PARECER CRM/MS N 11/2012 PROCESSO CONSULTA CRM-MS N 03 / 2012 ASSUNTO: Falta a plantão médico PARECERISTA: Conselheiro Faisal Augusto Alderete Esgaib

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1 PARECER CRM/MS N 11/2012 PROCESSO CONSULTA CRM-MS N 03 / 2012 ASSUNTO: Falta a plantão médico PARECERISTA: Conselheiro Faisal Augusto Alderete Esgaib EMENTA: O médico poderá faltar a um plantão preestabelecido, apenas em casos de justo impedimento. Cabe ao Chefe do Setor e ao Diretor Técnico, zelar pelo bom funcionamento dos plantões da instituição, principalmente nos setores de urgência/emergência. Nos casos de descumprimento, medidas éticas e/ou administrativas deverão ser tomadas, sem prejuízo da apuração penal ou civil eventual a que se está sujeito. CONSULTA Em 12/01/2012 o Diretor Clínico do HRMS encaminhou ofício a este CRM, solicitando orientação no sentido de como o profissional médico deve proceder em caso de ser impedido de comparecer ao plantão preestabelecido, considerando: que o hospital possui escala de plantões em urgências/emergências; que o art. 9 o. do CEM veda ao médico deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de um substituto, salvo por justo impedimento e finalmente considerando a relativa freqüência em que o profissional comunica que irá faltar ao plantão já muito próximo do horário do início do plantão (o que inevitavelmente sobrecarrega o colega que irá/iria sair do plantão). FUNDAMENTAÇÃO Código de Ética Médica: Art. 7º Deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, expondo a risco a vida de pacientes, mesmo respaldado por decisão majoritária da categoria. 1

2 Art. 8º Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado do atendimento de seus pacientes internados ou em estado grave. Art. 9º Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por justo impedimento. Parágrafo único. Na ausência de médico plantonista substituto, a direção técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a substituição. Art. 10. Acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a Medicina ou com profissionais ou instituições médicas nas quais se pratiquem atos ilícitos. Resolução CFM N /1991: que determina as atribuições dos Diretores Técnico e Clínico dos estabelecimentos de saúde: Artigo 1 o : Determinar que a prestação de assistência médica nas instituições públicas ou privadas é de responsabilidade do Diretor Técnico e do Diretor Clínico, os quais, no âmbito de suas respectivas atribuições, responderão perante o Conselho Regional de Medicina pelos descumprimentos dos princípios éticos, ou por deixar de assegurar condições técnicas de atendimento, sem prejuízo da apuração penal ou civil. Artigo 2 o.: São atribuições do Diretor Técnico: a) zelar pelo cumprimento das disposições legais e regulamentares em vigor; b) assegurar condições dignas de trabalho e os meios indispensáveis à prática médica, visando o melhor desempenho do Corpo Clínico e demais profissionais de saúde em benefício da população usuária do instituição; c) assegurar o pleno e autônomo funcionamento das Comissões de Ética Médica. Artigo 3 o.: São atribuições do Diretor Clínico: a) Diretor e coordenar o Corpo Clínico da instituição; supervisionar a execução das atividades de assistência médica da instituição; c) zelar pelo fiel cumprimento do Regimento Interno do Corpo Clínico da Instituição. Resolução CREMERS No. 01/2011: Art. 1 o. Constatada a ausência do médico plantonista substituto, o médico plantonista que finalizou seu horário de atendimento deve dar ciência do fato de imediato ao diretor técnico da instituição; 2

3 Art. 2 o.: A responsabilidade pela continuidade do atendimento médico de plantão é do diretor técnico, a quem cabe adotar as medidas necessárias para organizar a escala de plantão, inclusive com prévia designação de substitutos em situações de ausências, para que o atendimento seja prestado de forma ininterrupta em qualquer circunstância. Parecer No. 01/2000 CRMAL: a) Concluído o turno de trabalho de um médico plantonista, segundo escala previamente definida, ocorrendo a não chegada do seu substituto, o médico plantonista não poderá abandonar a sua função alegando que as leis trabalhistas não o obrigam a exceder a sua carga horária, uma vez que os pacientes, em nenhuma circunstância poderão ficar desassistidos. Além do mais, a falta de um colega de trabalho deve ser considerada uma excepcionalidade e, se não o for, caberá à direção do hospital tomar as providências administrativas cabíveis. PARECER Como podemos observar, a legislação vigente é clara no que diz respeito ao funcionamento dos setores de urgência/emergência, no tocante aos plantões médicos. De fato, o médico é um ser humano como qualquer outro, com virtudes e defeitos e com direitos e deveres. Bem sabemos que, por particularidades próprias da medicina, os deveres do médico são bastante rigorosos para consigo, se considerarmos que nos casos de descumprimento das suas atividades, sérias consequências poderiam advir. Quando um doente grave procura o setor de emergência e lá o médico não se encontra para atendê-lo, a vida certamente estará sob risco. Um médico pode adoecer; ele pode sofrer imprevistos sérios; pode ser que necessite socorrer um membro da sua família; pode sofrer acidentes, etc., configurando assim o justo impedimento para o não comparecimento ao plantão. Por outro lado, motivos considerados fúteis jamais devem levar o médico a faltar com seus compromissos, porque além de poder gerar problemas para a vida dos pacientes, 3

4 desestrutura o andamento dos trabalhos da instituição e sobrecarrega os colegas que lá estão cumprindo com seus deveres. Toda Casa de Saúde tem seu Regimento Interno, onde deve constar detalhadamente as responsabilidades e atribuições de cada membro do seu Corpo Clínico. Ai estará escrito como deve funcionar o atendimento tanto nos setores de internação, cirurgia, UTI, pronto socorro, etc. e ainda a maneira como será gerenciado cada setor e a hierarquia dos seus membros. É norma que cada setor tenha uma chefia específica, encarregada de organizar a sua área respectiva, com as devidas escalas de trabalho. Ainda acima dele estará o Diretor Técnico, quem em última análise é o responsável em dirimir dúvidas ou impasses de última hora e de fazer com que a instituição trabalhe com todo o seu potencial, visando sempre o melhor para os pacientes. Se eventualmente um médico plantonista faltar, imediatamente deverá ser providenciado um substituto, dever que compete à instituição (pois é ela quem presta os serviços) e não ao médico. Para que assim ocorra, a casa poderá: a)contratar médicos de sobreaviso, alcançáveis a qualquer momento que se torne necessário; b) solicitar para que algum membro do seu corpo clínico compareça no setor, sem prejuízo dos honorários devidos; c) chefes dos setores realizar a cobertura do médico faltante; d) especificar no seu regimento interno outras medidas que entender adequadas, etc., nada impedindo que a título de coleguismo, o próprio plantonista faltante tente entrar em contato com outro colega, solicitando assim a sua ajuda no sentido de cobrir a falta. Finalmente, o plantonista que faltou tem a obrigação de comunicar e justificar o motivo da sua ausência em prazo coerente com a situação e a chefia imediata deverá analisar o caso, concluindo se as alegações são ou não procedentes. Todos os membros da equipe deverão comunicar sobre irregularidades que tiverem conhecimento a respeito dos procederes dos seus pares, sempre com o intuito de preservar o bom cumprimento do Regimento Interno e do Código de Ética Médica, evitando assim cumplicidade com aquilo que fere o bom conceito da medicina. 4

5 CONCLUSÃO O médico somente poderá faltar aos plantões de urgência e emergência nos casos de justo impedimento. Se assim não proceder, estará sujeito às penalidades cabíveis, tanto na esfera ética e administrativa, sem prejuízo da apuração penal ou cível eventual. Cabe à instituição, na figura da chefia imediata e do Diretor Técnico providenciar os meios para que os atendimentos não sofram interrupções e para que o andamento dos setores se processe de forma correta e adequada, visando o bem estar dos pacientes, preservando assim os bens mais valiosos do ser humano: a saúde e a vida. É o parecer, s.m.j. Ponta Porã, 20 de março de 2012 Faisal Augusto Alderete Esgaib Conselheiro Parecerista Parecer Aprovado na Sessão Plenária

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