SUPLEMENTO DE ATIVIDADES 1 NOME: N O : ESCOLA: SÉRIE: Um dos mais importantes escritores portugueses, Eça de Queirós foi um arguto analista da sociedade e das relações humanas. Crítico implacável, satirista ferrenho, sua obra é uma luta contra toda forma de falsidade. O romance O primo Basílio sintetiza essas preocupações e é um marco do Realismo em Portugal. As atividades a seguir pretendem ampliar a compreensão dessa obra e desse tempo. Desenvolva-as após a leitura do livro, dos Diários de um Clássico, da Contextualização Histórica e da Entrevista Imaginária.
UMA OBRA CLÁSSICA 1. Qual o tema central de O primo Basílio? Por que a obra gerou polêmica em sua época? 2. Em que sentido podemos dizer que Eça de Queirós, além de escritor, é um moralista? 2 3. Como melhor poderíamos definir O primo Basílio no contexto da literatura realista portuguesa?
A NARRATIVA 4. Qual a divisão da narrativa? Ela segue algum plano fixo? 5. Em que momento percebemos que Luísa está repensando a sua vida adúltera? O que a leva a isso? 3
6. Em termos de representação, O primo Basílio: a) Vale-se de que tipo de técnica? b) Privilegia qual espaço? 4 O NARRADOR 7. Qual a característica principal do narrador de O primo Basílio?
8. Qual a diferença entre o narrador de Dom Casmurro e o de O primo Basílio? PERSONAGENS 9. Descreva as principais características dos personagens relacionados a seguir: a) Luísa Mendonça de Brito Carvalho: 5 b) Basílio de Brito: c) Juliana Couceiro Tavira: d) Sebastião:
e) Jorge Carvalho: 10. Qual aspecto de Luísa se relaciona ao Romantismo? Justifique. INTERTEXTUALIDADE 11. Há uma relação direta entre O primo Basílio e o romance Madame Bovary, do escritor francês Gustave Flaubert. Pesquise um pouco sobre esse escritor e sua obra e enumere as semelhanças que encontrar. 6
12. Outro caso de adultério famoso na literatura brasileira é narrado em São Bernardo, do escritor Graciliano Ramos. Pesquise um pouco sobre ele. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA 7 A seguir, responda a algumas questões relacionadas à seção Contextualização Histórica, encontrada na parte final do livro. 13. Comente o trecho a seguir, retirado da crítica de Machado de Assis ao romance de Eça de Queirós: Um leitor perspicaz terá já visto a incongruência da concepção do Sr. Eça de Queirós, e a inanidade do caráter da heroína. Suponhamos que tais cartas não eram descobertas, ou que Juliana não tinha a malícia de as procurar, ou enfim que não havia semelhante fâmula em casa, nem outra da mesma índole. Estava acabado o romance, porque o primo enfastiado seguiria para França, e Jorge regressaria do Alentejo; os dois esposos voltavam à vida exterior. Crítica de Machado de Assis. Publicada na revista O cruzeiro, 16 de abril de 1878.
Qual a censura feita pelo escritor brasileiro ao português? 14. Leia o trecho a seguir: Vejamos o que é O primo Basílio e comecemos por uma palavra que há nele. Um dos personagens, Sebastião, conta a outro o caso de Basílio, que, tendo namorado Luísa em solteira, estivera para casar com ela; mas falindo o pai, veio para o Brasil, donde escreveu desfazendo o casamento. Mas é a Eugênia Grandet! exclama o outro. O Sr. Eça de Queirós incumbiu-se de nos dar o fio da sua concepção. Disse talvez consigo: Balzac separa os dois primos, depois de um beijo (aliás, o mais casto dos beijos). Carlos vai para a América; a outra fica, e fica solteira. Se a casássemos com outro, qual seria o resultado do encontro dos dois na Europa? se tal foi a reflexão do autor, devo dizer, desde já, que de nenhum modo plagiou os personagens de Balzac. A Eugênia deste, a provinciana singela e boa, cujo corpo, aliás robusto, encerra uma alma apaixonada e sublime, nada tem com a Luísa do Sr. Eça de Queirós. 8 Crítica de Machado de Assis. Publicada na revista O cruzeiro, 16 de abril de 1878.
Nele, Machado de Assis tece uma comparação entre a obra de Eça e a Eugênia Grandet de Balzac. Pesquise sobre a obra de Honoré de Balzac para descobrir: ela tem estrutura muito semelhante à de O primo Basílio? 15. Leia agora este trecho: No século XIX, o público consumidor da literatura romântica era eminentemente formado pela burguesia. As origens populares dessa classe não condiziam com o refinamento da arte clássica, cuja compreensão exige conhecimento das culturas grega e latina. A burguesia ansiava por uma literatura que enfocasse seu próprio tempo, seus problemas e sua forma de viver. O romance, por relatar acontecimentos da vida cotidiana e por dar vazão ao gosto burguês pela fantasia e pela aventura, tornou-se o mais importante meio de expressão artística dessa classe. 9 CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura brasileira: em diálogo com outras literaturas e outras linguagens, 3. ed. São Paulo: Atual, 2005, p. 238-239. Em que sentido podemos dizer que esse trecho corresponde à situação de Eça de Queirós e às propostas do Realismo?
A NOVA DO CADÁVER - A SUA ENTREVISTA IMAGINÁRIA Agora é com você, caro leitor. Valendo-se das orientações desta edição e das suas respostas às atividades de leitura, elabore uma nova entrevista com o autor, mais ou menos como a Entrevista Imaginária do final do livro. Ainda que Eça de Queirós não esteja mais entre nós, sua obra continua viva. Sobretudo hoje, quando vemos tantas imposturas nas relações pessoais, sociais e principalmente políticas. Ele, que foi um crítico contumaz da hipocrisia e dos falsos valores, pode muito bem nos auxiliar a compreender um pouco do mundo atual. Sua obra, ao mostrar uma engrenagem social corrompida, forneceu um dos melhores espelhos da realidade. Seja por meio da linguagem, seja pela construção de seus personagens ou até mesmo por aspectos de sua biografia: qualquer um desses caminhos possibilita uma aproximação de sua vida e sua obra. Por intermédio deles, podemos conhecer um pouco mais das idéias sobre literatura e Portugal que motivaram esse autor a escrever seus romances. A abordagem pode mencionar suas idéias artísticas, as teorias filosóficas e políticas do século XIX, suas fontes de inspiração ou até as excentricidades pessoais. Vale a pena também interrogar Eça de Queirós sobre as relações conflituosas que teve com Machado de Assis, em função da crítica que o escritor brasileiro escreveu sobre O primo Basílio, e como essa polêmica inicial acabou se transformando em uma longa amizade. Elabore suas respostas a partir de afirmações do autor, dos personagens ou do narrador. Bom trabalho! 10