ASSUNTO: ESTÁGIOS PROFISSIONAIS DECRETO LEI N.º 66/2011

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1 Lisboa, 02 de Junho de 2011 CIRCULAR Nº 48 / 2011 (G) RF/MS/RC ASSUNTO: ESTÁGIOS PROFISSIONAIS DECRETO LEI N.º 66/2011 Caro Associado, Foi publicado o Decreto lei n.º 66/2011, de 1 de Junho que regula a matéria referente ao estágio profissional. Nos termos deste diploma os estágios contratados a partir do dia de hoje terão de ser, obrigatoriamente, remunerados com o valor mínimo de 419,22. O Contrato Colectiva de Trabalho prevê que os estágios podem durar três meses, a tempo inteiro, e seis meses a tempo parcial. Considerando o teor da nova legislação, entendemos que o estágio por seis meses terá de ser remunerado com o valor acima referido, enquanto que o estágio a três meses, terá de ser remunerado, mas em valor a fixar pela empresa Junto enviamos um texto explicativo das novas condições que têm de ser oferecidas aos estagiários, sem embargo da necessidade de consulta do diploma que aconselhamos, que também anexamos. Com os melhores cumprimentos, A Direcção da APAVT

2 Estágios Profissionais Decreto-lei n.º 66/2011, de 1 de Junho Nos termos do art.º 3.º do Decreto-lei supra mencionado, os estágios profissionais terão de ser objecto de um contrato de estágio reduzido a escrito, o qual deverá conter um conjunto de menções, como por exemplo: a) O horário de frequência do estágio; b) O valor das remunerações devidas aos estagiários (subsídio de estágio e subsídio de refeição). Nos termos do art.º 4.º n.º 1 do diploma legal, a duração deste contrato não pode ser superior a 12 (doze) meses (excepto se o estágio for essencial à obtenção de um título profissional, hipótese em que a duração do mesmo pode ser aumentada até ao máximo de 18 (dezoito) meses). Por outro lado, nos termos do art.º 7.º, a empresa formadora terá que nomear um orientador de estágio, que não pode acompanhar mais de três estagiários e que, entre outras obrigações, deverá avaliar os resultados finais do estágio. Nos termos do art.º 8.º, o estagiário terá direito a receber um subsídio de estágio, de valor não inferior ao Indexante de Apoios Sociais, cujo montante, para o corrente ano, é de 419,22 (quatrocentos e dezanove euros e vinte e dois cêntimos), valor instituído pelo art.º 67.º do Decreto-lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro/ Orçamento de Estado para O subsídio de estágio não será devido quando: a) O estágio for suspenso, nos termos do art.º 11.º do diploma ora em análise; Causas de suspensão: i. Facto relativo à entidade promotora, nomeadamente encerramento temporário do estabelecimento onde o mesmo se realiza, por período não superior a um mês; 1

3 ii. Por facto relativo ao estagiário, nomeadamente por doença, maternidade ou paternidade, por período não superior a seis meses. Outras causas de suspensão podem existir, no caso de contratos de estágio obrigatório para obtenção de qualificação profissional, uma vez que há que considerar, quanto aos mesmos, as normas regulamentares que o regulam. b) Pelas faltas injustificadas; c) Pelas faltas justificadas por motivo de acidente, desde que a responsabilidade civil daí decorrente se encontre coberta pelo contrato de seguro de acidentes pessoais; d) Pelas faltas justificadas que excedam quinze dias, seguidos ou interpolados, ocorridas no decurso do estágio; e) No caso de estágios de muito curta duração (inferior a três meses), nos termos do art.º 5.º, n.º 5, o pagamento de subsídio pode ser dispensado. Estes contratos de estágio deverão ter um motivo fundamentado para a sua curta duração. Para além deste subsídio, o estagiário terá ainda direito a ficar abrangido por um seguro de acidentes pessoais (art.º 9.º n.º 4), bem como a receber subsídio de refeição (art.º 9.º, n.º1), nos mesmos termos em que este é pago aos trabalhadores da entidade promotora do estágio. Em alternativa ao subsídio de refeição, o estagiário pode optar por refeição fornecida pela entidade promotora do estágio, se for essa a prática para os trabalhadores ao seu serviço (art.º 9.º n.º 2). Nos termos do art.º 10.º, ao contrato de estágio aplicam-se as disposições relativas às contribuições para a segurança social em vigor. 2

4 O contrato de estágio cessa (art.º 12.º): a) Por caducidade; b) Por resolução (comunicada por carta registada, com antecedência não inferior a quinze dias da data em que se pretende fazer operar a resolução); c) Por acordo das partes (documento assinado por ambas as partes, onde s manifeste a vontade de fazer cessar o contrato de forma clara e inequívoca); d) Após o decurso do prazo correspondente ao seu período de duração, ainda que se trate de estágio obrigatório para o acesso ao exercício de determinada profissão; e) Por impossibilidade superveniente, absoluta e definitiva de o estagiário poder frequentar o estágio ou de a entidade promotora lho poder proporcionar; f) No momento em que o estagiário atingir trinta dias de faltas, seguidos ou interpolados, independentemente de serem justificadas, mediante comunicação escrita dirigida ao estagiário não conta o período de suspensão eventualmente ocorrido; g) Sem prejuízo do disposto na alínea anterior, logo que o estagiário atinja o número de cinco dias de faltas injustificadas, seguidos ou interpolados, mediante comunicação escrita dirigida ao estagiário; h) Também aqui, no caso de estágio obrigatório para obtenção de qualificação profissional, que há que considerar, quanto aos mesmos, as normas regulamentares que o regulam. Salientamos que a organização de estágios profissionais, fora do contexto dos estágios curriculares ou dos estágios do IEFP, suscita muitas vezes a questão de se saber se estamos perante um verdadeiro estágio ou, ao invés, perante um contrato de trabalho camuflado. 3

5 Para evitar esta dúvida, na organização de estágios profissionais a DGRT deverá estabelecer direitos e obrigações ao estagiário que permitam traçar distinções significativas entre o contrato de estágio e um contrato de trabalho. O próprio art.º 13.º do diploma ora em causa refere que, sem prejuízo do disposto no art.º 12.º do Código do Trabalho, quaisquer contratos que não obedeçam aos requisitos mencionados nos arts.º 2.º, ns. 1 e 2, e 3.º n.º 2, bem como as relações laborais mantidas com o estagiário, após a caducidade do contrato de estágio, serão entendidos como contratos de trabalho, sujeitos, como tal, ao regime geral dos mesmos (Código do Trabalho). De notar, que, a existir instrumento de regulamentação colectiva de trabalho aplicável, que disponha condições mais favoráveis ao contrato de estágio, será este o considerado para efeitos de regulamentação do contrato de estágio. Aplicação no Tempo: O presente decreto -lei aplica -se a todos os estágios profissionais que se iniciem após a sua entrada em vigor. Quanto aos estágios que tenham como objectivo a aquisição de uma habilitação profissional legalmente exigível para o acesso ao exercício de determinada profissão, diploma aplica -se aos estágios que se iniciem noventa dias após a entrada em vigor do presente decreto -lei. 4

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