FITOTOXEMIAS causadas por artrópodes

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GRUPO DE DOENÇAS. Grupo de Doenças. Profª. Msc. Flávia Luciane Bidóia Roim. Universidade Norte do Paraná

Transcrição:

Dra. Nathalie K. Prado Maluta Prof. Dr. João R. Spotti Lopes Departamento de Entomologia e Acarologia ESALQ/USP nathaliemaluta@usp.br FITOTOXEMIAS causadas por artrópodes Doenças das Grandes Culturas LFN 1624 27.mar.2017

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

O que são fitotoxemias? Distúrbios fisiológicos na planta em resposta ao dano mecânico e/ou introdução de fitotoxinas durante alimentação do inseto Cranshaw, W. 2008. Phytotoxemia. In Encyclopedia of Entomology, ed. John L Capinera. Dordrecht: Springer Netherlands, p. 2885.

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

Quem são os artrópodes toxicogênicos? Artrópodes que se alimentam de fluídos das plantas Ácaros: Eriophyiidae Heteroptera (Percevejos) Eric Erbe; digital colorization by Chris Pooley (USDA, ARS, EMU)

Quem são os artrópodes toxicogênicos? Artrópodes que se alimentam de fluídos das plantas Subordem: Sternorrhyncha Afídeos Filoxera Psilídeos Cochonilhas Moscas-brancas

Quem são os artrópodes toxicogênicos? Artrópodes que se alimentam de fluídos das plantas Subordem: Auchenorrhyncha Cigarrinhas

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

Como reconhecer uma fitotoxemia? Fitotoxemias apresentam sintomas semelhantes aos de viroses e de fitotoxidez de herbicidas Confusão com doenças infecciosas e fitotoxicidade!

1. O artrópode é vetor de fitopatógeno? Transmissão de fitopatógenos - vetor Dano inerente ao indivíduo (infectividade natural) Relação entre população e dano não é clara Doenças infecciosas Pragas em geral Potencial de dano inerente à espécie Relação direta entre população e dano Doenças não infecciosas

1. O artrópode é vetor de fitopatógeno? Vetor necessita adquirir patógeno em plantas-fonte e inocular em planta sadia para iniciar o processo de doença Não há remissão de sintomas com a eliminação do vetor Dalbulus maidis Enfezamento vermelho do milho (fitoplasma) Diaphorina citri Huanglongbing dos citros (liberibactérias)

1. O artrópode é vetor de fitopatógeno? Aphis gossypii Cucumber mosaic virus (CMV) (vírus) Tomato chlorosis virus (ToCV) (vírus) Bemisia tabaci

2. O problema se propaga vegetativamente? Doença é perpetuada por enxertia ou propagação vegetativa

3. Qual o padrão de distribuição e histórico da área? Vizinho

Como reconhecer uma fitotoxemia? Capacidade de induzir sintomas é característica da espécie de artrópode Incidência e severidade de sintomas é diretamente proporcional ao número de insetos e tempo de alimentação Há remissão de sintomas após a eliminação do artrópode Verificar histórico da área e padrão de distribuição no campo

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

Possíveis Fitotoxinas Introduzidas via aparelho bucal Componentes da saliva (pectinases; proteases; amilases...) Regurgitantes Substâncias de outras plantas Introduzidas via ovipositor Superfície ou endofítica Secreções

Salivas em insetos hemípteros Penetração dos estiletes Salivação Bainha estiletar Will et al., 2012

Salivas em insetos hemípteros epiderme mesófilo floema pulgão labium

Salivas em insetos hemípteros Saliva gelatinosa - Forma bainha estiletar: - Suporte para estiletes - Proteção contra substâncias de defesa da planta - Previne saída de líquidos da célula - -Previne a entrada de ar nos vasos - Mínimo dano ao tecido vascular/ estiletes - Ex. Auchenorryncha e Sternorrhyncha Bainha estiletar

Salivas em insetos hemípteros Saliva aquosa - Rica em enzimas digestivas e oxidativas: para a digestão de componentes celulares e evitar compostos de defesa da planta - Intensa movimentação dos estiletes, rompendo células do mesófilo ou vasos maior dano mecânico - Ex. Auchenorryncha e Sternorrhyncha Percevejos (Heteroptera-maioria)

Tipos de fitotoxemias Sintomatologia Lesões localizadas Manchas cloróticas/necróticas; Malformações de tecidos Galhas, encarquilhamento, superbrotamento, queima foliar marginal, roseta; Fitotoxinas translocadas (sistêmicas) Clorose/necrose dos vasos, murcha, etc. Cranshaw, W. 2008. Phytotoxemia. In Encyclopedia of Entomology, ed. John L Capinera. Dordrecht: Springer Netherlands, p. 2885.

Sumário Definição Artrópodes toxicogênicos Como reconhecer uma fitotoxemia? Possíveis fitotoxinas Exemplos

1. Percevejos da Soja Percevejo marrom Euschistus heros Percevejo pequeno Piezodorus guildinii Percevejo Verde Nezara viridula

Percevejos da Soja Punctura nos grãos Danos diretos: ataque às vagens e grãos Provoca queda: rendimento, germinação, vigor, número de grãos

Percevejos da Soja Vagem chochas Danos diretos Ataque às sementes

Percevejos da Soja Fitotoxemia Soja Louca 1 Gera distúrbio fisiológico dificuldade na colheita

Percevejos da Soja Situações que favorecem ataques por percevejos Bordaduras, variedades tardias e fase reprodutiva da soja

Percevejos da Soja Amostragem Pano de batida e contagem dos insetos

Percevejos da Soja Amostragem Pano de batida e contagem dos insetos Área (ha) No. de pontos 1 10 6 11 30 8 31 100 10

Percevejos da Soja Medidas de controle 1. CULTURAL - Época de plantio e variedades 2. BIOLÓGICO - Vespinhas: 3. QUÍMICO Trissolcus basalis Telenomus podisi

Percevejos da Soja Medidas de controle Vespinhas Trissolcus basalis (ovos de Nezara viridula) Telenomus podisi (ovos de Euchistus heros) Produção massal em ovos de percevejos 5.000 vespinhas/ha (2X) Uso em bordadura precoce var. precoce (10% área)

Percevejos da Soja Medidas de controle QUÍMICO - Usar apenas quando atingir NC - Evitar pulverizações no início da cultura (desequilíbrios biológicos) Seletividade é fator chave - neonicotinoides - carbamatos - fosforados - piretróides Seletividade

2. Cigarrinhas em cana-de-açúcar Cigarrinha-da-Folha (Mahanarva posticata) Cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata )

Cigarrinhas em cana-de-açúcar Cigarrinha-da-raiz

Cigarrinhas em cana-de-açúcar saliva tóxica sistêmica necrose dos vasos e queima no canavial Cigarrinha-da-raiz

Cigarrinhas da cana-de-açúcar Amostragem M. posticata 2 ninfas / cana ou 1 adulto / cana M. fimbriolata 2-4 ninfas/ m linear ou 1 adulto / cana

Cigarrinhas da cana-de-açúcar Medida de controle Cigarrinha-da-Raiz ( Fungo-Verde: Metarhizium anisopliae )

3. Galhas em videira Filoxera Daktulosphaira vitifoliae Controle: Porta-enxerto resistentes

4. Hopperburn em videira Remissão de sintomas Jacobiasca lybica Plantio resistente Plantio suscetível

5. Amarelecimento marginal do feijão Cigarrinha verde Empoasca spp. Clorose marginal Encarquilhamento e raquitismo

6. Amarelecimento marginal do amendoim Cigarrinha verde Empoasca spp.

7. Mosca-branca Bemisia tabaci, biótipo B

Prateamento induzido por mosca-branca Fitotoxemia sistêmica associada ao estágio de desenvolvimento Amadurecimento irregular dos frutos Prateamento das folhas Curcubitáceas

8. Fitotoxemia em citros Pulgão verde dos citros - Aphis spiraecola

9. Fitotoxemia em melancia Percevejo Leptoglossus gonagra e pontos necrosados e deprimidos no fruto Pode atacar outras culturas! EMBRAPA Documentos 2012 ISSN 1517-3135

OBRIGADO!! nathaliemaluta@usp.br