Arte e Indústria: a filha da Modernidade.

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Transcrição:

ARTE. VISUAL. ENSINO Ambiente Virtual de Aprendizagem Professor Doutor Isaac Antonio Camargo Curso de Artes Visuais Universidade Federal de Mato Grosso do Sul História da Arte Arte e Indústria: a filha da Modernidade.

A modernidade e a relação com a Indústria: um novo projeto para a Arte.

A industrialização por que passou a Inglaterra entre o século XVIII e XIX, por volta de 1750 a 1830 aproximadamente, definiu a chamada Revolução Industrial.

A Primeira etapa da Revolução Industrial Entre 1760 a 1860, limitada, primeiramente, à Inglaterra. Houve o aparecimento de indústrias de tecidos de algodão, com o uso do tear mecânico. Nessa época o aprimoramento das máquinas a vapor contribuiu para a continuação da Revolução.

A Segunda Etapa da Revolução Industrial Ocorreu entre 1860 a 1900 e expande para países como Alemanha, França, Rússia e Itália. O emprego do aço, a utilização da energia elétrica e dos combustíveis derivados do petróleo, a invenção do motor a explosão, da locomotiva a vapor e o desenvolvimento de produtos químicos foram as principais inovações desse período.

A Terceira Etapa da Revolução Industrial Alguns historiadores têm considerado os avanços tecnológicos do século XX e XXI como a terceira etapa da Revolução Industrial. A eletrônica, a computação, a engenharia genética, as redes de telefonia e de distribuição de dados contribuem para esta nova era.

A Revolução Industrial provocou o surgimento de uma nova economia, agora de base capitalista. O desenvolvimento de novos meios de produção desenvolvida a partir da facilidade para a obtenção de matéria prima e sua transformação em bens por meio de máquinas com maior rapidez e menor participação do trabalho artesanal.

O surgimento das máquinas movidas a vapor foi o início do processo de industrialização. Por meio delas era possível substituir a mão de obra humana, a manufatura, com maior eficiência e padronização.

Embora a industrialização tenha incialmente se apropriado do trabalho feminino e infantil, passou a ser uma atividade que mobilizou trabalhadores de ambos sexos e idades possibilitanto o surgimento do termo Proletário, ou seja, originário do termo prole que se refere a muitos filhos.

A passagem do capitalismo comercial para o industrial foi o motor da nova burguesia capitalista, aquela que passa a investir e dominar os processos produtivos desde a extração da matéria prima, sua transformação pelas máquinas e até sua comercialização.

Assim a economia rural é praticamente substituída pela economia industrial, o que faz com que a população campesina se desloque para as cidades provocando mudanças importantes no contexto rural e, principalmente, a ampliação e complexificação do ambiente urbano.

A revolução industrial provocou o crescimento econômico e a expansão do capitalismo e teve como consequência a sociedade de consumo e a produção em massa que se torna o círculo vicioso da contemporaneidade: aumento de produção = aumento de consumo e assim por diante.

Estes foram alguns dos fatores que contribuíram para a mudança do perfil da sociedade, de uma economia agrícola e artesanal para uma economia urbana e industrial interferindo também nas bases culturais da sociedade, especialmente no contexto da Arte Visual.

Na medida em que os procedimentos constitutivos da indústria desprezavam os fazeres artesanais e passavam a valorizar os processos mecânicos, quer pela eficiência no aproveitamento de matéria prima ou na rapidez e menor custo para a realização e comercialização de seus produtos, encontra reciprocidade na sociedade, logo a manufatura é substituída pela mecanofatura.

O distanciamento dos estilos tradicionais e o afastamento da personalidade dos artesãos contribui para a impessoalidade emergente dos produtos industrializados o que chega a causar uma certa descrença na industrialização e o surgimento de movimentos que se opõem a ela.

Pois, ao mesmo tempo que a automação dos processos de produção, impostos pela indústria no século XIX, acelerava o desenvolvimento também afastava o fazer manual dos processos produtivos.

A automação dos procedimentos da indústria dificultava a implementação de um estilo próprio para a indústria já que a comparação com a qualidade dos produtos artesanais era muito perceptível naquele momento.

Portanto, era necessário investir com urgência na valoração dos produtos industriais. A solução foi investir na estética industrial, ou seja, em projetos que pudessem trazer para os produtos realizados por máquinas um estilo que as identificasse e, por fim, as revestisse de valor.

Um dos caminhos que poderiam trazer uma identidade aos produtos industriais, passava pela recuperação do valor humano na produção, trazendo os produtos para mais perto do gosto e das necessidades das pessoas, assim se configura o Desenho Industrial.

ARTS & CRAFTS

O descontentamento provocado pela impessoalidade dos produtos industrializados mobiliza, ainda na Inglaterra, as manifestações em defesa do artesanato criativo e contra a produção em massa.

O crítico de arte John Ruskin mobiliza a atenção da sociedade em torno da ideia de que é necessário valorizar o trabalho manual em busca da dimensão estética em oposição à produção industrial.

É com base nas ideias de Ruskin que Willian Morris funda, na Inglaterra, o movimento Arts and Crafts

As idéias de Morris fundamentamse no pressuposto de que o fazer manual é prioritário e é ele que deve servir de orientação para o fazer industrial, pois, só assim a indústria poderia ser respeitada. A busca pela humanização da indústria e, especialmente do trabalhador, faz de Morris um ativista político.

Com base nestes pressupostos, é que Morris funda, em 1861, a Morris and Company, com Marshall, Faulkner, Rossetti, Burne- Jones, Madox Brown e Philip Webb, empresa responsável pela inovação do Desenho Industrial proposta pela ideologia adotada por Morris.

Papéis de parede da Morrison

Frank Dickinson

Philip Webb

Morris

A Arts and Crafts Exhibition Society fundada por Morris em 1888 realiza exposições quadrienais em Londres de móveis, tapeçaria, estofados e mobiliário.

Nestas mostras são apresentados trabalhos de Morris e Crane, do arquiteto e designer Charles Robert Ashbee, responsável por diversas residências da época, criação de jóias e por trabalhos editoriais realizados na Essex House Press, inspirada na Kelmscott Press.

Além deles, o também arquiteto e designer Charles F. Annesley Voysey (1857-1941), célebre por suas casas simples e modestas, por seus têxteis e papéis de parede; o arquiteto e estudioso de técnicas medievais de construção William Richard Lethaby (1857-1931), entre outros.

A busca por esta idéia de uma Nova Arte, que unisse o fazer manual e a indústria vai estimular o surgimento na França do Art Nouveau, na Itália do Liberty e, na Alemanha, o Jugdenstil.

Art Nouveau

Projetos de mobiliário, utensílios, objetos de decoração e mesmo os projetos arquitetônicos são inspirados em motivos vegetais e naturais.

O caráter ornamental é o principal elemento deste estilo. Não há um projeto conceitual ou uma poética completa, mas a principal referência é a própria estilização.

Os representantes deste estilo em cada uma das modalidades e expressão foram:

ARQUITETURA Hector Guimard (metro de Paris) Antoni Gaudí, Charles Rennie Mackintosh, August Endell, Gaetano Moretti.

MOBILIÁRIO, DECORAÇÃO Emile Gallé, Louis Tiffany, Samuel Bing, Victor Horta, Henry van der Veld, Pierre Roche.

ARTE VISUAL E GRÁFICAS A. Beardsley, Luigi Loir, Gustav Klint, Alphonse Mucha, Jean Toorop, Hermann Obrist, Ferdinand Hodler, Frans von Stuck.

Numa outra perspectiva, a Alemanha do início do século XX, precisava recuperar seu potencial industrial. Para isto dependia de uma nova postura diante dos processos produtivos.

O movimento Arts and Crafts, de Morris, deflagrado na Inglaterra nos fins do século XIX, estimulou também a Alemanha a buscar um novo modelo de indústria é neste contexto que surge a Bauhaus.