela encontrem balizamento. 39 Nesse contexto, configuram-se os chamados direitos indisponíveis, interesses máximos da sociedade 40, cuja tutela se apresenta como atribuição primeira do Ministério Público, porquanto imposta pela Constituição da República. Relevante considerar que a salvaguarda dos direitos em comento vincula-se intrinsecamente à defesa da ordem jurídica, uma vez que é esta última quem os estabelece. Mister reconhecer, à luz da característica da indisponibilidade atribuída a tais sortes de direitos, que, com a configuração dessa prerrogativa, possibilita-se lhes 38 MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p MACHADO. Antônio Cláudio da Costa. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 46.

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