RASTREAMENTO DO CÂNCER DE OVÁRIO



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Transcrição:

Colégio Brasileiro de Radiologia Critérios de Adequação do ACR RASTREAMENTO DO CÂNCER DE OVÁRIO Painel de Especialistas em Imagem Ginecologia: Marcela Böhm-Vélez, Médica 1 ; Ellen Mendelson, Médica 2 ; Robert Bree, Médico 3 ; Harris Finberg, Médico 4 ; Elliot K. Fishman, Médico 5 ; Hedvig Hricak, Médica, PhD 6 ; Faye Laing, Médica 7 ; David Sartoris, Médico 8 ; Amy Thurmond, Médica 9 ; Steven Goldstein, Médico 10. Resumo da Revisão da Literatura O câncer de ovário é a causa mais freqüente de morte por doença maligna ginecológica nos Estados Unidos. Aproximadamente 27.700 novos casos são diagnosticados a cada ano, e 12.500 destas mulheres morrerão da doença. Nos Estados Unidos, uma mulher em 70 (1,4%) desenvolverá câncer de ovário durante sua vida, ao passo que uma em nove desenvolverá câncer de mama (9). Os sintomas usualmente não se tornam evidentes até que o tumor comprima ou invada estruturas adjacentes, com aparecimento de ascite ou até que a metástase torne-se clinicamente evidente. Como resultado, 70% das mulheres com câncer de ovário apresentam-se com doença avançada no momento do diagnóstico. Estas mulheres apresentarão uma taxa de sobrevida de 5 anos de 15%-20%, comparada com uma taxa de 90% nas pacientes que são diagnosticadas com doença no estágio I (9). Devido às significantes diferenças nas taxas de sobrevida entre os cânceres iniciais e avançados, tem-se buscado um método de rastreamento para detecção precoce do câncer ovariano. As evidências clínicas sugerem que a fase pré-clínica para o câncer de ovário pode ser de menos de dois anos. Este padrão rápido de crescimento implica em dificuldades para a detecção precoce de tumores ressecáveis. As pacientes de maior risco incluem as de baixa paridade, pacientes com fertilidade reduzida e com gravidez tardia. A incidência da doença aumenta com a idade, de 20 por 100.000, em mulheres entre os 30 e 40 anos para 40 por 100.000 em mulheres entre os 50 e 75 anos. O maior fator de risco para o câncer ovariano é a história familiar, reportada em 7% das mulheres com a doença. Com uma história familiar de câncer ovariano, duas ou mais parentes de primeiro grau (mãe, irmãs, filha) têm mais de 50% de chance de desenvolver a doença. A síndrome do câncer ovariano hereditário inclui os cânceres de ovário, mama e/ou relacionados, tais como de endométrio e gastrintestinal (síndrome de Lynch II) em múltiplos gastrintestinal membros, de duas a quatro gerações. Estas mulheres apresentam a doença em uma idade precoce (45 a 52 anos) comparadas com os 59 anos do início da doença na população em geral. O risco de câncer ovariano é elevado entre as mulheres que reportam câncer de mama (1,5 vezes) e câncer colorretal (1,9 vezes) em parente de primeiro grau. Mulheres com história familiar positiva e tendência familiar para câncer ovariano, por volta de 20 anos de idade, devem ser aconselhadas por um ginecologista, oncologista ou geneticista sobre o seu risco de desenvolver a doença e devem ser rigorosamente acompanhadas a partir dos 30 anos de idade. Estas mulheres são possíveis candidatas a cirurgia preventiva (ooforectomia profilática). Pacientes em idade reprodutiva podem ser aconselhadas quanto aos benefícios dos contraceptivos orais. Estudos demonstraram uma diminuição nos riscos de câncer ovariano (cerca de 50%) em pacientes que tomam contraceptivos orais. O efeito protetor aumenta com o uso prolongado. Os atuais testes de rastreamento para detecção de câncer ovariano incluem exame físico, marcadores tumorais (isto é CA-125) e exames por imagem, tais como a ultra-som (US): transabdominal (USTA) e transvaginal (USTV) com Doppler colorido e power Doppler, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). O exame físico pélvico, que pode detectar diversos distúrbios ginecológicos, não é sensível ou específico para detecção de câncer ovariano. Em geral, as doenças malignas ovarianas já estão disseminadas quando se tornam palpáveis. 1 Principal Autor, Diagnostic Imaging Center, Pittsburgh, Pa; 2 Presidente do Painel, Western Pennsylvania Hospital, Pittsburgh, Pa; 3 University of Missouri, Columbia, Mo; 4 Phoenix Perinatal Associates, Phoenix, Ariz; 5 The Johns Hopkins Hospital, Baltimore, Md; 6 Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, New York, NY; 7 Brigham and Women s Hospital, Boston, Mass; 8 Thornton Hospital, La Jolla, Calif; 9 Legacy Meridian Park Hospital, Tualatin, Ore; 10 New York University Medical Center, New York, NY, American College of Obstetrics and Gynecology. O trabalho completo sobre os Critérios de Adequação do ACR (ACR Appropriateness Criteria ) está disponível, em inglês, no American College of Radiology (1891, Preston White Drive, Reston, VA, 20191-4397) em forma de livro, podendo, também, ser acessado no site da entidade www.acr.org; e em português no site do CBR - Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem www.cbr.org.br. Os tópicos adicionais estarão disponíveis on-line assim que forem finalizados. Imagem Ginecológica 1025 Rastreamento do câncer de ovário

O CA-125 é o determinante antigênico de uma glicoproteína expressada pelos tumores epiteliais ovarianos e outros tecidos de origem Mülleriana (10). Embora o CA-125 seja elevado (>35 U/ml) em mais de 80% das pacientes com câncer epitelial ovariano, ele é apenas 25% sensível para a doença em estágio inicial (9). Não é específico para o câncer ovariano porque pode estar elevado em outros estados malignos (cânceres pancreático, endocervical, nas trompas de falópio) e estados benignos tais como gravidez, endometriose, leiomiomas, doenças inflamatórias pélvicas, hepatite e cirrose. O CA-125 flutua durante o ciclo menstrual, e nas mulheres na pré-menopausa, mais de 90% das elevações de CA-125 são falsos-positivos para carcinoma ovariano. Portanto, o CA-125 isoladamente não tem sensibilidade suficientemente alta para ser recomendado como método de rastreamento de rotina para câncer ovariano. Entretanto, níveis de CA-125 excedendo 65 U/ml são preditivos de malignidade em 75% das mulheres na pós-menopausa com massas pélvicas. A principal utilização do CA-125 é durante o tratamento de pacientes com câncer de ovário confirmado. Outros marcadores tumorais, tais como NB/70K, um marcador para adenocarcinomas epiteliais mucinosos do ovário, podem aumentar a sensibilidade do marcador CA-125 quando usado conjuntamente. Atualmente trabalhos confirmam que o US é o método mais preciso para distinguir entre ovários normais e anormais, especialmente na mulher pós-menopausada. O maior estudo para avaliação de câncer de ovário por USTA foi reportado por Campbell e colaboradores em 1989 (1). Mulheres na pré e pós-menopausa passaram por três exames USTA no período de um ano, achados 338 exames anormais, com cinco cânceres ovarianos primários e quatro cânceres ovarianos metastáticos, com especificidade geral de 97,7%. Dois dos cânceres primários foram achados no primeiro rastreamento e três um ano após o primeiro rastreamento. Uma em 50 mulheres com US anormal tiveram câncer ovariano, o que significa que, de 50 laparotomias, um caso de câncer ovariano primário seria encontrado, com nenhum câncer presente nas outras 49 mulheres. O estudo demonstrou a utilidade do USTA para detecção de anormalidades ovarianas, particularmente nas mulheres na pós-menopausa, e sua falta de especificidade devido à resolução subótima das características morfológicas dos ovários(1). Jacobs e colaboradores (7) rastrearam 22.000 mulheres assintomáticas na pós-menopausa, com uma combinação de CA-125 e USTA. Seu programa de rastreamento teve uma especificidade de 99,9%, com sensibilidade de 78,6% no acompanhamento de um ano e de 57,9% no acompanhamento de dois anos. Por utilizar um transdutor de alta freqüência mais próximo dos anexos, o exame transvaginal aumenta a resolução e melhora a capacidade de detectar anormalidade do ovário. Em mulheres na pós-menopausa, a USTV foi capaz de identificar ambos os ovários em 60% dos casos, e pelo menos um ovário em 81% dos casos (8). A maioria dos ovários não visualizados eram atróficos. Portanto, os dados sugerem que a não visualização do ovário na pós-menopausa, com USTV, confirma a ausência de anormalidade do mesmo. A USTV demonstrou que 17% dos ovários na pós-menopausa contêm cistos simples que são transitórios e freqüentemente benignos. A prevalência destes cistos anexiais ou atividade cística é independente da terapia de reposição hormonal. Examinando 1.300 pacientes assintomáticas com USTV, Van Nagell e colaboradores (4) identificaram dois cânceres ovarianos em estágio inicial, com CA-125 e exame físico normais (4). Em uma tentativa de melhorar a especificidade, Bourne e colaboradores (3) avaliaram com USTV, mulheres com história familiar positiva de câncer de ovário (um parente de primeiro ou segundo grau). Três cânceres ovarianos primários em estágio I foram encontrados, compatível com uma taxa de falsos-positivos de 5,5%, valor preditivo positivo de 7,7%, e probabilidade de 1:13 (3). Karlan e seu grupo observaram que 32 cirurgias foram realizadas para diagnosticar câncer ovariano na população de baixo risco, comparadas com 17 cirurgias na população de alto risco (2). Diversos autores mostraram que a combinação de USTV com Doppler colorido otimiza ainda mais a detecção do câncer ovariano em estágio inicial. Em uma população de alto risco, Weiner e colaboradores (6) notaram que a USTV tem uma especificidade de 97,5% na detecção do câncer ovariano e valor preditivo positivo de 25%, comparado com o exame por imagem de fluxo colorido, com uma especificidade de 99,9% e valor preditivo positivo de 60%. Os índices de pulsatilidade ou resistência (IP ou IR) indicam diminuição na resistência ao fluxo sangüíneo na vasculatura distal, identificado em lesões malignas, bem como em massas vasculares benignas. A neovascularização identificada nas massas malignas pode também ser vista na formação do corpo lúteo. Portanto, para evitar uma cirurgia desnecessária, mulheres na pré-menopausa devem passar pelo rastreamento por ultra-sonografia durante os primeiros doze dias do ciclo menstrual. Nas mulheres na pós-menopausa, vasos com índice de resistência baixo não são vistos em ovários Imagem Ginecológica 1026 Rastreamento do câncer de ovário

normais; quando presentes, eles são considerados anormais. A ausência de fluxo ou fluxo de alta impedância em um ovário pode potencialmente excluir uma doença maligna (6). Entretanto, características morfológicas continuam sendo o critério mais importante na diferenciação de ovários normais dos anormais. A TC pélvica não é indicada para rastreamento por causa de sua incapacidade de mostrar lesões pequenas, pouca diferenciação dos tecidos moles da pelve, alto custo e necessidade de contraste. O custo da RM, associado a falta de resolução na pelve, impede o seu uso no rastreamento de pequenas anormalidades ovarianas. Em 1996, o custo de um programa de rastreamento por US em pacientes com níveis anormais de CA-125 podia ser estimado em 6 vezes maior na população em geral, comparado para pacientes com história familiar de câncer ovariano. O custo do rastreamento para câncer ovariano é de, no mínimo, dez vezes o custo do rastreamento para câncer de mama (9). Em mulheres na pós-menopausa, a avaliação cirúrgica por ser recomendada quando o volume ovariano está aumentado (> 8 cc) com CA-125 elevado, ou CA-125 normal com características ovarianas morfológicas anormais (isto é, massa complexa ou sólida). Se um cisto simples mede mais de 5 cm de diâmetro, ou menos de 5 cm com um CA-125 elevado, ou com fluxo de baixa impedância, ou ambos, uma intervenção cirúrgica pode ser considerada. Devido à baixa prevalência da doença na população em geral, não existem dados estatisticamente significantes para mostrar que o rastreamento reduz a mortalidade. Seria necessário um teste de rastreamento com alta sensibilidade, caso contrário, o rastreamento de rotina para câncer ovariano não pode ser recomendado. São necessários resultados de um grande ensaio clínico comparando a mortalidade por câncer ovariano entre grupos rastreados e não rastreados. Exceções Previstas Nenhuma. Informação de Revisão Esta diretriz foi originalmente desenvolvida em 1996. Todos os tópicos dos Critérios de Adequação são revistos anualmente e, sendo necessário, são atualizados. Imagem Ginecológica 1027 Rastreamento do câncer de ovário

Condição Clínica: Rastreamento Ovariano Variante 1: Mulher na pré-menopausa: baixo risco. US transabdominal 2 US transvaginal 2 US com Doppler espectral 2 Se houver fluxo colorido, a análise espectral quantificará o fluxo. Variante 2: Mulher na pré-menopausa: alto risco. US transvaginal 8 US transabdominal 6 US com Doppler colorido 6 US com Doppler espectral 4 Se houver fluxo colorido a análise completamente dirigida para CA-125 6 Imagem Ginecológica 1028 Rastreamento do câncer de ovário

Condição Clínica: Rastreamento Ovariano Variante 3: Mulher na pós-menopausa:baixo risco. US transabdominal 2 US transvaginal 2 US com Doppler espectral 2 Se houver fluxo colorido, a análise diagnóstico de câncer de ovário, Variante 4: Mulher na pós-menopausa: alto risco. US transvaginal 8 US com Doppler colorido 8 US com Doppler espectral 6 Se houver fluxo colorido, a análise US transabdominal 6 CA-125 8 Imagem Ginecológica 1029 Rastreamento do câncer de ovário

Condição Clínica: Rastreamento Ovariano Variante 5: Mulher na pré-menopausa sem massa ao US: baixo risco. US com Doppler espectral 2 Se houver fluxo colorido, a análise US de acompanhamento cada 3 meses 2 US de acompanhamento cada 6 meses 2 US de acompanhamento cada 12 meses 2 US de acompanhamento cada 24 meses 2 Variante 6: Mulher na pré-menopausa sem massa ao US: alto risco. US com Doppler espectral 2 Se houver fluxo colorido, a análise US de acompanhamento cada 12 meses 6 US de acompanhamento cada 3 meses 2 US de acompanhamento cada 6 meses 2 US de acompanhamento cada 24 meses 2 CA-125 Sem consenso Imagem Ginecológica 1030 Rastreamento do câncer de ovário

Condição Clínica: Rastreamento Ovariano Variante 7: Mulher na pós-menopausa sem massa ao US: baixo risco. US com Doppler espectral 2 Se houver fluxo colorido, a análise US de acompanhamento cada 3 meses 2 US de acompanhamento cada 6 meses 2 US de acompanhamento cada 12 meses 2 US de acompanhamento cada 24 meses 2 Variante 8: Mulher na pós-menopausa sem massa ao US: alto risco. US com Doppler colorido 4 US com Doppler espectral 4 Se houver fluxo colorido, a análise US de acompanhamento cada 3 meses 8 US de acompanhamento cada 6 meses 2 US de acompanhamento cada 12 meses 2 US de acompanhamento cada 24 meses 2 completamente dirigida para câncer ovariano, Imagem Ginecológica 1031 Rastreamento do câncer de ovário

Referências 1. Campbell S, et al. Transabdominal screening for early ovarian cancer. BJM 1989;299:1363-1367. 2. Sparks JM, et al. Ovarian cancer screening. Obst & Gyn 1991;77(5):787-792. 3. Bourne TH, et al. Ultrasound screening for familial ovarian cancer. Gyn Oncol 1991;43(2);92-97. 4. Van Nagell JR Jr., et al. Ovarian câncer screening in asymptomatic postmenopausal women by transvaginal sonography. Câncer 1991;68(3):458-462. 5. Karlan BY, Platt LD. The current status of ultrasound and color Doppler imaging in screening for ovarian cancer. Gyn Oncol 1994;55(3Pt2): S28-S33. 6. Weiner Z, et al. Screening for ovarian câncer in women with breast cancer with transvaginal sonography and color flow imaging. J US Med 1993;12(7):387-393. 7. Jacobs I, et al. Prevalence screening for ovarian cancer in postmenopausal women by CA 125 measurement and ultrasonography. BMJ 1993;306(688A):1030-1034. 8. Fleischer AC, et al. Transvaginal sonography of postmenopausal ovaries with pathologic correlation. J US Med 1990;9(11):637-644. 9. Taylor KJ, Schwartz PE. Screening for early ovarian cancer. Radiology 1994;192:1-10. 10. Levine D, et al. Simple adnexal cysts: the natural history of postmenopausal women. Radiology 1992;184:653-659. Imagem Ginecológica 1032 Rastreamento do câncer de ovário