REFLETINDO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE DO SONO ¹ Conceição, D.²; Feltrin, J.²; Gracioli, M.³; Moro, A.²; Oliveira, D.²; Pereira, S.²; Rodrigues, A.² 1-Trabalho de pesquisa-unifra 2-Acadêmicos do curso de enfermagem do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3-Professora, Enfermeira do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Franciscano - UNIFRA. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina E-mail: daniellalc@hotmail.com, julianefeltrin@hotmail.com, Michelle@unifra.br, drika_subeldia@hotmail.com, danienfermeiro@hotmail.com, monnibar@yahoo.com.br, alessandrarodrigues_ale@hotmail.com. RESUMO O ensaio reflexivo foi à configuração selecionada para subsidiar esse estudo. O sono quando efetivado em sua devida forma, ocorre no organismo fenômenos benéficos e naturais como a síntese de proteínas, a diminuição do cansaço físico, a produção de alguns hormônios como a melatonina conhecida como o hormônio do sono, a síntese de cortisol e do hormônio do crescimento, entre outros. Ao longo do sono, passa-se por alguma fases, sendo a última delas a fase REM (rapid eyes moviment) que acontece no final de cada ciclo de 90 minutos e ocupa cerca de 20% do tempo de sono. Na ausência do sono, vários problemas são acarretados e relacionados à falta de sono em curto prazo e em longo prazo. Problemas podem ocorrer na falta de sono a curto prazo, como a sonolência durante o dia, o cansaço, as alterações de humor, a falta de memória e a lentidão do raciocínio.já, a carência do sono a longo prazo pode desencadear sinais e sintomas de envelhecimento precoce, de ausência no vigor físico, da perda crônica da memória, de diabetes, de obesidade e do comprometimento do sistema imunológico. Para bem de evitar os problemas citados anteriormente algumas indicações e cuidados são mencionados como: evitar alimentos e bebidas ricos em cafeína, ter horários definidos para dormir, estar relaxado e preferir um ambiente com baixa luminosidade.dormir bem é essencial não apenas para ficar acordado no dia seguinte, mas, para se manter saudável, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a longevidade. Nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono. Palavras Chaves: Sono, Enfermagem, Cuidado INTRODUÇÃO O sono, além de uma necessidade física, também é uma necessidade fisiológica, uma etapa da jornada diária que não deve ser desconsiderada, uma vez que essa fase apresenta benefícios quando mantida. Estudos relacionados a essa temática já eram mencionados desde o período antes de Cristo, mais precisamente no século VI, por Alcmenon e Craton, os quais relatavam as primeiras teorias relacionando o sono a processos funcionais orgânico. Aristóteles também desenvolveu teorias relacionadas ao sono e o considerou como uma necessidade do organismo, pois acreditava que sua maior duração era na infância, nessa mesma época era mencionado que o centro sensorial e de movimento provinha do coração, frente a isso as teorias eram elaboradas visando outros sistemas que não o nervoso (REIMÃO E DIAMENT, 1985). Os mesmos autores citados anteriormente salientam que no decorrer dos tempos Aserinsky e Kleitman descreveram o sono REM (rapid eyes moviment), em 1953, através de métodos hoje vistos como pouco convencionais, como a eletroencefalografia. Já na década de 60 houve algumas demonstrações de ligações do sono REM com sonhos, este acontecimento firmou os laços entre a neurofisiologia e a psicologia, complementando a história e a evolução dos achados sobre o sono na década de 70, com o tema mais aprofundado, os laboratórios de sono se proliferaram ajudando a desenvolver teorias descritas nos dias atuais. No decorrer do sono, em nosso organismo, acontecem alguns fenômenos dentre eles a produção de alguns hormônios como a melatonina, conhecida como o hormônio do sono, o cortisol e 1
o hormônio do crescimento, entre outros. É nele também que ocorre a síntese de proteínas (por esse motivo o cansaço produzido ao longo do dia desaparece), além de o corpo e a mente passarem pelas chamadas fases do sono (BRUM, 2003). Durante as vivências do cotidiano se escuta as pessoas verbalizarem que para se ter uma boa saúde é necessário dormir no mínimo oito horas diariamente, todavia essa teoria está ultrapassada, pois existem as variações fisio-anatômicas específicas de cada ser humano, sendo assim, cada pessoa têm sua necessidade particular de horas de sono diária. Estudos atuais realizados por Shigueo Yonekura (2007) descrevem que à medida que o tempo vai passando, as pessoas costumam dormir menos horas diárias. O recém-nascido chega a dormir dezoito horas diárias, uma criança com aproximadamente 10 anos dorme em média nove horas diárias, com 20 anos cerca de oito horas, entre 40 e 50 anos sete horas e acima dos 60 anos essa quantidade de horas diárias de sono costuma ser menor ainda. Os estudiosos supracitados colocam que os sonhos também diminuem com o passar dos anos. Um adulto costuma sonhar 20% do tempo em que ele dorme, uma pessoa com 60 anos ou mais sonha apenas 10%. Nós, humanos, sonhamos de três a quatro vezes por noite, embora nem sempre lembremos o sonho. Porém, independente da idade e condições do sono, sabemos que um sono de qualidade não apenas contribui para uma melhor saúde como também contribui para uma melhor qualidade de vida. O sono (inconsciência fisiológica) apresenta-se habitualmente à noite, ou seja, quando a luminosidade ambiental é muito reduzida ou ausente. Atualmente acredita-se que faz parte de um ciclo rítmico, coordenado por um relógio biológico próprio do sistema nervoso central (DEITOS, 1999). Verificou-se em 1999, com fundamentos sólidos, que o sono é um processo de conservação de energia, assim é possível mantém o equilíbrio térmico do organismo, reorganizar e armazenar as informações durante a vigília tornando-a compatível com o programa genético e com o adquirido pela experiência, todavia é importância destacar que durante o sono descansamos, sonhamos com acontecimentos alegres ou tristes do cotidiano, os quais muitas vezes remetem a reflexões passadas. Muller e Guimarães (1999), colocam que as características de um distúrbio de sono se desdobram em pelo menos 3 níveis que afetam a qualidade de vida da pessoa acometida, tais como: no 1º nível estão as variáveis proximais e biológicas que trazem conseqüências imediatas ao organismo e incluem alterações fisiológicas como fadiga, cansaço,alterações de memória, entre outros; o 2º nível destaca as variáveis mediais ou funcionais, secundárias às conseqüências proximais que são observadas a médio prazo, estas apresentam complicações nas atividades do dia a dia; já no 3º nível estão as variáveis distais ou extensivas, observadas em longo prazo, como um segundo desdobramento dos distúrbios de sono. Os estudos realizados pelos autores mencionados acima enfatizam que os distúrbios de sono e suas conseqüências mostram que as variações de 1º e 2º nível são bem semelhantes,portanto ainda são necessárias reflexões detalhadas sobre o 3º nível e o impacto deles na vida das pessoas, de modo a oferecer uma real estimativa dos prejuízos pessoais e sociais conseqüentes aos distúrbios de sono. Desse modo este estudo apresenta como objetivo refletir sobre a importância da qualidade do sono. REVISÃO DE LITERATURA A ausência de sono acarreta vários distúrbios fisiológicos, pois durante esse período ocorrem diversos processos metabólicos que se alterados afetam no equilíbrio de todo o organismo. Indivíduos com carência de horas de sono estão susceptíveis a apresentar algumas manifestações, provocados pela sua falta em curto prazo, tais como a sonolência durante o dia, o cansaço, as alterações de humor, a falta de memória, a lentidão do raciocínio, entre outros. Nesse contexto é importante destacar que existem também riscos provocados pela falta de sono em longo prazo, como o envelhecimento precoce, a falta de vigor físico, a perda crônica da memória, a diabetes, a obesidade, o comprometimento do sistema imunológico e as doenças cardiovasculares (CRONFLI,2002). Durante o sono é possível observar alguns distúrbios, muitas vezes de origem clínica, que apresentam um grande impacto na saúde biopsicossocial e econômica dos indivíduos, dentre eles se destaca a insônia como um sintoma que pode ser definido como dificuldade em iniciar e/ou manter o sono, presença de sono não reparador, ou seja, insuficiente para manter uma boa qualidade de alerta 2
e bem-estar físico e mental durante o dia, com o comprometimento do desempenho nas atividades diurnas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE SONO, 2003). A insônia crônica é mais complexa e freqüentemente resulta de uma combinação de fatores, incluindo distúrbios físicos e mentais. Uma das causa mais comuns de insônia crônica é a depressão. Outras causas incluem artrite, doença nos rins, insuficiência cardíaca, asma, apnéia do sono, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas, doença de Parkinson e hipertireoidismo. Entretanto, a insônia crônica pode apresentar como causa de fatores comportamentais, incluindo o abuso de cafeína, álcool, ou outras substâncias assim como a interrupção do ciclo sono/vigília que pode ocorrer com mudanças no trabalho ou outras atividades noturnas e estresse crônico. (VELA-BUENO, DE ICETA & FERNANDEZ, 1999). Os autores citados anteriormente complementam as suas idéias colocando que esses comportamentos podem prolongar a existência da insônia, e podem também ser os causadores primários do problema com o sono, em contrapartida como tratamento destaca-se o equilíbrio e o controle desses comportamentos. Segundo Azevedo (2008), existe alguns cuidados que ajudam a evitar a insônia melhorando a qualidade de vida do indivíduo. Alguns dos cuidados são, por exemplo, comer coisas leves antes do sono, praticar exercícios com certa regularidade, manter um horário fixo para dormir, evitar excesso de comida e bebida antes do sono, evitar o fumo antes de dormir, estar relaxado antes do sono e preferir locais com baixa luminosidade com temperatura agradável. METODOLOGIA O ensaio reflexivo foi à configuração selecionada para subsidiar esse estudo, uma vez que o ensaio é um estudo bem desenvolvido, formal, discursivo e conseqüente, consistindo em exposição lógica e reflexiva e em argumentação rigorosa. No ensaio há maior liberdade por parte dos autores, no sentido de defender determinada posição sem que tenha que se apoiar no rigoroso e objetivo aparato de documentação empírica e bibliográfica. Frente a isso é possível destacar que o ensaio não dispensa coerência de argumentação e por isso mesmo exige grande informação (SEVERINO, 1993). Essa pesquisa foi desenvolvida durante os meses de agosto a novembro de 2009. Pertence a linha de pesquisa Educação, sociedade e integralidade na saúde, do eixo temático Educação para o cuidado em saúde nos diferentes cenários sociais, do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Saúde, GIPES-UNIFRA. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 3
Frente à tabela acima é possível observar que sintomas relatados pelos profissionais enfermeiros que trabalham nos turnos diurnos e noturnos são a irritabilidade, as dores de cabeça e o ganho de peso corporal como os de maior incidência no grupo estudado. Segundo Arighi (2008), a dor de cabeça, ou cefaléia no termo médico, costuma ser comum em casos de insônia assim como a insônia também é comum em casos de cefaléia. Esse sintoma é universal no ser humano e pelo menos 90% da população refere algum tipo de dor de cabeça ao longo da vida. Já, o ganho de peso é atribuído a secreção de alguns hormônios e está relacionada ao sono quando há privação desse descanso, e mudanças podem ocorrer as quais contribuem para o acúmulo de gordura corporal. Por exemplo, há redução de leptina-hormônio relacionado à sensação de saciedade, o que dificulta o gasto de energia pelo organismo. Quando se dorme menos também ocorre o aumento na secreção de grelina, o hormônio responsável por estimular o apetite. Desse modo se observa o ganho de peso em quem não tem um ritmo normal de sono, como quem trabalha em esquema de plantão (SILVA, 2008). Complementando as considerações de acordo com a leitura da tabela acima, nota-se que existem muitas razões da insônia que refletem na irritabilidade, sendo a mais comum a depressão, pois a pessoa tanto pode dormir demais como ter problemas para dormir se estiver deprimido, a outra causa que mencionamos é o estresse pelo qual as preocupações do cotidiano podem sustentar a mente ativa demais impedindo que a pessoa relaxe, além disso a ansiedade também é uma das causas pois mantém a mente alerta demais (BALLONE, 2005). CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer do estudo, foi vislumbrado que o sono é uma necessidade fisiológica de todos os seres humanos e que possui diversas fases, dentre elas foi possível observar o sono REM, no qual é detectado alterações fisiológicas significativas. A ausência do sono acarreta impactos na saúde o que pode traduzir baixo nível de qualidade de vida aos seres humanos, porém muitos fatores como depressão e o uso abusivo de cafeína e álcool são responsáveis pelo desencadeamento da insônia, alteração importante e duradoura durante o sono. Frente a isso se salienta a necessidade de identificar precocemente essa alteração com a finalidade de oferecer terapêutica adequada para superar e manter um sono mais tranqüilo e regular. Dormir bem é essencial não apenas para ficar acordado no dia seguinte, mas, para se manter saudável, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a longevidade. Nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono. REFERÊNCIAS ARIGHI, A. C. Acupuntura pode ser uma saída para a Cefaléia. Disponível em www.morumbi.net (pesquisa realizada no dia 16 de novembro de 2009) AZEVEDO, J. R. A insônia. Disponível em www.saúdevidaonline.com.br (pesquisa realizada no dia 13 BALLONE, GJ. Depressão. Dísponível em http://www.psiqweb.med.br/ (pesquisa realizada no dia 19 BRUM, M. Hora de dormir. Disponível em www.bolsademulher.com.br (pesquisa realizada no dia 20 de outubro de 2009). CAMPOS, S. Apnéia do sono. Disponível em www.drashirleycampos.com.br (pesquisa realizada no dia 18 CRONFLI, R. T. A importância do sono. Disponível em www.cerebromente.org.br (pesquisa realizada no dia 2 DEITOS, T. F. H [et. al.]. Mito de Thelksis: distúrbios do sono. 1ªed. Editora Kaza do Zé, Santa Maria, 1999. 4
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