* Princípios jurídicos da tributação

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Transcrição:

ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DOM BOSCO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS ECONOMIA DO SETOR PÚBLICO AULA Teoria e Princípios da Tributação 1 * Princípios jurídicos da tributação a) da Reserva Legal Tributária ou da Legalidade Estrita (art. 151, I, CF) b) da Igualdade Tributária ou da Isonomia (art. 150, II, CF) c) da Irretroatividade Tributária (art. 150, III, a, CF) d) da Anterioridade Tributária (art. 150, III, b, CF) e) da Anterioridade Mitigada ou Nonagesimal (art. 150, III, c, CF) f) da Vedação ao Confisco (art. 150, IV, CF) g) da Ilimitabilidade do Tráfego de Pessoas ou de Bens (art. 150, V, CF) h) da Capacidade Contributiva (art. 145, 1º, CF) i) da Razoabilidade (art. 5º, LIV, CF) j) da Uniformidade (art. 151, I, CF) * Princípios econômicos da tributação a) da Simplicidade b) da Neutralidade c) da Progressividade d) da Equidade * Princípios jurídicos da tributação Esses princípios são, na verdade, dispositivos normativos que visam garantir o cidadão contribuinte contra possíveis excessos ou abusos do fisco (Estado). Eles impõem limites à competência tributária do ente estatal, mostrando que esse poder não é ilimitado. Os principais dispositivos constitucionais nesse sentido encontram-se listados e sucintamente descritos a seguir: 1 Elaborado pelo Professor Walfredo Ferreira. Disponível no Blog: profwalfredoferreira.wordpress.com. Este material serve apenas como roteiro de estudo, sendo complementado com os assuntos discutidos em sala de aula e com os exemplos dados.

a) da Reserva Legal Tributária ou da Legalidade Estrita (art. 151, I, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. Também conhecido como princípio da legalidade estrita, em defesa da propriedade individual, encontra sua origem desde a Magna Carta, de 1215, na Inglaterra: [...] não lançaremos taxas ou tributos sem o consentimento do conselho geral do reino, a não ser para resgate de nossa pessoa, para armar cavaleiro o nosso filho mais velho e para celebrar, mas uma única vez, o casamento de nossa filha mais velha; e esses tributos não excederão limites razoáveis. De igual maneira se procederá quanto aos impostos da cidade de Londres. Na Constituição de 1988 é vedada a criação ou majoração de tributo sem previsão legislativa. b) da Igualdade Tributária ou da Isonomia (art. 150, II, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. Os tributos federais, estaduais, distritais e municipais deverão ser uniformes em toda circunscrição de sua incidência, apresentando idêntica base de cálculo, vedando-se que contribuintes na mesma situação recebam tratamento diferenciado por parte do Estado (MORAES, 2006). Como princípios relacionados a este, o da capacidade contributiva e o da progressividade buscam tornar real tal intenção. Como exemplos têm-se: a alíquota progressiva sobre o imposto de renda e sobre o IPTU. c) da Irretroatividade da Lei Tributária (art. 150, III, a, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado. Princípio que visa dar segurança jurídica e ao planejamento do contribuinte, impossibilitando a cobrança de tributos por parte do fisco em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da lei. Em suma, a lei nova não se aplica aos fatos geradores já consumados (CAPEZ et. al., 2004) e Código Tributário Nacional (CTN), art. 105. d) da Anterioridade Tributária (art. 150, III, b, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.

Em regra, nenhum tributo poderá ser cobrado no mesmo exercício financeiro 2 em que a lei que o instituiu ou aumentou foi aprovada. Esse princípio também serve para evitar surpresas para o contribuinte. O STF se manifestou, por meio do enunciado de sua Súmula 67, ser este princípio considerado cláusula pétrea, possuindo natureza de direito individual do contribuinte em face da ingerência estatal sobre sua propriedade. Contudo, há algumas exceções, como por exemplo: imposto sobre produtos estrangeiros (art. 153, I, CF); imposto sobre exportação (art. 153, II, CF); imposto sobre produtos industrializados (art. 153, IV, CF); imposto extraordinário (art. 154, II, CF). e) da Anterioridade Mitigada ou Nonagesimal (art. 150, III, c, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b. Instituído no âmbito constitucional em 2003, por meio da Emenda (EC) Nr 42, esse princípio, que deve ser visto cumulativamente ao princípio da anterioridade tributária (descrito acima), ampliou a proteção do contribuinte em relação ao Estado, vedando cobrança de tributos antes de decorridos 90 dias da data em que a lei relativa ao tributo foi publicada. Evita-se, assim, surpresa ao contribuinte, sobretudo quando uma lei que cria ou aumenta tributo é publicada no final de um ano. Sem este princípio, em janeiro do ano seguinte já estaria vigorando essa lei. Contudo, a redação dada ao art. 150, III, c), da Constituição Federal, proíbe essa prática. Há exceções: impostos de produtos estrangeiros, imposto sobre exportação, imposto de renda e proventos, imposto extraordinário, por exemplo. f) da Vedação ao Confisco (art. 150, IV, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - utilizar tributo com efeito de confisco. É vedado pela Constituição Federal de 1988 o confisco ou a tributação de natureza confiscatória. Por confisco entende-se ato do poder público de decretação de apreensão, adjudicação ou perda de bens pertencentes ao contribuinte sem a contrapartida de justa indenização. Esse mesmo princípio também se aplica na fixação de penalidades tributárias, que deverão respeitar o princípio da razoabilidade. Fernando Capez (2004) denomina esse princípio como da proporcionalidade razoável e diz que o caráter confiscatório ocorre quando o tributo consome grande parte do bem, da propriedade ou inviabiliza o exercício da atividade lícita. Por isso, casos questionados pelo contribuinte, tendo por base esse dispositivo, devem ser analisados pelo Judiciário de maneira concreta, isto é, caso a caso, em particular, devendo ser considerada, de um lado, a carga tributária e, de outro, a propriedade. g) da Ilimitabilidade do Tráfego de Pessoas ou de Bens (art. 150, V, CF) União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III - cobrar tributos: V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. 2 Ou no mesmo ano fiscal, que, no Brasil, coincide com o ano civil, de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Lei 4.230/64.

Aqui ficam garantidos, pelo menos no texto da lei, os direitos relativos à liberdade de locomoção, individual e de bens do indivíduo, vedando-se cobrança de tributos interestaduais ou intermunicipais que tenham como fim estabelecer limite a esses tráfegos. h) da Capacidade Contributiva (art. 145, 1º, CF) Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Os tributos, sempre que possível, deverão ter caráter pessoal, sendo graduados conforme a capacidade econômica do contribuinte. i) da Razoabilidade (art. 5º, LIV, CF) Art. 5º, inc. LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. É aquele que exige proporcionalidade, justiça e adequação entre os meios utilizados pelo poder público e os fins por ele almejados. No campo tributário especificamente, leciona Moraes (2006) que a imposição ou majoração de um tributo somente será adequada se, para alcançar sua finalidade almejada, causar menos prejuízo possível ao contribuinte e se houver proporcionalidade entre as vantagens pretendidas e as desvantagens derivadas. j) da Uniformidade (art. 151, I, CF) Art. 151. É vedado à União: I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócioeconômico entre as diferentes regiões do País. Esse princípio tem como fundamento a federação ou o reforço à força federativa a qual o Estado brasileiro se organiza. Portanto, fica vedado à União estabelecer diferença ou distinção nos tributos relativos aos estados e municípios. Isso reforça a ideia de igualdade federativa. Como apontou Martins (2006), esse princípio também evita guerras fiscais, como veremos nos próximos bimestres. A União, no entanto, poderá instituir isenções fiscais para determinadas regiões, tendo em vista implementar o desenvolvimento ou por razões de integração ou de segurança nacional. Por exemplo, a Suframa e a Zona Franca de Manaus, criadas na década de 1960, visando ao desenvolvimento da Amazônia. O próprio final deste artigo assim indica. REFERÊNCIAS CAPEZ, F. (org.). Curso de Direito Constitucional. São Paulo: 2004. FERREIRA, Marlos Vargas. Resumão Concursos: Finanças Públicas. 1. ed. São Paulo: Eskenazi Ind. Gráfica, 2013.

GIAMBIAGI, Fabio; ALÉM, Ana Claudia. Finanças Públicas: teoria e prática no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. MARTINS, I. G. ISS: campo de batalha da guerra fiscal. In: Revista Conjuntura Econômica, mar., 2006, pp. 12-14. MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 19. ed. São Paulo: Ática, 2006.