CAPÍTULO 5 PLANO DE FORMAÇÃO

Documentos relacionados
CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO

Biblioteca de Escola Secundária/3ºC de Vendas Novas. Plano de acção Nota introdutória

promovam a reflexão sobre temáticas fundamentais relacionadas com a aprendizagem da Matemática.

Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

ANO LECTIVO 2008/2009 1º ANO. As Propostas de Formação

Uma iniciativa para a promoção da literacia científica na disciplina de Ciências Físico-Químicas do 3.º ciclo do ensino básico

Apêndice VII Guião de entrevista aos formadores portugueses

D23. PROGRAMA DE TEORIA DA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR 11ª Classe. Formação de Professores para o Pré-Escolar e para o Ensino Primário

PLANO DE ACÇÃO DA BIBLIOTECA ESCOLAR DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS MOSTEIRO E CÁVADO 2009/2013

ÍNDICE GERAL INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 (RE) PENSANDO A ESCOLA COM AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E

Desafios ao Desenvolvimento Profissional: do trabalho colaborativo ao nível da escola a um grupo sobre escrita ÍNDICE GERAL

PLANO DE ACÇÃO ESTRATÉGICA A - IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA

Plano de Trabalho. Ano lectivo 2010/2011

Projecto de Apoio à Literacia. Introdução. Pesquisa e tratamento de informação

REFERENTES E LEMENTOS CONSTITUTIVOS C RITÉRIOS I NDICADORES. Oferta formativa. . Projecto de Auto-avaliação da Escola Secundária de Alberto Sampaio

Relatório Reflexivo. Oficina de Formação

Índice. Capítulo I Introdução 1. Capítulo II O professor 17. Objectivo e questões do estudo 2. O contexto do estudo 9

Formulário de preenchimento obrigatório, a anexar à ficha modelo ACC 2. Actividades Rítmicas Expressivas: Danças Sociais (latino-americanas)

Avaliação da biblioteca escolar. A. Currículo literacias e aprendizagem. Avaliação

Formação continuada de educadores de infância Contributos para a implementação do trabalho experimental de ciências com crianças em idade pré-escolar

Educar para a Cidadania Contributo da Geografia Escolar

Instrumento de Registo (Artigo 10º, ponto 1 1 e 2 do Decreto Regulamentar n.º 2/2010)

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VILA NOVA DE CERVEIRA. Plano de Melhoria

O PORTFOLIO E A AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS. Ana Cláudia Cohen Coelho Ana Paula Ferreira Rodrigues

Programa de Formação Contínua em Matemática para Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico da ESEG

Plano de Melhoria 2016/2019

Construir o Futuro (I, II, III e IV) Pinto et al. Colectiva. Crianças e Adolescentes. Variável. Nome da prova: Autor(es): Versão: Portuguesa

PROGRAMA DE TEORIA DA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR 11ª Classe

Relatório Final de Avaliação. Acção n.º 4/2010. Gestão Integrada da Biblioteca Escolar do Agrupamento. Modalidade: Curso de Formação

Elisabete Pereira (2003) Análise do Software Eu Aprendo Ciências da Natureza 6º Ano

1. Objectivos: 2. Conteúdos:

Resumo do relatório de auto-avaliação da biblioteca escolar 2009/2010. A. Apoio ao desenvolvimento curricular

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS GONÇALO SAMPAIO ESCOLA E.B. 2, 3 PROFESSOR GONÇALO SAMPAIO

PLANO DE MELHORIA

Escola Superior de Educação Instituto Politécnico de Bragança. Resultados de Aprendizagem e Competências

Perfil do Professor em Tecnologias de Informação e Comunicação

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOCENTE

Avaliação do desempenho do docente -2011/2012

DESIGNAÇÃO DA ACÇÃO DE FORMAÇÃO A Aprendizagem da Matemática através da Resolução de Problemas Acção 28 / 2009

Ana Silva (2003) Análise do Software Poly Pro Programa de Geometria Dinâmica

Relatório Final de Avaliação. Ação n.º 5/2011. Gestão e Resolução de Conflitos/Promover Ambientes de Aprendizagem e Cidadania

INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM ANEXO II AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DO PESSOAL DOCENTE RELATÓRIO DE AUTO AVALIAÇÃO. Identificação do avaliado

JOVENS. Programa de Voluntariado Barclays

Manual de Procedimentos. Volume 9.4 Área Para a Qualidade e Auditoria Interna

Serviço de Psicologia Externato da Luz

ANEXO C Guião da 3ª entrevista aos alunos

Investigação sobre o conhecimento e a formação de professores Síntese da discussão do grupo temático

AVALIAÇÃO CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO INTERNA SEGUNDO CICLO DO ENSINO BÁSICO 6.º ANO. Ano letivo 2013/2014

AVALIAÇÃO DAS BE e a MUDANÇA A ORGANIZACIONAL: Papel do CREM/BE no desenvolvimento curricular.

Qualidade de Vida Urbana

Política de Formação

ANEXO II RELATÓRIO DE AUTO AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS DOCENTES DO IPS

Referencial Estratégico para Monitorização do Desenvolvimento Social de Lisboa

100 Limites. Orientadora do projecto : Professora Paula Correia. São Brás de Alportel. Trabalho apresentado junto do Concelho Executivo

O trabalho de projecto e a relação dos alunos com a Matemática

Reunião de Rede LVT Fevereiro de Equipa Regional de Lisboa e Vale do Tejo

2017/2018 Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento

PERFIL DE EXCELÊNCIA ACTIVIDADE PROFISSIONAL DO FORMADOR

CAPÍTULO I. 1. INTRODUÇÃO 1.1. contextualização geral da investigação identificação do problema hipóteses de investigação

RELATÓRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO Professor

Pág. INTRODUÇÃO Problema e questões de investigação. 1 Pertinência e significado da investigação.. 2 Organização e apresentação da investigação.

CRITÉRIOS GERAIS de AVALIAÇÃO na EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE GAVIÃO. Ano letivo 2014/2015 PLANO DE FORMAÇÃO. Não há saber mais ou saber menos. Há saberes diferentes.

Módulo 5: Trabalho de Aplicação Pedagógica (TAP) Guia de Exploração Pedagógica do Módulo - Formando

Estudo de impacto dos recursos: Hipertexto/ Vídeo da actividade laboratorial

Projecto de Plano de Actividades do CNE para Em 2008, a actividade do CNE centrar-se-á em quatro grandes áreas de intervenção:

O USO DAS TECNOLOGIAS COMO MEIO DE APRENDIZAGEM. Curricular, (ACC) apensar nas tecnologias no processo de ensino aprendizagem,

Plano de Melhoria. Avaliação Externa IGEC. 13 a 16 de abril 2015

PROGRAMA ACOMPANHAMENTO. ACOMPANHAMENTO DA AÇÃO EDUCATIVA Relatório. Agrupamento de Escolas de Resende

Colaboração Instituto Nacional de Estatística. Rede de Bibliotecas Escolares

ANEXO A Guião da 1ª entrevista aos alunos

Transcrição:

CAPÍTULO 5 PLANO DE FORMAÇÃO Desde sempre, existiram divergências entre o que os investigadores educacionais propõem e o que os professores fazem. Muitos professores consideram irrelevantes os resultados da investigação educacional para o seu dia-a-dia dentro da sala de aula, verificando-se um fosso entre a teoria e a prática dos professores (Costa, Marques & Kempa, 2000; Juuti & Lavonen, 2006). Neste sentido, torna-se urgente que os investigadores façam os seus estudos no contexto sala de aula e trabalhem em colaboração com os professores contribuindo, deste modo, para mudanças nas suas práticas e concepções (Collins, 1992). O professor e o investigador podem trabalhar colaborativamente no sentido de desenvolverem materiais para serem implementados na sala de aula, promovendo-se a ligação da teoria à prática. Cabe ao investigador, para além de elaborar colaborativamente os materiais com o professor, o papel de facilitar o processo de reflexão, ajudando-o a pensar criticamente sobre os seus objectivos e as suas acções na sala de aula. O professor é o responsável pela construção, implementação e avaliação desses materiais (Juuti & Lavonen, 2006). 119

A formação que se pretende desenvolver com professores de Física e Química do 3º Ciclo do Ensino Básico, que serve de contexto a este estudo, permite fazer a ligação da teoria à prática através da aplicação dos princípios orientadores do currículo e da investigação educacional ao desenvolvimento de actividades de investigação (Barab, 2006; Barab & Square, 2004; Juuti & Lavonen, 2006). Além disso, esta formação tem como propósito a contribuição para o desenvolvimento profissional dos professores participantes a partir de um trabalho colaborativo e de um processo de reflexão. Com o intuito de descrever o plano de formação que se pretende desenvolver com os professores, este capítulo está organizado em três secções. Na primeira, descrevem-se as finalidades e objectivos da formação, na segunda, os módulos da formação e na terceira, a avaliação da formação. FINALIDADE E OBJECTIVOS DA FORMAÇÃO A formação a desenvolver com professores de Física e Química tem como finalidades promover a implementação de uma proposta didáctica na sala de aula, desenvolvida a partir de um trabalho colaborativo, e fomentar a reflexão sobre as mudanças introduzidas na sala de aula. Para atingir as finalidades foram definidos os seguintes objectivos: 1. Reforçar a necessidade de implementar na sala de aula estratégias inovadoras de modo a fomentar uma Educação em Ciência para todos. Pretende-se discutir a importância de promover a literacia científica nos alunos, o desenvolvimento de competências e a interacção Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente. 2. Aprofundar os conhecimentos dos professores sobre o desenvolvimento curricular. 120

Neste objectivo, está em causa a promoção da reflexão sobre as mudanças curriculares e as suas implicações para o ensino/aprendizagem da Física e Química. 3. Discutir com os professores aspectos referentes à investigação que tem sido feita na área da Didáctica das Ciências. Pretende-se criar condições para analisar e discutir assuntos relacionados com a investigação educacional. Com efeito, com base em artigos de revistas e em textos, é conduzida uma reflexão sobre questões como: Qual a utilidade da investigação educacional? Qual a aplicabilidade no dia-a-dia? O que faz falta? O que mudar? Como fazer chegá-la aos professores? 4. Fomentar a exploração de situações de aprendizagem para o ensino da Física e da Química. Os professores vão ter oportunidade de analisar propostas de actividades de investigação para a sala de aula, desenvolvidas no âmbito de projectos internacionais. 5. Desenvolver colaborativamente a proposta didáctica e implementá-la na sala de aula. Cada professor planeia, em colaboração com a investigadora, uma sequência de aulas sobre um tema presente nas Orientações Curriculares para as Ciências Físicas e Naturais do 3º ciclo do Ensino Básico. Em conjunto, discutem e constroem uma proposta didáctica, constituída por várias actividades de investigação que, posteriormente, é implementada na sala de aula. 6. Discutir o modo de como avaliar os alunos quando estes estão envolvidos em investigações científicas na sala de aula. 121

Os professores, em conjunto com a investigadora, discutem a melhor forma de avaliar os seus alunos quando estão envolvidos em actividades de investigação na sala de aula. Nesta altura, são construídos instrumentos para avaliar os alunos. 7. Proceder na sala de aula à recolha de dados, levando os professores a desenvolver competências investigativas. No decorrer da implementação da proposta didáctica, procede-se à recolha de dados usando a observação naturalista com registos áudio, a entrevista em grupo focado e os documentos escritos produzidos pelos alunos. Pretende-se levar os professores a desenvolver competências investigativas. 8. Analisar e discutir com os professores os dados recolhidos. Os dados recolhidos são analisados pelos professores em conjunto com a investigadora, sendo a sua análise alvo de discussão. MÓDULOS DA FORMAÇÃO Os objectivos referidos na secção anterior encontram-se inseridos em três módulos que se inter-relacionam, tal como se apresenta Figura 5.1. Módulo 1 Análise e discussão sobre as Orientações Curriculares, o ensino e aprendizagem de ciência, investigações na sala de aula e avaliação como aprendizagem Planeamento e desenvolvimento da proposta didáctica Módulo 2 Implementação da proposta didáctica na sala de aula Recolha de dados Módulo 3 Discussão sobre os dados recolhidos Reformulação do plano da proposta didáctica Figura 5.1 Módulos da formação 122

A planificação dos módulos é discutida com cada professor e reformulada, de modo a que esta possa não só contemplar as necessidades dos participantes, como também ajudá-los a desenvolverem-se profissionalmente. Evidencia-se que, para se promover o trabalho colaborativo entre investigadora e professor, evitar constrangimentos relacionados com a falta de tempo e incompatibilidade de horários, colmatar as lacunas individuais dos professores e desenvolver diferentes propostas didácticas para o 3º ciclo do Ensino Básico, de acordo com as Orientações Curriculares, se opta por promover sessões individuais com cada participante. Módulo 1 O módulo 1 inicia-se com a análise conjunta, professor/investigadora, de actividades de investigação desenvolvidas no âmbito do projecto PEC (Profesorado Europeo de Ciencias: Conocimiento Científico, Destrezas Lingüísticas y Medios Digitales). Trata-se de um projecto internacional - COMENIUS - onde cada equipa, correspondente a um país e faculdade diferente, construiu vários materiais que facilitam a aprendizagem de ciências. Em Portugal, foram desenvolvidas actividades de investigação que se inserem em três temas: Energia, Reacções Químicas e Som (Freire et al., 2008). A investigadora selecciona duas actividades e discute-as com cada professora. No decorrer desta análise, são colocadas várias questões ao professor, tais como: 1) Considera as actividades que acabou de analisar adequadas para alunos de Física e Química do ensino básico? Porquê?; 2) Acha que conseguia implementar estas actividades com os seus alunos? Porquê?; 3) Pensa que com estas actividades os seus alunos aprendem conteúdos de Física e Química? Quais?; 4) Que aprendizagens estas actividades proporcionariam aos seus alunos?; 5) Que dificuldades, como professor, julga que iria sentir se implementasse estas actividades?; 6) E os seus alunos, que dificuldades iriam sentir?; 7) Que alterações fazia nas actividades?; 8) Qual seria a sua actuação na sala de aula se tivesse que implementar estas actividades?; 9) Qual a relevância e 123

pertinência das actividades propostas; 10) Como foram construídas as actividades?; 11) As actividades têm características comuns? Haverá algum modelo para a sua construção? 12) Qual o papel do professor e qual o do aluno?; 13) As actividades terão sido construídas tendo em conta as Orientações Curriculares? Porquê?; 14) Como pensaria em avaliar os seus alunos? Porquê? A discussão destas questões têm o propósito de levar os professores a reflectir sobre a implementação destas actividades na sua prática, nomeadamente no que respeita a mudanças de papel na sala de aula. Além disso, permitem a introdução de outros aspectos como desenvolvimento de competências científicas e linguísticas, a interacção Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, a literacia científica, a avaliação formativa, as Orientações Curriculares e modelos teóricos para a construção deste tipo de actividades. Nesta fase, o modelo teórico dos 5 E s (Bybee, 2006) é discutido com os professores. Salienta-se que durante as sessões de planificação estes aspectos vão sendo, novamente, analisados tendo em conta as necessidades manifestadas por cada professor. Para que as discussões possam ser fundamentadas e os professores tenham conhecimento dos resultados da investigação educacional, pretende-se fornecer textos e artigos de revistas, à medida que estes assuntos vão sendo analisados e abordados com cada professor, durante as sessões onde se planificam e constroem as actividades. Num segundo momento, os professores seleccionam, em conjunto com a investigadora, o tema das Orientações Curriculares que pretendem desenvolver. Em seguida, com base neste documento oficial e no número de aulas determinado pelo grupo disciplinar para aquele tema, procede-se à definição do número de actividades que vão constituir a proposta didáctica, da duração das mesmas e dos conteúdos científicos a englobar em cada uma. Após esta fase, passa-se ao planeamento e construção das actividades de investigação, onde estratégias, competências, recursos e possíveis relações de interdisciplinaridade são assuntos a serem discutidos. Pretende-se que o modelo dos 5 E s (Bybee, 2006) seja tido em conta no decorrer desta fase, promovendo-se reflexões sobre o seu uso. Salienta-se que a estruturação das 124

actividades que constituem a proposta didáctica para os alunos desenvolverem é um trabalho bastante complexo, havendo uma preocupação constante no sentido de irem ao encontro dos seus gostos e interesses. Além disso, a sua adequação ao que é preconizado nas Orientações Curriculares e à teoria é também tida em consideração. Ainda durante este módulo, a avaliação e auto-avaliação dos alunos é outro aspecto discutido com cada professor. Reforça-se a importância da avaliação como aprendizagem, que ajuda os alunos a compreender o que acontece e lhes facilita o reconhecimento e rectificação dos erros (Perrenoud, 2000). Neste sentido, constroem-se instrumentos de avaliação, com as professoras, que asseguram a consistência entre a avaliação, as aprendizagens e as competências que se pretende que os alunos desenvolvam. No Quadro 5.1 sistematizam-se as finalidades, tarefas e materiais de apoio ao módulo 1. Quadro 5.1 Finalidades, Tarefas e Materiais de Apoio do Módulo 1 Módulo 1 Objectivos Tarefas Materiais de Apoio Discutir os papéis do aluno e professor na sala de aula Promover a reflexão sobre o ensino e aprendizagem de ciência, as actividades de investigação na sala de aula e a avaliação como aprendizagem Planear o desenvolvimento da proposta didáctica Construir actividades para desenvolver na sala de aula Desenvolver instrumentos para avaliar as actividades Análise de actividades de investigação desenvolvidas no âmbito do projecto PEC Análise de textos/artigos de revistas Interpretação das Orientações Curriculares Pesquisa de informação Análise de documentos CD-ROM do projecto PEC Textos/artigos de revistas Orientações Curriculares Módulo 2 O módulo 2 corresponde à implementação da proposta didáctica e recolha de dados na sala de aula. O número de horas deste módulo varia de 125

acordo com o número de actividades planificadas e construídas por cada professora. A investigadora assiste a 50% das aulas dos professores, havendo após cada aula uma reflexão sobre o decorrer da mesma. Se necessário, fazemse reajustamentos nas actividades que ainda não foram implementadas. Evidencia-se que em todas as aulas assistidas se procede à recolha de dados, utilizando para isso a observação naturalista com registo áudio e os documentos escritos pelos alunos no decorrer das actividades. No final da implementação da proposta didáctica, realiza-se uma entrevista em grupo focado aos alunos. O Quadro 5.2 apresenta as finalidades, tarefas e materiais de apoio do Módulo 2. Quadro 5.2 Finalidades, Tarefas e Materiais de Apoio do Módulo 2 Módulo 2 Objectivos Tarefas Materiais de Apoio Implementar a proposta didáctica Promover a reflexão sobre a prática Implementação da proposta didáctica Recolha de dados Fichas das actividades Gravadores áudio Módulo 3 O módulo 3 consiste na discussão dos dados recolhidos na sala de aula e reformulação, se necessário, da planificação da proposta didáctica. Os professores, em colaboração com a formadora, reflectem sobre os documentos escritos pelos alunos, as transcrições dos registos áudio e as transcrições das entrevistas em grupo focado. Em conjunto, procuram conhecer as ideias manifestadas pelos seus alunos sobre as actividades de investigação. Para isso, tentam responder a várias questões, como: Que mudanças ocorrem nas percepções dos alunos relativamente às aulas de Ciências Físico-Químicas, quando são usadas investigações cientificas na sala de aula? 126

Que dificuldades encontram os alunos na realização das actividades de investigação e como são ultrapassadas durante o desenvolvimento deste tipo de actividades? Que aprendizagens fazem os alunos durante a realização das actividades? Quais as reacções dos alunos relativamente ao uso de investigações científicas na sala de aula? Após a reflexão sobre os dados recolhidos na sala de aula, procede-se à reformulação, se necessário, do plano da proposta didáctica de forma a melhorá-lo. No Quadro 5.3, apresentam-se as finalidades, tarefas e materiais de apoio para o desenvolvimento do módulo 3. Quadro 5.3 Finalidades, Tarefas e Materiais de Apoio do Módulo 3 Módulo 3 Objectivos Tarefas Materiais de Apoio Reflectir sobre a implementação da proposta didáctica Análise dos dados recolhidos Reformulação do plano da proposta didáctica Transcrições das entrevistas em grupo focado e registos áudio Documentos escritos pelos alunos AVALIAÇÃO DA FORMAÇÃO A avaliação da formação é realizada pelos professores e pretende não só compreender se os objectivos foram alcançados, como também contribuir para melhorar este plano de formação. Deste modo, no final da implementação dos módulos, solicita-se aos professores que respondam a algumas questões e as enviem por correio electrónico. As questões incidem sobre a opinião dos professores acerca de cada um dos módulos, nomeadamente como decorreram, que alterações faziam, que aprendizagens realizaram, qual a importância e pertinência destes para o seu desenvolvimento, tanto a nível pessoal, como 127

profissional, e que outras sugestões gostavam de apresentar. No entanto, evidencia-se que o plano de formação vai sendo avaliado no decorrer dos módulos, uma vez que se espera que os professores expressem as suas opiniões durante os mesmos. SÍNTESE A formação que se pretende levar a cabo com professores de Física e Química tem como finalidade promover a implementação de uma proposta didáctica desenvolvida colaborativamente e a reflexão sobre as mudanças introduzidas na sala de aula. Para se atingir esta finalidade propõem-se três módulos. O primeiro módulo dá ênfase a aspectos como o ensino e aprendizagem de ciência, as actividades de investigação, as Orientações Curriculares e a avaliação dos alunos. Estes assuntos são discutidos antes e durante a planificação e construção de uma proposta didáctica. O segundo módulo refere-se à implementação das actividades de investigação construídas no módulo anterior e à recolha de dados na sala de aula. O terceiro consiste na discussão dos dados recolhidos e, se necessário, na reformulação do plano que deu origem da proposta didáctica. 128