PROTEÇÃO DOS CITRINOS

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Transcrição:

PROTEÇÃO DOS CITRINOS PSILA E GREENING Aguiar, Ana. 2016. Proteção dos citrinos: psila e greening. Guião de apoio às aulas e ao estudo. Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. 19pp.

Nome científico: Trioza erytreae (Del Guercio) Name: Trioza erytreae (Del Guercio) Synonyms: Spanioza erytreae Del Guercio Trioza merwei Pettey Taxonomic position: Insecta: Hemiptera: Homoptera: Psyllidae Common names: Citrus psylla (English) Citrusblattfloh (German) EPPO, 2015

Nome científico: Trioza erytreae (Del Guercio) Trata-se de um inseto picador-sugador que tem como hospedeiros exclusivos plantas da família das Rutáceas, cultivadas e espontâneas, entre as quais os citrinos. Tem particular preferência por limoeiros (Citrus limon) e limeiras (Citrus aurantiifolia), embora também se encontre em laranjeira, tangerineira, torangeira e cumquates. Ministerio da Agricultura, Ficha tecnica, DGAV 2 junho 2015 HOSPEDEIROS T. erytreae is confined to Rutaceae, occurring on wild hosts (Clausena anisata, Vespris undulata) as well as on Citrus, especially lemons (C. limon) and limes (C. aurantiifolia). Within the EPPO region the host species are generally confined to countries surrounding the Mediterranean. EPPO, 2015

www.fao.com PSILA AFRICANA DOS CITRINOS

EPPO, 2016-03-06

Foi observado pela 1ª vez na Europa em 1994, na Ilha de Porto Santo (Madeira) e mais tarde, em 2002, nas Ilhas Canárias. Só em 2014 foi identificado na Europa Continental, em Dezembro na província de Pontevedra, na Galiza em Espanha. Em Portugal é detetado, na região Norte (Porto) em janeiro de 2015, e na região Centro (Esmoriz) em novembro de 2015. Ministerio da Agricultura, 2016-03-06

Este inseto, para além de causar estragos diretos importantes, é vetor da bactéria causadora da forma africana da doença conhecida como citrus greening disease (Candidatus Liberibacter africanus), causa de declínio e morte prematura dos citrinos. Esta doença não foi ainda detetada na Europa, sendo considerada uma das mais graves e destrutiva doença dos citrinos. Ministerio da Agricultura, Ficha tecnica, DGAV 2 junho 2015

Os adultos, com cerca de 4 mm, são de cor verde claro (emergência) a castanho escuro. Cada fêmea pode produzir 2 000 ovos ao longo de cerca de 30 dias de vida. Dos ovos nascem as ninfas, que se fixam no verso das folhas dos rebentos. Estas alimentam-se de seiva, injetando toxinas na planta. As picadas de alimentação originam a formação de galhas e deformações nas folhas. Ministerio da Agricultura, Ficha tecnica, DGAV 2 junho 2015

As folhas infestadas ficam distorcidas, atrofiadas, encarquilhadas e adquirem colorações amarelas, o que leva ao enfraquecimento da planta e à quebra de produção, não apenas a nível da quantidade mas também da qualidade. Cada geração, do ovo à eclosão de novo inseto adulto, pode ocorrer entre 40 a 100 dias, dependendo da temperatura. A Trioza erytreae não tem período de hibernação, embora a temperaturas inferiores a 10ºC as ninfas não se desenvolvem. A dispersão natural da psila africana dos citrinos não vai além de 1,5 Km. No entanto, o material vegetal proveniente de zonas infetadas pode transportar ovos e/ou ninfas a longas distâncias. O transporte da praga em frutos afigura-se pouco provável. Ministerio da Agricultura, Ficha tecnica, DGAV 2 junho 2015

Após a deteção do inseto em citrinos isolados em jardins particulares na região do Grande Porto em Janeiro de 2015, foi intensificada a prospeção a este inimigo. Foi assim possível a definição de uma zona denominada de ZONA DEMARCADA, constituída pela zona infestada (onde foi detetada a presença da praga) e pela zona tampão (zona envolvente com 3Km de raio, sem presença ou sintomas da praga), com vista à implementação de medidas fitossanitárias que evitem a sua dispersão ao restante território. Ministerio da Agricultura, Ficha tecnica, DGAV 2 junho 2015

A psila africana, detetada nos arredores do Porto no início de 2015, tem vindo a expandir-se ao longo do litoral, entre Caminha e o norte do distrito de Aveiro e começa a progredir para o interior. Carlos Coutinho Maria Amália Xavier DRAPN, janeiro 2016 DRAPN, divulgação Trioza 2016

Como medidas de combate a esta praga de quarentena, salienta-se a proibição da entrada no país de material de propagação de citrinos (plantas inteiras, portaenxertos e garfos e borbulhas para enxertia), provenientes de países onde seja conhecida a existência de Tryoza eritreae. Cortar e queimar de imediato os ramos com sintomas da praga. Aplicar de seguida um tratamento contra as formas hibernantes de insetos e ácaros à base de óleo de verão, tendo o cuidado de atingir completamente toda a copa da árvore. As árvores afetadas devem ser sujeitas a monitorização durante o ano, para confirmação da eliminação ou não da praga e continuação da aplicação de medidas para o seu combate. Estão homologados em Portugal dois inseticidas neonicotinoides, um com base em tiametoxame (ACTARA 25 WG) e outro com base em imidaclopride (CONFIDOR OTEQ), para a luta contra Tryoza eritreae. A sua aplicação deve coincidir com os períodos de rebentação, sobretudo com os principais, de fim de inverno primavera e de outono, apenas nas plantas afetadas e nas circundantes. DRAPN, divulgação Trioza 2016

GREENING Trioza erytreae é um dos dois vetores da doença greening (o outro é a psila Diaphorina citri) Esta doença é causada por uma bactéria gra-negativa que vive no floema Candidatus Liberibacter africanus (Laf.) A bactéria vive exclusivamente no floema, sendo que a sua presença estrangula a passagem dos nutrientes e a planta enfraquece podendo morrer. A planta atacada pode só apresentar sintomas 2 ou 3 anos depois da infeção. Amarelecimento da rebentação ou de alguns ramos. (os sintomas de deficiência de nutrientes são diferentes pois a distribuição da mancha clorótica é mais uniforme)

GREENING Frutos deformados, que não amadurecem têm menos sementes Clorose nas folhas que atravessa as nervuras

GREENING

Uma vez instalada a bactéria na árvore não há cura. (ensaios com injeção de tetraciclina na árvore) A árvore morre em poucos anos. Deteção: colher folhas da rebentação nova e insetos vetores e procurar DNA da bactéria (PCR). GREENING http://www.nap.edu/openbook/12880/xhtml/images/p2001acdag47001.jpg A bactéria no floema (microscopia eletrónica)

Cabi.org consultado em 5-3-2016 GREENING Liberibacter africanus

PSILAs e GREENING http://www.nap.edu/openbook/12880/xhtml/images/p2001acdag46001.jpg