BC 0205 Fenômenos Térmicos

Documentos relacionados
Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campus Cornélio Procópio

A variação de qualquer dimensão linear de um corpo com a temperatura se chama dilatação térmica.

defi departamento de física

Física 3 aulas 3 e 4.

Física 3 aulas 3 e 4.

Entender o funcionamento de um pêndulo, correlacioná-lo com o pêndulo simples, determinar a aceleração da gravidade e o momento de inércia do corpo.

Relatório de Física: 1º Relatório Experimental Dilatação Térmica Linear Prof: Bruno Garcia Bonfim

Resolução de Curso Básico de Física de H. Moysés Nussenzveig Capítulo 07 - Vol. 2

Cap 03: Dilatação térmica de sólidos e líquidos

5ª Experiência : Dilatação Térmica

Departamento de Física - ICE/UFJF Laboratório de Física II

TEMPERATURA. Os constituintes da matéria (moléculas, átomos etc.) movem-se continuamente em um movimento de agitação.

Laboratório de Estrutura da Matéria II

ESCALAS TERMOMÉTRICAS E DILATAÇÃO

AI-34D Instrumentação Industrial Física Aplicações Dinâmica de Rotação

INSTITUTO DE FÍSICA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Grupo:... (nomes completos) Prof(a).:... Diurno ( ) Noturno ( ) Experiência 7

Movimento Harmônico Simples e Amortecido

Laboratório de Estrutura da Matéria II

PROF.: Henrique Dantas

TEMPERATURA, CALOR E A PRIMEIRA LEI DA TERMODINÂMICA

Roteiro: Experimento 4: Forças de Atrito

Dilatação Térmica Prof. Neto

FÍSICA TÉRMICA TEMPERATURA, DILATAÇÃO TÉRMICA, CALORIMETRIA E TRANSMISSÃO DE CALOR

Fís. Fís. Monitor: Arthur Vieira

LANÇAMENTO DE PROJETEIS

Ensino Médio Unidade Parque Atheneu Professor: Júnior Condez Aluno (a): Série: 3ª Data: / / LISTA DE FÍSICA II

VELOCIDADE DO SOM EM METAIS

instalação para que, no dia mais quente do verão, a separação entre eles seja de 1 cm? a) 1,01 b) 1,10 c) 1,20 d) 2,00 e) 2,02

Cap 03: Dilatação térmica de sólidos e líquidos

Tópico 8. Aula Prática: Pêndulo Simples

4ª Experiência: Molas

Ondas Estacionárias em Cordas

BC Fenômenos Térmicos

SUMÁRIO FÍSICA DILATAÇÃO DE CORPOS 3 DILATAÇÃO LINEAR 4 DILATAÇÃO SUPERFICIAL 6 DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA 7 EXERCÍCIOS DE COMBATE 9 GABARITO 17

PÊNDULO SIMPLES E CALORIMETRIA

Temperatura, Calor e a Primeira Lei da Termodinâmica

RESOLUÇÃO RESOLUÇÃO. Resp. D

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS. Departamento de Matemática e Física Coordenador da Área de Física

Ensino Médio Unid. São Judas Tadeu Professor (a): Leandro Aluno (a): Série: 2ª Data: / / LISTA DE FÍSICA II

Licenciatura em Física Termodinâmica (TMDZ3) Professor Osvaldo Canato Júnior 1º semestre de 2016

Física Experimental III - Experiência E8

Turma: 2101 Turno: Manhã Professor: Douglas Baroni

Exp 1 - Lei dos Gases (Boyle-Mariotte)

DILATAÇÃO TÉRMICA DOS SÓLIDOS

DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPANSÃO DE LATÃO, AÇO E VIDRO

Sala de Estudos FÍSICA 1 trimestre Ensino Médio 2º ano classe: Prof.LUCAS Nome: nº Sala de Estudos:Dilatação Térmica

FÍSICA TÉRMICA. Prof. Neemias Alves de Lima Instituto de Pesquisa em Ciência dos Materiais Universidade Federal do Vale do São Francisco 1

EXPERIÊNCIA M003-3 PÊNDULO SIMPLES

1ª Aula do cap. 19 Termologia

Laboratório de Física

Problemas de Dilatação Linear, Superficial e Volumétrica

Tensão Superficial INTRODUÇÃO

Departamento de Física - ICE/UFJF Laboratório de Física II Pêndulos

Verificar as equações para a constante de mola efetiva em um sistema com molas em série e outro com molas em paralelo.

Capacitor Variável de Placas Paralelas

MEDIDAS DE RESISTÊNCIAS COM A PONTE DE WHEATSTONE

FÍSICA EXPERIMENTAL 3001

Experiência VI (aula 10) Resfriamento de um líquido

Dilatação Térmica- Básico

SIMPLES PARA ESTUDO DE DILATAÇÃO LINEAR

RELATÓRIO DE PRÁTICA EXPERIMENTAL FIS Física Experimental II ONDAS DA CORDA AO SOM

Experiência 9 Transferência de Calor

Capítulo 10. Rotação. Copyright 2014 John Wiley & Sons, Inc. All rights reserved.

Unidade 2 Dilatação Térmica. Comportamento dos sólidos Dilatação Linear Dilatação Superficial Dilatação Volumétrica

Capítulo 22: Campos Elétricos

GASES: DETEMINAÇÃO DA RELAÇÃO DO VOLUME COM A PRESSÃO DE UMA AMOSTRA DE AR À TEMPERATURA CONSTANTE (LEI DE BOYLE)

Olimpíadas de Física Selecção para as provas internacionais. Prova Experimental A

Experiência 3 - Pêndulo

Dilatação dos sólidos e dos líquidos

CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA AGROALIMENTAR UNIDADE ACADÊMICA DE TECNOLOGIA DE ALIMENTOS DISCIPLINA: FÍSICA I INFORMAÇÕES GERAIS. Prof.

Pêndulo Físico. Cientistas e Engenheiros, Vol. 2, Tradução da 8ª edição norte-americana, Cengage Learning, 2011) 1. Introdução

Termodinâmica. Lucy V. C. Assali

TRABALHO PRÁTICO 2 GASES: DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO DO VOLUME COM A PRESSÃO DE UMA AMOSTRA DE AR EM TEMPERATURA CONSTANTE VERIFICAÇÃO DA LEI DE BOYLE

Respostas e rascunhos deverão ser redigidos com a Caneta entregue pelo Fiscal. Em nenhuma hipótese se avaliará resposta escrita com grafite.

Departamento de Física - ICE/UFJF Laboratório de Física II

FÍSICA EXPERIMENTAL III

Dilatação de sólidos e líquidos

LEI DE AMPÈRE. Introdução

Física Geral e Experimental -3 Termodinâmica. Prof. Ettore Baldini-Neto

BC 0208 Fenômenos Mecânicos. Experimento 3 - Roteiro

OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS a FASE - NÍVEL B (alunos do 1 o e 2 o ano - Ensino Médio)

FÍSICA EXPERIMENTAL III

BC Fenômenos Mecânicos. Experimento 4 - Roteiro

Relatório: Experimento 1

Laboratório de Física

9. (Uel 95) Uma escala de temperatura arbitrária X está relacionada com a escala Celsius, conforme o gráfico a seguir.

Experimento 3 Rolamento

Carga axial. Princípio de Saint-Venant. Princípio de Saint-Venant

PRIMEIRA E SEGUNDA LEIS DE OHM

PROVA DE FÍSICA 2º ANO - 1ª MENSAL - 1º TRIMESTRE TIPO A

Experimento B 4 : Pêndulo de Torção

Diretoria de Ciências Exatas. Laboratório de Física. Roteiro 02. Física Geral e Experimental III 2012/1

Bacharelado em Engenharia Civil. Disciplina: Física Geral e Experimental II 2º período Prof. Cristiano Ferrari

NOME: TURMA: 33AA / 33IA / 33MA Nº PROFESSOR: ELIO ASSALIN TRABALHO DE RECUPERAÇÃO DE FÍSICA (VALOR DE 2,0 PONTOS) NOTA:

Transcrição:

BC 0205 Fenômenos Térmicos Experimento 2 Roteiro Dilatação dos metais Professor: Data: / /2016 Turma: Turno: Proposta Compreender o efeito de dilatação (contração) térmica em metais e determinar o coeficiente de dilatação linear de uma barra de metal. I - Teoria Quando aumentamos a temperatura de um corpo sólido, aumentamos a agitação das partículas que o constituem. Em geral, isso faz crescer não só a amplitude da vibração das moléculas, mas também a distância média entre elas, resultando em um aumento nas dimensões do corpo [1-3]. Esse aumento é chamado dilatação ou expansão térmica. Uma diminuição da temperatura geralmente acarreta uma redução nas dimensões do corpo (contração térmica). A expansão (ou contração) do corpo é proporcional à variação de temperatura do corpo (, onde T F é a temperatura final e T I é a inicial), ao comprimento inicial (L I) e ao coeficiente de dilatação característico de cada material (), que é definido como o coeficiente médio de expansão linear (dado em unidades de o C -1 ). Desse modo podemos escrever a relação: (1) Alguns valores para o coeficiente de dilatação linear são apresentados na tabela 1: Tabela 1: Coeficiente de dilatação térmica linear para alguns metais. Material (10-6 o C -1 ) Material (10-6 o C -1 ) Alumínio 24 Ferro 12 Aço 11 Chumbo 29 Cobre 17 Prata 19 Latão 19 Ouro 14 1

Observando os valores típicos de coeficiente de dilatação térmica, percebemos que a variação de comprimento de uma barra para valores típicos de variação de temperatura são bem pequenos e dificilmente mensuráveis com uma régua. Portanto, é preciso um arranjo de medida que seja mais sensível a pequenas variações de comprimento. Figura 1. Arranjo experimental típico onde uma das extremidades da barra metálica está fixa enquanto a outra rola livremente sobre um ponteiro enquanto dilata. Na figura 1, temos a representação de um aparato experimental que permite este tipo de medida de comprimento. O aparato consiste de uma barra metálica apoiada sobre dois suportes. Uma das extremidades da barra está fixa enquanto que a outra pode rolar livremente sobre um fio de cobre com um diâmetro conhecido. O fio está em formato de L para que uma de suas extremidades seja usada como ponteiro. A barra é aquecida por meio do vapor d'água que passa por ela, proveniente de um gerador de vapor, através do uso de mangueiras. A expansão (ou contração) da barra faz com que o fio gire em torno de seu eixo. Esse movimento desloca o ponteiro e a indicação do ângulo do ponteiro pode ser lida em um transferidor. Dessa forma, desde a temperatura inicial até a temperatura máxima alcançada pela barra, temos uma variação proporcional no comprimento da barra metálica que causa o giro do ponteiro, assim temos uma variação do ângulo de rotação de. Lembramos que para ângulos pequenos é válida a relação, onde r 0 é o raio do fio (ponteiro). Como no nosso caso a superfície abaixo do ponteiro está em contato com um suporte onde há um L 2r rolamento, neste caso a distância líquida da expansão da barra seria, o o, onde 0 é o diâmetro do fio (ponteiro). Isto nos permite reescrever a eq. 1 de modo a obter: o L T I (2) A expressão acima permite determinar diretamente o valor do coeficiente linear em função do ângulo medido com o ponteiro. 2

II - Procedimento Experimental Objetivos do Experimento: Neste experimento, iremos determinar o coeficiente de expansão linear da barra metálica e avaliar as incertezas experimentais associadas a esta medida. Materiais: Régua; Paquímetro; Transferidor; Barra metálica; Suporte; Termômetro; Gerador de vapor. Procedimentos: O aparato experimental que será utilizado neste experimento é similar ao apresentado na fig. 1. Siga as instruções a seguir para a realização do experimento: 1 - Meça o diâmetro do fio (ponteiro) com o paquímetro. Seja bastante cuidadoso nesta medida e escreva o resultado obtido abaixo: Diâmetro do fio: 0 = ± mm 2 - Monte o aparato experimental (como mostrado na figura 1) certificando-se que a barra esteja fixa em uma das pontas e a outra ponta esteja sobre o fio e o ponteiro, que deverá ficar na posição vertical. Ajuste e anote o ângulo inicial do ponteiro (dica: ajuste para que o ângulo seja exatamente zero no início do experimento). 3 - Meça o comprimento da barra desde a sua ponta fixa até a posição onde está preso o ponteiro, esta é a medida do comprimento inicial da barra (L I ), anote este valor com a respectiva incerteza da medida. Comprimento inicial da barra: L I = ± cm 4 - Com instrumento adequado, meça a temperatura inicial da barra e anote este valor com a respectiva incerteza. Temperatura inicial da barra: T I = ± o C 5 - Acople o gerador de vapor à barra de metal através do tubo de polipropileno. Tome cuidado para não mover o ponteiro durante o processo. Caso isso ocorra, tenha certeza de ajustar o ângulo do ponteiro novamente sem modificar o comprimento de L I medido anteriormente. 6 Aguarde até que a barra metálica entre em equilíbrio térmico com o vapor. Meça o ângulo até o qual se deslocou o ponteiro e apresente a variação do ângulo com a devida incerteza em radianos. Variação angular do ponteiro: = ± radianos 3

7 Meça novamente a temperatura da barra após a expansão. Apresente a temperatura final com a devida incerteza. Temperatura final da barra: T F = ± o C 8 Meça o comprimento final da barra (do ponto fixo até o ponteiro) com a régua. Seja cuidadoso para não se queimar ou danificar a régua, pois a barra está quente. Comprimento final da barra : L F = ± cm Com base nas medidas realizadas, responda: 1) Observando os valores de comprimento inicial e final medidos com a régua, é possível uma determinação precisa do valor do coeficiente de dilatação térmica linear por meio destas medidas diretas? Justifique sua resposta. 2) Por meio da equação 2 e das medidas realizadas, determine o valor do coeficiente de dilatação linear da barra. Explicite os seus cálculos. 3) Calcule a incerteza do coeficiente de dilatação linear ( ) obtido na questão 2. Observe que deverá fazer o cálculo considerando o erro medido nos quatro parâmetros: 0, L I,, T. Escreva a fórmula para o cálculo da incerteza em termos das variáveis relevantes explicitamente e depois determine o seu valor numérico. 4

Apresente abaixo o valor do coeficiente de dilatação linear da barra metálica com sua respectiva incerteza: Coeficiente de dilatação linear: = ± o C -1 4) Calcule o valor de L F (eq. 1) usando os valores obtidos para o coeficiente de dilatação linear. Compare com o valor obtido por meio da medida direta com a régua. Com base nestes dados, é possível justificar o porquê do uso do ponteiro na medida de em lugar do uso de uma medida direta do comprimento? 5) Compare o valor obtido experimentalmente para com o valor listado na tabela 1 para o material do qual a barra é feita. Qual o erro percentual do valor medido em relação ao esperado. Você considera que o experimento obteve um resultado adequado? Justifique as suas respostas. III - Referências [1] Halliday, Resnick, Walker, Fundamentos de Física 2, Ed. LTC, Rio de Janeiro (2006). [2] Sears &Zemansky, Física II termodinâmica e ondas, 10 edição, Ed. Pearson Addison Wesley, São Paulo (2003) [3] A. A. Campos, E. S. Alves, N. L. Speziali, Física experimental básica na Universidade, Ed. UFMG (2008). 5