HORIZONTES DIAGNÓSTICOS SUPERFICIAIS As características dos horizontes superficiais dos solos têm estreita relação com a dinâmica do carbono orgânico. O padrão desta dinâmica se estabelece a partir da maior ou menor importância que cada um dos processos gerais de formação envolvidos (para a camada superficial do solo os principais são a adição, a remoção e a transformação de materiais) assume em cada situação. Horizonte Hístico (H) Horizonte superficial constituído por material orgânico que tenha: a. espessura 20 cm; ou b. espessura maior que 40 cm, quando 75% ou mais do volume do horizonte for constituído de fibras de esfagno e/ou restos de ramos finos, raízes finas e cascas de árvores, excluídas as partes vivas; ou c. espessura 10 cm, quando assente sobre um contato lítico. Inclui tanto o horizonte hístico propriamente dito (horizonte H, formado em condições de excesso de água e taxa de deposição de material orgânico por vezes lenta) quanto o horizonte orgânico (horizonte O, formado em condições de drenagem livre e alta taxa de deposição de material orgânico). Pode estar soterrado por material mineral ou mesmo orgânico de deposição mais recente. Horizonte A chernozênico: Horizonte superficial de material mineral que deve atender aos seguintes requisitos: a. com estrutura moderada ou forte. Não pode ser, simultaneamente, maciço e duro (ou mais coeso). b. quanto à cor, o solo deve apresentar as seguintes características: i. valor 3 e croma 3 (em amostra úmida e úmida amassada); ii. croma 5 (no solo seco); iii. se tem CaCO 3 40%, para solo seco aceita-se qualquer valor, porém para solo úmido o valor deve ser 5. c. saturação por bases 65%, com predomínio dos íons Ca e/ou Mg. d. quanto ao conteúdo de C-org, deve atender aos seguintes requisitos: i. teor 0,6%, conforme critério de espessura do item seguinte; ii. se tem CaCO3 40% e as cores se diferenciam das usuais, o teor deve ser 2,5% nos 18 cm superficiais; iii. o teor máximo é aquele imediatamente abaixo do limite inferior excludente do horizonte hístico. e. Com relação à espessura, deve apresentar: i. 10 cm, se o horizonte A é seguido de contato com a rocha; ou ii. se a espessura do solo < 75 cm, o horizonte A deve ter no mínimo 18 cm e mais que 1/3 da espessura do solo; ou iii. 25 cm, quando a espessura do solo for 75 cm. Horizonte A húmico: Horizonte mineral superficial de cor escura (valor e croma 4, para o solo úmido) e saturação por bases < 65%, apresentando espessura mínima como descrita para o horizonte A chernozênico e C-org conforme os seguintes critérios: a. teor de C-org inferior ao limite mínimo para caracterizar o horizonte hístico; b. estoque de carbono orgânico (C-org) igual ou superior a um valor mínimo (C-mín), o qual, em se considerando como unidade de expressão g dm -2, pode ser calculado pela equação C-mín = 60 + % de argila. Nesta equação % de argila refere-se ao conteúdo percentual médio de argila do horizonte, obtido ponderando-se do teor de argila de cada suborizonte pelas respectivas espessuras, n segundo a equação % ar gila = % argila subhor x espessurasubhor / espessurahor. A partir dos subhor = 1 estoques de carbono de cada suborizonte (C-org subhor) se obtém, pela soma, o estoque de carbono total n do horizonte C org = C org subhor. O estoque de carbono de cada suborizonte, expresso em subhor= 1
g dm -2, pode ser obtido pela equação C org subhor = % C org subhor x espessura subhor (ou seja, multiplicando-se o teor percentual de C-org do subhorizonte pela sua espessura, expressa em cm). Horizonte A proeminente: Características idênticas às do horizonte A chernozênico, exceto por apresentar saturação por bases < 65%. Além disso, não satisfaz os requisitos para horizonte A húmico. Horizonte A antrópico: Horizonte mineral superficial semelhante aos horizontes A chernozênico, A proeminente e A húmico, com V% variável, diferindo destes por apresentar [P2O5] solúvel em ácido cítrico maior que na parte inferior do solum, ou presença de artefatos líticos e/ou cerâmicas, características de ação antrópica. É formado ou modificado pelo homem, devido ao uso contínuo e prolongado como local de residência ou cultivo, tendo recebido adições de material orgânico (em mistura ou não com material mineral) e, às vezes, de fragmentos de cerâmica e restos de ossos e conchas. Horizonte A fraco: Horizonte mineral superficial com espessura < 5 cm ou que, se mais espesso, apresenta-se fracamente desenvolvido, com todas as seguintes características: a. cor com valor 4, quando úmido, e 6, quando seco; b. estrutura em grãos simples, maciça ou com grau fraco de desenvolvimento; c. teor de C-org < 0,6; Horizonte A moderado: Horizonte mineral superficial que não se enquadram nas categorias anteriores, seja pela espessura, cor ou teor de C-org. HORIZONTES DIAGNÓSTICOS SUBSUPERFICIAIS Os solos são forjados a partir da ocorrência dos processos gerais de formação do solo (adição, remoção, transformação, transporte seletivo e transporte não seletivo). A maior ou menor importância relativa de cada um deles define a ocorrência de processos pedogenéticos específicos (latossolização, podzolização, calcificação, hidromorfismo, halomorfismo, tiomorfismo), aos quais as características dos horizontes subsuperficiais dos solos se condicionam. A seguir serão apresentadas as definições e características diagnósticas dos horizontes subsuperficiais, buscando relacioná-los aos processos pedogenéticos específicos de maior importância para sua formação. Horizonte E álbico Formado a partir da podzolização, sendo, nesse processo, o horizonte que apresenta remoção (por eluviação) de material coloidal e orgânico, ou segregação desses materiais, a tal ponto que a cor é determinada principalmente pelas partículas primárias areia e silte, e não por revestimento nessas partículas. Usualmente precede um horizonte B espódico, B textural, B plânico, horizonte plíntico, horizonte glei, fragipã ou uma camada impermeável que restrinja a percolação da água. Possui no mínimo 1 cm de espessura, e apresenta uma das seguintes cores: a. croma 2, e i. valor úmido 3 e valor seco 6; ou ii. valor úmido 4 e valor seco 5 b. croma 3, e i. valor úmido 6; ou ii. valor seco 7 Obs.: Excluem-se de E álbico os horizontes cuja cor clara seja decorrente de calcário finamente dividido, que age como pigmento branco, ou os que, mesmo atendendo os critérios de cor estabelecidos, não sejam dos horizontes B enumerados acima. Horizonte B textural: Formado a partir da podzolização, sendo, nesse processo, o horizonte que apresenta adição (iluviação) dos materiais removidos (eluviados) do horizonte sobrejacente (horizontes A e/ou E álbico). Esse horizonte deve atender a um dos seguintes critérios de espessura:
a. Pelo menos 10% da soma das espessuras dos horizontes sobrejacentes e no mínimo 7,5 cm; ou b. Espessura 15 cm, quando os horizontes A + B tiverem no mínimo 150 cm; ou c. se a textura do horizonte E ou A for areia ou areia franca, deve ter espessura de pelo menos 15 cm; ou d. se o horizonte B textural for constituído inteiramente por lamelas, estas devem ter, em conjunto, espessura > 15cm, ou e. se a textura for média ou argilosa, o horizonte B textural deve ter espessura de pelo menos 7,5cm; ou Em adição ao critério de espessura, o horizonte B textural deve atender um ou mais dos seguintes requisitos: f. presença do horizonte E, desde que não satisfaça os requisitos de B espódico, ou B plânico, ou horizonte plíntico; ou g. grande aumento de argila do horizonte A para o horizonte B, o suficiente para caracterizar uma mudança textural abrupta (não deve ser exclusivamente por descontinuidade litológica); ou h. incremento de argila do horizonte A para o B suficiente para que a relação textural B/A 1 satisfaça uma das seguintes exigências: 1) se teor de argila no horizonte A > 40%, relação > 1,5; ou 2) se teor de argila no horizonte A está entre 15 e 40%, relação > 1,7; ou 3) se teor de argila no horizonte A < 15%, relação > 1,8. i. quando o incremento de argila do horizonte A para o B for inferior ao especificado no item anterior, o horizonte B deve satisfazer a uma das seguintes condições: 1) solos com horizonte B de textura média com ausência de unidades estruturais devem apresentar argila iluvial sob forma de revestimento nos grãos de areia (orientada de acordo com a superfície dos mesmos) ou como pontes ligando grãos adjacentes, sendo descrita como cerosidade com grau de nitidez no mínimo moderado; 2) solos com horizonte B de textura média e com estrutura prismática ou em blocos moderada ou mais desenvolvida devem apresentar cerosidade no mínimo moderada em um ou mais suborizontes da parte superior do B; 3) Se a textura do horizonte B for argilosa ou muito argilosa e a estrutura prismática ou em blocos, este deve apresentar cerosidade no mínimo comum (quanto à quantidade) e moderada (quanto ao grau de nitidez) em um ou mais suborizontes da parte superior do B; 4) gradiente textural maior que 1,4; conjugado com presença de fragipã dentro de 200 cm da superfície do solo, desde que não satisfaça os requisitos de horizonte B espódico. j. se existir descontinuidade litológica entre os horizontes A (ou E) e o B textural (principalmente nos solos desenvolvidos de materiais recentes, como os sedimentos aluviais), ou se somente uma camada arada encontra-se acima do horizonte B, este necessita satisfazer um dos requisitos especificados nos itens h ou i. Horizonte B nítico: Formado também a partir da podzolização, sendo, em relação ao horizonte B textural, a iluviação menos expressiva quanto à quantidade de argila translocada e mais expressiva quanto à quantidade e intensidade da cerosidade. É um horizonte não hidromórfico reconhecido apresentar: a. espessura 30 cm, ou 15 cm se ocorrer o contato lítico até 50 cm de profundidade; b. argila de atividade baixa ou caráter alítico; c. textura argilosa ou muito argilosa; d. estrutura em blocos subangulares, angulares ou prismática moderada ou forte, associada com cerosidade no mínimo comum (quanto à quantidade) e moderada (quanto ao grau de nitidez); e. discreto ou nenhum incremento de argila entre os horizontes A e B, traduzindo-se em relação textural B/A sempre inferior a 1,5; f. transição gradual ou difusa entre os suborizontes do horizonte B; 1 A cálculo da relação textural é feito dividindo-se o teor médio de argila do horizonte B (excluído BC) pelo teor médio do A, de acordo com os seguintes critérios: (i) quando o horizonte A tem menos que 15 cm de espessura, considerar uma espessura máxima de 30 cm do horizonte B; e (ii) quando o horizonte A tem 15 cm ou mais, considerar uma espessura máxima do horizonte B que seja o dobro do A.
g. para horizonte B nítico de Nitossolos Brunos admite-se superfície dos agregados pouco reluzentes (cerosidade, ou superfície de compressão, com grau de nitidez fraco), havendo, no entanto, em decorrência dos altos teores de argila, fendilhamento indicativo de alta expansão e contração do material do solo (observáveis particularmente em perfis ressecados, como em cortes de estrada). Horizonte B plânico: É um tipo especial de horizonte B textural e, portanto, formado também a partir da podzolização. A quantidade de argila translocada é ainda mais expressiva que a de um típico horizonte B textural (é sempre precedido por mudança textural abrupta). Tal acúmulo de argila resulta em grande adensamento do horizonte B, o que implica em dificuldades de drenagem (principalmente no caso de sua feição mais típica, quando os elevados teores de argila dispersa em água são conseqüentes de seu caráter sódico). Em decorrência, torna-se importante um segundo processo específico de formação de solos, que é o hidromorfismo (ou gleização). Possui estrutura prismática, ou colunar, ou maciça, ou em blocos angulares ou subangulares grandes ou médios. A permeabilidade lenta ou muito lenta leva à ocorrência de cores acinzentadas ou escurecidas, podendo ou não possuir cores neutras de redução, com ou sem mosqueados. Em relação à cor deve atender a, pelo menos, um dos seguintes requisitos: a. cor da matriz do solo (com ou sem mosqueado) i. 10 YR ou mais amarelo com croma 3, ou excepcionalmente 4, ou ii. matiz 7,5 YR ou 5 YR, com croma 2 b. cor variegada, com pelo menos uma cor atendendo a uma das exigências citadas no item a; c. matiz 10 YR ou mais amarelo, com croma 4, combinando com um ou mais mosqueados, tendo croma conforme especificado no item a; O horizonte B plânico tem precedência diagnóstica sobre o horizonte glei e o B textural, e perde em precedência para o horizonte plíntico (exceto se for sódico). Horizonte B espódico: Também formado a partir da podzolização, diferindo dos horizontes iluviais anteriormente descritos (B textural, B nítico e B plânico) pelo tipo de material translocado: o horizonte B espódico apresenta acumulação iluvial de matéria orgânica e compostos de alumínio, com ou sem ferro, e não da argila silicatada caulinita. É normalmente precedido por qualquer tipo de horizonte A, ou por horizonte E (este precedido de horizonte A ou hístico), podendo ocorrer na superfície de um solo truncado ou que sofreu aração. A estrutura em geral é de grão simples ou maciça, entretanto pode ocorrer estrutura prismática ou em blocos, ou estrutura granular, ou grumosa, ou laminar, sempre fracamente desenvolvida. No horizonte B espódico podem ocorrer partículas de areia e silte, com revestimento de matéria orgânica, matéria orgânica e alofana e sesquióxidos livres, bem como grânulos de matéria orgânica e sesquióxidos de diâmetro entre 20 e 50 µm. O limite superior é normalmente abrupto, e via de regra o matiz, o valor e o croma permanecem constantes com o aumento da profundidade. Deve apresentar espessura mínima de 2,5 cm, além de uma ou mais das seguintes características: a. um horizonte E álbico sobrejacente e cores úmidas de acordo com um dos itens a seguir: i. Matiz 5 YR ou mais vermelho ii. Matiz 7,5 YR com valor 5 e croma 4 iii. Matiz 10 YR, com valor e croma 3 iv. Cores neutras com valor 3 (N 3/). b. Uma das cores do item anterior ou matiz 7,5 YR com valor 5 e croma 5 ou 6, ou matiz 10 YR com valor 5 e croma 5, e uma ou mais das seguintes características: i. cimentação por matéria orgânica e alumínio, com ou sem ferro, em 50% ou mais de horizonte e consistência firme ou muito firme nas partes cimentadas;
ii. textura arenosa ou média e com grãos de areia cobertos por películas de ferros ou matérias orgânicas que apresentem fissuras ou presença de grânulos pretos do tamanho da fração silte, ou ambos; iii. percentagem de alumínio mais metade da porcentagem de ferro (determinados pelo oxalato de amônio) com valor 0,50, sendo pelo menos o dobro do horizonte sobrejacente, seja este A ou E. c. Qualquer cor se o horizonte é continuamente cimentado por uma combinação de matéria orgânica e alumínio, com ou sem ferro, se a consistência quando úmido for muito firme ou extremamente firme. Pode se apresentar sob a forma não consolidada ou consolidada. O primeiro caso constitui o orterde, que é um horizonte B espódico típico (e que, portanto, não apresenta cimentação). O segundo caso constitui o ortstein, que é um horizonte B espódico com 2,5 cm ou mais de espessura, contínuo ou praticamente contínuo, cimentado por matéria orgânica e alumínio, com ou sem ferro (Bhm, Bhsm ou Bsm), ocupando esta porção cimentada 50% ou mais de área do horizonte. Outro horizonte que pode ocorrer associado ou como variação do B espódico é o horizonte plácico (do grego plax, pedra chata, significando um fino pã cimentado), que é um horizonte fino, de cor preta a vermelho escuro que é cimentado por ferro (ou ferro e manganês), com ou sem matéria orgânica. Este horizonte constitui um impedimento à passagem de água e das raízes das plantas, devendo atender aos seguintes requisitos: (i) é cimentado ou endurecido por ferro ou ferro e manganês, com ou sem matéria orgânica, acompanhados ou não de outros agentes cimentantes; (ii) é contínuo lateralmente, exceto por fendas verticais espaçadas de, pelo menos, 10 cm através das quais pode haver penetração do sistema radicular; e (iii) tem espessura entre 0,5 cm (mínima) e 2,5 cm (máxima). Horizonte B latossólico: Formado a partir do processo específico denominado latossolização, sendo caracterizado pelo avançado estágio de intemperização, em função de ter sofrido intensa dessilicatização, lixiviação de bases e concentração residual de sesquióxidos, argila 1:1 e minerais primários resistentes ao intemperismo. Apresenta pouca diferenciação entre os suborizontes, sendo notável sua homogeneidade de cor (a transição dos suborizontes geralmente é difusa), de textura (pode apresentar discreto incremento de argila entre os horizontes A e B, porém insuficiente para caracterizar a relação textural exigida para o horizonte B textural), de estrutura e de consistência úmida (friável ou muito friável). Não apresenta características diagnósticas de horizonte glei, B textural, B nítico e B plíntico, podendo ser precedido por qualquer horizonte diagnóstico superficial exceto hístico, e que tenha as seguintes características: a. Estrutura em blocos subangulares pequena a média, predominantemente fraca ou mais raramente moderada, geralmente associada a microestrutura granular muito pequeno e pequeno forte b. espessura 50cm c. Menos de 5% do volume que mostre estrutura da rocha original, como estratificações finas, ou saprólito, ou fragmentos de rocha semi ou não intemperizadas d. grande estabilidade de agregados, sendo o grau de floculação da argila próximo a 100%, principalmente em suborizontes mais afastados da superfície (onde C-org 0,4%). Quando a textura é média (já quase arenosa) e o teor de C-org é baixo, ou quando o intemperismo é muito avançado (com ph positivo ou nulo), admite-se teor de argila dispersa de até, no máximo, 20%. e. textura franco argilosa ou mais fina com baixos teores de silte, sendo a relação silte/argila até 200 cm (ou 300 cm, se o horizonte A exceder 150 cm de espessura) na maioria dos suborizontes do B inferior a 0,7 nos solos de textura média e a 0,6 nos solos de textura argilosa f. relação molecular SiO2/Al2O3 (índice Ki) da argila igual ou menor que 2,2 (normalmente menor que 2,0); g. minerais primários alteráveis e/ou minerais de argila 2:1 em quantidade < 4% e menos que 6% de moscovita (determinado na fração areia e recalculados em relação a terra fina) h. atividade da fração da argila < 17 cmol c kg -1 i. cerosidade, quando presente, é no máximo pouca e fraca
Horizonte B incipiente: Trata-se de um horizonte que sofreu alteração física e química em grau não muito avançado, porém suficiente para o desenvolvimento de cor ou unidades estruturais. Por esse motivo, sua identificação baseia-se principalmente no não atendimento dos requisitos mínimos de outros horizontes. Ainda pelo mesmo motivo, o horizonte B incipiente pode ter sido formado tanto a partir do processo de podzolicação quanto de latossolização (a ocorrência dos processos de calcificação, salinização e gleização em estágios intermediários não caracterizaria a presença de horizonte B incipiente, mas sim a ausência de horizonte diagnóstico subsuperficial o que equivale dizer presença de horizonte C sem caráter diagnóstico ). O horizonte B incipiente é reconhecido por apresentar: a. espessura > 10 cm b. ausência de cimentação (fragipã, duripã, e horizonte petrocálcio), e não satisfazer os requisitos dos horizontes B textural, B nítico, B espódico, B plânico, B latossólico, e a plintita, se ocorrer, deve estar em quantidade insuficiente para caracterizar o horizonte plíntico, e as características típicas do horizonte glei estão ausentes c. cores predominantemente brunadas, amareladas ou avermelhadas, admitindo-se mosqueamento devido à segregação de ferro d. textura franco-arenosa ou mais fina e. desenvolvimento de estrutura, ou ausência da estrutura da rocha original em 50% ou mais de seu volume f. alteração evidenciada por um ou mais dos seguintes itens: 1) teor de argila mais elevado, cromas mais fortes ou matiz mais vermelho que o horizonte subjacente; ausência ou pequeno gradiente textural em relação ao horizonte A, não satisfazendo os requesitos do horizonte B textural. 2) remoção de carbonato, apresentando teor de abaixo do nível de acumulação exigido para horizonte k, e revestimento de fragmentos grosseiros por calcário (total ou basal) devem ser menos intensos que o do horizonte k subjacente 3) decréscimo regular do conteúdo de carbono orgânico em profundidade, até a base do horizonte; exceto para sedimentos aluviais. Embora o horizonte B incipiente possa apresentar morfologia similar ao horizonte B latossólico, difere desse por apresentar a maioria dos seguintes requisitos: a. atividade da argila 17 cmol c kg -1 b. 4% de minerais primários alteráveis, ou 6% ou mais de moscovita, determinados na fração areia e recalculados para a terra fina c. relação molecular SiO2/Al2O3 (índice Ki) > 2,2 d. silte/argila 0,7; quando a textura for média; 0,6; quando for argilosa ou muito argilosa e. 5% ou mais do volume do solo com estrutura da rocha original. Caso o horizonte atenda tanto os requisitos para B incipiente quanto para vértico, esse último terá precedência diagnóstica para fins taxonômicos. Horizonte cálcico: Formado a partir do processo específico denominado calcificação, o qual, para caracterizar o horizonte cálcico deve resultar em acumulação de carbonato de cálcio (CaCO 3 ) de 15% ou mais equivalente em volume, sendo 5% a mais que o horizonte subjacente ou material de origem (exceto se esses forem materiais calcíticos, como mármore e marga). Normalmente ocorre no horizonte C, mas também no B ou A, e tem espessura 15 cm. Horizonte petrocálcico: Evolução do horizonte cálcico e, portanto, formado a partir do processo de calcificação. Em função da acumulação de carbonato de cálcio, endurece de forma a não permitir que os fragmentos se desfaçam em água. A estrutura é maciça ou laminar, de consistência muito ou extremamente dura quando seco e muito ou
firme quando úmido. As raízes são incapazes penetrá-lo. A espessura em geral é 10 cm, mas aceita-se que seja 1 cm, se ocorrer sobre a rocha consolidada. Fragmentos suportam imersão em água. Poros obstruídos, impedindo a penetração de raízes e água, exceto por fraturas verticais distanciadas de 10 cm ou mais. Horizonte glei: É um horizonte mineral que coincide com o horizonte C, B, E ou A (exceto A fraco ou hístico), com espessura 15 cm, com menos de 15% de plintita. Formado a partir do processo específico denominado gleização (ou hidromorfismo), caracteriza-se por permanecer saturado com água durante algum período ou o ano todo (a não ser que não tenha sido drenado), apresentando evidências de processos de redução, com ou sem segregação de ferro que ocasiona mosqueamento de croma alto (concernentes com cores amareladas e avermelhadas). Além disso, apresenta um ou mais dos requisitos: a. cores, quando úmido, em 95% ou mais faces dos elementos da estrutura, ou da matriz do horizonte (quando sem estrutura), de acordo com um dos seguintes ítens: i. matizes dominantes neutros (N) e/ou mais azuis que 10 Y ii. para qualquer matiz, se os valores forem < 4, os cromas serão 1 iii. sendo o matiz dominante 10YR ou mais amarelo, e os valores forem 4, os cromas serão 1 iv. sendo o matiz dominante mais vermelho que 10YR e os valores forem 4, os cromas serão 2 b. desenvolvimento de cor azul escuro forte quando em contato com ferricianeto de potássio a 1% em solução aquosa, ou de cor vermelha intensa quando em contato com alfa-alfa-dipiridil, ambas indicando a presença de ferro reduzido. Ademais, pode-se constatar: a. torrões úmidos com cores de matiz neutro, azulado, esverdeado ou croma 3 sofrem, após alguns minutos de secagem, modificações perceptíveis no matiz. b. significativa presença ocasional de mosqueado preto ou preto-avermelhado formado por nódulos ou concreções de manganês ou ferro e manganês. Tem precedência taxonômica sobre os horizontes sulfúrico, B incipiente, B textural e B latossólico. Horizonte vértico: Trata-se de um horizonte formado em condições ambientais que não favoreceram uma dessicalitização muito intensa, sendo o grau de intemperização dos minerais não muito avançada, ocorrendo quantidades expressivas de minerais de argila 2:1. Entre estas condições estão aquelas na qual o solo permanece com excesso de água em grande parte do ano ou durante o ano todo (nesse caso, o processo específico associado à formação deste horizonte é a gleização), ou aquelas em que ocorre a associação de dois ou mais dos seguintes fatores: (i) material de origem rico em nutrientes; (ii) percolação/lixiviação pouco expressiva; e (iii) temperaturas não muito elevadas (nesse caso, a formação deste horizonte pode ser associado à ocorrência dos processos específicos calcificação ou salinização (menos comumente), ambos em estágio não muito avançado). Devido à expansão e contração das argilas 2:1, o horizonte vértico tem feições pedológicas típicas, como superfícies de fricção ( slickensides ) em quantidade no mínimo comum e/ou unidades estruturais cuneiformes com inclinação em relação ao prumo do perfil, e fendas 1 cm no período seco. Quando permanentemente úmido, deve ter coeficiente de expansão linear 0,06. A espessura mínima é de 20 cm, e o teor de argila é superior a 30%. Este horizonte pode coincidir com o com o AC, B (Bi
ou Bt) ou C, e apresentar cores escuras, acinzentadas, amareladas ou avermelhadas. Tem precedência diagnóstica sobre o B incipiente, B nítico e glei. Horizonte sulfúrico: Um horizonte sulfúrico forma-se pela oxidação de materiais minerais ou orgânicos ricos em sulfetos, como resultado da drenagem do solo (mais comumente artificial), recebendo este processo específico de formação a denominação de tiomorfismo. O horizonte que dá origem ao sulfúrico é comumente o hístico ou o glei, ambos tendo sido formados em condições de excesso de água (no caso do horizonte glei, o processo específico de sua formação é a gleização). Tal horizonte apresenta condições de acidez altamente tóxicas para a maioria das plantas. Também pode formar-se em locais onde materiais sulfídricos tenham sido expostos como resultado da mineração de superfície, construção de estradas, dragagem ou outras operações de movimento de terra. O horizonte sulfúrico tem 15 cm ou mais de espessura e é composto de material mineral ou orgânico cujo valor de ph medido em água (1:2,5; solo/água) é de 3,5 ou menor, evidenciando a presença do ácido sulfúrico. Além disso, deve possuir uma ou mais das seguintes características: a) concentração de jarosita; ou b) materiais sulfídricos imediatamente subjacentes ao horizonte; ou c) 0,05% ou mais de sulfato solúvel em água. Não é especificada a cor da jarosita (que pode ter croma 3 ou maior), nem requer necessariamente a sua presença. Horizontes sulfúricos sem jarosita são encontrados em materiais com alto teor de matéria orgânica, ou em materiais minerais de um tempo geológico anterior expostos a superfície. Horizonte plíntico: O horizonte plíntico se forma em terrenos com lençol freático alto ou que pelo menos apresente restrição temporária à percolação da água. Desta forma, como processo específico de sua formação destaca-se a gleização. Quando se trata de horizonte diagnóstico B plânico, o qual permanece com umidade elevada ou mesmo temporariamente saturado em função da ocorrência de mudança textural abrupta, destaca-se também como processo específico de formação a podzolização. Regiões de clima quente e úmido, com o relevo plano a suave ondulado, de áreas baixas, depressões, baixadas, terços inferiores de encosta, áreas de nascentes, favorecem o desenvolvimento de horizonte plíntico, por permitir que o terreno permaneça saturado com a água, pelo menos, durante uma parte do ano, com a flutuação do lençol d água alto ou por estagnação da água devido a percolação restringida ou impedida. A presença de concentrações de ferro imediatamente acima da zona do horizonte plíntico pode ser uma comprovação de plintita no perfil, evidenciando, desse modo, o final do processo de umidecimento e secagem nestes pontos. Este processo é acelerado quando o material é exposto em trincheiras, valas ou cortes de estradas antigos, sendo, neste caso, característica diagnóstica. O horizonte plíntico é um horizonte mineral B e/ou C que se caracteriza pela presença de plintita em quantidade 15% de seu volume, e por ter espessura 15 cm. Usualmente apresenta coloração variegada, num arranjamento de cores vermelhas e acinzentadas ou brancas, com ou sem cores amareladas ou brunadas, formando um padrão reticulado, poligonal ou laminar. Desde que apresentem mosqueados abundantes de cores avermelhadas ou com tonalidades amareladas, admite-se que a matriz do solo seja acinzentada ou esbranquiçada, com matiz e croma conforme uma das especificações que se seguem: a. matizes 2,5 Y a 5 Y
b. matizes 10 YR a 7,5 YR com cromas baixos, usualmente até 4, podendo atingir 6 quando se tratar de matiz 10 YR. Os mosqueados apresentam matiz e croma conforme especificações que se seguem: a. matizes 10 R a 7,5 YR com cromas altos, usualmente acima de 4 b. matiz 10 YR, com cromas muito altos, normalmente maiores que 6 c. matizes 2,5 Y a 5 Y A textura é franco arenosa ou mais fina. Quando não é maciça, o horizonte apresenta estrutura em blocos fraca ou moderadamente desenvolvida, ocorrendo também estrutura prismática composta de blocos, sobretudo nos solos com argila de atividades alta. Quando seco, o horizonte plíntico se apresenta compacto, duro a extremamente duro; quando úmido, é firme ou muito firme, podendo ter partes extremamente firmes; quando molhado, a consistência varia de ligeiramente plástica a muito plástica e de ligeiramente pegajosa a muito pegajosa. O horizonte plíntico usualmente apresenta argila de atividade baixa, com relação molecular Ki entre 1,20 e 2,20, entretanto tem sido constatada também argila de atividade alta neste horizonte. Quando um mesmo horizonte satisfizer, coincidentemente, os requisitos para ser identificados como horizonte plíntico e também como qualquer um dos seguintes horizontes: B textural, B latossólico, B incipiente, B plânico (executando-se B de caráter sódico), ou horizonte glei, será identificado como horizonte plíntico sendo a ele conferida a procedência taxonômica sobre os demais citados. Horizonte concrecionário: Horizonte constituído de 50% ou mais, por volume, de material grosseiro com predomínio de petroplintita, do tipo nódulos ou concreções de ferro ou de ferro e alumínio, numa matriz terrosa de textura variada ou matriz de material mais grosseiro. É identificado como qualquer um dos seguintes horizontes: Ac, Ec, Bc ou Cc. Similarmente ao horizonte plíntico, tem como processos específicos de formação a gleização e, no caso de coincidir com B textural e ou B plânico, também a podzolização. O horizonte concrecionário, para ser diagnóstico, deve apresentar no mínimo 30 cm de espessura. Quando um mesmo horizonte satisfizer, coincidentemente, os requisitos para horizonte concrecionário e para qualquer um dos seguintes horizontes: B textural, B latossólico, B nítico, B incipiente, horizonte plânico (excetuando B plânico de caráter sódico), horizonte glei ou qualquer tipo de horizonte A, será a ele conferida precedência taxonômica. Horizonte litoplíntico: Similarmente ao horizonte plíntico e ao concrecionário, o horizonte litoplíntico tem como processos específicos de formação a gleização e, no caso de coincidir com B textural e ou B plânico, também a podzolização. O horizonte litoplíntico é constituído por petroplintita contínua ou praticamente contínua. Este horizonte pode englobar uma seção do perfil muito fraturada, mas em que existe predomínio de blocos de petroplintita com tamanho mínimo de 20 cm, ou as fendas que aparecem são poucas e separadas umas das outras por 10 cm ou mais. Para ser diagnóstico, o horizonte litoplíntico deve ter uma espessura de 10 cm ou mais. Este horizonte constitui um sério impedimento à penetração das raízes e ao livre fluxo da água. O horizonte litoplíntico difere de um horizonte B espódico cimentado ( ortstein ) por conter pouca ou nenhuma matéria orgânica.
Fragipã: É um horizonte mineral subsuperficial, endurecido quando seco, contínuo ou presente em 50% ou mais do volume de outro horizonte, normalmente de textura média. Pode estar subjacente a um horizonte B espódico, B textural ou horizonte álbico. Tem conteúdo de matéria orgânica muito baixo, a densidade do solo é maior que a dos horizontes sobrejacentes e é aparentemente cimentado quando seco, tendo então consistência dura, muito dura ou extremamente dura. Quando úmido, o fragipã tem uma quebradicidade fraca a moderada e seus elementos estruturais ou fragmentos apresentam tendências a romperemse subitamente, quando sob pressão, em vez de sofrerem uma deformação lenta. Quando imerso em água, um fragmento seco torna-se menos resistente, podendo desenvolver fraturas com ou sem desprendimento de pedaços, e se esboroa em curto espaço de tempo (aproximadamente 2 horas). O fragipã é usualmente mosqueado e pouco ou muito pouco permeável à água. Quando de textura média ou argilosa, o fragipã normalmente apresenta partes esbranquiçadas (ambiente de redução) em torno de poliedros ou prismas, os quais se distanciam de 10 cm, ou mais, no sentido horizontal, formando um arranjamento poligonal grosseiro. O fragipã dificulta ou impede a penetração das raízes e da água no horizonte em que ocorre. Duripã: É um horizonte mineral subsuperficial, cimentado, contínuo ou presente em 50% ou mais do volume de outro horizonte com grau variável de cimentação por sílica e podendo ainda conter óxido de ferro e carbonato de cálcio. Como resultado disto, os duripãs variam de aparência, porém todos apresentam consistência, quando úmidos, muito firme ou extremamente firme e são sempre quebradiços, mesmo após prolongado umedecimento. É um horizonte no qual: a) a cimentação é suficientemente forte, de modo que fragmentos secos não se esboroam, mesmo durante prolongado período de umedecimento; b) revestimentos de sílica, presentes em alguns poros e em algumas faces estruturais, são insolúveis em solução de HCl 1mol L -1, mesmo durante prolongado tempo de saturação, mas são solúveis em solução concentrada e aquecida de KOH ou diante da adição alternada de ácido e álcali; c) a cimentação não é destruída em mais da metade de qualquer capeamento laminar que possa estar presente, ou em algum outro horizonte contínuo ou imbricado, quando o material de solo é saturado com ácido, mas é completamente destruída pela solução concentrada e aquecida de KOH por tratamento único ou alternado com ácido; d) as raízes e a água não penetram na parte cimentada, a não ser ao longo de fraturas verticais que se distanciam de 10 cm ou mais.