Turma e Ano: Direito Público I (2013) Matéria / Aula: Processo Civil / Aula 22 Professor: Edward Carlyle Monitora: Carolina Meireles (continuação) Exceções No Direito Romano, exceção era no sentido amplo de defesa. Modernamente, subdivide-se em: Exceções (defesas) Exceções em sentido estrito 1 : não podem ser objeto de conhecimento de ofício pelo juiz. Só podem ser alegadas pelas partes interessadas. Objeções 2 : espécies de alegações que também poderiam ser conhecidas ex officio pelo juiz, independentemente de alegação das partes. 1 Exceções em sentido estrito: De direito material: possuem conteúdo de direito material. Ex.: exceção de contrato não cumprido, exceção de compensação, exceção de pagamento. Processuais: ocorrem dentro do âmbito processual. São as exceções de incompetência relativa, suspeição e impedimento. Obs.: As suspeições e impedimentos devem ser analisados de ofício pelo juiz, mas o legislador as arrolou dentro das hipóteses de exceções processuais. Art. 297, CPC c/c Art. 304 e seguintes, CPC. 2 Objeções: Substancial: possui conteúdo de direito material. São as hipóteses de decadência legal e, para alguns, as causas de nulidade de contratos. Processual ou formal: vícios envolvendo os pressupostos processuais e as condições da ação. Na prática, não há distinção entre objeção substancial e processual.
A resposta do réu denominada exceção restringe-se às exceções processuais. Conceito de exceções processuais: É a espécie de resposta do réu que possui como conteúdo a incompetência relativa, a suspeição ou o impedimento. Objeto das exceções processuais: Incompetência relativa, suspeição ou impedimento. Os dois últimos podem ser analisados de ofício pelo juiz. Embora as exceções de suspeição e de impedimento possam ser apresentadas pelo autor, este não pode apresentar exceção de incompetência relativa. Esta última restringe-se ao réu, devendo ser alegada na primeira oportunidade que tiver para se manifestar nos autos, normalmente, no prazo de resposta. O autor apresentará a exceção em momento posterior, no curso do processo. Terá 15 dias a partir da data do conhecimento da causa de impedimento ou de suspeição para apresentar a respectiva exceção. Art. 188, CPC: prazo para contestar deve ser entendido como prazo para responder. O prazo em quádruplo para responder se estende às exceções. Reconvenção Art. 315 e seguintes, CPC Conceito: Ação ajuizada pelo réu contra o autor, dentro do processo original e com base em conexão entre ela e a ação principal ou com o fundamento da defesa. Requisitos ou pressupostos da reconvenção: O juízo deve ser competente para o julgamento de ambas as demandas principal e reconvenção.
Compatibilidade de procedimentos. Se os procedimentos não forem os mesmos, a reconvenção não poderá ser admitida. A ação principal esteja pendente de julgamento. Só é cabível com base em conexão com a ação principal ou com o fundamento de defesa. Existe a possibilidade da reconvenção ser dirigida contra quem não está na demanda? 1ª corrente) Clássica. Não cabe reconvenção contra terceiro que não figurava no polo ativo da demanda. A reconvenção só é possível contra autor. 2ª corrente) Moderna. Dinamarco. É possível, em tese, essa reconvenção contra terceiro. É a reconvenção subjetivamente ampliativa. A jurisprudência já aceitou uma hipótese: Ação possessória ou petitória. Art. 10, 1º, I e 2º, CPC litisconsórcio passivo entre os cônjuges é necessário. Situação inversa: Pode acontecer de haver vários autores ajuizando uma demanda em face do réu. Poderia o réu reconvir apenas contra um dos autores? 1ª corrente) Clássica. Não pode, segundo Barbosa Moreira. 2ª corrente) Dinamarco. É cabível. É a reconvenção subjetivamente restritiva. Mas pressupõe um direito manejado individualmente em face de apenas um. Em tese, é possível, mas não há nenhum caso na jurisprudência. Se o réu reconvindo (autor) não contestar, ele será revel? Pelo Art. 319, CPC, em tese, ele seria revel, mas ele já apresentou argumentos na ação principal. No entanto, na prática, essas matérias podem ser utilizadas pelo juiz. Mesmo que ele não apresente contestação, em tese, pelo que foi alegado na ação principal, seria o suficiente para o juiz verificar que não existe revelia. O autor poderá apresentar exceção de impedimento e de suspeição. No entanto, pela doutrina, não poderá apresentar exceção de incompetência relativa, pois o réu prorrogou a competência daquele juízo na ação principal.
Cabe reconvenção da reconvenção (reconvenções sucessivas)? Em tese, é cabível a reconvenção sucessiva, mas o pedido formulado nessa reconvenção da reconvenção não pode ser hipótese de pedido que poderia ter sido formulado na demanda principal (Para Dinamarco é a preclusão consumativa do pedido.). A reconvenção é cabível no procedimento comum de rito ordinário, mas em algumas hipóteses ela não é admitida: rito sumário (Art. 278, 1º, CPC), embargos, ações possessórias (Art. 922, CPC), juizados especiais (Art. 31, Lei 9.099/95). Isso porque a lei prevê o cabimento dos pedidos contrapostos (salvo os embargos). Nas hipóteses em que sejam cabíveis os pedidos contrapostos não caberá reconvenção. Pedidos contrapostos Art. 278, 1º, CPC: apresentado na contestação e baseado nos mesmos fatos da inicial. Não existe uma nova demanda. Reconvenção Natureza jurídica de ação surge nova demanda (ação). É baseada na conexão com a ação principal ou com o fundamento de defesa. Ação dúplice Não tem tratamento no Código. Oriunda do Direito Romano. 1ª corrente) É a ação na qual é cabível a apresentação de pedidos contrapostos (Nelson Nery, Dinamarco). 2ª corrente) Araken de Assis: ação dúplice é aquela em que independente de quem formule o pedido, o julgamento define a relação jurídica para ambas as partes. É mais técnica. Ex.: ação divisória ou demarcatória, ação declaratória. Natureza jurídica da decisão que indefere liminarmente a reconvenção apresentada pelo réu: decisão interlocutória, pois não colocou termo a todo o processo, com conteúdo dos
Arts. 267 e 269, CPC. Será indeferida, por exemplo, com base no Art. 267, I, CPC (mas não colocou termo ao processo). Dessa decisão caberá agravo de instrumento. Reconvenção decidida com a ação principal: natureza de sentença, sendo o recurso cabível a apelação. Natureza jurídica híbrida dependerá do momento, da fase do processo. Cabe reconvenção em ação rescisória? Há corrente que admite, mas desde que na reconvenção seja formulado pedido de rescisão com base em outro fundamento. Cabe reconvenção em ação monitória? Súmula nº 292, STJ: Cabe reconvenção após conversão em procedimento ordinário. Embargos com natureza de resposta segundo o STJ. A súmula também responde a seguinte pergunta: Cabe reconvenção em procedimentos especiais? Cabe, nas hipóteses em que são convertidos em procedimento ordinário. TEORIA DA COGNIÇÃO JUDICIAL Cognição: conhecimento/teoria do conhecimento judicial. Cognição judicial: ato do juiz que consiste na consideração, análise e valoração das alegações e das provas produzidas pelas partes sobre questões de fato ou de direito, que sejam relevantes para formação de convencimento do juiz a fim de viabilizar o julgamento do mérito da causa. Objeto do processo: é o mérito. Objeto da cognição: todas as alegações. São elas: as questões preliminares, as questões prejudiciais e o mérito.
Objeto litigioso do processo (doutrina clássica e dominante): é o mérito. Está contido no objeto do processo, é o ponto a ser decidido. Objeto do processo: abrange todas as questões que o juiz deve analisar para julgar o mérito. São os pressupostos processuais, condições da ação e o mérito.