ANEXO AULA 12: CONSERVAÇÃO DO SOLO NA AGROECOLOGIA

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1 ANEXO AULA 12: CONSERVAÇÃO DO SOLO NA AGROECOLOGIA NESTA AULA SERÁ ABORDADO Importância de conservar o solo e sua influência sobre as plantas As formas e métodos de conservação do terreno Como combater a erosão Uso adequado dos solos 1. IMPORTÂNCIA EM CONSERVAR O SOLO Na agricultura ecológica, o produtor deve estar consciente do patrimônio que constitui o solo, empenhando-se pela constante preservação e melhoria das suas condições, como aumento da fertilidade, teor de matéria orgânica, microrganismos, etc. Além destes cuidados, são necessárias medidas de proteção contra as erosões, adotando medidas que venham dar proteção ao solo contra o impacto das gotas e que melhorem sua capacidade de retenção de umidade. As perdas por erosão são determinadas por vários fatores, dentre os quais estão o tipo de solo, sistema de preparo, tipo de cultura, rotação e as medidas conservacionistas adotadas. 2. PLANTIOS QUE DÃO PROTEÇÃO AO SOLO O tipo de solo e de culturas influenciam no grau de erosão do solo. Desta forma, a cultura do algodão pode causar perdas de 27,6 t/ha de terra num solo arenoso e 15,7 t/ha num solo argiloso. No caso do milho, as perdas serão menores: 16,6 t/ha de t/ha de terra no arenoso e 8,0 t/ha no solo argiloso. Por esta razão, são apregoados no sistema orgânico o plantio em faixas ou consorciação de plantas com maior e menor resistência à erosão.

2 EFEITO DAS CHUVAS SOBRE TERRENO NÃO PROTEGIDOS Erosão: terra e nutrientes são arrastados pelas águas das chuvas maior que 5% Declividade do terreno Em terrenos muito inclinados, com declividades superiores a 5%, para evitar a erosão e aumentar o armazenamento das águas das chuvas, é indispensável adotar o terraceamento e o estabelecimento de cordões de gramíneas de raizes fortes, como a cana-de-açucar, que oferecem maior resistência às enxurradas. DECLIVIDADE 2 a 5% FEIJÃO MILHO FEIJÃO desnível MILHO Nos solos pouco inclinados, é recomendado o preparo do solo, plantio e cultivo em contorno, ou seja em curvas de nível, efetuando-se o plantio em sulcos que acompanham as linhas de nível do terreno. Também o sistema de plantio em faixas alternadas, intercalando culturas mais resistentes à erosão, como milho, oferece vantagens contra as perdas de solo. Nos anos seguintes deve-se fazer a rotação das áreas de cultivo. A instalação de cordões vegetativos, de 2 a 3 metros de culturas mais resistentes á erosão, como cana-de-açucar, napier, erva cidreira ou leucena, constitui uma alternativa viável, principalmente quando há exploração pecuária, podendo fazer o corte de forragens para os animais. O consorcio de cereais e leguminosas é também recomendado, pela proteção ao solo, diversificação das áreas, redução do ataque de insetos e patógenos.

3 EXEMPLOS DE CONSORCIAÇÃO DE CEREAIS: Milho X Feijão depois da colheita do feijão, planta-se a mucuna cinza Milho X Feijão de porco, mais tarde planta-se mucuna preta. Milho X Crotalária juncea: aduba e melhora a produtividade do milho Milho X Vigna unguiculata Milho safrinha X Mucuna cinza. Arroz X Calopogônio ou Guandú Girassol (para sementes) X Feijão comprido (vinco) Nos solos pouco inclinados, é recomendado o preparo do solo, plantio e cultivo em contorno, ou seja em curvas de nível, efetuando-se o plantio em sulcos que acompanham as linhas de nível do terreno.

4 3. PREPARO DE SOLO CONSERVACIONISTA Um preparo do solo pode provocar maior ou menor desagregação das partículas do solo, afetando as perdas de solo e água. Num solo médio, duas arações podem provocar a perda de 14,6 t/ha de terra; uma aração 12,0 t/ha/solo e quando empregado o arado escarificador ou subsolador (arado de sub-superfície) a perda de terra foi de 8,6 t/ha, na cultura do milho CONSERVAÇÃO DO SOLO COM A MATÉRIA ORGÂNICA É fato comprovado que a incorporação da matéria orgânica aumenta a resistência do solo à erosão. Os resultados obtidos com o sistema de plantio direto de cereais sobre a palha, mostram da maior vantagem de deixar os restos culturais na superfície, ao invés de enterrá-los. É também certo que quando se realiza a queima dos restos de cultura, há sensível aumento das perdas de solo e de água. Quanto às perdas em solos com palhas, pesquisas feitas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC- Krug et all,1966), em médias de 16 anos, dão as seguintes informações: Palha queimada: 20,2 t/ha de terra e 8,0% de águas perdidas. Palha enterrrada: 13,8 t/ha de terra e 5,8% de águas perdidas. Palha de milho sobre a superfície do solo+ adubação verde consorciada: 6,5 t/ha terra e 2,5 % águas perdidas. Palha de milho sobre a superfície do solo + esterco: 4,2 t/ha de terra e 2,6% de águas perdidas. Verificou-se também que o efeito da palha sobre a superfície em relação àquela que é enterrada, pode ser avaliado uma redução de 67% em perdas de terra e 64% em perdas de água. Grau de erosão: Os solos podem sofrer graves danos pela ação das águas, com arrastamento de terra, degradando o solo. Estas erosões são conhecidas por: laminares (quando arrastamento superficial da terra), em sulco (na forma de estrias no terreno) e voçorocas, todas causando sérios prejuízos para o uso e preservação dos solos. Um solo com elevado grau de erosão, deverá ser recuperado antes do seu emprego agrícola, com práticas de conservação do solo e plantio de adubos verdes

5 2.5. Métodos para combater a erosão No planejamento do plantio várias medidas ou sistemas de plantio poderão ser adotados visando evitar a erosão do solo e também manter a sua fertilidade. Para isso, de acordo como o tipo de cultura anual ou perene, diferentes medidas preventivas deverão ser adotadas. No caso de culturas anuais, poderão ser adotados a plantação em contorno; culturas em faixas, terraceamento e sistema conjugado. Em plantas perenes, há três processos generalizados, que são: plantio em nível; terraceamento e cordões em contorno. Plantio em contorno: É também chamado de plantio em nível, é o sistema de plantio nas linhas de nível ou contorno do terreno, respeitando os acidentes naturais, empregado tanto para cultivos anuais como para perenes. Para a determinação do nível do terreno, pode-se utilizar aparelhos de precisão, nível de borracha, triângulo e outros. Há outros dois sistemas generalizados, que não são indicados, principalmente na agricultura orgânica, que são o plantio declive abaixo e o plantio em linha reta, cortando o declive. Culturas em faixas: Consiste em dividir a área em diversas faixas e em cada uma delas fazer o plantio de uma determinada espécie de planta. Quanto a este sistema, há dois casos a considerar: a) Faixas em rotação: Consiste em efetuar a rotação dos cultivos dispostos nas faixas. Neste caso, as faixas acompanham o nível do terreno e cada uma é ocupada por uma cultura. Nos cultivos seguintes as culturas ocupam a faixa da outra. As vantagens deste sistema são muitos, pois proporcionam maior aproveitamento do nutrientes do solo, pelas diferentes extensões radicular, controle da erosão e biodiversidade de cultivo. b) Faixas de retenção: Este sistema está baseado na diferença de vegetação e resistencia das plantas à erosão. Assim quando vamos implantar culturas fácilmente erodíveis, como algodão, feijão mandioca, mamona e outras, devemos intercalar faixas de uma ou mais culturas com espaçamentos menores, como o arroz, adubos verdes, milho, etc. O processo consiste em colocar entre as faixas de cultivos susceptíveis, culturas comerciais mais resistentes, com espaçamento denso, podendo ser até plantas semipermanentes ou permanentes, caso da cana de açúcar, adubos verdes e outras. Convém aliar as faixas de rotação às faixas de retenção, como forma de maior proteção do solo. Este sistema funciona bem até declives de 6%, sendo que nos superiores deve-se adotar maiores medidas, como o terraceamento. Cordões de retenção: Consiste em intercalar as faixas de cultivos comerciais facilmente erodíveis, com faixas estreitas de uma planta resistente á erosão como cana de açucar, erva cidreira, capim elefante, etc. A largura deste cordão de retenção poderá ser de 2 a 4 metros, podendo ser plantas semi-permanentes ou permanentes. Por exemplo, a área de cultivo do algodão, poderá ser protegido por cordões de retenção de cana de açucar.

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7 Drenagem do terreno: É uma prática recomendado para terrenos que retém excesso de umidade no solo, se apresentando encharcados, como as várzeas. No terreno plano ou levemente inclinado (0 a 2,0%) deve ser feito o estudo do sistema de drenagem, de forma a permitir bom escoamento das águas das chuvas, mesmo com chuvas fortes de muitos dias. É necessário que ocorra um rápido escoamento do excesso e volte ao teor normal de água no solo, isto é, em condições da capacidade de campo, em poucos dias. Segundo Manica (1997), deve-se evitar o excesso de água na região das raízes das plantas e que o lençol freático fique a menos que um metro da superfície do solo.

8 No caso de declividades 0,1 a 2,0%, recomenda-se o plantio em níveis elevados do solo, isto é em camanhões (fruteiras) ou canteiros (hortaliças), para melhor arejamento das raízes. Terraceamento (Construção de terraços): Compreende a construção de uma série de diques, chamado de terraços, no sentido perpendicular ao terreno, para proteção contra a erosão do solo. Geralmente em terrenos de 2 a 5% são dispensáveis os terraços, bastando plantio em níveis, a proteção do terreno e um bom sistema de escoamento pelas estradas e carreadores. Este procedimento deve ser decidido em função da estrutura e textura do terreno. Para terrenos com declividade variando de 5 a 18% é indispensável a marcação e a construção de terraços, com gradientes de 0,5 a 1,0%, para permitir o bom escoamento do excesso de águas, adotando também outras medidas como: plantio em nível, cordões de retenção, etc. Sistemas conjugados: Em áreas com mais de 6% de declive, é recomendável adotar um sistema conjugado de medidas, com terraceamento, cultivo em faixa e outros, para proteção do terreno, evitar perdas de terra e da fertilidade do solo. Pastagens e Reflorestamento: No caso de terrenos desgastados, com declives muito fortes, acima de 18%, convém transformá-lo em pastagens ou reflorestamento, como melhor maneira de evitar enxurradas e a erosão.

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