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Transcrição:

Yes, Zaqueu Proença Sonho de consumo 92

nós temos ciclovias nelson toledo Aos poucos, as bikes começam a ganhar um espaço nas políticas de trânsito de diversas cidades brasileiras. Saiba onde você pode desfrutar de uma pedalada segura texto Lygia Haydée Dia de sol, tempo livre e um belo dia para aproveitar. Nessa hora, quem não gosta de pegar a bike para dar uma volta? É uma delícia sentir o vento batendo no rosto e, principalmente, se exercitar ao ar livre. Essa é uma das funções das ciclovias, que vêm ganhando, ainda timidamente, é verdade, mais espaço em diversas cidades brasileiras. A importância delas é indiscutível, mas o uso desses espaços não deve e nem pode se restringir a momentos de lazer, lembra Diamantino Nunes, presidente do comitê organizador do World Bike Tour. "Em uma situação ideal, a bicicleta deve ser encarada não só como forma de lazer, mas como meio de transporte". Essa mentalidade já está sendo compartilhada por diversos governantes de norte a sul do país. Isso porque a magrela, hoje, também virou símbolo das ações pró-planeta. "Teremos muito mais qualidade de vida e uma cidade sustentável quando forem construídas ciclovias que beneficiem a utilização da nossa tão amada bicicleta", salienta Paulo de Tarso, presidente da Sampa Bikers. Essa é, inclusive, uma saída para desafogar o trânsito das grandes metrópoles brasileiras, que viraram sinônimo do caos nos últimos anos. "A bike é uma das principais alternativas para melhorar o engarrafamento, que está cada vez pior", comenta Tarso. Por esses motivos, algumas medidas estão sendo tomadas em todo país, para que sejam criadas condições propícias para a utilização da bike como meio de transporte. Isso porque o nascimento de uma ciclovia está diretamente ligado à adaptação de vias ou ruas já existentes, para que haja um compartilhamento entre o pessoal das chamadas "quatro rodas" e o das "duas rodas". Condições básicas O governo brasileiro vem implantando medidas de incentivo à construção de novas ciclovias. Em 2010, a renda destinada para o apoio a projetos de sistemas de circulação não-motorizados gira em torno de R$ 3 milhões, segundo informações da Semob, Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana. "A demanda está aumentando a cada dia, pois todos estão voltando os olhos para essa questão da sustentabilidade", avalia Claudio Silva, arquiteto-assistente da Semob. Mas, ressalta ele, para que as magrelas assumam uma posição de respeito no Brasil, serão necessários anos de trabalho. Prova disso é que hoje há apenas 2 700 km de ciclovias contabilizados no país. O dado, o mais atual, segundo o governo, refere-se a 2007. Se comparados a outros países, inclusive da América Latina, caso do México, por exemplo, muitos certamente diriam que esses dois mil e poucos quilômetros são praticamente nada. Mesmo assim, o Brasil registra algumas iniciativas pra lá de bacanas. Veja só: shutterstock Em Londres, 95% dos locais onde as bicicletas são utilizadas não possuem ciclovias. A política adotada na cidade, que conta com bicicletas no trânsito há mais de 40 anos, é a do tráfego compartilhado. Ou seja, cada veículo deve respeitar a presença do outro sem se importar com a sua forma. Carros, motos, ônibus e bikes têm o mesmo espaço e a mesma importância nas ruas londrinas. Eles levantam a bandeira da paz no trânsito. 93

São Paulo Desde 2005, a cidade vem testemunhando o nascimento de ciclovias. Aos atuais 19 km de ciclofaixas, somam-se, agora, 14,8 km de novos trajetos, 16,1 km ainda em obras e mais 112,9 km devem ser concluídos até 2012. Outra iniciativa da Prefeitura foi instalar redes de bicicletários e integrar algumas estações do metrô às ciclovias. "Afora essas medidas, São Paulo implantou o primeiro aluguel de bicicletas da América do Sul, outro serviço que incentiva o cidadão a utilizar a bike", salienta Eduardo Jorge Sobrinho, secretário do Verde e Meio Ambiente. Também um defensor da substituição do carro pela magrela, Jorge é ele mesmo um usuário. Adotou a bike em 2005, quando assumiu o desafio de cuidar das ciclovias da capital paulista. Bicicletário de São Paulo é um dos focos das políticas a favor da bicicleta na capital paulista Santos tem uma das ciclovias mais bem desenvolvidas do Estado de São Paulo. Quase toda a cidade é integrada pelas vias existentes marcelo martins/ prefeitura de santos Como trocar o carro pela bike? Apesar do quadro animador, é preciso também tomar certas precauções na hora de mudar de meio de transporte. Para andar de bike nos grandes centros urbanos é necessário o uso de capacete, além de obedecer às regras do trânsito. "É fundamental que haja a paciência necessária para que, pouco a pouco, todos sejam educados a utilizar as vias de circulação em conjunto. É bom lembrar que os ciclistas também são condutores de veículos", ensina o presidente do comitê organizador do World Bike Tour, Diamantino 94

Santos Outra cidade paulista que conta com ciclofaixas é Santos. A cidade possui 20,9 km de ciclovias e sua malha cicloviária interliga as zonas noroeste e leste, além de unir, pela orla, a divisa com São Vicente até a área portuária. Por ser quase totalmente plana, os moradores aderiram amplamente a essa modalidade de transporte. Atualmente, a prefeitura está construindo mais um trecho de 680 m e há projetos para a implantação de mais 7 km, que deverão ser finalizados ainda em 2010. anderson Bianchi marcelo martins/ prefeitura de santos anderson Bianchi / secretaria de santos Nunes. Outra dica é usar vias menos movimentadas. "Procure trajetos alternativos e com pouco fluxo de veículos", recomenda o presidente do Sampa Bikers, Paulo de Tarso. Além disso, para evitar acidentes, fique do lado direito dos carros. Ao contrário do que muitos pensam, andar na contramão traz perigos ao ciclista. Usar roupas claras e chamativas também é uma boa alternativa, pois é preciso que você seja visto pelos outros veículos. Se tiver roupas com refletivos, melhor ainda. 95

Sorocaba Eleita em 2007 como a cidade brasileira com mais ciclovias, Sorocaba deve contar em breve com mais uma iniciativa pró-bike. Assim como os paulistanos, os sorocabanos poderão alugar bicicletas. A partir do final deste ano, a cidade contará com 30 estações de aluguel de bicicleta, cada uma com 10 bikes, que poderão ser retiradas pelos moradores da cidade. Para tanto, será preciso apenas que seja feito um cadastro para a liberação de uma carteirinha, que garantirá o uso do veículo durante uma hora e de graça. "Essas bicicletas serão baseadas nas utilizadas na França. Elas são unissex, reforçadas para serem utilizadas na cidade e com compartimento na parte da frente para que seja possível guardar objetos", revela José Carlos de Almeida, engenheiro de tráfego da cidade. Sorocaba conta atualmente com 58 km de rede cicloviária e 2 km de ciclofaixas. Para 2010, estão previstos mais 20 km. "Até 2012, o nosso objetivo é chegar a 100 km de ciclovias", salienta Almeida. Após ser considerada a cidade brasileira com mais ciclovias, Sorocaba investe agora no aluguel de bicicletas Zaqueu Proença Zaqueu Proença Rio de Janeiro: cenário deslumbrante e facilidade de se locomover de bike pelas ruas da cidade Rio de Janeiro A Cidade Maravilhosa já possui 140 km de faixas destinadas aos ciclistas, mas a meta da prefeitura é duplicar a atual extensão, construindo mais 150 km. A iniciativa recebeu o nome de Rio Capital da Bicicleta e sua coordenação está a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Serão implantadas novas ciclovias na zona oeste da cidade, com o intuito de integrar a bike ao transporte por trens, muito utilizados pela população de bairros como Campo Grande e Santa Cruz. "Também há estudos de rotas de ciclovias no centro, Barra da Tijuca e na zona sul da cidade, buscando integrar também a bicicleta ao metrô, pois já há estações com locais para que as bicicletas sejam guardadas", revela a gerente cicloviária da Secretaria Anete Markus. Outra medida foi adotada em Copacabana, por ocasião da comemoração do Dia Mundial sem Carro (22 de setembro) de 2009. A velocidade dos veículos foi reduzida a 30km/h, a fim de criar uma rede de ruas internas do bairro amigáveis aos pedestres e às bicicletas. Mudança lenta quer integrar as bikes Além de investimentos nas ciclovias, outras medidas querem tornar a bike uma opção de transporte. O Projeto de Lei 19/2009, feito pelo vereador Chico Macena e aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, por exemplo, prevê a ampliação de seguro contra roubos em estacionamento para as magrelas. Ainda hoje, as pessoas que têm a sua bike roubada nesses estabelecimentos não conseguem ressarcimento da perda. 96

Curitiba Diferentemente das cidades paulistas, as ciclofaixas da capital paranaense são compartilhadas: podem ser usadas por ciclistas e pedestres. Atualmente, os 100 km já existentes estão sendo recuperados e outros 30 km estão em fase de construção, para que seja possível a conexão de Curitiba com a região metropolitana. Desde que começou a ser implantada, em 2005, as faixas com sinalização para ciclistas passaram a receber diversos adeptos. "Nós usamos formas de circulação compartilhada. A ciclofaixa fica no mesmo nível das utilizadas pelos carros e a faixa compartilhada mostra aos motoristas que aquela via possui velocidade máxima de 30 km/h", comenta a arquiteta Maria Miranda, coordenadora de transporte e mobilidade de Curitiba. Devido a essa preocupação, as bikes passaram a ser utilizadas com diversos propósitos. Uma pesquisa realizada em 2008 revelou, entre outras coisas, que 86,44% dos usuários usam as vias para ir ao trabalho, 5,59% preferem pedalar apenas por lazer e 3,61% das pessoas vão estudar utilizando esse meio de transporte. Neste ano, a preocupação da Curitiba é integrar a cidade com a região metropolitana lucilia guimarães lucilia guimarães Aracaju Já são 56,4 km de ciclovias na cidade e, em 2010, a extensão da rede cicloviária da capital sergipana vai aumentar com a construção de mais 5,5 km. Desde 2001, a prefeitura de Aracaju investiu mais de R$ 11 milhões na ampliação e estruturação de vias exclusivas para ciclistas. A política de incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte tem se refletido na crescente popularização do ciclismo na cidade. O município também vem priorizando outras ações estratégicas, como a criação de bicicletários. Preocupada com as ciclovias desde 2001, este ano Aracaju ganha 5,5 km de novas vias 98