Aspectos Epidemiológicos

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1 Capítulo 5.9 DOENÇA MENINGOCÓCICA CID-10 A39 Aspectos Epidemiológicos Agente Etiológico: Neisseria megitidis (meningococos). São cocos gramnegativos dispostos em pares. São classificados em 12 sorogrupos de acordo com o antígenos polissacarídeos da capsula, os mais freqüentes são os sorogrupos A,B,C,W135 e Y. Podem também serem classificados em sorotipos e subtipos de acordo com os antígenos protéicos da parede externa do meningococos Reservatório: o homem doente ou portador. Modo de Transmissão: de pessoa a pessoa, através das secreções nasofaríngeas (mais freqüentes a partir de portadores do que de casos clínicos). A transmissão indireta é questionada, pois o meningococo é extremamente sensível às variações de temperatura e à dissecação. Para que a transmissão ocorra é fundamental contato íntimo com o portador ou o doente. Período de Incubação: varia de 2 a 10 dias, geralmente de 3 a 4 dias. Período de Transmissibilidade: persiste até que o meningococo desapareça das secreções da nasofaringe. Em geral, os meningococos sensíveis desaparecem da nasofaringe dentro de 24 horas depois de iniciado o tratamento específico. Verificou-se que o estado de portador pode ser longo (até 10 meses). Suscetibilidade e Imunidade: é elevada a proporção de portadores em relação ao número de casos, entretanto a suscetibilidade à doença é geral. A imunidade conferida pela doença é específica para cada sorogrupo de meningococo, desconhecendo-se precisamente o grau e duração dessa imunidade. Há ausência de imunidade cruzada entre os diferentes sorogrupos, o que torna fundamental a identificação sorológica dos meningococos isolados. Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade: ocorrem casos esporádicos durante todo o ano, sendo mais freqüentes nos meses frios. Em intervalos regulares, a doença aparece em ondas epidêmicas que podem durar de 2 a 5 anos. A distribuição geográfica da doença é universal, ocorrendo casos esporádicos tanto em zonas urbanas, como rurais. A aglomeração intradomiciliar favorece a transmissão. É primordialmente uma doença de crianças e adultos jovens, em contato com portadores. Em situações epidêmicas, a doença geralmente atinge todos os grupos de maior idade. A primeira metade da década de 70 foi marcada por uma grande epidemia causada pelos meningococos dos sorogrupos A e C, com taxas de incidência que atingiram até 170/ hab. em determinadas cidades do país. A partir de 1976, a ocorrência voltou a valores endêmicos. A década de 80 iniciou-se com baixa incidência da doença, além do predomínio do meningococo sorogrupo B. A partir de 86, nota-se um incremento na

2 2 Guia de Vigilância Epidemiológica ocorrência de casos, com epidemias diagnosticadas em vários pontos do país, provocadas pelo sorogrupo B. A década de 90 vem sendo caracterizada por uma diminuição proporcional da presença do sorogrupo B e aumento progressivo da doença causada pelo meningococo sorogrupo C. O coeficiente de mortalidade da Doença Meningocócica (DM) no país, no período de 88/92, foi de 0,6/ hab. A taxa de letalidade foi de 21,5% a 18,3%, naquele período. Aspectos Clínicos Descrição: o quadro clínico segue aquele descrito no capítulo para meningites em geral. Deve-se acrescentar que a doença meningocócica manifesta-se geralmente por uma dessas formas clínicas principais: meningite meningocócica e meningococcemia. A meningococcemia, algumas vezes, não se propaga às meningites, devendo-se suspeitar da presença dessa forma nos casos de manifestações febris não diagnosticadas, especialmente quando acompanhada de erupção cutânea (petequial) e elevada leucocitose. A infecção meningocócica pode ser: limitada à nasofaringe, somente com sintomas locais ou assintomática; forma septicêmica grave, caracterizada por início súbito, com calafrios, febre alta (39 C ou mais), dores pelo corpo, prostração e mal-estar, acompanhados de exantema petequial (meningococcemia). Complicações: Geralmente graves, podendo deixar seqüelas. As mais freqüentes são: necrose profundas com perda de substância de áreas externas; surdez parcial ou completa, uni ou bilateral; miocardite, pericardite; complicações da área neurológica: paralisias, paresias, abcesso cerebral, hidrocefalia; artrite durante a fase aguda, evoluindo para a cura. Diagnóstico Diferencial: Deve ser feito principalmente com as meningites ou meningoencefalites: a) Meningites Purulentas Agudas Não-Meningocócicas: Do ponto de vista clínico, a grande diferença é que a meningite meningocócica é primária, ou seja, o quadro clínico já desde o início revela o comprometimento meníngeo, ao contrário das outras meningites que, em geral, surgem no decorrer de uma infecção parameníngea localizada no nariz, seios nasais, ouvido médio ou mastóides, pulmões (pneumonia) e em outros órgãos. A diferenciação deve ser feita por meio de anamnese detalhada e exames bacteriológicos e imunológicos. b) Meningite Tuberculosa: O quadro clínico, em geral mais arrastado, pode ser muito semelhante ao das meningites purulentas. A reação de Mantoux não dá informações, salvo quando positiva na criança pequena. Na meningite tuberculosa, embora possa haver de início pleiocitose neutrófica no líquor, habitualmente existe aumento de mononucleares; o número de células está quase sempre abaixo de 500.

3 Doença Meningocócica 3 As proteínas estão bastante aumentadas em relação ao número de células (dissociação proteínocitológica). Há via de regra, baixa de glicose e cloretos. Clinicamente, são também comuns e precoces sinais de encefalite. A evolução clínica é lenta. Este tipo de meningite é geralmente secundária, sendo a fonte mais comum de infecção, o adulto com tuberculose pulmonar ativa no meio familiar. c) Meningites Serosas, Assépticas ou Líquor Claro (vírus, rickettias, leptospiras, brucelas): Além do quadro clínico e dos dados epidemiológicos, o diagnóstico diferencial faz-se, bastante, pelo aspecto do líquor, geralmente límpido; a glicose e os cloretos normais, com ausência de bactéria. De início, apresenta pleiocitose no líquor (geralmente mononucleares, podendo em fase precoces apresentar polimorfonucleares). As síndromes clínicas (infecciosa, de hipertensão endocraniana e radicular) são geralmente menos intensas. d) Encefalites: Geralmente acompanhadas de febre, mal-estar, alterações do nível de consciência ou do comportamento; às vezes rigidez na nuca, náuseas, vômitos e convulsões. Raramente progridem para o coma. Pode haver sinais de lesão do neurônio superior (exagero dos reflexos tendinosos profundos, ausência dos superficiais, reflexos patológicos - Babinski e paralisias espásticas). O líquor não necessariamente apresenta aumento das proteínas ou pleiocitose linfomonocitária. A glicose é normal. e) Febre Purpúrica Brasileira (FPB): Tem características que podem ser confundidas com meningococcemia, pelo desenvolvimento de petéquias ou púrpuras dentro de 72 horas após o início da febre (maior ou igual a 38,5 C). É uma doença aguda descrita em crianças de 3 meses a 10 anos de idade. Do ponto de vista clínico a grande diferença é que a FPB apresenta história de conjuntivite, usualmente mas não necessariamente purulenta, dentro dos 15 dias precedentes ao início da febre; dor abdominal e/ou vômitos (não característicos); e não há evidência de comprometimento meníngeo. A evolução clínica é rápida. Tem sido isolado do líquor, sangue e conjuntiva o Haemophilus aegyptis nos surtos investigados. No líquor, a citometria apresenta menos de 100 leucócitos; a cultura é negativa para bactérias patogênicas; e a imunoeletroforese é negativa. OBS: Em todos os casos mencionados, a diferenciação deve ser feita através de exames laboratoriais do líquor. Tratamento: Ver Quadro 6 do Capítulo Meningites em Geral. Diagnóstico Laboratorial Líquido Céfalo-Raquidiano (LCR): O exame de rotina mínimo a ser realizado para todo LCR colhido é: quimiocitológico com diferencial e bacterioscópico (GRAM), o aspecto do LCR deve ser sempre anotado. Desde que haja condições Quadro 4

4 4 Guia de Vigilância Epidemiológica locais, incluir cultura, contraimunoeletroforese (CIE) e tste de aglutinação com particulas de Látex sensibilizadas. Caso contrário, remeter o material ao laboratório de referência em Saúde Pública, conforme os cuidados necessários e fluxo previamente combinado com a Vigilância Epidemiológica, para que se procedam os exames imprescindíveis para o diagnóstico etiológico da doença meningocócica. Sangue: Importante material para pesquisa do agente etiológico (isolamento), principalmente nos casos suspeitos de meningococcemia com ou sem meningite, realizando-se hemocultura (1 até 3 amostras) e CIE e Latex no soro (pesquisa de antígeno circulante). Pele: O raspado da lesão em caso de meningococcemia pode evidenciar a presença do agente. Vale ressaltar que as amostras biológicas devem ser encaminhadas para exames laboratoriais, mesmo quando o paciente venha a óbito, pois há interesse do sistema de vigilância epidemiológica em conhecer o agente etiológico, e, no caso de meningococo, qual o sorogrupo e sorotipo responsáveis pelos casos de doença meningocócica. Ver resumo do diagnóstico laboratorial da D.M. nos seus principais tipos clínicos (Quadro 1). OBS: 1.Exames imunológicos para diagnóstico, não substituem a cultura de LCR e/ou sangue. A recuperação do agente etiológico viável é de extrema importância para a caracterização epidemiológica e monitoramento da resistência aos diferentes agentes antibacterianos 2.Sempre colher o líquor em recipiente estéril, de preferência com tampa de borracha. Pode-se reutilizar frasco vazio estéril de penicilina. Se o paciente for transferido, encaminhar o líquor juntamente com os resultados dos exames. Obtidos o frasco contendo LCR, o mesmo deve ser rotulado, e identificado (nome completo, idade, município) e com data e hora de coleta. 3. Os meios de cultura devem ser conservados em geladeira, vedados em saco plástico; porém, na hora da semeadura devem estar à temperatura ambiente (aquecer na mão ou em estufa a 37 C). Agar chocolate (base Mueller Hilton ou similar) deverá ser feito de preferência com sangue animal (coelho ou carneiro). Sangue humano pode ter anticorpos que inibem o crescimento de bactérias, por isso não deve ser usado. 4. Neisseria e Haemophilus: crescem melhor em ambiente com CO 2 e umidade. Os tubos com meios de cultura semeados devem ser colocados em pé dentro de uma lata que, ao ser fechada, deverá conter uma vela acesa presa à parede interna da lata e uma gaze ou algodão umedecido com água. Incubar em estufa a 37 C, por horas. 5. A Neisseria crescida deverá ser repicada e encaminhada diretamente, por intermédio da Vigilância Epidemiológica, ao laboratório de maior complexidade para

5 Doença Meningocócica 5 determinar o sorogrupo e sorotipo. O mesmo procedimento deverá ser adotado no caso de isolamento de outros agentes não identificados. 6. Se não for possível encaminhar o líquor e soro até 24 horas para CIE e látex, é melhor congelá-lo. Vigilância Epidemiológica Os objetivos principais da Vigilância Epidemiológica na doença meningocócica são a descoberta precoce de surtos e o acompanhamento constante do seu comportamento e tendência, através do conhecimento da distribuição de casos, de acordo com diferentes variáveis: área de ocorrência, grupos etários, distribuição dos casos, de acordo com diferentes variáveis: área de ocorrência, grupos etários, distribuição semanal e mensal, determinação dos sorogrupos de meningococos, antecedentes de vacinação, letalidade. Para que os objetivos da Vigilância Epidemiológica sejam atingidos, é necessária a investigação epidemiológica de todo caso notificado, onde se destacam atividades básicas: confirmação do diagnóstico laboratorial, tratamento hospitalar imediato, controle dos comunicantes. Notificação: No QUADRO 2, apresenta-se um resumo das atividades de vigilância epidemiológica das meningites, segundo os diversos níveis de atuação do sistema de saúde. Definição de Caso: a)caso Suspeito: Todo paciente com sinais e sintomas de meningite (febre, cefaléia intensa, vômitos, rigidez da nuca, sonolência, convulsões, principalmente se forem acompanhados de manifestações cutâneas). Crianças abaixo de um ano de idade, principalmente as menores de oito meses, que apresentarem: vômitos, sonolência, irritabilidade aumentada, convulsões e, especificamente, abaulamento de fontanela, acompanhados ou não de exantema petequial. b) Caso Confirmado: Ver capítulo Meningites em Geral (ítem 6.2. Definição de Caso). Investigação Epidemiológica Casos: Consiste na obtenção detalhada de dados de cada caso, o que permitirá a análise e interpretação das características da doença e o acompanhamento de sua tendência. Os dados que compõem a ficha epidemiológica englobam todos os tipos de meningites. Isto permite que, no acompanhamento global da tendência das meningites, estude-se o comportamento da doença meningocócica em relação ao comportamento dos outros tipos. Os dados são obtidos no hospital onde o doente esteve internado. É preciso que haja entendimento entre o investigador e o médico assistente. Verificar se foi colhido material para diagnóstico laboratorial. Deve ser feita a identificação dos comunicantes domiciliares, para a história de contato com outros casos, visando à interrupção da cadeia epidemiológica.

6 6 Guia de Vigilância Epidemiológica Surtos: A ocorrência de surtos da doença meningocócica depende de múltiplos fatores, dentre os quais se destacam: a virulência das cepas prevalentes, a proporção de suscetíveis na população e a existência de condições que favoreçam a transmissão dos portadores a outros indivíduos da comunidade. As informações fundamentais são: o número de casos que estão ocorrendo, as taxas de ataque por área geográfica e grupos de idade, assim como a taxa de letalidade pela doença. É importante comparar a incidência atual com os períodos similares, dispondo de informações relativas a um período de três a cinco anos anteriores. Não existe uma definição precisa quanto à magnitude das cifras ou índices que indicam um surto. Desse modo, é preciso um acompanhamento do comportamento e da tendência da doença. É indispensável contar com o apoio do laboratório para confirmação do diagnóstico etiológico, para determinar o sorogrupo causador do surto. Feita a análise e interpretação dos dados disponíveis, é possível estabelecer que medidas serão adotadas e decidir quanto à possibilidade de vacinação. Análise de Dados: Os dados obtidos através de acompanhamento epidemiológico devem ser analisados considerando dois aspectos principais: aqueles que dizem respeito à tendência da doença levando à uma análise epidemiológica e outro que leva em conta os dados administrativos do programa, propiciando uma análise operacional.sugere para acompanhamento epidemiológico: distribuição dos casos por área geográfica - permite determinar o caráter endêmico ou epidêmico da doença. Distribuição temporal por outras variáveis associando variáveis por definição de epidemia ou endemia; distribuição dos casos por grupos etários - também é um indicador para a detecção de epidemias, pois estas podem estar associadas a um aumento da proporção de casos nos grupos de idades maiores; conhecimento dos sorogrupos prevalentes - dado fundamental para acompanhamento da tendência da doença e adoção das medidas de controle adequadas; distribuição percentual dos quatro grupos das meningites (meningocócica, tuberculosa, outras etiologias determinadas e não especificadas); distribuição percentual de meningites não especificadas em relação ao total de casos de meningites por outras causas - percentuais elevados podem ser indicadores da não utilização dos recursos laboratoriais ou da coleta e/ou envio de líquor para o laboratório em condições inadequadas; distribuição dos casos confirmados de doença meningocócica, de acordo com os critérios de confirmação utilizados; percentual de casos de doença meningocócica submetidos à prova de determinação de sorogrupos, em relação ao total de casos confirmados. Medidas de Controle

7 Doença Meningocócica 7 Além das medidas de controle especificadas nos itens a seguir, é necessário o esclarecimento da comunidade quanto a pontos fundamentais de epidemiólogia da doença, cujo desconhecimento, muitas vezes, leva à adoção de medidas inadequadas, como o fechamento de escolas, suspensão de aulas ou queima de colchões em estabelecimentos, onde ocorreu um caso de doença meningocócica. Controle de Contatos: A menção da quimioprofilaxia deve restringir aos contatos de casos confirmados, conforme critério definido. É indicada para contatos domiciliares e outros contatos íntimos e prolongados que permitam a transmissão direta do microorganismo. É imprescindível a vigilância dos contatos por um período mínimo de 10 dias. A profilaxia antibiótica não é indicada para pessoal médico ou de enfermagem que tenha atendido pacientes com meningites bacterianas, a menos que tenha havido exposição às secreções respiratórias, como respiração boca a boca e/ou entubação. Controle de Portadores: na prática, não é realizada a procura de portadores. No entanto, o controle de contatos visa automaticamente ao controle de portadores, pois a transmissão se dá, freqüentemente, através desses, geralmente no convívio domiciliar. Quimioprofilaxia: é indicada exclusivamente para contatos domiciliares do doente, inclusive em domicílios coletivos, como internatos, quartéis e creches. Nesses casos, limita-se a pessoas que compartilham o dormitório com o doente. Conseqüentemente, excluem-se da quimioprofilaxia os colegas de trabalho, de sala de aula ou outros contatos. A quimioprofilaxia não assegura efeito protetor absoluto e prolongado, mas tem sido adotada na falta de meios disponíveis mais eficazes de proteção. A droga de escolha é a Rifampicina. O esquema de Rifampicina recomendado para quimioprofilaxia dos contatos de doença meningocócica é o seguinte: Adultos: 600 mg de 12/12 horas, em 4 tomadas. Crianças: de 1 mês até 12 anos de idade: 10mg/Kg/dose de 12/12 horas, em 4 tomadas, na dose máxima de 600 mg por dose. Abaixo de um mês de idade: 5 mg/kg/dose de 12/12 horas, em 4 tomadas. Deve-se evitar o uso do medicamento logo após as refeições. Gestantes: recomenda-se o uso de Rifampicina em gestantes, baseado nos seguintes itens: não há provas de que a Rifampicina possa apresentar efeitos teratogênicos; a longa experiência no Brasil, com seu uso, desde 1980, tem trazido contribuição em relação a esse aspecto, não havendo qualquer notificação de efeitos colaterais nas gestantes ou teratogênicos, o mesmo acontecendo com a experiência internacional; na revisão da literatura nacional e internacional, não se verifica nada de importância que contra-indique o uso da Rifampicina em gestantes, tanto nos trabalhos experimentais como nos trabalhos clínicos; e

8 8 Guia de Vigilância Epidemiológica grávidas com outras patologias; hanseníase, tomam Rifampicina por até 2 anos sem relatos na literatura de textogenicidade. A Rifampicina deve ser ministrada precocemente, em dose adequada, simultaneamente, a todos os contatos, no prazo máximo de 10 dias após o início dos sintomas do caso. O uso restrito da droga visa evitar a seleção de estirpes resistentes de meningococos e bacilos da tuberculose. A quimioprofilaxia é recomendada também a pacientes antes da alta no mesmo esquema preconizado para os contatos. Não é indicada a administração profilática de antibióticos aos contatos de pacientes com meningite de qualquer outra etiologia. Vacinas: a presença de atividade bactericida no soro é um dos fatores que contribuem para evitar a disseminação da N. meningitidis no hospedeiro, protegendo-o contra doença meningocócica. Os anticorpos contra o meningococo são inicialmente transferidos via placentária e, posteriormente, desenvolvidos ativamente através do contato com a própria Neisseria, como, por exemplo, as não tipáveis ou Neisseria lactamica, além de outros agentes etiológicos, como as enterobactérias, cujos antígenos são imunologicamente semelhantes aos do meningococo. Daí as reações cruzadas que podem ocorrer na CIE. As vacinas contra N. meningitidis normalmente têm por base a reação imunogênica do hospedeiro ao polissacarídeo capsular dos meningococos e, portanto, são sorogrupo específicas. As vacinas disponíveis comercialmente são contra o sorogrupo A, C (isoladas ou combinadas), e, a tetravalente, contra os meningococos dos sorogrupos A, B, W135, Y. Vacinas Contra o Meningococo do Sorogrupo A: é constituída de polissacarídeo capsular, purificado. O poder imunogênico e a duração da imunidade desta vacina tem relação com diversos fatores, entre os quais se destacam a idade da pessoa a ser imunizada e o número de doses aplicadas. A resposta imunológica normalmente é observada cerca de 2 semanas após a aplicação. Essa vacina apresenta eficácia em torno de 97%, observada em estudos realizados no Egito, em crianças de 6 a 15 anos. Pesquisas realizadas na Finlândia, em crianças de 3 meses a 5 anos, mostraram resultados semelhantes, aplicando-se 1 dose de reforço naquelas abaixo de 18 meses. A duração da imunidade varia dependendo da idade em que foi administrada a vacina. Assim, estudos na África, região do Sub-Saara, mostraram uma eficácia de 87%, 1 ano após a aplicação da vacina: 70% após 2 anos; e 50% após 3 anos. Quando utilizada em crianças menores de 2 anos, os resultados obtidos foram: 100% de eficácia no primeiro ano após a administração; 52% após 2 anos; 8% após 3 anos. Vacina Contra Meningococo do Sorogrupo C: Também é constituída de polissacarídeo capsular purificado. A resposta imunogênica é menor do que a observada na vacina contra o meningococo sorogrupo A. Em crianças de 2 anos é um produto pouco imunogênico e não se observa resposta às doses de reforço. Estudos realizados entre 1969 e 1970, em militares nos EUA, mostraram eficácia em torno de 87%. Vacina Tetravalente Contra Meningococos dos Sorogrupos A, C, Y e W135: Aplicada em crianças de 2 a 12 anos, mostra boa resposta imunológica aos 4 so-

9 Doença Meningocócica 9 rogrupos. A resposta foi menor nas crianças abaixo de 2 anos, caindo rapidamente o título de anticorpos. Não há referência a estudos de campo utilizando-se a vacina contra W135 e o Y, devido à baixa incidência da meningite por esses sorogrupos. Vacina Contra o Meningococo do Sorogrupo B: A vacina constituída pelo polissacarídeo capsular do meningococo B é pouco imunogênica em crianças e adultos. Uma das prováveis causas dessa tolerância imunológica pode ser a reação cruzada deste antígeno com o polissacarídeo contendo ácido siálico, substância que existe, naturalmente, nos tecidos corporais, impedindo assim, que o polissacarídeo capsular do meningococo B seja reconhecido como substância estranha e, consequentemente, não induzir à produção de anticorpos. As pesquisas visando uma vacina contra o sorogrupo B têm se concentrado nas proteínas da membrana externa da Neisseria meningitidis B e/ou dos lipopolissacarídeos, sendo essas geralmente sorotipo-específicas. Muitos progressos têm sido observados, pois não existia, até então, vacina eficaz, comercialmente disponível, contra este sorogrupo. Recentemente, foi desenvolvida em Cuba uma vacina contra o meningococo B, que vem sendo utilizada naquele país e, que, também, foi aplicada em alguns estados do Brasil. Isolamento e Desinfecção Concorrente e Terminal Isolamento: até 24 horas depois de iniciada a terapêutica específica adequada. Desinfecção Concorrente e Terminal: deverá ser feita em relação às secreções nasofaríngeas e aos objetos contaminados pelas mesmas. Faz-se limpeza terminal sem a utilização de formol (formoladeído) ou desinfetantes.

10 10 Guia de Vigilância Epidemiológica Quadro 2 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA DOENÇA MENINGOCÓCICA NOS SEUS PRINCIPAIS TIPOS CLÍNICOS Tipos de Exames Material a ser Colhido Tipos Clínicos (*) Meningite com manifestação cutânea Meningite sem manifestação cutânea Especificação do Material Sangue ml de sangue inoculado em 100 ml de meio líquido Cultura Líquor a 6 gotas por tubo ou placa de cultura Cuidados no Caso de Remesas para Outra Cidade Fazer a semeadura logo após a colheita, deixar em estufa durante 18 horas e depois enviar ao laboratório Material das lesões cutâneas + + Injetar solução salina no centro da lesão, aspirar e semear em placa. Bacterioscopia (**) Meningococcemia Pesquisa de antígenos (Imunoeletroforese cruzada ou látex) Pesquisa de anticorpos (Hemoaglutinação) Líquor a 2 ml De preferência, preparar o esfregaço, no momento da coleta Material das lesões cutâneas Idem, como para cultura. Líquor a 2 ml Soro ml de sangue Mandar em caixa de isopor com gelo Sangue (*) O número de cruzes indica o grau de importância da prova. (**) A confiança depositada no resultado da bacterioscopia varia com o grau de treinamento do pessoal do laboratório.

11 Doença Meningocócica 11 Quadro 2 DOENÇA MENINGOCÓCICA E TUBERCULOSA: RESUMO DAS ATIVIDADES DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA TIPO DE DADOS NECESSÁRIOS a) Casos e óbitos notificados b) Vacinações UTILIDADE DOS AÇÕES NECESSÁRIAS DADOS LOCAL REGIONAL CENTRAL/ESTADUAL a) Acompanhar o comportamento e a tendência da doença em determinada área, visando a descoberta precoce de surtos. b) Determinação constante da gravidade da doença. c) Diagnosticar e tratar precocemente os casos, evitando a alta letalidade. a) Notificar todos os casos de meningite e não apenas os de doença meningocócica e meningite tuberculosa. b) Investigar os casos notificados de meningite. c) Preencher a ficha epidemiológica de casos, por ocasião da investigação e, enviar uma cópia para o nível regional. d) Encaminhar o caso para o hospital, para diagnóstico e tratamento imediato (caso ainda não tenha sido feito). e) Colher amostra de líquor para enviar ao laboratório visando confirmação laboratorial. f) Orientar sobre as medidas de controle, visando ao portador e ao comunicante. g) Fazer quimioprofilaxia dos contatos com Rifampicina, quando se tratar de doença meningocócica ou por Haemóphilo. h) Examinar os comunicantes buscando a descoberta da fonte de infecção. i) Tratar os casos de tuberculose pulmonar posi-tivos à baciloscopia. j) Fazer PPD nos comunicantes menores de 5 anos, vacinar os negativos e fazer quimioprofilaxia com isoniazida nos PPD positivos. k) Informar aos notificantes sobre a conclusão dos casos de medidas adotadas. a) Receber, consolidar e analisar as informações vindas do nível local. b) Facilitar ao nível local o apoio técnico-administrativo necessário a investigação de casos. c) Facilitar o apoio laboratorial para confirmação do diagnóstico. d) Avaliar periodicamente os dados fornecidos pelo nível local para análise do comportamento doença da e) Revisar o preenchimento das fichas epidemiológicas, visando aprimorar os dados. f) Realizar supervisão conjunta (epidemiologia e laboratório), visando ao aprimoramento do sistema. g) Enviar aos níveis local e central o resultado das análises e avaliações sobre a doença. h) Enviar cópia da ficha epidemiológica e do boletim mensal das meningites para o nível estadual. i) Informar ao nível central/estadual, no boletim semanal de notificação, a ocorrência dos casos no período necessário, de imediato, por telex, fax ou telefone. a) Receber, consolidar e analisar as informações vindas do nível regional. b) Analisar as fichas epidemiológicas de casos. c) Acionar e apoiar a rede de laboratórios e facilitar o apoio laboratorial para confirmação do diagnóstico. d) Facilitar aos níveis regional e local o apoio técnico-administrativo necessário à investigação de casos. e) Avaliar, periodicamente, as atividades do nível regional através das informações recebidas e supervisões realizadas. f) Realizar treinamento e reciclagem das equipes regionais e/ou locais. g) Enviar ao nível regional o resultado das análises e avaliações realizadas. h) Informar ao nível nacional, através do boletim semanal de notificação (aerograma), o número de casos ocorridos no período, enviando mensalmente boletim mensal das meningites. i) Conhecer a rede hospitalar (estrutura médico-assistencial) envolvida no sistema. j) Entrosar epidemiologia laboratórios e hospitais, visando o aperfeiçoamento do sistema de Vigilância Epidemiológica. k) Revisar as declarações de óbitos para conhecer casos não notificados.

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