Conceito de Soberania

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Transcrição:

Conceito de Soberania Teve origem na França (souveraineté) e seu primeiro teórico foi Jean Bodin. Jean Bodin Nasceu em Angers, França 1530, e faleceu em Laon, também na França em 1596, foi um jurista francês, membro do Parlamento de Paris e professor de Direito em Toulouse. Adepto da teoria do direito divino dos reis. Tornou-se conhecido como o Procurador Geral do Diabo devido a sua incansável perseguição a feiticeiras e hereges. 1

Jean Bodin Considerado por muitos o pai da Ciência Política devido a sua teoria sobre soberania na obra Seis Livros sobre a República (que será tratada mais adiante). Estado Moderno Sua formação vinha dos antagonismos da Idade Média Antagonismos Poder Espiritual Poder Temporal 2

Guerra dos Trinta Anos Um exemplo desse antagonismo é a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Guerra dos Trinta Anos (1618 1648) A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) é a denominação genérica de uma série de guerras que diversas nações europeias travaram entre si a partir de 1618, especialmente na Alemanha, por motivos variados: rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais. As rivalidades entre católicos e protestantes e assuntos constitucionais germânicos foram gradualmente transformados numa luta europeia. As hostilidades causaram sérios problemas econômicos e demográficos na Europa Central e tiveram fim com a assinatura, em 1648, de alguns tratados (Münster e Osnabrück) que, em bloco, são chamados de Paz de Vestfália. 3

Paz de Vestfália A chamada Paz de Vestfália (ou de Vestefália, ou ainda Westfália), também conhecida como os Tratados de Münster e Osnabrück (ambas as cidades atualmente na Alemanha), designa uma série de tratados que encerraram a Guerra dos Trinta Anos e também reconheceram oficialmente as Províncias Unidas e a Confederação Suíça. Novo poder se firmou no Estado Moderno Poder dos Monarcas Independentes Poder Absoluto que precisava de uma justificação teórica. 4

Seis Livros sobre a República Na obra Seis Livros sobre a República, Bodin (1529 1596) faz da soberania um elemento essencial do Estado. Ele escreve: a República [o Estado] é o justo governo de muitas famílias e do que lhes é comum, com poder soberano. Segundo Bodin a soberania é um poder supremo, incontrastável, não submetido a nenhum outro poder. Características da Soberania Una; Absoluta; Indivisível; Inalienável; Imprescritível; Irrevogável; Perpétua. Única, Singular. 5

Outros teóricos que afirmam o caráter absoluto da soberania: Hobbes (1588 1679) Rousseau (1712 1778) Hobbes (1588 1679) Enquanto Bodin afirma a doutrina do poder supremo tendo em vista sobretudo suas implicações nas relações com outros Estados, a teorização de Hobbes do poder soberano visa legitimar internamente a supremacia do monarca sobre os súditos. 6

Rousseau (1712 1778) Em Rousseau, a soberania é o poder supremo do povo (soberania popular). Rousseau e Hobbes Para eles não há Estado sem soberania. 7

Georg Jellinek (1851 1911) Foi um filósofo do direito e juiz alemão. Professor na Universidade Brasileira e a Universidade de Heidelberg, publicou várias obras sobre filosofia do direito e ciências jurídicas. Georg Jellinek (1851 1911) Dentre as quais se destaca Teoria Geral do Estado onde sustenta que a soberania recai sobre o Estado e não sobre a nação, que é um simples órgão daquele e as Teoria da Soberania do Estado e a Teoria do Mínimo Ético. 8

Contra a visão de Rousseau e Hobbes Jellinek tem dois pontos de vista: de um ponto de vista externo, soberania não é um elemento essencial do Estado, mas apenas uma qualidade do poder. Há Estados soberanos e Estados não soberanos. Soberania Ponto de vista Interno : é a capacidade do Estado a uma autovinculação e autodeterminação jurídica exclusiva é a supremacia que faz com que o poder do Estado se sobreponha incontrastavelmente aos demais poderes sociais, que lhes ficam subordinados. (Jellinek) Visão Contemporânea do direito público. 9

Soberania do Estado Expressa a supremacia do Estado sobre os demais grupos sociais internos ou externos com os quais se defronta e afirma a cada passo. Interno: Tais comunidades são a Igreja, a Escola, a Família, Associações etc. Externo: Comunidade Internacional. Soberania no Estado expressa: 1 A determinação da autoridade suprema no interior do Estado; 2 A determinação de uma hierarquia dos poderes do Estado; 3 A justificação da autoridade (ou legitimidade) conferida ao sujeito ou titular do poder supremo. 10

Doutrinas de Legitimação da soberania no Estado Doutrinas teocráticas: Doutrina da natureza divina (faraós, imperadores romanos, príncipes orientais, imperador do Japão), da investidura divina (Luís XIV e Luís XV) doutrina da investidura providencial (Santo Tomás de Aquino). Doutrinas democráticas: Doutrina da soberania popular e doutrina da soberania nacional. Soberania Popular (Rousseau) é a soma das distintas frações da soberania, que pertencem como atributo a cada indivíduo, o qual, membro da comunidade estatal e detentor do poder soberano fragmentado, participa ativamente na escolha dos governantes. 11

Soberania prega : a democracia na igualdade política dos cidadãos e resulta no sufrágio universal, ( Rousseau ) Se o Estado for composto de dez mil cidadãos, cada um deles terá a décima milésima parte da autoridade soberana. Soberania Nacional A Nação surge nessa concepção como depositária única e exclusiva da autoridade soberana. Aquela imagem do indivíduo titular de uma fração da soberania, com milhões de soberanos em cada coletividade, cede lugar à concepção de uma pessoa soberana 12

Povo e nação É uma só entidade, compreendida organicamente como ser novo, distinto e abstratamente personificado, dotado de vontade própria superior às vontades individuais que o compõem. Povo e nação A diferença entre as duas doutrinas democraticas se mostra sobretudo na participação política do eleitorado, que aqui se limita aqueles que a Nação investe na função de escolha dos governantes, ao passo que na doutrina da soberania popular ela se universaliza a todos os cidadãos enquanto portadores de uma parcela da soberania. 13

Como é a soberania : é una, indivisivel, inalienavel e imprescritivel. Pertence à nação; nenhuma seção do povo, nenhum indivíduo pode atribuir-se-lhe o exercício. 14