PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ESTRATÉGIA E PLANEJAMENTO DA CONSERVAÇÃO DA ÁGUA

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1 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ESTRATÉGIA E PLANEJAMENTO DA CONSERVAÇÃO DA ÁGUA - Escolha dos métodos e práticas de conservação. Práticas Vegetativas Práticas Edáficas Práticas Mecânicas

2 PRÁTICAS VEGETATIVAS - Florestamento e reflorestamento - Plantas de cobertura; adubação verde Crotalária júncea florescida no campo. /Crotalaria/Crotalaria.htm. - Cobertura morta Cobertura morta em plantio direto de soja.

3 - Combinação de culturas Sistema agroflorestal envolvendo pinus, erva-mate e soja aos dois anos e meio após a implantação. - Rotação de culturas: É uma prática já bastante difundida principalmente para que os nutrientes do solo se recomponham. Propicia uma maior cobertura, melhora as condições físicas do solo, reduz a erosão e enxurrada desde que a área em descanso esteja recoberta por uma vegetação rasteira para que a água da chuva não impacte o solo desnudo. Colheita de soja seguida de plantio de milho em Sorriso (MT). org.br/foto. Créditos: Grupo Pinesso.

4 - Manejo de pastagem / Controle de pastoreio : Consiste em retirar o gado de uma pastagem quando as plantas ainda recobrem toda área. O pasto mal conduzido, pelo contrário, torna-se uma das maiores causas de degradação de terras agrícolas. Pastagem exaurida e degradada.

5 - Ressemeio: Prática usada em pastagem para repovoar as áreas descobertas, protegendo o solo da erosão por impacto. - Ceifa do mato: Prática usada em fruticultura em que capinas são substituídas por ceifa, permanecendo o sistema radicular que aumenta a resistência à desagregação do solo. - Manejo do mato e alternância de capinas: É a prática usada em fruticultura, em que linhas de plantas niveladas são capinadas alternadamente, criando obstáculos ao escoamento superficial.

6 Quebra-vento e Bosque sombreador: Quebra-ventos arbóreos são barreiras constituídas de renques de árvores dispostos em direção perpendicular aos ventos dominantes com a finalidade de reduzir a velocidade do vento e, em maciços no meio do pasto, como Bosque sombreador, melhorando as condições ambientais para o desenvolvimento das culturas e da pecuária. Diferentes situações de emprego de quebra-vento e bosque sombreador em pastagem. Diferentes situações de emprego de Quebra-vento e Bosque sombreador em pastagem

7 Plantio em faixa de retenção / Cordões de vegetação permanente: são fileiras de plantas perenes de crescimento denso, de largura específica, dispostas em contorno e niveladas entre faixas de rotação. Plantas mais utilizadas: cana-de-açúcar, capim-vetiver, erva-cidreira, capimgordura, capim elefante, etc. São utilizados em áreas com acentuada inclinação, profundidade rasa e dificuldade de usar moto-mecanização pela existência de pedras na superfície do solo. Estes cordões são pequenos terraços de base estreita, demarcados em nível ou desnível, com capim plantado sobre o camalhão. Diminui em até 80% as perdas de terra e adubo. Cordões de vegetação permanente.

8 PRÁTICAS EDÁFICAS - Cultivo de acordo com a capacidade de uso do solo: as terras devem ser utilizadas em função da sua aptidão agrícola, que pressupõe a disposição adequada de florestas/reservas, cultivos perenes, cultivos anuais, pastagens, etc, racionalizando, assim, o aproveitamento do potencial das áreas e sua conservação. - Adubação (verde, química e orgânica) e Calagem: como parte de uma agricultura racional, estas práticas proporcionam melhoramento do sistema solo, no sentido de se dispor de uma plantação mais produtiva e protetora das áreas agrícolas. No interior do solo, se dá um enriquecimento em matéria orgânica, tornando-o poroso, capaz de absorver e reter grande quantidade de água e, além disso, a decomposição das raízes das plantas forma galerias no solo, aumentando a infiltração da água, melhorando a estrutura do solo pela adição de matéria orgânica, contribuindo assim, para a retenção de água e diminuição da velocidade de escoamento da enxurrada pelo aumento do atrito na superfície.

9 Uso criterioso do fogo: o fogo, apesar de ser uma das maneiras mais fáceis e econômicas de limpar o terreno, quando aplicado indiscriminadamente é um dos principais fatores de degradação do solo e do ambiente. Assim, em condições em que o uso dessa prática é indispensável, por falta de estrutura, recurso financeiro ou outras razões, a queima de forma controlada e criteriosa deve diminuir os efeitos negativos intrínsecos dessa antiga prática agrícola. Efeito da queimada de restos de cultura. Fonte: Sec07/Sec_07_03.htm.

10 PRÁTICAS MECÂNICAS Preparo do solo, plantio e práticas mecanizadas executadas em curva de nível: É a primeira medida a ser adotada e uma das mais simples e de grande eficiência. Neste método todas as operações de preparo do terreno, balizamento, semeadura, etc, são realizadas em curva de nível. No cultivo em nível ou contorno ocorre a formação de pequenos camalhões sobre o terreno que, juntamente com o cultivo, servirá de obstáculo à formação de escorrimento, retardando o fluxo, incrementando a infiltração da água no solo. Este pode ser considerado um dos princípios básicos, constituindo-se em uma das medidas mais eficientes na conservação da água e solo Plantio e práticas culturais mecanizadas (colheita) executadas em curva de nível.

11 Cultivo mínimo: É o uso minimizado de máquinas agrícolas sobre o solo, com a finalidade de menor revolvimento e compactação. Carreadores e estradas planejadas: A distribuição racional dos caminhos pressupõe colocá-los, ao máximo do sentido do contorno fazendo-os funcionarem como verdadeiros terraços, ajudando a defender as culturas contra erosão. Planeja-se também um menor numero possível de carreadores em pendente, que fazem ligação entre os nivelados. O planejamento dessas vias deve ser feito juntamente com do sistema de terraços, buscando-se possibilitar acesso a todas a áreas de produção, durante todo o ano. Plantio direto: É a implantação de uma cultura diretamente sobre a resteva de outra, com a finalidade de manter o solo coberto, evitando o impacto da gota da chuva. Cobertura morta em sistema de plantio direto de milho.

12 Terraceamento: Os terraços são sulcos ou valas construídas transversalmente à direção do maior declive, com a função de controlar a erosão e aumentar a penetração da água no solo. Os objetivos dos terraços são: 1. Diminuir a velocidade e volume da enxurrada. 2. Diminuir as perdas de solo, sementes e adubos. 3. Aumentar a infiltração de água aumentando a umidade no solo e a recarga da água subterrânea. 4. Reduzir o pico de descarga dos cursos d água. 5. Amenizar a topografia e melhorar as condições de mecanização das áreas agrícolas. O terraceamento (exige investimentos), deve ser usado apenas quando não é possível controlar a erosão em níveis satisfatórios com a adoção de outras práticas mais simples de conservação do solo. No entanto, o terraceamento é fundamental em locais onde é comum a ocorrência de chuvas cuja intensidade e volume superam a capacidade de infiltração da água do solo e onde outras práticas conservacionistas são insuficientes para controlar a enxurrada. Terraceamento em área declivosa.

13 A D B C E Cordões de contorno, localizado na parte alta da encosta, construído com arado de tração animal. A terra é deixada abaixo da vala, dando uma forma de camalhão, para aumentar a eficiência na contenção das águas. (B e C) Detalhe do Cordão de contorno seco e após uma chuva, respectivamente; (D e E) Cordões de contorno, após uma chuva e secos, respectivamente, construídos em encosta íngreme de pastagem.

14 Bacias de retenção ou Caixas de captação Como os terraços em desnível não têm a capacidade e nem a função de reter toda a água escoada, mas sim de transportá-la em segurança, o uso de bacias de retenção ou caixas de captação nas extremidades torna-se necessário para o armazenamento da enxurrada. São buracos construídos no final dos terraços, cordões de contorno, etc, e, também, às margens de estradas e carreadores, que tem a função de receber o fluxo infiltrá-lo lentamente, no seu fundo ou liberá-lo gradativamente, para os desaguadouros ou caixas de recepção, em seqüência. A C B D (A e B) da construção e a caixa de captação terminada e; (C e D) caixas de captação em seqüência, secas e inundadas.

15 Canais escoadouros ou canais de deságüe vegetados Há, ainda, situações em que a água da enxurrada dos terraços pode escoar pelas laterais da área dispensando as bacias de retenção sendo substituídas por canais escoadouros ou canais de deságüe vegetados. São estruturas naturais (depressões) ou especialmente construídas e localizadas, protegidas por vegetação nativa, com dimensão suficiente para conduzi o fluxo coletado até as partes baixas do terreno, sem perigo de erosão em seu leito. Normalmente procura-se aproveitar as depressões naturais, áreas de pasto ou bordas de matos, bosques ou zonas arbustivas. Essas estruturas são muito usadas em associação com curvas em desnível para regiões de baixa infiltração. Outras estruturas de dissipação de energia da enxurrada Por fim, para o recebimento da enxurrada dos terraços podem ser utilizadas outras estruturas de dissipação de energia da enxurrada, como pré-moldados criando uma escada de dissipação, etc. Convém ressaltar que os custos totais poderão ser bem mais elevados, ficando a decisão ser embasada pela orientação do profissional da área.

16 Subsolagem: É o rompimento de compactação sub-superficial. Quebra-se a camada profunda adensada (pé de arado ou de grade), com a finalidade de aumentar a permeabilidade do solo. Subsolagem com implemento de três hastes. agricola01_v7n3.pdf. Escarificação: É o uso do escarificador no preparo reduzido do solo, quebrando a camada densa superior e formando rugosidade superficial.

17 Estruturas de contenção de Voçorocas Voçorocas são sulcos de erosão de grandes dimensões cuja recuperação, na maioria das vezes, é um processo lento e oneroso devendo-se recorrer à uma associação de procedimentos práticos, tais como: - o fechamento da área, - construção de um canal divergente na cabeceira ou cordões de contorno, - suavização dos taludes, - implantação de vegetação protetora e - construção de paliçadas dentro e fora da Voçoroca, transversal ao curso da água.

18 Segundo O isolamento da área no contorno da voçoroca, visa evitar-se pastoreio de animais com cerca de arame, construção de aceiros contra queimadas, construção de um cordão de contorno na cabeceira e reflorestamento, principalmente da parte a cima da voçoroca são as primeiras atividades a serem realizadas. Para o reflorestamento no contorno e dentro da voçoroca, tem-se constatado que utilizando leguminosas de rápido crescimento inoculadas com microrganismos, a cobertura florestal da área pode ocorrer em cerca de 3 a 5 anos, passando a atuar de forma significativa no controle da erosão. Tanto dentro como fora das voçorocas, as paliçadas têm a função de quebrar a força da enxurrada e reter os sedimentos. Devem ser construídas com materiais de baixo custo e facilmente disponíveis como bambu, pneus usados e sacos de ráfia. Para uma boa eficiência destas estruturas, deve-se escolher local que apresente barrancos firmes e estáveis para que venha suportar a força que será exercida nas paliçadas através da enxurrada.

19 Em seguida, se deve fazer canaletas tanto nas paredes laterais quanto no leito da voçoroca, de maneira que a paliçada fique bem encaixada sem deixar brechas para a passagem da água. A distância entre uma canaleta e outra indica o tamanho em que se deve cortar os bambus. Dentro da voçoroca, a importância das paliçadas está na retenção dos sedimentos que saem da voçoroca, diminuindo o assoreamento, de fontes e corpos d'água assim como danos às residências situadas abaixo. Para a montagem da paliçada, deve-se antes fincar estacas a cada metro de distância, onde os bambus serão empilhados e amarrados com arame. No caso de paliçadas de pneus, esses devem ser vestidos nas estacas, e posteriormente, enchidos com terra. As estacas podem ser do mesmo material, ou seja, estacas de bambu. Finalmente, colocar os sacos de ráfia abertos e amarrados nos bambus ou pneus cobrindo toda paliçada. Em relação à distância e altura das paliçadas, obtêm-se bons resultados utilizando espaçamento de 5 m entre uma paliçada e outra e com altura de 1 a 1,20 m.

20 C A B D (A) Planejamento das linhas dos cordões de contôrno; (B e C) Paliçadas para contenção do fluxo da voçoroca, instaladas dentro delas;das (D) Paliçadas de bambu vedadas sacos de ráfia. (A) Planejamento linhas dos cordões decom contôrno; (B e C) Paliçadas para e contenção do fluxo da voçoroca, instaladas dentro delas; (D) Paliçadas de bambu vedadas com sacos de ráfia. e

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