AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.246.396 - RS (2011/0066530-4) RELATOR AGRAVANTE AGRAVADO : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO : LIBERTY PAULISTA SEGUROS S/A : ANGELINO LUIZ RAMALHO TAGLIARI E OUTRO(S) : ROBERTO CARLOS PEREIRA MACHADO E OUTROS : GUSTAVO H L CORBELLINI E OUTRO(S) EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. SEGURO HABITACIONAL. CAIXA SEGURADORA S.A. RAMO DA APÓLICE. COMPROMETIMENTO DO FCVS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. 1. Entendimento uníssono do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, nos feitos em que se discute contrato de seguro adjeto a mútuo, não afetando o fundo de compensação das variações salariais (FCVS), inexiste interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo necessário, sendo, portanto, da Justiça Estadual a competência para o seu julgamento. Controvérsia, no caso, restrita à seguradora e ao mutuário. 2. Não comprovado de forma inequívoca que o contrato de seguro em tela pertença ao ramo público, bem como que a própria Caixa Econômica Federal tenha demonstrado interesse na causa, deve ser confirmada a competência da Justiça Estadual. 3. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça,por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Nancy Andrighi e Sidnei Beneti votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de fevereiro de 2013(Data do Julgamento) Ministro Paulo de Tarso Sanseverino Relator Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 1 de 6
AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.246.396 - RS (2011/0066530-4) AGRAVANTE : LIBERTY PAULISTA SEGUROS S/A : ANGELINO LUIZ RAMALHO TAGLIARI E OUTRO(S) AGRAVADO : ROBERTO CARLOS PEREIRA MACHADO E OUTROS : GUSTAVO H L CORBELLINI E OUTRO(S) RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por LIBERTY PAULISTA SEGUROS S/A contra decisão assim ementada: RECURSO ESPECIAL. SEGURO HABITACIONAL. VÍCIOS CONSTRUTIVOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A APÓLICE PERTENÇA AO RAMO PÚBLICO. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. RECURSO ESPECIAL PROVIDO As razões do pedido requerem a reforma do decisum reiterando, em síntese, a tese referente à necessidade de inclusão da Caixa Econômica Federal na lide, com o conseqüente deslocamento da competência para a Justiça Federal. (fls. 327/337) É o relatório. Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 2 de 6
AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.246.396 - RS (2011/0066530-4) VOTO O EXMO. SR. MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO (Relator): Eminentes colegas, o agravo regimental não merece prosperar. Com efeito, a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que, nos feitos em que se discute contrato de seguro adjeto a contrato de mútuo, por não afetar o Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), inexiste interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo com a Caixa Seguradora S/A, restringindo-se a controvérsia à discussão entre seguradora e mutuário. Destarte, segundo o rito dos recursos repetitivos, foram julgados o Resp 1.091.363/SC e o Resp 1.091.393/SC, ostentando este último a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. AÇÃO EM QUE SE CONTROVERTE A RESPEITO DO CONTRATO DE SEGURO ADJECTO A MUTUO HIPOTECÁRIO. LITISCONSÓRCIO ENTRE A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL/CEF E CAIXA SEGURADORA S/A. INVIABILIDADE. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. LEI N. 11.672/2008. RESOLUÇÃO/STJ N. 8, DE 07.08.2008. APLICAÇÃO. 1. Nos feitos em que se discute a respeito de contrato de seguro adjeto a contrato de mútuo, por envolver discussão entre seguradora e mutuário, e não afetar o FCVS (Fundo de Compensação de Variações Salariais), inexiste interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo necessário, sendo, portanto, da Justiça Estadual a competência para o seu julgamento. Precedentes. 2. Julgamento afetado à 2a. Seção com base no Procedimento da Lei n. 11.672/2008 e Resolução/STJ n. 8/2008 (Lei de Recursos Repetitivos). 3. Recursos especiais conhecidos em parte e, nessa extensão, não providos. (REsp 1091363/SC, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 25/05/2009) Nessa esteira, em continuidade ao julgamento dos indigitados Recursos Especiais, a Segunda Seção desta Corte esclareceu que, "nos feitos em que se Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 3 de 6
discute a respeito de contrato de seguro privado, apólice de mercado, Ramo 68, adjeto a contrato de mútuo habitacional, por envolver discussão entre a seguradora e o mutuário, e não afetar o FCVS (Fundo de Compensação de Variações Salariais), não existe interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo necessário, sendo, portanto, da Justiça Estadual a competência para o seu julgamento. Ao contrário, sendo a apólice pública, do Ramo 66, garantida pelo FCVS, existe interesse jurídico a amparar o pedido de intervenção da CEF, na forma do art. 50, do CPC, e remessa dos autos para a Justiça Federal ". (EDcl no REsp 1091363/SC, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, DJe 28/11/2011) A propósito: AGRAVO REGIMENTAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. AÇÃO AJUIZADA CONTRA SEGURADORA. COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL. MULTA DECENDIAL. COBERTURA SECURITÁRIA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. DECISÃO AGRAVADA MANUTENÇÃO. 1.- "Nas ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do SFH, a CEF detém interesse jurídico para ingressar na lide como assistente simples somente nos contratos celebrados de 02/12/1988 a 29/12/2009 - período compreendido entre as edições da Lei n. 7.682/88 e da MP n. 478/09 - e nas hipóteses em que o instrumento estiver vinculado ao FCVS (apólices públicas, ramo 66). Ainda que compreendido privadas, ramo 68), a CEF carece de interesse jurídico a justificar sua intervenção na lide. Ademais, o ingresso da CEF na lide somente será possível a partir do momento em que a instituição financeira provar documentalmente o seu interesse jurídico, mediante demonstração não apenas da existência de apólice pública, mas também do comprometimento do FCVS, com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do FESA, colhendo o processo no estado em que este se encontrar no instante em que houver a efetiva comprovação desse interesse, sem anulação de nenhum ato anterior" (EDcl no EDcl no Resp nº 1.091.363, Relatora Ministra ISABEL GALLOTTI, Relatora p/acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, data do julgamento 10/10/2012). 2.- O Tribunal de origem, interpretando as cláusulas do contrato, concluiu que os vícios de construção verificados estavam cobertos pela apólice. Nessa medida, apenas a análise do contrato e dos vícios apresentados poderia apontar em sentido contrário, o que é defeso a Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 4 de 6
esta Corte por aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ. 3.- A multa decendial, devida em função do atraso no pagamento da indenização objeto do seguro obrigatório, nos contratos vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação, é devida aos mutuários, dado o caráter acessório que ostenta em relação à indenização securitária e deve estar limitada ao valor da obrigação principal (art. 920 do Código Civil de 1916) (REsp 870.358/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, DJe 7/5/2009) 4.- Agravo Regimental improvido. (AgRg no AREsp 245.399/SC, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/11/2012, DJe 18/12/2012) Dessarte, não tendo sido demonstrada de forma inequívoca que o contrato de seguro em tela pertença ao ramo público, bem como que a própria Caixa Econômica Federal tenha demonstrado interesse na causa, deve ser confirmada a competência da Justiça Estadual. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto. Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 5 de 6
CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA Número Registro: 2011/0066530-4 AgRg no REsp 1.246.396 / RS Números Origem: 11000064889 70037877867 70038611687 70039620109 EM MESA JULGADO: 19/02/2013 Relator Exmo. Sr. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. MAURÍCIO DE PAULA CARDOSO Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA RECORRENTE RECORRIDO AUTUAÇÃO : ROBERTO CARLOS PEREIRA MACHADO E OUTROS : GUSTAVO H L CORBELLINI E OUTRO(S) : LIBERTY PAULISTA SEGUROS S/A : ANGELINO LUIZ RAMALHO TAGLIARI E OUTRO(S) ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Seguro AGRAVANTE AGRAVADO AGRAVO REGIMENTAL : LIBERTY PAULISTA SEGUROS S/A : ANGELINO LUIZ RAMALHO TAGLIARI E OUTRO(S) : ROBERTO CARLOS PEREIRA MACHADO E OUTROS : GUSTAVO H L CORBELLINI E OUTRO(S) CERTIDÃO Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Nancy Andrighi e Sidnei Beneti votaram com o Sr. Ministro Relator. Documento: 1210097 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 25/02/2013 Página 6 de 6