1) TENTATIVA DE ARQUIVAMENTO PRECOCE DE DENÚNCIA DE ASSÉDIO SEXUAL E MORAL POR PARTE DE MAGISTRADO

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1 Rio de Janeiro, 14 de abril de AO E. ÓRGÃO ESPECIAL TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO C/C AO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ Exmo. Dr. Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho Exmo. Presidente do Órgão Especial do TJRJ, O Sind-Justiça - Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, neste ato representado por seus diretores gerais Fred Barcellos, Ramon Carrera e Alzimar Andrade, vem expor e ao final requerer o que se segue. Como é de conhecimento de V. Exa., os servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro vêm enfrentando sérios problemas em relação à Corregedoria, sendo suficientes apenas dois meses de convívio para saber-se que a Exma. Corregedora Geral de Justiça, Desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, não vem apresentando a necessária isenção no que diz respeito ao trato de temas ligados aos servidores, bem como vem se cercando de assessores e auxiliares que não possuem o necessário credenciamento, inclusive com o cometimento de graves infrações à postura que se exige de tão importantes cargos. O Sind-Justiça vem, através desta, requerer a este Órgão Especial que investigue as denúncias que se seguem, tendo em vista a gravidade das mesmas. Entre os diversos equívocos e/ou erros que evidenciam má gestão da atual administração da Corregedoria Geral de Justiça, constam as seguintes situações, que explicaremos a seguir detalhadamente. 1) TENTATIVA DE ARQUIVAMENTO PRECOCE DE DENÚNCIA DE ASSÉDIO SEXUAL E MORAL POR PARTE DE MAGISTRADO 2) PRÁTICA DE NEPOTISMO E FAVORECIMENTO, COM NOMEAÇÃO DE FILHA E NORA DE DESEMBARGADORA 3) PRÁTICA DE APADRINHAMENTO AO NOMEAR O SEU EX-ESTAGIÁRIO COMO DIRETOR DE ÁREA ESPECIALIZADA DESTA CASA 4) REMOÇÕES SEM CRITÉRIO, CAUSANDO PÂNICO À CATEGORIA E PREJUÍZO À PRESTAÇÃO DA TUTELA JURISDICIONAL EM TODO O ESTADO 5) REMOÇÕES DE SERVIDORES READAPTADOS, DOENTES E OUTRAS SITUAÇÕES GRAVES 6) REALIZAÇÃO DE PERÍCIAS MÉDICAS SEM PREVISÃO LEGAL Encaminhamos, a seguir, o relato de cada uma das denúncias, para fins de apreciação e providências por parte deste E. Órgão Especial:

2 1) TENTATIVA DE ARQUIVAMENTO PRECOCE DE DENÚNCIA DE ASSÉDIO SEXUAL E MORAL POR PARTE DE MAGISTRADO Em 17/03/2015, o Sind-Justiça, tendo sido procurado por servidores e estagiários da Comarca de Miracema, comunicou à Exma. Corregedora a ocorrência de grave prática de assédio moral e sexual por parte do magistrado xxxxxxx, corroborado por depoimento das vítimas, em que narram em detalhes os fatos. Informamos, em nossa denúncia, que as vítimas de assédio sexual são meninas, estagiárias, de pouca idade e que, pelo fato de se tratar de uma cidade pequena, recomendamos que a Corregedoria se dispusesse a ir ao local para ouvi-las, bem como aos servidores, para confirmar as graves denúncias, já que a exposição dos seus nomes previamente faria com que o magistrado as ameaçasse. Para nossa surpresa, antes mesmo que houvesse qualquer recebimento oficial de nossa denúncia, o magistrado acusado foi alertado extra-oficialmente do fato pela Corregedoria na mesma semana em que denunciamos, tendo se dirigido à Corregedoria na segunda-feira, 21, onde teve acesso aos documentos da denúncia. De posse das informações, o magistrado chamou as vítimas em seu gabinete e pressionou-as para que mudassem o depoimento. Assim que tomamos conhecimento do comportamento do magistrado, informamos o ocorrido à Corregedoria e, para nossa surpresa, em seu despacho, o juiz auxiliar, Dr. Marcel Laguna Duque Estrada, encaminhou ao Sind-Justiça uma decisão (cópia integral em anexo), em que se evidencia, claramente, a tentativa de arquivamento precoce e desqualificação da denúncia, como se depreende dos trechos abaixo (grifos nossos): "O..Sind-Justiça apresentou.. representação contra magistrado, instruído com um CD-R tão somente... "O rol de testemunhas não foi apresentado, mas foi interposta petição onde o representante, em suma, sugere como devem ser realizadas as oitivas dos depoentes... "Revela-se absolutamente necessário que o reclamante apresente o seu rol de testemunhas..." O juiz Auxiliar termina sua decisão concedendo prazo de 48h para que o Sindicato apresentasse os nomes das vítimas, o que, obviamente, nesta fase processual, só serviria para que o magistrado, que continua em atividade na Comarca, as cercasse e assediasse, como de fato o fez, além de expor as meninas onde residem, cidade pequena, do interior do Estado. Também relatamos na denúncia que o magistrado teve histórico problemático em sua comarca de origem, Paracambi, recomendando que a Corregedoria ouvisse os servidores lá lotados, o que foi completamente ignorado. O comportamento da Corregedoria, neste episódio, evidencia a não observância do que determina a Resolução 135/2011 do CNJ, que prevê que cabe ao Corregedor Geral de Justiça fiscalizar a primeira instância; e contraria o Codjerj, que determina expressamente que cabe ao Corregedor proceder DE OFÍCIO à investigação preliminar em face de magistrado de primeiro grau. Não bastasse isso, recebemos de servidores da Comarca, informando que a magistrada designada para oitiva dos servidores e estagiárias, reiterava aos depoentes que alertassem para a "tênue diferença entre o assédio moral e uma simples cantada", o que confirma a total falta de isenção e a tentativa de proteção do magistrado, não obstante a gravidade do ato praticado.

3 A nossa denúncia foi encaminhada no dia 17 de março. Até a presente data não houve comunicação oficial ao magistrado (embora tenha sido comunicado extra-oficialmente, o que deve ser motivo de averiguação, por ter facilitado a sua defesa e, pior, por ter permitido que pressionasse as estagiárias a mudar o depoimento). Com a não comunicação oficial, não se abriu prazo para defesa e, com isso, o processo eterniza-se, enquanto o magistrado permanece no mesmo local e com o mesmo poder sobre as suas vítimas. Não houve até o momento sequer comunicação da Corregedoria ao Órgão Especial sobre a denúncia, para que este vote o necessário afastamento do magistrado de suas funções, a fim de que não atrapalhe as investigações, nem ameace testemunhas e vítimas, como vem fazendo, o que é grave. 2) PRÁTICA DE NEPOTISMO E FAVORECIMENTO, COM NOMEAÇÃO DE FILHA E NORA DE DESEMBARGADORA A Corregedora nomeou como Diretora a senhora xxxxxxxxx, que vem a ser filha da desembargadora xxxxxxx. Também nomeou como Diretora a senhora xxxxxxx, que vem a ser nora da mesma desembargadora. 3) PRÁTICA DE APADRINHAMENTO AO NOMEAR O SEU EX-ESTAGIÁRIO COMO DIRETOR DE ÁREA ESPECIALIZADA DESTA CASA A Exma. Corregedora nomeou seu ex-estagiário como Diretor de órgão responsável pela equipe técnica. Ocorre que este senhor ainda aguarda convocação para o concurso de técnico de atividade judiciária do TJ, cargo que exige apenas ensino médio, não possuindo qualquer requisito para assumir a diretoria de importante área especializada, que exige conhecimentos específicos. O resultado, como não poderia deixar de ser, é desastroso, eis que o mesmo assumiu, sob a proteção da poderosa chefe de gabinete da Corregedora, tratando a todos com grosseria e mandando servidores para casa, demonstrando total desconhecimento de como se procede na área pública. São diversos os relatos que mostram despreparo do ex-estagiário para o cargo, dentre os quais o tratamento grosseiro com que se refere a servidores, além de posições equivocadas em reuniões técnicas, em que demonstra desconhecimento da pasta que comanda. Quando de sua chegada ao setor, a poderosa chefe de gabinete assim se manifestou: " a sua mesa é essa. Se alguém reclamar de alguma coisa, mande falar comigo", o que demonstra a maneira pouco cordial com que a atual equipe da Corregedoria se refere aos servidores. 4) REMOÇÕES SEM CRITÉRIO, CAUSANDO PREJUÍZOS ENORMES À CATEGORIA E À POPULAÇÃO A Corregedora tem implementado equivocada medida de remoções arbitrárias de servidores, sem qualquer critério, o que vem causando enormes transtornos à categoria, refletindo-se na queda da

4 produtividade dos servidores, por conta do pânico que se apossou de todos, já que nunca sabem onde estarão lotados no dia seguinte. Concursados aguardam convocação -Inicialmente, destacamos que há um concurso público em vigor, homologado desde dezembro de 2014 e que os concursados aprovados aguardam convocação, não se justificando que a Corregedora opte por remoções arbitrárias para tentar suprir supostos vazios, trazendo enormes transtornos às vidas dos servidores, quando é certo que esses concursados têm que ser convocados. A remoção arbitrária prévia resultará no absurdo de, quando houver convocação de novos servidores, estão ocuparão as vagas dos que hoje são removidos à força, enquanto estes estão sendo levados para longe de suas famílias gerando uma situação inaceitável. Descumprimento de acordos com a entidade sindical e a categoria - A palavra empenhada à categoria foi quebrada diversas vezes. Da última vez, convencionou-se que o sindicato entregaria diretamente à Corregedora os casos de remoções equivocadas, para que fossem analisadas e desfeitas, tendo em vista a exiguidade do tempo (os servidores são surpreendidos quando chegam ao cartório e descobrem pelo Diário Eletrônico que têm que se apresentar em outra comarca imediatamente). A entrega dos documentos seria feita através de um juiz auxiliar da Corregedoria. No entanto, ao levar os documentos, não fomos recebidos pelo magistrado (invariavelmente indisponível) e o seu assessor recusou-se a receber a documentação por 3 vezes seguidas. Mais tarde, soubemos o motivo, quando a Corregedora publicou aviso no site, afirmando que o Sindicato "não entregou nenhum documento", comprovando-se a má-fé da recusa orquestrada. Enquanto isso, a Exma. Corregedora continua a efetivar remoções sem qualquer critério, incluindo servidores readaptados, grávidas, com câncer, dificuldades de locomoção, com filhos pequenos que dependem dos pais, com pais doentes etc. Estudo de lotação ideal não concluído - Destaque-se que está em andamento um estudo de lotação ideal. Como o estudo ainda não foi concluído, a Corregedora vem removendo servidores sem qualquer critério, já que não tem a menor noção da lotação que deveria ter cada serventia, o que é, no mínimo, temerário. O resultado é uma categoria completamente desmotivada e desvalorizada por uma política equivocada que demonstra despreparo para solucionar os problemas da primeira instância, atribuindo-os, equivocadamente, aos servidores. Servidores licenciados por conta das remoções - Muitos servidores encontram-se hoje de licença médica, por conta das remoções, o que piora a prestação do serviço público. Outros passaram a utilizar 3 ou 4 conduções para chegar ao novo local de trabalho, o que se reflete também em aumento substancial dos gastos e evidente queda na produtividade. Desrespeito ao Concurso Regionalizado - Além disso, há que se ressaltar que os servidores fizeram concursos regionalizados, optando por disputar a vaga em região próxima de sua residência, o que vem sendo desrespeitado por diversas remoções ENTRE NUR'S, em total desrespeito ao edital do concurso e em prejuízo dos servidores removidos arbitrariamente para longe de casa e que precisa ser revisto imediatamente. Inspeções surpresa - Não bastassem esses absurdos, a Corregedoria notabilizou-se pelas sucessivas incursões de surpresa nas serventias, à caça de servidores que tenham se atrasado, num clima de terror que pretende transformar os servidores em culpados por décadas de gestões equivocadas. Temos registros de colegas que chegaram ao cartório poucos minutos depois da patrulha da Corregedoria ter saído e, mesmo apresentando-se em tempo hábil e cumprindo toda a sua carga horária, levaram falta, o que não se mostra razoável.

5 Exas., o que está em jogo, em relação à "fiscalização" é que se trata de uma fiscalização encomendada, seletiva, parcial e tendenciosa, baseada na premissa de que servidor é vagabundo e não trabalha, por isso tem que ser vigiado de perto, o que ofende a categoria. A categoria, por certo, não tem nada a temer, mesmo porque não é um problema de medo, mas de injustiça. Por que somente servidores de cartório são fiscalizados? As equipes de fiscalização não vão aos gabinetes, nem há notícia de qualquer fiscalização de magistrados, o que parece sugerir que nesta casa os servidores de cartório é que precisam ser vigiados. Os servidores desta casa trabalham. E muito. São chefes de família e pessoas responsáveis, que não precisam passar por esses constrangimentos. Inclusive são servidores que, muitas vezes, fazem o serviço que deveria ser dos magistrados, como realizar audiências, despachar com advogados, dar decisões e prolatar sentenças. Registre-se que isso é reconhecido até mesmo pelos próprios magistrados, como fez ver a Exma. Juíza da 27ª Vara Cível, Dra. Adriana Therezinha Souto Castanho de Carvalho, que, em processo judicial em que contendia com o magistrado que a substituíra nas férias, assim se manifestou: "Estes foram os únicos processos despachados durante todo o mês. Logo, se foram despachados 600 processos, estes o foram pelas servidoras, vez que o magistrado apenas concordou com os despachos, decisões e sentenças proferidas, apondo nestas sua assinatura". Em muitos cartórios, os servidores estão com medo até de sair para almoçar, com medo de chegar a equipe do NUR e dar falta. E quem nunca se atrasou para o trabalho, com esse trânsito caótico, essas ruas caóticas e essa vida caótica? Então, se alguém se atrasar e a equipe do NUR chegar ao local e não encontrar esse servidor, ele leva falta, mesmo que chegue 5 minutos depois. Isso motiva alguém? Isso valoriza alguém? O Sindicato não é contra a fiscalização, se for para todos. Não podemos alimentar a ideia de que há categorias mais importantes do que as outras na sociedade. Não temos diferenças de importância, mas de funções. Daí ser absolutamente necessário que todos tenhamos as mesmas regras. Todos nós, servidores e magistrados, trabalhamos para o Estado. Logo, se vão fiscalizar, que fiscalizem todos. E não essa perseguição sem sentido da Corregedoria, em que caçam servidores atrasados para servir de exemplo, ao mesmo tempo em que removem servidores com todo tipo de problema para longe de casa. Restam evidentes algumas verdades sobre a "fiscalização" empreendida pela Corregedoria em perseguição à categoria: 1) Não é fruto de interesse público, mas de vingança e perseguição da Corregedora 2) A fiscalização é seletiva e parcial: não fiscalizam gabinetes, não fiscalizam a segunda instância, não fiscalizam magistrados; 3) Faz parecer que a culpa pela morosidade é dos servidores, quando, na verdade, todos sabemos que o servidor trabalha por si e pelo magistrado; 4) Os servidores que passam os dias fiscalizando os outros poderiam estar auxiliando no processamento em alguma serventia, suprindo a reconhecida falta de pessoal; 5) Impossível ser pontual num Estado com o trânsito caótico do Rio de Janeiro, que já supera São Paulo em termos de tempo de engarrafamento. Quem nunca se atrasou? quem nunca teve um filho doente ou um parente passando mal, quem nunca perdeu um ônibus e quem nunca precisou esperar interminavelmente por uma condução pública? Ser punido por isso é absurdo, injusto e inaceitável.

6 6) A lei já estabelece que o chefe de serventia e o magistrado são os responsáveis pelo ponto. A Corregedora atropela ambos e desrespeita a categoria ao definir, por critérios subjetivos, quem merece e quem não merece ter abono. 7) Nunca é uma simples falta. O servidor que eventualmente chega atrasado sofre desconto do dia e zera a contagem da licença prêmio; isso se reflete em desmotivação; 8) Quem se propõe a punir tem que dar o exemplo. A Corregedora nomeou seu estagiário como Diretor, nomeou filhos de desembargadores, contrariando a vedação de nepotismo, e descumpriu a palavra dada ao sindicato em mais de uma oportunidade. Não é um comportamento que permita ser fiscal da pontualidade de quem trabalha. 5) REMOÇÕES DE SERVIDORES READAPTADOS, DOENTES E OUTRAS SITUAÇÕES GRAVES Dentre os diversos casos graves de remoções absurdas que relatamos à Corregedora, sem que houvesse solução, constam as seguintes situações que, mesmo pontualmente informadas à Corregedoria, encontram-se sem solução, causando injustiça e prejuízo aos servidores: xxxxxx - Servidora com 21 anos de casa. Apresenta quadro grave de depressão, conforme atestado médico em anexo, tomando diversos remédios controlados. Com o impacto que sofreu ao saber da remoção compulsória, o médico precisou dobrar a dosagem dos seus medicamentos. Cuida da mãe, que é sozinha, tem 77 anos e possui diabetes, alteração de colesterol e triglicerídeo, osteoporose com fratura de pé com 9 parafusos, fratura de fêmur, hérnia de hiato, câncer de mama, retinopatia diabética, hipertensão arterial, glaucoma, catarata, anemia, depressão e crise de pânico. A servidora mora a 10 minutos do fórum atual, o que permite que cuide de sua mãe. A distância provocada pela remoção inviabilizará essa indispensável ajuda. xxxx - A MICELLI e o DESAU possuem vasta ficha médica sobre o servidor, podendo colaborar com pareceres ou informações que corroborem a nossa informação. Já esteve licenciado diversas vezes. Atualmente estava sob controle, trabalhando normalmente, o que foi modificado por uma remoção sem sentido, que o tirou da sua comarca, deflagrando novo episódio de crise. Toma remédios controlados (Rivotril, Labirin, Retard, Exodus, psicofármacos, fluoxetina, risperidona... laudo em anexo) e possui problemas psiquiátricos - É de Niterói e foi removido para a Capital. Vem todos os dias ao Sindicato, onde tem crises convulsivas de choro. Não pode trabalhar longe de casa. Caso grave. xxxx - Enorme injustiça que precisa ser desfeita. Ele estava lotado na Capital e foi convidado pelo novo diretor da DIATI para integrar a sua equipe. 3 dias depois, o Diretor mudou de ideia e, em vez de deixá-lo onde estava, removeu-o para Duque de Caxias. Ele não pediu para integrar a equipe. O novo diretor não poderia ter feito isso. É o mesmo diretor sobre o qual já relatamos problemas de relacionamento com a equipe quando de sua chegada, com utilização de expressões grosseiras e desnecessárias. Quando chegou no local, mandou servidores para casa e, respaldado pela chefe de gabinete da corregedora, age com extrema arrogância. É um candidato a técnico de atividade judiciária e, antes de mesmo de ser convocado, já é o DIRETOR de uma área técnica especializada sem ter a menor noção do que é isso. Conseguimos apurar junto aos colegas do departamento o que de fato houve e que parece ter motivado a punição ao servidor: Houve uma reunião no mesmo dia em que o servidor foi desligado do setor. Na reunião, pelo menos em 3 momentos o novo Diretor teceu comentários absolutamente discrepantes da atuação do órgão que comanda, afirmando: "eu tô cheio de informações sobre violências em abrigo e eu vou fiscalizar isso". Neste momento, o servidor, com larga experiência na área, já tendo atuado na área

7 por 4 anos, inclusive, fez uma cara de surpresa e argumentou que não é função do órgão fazer isso. Em tom respeitoso, disse: "nós temos o plano Mater, de seis em seis meses a situação das crianças é averiguada, então a gente não tem nenhuma situação tão grave neste sentido...". Daí em diante, a reunião teria transcorrido sem nenhum clima de animosidade. Mas, às 18h do mesmo dia, o servidor foi dispensado secamente pelo Diretor. Ao questionar o motivo, o Diretor se negou a dizer. Questionado se o servidor poderia então, retornar ao seu local de origem, respondeu secamente que deveria ir para casa e aguardar porque não é ele quem decide lotação. Segundo o que apuramos, em pelo menos 3 ocasiões, na mesma reunião, o novo Diretor teria feito afirmações descabidas sobre o setor que comanda. Como se vê, o despreparo do Diretor parece ter contribuído grandemente para a remoção punitiva de que foi vítima o servidor, o que exige imediata reparação. A corroborar a narrativa, registre-se que foi lotada outra servidora no local em que o servidor estava lotado antes, ou seja, há vaga onde ele estava lotado, pelo que resta comprovada a clara intenção punitiva em relação ao servidor. Por fim, o servidor é o responsável por sua mãe, que conta 80 anos de idade, e a situação que passa o levou a tirar licença médica, o que em nada ajuda a prestação da tutela jurisdicional, confirmando o enorme equívoco a remoção punitiva de que foi vítima. xxxxxx - Este servidor tem uma história um pouco longa, mas igualmente injusta. Para facilitar o entendimento, encaminhamos em anexo farta documentação encaminhada pelo servidor, solicitando que haja uma solução emergencial para o caso, ante o evidente prejuízo. Antes de mais nada, registre-se que na tarde de 18/03, a servidora xxxxx, do 5 NUR, telefonou para a chefe de setor do DIPES, insultando o servidor na frente dele, dizendo que ele era um funcionário vagabundo, preguiçoso, o tipo de funcionário péssimo que veio para o interior querendo folga, gabinete etc.. isso foi presenciado por testemunhas, o que poderia ensejar até mesmo representação e queixacrime por injúria e difamação. xxxx - O servidor tem 62 anos de idade e é portador de gonartrose bilateral avançada, não podendo fazer esforço físico. Por este motivo, foi removido para perto de sua casa. Ele mora e trabalha na Região Oceânica (1ª Vara Cìvel). No entanto, por determinação do NUR, a juíza o indicou para remoção ex ofício, o que, caso se configure, criará enorme dificuldade para o servidor. Ele tem problema grave nos dois joelhos e não pode se locomover para longe. A remoção para a Região Oceânica foi deferida com base em laudos médicos que comprovam a redução da capacidade motora em função de artrose nos dois joelhos. A doença do qual é portador é classificada até mesmo no seleto rol que permite isenção legal de imposto para compra de veículo, dada a dificuldade à locomoção que acarreta. Ele ainda não foi removido, mas, dada a gravidade da situação, estamos nos antecipando, a fim de evitar uma remoção equivocada. xxxxx - Portadora de Síndrome do Pânico, tratando-se há anos com médicos de Niterói,fora do horário forense, o que restará inviabilizado se tiver de se deslocar para a cidade do Rio de Janeiro, dado o conflito de horários (reside atualmente a 900 metros do Fórum). Há menos de 6 meses submeteu-se a grave cirurgia de remoção de órgãos, precisando de constante acompanhamento pós operatório, conforme declaração médica em anexo. Falta menos de 3 anos para se aposentar. xxxxxx - Grávida de 8 meses. Sofreu forte abalo com a notícia de sua remoção para longe de casa. xxxxxx - Possui redução de carga horária, porque tem um filho que depende de tratamento permanente, portador de disfunção neuromotora, sendo dependente de "cuidado prestado diuturnamente pela mãe", conforme laudo. Encaminhamos em anexo comprovante as órteses da criança, das quais faz uso desde 1 ano de idade. xxxx Foi removida de Madureira para Nova Iguaçu, sendo que foi publicada no DO a remoção de vários servidores para o fórum de Madureira, o que torna a referida remoção incoerente. A

8 servidora em questão mora na Taquara e terá que pegar 04 (quatro) conduções para conseguir chegar a Nova Iguaçu. Sem contar o aumento absurdo das despesas. xxxxx - É filho único e não possui parentes no Estado do Rio de Janeiro. Cuida da sua genitora, que sofre de graves problemas de saúde, como atesta o laudo em anexo. Além disso, o servidor esta em tratamento da coluna cervical, com acompanhamento médico e realizando fisioterapia no centro da cidade. xxxxx - Lotado há mais de 12 nos no Fórum da Barra da Tijuca, tem residência fixa no mesmo bairro, onde reside com a esposa, filhas e seus pais. Seu pai está com Síndrome Demencial e sua mãe está com cirrose hepática e diabetes, dependendo muito do servidor. Há pouco tempo tirou licença médica para acompanhar os pais. xxxxxx Tem duas filhas em idade escolar que estudam em horários diversos. Seu marido apresentou quadro depressivo em 2014 e toma pesados medicamentos, havendo preocupação permanente da servidora em deixar as crianças sozinhas com ele. A servidora possui uma lesão no ombro direito (ruptura de ligamento) e provavelmente terá que fazer fisioterapia ou até mesmo uma cirurgia. xxxxx Tem um filho de nove meses que está em adaptação na creche, que fica a 4km do Fórum onde está lotado, e é o único responsável por levar e buscar sua filha na creche pois a esposa trabalha na iniciativa privada, não podendo flexibilizar o horário. Os pais do servidor são idosos, sendo que um deles está se recuperando de uma cirurgia para remoção de câncer na tireóide; a sogra é viúva e deficiente física, dependendo de cuidados constantes do servidor. xxxxxx Apresenta quadro de depressão, alta ansiedade, crises nervosas e síndrome do pânico relacionados às condições de trabalho. No cartório onde trabalha, a rotina de trabalho é mais rápida e satisfatória, sendo portanto menos hostil para as condições da servidora. A servidora também possui uma mãe adoecida que requer cuidados. Além disso, a servidora começou uma graduação em História, que ficará prejudicada com a remoção, dada a impossibilidade de comparecimento e adequação dos horários. xxxxxx Seu pai tem 82 anos, é cadeirante, portador do mal de Alzheimer e tem incontinência urinária desde que foi submetido a uma cirurgia de próstata, em janeiro de 2014, o que o torna completamente dependente da servidora. A mãe da servidora sofre de depressão e limitação de movimentos no braço direito. Por ser filha única o pai está sob seus cuidados, diariamente, necessitando da sua presença para banho, troca de sonda, administração de remédios e para levar aos médicos (psiquiatra,neurologista, urologista, dentista). Também é a responsável pelas compras da casa e o pagamento das contas. xxxxxx - É curadora da irmã que é portadora de deficiência mental, sendo a servidora a responsável pelo seu tratamento, já havendo um laço de confiança entre as duas, que pode ser perigosamente abalado com a remoção para prestar auxílio em outra comarca. A servidora também faz acompanhamento psicológico. xxxxxx Seu filho de 2 anos vem apresentando diversas crises respiratórias que já resultaram em 3 internações em 6 meses. Devido à última internação do seu filho, a servidora se encontra de licença médica para acompanhar pessoa da família. O menor vem sendo acompanhada por diversos especialistas e sendo submetido a diversos exames e está impossibilitado de retornar a creche até segunda ordem. A servidora, que era assessora de Desembargador, optou por ficar no Fórum Regional da Ilha do Governador, local onde reside, para dar melhor assistência ao filho.

9 xxxxxx Tem um filho de 4 anos que vai operar no dia 07/04/2015 e que necessitará de cuidados. Além disso, sua mãe também enfrenta graves problemas de saúde e também irá se submeter a uma cirurgia. xxxxxx Tem duas filhas e é o responsável por levá-las e buscá-las no colégio. Se tiver de se deslocar para outra comarca terá que gastar com passagens e condução escolar o que irá abalar o equilíbrio financeiro. O servidor também é portador de calcificação no bordo lateral da articulação coxo-femural direita, condição irreversível que quando inflamada ocasiona dores agudas e dificuldades para caminhar. xxxxxx- A servidora estava lotada no em Niterói e foi removida para Duque de Caxias, sendo que, no mesmo processo de remoção, outra servidora foi lotada na sua vaga em Niterói; logo, não há nenhum interesse público em sua remoção. xxxxx - O servidor é readaptado, sendo vedada a sua remoção. xxxxx Cuida do pai de 85 anos, que possui incontinência urinária. Precisa estar o máximo de tempo em casa. Os processos 2015.xxxx (remanejamento de lotação) e 2015.xxxx (redução de carga horária) atestam isso. xxxxx Teve a sua readaptação funcional definitiva mantida através do processo n 2010-xxxxx. Readaptado não pode ser removido. xxxxxxx Não é a mais nova servidora do cartório e não foi indicada pela magistrada. A servidora xxxxxxx prontificou-se a ir no seu lugar (processo n 2015.xxxx), sendo inexplicavelmente negado, o que não é nada razoável. Em novembro de 2014, precisou tirar licença médica para tratamento de saúde em pessoa da família, pois o seu marido sofreu infarto que deixou sequelas, dependendo de cuidados constantes da servidora. xxxxxx Possui deficiência auditiva, mora em Campo Grande e já leva 1h para chegar a Nilópolis, onde estava lotado até então. Para chegar a Belford Roxo, para onde foi removido, levará 2h30, tendo que pegar 3 conduções a um custo superior a R$ 400,00 (quatrocentos reais) por mês. Além disso, os horários tornariam muito difícil o comparecimento diário dentro da jornada obrigatória, já que teria de passar todos os dias mais de 5 horas em conduções, que atrasam com frequência, o que coloca o servidor em constante risco, ante a política de "fiscalização persecutória" da Corregedoria. xxxxx- Foi removida para Duque de Caxias, o que é inviável, pois de onde reside não há condução direta, o que a abrigaria a pegar 3 conduções. Em dezembro de 2014, há menos de 3 meses, mudouse para Botafogo, onde conseguiu alugar um imóvel (contrato de locação por um ano) por R$ 1.000,00 (mil reais) sendo certo que não irá conseguir outro por este valor. Requer o retorno ao cartório de origem (Ilha do Governador) ou, se for possível, para qualquer cartório do centro do Rio. Ademais, era a única digitadora que havia no seu cartório de origem. xxxxxx Sofreu AVC e por isso teve que ficar 10 meses de licença para poder recuperar os movimentos. Mudou-se para Itaipu para ficar próxima de sua irmã, que é profissional da área de saúde e presta os cuidados necessários à servidora. Não tem como trabalhar em local distante, pois passaria enorme tempo em trânsito, o que pode causar problemas em seu tratamento. xxxxxx - Possui quadro gravíssimo de instabilidade e emocional, com laudos que recomendam a readaptação da servidora e com recomendação expressa para que trabalhe perto de sua residência. Foi removida para Madureira. Visivelmente, não possui condições de trabalho na nova serventia. Toma remédios controlados pesados, cuja dosagem foi aumentada desde que soube da remoção.

10 Apresenta possibilidade de praticar ato radical e trágico. Quadro psiquiátrico grave, conforme laudos acostados. xxxxx - Já sofreu assédio moral e sexual no TJRJ, o que provocou forte abalo psicológico. É hipertensa, diabética e sofreu forte abalo psicológico com a remoção, por conta do histórico de perseguição de que foi vítima. Toma diversos remédios controlados (Valium, Lexotan, Roxetin, Exodus, Diovan etc). Não possui a menor estrutura psicológica para trabalhar em outra comarca. Ameaça pedir exoneração, fruto de desespero e da injustiça. Ademais, no dia seguinte à sua remoção para outra comarca, outro servidor foi removido para a sua vaga, o que mostra que a serventia precisa de servidor, comprovando que não há interesse público em seu deslocamento. xxxx - Cuida de uma tia com 67 anos, que reside em imóvel do servidor, localizado a 2km do fórum onde trabalha atualmente,. A tia é aposentada por invalidez, com apenas 5% de visão, dependendo completamente do servidor no dia a dia, no que diz respeito a medicamentos, compras, ida a consultas médicas e outras atividades do dia a dia que a mesma já não mais pode executar sozinha. A remoção para Duque de Caxias inviabilizaria por completo os necessários cuidados com a tia. xxxxx - Em que pese a remoção ter se dado dentro da mesma Comarca, situação em que o Sindicato, via de regra, não se manifesta por entender que isso pode ser necessário em nome do interesse público, este caso foge à normalidade. O servidor removido é lotado na Direção do Fórum, onde só há mais uma servidora e ainda auxilia o Proger, onde também só há uma servidora. Essas servidoras já têm tempo para aposentarem-se e encontram-se esgotadas físicas e mentalmente, prestando serviços além de suas forças. Com a retirada do servidor, por óbvio, cada uma delas não poderá sequer se ausentar para almoçar, ou fazer as suas necessidades, sob pena de terem de trancar o cartório, numa situação surreal. xxxxx - Removida para Duque de Caxias. Ela passou a residir, há menos de 3 meses, em local próximo à sua lotação de origem, por ser mãe solteira de uma criança de 3 anos, que depende unicamente da servidora, que não possui mãe viva e o pai mora em Vassouras; logo, a servidora é quem leva e busca a filha na escola todos os dias. Além disso, é professora, lecionando em sua comarca de origem, para complementar a renda, o que restaria inviabilizado por conta da distância, causando enorme prejuízo financeiro. xxxxxx - a servidora foi anteriormente removida por permuta para a Regional do Méier, perto de sua residência. Possui um filho de um ano e oito meses matriculado em creche a duas quadras do Fórum Regional. Com a remoção teve que proceder alteração no contrato de prestação de serviços com a creche de oito para dez horas, o que também acarretou aumento de despesas. Não obstante, em janeiro deste ano soube estar grávida. Ocorre, que em fevereiro seu nome foi indicado para constar na lista de remoções para o 4º NUR, sendo que a justificativa para tanto era de que no seu estado (gravidez) a mesma entraria com licença por longo período e que um dos critérios para a remoção seria a de "mulheres em idade fértil". No entanto, em exames posteriores, no final de fevereiro, constatou-se o óbito embrionário. Em suma, a servidor, além de perder o bebê que esperava, perdeu a lotação. xxxxx - Mora sozinha, com 2 filhos que precisa buscar e levar à escola todos os dias. Foi removida para Nova Iguaçu. Mora ao lado do fórum atual, o que permite trabalhar e cuidar dos filhos, já que é sozinha. A remoção para longe inviabiliza por completo a organização de sua vida e de sua família. E há vagas em sua comarca de origem. xxxxx - Morava no Rio. Agora mora no interior, em cidade distante 160 Km da Capital, porque ela e o marido, que também é servidor, Valter Naves, foram requisitados por dois Juízes. Acontece que a Corregedoria, depois de um mês e meio com seu processo, indeferiu o pedido do Juiz, alegando

11 que ninguém sai do 1 Nur. Entrou com recurso administrativo, até agora sem resposta. Foi convidada para exercer o cargo de Chefe de Serventia de outra Juíza também em Resende, que a nomeou desde 06/04. Ocorre que, trabalhando como chefe de serventia e exercendo todos os atos do cargo, recebeu um telefonema da Corregedoria, determinando que se apresentasse na 41 V. Cível.. O ofício da designação foi protocolizado em 06/04. O Juiz Auxiliar da Corregedoria, João Ferraz, ligou para a Juíza e disse que a magistrada estaria de conluio com a servidora. Foi extremamente grosseiro com a magistrada, sendo que ela argumentou que é direito dela nomear quem quiser para ser sua chefe de serventia, conforme prevê a lei, que a servidora já estava trabalhando no cargo e a queria lá. O juiz auxiliar disse que não queria saber e que tinha indeferido o pedido de designação da Juíza. Os dois filhos pequenos da servidora, com 5 e 7 anos, estudam na cidade em que ela reside, o que inviabiliza por completo a sua remoção. Como se vê, são situações graves, que foram comunicadas à Corregedoria, sem que houvesse solução, ressalvando-se 3 ou 4 casos desfeitos dentre as dezenas de injustiças cometidas contra a categoria. Ademais, nos demais casos que não envolvem situações de saúde, os servidores, igualmente, se sentem desmotivados e injustiçados por terem sido removidos para longe de suas famílias, o que merece pronto desfazimento. Pelo contrário, as remoções continuam, sendo publicados todos os dias novos atos que remetem para longe de suas casas e suas famílias dezenas de servidores que se esforçam para fazer deste o melhor Tribunal do país. 6) REALIZAÇÃO DE PERÍCIAS MÉDICAS SEM PREVISÃO LEGAL Não bastassem as atrocidades que vêm sendo cometidas contra a categoria e contra o próprio Tribunal, com desrespeito a servidores e magistrados, a Corregedoria, numa atitude ditatorial e sem qualquer fundamentação legal, vem exigindo que os servidores que estão de licença médica, mesmo dentro do prazo legal de 15 dias, submetam-se a perícias médicas, numa clara ameaça em que trata os servidores como pessoas desonestas, que simulam problemas de saúde. A categoria não teme perícia, mesmo porque é sabido por toda esta Casa o grau de adoecimento da categoria. No entanto, é flagrante o cunho persecutório de tal medida, pois revela que a Corregedoria não demonstra o menor respeito por aqueles que trabalham nesta Casa. Não há previsão legal para determinação de perícias antes de 15 dias. A Corregedoria não está acima da lei. A falta de conhecimento de seus afazeres tornou-se notório desde o início da gestão da atual equipe da Corregedoria, quando, na primeira semana, fizeram publicar ato esdrúxulo no site, comunicando aos servidores alterações no horário sem qualquer fundamentação legal, o que obrigou o Sind- Justiça a enviar ofício à Corregedoria, explicando quais eram os horários de trabalho no Tribunal (segue abaixo cópia do que encaminhamos): Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de À EXMA. CORREGEDORA GERAL DE JUSTIÇA Exma. Des. Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo C/C P/ EXMO. PRESIDENTE Des. Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho Exma. Corregedora,

12 O Sind-Justiça - Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, neste ato representado por seus diretores gerais Fred Barcellos, Alzimar Andrade e Ramon Carrera, vem expor e ao final requerer o que se segue. Causou surpresa a divulgação nesta data de aviso desta Corregedoria, cujo teor ora transcrevemos: "Conforme legislação referente ao tema, a Corregedora-Geral da Justiça, desembargadora Maria Augusta Vaz M. Figueiredo, reitera que o horário de expediente dos servidores deste Tribunal é das 11:00 às 19:00 horas, de segunda a sexta-feira, não sendo permitida qualquer forma de revezamento ou de redução da jornada injustificadamente, exceto os casos previstos em lei." Ocorre, Exa., que não é de conhecimento da categoria eventual "legislação referente ao tema" que reproduza a regra ora reiterada por V. Exa. Senão, vejamos: O Codjerj, cuja novel redação, dada pela Lei estadual 6956, de 13/01/2015, em seu artigo 68, prevê que "Continuam em vigor a Resolução nº 05, de 24 de março de 1977, e o Título III do Livro II da Resolução nº 01, de 21 de março de 1975, com as alterações posteriores, no que não conflitarem com a presente Lei ou até que sejam alterados por normas supervenientes". Ocorre que a redação anterior do Codjerj, não contrariada pelo novo texto, previa expressamente em seu artigo 230 que "O expediente forense será iniciado às 11:00 horas e encerrado às 18:00 horas". Melhor sorte não socorre a manutenção do Ato se consultarmos a legislação específica sobre o tema, a saber, a Consolidação Normativa da própria Corregedoria, que prevê, em seu artigo 153, que "As serventias judiciais funcionarão em todo o Estado, para atendimento ao público, das 11h às 18h, excetuando-se o regime especial dos Juizados Especiais e das Varas da Infância e da Juventude". Como se vê, o ato reiterado por V. Exa. não encontra eco em nenhuma legislação em vigor, do que se depreende que decorre de algum equívoco, que, não obstante não possuir respaldo legal, serviu para causar preocupação à categoria, tendo em vista que alguns chefes têm compreendido que o texto implica em que todos os servidores devem trabalhar das 11h às 19h, o que, absolutamente, não faria sentido. A confusa redação do Aviso não deixa claro se esta Corregedoria pretende modificar o horário para atendimento ao público ou o horário de trabalho dos servidores. De qualquer forma, as duas regras seriam fadadas ao fracasso pelos motivos abaixo: 1) Em alguns cartórios é absolutamente impossível que todos os colegas frequentem o local ao mesmo tempo, dada a notória falta de espaço, já que a primeira instância não usufrui das mesmas gigantescas metragens destinadas aos gabinetes da segunda instância e o pouco espaço de que dispõe ainda está abarrotado de processos pelo chão, mesas, paredes, corredores, etc. 2) Há cartórios com realidades singulares, como as varas de Infância e Juventude, que funcionam das 9h às 18h e os Juizados, que funcionam das 10h às 18h, o que não foi observado no referido aviso; 3) As funções de alguns servidores são melhor realizadas em horários pela manhã, como a conferência de custas e a digitação de mandados, por exemplo, que exigem, concentração e distância do ruído natural de um cartório cheio;

13 4) o Ato Normativo 15/2013 alterou o Ato Normativo 03/2009, fazendo constar que a jornada de trabalho da categoria é de 9h às 20h, exigindo-se pelo menos 70% de servidores no cartório entre 11h e 18h, o que não pode ser alterado por um ato sem número da Corregedoria, que pretende reiterar regra inexistente; 5) Os servidores são pessoas que têm suas vidas, compromissos, horários de filhos na escola, estudos e outras atividades sociais defendidas pela Constituição Federal como direito ao lazer a à vida privada, que ora se veem impedidas por este ato; 6) Por fim, acaso a intenção seja modificar o horário de atendimento ao público, lembramos que V. Exa. não pode fazê-lo por simples aviso, como se fez, já que se trata de matéria adstrita à reserva legal, regrada por artigo do Codjerj, conforme acima explicitado. Lamenta-se que, com a publicação deste aviso, esta E. Corregedoria recém-empossada tenha optado por um ato unilateral, sem consulta, sem diálogo e sem ouvir a categoria, o que ocorre pela segunda vez em dois dias, nos dois únicos atos baixados por esta Corregedoria, o que denota total desrespeito à categoria e prenuncia uma relação que será fadada ao fracasso, pautada na propositura de soluções equivocadas para se resolver problemas emergenciais ao se optar por ordens que são impraticáveis. Por fim, Exa., caso persista o ato, seremos obrigados a ingressar junto ao CNJ para questionarmos as regras e para que a Administração do Tribunal determine que as mesmas normas sejam destinadas aos magistrados, obrigando-os a frequentar o local de trabalho "das 11h às 19h, não sendo permitida qualquer forma de revezamento ou de redução de jornada injustificadamente..." tal qual se faz com os servidores, a menos que se reconheça oficialmente que os servidores, sozinhos, fazem esta Casa funcionar. Lamentamos, Exa., que esta Corregedoria, em início de gestão, esteja trilhando caminhos tortuosos de falta de diálogo e de imposição de regras draconianas para com os seus servidores, como se fossem estes os causadores da lentidão do judiciário e sem que se questione com igual rigor a magistratura, com os seus tradicionais e notórios sistemas TQQ (terça/quarta e quinta), seus horários totalmente flexíveis, suas faltas não justificadas e outros equívocos aos quais a Administração frequentemente faz vista grossa. A permanecer este ato equivocado, seremos obrigados a promover junto à categoria um sistema de vigilância junto à magistratura para que as regras sejam equivalentes, encaminhando ao CNJ e divulgando à população, DIARIAMENTE, os relatórios de trabalho de cada magistrado, inclusive da segunda instância, quanto á frequência destes ao trabalho e denunciando à população o real motivo pelo qual a justiça é lenta. É a presente, portanto, Exa., para requerer a V. Exa.: 1) Que explique a que "legislação referente ao tema" se refere no aviso; 2) Que explique se o que se pretende é a manutenção de um único horário de trabalho para todos, o que se sabe é inviável e redundará em travamento dos serviços; 3) Que seja anulado o referente aviso, respeitando-se a realidade de cada cartório, permitindo as necessárias flexibilizações, a fim de melhor se atender ao serviço público; 4) Que explique à categoria e à opinião pública se a obrigatoriedade de frequentar o local de trabalho "das 11h às 19h, não sendo permitida qualquer forma de revezamento ou de redução de

14 jornada injustificadamente" estender-se-á à magistratura, responsável por decidir e sentenciar, dando fim aos feitos que se avolumam, ou se é apenas para os servidores; 5) Que se observe o princípio da legalidade, não alterando regras legais por simples avisos; 6) Que V. Exa. dialogue; converse; ouça o Sindicato que representa a categoria e ouça os próprios servidores. Todos queremos o mesmo objetivo, que é prestar à população um serviço de excelência. mas não se consegue isso com tratamentos diferenciados e draconianos para a categoria, que só servem para trazer desmotivação e descontentamento. SIND-JUSTIÇA" REAÇÃO DOS SERVIDORES Desde que a atual gestão do tribunal tomou posse, vimos buscando o diálogo como forma de encontrarmos, juntos, soluções para os problemas do tribunal e, por consequência, dos magistrados e servidores, eis que somos dois lados da mesma moeda, porque, evidentemente, a justiça não funciona sem magistrados, tanto quanto não funciona sem servidores. Em relação à Presidência desta casa não temos qualquer reclamação, eis que o Presidente Luiz Fernando de Carvalho tem se mostrado justo em sua decisões e democrata no verdadeiro sentido da palavra, tratando a todos, magistrados e servidores, com o respeito que ambas as categorias merecem, jamais se furtando a receber os representantes da entidade sindical, o que não significa dizer sempre "sim", mas demonstra saber ouvir, exercendo de maneira digna o seu mister. Da mesma forma, os honrados juízes auxiliares da Presidência, que tratam o Sind-Justiça e a categoria com o devido respeito. No entanto, lamentavelmente, não encontramos na Exma. Corregedora e tampouco em seus juízes auxiliares qualquer possibilidade de conversa, eis que, nas pouquíssimas vezes em que se tentou, o resultado, invariavelmente, foi o não recebimento da entidade sindical e, quando recebida, o descumprimento da palavra empenhada pela Exma. Corregedora. Com a devida vênia, quem não cumpre palavra empenhada não merece credibilidade, tampouco confiança. E o respeito acontece como consequência natural destes dois atributos que andam faltando. Comunicamos a V. Exas. que vamos deflagrar nos próximos dias, junto aos servidores e à população, três campanhas simultâneas de esclarecimento: "VOCÊ SABIA QUE O JUIZ VAI GANHAR AINDA MAIS PELA PRODUTIVIDADE DO SERVIDOR?". Nesta campanha, esclareceremos à categoria e à população que, com a nova Lei Orgânica da Magistratura, o trabalho do servidor que processa o feito, despacha, decide e, como todos sabem, sentencia pelo magistrado, reverterá em prêmio somente para o magistrado, conforme prevê o imoral parágrafo 14 do artigo 103 da nova Loman, a saber: "O prêmio por produtividade será pago ao magistrado uma única vez por semestre, em janeiro e em agosto de cada ano, se, durante os seis meses anteriores, proferir, na média correspondente ao período, mais sentenças do que o número de processos recebidos mensalmente, e será correspondente a um subsídio mensal por semestre". Vamos explicar que a busca por este prêmio transformará todas as serventias em verdadeiros pelourinhos, em que os magistrados, com raríssimas exceções, arrancarão o couro dos servidores em busca de produtividade para ganharem os seus prêmios.

15 "ONDE ESTÁ O MAGISTRADO?" - Nesta campanha, vamos incentivar a categoria a informar diariamente os horários de chegada e saída de juízes e desembargadores de cada local de trabalho na primeira e segunda instâncias e vamos divulgar diariamente estes horários para a categoria e para a mídia através do nosso site. Um jornal já se interessou em divulgar as informações, a título de serviço à população. Se a Corregedoria quer fiscalização com rigor, ela terá, mas de forma justa, para todos, e não apenas para os servidores de cartório. Assim, todos os magistrados saberão como é ser vigiado todos os dias e como os servidores se sentem, sendo tratados como bandidos e desonestos pela Corregedoria o tempo todo. "VOCÊ SABE POR QUE O SEU PROCESSO JUDICIAL NÃO ANDA?" - Campanha direcionada diretamente à população, através de anúncios em jornal, rádio, TV, outdoor e busdoor com a pergunta acima, através da qual explicaremos à população que os servidores trabalham por si e pelos magistrados e que estes, muitas vezes, sequer comparecem ao fórum, o que prejudica o andamento processual. E que, apesar disso, servidores são ferozmente fiscalizados e perseguidos pela Corregedoria, causando adoecimentos que geram licenças médicas e desmotivação, prejudicando ainda mais o andamento processual, enquanto magistrados não sofrem qualquer fiscalização, mesmo se não comparecem ao trabalho, o que ocorre com impressionante frequência às segundas e sextas.as campanhas permanecerão até que sejam revertidas todas as remoções equivocadas, com os servidores sendo devolvidos às suas famílias e às suas comarcas, por não existir motivo que justifique este tratamento absurdo dispensado pela Corregedoria. PEDIDOS Como todas as tentativas de diálogo restaram frustradas, ante a intransigência e insensibilidade da Corregedora e seus juízes auxiliares, outra alternativa não nos restou senão apelar ao senso de justiça de V. Exas., no sentido de investigar as sérias denúncias apresentadas, para o que se requer as seguintes providências: 1) Que o E. Órgão Especial diligencie junto à Administração no sentido de viabilizar as necessárias convocações de concursados, em quantidade que faça cessar as remoções e colocações em auxílios compulsórios; 2) Que o E. Órgão Especial determine a imediata anulação de todos os atos de remoção arbitrária, por falta de critérios, ausência de fundamentações exigidas pela Constituição e pelo evidente prejuízo que estas remoções vêm causando à saúde dos servidores, com muitos afastados por licença médica por culpa do impacto de remoções para longe de casa e ainda colocando todos os demais servidores em pânico, com medo constante de serem removidos para longe, desestruturando vidas e famílias, além da inevitável queda na produtividade por conta do terror que se espalhou em todas as comarcas, o que se reflete em prejuízo ao andamento processual, causando danos à população; 3) Que o E. Órgão Especial determine a imediata cessação de decisões da Corregedoria que impliquem em encaminhar servidores com licenças médicas de até 15 dias para perícia médica, pois tal medida nazista revela mais uma faceta da linha de perseguição e punição imotivada implementada pela Exma. Corregedora e seus despreparados juízes auxiliares. 4) Que o E. Órgão Especial providencie a instauração de Processo Administrativo contra a Corregedora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo pelas denúncias de nepotismo, favorecimento e corporativismo por causa da proteção ao magistrado acusado de assédio sexual, pela nomeação da filha e da nora de uma Desembargadora para cargos de direção na

16 Corregedoria e pelo apadrinhamento de seu ex-estagiário, nomeando-o Diretor de área técnica especializada, para o qual não tem qualificação. 5) Que o E. Órgão Especial determine o imediato afastamento do juiz acusado de assédio sexual e moral. O magistrado foi favorecido por comunicação extra oficial da Corregedoria e beneficiado ainda por não ter sido afastado até o momento, mesmo transcorrido mais de um mês da denúncia. Com isso, vem pressionando as vítimas a mudarem o depoimento, mostrandose injustificável e inaceitável a permanência do mesmo na função diante das graves denúncias e tendo em vista o evidente favorecimento ao mesmo. Ademais, a juíza que realizou as oitivas demonstrou não ser idônea, ao sugerir às vítimas que se trata apenas de uma "simples cantada" o fato de o magistrado assediar suas estagiárias, o que é motivo de vergonha para a Casa da Justiça! Sendo o que tínhamos para o momento, agradecemos a atenção dispensada e desejamos a V. Exas. sinceros votos de uma profícua gestão, sempre com foco no uso racional dos recursos públicos, na melhoria da prestação jurisdicional e na efetiva valorização do servidor do Poder Judiciário. Informamos, outrossim, que estamos encaminhando cópia deste requerimento ao CNJ - Conselho Nacional de Justiça, para acompanhamento e apuração das denúncias. Atenciosamente, Alzimar Andrade Diretor Geral Ramon Carrera Diretor Geral Fred Barcellos Diretor Geral

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