Ansiedade

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Ansiedade, Ataques e Transtorno de Pânico Um ataque de pânico é uma manifestação intensa e breve de ansiedade ou medo, que se expressa por uma série de sintomas somáticos1. Ele tem início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico, em geral, em dez minutos. O sentimento é de perigo ou catástrofe iminente e de anseio por escapar. Para caracterizar um ataque de pânico, é necessário que o indivíduo apresente ao menos quatro dos treze sintomas físicos abaixo* 6 : Palpitações, Sudorese, Tremores ou abalos, Sensações de falta de ar ou sufocamento, Sensação de as9ixia, Dor ou desconforto torácico, Náusea ou desconforto abdominal, Tontura ou vertigem, Sensação de não ser ela(e) mesma(o), Medo de perder o controle ou de "enlouquecer", Medo de morrer, Formigamentos Calafrios ou ondas de calor.

*Os ataques que satisfazem todos os demais critérios, mas têm menos de quatro sintomas físicos, são chamados de ataques com sintomas limitados. Os ataques podem fazer parte da manifestação de outros tipos de transtornos, como nas Fobias Específicas (ver seção Ansiedade), na Fobia Social (ver situação Evitação Social) e no Transtorno de Estresse Pós- Traumático (seção Ansiedade). Nesses casos, os ataques não precisam ser inesperados e estão associados a um evento específico, como por exemplo, ao encontro com um cão no caso de uma fobia específica a animais. Segundo o DSM-IV 6, os critérios que satisfazem a classificação do Transtorno de Pânico descrevem que os ataques de ansiedade devem ser recorrentes e inesperados; que haja preocupação persistente acerca de ter ataques adicionais, ou a respeito das implicações e conseqüências do ataque, ou ainda, uma alteração comportamental significativa relacionada aos ataques. Além disso, os Ataques de Pânico não podem ser efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral (por ex., hipertireoidismo), bem como não são melhores explicados por outro transtorno mental. É importante ressaltar, ainda que o Transtorno de Pânico pode ser acompanhado de agorafobia (ansiedade ou esquiva a locais ou situações das quais poderia ser difícil escapar ou nas quais o auxílio poderia não estar disponível, no caso de ter um Ataque de Pânico ou sintomas tipo pânico). É comum que, após o primeiro ataque, alguns indivíduos apresentem profunda apreensão diante da possibilidade de um segundo episódio. Normalmente, essas pessoas passam a evitar situações capazes de favorecer a

crise ou os lugares nos quais as saídas ou o auxílio sejam difíceis. Algumas vezes, indivíduos com pânico ponderam se devem realmente sair de casa, o que acaba acarretando uma série de prejuízos à vida cotidiana. Em crianças e adolescentes, os dados a respeito da prevalência dos ataques de pânico são bastante restritos. Isso pode ser devido à baixa prevalência desses ataques na infância ou, até mesmo, pela confusão dos sintomas dos ataques com queixas somáticas 3. Em adolescentes, alguns poucos estudos apontam para uma prevalência de 1% para o diagnóstico de Transtorno de Pânico 4. Apesar dos poucos estudos sobre o Transtorno de Pânico na infância e adolescência, o consenso entre as pesquisas sugere que é comum o início do transtorno durante a adolescência (preponderantemente ao final dela), especialmente os casos sem agorafobia 7. Alguns estudos sugerem que acontecimentos de vida significativos podem preceder o Transtorno de Pânico. Em geral, são acontecimentos de perda ou ameaçadores e que, quando acompanhados de sentimentos de incontrolabilidade, tendem a agravar o problema e reduzir a auto-estima do indivíduo 8,9. O Transtorno de Pânico, apesar de pouco diagnosticado nas fases iniciais do desenvolvimento, constitui-se num desafio para os jovens que o enfrentam. O curso crônico e a manifestação inesperada dos ataques tendem a afetar o senso de competência desses indivíduos perante o mundo, especialmente em fases peculiares como o final da adolescência e início da fase adulta.

Bibliografia 1. Kaplan, H.; Sadock, B. & Grebb, J. (2003). Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Porto Alegre: Armed. 2. Ballone GJ - Síndrome do Pânico - in. PsiqWeb, Internet - disponível em <http://www.psiqweb.med.br/panitext.html> revisto em 2002 3. Nelles, W. B. & Barlow, D. H. (1988). Do children Panic? Clinical Psychology Review, 8, 359-372. 4. Lewinsohn, P. M.; Hops, H.; Roberts, R. E.; Secley, J. R. & Andrews, J. A. (1993). Adolescent psychopatology I. Journal of abnormal psychology, 102, 133-144. 5. Hayward, C. Killer, J.D. & Taylor, C.B. (1989). Panic Attacks in young adolescents. American Journal of Psychiatric, 146, 1061-1062. 6. American Psychiatric Association (1994). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (4 a ed.). Washington, DC: American Psychiatric Association.

7. Kissack, M. & Leon, N. C. (2005). Transtorno de Ansiedade Generalizada e transtorno de pânico em crianças e adolescentes. Em: Caballo, V. E. & Simon, M. (org.). Manual de psicologia clínica infantil e do adolescente: Transtornos Gerais. São Paulo: Santos Editora. 8. Favarelli, C., Webb, T., Ambonetti, A., Fonnesu, F. & Sessarego, A. (1985). Prevalence of traumatic early life events in 31 agorafobic patients with panic attacks. Americam Journal of Psychiatric, 142, 1493-1494. 9. Roy-Byrne, P. P.; Cowley, D.S.; Shader, R. I. & Hommer, D. (1990). Reduced benzodiazepine sensivity in panic disorder. Archives of General Psychiatry, 147, 534-538.