Boletim Epidemiológico

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Transcrição:

Editorial... 1 Consulta Pública Agrotóxicos.. 2 Tuberculose PPL... 5 Tabela Notificações Calendário Vacinas... 6 Tabela Notificações... 7... 8 Secretário Municipal de Saúde Erno Harzheim Coordenador da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde Anderson Araújo Lima Chefe da Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis Benjamin Roitman Membros da Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis Adelaide K. Pustai, Ana Salete de G. Munhoz, Andréia R. Escobar, Benjamin Roitman, Ceura B. C. Souza, Elisangela da S. Nunes, Fabiane Saldanha B.Demenghe, Isete M. Stella, Laís H. Lanziotti, Letícia P. Muller, Lisiane M. W. Acosta, Marcelo Rodrigues, Márcia C. Sant anna, Maria da Graça S. de Bastos, Maria de Fátima P. de Bem, Marilene R. Mello, Maristela Fiorini, Maristela L. de Aquino, Melissa S. Pires, Olino Ferreira, Patrícia C. Wiederkehr, Patrícia Z. Lopes, Raquel C. Barcella, Rosane S. Gralha, Roselane C. da Silva, Selane C. da Silva, Sandra R. da Silva, Simone Sá B.Garcia, Sonia Eloísa O. Freitas, Sonia R. Coradini, Sonia V. Thiesen, Vera L. Ricaldi Jornalista Responsável Patrícia Costa Coelho de Souza MTb 5691 - DRT/RS Sugestões e colaborações podem ser enviadas para: Av. Padre Cacique, 372 - EVDT Menino Deus - Porto Alegre - RS Acesso a esta e a edições anteriores: bit.ly/boletinsepidemiologicos Boletim Epidemiológico Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre Fev/17 64 Editorial Nesta primeira edição de 2017, de casos novos de tuberculose em o Boletim Epidemiológico traz, já no moradores de rua vem aumentando, editorial, um resumo do Perfil da bem como o número de pessoas vivendo Tuberculose em População em Situação nas ruas da cidade. Em relação aos tipos de Rua (PSR), trabalho feito por técnicos de entradas no SINAN (Sistema de da EVDT e área técnica da SMS com Informação Nacional de Agravos de participação de estagiárias e que se Notificação) de PSR com tuberculose, de encontra publicado na íntegra no 2011 a 2016; observa-se um equilíbrio na s i t e d a C G V S, n o l i n k população de rua entre os que não http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cgvs tinham história pregressa de tuberculose /default.php?p_secao=32. No mesmo (casos novos) e aqueles que já tinham link se encontra o artigo completo sobre a ntecedentes ( re i n gre s s a ntes e TB entre pessoas privadas de liberdade recidivantes). Entre os casos novos, o cujo resumo se encontra na página 5. O maior percentual é de pulmonares com principal artigo, traz uma análise confirmação laboratorial forma preliminar, qualitativa, da Consulta transmissível da doença impactante na Pública "O Uso e os Riscos Associados aos s a ú d e c o l e t i v a. N o t r a b a l h o Agrotóxicos em Porto Alegre", realizada d e s e n v o l v i d o p e l a S M S, e s t á em 2016. Também estão incluídas neste documentado que o perfil da PSR do volume a s t r a d i c i o n a i s t a b e l a s município de Porto Alegre vai ao comparativas dos casos notificados e encontro do perfil da PSR nacional. A investigados que constam no SINAN - maioria é do sexo masculino, da raça/cor Sistema de Informação dos Agravos de branca, faixa etária dos 20 aos 49 anos, Notificação de Porto Alegre, sendo com ensino fundamental incompleto. apresentados os diagnósticos dos anos Além disso, em relação à coinfecção, é de 2015/2016 e 2016 e 2017 até a importante lembrar que nossa cidade é a Semana Epidemiológica 09. Completam capital brasileira com maior incidência o BE as informações sobre calendário de AIDS, e que a taxa de coinfecção TBanual de vacinas. Tuberculose - Segundo HIV, no ano de 2016, em residentes de o Ministério da Saúde, a população em Porto Alegre, ficou em 24,6%. Na PSR de situação de rua tem 44 vezes mais Porto Alegre, nos anos de 2011 a 2016, a chance de ter tuberculose quando taxa de coinfecção TB-HIV evidencia a comparada à população em geral. Em maior vulnerabilidade dessa população. Porto Alegre, foi realizado um censo pela Mais da metade da PSR faz uso de drogas. FASC (Fundação de Assistência Social e Esse dado só pôde ser mensurável a Cidadania) no ano de 2011, identificando partir do ano de 2015, pois em dezembro 1.347 moradores de rua. Estudo recente, de 2014, houve mudança na ficha de de 2016, foi realizado pela Universidade notificação da tuberculose com Federal do Rio Grande do Sul em parceria inclusão desta variável. A tuberculose coma FASC, quando foram identificados representa somente mais uma das tantas 2.115 moradores de rua; no mesmo ano, vulnerabilidades a que essas pessoas 111 casos novos de tuberculose foram estão expostas. Comprova-se que não se registrados nessa população, o que pode pensar somente em resolver a gerou uma incidência de 5. 248 tuberculose, quando o cenário de fundo c a s o s / 1 0 0. 0 0 0 h a b i t a n t e s. apresenta outros agravos, como a Aparentemente, há uma queda na coinfecção por HIV e a drogadição. Por incidência, isso se ao fato de até o ano de isso, abordar população de rua requer o 2015 ter se considerado como universo t ã o p r e c o n i z a d o o l h a r p a r a a da população em situação de rua um "integralidade" dos sujeitos diretriz do quantitativo de 1.347 pessoas, número Sistema Único de Saúde (SUS). No BE 65, que chegou a 2.115 pessoas no ano de maio, o tema principal será a passado. Entretanto, o número absoluto leishmaniose visceral humana e canina. Boa leitura. Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017 1

DESCRIÇÃO E ANALISE PRELIMINAR DA CONSULTA PÚBLICA: O Uso e os Riscos Associados aos Agrotóxicos em Porto Alegre ocorrida no ano de 2016 Marla Kuhn Assistente Social, Maria Inês Bello Bióloga, Camila Bandeira- Acadêmica de Serviço Social- EVSAT A Consulta Pública - O Uso e os Riscos Associados aos Agrotóxicos em Porto Alegre ocorrida no ano de 2016, teve seu início em 8 de junho e ficou disponível até o dia 31 de dezembro. Nesse período obteve um total de 441 formulários preenchidos. Esse processo de consulta junto a população de Porto Alegre representa uma iniciativa da Vigilância em saúde ambiental e do trabalhador na direção do fortalecimento de uma política pública de base popular e representativa das lutas e necessidades dos movimentos sociais da cidade. Entende-se que toda política para ser pública e social deve exercitar um olhar conjunto e popular sobre os impactos e efeitos do modelo de desenvolvimento dos territórios, e neste caso, o uso dos agrotóxicos. No que diz respeito ao perfil das pessoas que responderam o formulário, foi possível identificar os seguintes resultados: predominância do sexo feminino; a vinculação com a cidade se dá em sua maioria por moradores e a região de vinculação que apareceu de maneira mais expressiva foi a Região Centro: SEXO VÍNCULO 30% 13% 2% 30% 54% 70% Mora dor Tra ba lhador feminino masculino Es tuda nte Nenhum REGIÕES OP REGIÃO 04 - LESTE/NORDESTE REGIÃO 08 - RESTINGA/ EXTREMO-SUL NENHUM REGIÃO 03 - NORTE E EIXO BALTAZAR REGIÃO 05 - GLÓRIA/ CRUZEIRO/ CRISTAL REGIÃO 07 - LOMBA DO PINHEIRO / PARTENON REGIÃO 02 - HUMAITÁ/ NAVEGANTES/ ILHAS E NOROESTE REGIÃO 06 - CENTRO-SUL E SUL REGIÃO 01 CENTRO 0 50 100 150 200 250 2 Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017

A questão 08 do formulário perguntava o seguinte: Na sua opinião, como a Secretaria Municipal de Saúde pode melhorar a comunicação para informar sobre as possíveis ameaças a saúde relacionadas aos agrotóxicos? (É possível assinalar mais de uma alternativa). Dentre as opções, havia a possibilidade de marcar a alternativa outros, que abria campo para a descrição. Dos 441 formulários, 54 tinham essa alternativa assinalada e a descreveram apontando os seguintes elementos: CANAIS DE COMUNICAÇÃO DA SMS COM A POPULAÇÃO Capacitação dos profiss ionais da saúde para o reconhecimento de intoxicações por agrotóxicos Audiências Públicas Rotulagens de alimentos Articulação com outras equipes, comissões e instituições que estão envolvidas pelo tema Divulgação em ponto de comércio de alimentos (feiras, supermercados, etc) Radio, outras mídias e redes sociais Oficinas, campanhas e distribuição de material informativo sobre o tema para a população 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 A questão 21 do formulário que perguntava Como você ficou sabendo dessa Consulta Pública? também tinha em uma de suas alternativas a opção outros, onde a pessoa descreve o meio pelo qual ficou sabendo da consulta. Das 367 respostas, 81 tinham essa opção marcada e descrita e dentre os diversos meios identificados, o que obteve maioria foi a divulgação da Consulta em Feiras Orgânicas no município de Porto Alegre: COMO FICOU SABENDO Evento da Res erva do La mi Workshop VIGIAR Works hop Sa úde do Tra ba lha dor Conselho Municipa l de Sa úde Curso Intoxica ção por Agrotóxicos - UFRGS Na Coordena doria Gera l de Vigilância em Sa úde - CGVS Palestra sobre Agrotóxico na PMPA Audiência Pública s obre os Impa ctos dos Agrotóxicos No Ambiente de tra ba lho Fórum Ga úcho de Combate a os Impa ctos dos Agrotóxicos Email/Redes Socia is/informativo Online Divulgação em Feira s Orgânicas de Porto Alegre 0 5 10 15 20 25 Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017 3

A questão descritiva que compõe o final do formulário, perguntava o seguinte: A Equipe de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador EVSAT, da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde CGVS, com a participação do GT Agrotóxicos, composto por uma equipe multidisciplinar que abrange representantes da saúde, agricultura e educação, como equipe responsável pela implantação e implementação das ações de vigilância a saúde de populações expostas aos agrotóxicos, entende como fundamental o fortalecimento das ações em rede, principalmente, aquelas que busquem a participação da sociedade na formulação da política pública de saúde ambiental e do trabalhador. O que não pode faltar nessa política? Para a análise preliminar das respostas dessa questão se utilizou o método segundo Bardin (2009), que caracteriza a análise de conteúdo com algumas peculiaridades essenciais, constituindo um meio para estudar as comunicações entre os homens. A função principal da análise de conteúdo é elucidar os materiais empíricos coletados com embasamento teórico-crítico, utilizando o método dialético de aprofundamento de conexões das ideias, chegando, se possível a propostas básicas de intervenção, no limite da estrutura geral e específica do projeto de intervenção. CATEGORIAS NÃO CONSIDERA A POLÍTICA NECESSÁRIA SUGESTÕES À ESTRUTURA DA CONSULTA (QUESTÃO DE GÊNERO NO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO) ATENDIMENTO ESPECIALIZADO AOS TRABALHADORES E À POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE INTOXICAÇÃO POR AGROTÓXICOS MAIOR INVESTIMENTO EM ESTUDOS CIENTÍFICOS RELACIONADOS AO TEMA AÇÕES MULTIDISCIPLINARES/ INTERSETORIAIS SE SENTEM INCOMODADOS COM A EXPOSIÇÃO/USO DE AGROTÓXICOS, PINCIPALMENTE OS JÁ BANIDOS EM OUTROS PAÍSES RESISTÊNCIA AO INTERESSE ECONÔMICO E POLÍTICO POR TRÁS DA INDÚSTRIA DO AGROTÓXICO PARTICIPAÇÃO POPULAR INCENTIVO ÀS PRÁTICAS ALTERNATIVAS E AGROECOLOGIA EDUCAÇÃO EM SAÚDE, EDUCAÇÃO POPULAR FISCALIZAÇÃO EFETIVA, MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO DIVULGAÇÃO, TRANSPARÊNCIA, INFORMAÇÃO CLARA 0 20 40 60 80 100 120 Das 441 pessoas que responderam a consulta, 217 pessoas preencheram essa questão e a partir de seus apontamentos, elencamos as seguintes categorias: Dentre as respostas foi possível perceber que predominaram os apontamentos em relação a transparência das ações e da divulgação de informações sobre o tema, já que é um direito da população saber como o agrotóxico se reflete na sua saúde e os impactos no ambiente. Foi apontado que somente em posse dessas informações, pode haver um processo de conscientização por parte da população para efetivar sua participação nas políticas que regulam essa questão e adotar práticas alternativas. As outras três categorias que mais apareceram se referem respectivamente a Fiscalização efetiva, Educação em saúde, e Incentivo às práticas alternativas e agroecologia, como aspectos que não podem faltar nessa política. Assim, consideramos com base nas respostas qualitativas dos formulários que, preliminarmente, o papel da EVSAT / CGVS frente ao tema dos agrotóxicos seu uso na cidade, impactos e efeitos nocivos à saúde, deve continuar realizando e reforçando denúncias que envolvam críticas as políticas públicas ineficientes, ao modelo de agricultura predominante e a violação de direitos, contribuindo para uma articulação entre comunidades e diversos atores que atuam nos territórios impactados por meio de diálogos que promovam a convergência de ações e lutas sociais. 4 Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017

TUBERCULOSE NA POPULAÇÃO PRIVADA DE LIBERDADE PPL NO MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE Laís Haase Lanziotti, Letícia Possebon Müller - Enfª da Vigilância Epidemiológica da Tuberculose Patrícia Zancan Lopes, Simone Sá Britto Garcia - Aux. de Enf. da Equipe da Vigilância Epidemiológica da Tuberculose Andiel Ramos Krüger, Angélica Furquim dos Santos, Caroline Scola da Silva, Cynthia Antunes Moresco, Elisandra da Silva Mendes, Madine Viafore da Silva, Tainã Flores Telles - Estagiárias de Enf. da Equipe da Vigilância Epidemiológica Tuberculose Porto Alegre é a 4ª capital com maior taxa de incidência de tuberculose do Brasil (80,4 casos/100.000 habitantes), no ano de 2016, conforme dados do Ministério da Saúde (BRASIL, 2017). No distrito Partenon estão localizadas duas instituições importantes: o Hospital Sanatório Partenon (referência estadual para o tratamento da tuberculose) e o Presídio Central de Porto Alegre (PCPA). O presídio vem mantendo os casos novos de tuberculose ao longo dos anos, principalmente na forma pulmonar com comprovação laboratorial (forma transmissível da doença). Em 2016, a incidência foi de 3.000 casos/100.000 habitantes, o que caracteriza situação de epidemia (>1.000 casos/100.000 habitantes) (CLANCY, 1991 apud FIOCRUZ, 2008, p. 76). A situação da tuberculose no PCPA é tão importante que foi mencionada nos primeiros minutos de Central o filme (trailer do filme disponível no You tube, em https://www.youtube.com/watch?v=0-xxqppsjkm. Quando se faz um recorte por sexo e raça, a maior incidência de tuberculose em Porto Alegre está entre homens pretos/pardos. O perfil da PPL com tuberculose, de Porto Alegre, ao longo do tempo, caracteriza-se por homens, brancos, com ensino f u n d a m e n t a l i n c o m p l e t o, n a f a i x a e t á r i a economicamente ativa, ou seja, de 20 a 39 anos. Devese lembrar que Porto Alegre é a capital brasileira com maior incidência de AIDS. Sendo que a taxa de coinfecção TB-HIV, no ano de 2016, em residentes de Porto Alegre foi de 24,6% e na PPL no mesmo ano foi de 17,3%. O percentual de PPL que fazia uso de drogas ilícitas nos anos de 2015 e 2016, respectivamente, foi de 16,6% e de 24,7%. Dado que ainda não pode ser mostrado numa série histórica, pois só foi introduzido na ficha de notificação da tuberculose em dezembro de 2014. A maioria dos pacientes é diagnosticada como casos novos (64,1% em 2016), ou seja, nunca haviam tido o diagnóstico de tuberculose anteriormente, tornando o presídio uma boa fonte de triagem para tuberculose em sintomáticos respiratórios, visto que desde 2010 existem duas equipes de saúde prisional contratadas pelo Vila Nova e uma equipe de saúde da SUSEPE que data do início do presídio 1959. O manual de recomendações para o controle da tuberculose de 2011 preconiza rastreamento por meio de baciloscopia e exame radiológico; rotina já implantada no PCPA no momento da admissão do presidiário. Quanto ao desfecho da PPL com tuberculose, aproximadamente metade da PPL concluiu o tratamento conseguindo se curar (em 2015 a cura foi de 46,9%), sendo essa cura realizada dentro do presídio ou fora dele após liberdade. Entretanto, ainda muitos acabam abandonando o tratamento (em 2015, o abandono foi de 26,9%), evidenciando a necessidade de um maior investimento nessa população, pois múltiplos abandonos podem causar droga-resistência, deixando a saúde coletiva vulnerável. A r t i g o d i s p o n í v e l n a í n t e g r a n o : http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cgvs/default.php? p_secao=32 Cartaz do filme Central o filme Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017 5

Tabela comparativa dos casos notificados e investigados que constam no SINAN - Sistema de Informação dos Agravos de Notificação de Porto Alegre, diagnosticados nos anos de 2015 e 2016.* 6 Agravos Total de Casos Casos Residentes em POA Investigados Confirmados Investigados Confirmados 2015 2016 2015 2016 2015 2016 2015 2016 Acidentes com animais peçonhentos 65 66 65 66 22 25 22 25 Aids 1296 1115 1296 1115 1049 910 1049 910 >13 anos 1282 1100 1045 902 < 13 anos 14 15 4 8 Portadores de HIV 1108 843 1108 843 939 698 939 698 >13 anos 1100 833 934 689 < 13 anos 8 10 5 9 Atendimento anti-rábico 5437 4471 5437 4471 5402 4435 5402 4435 Botulismo 0 0 0 0 0 0 0 0 Carbunculo ou Antraz 0 0 0 0 0 0 0 0 Caxumba 169 4300 NA NA 156 4137 NA NA Cólera 0 0 0 0 0 0 0 0 Coqueluche 42 73 29 49 29 38 23 23 Dengue 739 2354 98 495 585 1874 73 356 Autóctone Porto Alegre 17 301 Difteria 0 0 0 0 0 0 0 0 Doença de Chagas ( casos agudos) 0 0 0 0 0 0 0 0 Doença de Creutzfeld-Jacob 0 1 0 0 0 1 0 0 Doença Exantemática 5 9 0 0 5 7 0 0 Rubéola 0 8 0 0 0 6 0 0 Sarampo 5 1 0 0 5 1 0 0 Esquistossomose 0 0 0 0 0 0 0 0 Eventos Adversos Pós-vacinação 470 401 470 401 470 401 470 401 Febre Amarela 0 1 0 0 0 1 0 0 Febre Chikungunya 5 124 0 30 4 118 0 30 Autóctone Porto Alegre 0 0 Febre do Nilo Ocidental 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre Maculosa 2 0 0 0 2 0 0 0 Febre Tifóide 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre pelo Virus Zika 3 228 1 28 3 182 1 28 Autóctone Porto Alegre 0 14 Gestantes HIV + e Criança Exposta 632 546 632 546 421 388 421 388 Hanseníase 71 63 71 63 14 17 14 17 Hantavirose 3 2 1 0 2 1 0 0 Hepatites Virais 2472 2302 2318 2121 1812 1711 1699 1576 Hepatite A 17 14 15 12 Hepatite B 359 371 256 270 Hepatite C 1922 1724 1415 1287 Hepatite B+C 18 11 12 7 Hepatite B+D 1 1 1 0 Hepatite A/B ou A/C 1 0 0 0 Influenza com SRAG 1597 2903 56 565 1000 1803 41 365 Leishmaniose Tegumentar Americana 1 0 1 0 1 0 1 0 Leishmaniose Visceral 2 3 0 2 1 2 0 2 Leptospirose 305 241 71 52 192 151 46 33 Malaria** 10 11 4 3 7 4 3 2 Meningites 680 590 529 434 378 326 298 239 Doença meningocócica 45 33 25 22 M. bacteriana 71 55 40 31 M. outras etiologias 47 21 20 16 M. haemophilus 1 1 1 1 M. não especificada 79 47 38 22 M. pneumococo 24 20 15 12 M. tuberculosa 33 36 15 18 M. viral 229 221 144 117 Peste 0 0 0 0 0 0 0 0 Poliomielite/Paralisia Flácida Aguda 13 20 0 0 6 5 0 0 Raiva Humana 0 0 0 0 0 0 0 0 Sífilis Adquirida 2902 1907 2902 1907 2515 1572 2515 1572 Sífilis Congênita 803 794 803 794 585 571 585 571 Sífilis em Gestante 530 501 530 501 450 428 450 428 Síndrome da Rubéola Congênita 0 0 0 0 0 0 0 0 Tétano Acidental 4 5 3 4 3 3 2 2 Tétano Neonatal 0 0 0 0 0 0 0 0 Tuberculose( todas as formas clinicas) 2898 2648 2898 2648 2198 1931 2198 1931 Casos Novos 1894 1784 1487 1359 Tularemia 0 0 0 0 0 0 0 0 Varicela 754 611 NA NA 649 545 NA NA Varíola 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 23023 27142 18905 22292 NA: Não se aplica/ considerado caso pela notificação * dados sujeitos a revisão **casos confirmados importados Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017

Tabela comparativa dos casos notificados e investigados que constam no SINAN - Sistema de Informação dos Agravos de Notificação de Porto Alegre, diagnosticados nos anos de 2016 e 2017 até a SE 9.* Agravos Total de Casos Casos Residentes em POA Investigados Confirmados Investigados Confirmados 2016 2017 2016 2017 2016 2017 2016 2017 Acidentes com animais peçonhentos 21 7 21 7 10 2 10 2 Aids 165 91 165 91 136 67 136 67 >13 anos 163 90 134 67 < 13 anos 2 1 2 0 Portadores de HIV 125 135 125 135 114 113 114 113 >13 anos 123 131 112 110 < 13 anos 2 4 2 3 Atendimento anti-rábico 846 9 846 9 832 7 832 7 Botulismo 0 0 0 0 0 0 0 0 Carbunculo ou Antraz 0 0 0 0 0 0 0 0 Caxumba 64 196 NA NA 61 183 NA NA Cólera 0 0 0 0 0 0 0 0 Coqueluche 8 20 4 17 2 11 1 10 Dengue 612 212 224 2 528 162 97 1 Autóctone Porto Alegre 67 0 Difteria 0 0 0 0 0 0 0 0 Doença de Chagas ( casos agudos) 0 0 0 0 0 0 0 0 Doença de Creutzfeld-Jacob 0 0 0 0 0 0 0 0 Doença Exantemática 1 1 0 0 1 1 0 0 Rubéola 1 1 0 0 1 1 0 0 Sarampo 0 0 0 0 0 0 0 0 Esquistossomose 0 0 0 0 0 0 0 0 Eventos Adversos Pós-vacinação 51 62 51 62 51 62 51 62 Febre Amarela 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre Chikungunya 24 30 5 1 20 27 5 1 Autóctone Porto Alegre 0 0 Febre do Nilo Ocidental 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre Maculosa 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre Tifóide 0 0 0 0 0 0 0 0 Febre pelo Virus Zika 67 7 9 1 61 7 8 1 Autóctone Porto Alegre 1 0 Gestantes HIV + e Criança Exposta 89 51 89 51 58 31 58 31 Hanseníase 9 5 9 5 3 0 3 0 Hantavirose 0 0 0 0 0 0 0 0 Hepatites Virais 343 286 327 261 1671 1527 253 205 Hepatite A 6 0 5 0 Hepatite B 60 30 49 27 Hepatite C 260 229 198 176 Hepatite B+C 1 2 1 2 Hepatite B+D 0 0 0 0 Hepatite A/B ou A/C 0 0 0 0 Influenza com SRAG 74 80 2 3 47 50 1 1 Leishmaniose Tegumentar Americana 0 1 0 1 0 0 0 0 Leishmaniose Visceral 0 3 0 0 0 3 0 0 Leptospirose 59 46 15 21 34 29 7 10 Malaria** 3 1 3 1 1 0 0 0 Meningites 87 99 61 69 55 47 40 32 Doença meningocócica 1 3 0 2 M. bacteriana 8 8 7 5 M. outras etiologias 4 4 4 0 M. haemophilus 0 0 0 0 M. não especificada 9 17 5 4 M. pneumococo 5 3 4 2 M. tuberculosa 1 7 1 5 M. viral 33 27 19 14 Peste 0 0 0 0 0 0 0 0 Poliomielite/Paralisia Flácida Aguda 1 2 0 0 0 1 0 0 Raiva Humana 0 0 0 0 0 0 0 0 Sífilis Adquirida 385 185 385 185 298 140 298 140 Sífilis Congênita 148 93 148 93 101 69 101 69 Sífilis em Gestante 100 49 100 49 80 42 80 42 Síndrome da Rubéola Congênita 0 0 0 0 0 0 0 0 Tétano Acidental 1 1 1 0 0 1 0 0 Tétano Neonatal 0 0 0 0 0 0 0 0 Tuberculose( todas as formas clinicas) 399 393 386 391 286 290 276 290 Casos Novos 262 288 194 215 Tularemia 0 0 0 0 0 0 0 0 Varicela 55 57 NA NA 63 67 NA NA Varíola 0 0 0 0 0 0 0 0 Total 3738 2123 4514 2940 NA: Não se aplica/ considerado caso pela notificação * dados sujeitos a revisão **casos confirmados importados Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017 7

Boletim Epidemiológico 64 Fevereiro 2017