Anais do 38º CBA, p.1967

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Transcrição:

38º CONGRESSO BRASILEIRO DA ANCLIVEPA, 2017 - RECIFE/PE HIPOTIREOIDISMO CANINO RELATO DE CASO HYPOTHYROIDISM CANINE - A CASE REPORT Luana Mirela de Sales PONTES1; Débora Mirelly Sobral da SILVA²; Ivyson da Silva EPIFÂNIO2; Vitor Miranda de TRAVASSOS3; Joane Isis Travassos VIEIRA4; Rute Chamié Alves de SOUZA5; Edna Michelly de Sá SANTOS6 1 Discente de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco, luanamspontes@hotmail.com 2 Médico Veterinário autônomo pela Universidade Federal Rural de Pernambuco- Unidade Acadêmica de Garanhuns 3 Médico Veterinário, R2 do Programa de Residência em Área de Saúde do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco 4 Mestranda em Ciência Veterinária Universidade Federal Rural de Pernambuco 5 Professora Adjunta do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco- Unidade Acadêmica de Garanhuns 6 Professora Adjunta do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Pernambuco. Resumo: O hipotireoidismo é considerado a afecção endócrina que mais acomete os cães. Esta patologia se caracteriza pela diminuição da função da glândula tireoide, levando à deficiência de tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) a partir de qualquer desequilíbrio no eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Geralmente os animais apresentam letargia, intolerância aos exercícios e ao frio, sonolência, aumento de peso sem polifagia e alterações dérmicas. A partir da importância clínica desta afecção, objetivou-se relatar o caso de um canino atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco e diagnosticado com hipotireoidismo primário. O paciente apresentava alopecia dorsal, otite bilateral de repetição, prurido, seborreia mista, bem como ganho de peso e sonolência. Foram solicitados: tricograma, hemograma e bioquímica sérica, sem alterações, além de citologia do cerúmen com presença de cocos e bacilos citologia de fita interdigital (10 leveduras de Malassezia por campo), e dosagem de T4 livre (0,30 ng/dl) e TSH (0,56 ng/dl), firmando o diagnóstico de hipotireoidismo. Como tratamento, prescreveu-se: levotiroxina sódica, obtendo-se melhora clínica após o início do tratamento. Conclui-se que o diagnóstico precoce do hipotireoidismo primário possibilita a realização de tratamento adequado, evitando complicações oriundas dos níveis cronicamente baixos dos hormônios tireoideanos. Palavras-chaves: cão; hipotireóideo; tireoide, levotiroxina. Keywords: Dog, Hypothyroid, Thyroid, Levothyroxine Revisão de Literatura: Anais do 38º CBA, 2017 - p.1967

A glândula tireoide é formada por folículos tireoideanos e estes são responsáveis pela síntese e armazenamento dos principais hormônios da tireoide (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2013). A tireoide interfere nos processos metabólicos e seu controle se dá através da secreção dos hormônios: tiroxina (T4) e triiodotironina (T3) responsáveis pelo metabolismo intermediário e calcitonina, que atua diminuindo o cálcio sérico (REECE, 2006). O Hormônio Liberador de Tireotrofina (TRH) é produzido principalmente no hipotálamo através de neurônios especializados que estimula a hipófise a produzir Hormônio Estimulador da Tireoide (TSH). Por sua vez, o TSH estimula a tireoide a produzir T3 e T4 (REECE, 2006). O hipotireoidismo é caracterizado por uma diminuição de função da glândula tireoide, levando a produção deficiente dos hormônios T3 e T4, gerada pelo desequilíbrio no eixo hipotálamo-hipófise-tireoide, sendo considerada a afecção endócrina que mais acomete os cães (BOJANIĆ et al., 2011; MOONEY, 2011). A patologia se classifica como primária, secundária ou terciária, podendo ser ainda de ocorrência natural ou iatrogênica. A forma primária ocorre cerca de 95% dos casos e sua origem advém da destruição da glândula tireoide, sendo mais comum nos casos de tireoidite linfocitica e atrofia idiopática da glândula (HOSKINS, 2008). A forma secundária é relacionada a neoplasias, hipercortisolismo adquirido ou a síndrome do eutireoideo doente, levando à deficiência de TSH. Já a terciária ocorre quando há produção insuficiente TRH, sendo a presença de neoplasias hipotalâmicas a única causa relatada em cães (NELSON e COUTO, 2015). O animal pode apresentar uma diversidade de sinais clínicos, desde letargia, sonolência, intolerância a exercícios, obesidade, alterações dermatológicas, emese, diarreia (REUSCH, 2006), até sinais cardiovasculares (NELSON e COUTO, 2015). O diagnóstico do hipotireoidismo deve ser realizado a partir da análise de diversos parâmetros, tais como os sinais clínicos, epidemiologia e os achados laboratoriais específicos e inespecíficos, com o intuito de torná-lo o mais correto possível (NELSON e COUTO, 2015). A levotiroxina sódica (T4) é a droga de eleição para o tratamento do hipotireoidismo. Após o início do tratamento, este deve ocorrer por toda a vida do animal, mas ainda há discussão quanto à posologia do tratamento (SCOTT et al, 2001; LALIA, 2004). Descrição do caso: Anais do 38º CBA, 2017 - p.1968

Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife-PE, um canino, SRD, macho, nove anos, 29 Kg, castrado há dois anos. O tutor relatou queixa dermatológica, com agravamento do quadro de alopecia dorsal há dois anos, bem como otite de repetição. O paciente demonstrou ganho de peso, aumento dos períodos de sono e prurido de leve a moderado, com lambedura considerável das patas. Histórico de tratamentos pregressos sem resultados satisfatórios. Durante o exame físico os parâmetros cardiorrespiratórios, temperatura retal e palpação abdominal estavam dentro da normalidade para a espécie. Entretanto, o exame dermatológico mostrou alopecia dorsal e de cauda total, com hiperpigmentação. Presença de seborreia mista, com predominância da fração oleosa e otite bilateral com secreção escurecida e odor fétido. Foram realizados tricograma, citológico do cerúmen, citologia de fita interdigital, além de hemograma, bioquímica sérica e dosagem de T4 livre e TSH. Discussão: Segundo Mooney (2012), a maior incidência de hipotireoidismo ocorre nas raças puras, porém Varallo et al. (2014) encontraram uma maior frequência em animais SRD, podendo ser relacionada a predominância populacional racial do estudo. O paciente manifestou os primeiros sinais clínicos aos seis anos, concordando com Cunningham e Klein (2008) que de acordo com a predisposição racial indicam o aparecimento dos primeiros sinais clínicos entre quatro e seis anos de idade. Werner (2014) aponta que animais castrados desenvolverem mais a patologia em comparação a animais inteiros, tal qual o canino estudado que evidenciou a sintomatologia após a castração. A letargia, obesidade e prurido comentados na anamnese são comumente encontradas em cães hipotireóideos (DIXON et al. 1999; TEIXEIRA, 2008), sendo o último devido infecções secundárias ou distúrbios seborreicos (HOSKINS, 2008). Outros sinais reportados, como alopecia simétrica, hiperpigmentação (TEIXEIRA, 2008), alopecia dorsal (CIESIELSIK, 2008), cauda-de-rato (LARSSON, 2014), além de infecção secundária por Malassezia, positivo na fita interdigital, são descritos como típicos de animais com redução da função tireoidiana. A citologia de cerúmen com presença de cocos e bacilos corrobora com Coatesworth (2011) que indica o hipotireoidismo como uma causa primária de otite Anais do 38º CBA, 2017 - p.1969

externa em cães, devido às modificações no perfil de ácidos graxos, aumento da atividade das glândulas e redução da resposta imunológica. O hemograma apresentou uma anemia normocítica normocrômica, achado comum em cães com hipotireoidismo (NELSON e COUTO, 2015). Já a bioquímica sérica apresentou resultados dentro dos valores de referência pouco condizentes com indivíduos hipotireoideos. Pereira et al. (2009) relataram hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia em seus estudos e, segundo Nelson e Couto (2015) este é um achado encontrado em até 75% dos animais acometidos. Apesar do aumento da fosfatase alcalina (FA) ser um achado comum em cães com hipotireoidismo, segundo Cesena et al. (2005), esta alteração não foi encontrada. O resultado da dosagem hormonal confirmou a suspeita clínica de hipotireoidismo. Imediatamente, prescreveu-se o tratamento com levotiroxina sódica, na dose de 10 mcg/kg. Após cinco meses, com melhora significativa, a dose foi reajustada (17 mcg/kg) devido o T4 livre se encontrar em 0,34 ng/dl. O peso do paciente também foi sendo acompanhado, mostrando redução considerável, total de 11 kg em 5 meses. O animal continuou em tratamento hormonal como preconizado, refletindo melhora clínica significativa, evidenciado principalmente na pele, que demonstrou considerável repilação, bem como o emagrecimento notável do animal. Quanto às infecções secundárias que persistem, é esperado que ocorram, até que os níveis hormonais estejam ajustados. Conclusão: O hipotireoidismo canino é uma afecção ainda subdiagnosticada na rotina clínica, sendo muitas vezes identificada tardiamente, quando o animal já apresenta alterações graves. Apesar de causar uma diversidade de sinais, geralmente a respostas dos cães é positiva a suplementação hormonal, ficando clara a importância de um diagnóstico precoce para um de tratamento o mais rápido. Referências: BOJANIĆ, K.; ACKE, E.; JONER, B.R. Congenital hypothyroidism of dogs and cats: a review. New Zealand Veterinary Journal, v.59, n.3. 2011. p.115-122. CESENA, F. H. Y.; XAVIER, H. T.; DA LUZ, P. L. Terapia hipolipemiante em situações especiais: hipotireoidismo e hepatopatias. Arq. Bras. de Cardiologia, v. 85, p. 28-33, 2005. CIESIELSKI, W. G.; 2008. 77p. Monografia (curso de Medicina Veterinária). Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba. Anais do 38º CBA, 2017 - p.1970

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